Mostrar mensagens com a etiqueta 18 de Janeiro de 1934. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 18 de Janeiro de 1934. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O MOVIMENTO DE 18 DE JANEIRO DE 1934


82 Anos passados do movimento revolucionário de 18 de Janeiro de 1934, à memória desses homens e mulheres que levantaram bem alto a bandeira da Liberdade e Dignidade, a nossa viva Homenagem.

Aos antigos vidreiros da Marinha Grande, operários do Alfeite, ao operariado de Almada, Barreiro, Coimbra, Seixal, Setúbal, Sines, Silves, a todos os que participaram na jornada do 18 de Janeiro de 1934  ... dizemos PRESENTE!

…, …, Abílio da Encarnação Pereira (Coimbra), Abundancio José (carpinteiro), Adriano Neto Nobre, Acácio Tomás de Aquino, Alcides Augusto Sampaio, Alfredo Gaspar Pedroso, Álvaro André, Álvaro Jacinto, Álvaro Pinto Teixeira, Américo Gomes, António Baridó, António Craveiro, António Ferreira (sapateiro), António Guerra, António Lourenço, António Matias Sobrinho, António Rosa, Armando Nogueira de Figueiredo, Arnaldo Simões Januário, Artur Pereira, Augusto Costa, Augusto Domingos Carlos, Augusto Duarte Reis, Bernardino Braz, Bernardo Pratas, Carlos Caldeira, Carlos Vilhena, Casimiro Ferreira, Cipriano Pinhal (médico), Custodio da Costa, Ernesto José Ribeiro, Felizardo Artur (Almada), Fernando Domingues, Fernando Joaquim Simões (Silves), Francisco da Cruz (O Cobra Morta), Francisco Pereira da Silva, Gil Lopes dos Santos, Henrique Coelho, Henrique da Silva Neto, Jacinto Rodrigues Guerra, Jaime António, João Bacharel, João Caldeireiro, João Conceição Valério (Silves), João Ferreira Grácio, João Ferreira Mouco, João Matos, João do Norte, João Pereira Geraldo, João Pereira Marques, João de Sousa, Joaquim Henriques Júnior, João Matias, Joaquim de Oliveira Gama, Joaquim Montes (Almada), Joaquim Pereira, Joaquim Roque, Joaquim da Silva, Joaquim de Sousa, Joaquim de Sousa Vidigal, José Alexandre, José de Almeida, José Alvares Júnior de Albergaria, José António Machado, José Augusto Frutuoso, José Domingues, José Duarte, José Ferreira Barroca Sobrinho, José Ferreira Galinha, José Gregório, José Libório do Nascimento, José Mateus da Graça (Portimão), José Mendes do Carmo (Portimão), José Mimoso (Silves), José Negrão Buisel (Portimão), José Pedroso, José dos Santos, José Soares, José de Sousa Vidal Júnior, Júlio Pereira, Júlio Pinto, Justino Magalhães, Justino Marques, Luís de Abreu e Sousa, Luís Marques, Manuel Augusto da Costa (Almada), Manuel Baridó, Manuel Braz Júnior, Manuel Domingos Jubileu, Manuel Emílio, Manuel Esteves de Carvalho (Manecas), Manuel Ferreira Morgado, Manuel Francisco (Man’el da Embra), Manuel Joaquim de Sousa, Manuel Pessanha (Silves), Manuel Rodrigues da Cunha Maia (Coimbra), Manuel da Silva Marques, Manuel Silvério, Manuel Vieira Tomés, Mário Castelhano, Mário Marques de Oliveira, Nuno Isidro, Paulo Rosa, Pedro Amarante Mendes (alfaiate), Pedro Ferrer Catarino (Anadia), Pedro Matos Filipe (Almada), Pedro da Silva, Raul Ferreira Galinha, Reinaldo da Silva Fidalgo, Vasco Esteves de Carvalho, Victorino Saraiva, Virgílio Pires Barroso (Silves), …, 

J.M.M.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

18 de JANEIRO DE 1934: HISTÓRIA E MITIFICAÇÃO, POR JOÃO VASCONCELOS


No próximo domingo, 20 de Setembro de 2015, no Auditório do Museu Municipal de Portimão, pelas 16 horas, vai proceder-se à apresentação do livro de João Vasconcelos.

