segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

ANTÓNIO VENTURA – SEMEAR TRIÂNGULOS DO MINHO E TIMOR. A EXPANSÃO MAÇÓNICA EM PORTUGAL (1893-1935)

 


LIVRO: Semear Triângulos do Minho a Timor. A expansão maçónica em Portugal (1893-1935)

AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Âncora, Janeiro 2026, 223 pags.

LANÇAMENTO:

DIA: 24 de Fevereiro 2026 (17,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano (Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa);
ORADORES: Fernando Marques da Costa

ORGANIZAÇÃO: Âncora Editora | Grémio Lusitano

► “[…] Em Portugal, ao longo de mais de 150 anos, nas diferentes fases da existência, enquanto funcionou com Lojas independentes, como a partir do início do século XIX, com a formação e posterior proliferação de Obediências, a Maçonaria considerou sempre a Loja enquanto centro fundamental. Pode haver Maçonaria sem Obediências, mas não há Maçonaria sem Lojas.

Percorrendo a História da Maçonaria em Portugal, encontramos centenas de Lojas e um número significativo de Obediências, em contexto de dispersão e, posteriormente, a partir de 1869, num sentido inverso, de unificação. Nas respectivas constituições e regulamentos ficaram plasmadas as condições necessárias à formação de novas Oficinas, podendo a autorização depender dos critérios definidos pelas Obediências e pelas Câmaras Litúrgicas que dirigiam os ritos; também estabeleciam o número mínimo de Mestres no processo fundacional. Aqui residia a principal dificuldade […]

A criação de novas Lojas em Lisboa ou em localidades onde existissem Oficinas não constituía problema, uma vez que, como sucedeu na maior parte dos casos, resultavam do desdobramento amigável de uma estrutura pré-existente, ou de cisões ditadas por incompatibilidade entre os membros. A dificuldade residia na constituição de Lojas de raiz, noutras localidades. Como seria possível reunir treze Mestres num local onde não existiam maçons?

A Confederação Maçónica Portuguesa, na Constituição de 1850, mantinha os 13 Mestres, como número mínimo de fundadores, porém, abria excepção para localidades distantes, em pelo menos, duas léguas de Lisboa, onde podiam ser instaladas Lojas com apenas sete Mestres […] A Constituição de 1868, do Grande Oriente Lusitano (Conde de Paraty), já não estabelecia diferença de localização, exigindo 13 fundadores, mas apenas sete com o grau de Mestre […]

Apesar de tudo, era difícil criar uma Loja fora de Lisboa, do Porto e de Coimbra, porque seriam necessários sete Mestres fundadores. As viagens eram morosas e não se afigurava exequível a maçons oriundos de uma determinada localidade distante, residentes em grandes centros urbanos, a possibilidade de ajudarem a fundar uma Loja na terra natal e participarem regularmente nos trabalhos […] Perante esta dificuldade, a Constituição do GOLU de 1878, embora mantendo as condições gerais anteriores, retomava a excepcionalidade:

«Fora das localidades onde existam estabelecidas uma ou mais Lojas, poderão ser instaladas outras apenas com sete obreiros, dos quais cinco pelo menos se achem investidos no grau de Mestre. As Lojas assim constituídas serão consideradas perfeitas, e o carácter de regulares só se adquire quanto tenham preenchido o número de treze irmãos nos termos do antecedente. Estas Lojas, contudo, gozarão das mesmas regalias das Lojas regulares».  

A redução do número de Mestres, para cinco, constituía um avanço, mas persistiam dificuldades. Impunha-se aos cinco fundadores a formação noutras Lojas […]

Importava encontrar outa solução, mais expedita, para permitir a desejável expansão maçónica, inverter a evolução pouco positiva do GOLU, quanto ao número de Lojas, mas, principalmente, de reforço à débil implantação regional […]

Foi este panorama desolador que levou o GOLU a tomar medidas para inverter a situação, com a criação de núcleos maçónicos mais pequenos, os Triângulos [formados por um mínimo de três Irmãos regularmente iniciados]. O fundamental deste nosso livro incide sobre o GOLU, no âmbito do qual foi fundada a imensa maioria dos Triângulos maçónicos. Mas também abordaremos outras situações, embora de menor importância, em que também existiram Triângulos: O Grande Oriente de Portugal, o Grémio Luso-Escocês e a Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain […] [in Introdução. Da Loja ao Triângulo – sublinhados nossos]

No total, estão referenciados 391 Triângulos fundados, para além de algumas dezenas, cuja instalação foi autorizada, mas que não se concretizou. Este livro pretende ser um contributo para o estudo e compreensão da expansão da Maçonaria em Portugal, nos espaços continental, insular e ultramarino, entre 1893 e 1935 [AQUI - com sublinhados nossos]

J.M.M.

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