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sábado, 9 de dezembro de 2017

BARCA NOVA. SEMANÁRIO DEMOCRÁTICO PROGRESSISTA



BARCA NOVA. Semanário Democrático Progressista. Ano I, nº 1 (10 Novembro 1977) ao Ano VII, nº 241 (3 Junho 1983); Propriedade: Empresa Jornalística do Mondego, SARL; Administração e Redacção: Rua Nogueira da Carvalho, 1 r/c, Figueira da Foz (depois, Rua da República, idem), Porto; Director: Wilson dos Santos Nunes (depois, ao nº 104, José Fernandes Martins); Impressão: Atlântida Editora, SARL, Coimbra; Figueira da Foz; 1977-83, 241+2 numrs
 
Trata-se de um “semanário regionalista” democrático e progressista, politicamente militante na área da esquerda, que se publicou entre 1977 e 1983 na cidade da Figueira da Foz e que pretendia defender “os interesses das populações da Figueira da Foz e concelhos limítrofes”. E fê-lo com rasgado e impiedoso vigor de crítica política (o que explica alguma incomodidade ressentida pelo então situacionismo político local; afinal, na provocação e no estar contra-a-corrente estava a máxima imperativa de Joaquim Namorado: “só a ortodoxia é uma aventura”) e uma graciosa ironia (o humor da pena de José Fernandes Martins era perfumadamente corrosivo); e tanto assim foi que logo no seu primeiro número (1977) foi objecto de “cortes” da censura. Teve como principais fundadores e orientadores ideológicos duas personalidades excepcionais, dois grandes amigos, dois grandes companheiros de jornadas culturais e políticas, Joaquim Namorado e José Fernandes Martins, ambos luminosos colaboradores da imprensa regional e nacional, quer nos periódicos República, Diário de Lisboa, Opinião, Diário e, principalmente, na revista Vértice.


O semanário era propriedade de uma curiosa sociedade anónima de responsabilidade limitada [Joaquim Namorado estava, certamente, consciente do que aconteceu à antiga revista “Vértice”], a Empresa Jornalística do Mondego [foi constituída aos 22 de Agosto de 1977] e os seus corpos gerentes eram assim formados: Conselho de Administração: Carlos Manuel dos Santos Neto (Pres.), Wilson dos Santos Nunes e Mário António Figueiredo Neto; Conselho Fiscal: Joaquim José Cerqueira da Rocha (Pres.), Armando de Oliveira Correia e Lídia da Silva Amaral Beja da Silva (efectivos) e José Augusto Alves Fernandes (suplente); Mesa da Assembleia Geral: Rui Pinto Ferreira Alves (Pres.), José Alberto de Castro Fernandes Martins e António Reis (secretários). Era impresso todas as quartas-feiras em Coimbra, na tipografia da Editora Atlântida; seguia depois para a Figueira da Foz, via comboio, nas mãos do recoveiro da CP, para as competentes provas de revisão ortográfica e tipográfica; regressava de novo a Coimbra e findo o trabalho correctivo partia no comboio matutino dos sábados para a Figueira da Foz, para a sua cobertura local e envio pelo correio aos assinantes (sob direção de Adalberto Carvalho); é evidente a colossal aventura logística que exigia, o que não poucas vezes atrasou a distribuição (à volta de 2000 exemplares) do jornal.  