A obra resulta da dissertação de mestrado, realizada na Universidade de Lisboa, agora editada pela Arandis Editora.

Pode ler-se a dado passo da obra:

A chamada «greve geral revolucionária», como ficou conhecido o movimento, vai eclodir apenas na Marinha Grande, Leiria, Coimbra, Almada, Cova da Piedade, Barreiro, Lisboa, Cacém, Vila Boim, Sines, Martingança, Póvoa de Santa Iria, Silves e Algoz. Este movimento, conduzido por uma Frente Única, composta pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), Comissão Inter – Sindical (CIS), Federação das Associações Operárias (FAO), Comissão dos Sindicatos Autónomos e pela Comissão dos Trabalhadores do Estado, as três primeiras filiadas em organizações sindicais internacionais , vai envolver acções de vários tipos: «(...) sabotagens das vias férreas, cortes de linhas telefónicas e telegráficas, atentados e assaltos a um ou outro local económica e politicamente importante, lançamento de bombas em lugares públicos e movimentos de greve propriamente dita. Embora, no plano dos revoltosos, sabotagens, atentados e greve andassem a par e devessem completar-se, nem por todo o lado assim aconteceu. Sabotagens e atentados não foram em número suficiente, nem atingiram centros verdadeiramente nevrálgicos do poder. A greve esteve muito longe de ser geral, começando por falhar rotundamente em Lisboa. Não conseguindo estender-se a todo o território, nem mobilizar o operariado urbano e industrial e, muito menos, atrair outros grupos e classes sociais, o movimento fracassou» . Efectivamente, registaram-se descarrilamentos de comboios em Braga e Póvoa de Santa Iria, este efectuado por comunistas, interrompendo as comunicações nas linhas do Norte e Leste; em Coimbra, os anarquistas fizeram explodir os transformadores de corrente da central eléctrica, levando à paralisia dos transportes públicos e ficando a cidade às escuras; verifica-se a sabotagem da via férrea próximo de Algoz; uma bomba explode na linha férrea, próximo da estação de Martingança; uma bomba é lançada no Barreiro provocando alguns feridos ligeiros; outras duas bombas são lançadas contra um comboio, em Benfica; ocorrem cortes de linhas telefónicas e telegráficas em Leiria, Marinha Grande, Cacém, Almada, Vila Boim e Silves; verificam-se confrontos e troca de tiros entre operários armados de bombas que queriam assaltar uma fábrica de pólvora, e as forças policiais, em Chelas e Xabregas, com lançamento de uma bomba; há manifestações de operários e greves no Barreiro, Sines, Almada, Silves, Seixal, Alfeite, Cacilhas, Setúbal e Portimão; na Marinha Grande a situação é mais espectacular atingindo características insurreccionais – os revoltosos, armados com caçadeiras, revólveres, pistolas e bombas, cortam as comunicações com Leiria, bloqueiam as vias de acesso, atacam à bomba o Posto da GNR desarmando os soldados desta corporação, ocupam a Estação dos Correios e Telégrafos, reabrem o Sindicato Vidreiro e ocupam a Vila por algum tempo . Mais acções estavam para acontecer, mas não se verificaram. A projectada greve geral foi reduzidíssima a nível nacional. Mesmo no que diz respeito a confrontos violentos, sabotagens, atentados e ocupações, ficaram muito aquém do que fora planeado. Salazar, sem grandes dificuldades, consegue restabelecer a ordem em pouco tempo. Como alguns previram, não havia condições em Portugal para desencadear um movimento de características operárias insurreccionais contra o «Estado Novo». A excepção foi a Marinha Grande, não obstante as grandes limitações e dificuldades ali sentidas. Caso os operários armados, cujos principais dirigentes eram comunistas, não tivessem ocupado a Vila, mesmo por um brevíssimo período de tempo, o «18 de Janeiro de 1934» não teria sido porventura aquilo que foi, circulando e perdendo-se por entre as veracidades da História e as brumas do Mito.

Desloca-se a Portimão para proceder à apresentação da obra o Professor Doutor António Ventura, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Sobre João Vasconcelos, autor do estudo que agora se publica, deixamos uma pequena nota biográfica:

João Vasconcelos é natural de Portimão e professor de História na mesma cidade. Licenciado em História e Mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Desde 2010 tem sido um dos principais dinamizadores e porta-voz da Comissão de Utentes da Via do Infante, na luta contra as portagens. Desenvolvendo actividade política no Bloco de Esquerda, foi membro da Assembleia Municipal e vereador pela mesma força política em Portimão.

A nível científico, é autor de vários artigos e estudos no âmbito da História local e regional e de cariz político e sindical. Participou em congressos, conferências, seminários e colóquios pelo País, mas sobretudo no Algarve. Realizou alguns estudos como: João Bonança – Subsídio para um Estudo Crítico do seu Pensamento e Obra, 1990; Regionalização Administrativa do Continente, 1997; A Resistência Operária ao «Estado-Novo» em 1934-Análise de um Processo (co-autor) e Património em Portimão, Que opção: Preservar ou Destruir? (co-autor),1999; O 18 de Janeiro de 1934 – Anarqueirada ou Acção de Massas?, 2001; A Comuna de Paris, 2003; Fascismo, Crise e Revolta Operária no Algarve nos Anos 30 – Interpretações, Polémicas e Controvérsias, 2004; O Dia que abalou Salazar, entre outras publicações.

Uma obra que merece a melhor divulgação, com os nossos votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

domingo, 18 de janeiro de 2015

A REVOLTA DE 18 DE JANEIRO DE 1934

A REVOLTA DE 18 DE JANEIRO DE 1934
 
 
«A revolta do 18 de Janeiro de 1934 [ler AQUI] surgiu como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do recém-publicado “Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais”, em Setembro de 1933, pelo Estado Novo.
 
O movimento saiu para a rua e desenrolou-se, embora desarticulado. Contudo, a falta de apoio militar e a fraca adesão e repercussão nacional condenou-o ao fracasso.

Registaram-se greves gerais de carácter pacífico em Almada, Barreiro, Sines, Silves, e manifestações operárias, mais ou menos violentas na Marinha Grande, Seixal, Alfeite, Cacilhas e Setúbal …» [MAIS AQUI]
 
A rebelião foi duramente reprimida e a lista de presos extensa. Muitos dos operários detidos – principalmente anarquistas e comunistas -, foram inaugurar a Colónia Penal do Tarrafal, criado por Salazar ao abrigo do DL nº 23 de Abril de 1936. Os presos partiram para o Campo de Concentração do Tarrafal a 18 de Outubro de 1936. Muitos ali morreram.  
 
Eis uma lista de presos, resultante da fracassada tentativa da revolta de 18 de Janeiro de 1934 [via “Greve Geral Revolucionária de 18 de Janeiro 1934”, ed. GAPS, Tipografia Duarte, Lisboa, Agosto de 1974]
 
 
J.M.M.

sábado, 18 de janeiro de 2014

18 DE JANEIRO DE 1934 – A REVOLTA NA MARINHA GRANDE


"A revolta do 18 de Janeiro de 1934 surgiu como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do recém-publicado “Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais”, em Setembro de 1933, pelo Estado Novo.

O movimento saiu para a rua e desenrolou-se, embora desarticulado. Contudo, a falta de apoio militar e a fraca adesão e repercussão nacional condenou-o ao fracasso.

Registaram-se greves gerais de caráter pacífico em Almada, Barreiro, Sines, Silves, e manifestações operárias, mais ou menos violentas na Marinha Grande, Seixal, Alfeite, Cacilhas e Setúbal.


Foram sabotadas estruturas de transportes, comunicações e de energia entre Coimbra e o Algarve, com destaque para Leiria, Martingança e Póvoa de Santa Iria. Registaram-se confrontos armados com forças policiais em Lisboa e Marinha Grande, onde o movimento atingiu grandes repercussões.