[Alguns Escritos] Colaboração: A. Esteves, A. Janeiro, Adelino Tavares da Silva, Alexandre Campos, Álvaro Bica, António Agostinho, António Augusto Menano, António Maria Carvalho, António Martins Quaresma, António Nascimento, António Oliveira, Armando Correia, Arménio Paixão, Augusto Alberto Pinto Rodrigues, Carlos A. Leal, Carlos Alberto Amorim, César dos Santos, E. Sousa-Abreu, Fernando Gomes Pedrosa, Fernando Lopes Graça, Gilberto Vasco, Guije Baltar, Helder Fonseca, Idalécio Cação, Joaquim António Carriço, Joaquim da Graça, Joaquim José Cerqueira da Rocha, Joaquim Namorado, Jorge Camarneiro, Jorge Leite, Jorge Rigueira, José Augusto Alves Fernandes, José Ferreira Monte [com inéditos], José Fernandes Martins, José Penicheiro, José Traqueia Bracourt, Leitão Fernandes, Leonor Santa Rita, Luís de Albuquerque, Luís Carvalheira, Luís Falcão, Luís Melo Biscaia, Luísa Maria Martins, Lucinda Alves Jordão, Luiz Francisco Rebello, Manuel Cintrão, Mário Castrim, Mário Dionísio, Mário Neto, Mário B. Ribeiro, Mário Reis, Miguel Andrade, Orlando de Carvalho, Pedro Biscaia, Rui Clímaco, Rui Namorado, Rui Santos, Ruy Alves, Teixeira Martins, Sant’Anna Dionísio [“Mondego e os Campos de Coimbra a Montemor”, nº78 e ss], Vasco Gonçalves, Victor Camarneiro, Vital Moreira, Vitorino de Nemésio, Waldemar Ramalho.
J.M.M.

sábado, 21 de março de 2015

RECORDAR JOAQUIM NAMORADO


Recordar Joaquim Namorado” – por Mário Vale Lima, in Público

Sou natural de Alter do Chão, terra de cavalos, que é um privilégio num país de burros” - esclarecia Joaquim Namorado quando o julgavam beirão radicado em Coimbra.
A sua biografia confunde-se com a da Vértice - revista do racionalismo moderno, eufemismo de revista de estudos marxistas, que desde o início, em 1942, se tornou um órgão de divulgação do neo-realismo, conceito estético-literário por ele introduzido em Portugal e que desempenhou um papel relevante na resistência intelectual e política à ditadura.
No centenário do seu nascimento decorre, até 07.06.15, no museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira uma exposição evocativa deste professor de matemática, poeta e militante comunista que, citando o precioso catálogo, abraçou cedo “a grande aventura humana dos tempos modernos, o combate pelo comunismo (…)” aderindo ao PCP em 1935 e cuja visita é imperdível para quem viveu na ancestral cidade universitária as últimas décadas anteriores à democracia onde ele era a figura intelectual tutelar.

Foi ainda editado um opúsculo da autoria de Jaime Ferreira, amigo leal até à sua morte, em 1984, com o inventivo título O herói no “Neo-realismo mágico”.
 
 
A exposição inicia-se com uma foto que cria a subliminal ilusão de o vermos naquela “Coimbra irrepetível (…) onde a Praça da República era, nos anos sessenta e nos começos da década seguinte, o local mais importante do mundo (…), rivalizava com a Vermelha, a de S. Pedro, a da Concorde (…) e nela a figura de Namorado, constantemente vigiado pela PIDE, marcou de forma indelével, sucessivas gerações de rebeldia”. O opúsculo, donde cito, lembra-me no rol dos membros da redacção da Vértice e suas reuniões infalivelmente semanais e o usufruto da contínua recepção de livros e dois semanários sonegadas pela censura – Cuadernos para el Diálogo e Triunfo – arautos dos ideais democráticos.
A guerra civil de Espanha “(…) aqui ao lado, vivida dia-a-dia, e hora-a-hora (…). As notícias dos fuzilamentos, as aldeias destruídas (…). E o “non pasarán! (…)” foi um marco histórico caro a Namorado. Nesse monstruoso conflito bélico, que segundo José Gomes Ferreiraentrou em forma de tempestade pelas casas dos poetas dentro” e onde combateram mais de mil portugueses em ambos os lados da contenda, Salazar teve um papel conspirador decisivo, pois aí se jogou a sobrevivência do Estado Novo. Essa epopeia trágica deixou-nos marcas tão duradoiras que, ainda nos anos 70, Guernika era uma bandeira antifascista e “Ay Carmela!” um hino de nostalgia insubmissa cantado nas manifestações
São vários os textos de Namorado sobre o tema, dentre os quais se releva Vida e Obra de Federico García Lorca e o prefácio à antologia A Guerra Civil de Espanha na Poesia Portuguesa.