Quando, em finais de 1933, se iniciaram os preparativos da insurreição e Greve Geral nacional do dia 18 de Janeiro de 1934, o centro industrial vidreiro da Marinha Grande não ficou de fora.

Em articulação com as organizações sindicais nacionais, o movimento foi liderado por José Gregório, Teotónio Martins, Manuel Baridó, António Guerra, Pedro Amarante Mendes, Miguel Henrique e Manuel Esteves de Carvalho.

Entre a meia-noite e as duas da manhã do dia 18 de Janeiro de 1934, vários trabalhadores da Marinha Grande, na sua maioria vidreiros, reuniram-se em Casal Galego.

Estavam munidos de ferramentas para corte de árvores e vias de comunicação, de espingardas, revólveres, pistolas e bombas. Organizaram-se em brigadas e receberam instruções por parte dos dirigentes do movimento. Cortaram as estradas de acesso à Marinha Grande e a via-férrea.

Ocuparam a Estação dos Correios e Telégrafos e o Posto da GNR, com a consequente rendição e desarmamento dos soldados da Guarda Republicana e distribuição de armas pelos revoltosos.

Foram assim criadas condições para que se pudesse realizar a paralisação geral do trabalho na manhã do dia 18 de Janeiro. Porém, o movimento foi contido logo ao início da manhã. Os insurrectos foram surpreendidos com a chegada à Marinha Grande das forças policiais vindas de Leiria. Seguiram-se o Regimento de Artilharia Ligeira 4 e do Regimento de Infantaria 7.

Os revoltosos ainda resistiram, mas, pela manhã, as autoridades tomaram a cidade, onde declararam o estado de sítio.

Mandaram encerrar as fábricas, iniciando as buscas e detenções daqueles que participaram no movimento, gorando o objectivo da paralisação geral do trabalho.

O número de detidos terá ascendido, a 131 pessoas. 45 revoltosos foram processados e condenados ao desterro pelo Tribunal Militar Especial, com penas entre 3 e 14 anos de prisão e ao pagamento de pesadas multas.

Nesta conjuntura iniciou-se um longo processo de luta contra o Estado Novo, contra a ditadura, a censura e o estado corporativo.

Reclamou-se o direito elementar à liberdade, do qual resultaram milhares de presos políticos, considerados de “especial perigosidade”. Alguns foram deportados para a ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde, nomeadamente para a Colónia Penal do Tarrafal, conhecida como o “campo da morte lenta”.

Os revolucionários do 18 de Janeiro foram derrotados num combate em que a heroicidade não bastava para vencer a enorme desigualdade de forças"
 
FOTO e TEXTO via VITRIOL Associação, com a devida vénia.

 J.M.M.

18 DE JANEIRO DE 1934 – MILITANTES DA CGT PRESOS EM PENICHE


Militantes da CGT presos na Fortaleza de Peniche pela sua acção no movimento do 18 de Janeiro de 1934

Na sequência das prisões que acompanharam e sucederam ao movimento do 18 de Janeiro de 1934, foram presos muitos militantes confederais.

NA FOTO: Sentado ao centro, encontra-se "Manuel Joaquim de Sousa. À sua esquerda, José Francisco; à direita, António Inácio Martins. De pé, da esquerda para a direita: José António Machado, José Vaz Rodrigues e José Meste Vargas Júnior, este morto na Guerra Civil de Espanha." (No verso da fotografia)

via Arquivo Histórico-Social/ProjectoMOSCA
J.M.M.
 

 

18 DE JANEIRO DE 1934 – MILITANTES PRESOS EM PENICHE


Militantes presos na Fortaleza de Peniche pela sua acção no movimento do 18 de Janeiro de 1934

José Francisco, fogueiro da marinha mercante e posteriormente empregado de escritório, e militante anarco-sindicalista, aqui num grupo de presos políticos na fortaleza de Peniche.
 
[Fotógrafo não identificado. No verso: “Ao meu amigo (*) Joaquim Montes ofereço esta fotografia tirada no dia 25-12-1934 na Fortaleza de Peniche. (assina) José Bernardo”. (Nota de JF: Morto no Tarrafal). Adenda no verso, coluna à direita (autógrafo de JF): “Militantes presos em Peniche pela sua acção no 18 de Janeiro de 1934].
 