Em 1938 conheceu a primeira das prisões. Em 1949/50, fugiu a uma vaga repressiva da PIDE, e teve em Perelhal (Barcelos) um dos seus refúgios, à guarda do Padre Sá Pereira, monárquico e combatente da Monarquia do Norte que, tornado entretanto Presidente da Câmara de Esposende, o disfarçou de “fiscal de obras”. Nessa página conhecida de poucos, embora anticlerical, lembrava, comovido, aquele padre.

Percorre-se a exposição ao som das Heróicas de Lopes Graça até a esta citação de Namorado em 1982: “O estalinismo só é um problema para os anti-comunistas”. Mário Dionísio, “seu companheiro desde o início do mundo”, não cria nisso. O Joaquim era um fingidor. Mas ao contrário de Neruda (“…a terra encheu-se dos teus castigos/ e em cada jardim havia um enforcado…”), nunca criticou Estaline mantendo-se, sem tergiversar, fiel à orientação estalinista imputada ao PCP. A exposição não dá pistas do porquê, então, deste intelectual de capote alentejano, ímpar bagagem de conhecimento e décadas de combate, nunca ter tido lugar relevante no partido.


Continuava, após o 25 de Abril, tonitruante à mesa do Tropical ameaçando com pragas, purgas e fuzilamentos.

Até que em 1981, numa noite de inverno, a redacção da Vértice o conduziu ao afastamento da direcção que lhe pertenceu desde muitos anos antes e onde, diria Mário Dionísio, “queimou a vida quase toda”.

Quer a exposição quer o opúsculo omitem essas horas do “herói do neo-realismo mágico” que se adivinham lúgubres como as de Aureliano Buendia em frente ao pelotão de fuzilamento recordando a tarde remota em que seu pai o levou a conhecer o gelo.

Alguns enigmas da história do poeta de Incomodidade terão ido no caixão coberto com a bandeira do partido"

Recordar Joaquim Namorado – por Mário Vale Lima [médico], jornal Público, 21 de Março de2015, p.53 – com sublinhados nossos.
 
 
J.M.M.

sábado, 28 de junho de 2014

NO CENTENÁRIO DE JOAQUIM NAMORADO - MOSTRA BIBLIOGRÁFICA NA FIGUEIRA DA FOZ


Centenário de Joaquim Namorado – Mostra Bibliográfica & Palestra

 
DATAS: 30 de Junho 2014 (18,30 horas);
LOCAL: Biblioteca Municipal Pedro FernandesTomás, Figueira da Foz;
ORADOR: António Augusto Menano

ORGANIZAÇÃO: Divisão Cultural da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

 J.M.M.

terça-feira, 24 de junho de 2014

JOAQUIM NAMORADO. NO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO



LIVRO: Joaquim Namorado. No Centenário do seu Nascimento. O Herói no “Neo-realismo Mágico”;
AUTOR: Jaime Alberto do Couto Ferreira;
EDIÇÃO: Lápis de Memórias.


LANÇAMENTO em COIMBRA

DIA: 1 de Julho 2014 (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Cultura de Coimbra (Coimbra);

J.M.M.

sábado, 23 de novembro de 2013

JOAQUIM NAMORADO


“Não há grandeza que baste
Quando a desgraça é tamanha!..."
 
Calados, mudo,
No buraco metidos,
Sem coragem de nos mexermos,
De medo transidos,
Sempre despertos os cinco sentidos
Não cheguem lá fora os ruídos
Do mastigar das migalhas
Das mesas caídas;
A vida cobarde a toda a hora agradecida,
Como esmola recebida …
Isto não, não é vida!"
 
 Joaquim Namorado, in “Incomodidade
 
 
J.M.M.