Ao centro [está] a mãe de José Francisco, 80 anos, de visita ao filho".
 
Alguns dos OUTROS PRESOS: Raposo, Vaz Rodrigues, Quaresma, Indeo (?) Martins, Barnabé, Le Pequeno (sic). Camponeses e trabalhadores de conservas, construção civil e marítimos. Estavam representadas todas as províncias de Portugal de Norte ao Sul”.
 
Texto dactilografado de J. Francisco (?) em folha A4 que acompanha as fotos: “Fortaleza de Peniche – 1936. Um dia de visita. Os presos que fazem parte desta foto, na sua maioria militantes cegetistas, cumprindo penas várias ou detidos sem culpa formada, após o 18 de Janeiro de 1934, pertencem a todas as regiões de Portugal, desde o Algarve ao Norte do país e das mais variadas profissões: camponeses, conserveiros, construção civil, alfaiates, comércio, etc.
 
Entre os que puderam ser identificados encontram-se: José Francisco, ao lado de sua mãe, que por unanimidade de todos resolveram que figurasse na foto, com os seus 83 anos de idade; Barnabé Fernandes, do Barreiro; José Quaresma, de Setúbal, Jorge Viancad R Raposo, da Juventude Libertária de Lisboa; António Inácio Martins, anarquista do Porto; José Bernardo, de Setúbal".
 
Esta fotografia foi conservada pelo próprio, e por ele entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações.


J.M.M.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

18 DE JANEIRO DE 1934


Assinala-se hoje, 18 de Janeiro de 1934, uma das efemérides históricas importantes no combate contra o regime salazarista que se afirmava em Portugal nessa altura.

Na Marinha Grande, um conjunto de operários vidreiros revoltaram-se contra a aplicação do Estatuto do Trabalho Nacional que tinha sido aprovado pelo Governo de António de Oliveira Salazar.

Mais do que recordarmos a efeméride e descrevê-la com todos os detalhes, convém verificar onde e como é recordada nos nossos dias, passados 79 anos sobre os acontecimentos, que memória existe sobre o tema. Assim, verifica-se que a Câmara Municipal da Marinha Grande assinala a revolta operária ocorrida a 18 de Janeiro de 1934, através da realização da exposição “Figuras do 18 de Janeiro de 1934” e do ateliê educativo “Histórias da nossa terra: o 18 de Janeiro de 1934”, que decorrem no Museu Joaquim Correia, situado no Largo 5 de Outubro, na Marinha Grande.

O objectivo das actividades é o de homenagear os operários que participaram na revolta de 18 de Janeiro de 1934, na Marinha Grande. A insurreição nacional levada a cabo em 18 de Janeiro de 1934 resulta indirectamente de um longo processo de luta social e sindical pela melhoria das condições de vida da classe trabalhadora e surge como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do então recém-publicado Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais, em Setembro de 1933. 

A Exposição “Figuras do 18 de Janeiro de 1934”está patente no Museu Joaquim Correia, de 18 de janeiro a 9 de fevereiro de 2013, e apresenta fichas de registo de alguns dos operários da Marinha Grande presos e condenados pelo Tribunal Militar Especial, no seguimento da insurreição nacional de 18 de Janeiro de 1934, procedentes do livro de Registo Geral de Presos da Policia de Vigilância e Defesa do Estado - PVDE/PIDE.

Ao todo são 48 homens, marinhenses de gema e operários de profissão, que vão ser hoje evocados na Marinha Grande, a propósito do 79.o aniversário da revolta de 18 de Janeiro de 1934. Protagonistas daquela que poderá ser considerada uma das maiores insurreições operárias de que o concelho, e mesmo o País, terá memória, deram voz ao descontentamento de uma classe social fustigada pela crise económica e acabaram perseguidos, presos e condenados ao desterro pelo Tribunal Militar Especial.

O movimento liderado por José Gregório, Teotónio Martins, Manuel Baridó, António Guerra, Pedro Amarante Mendes, Miguel Henrique e Manuel Esteves de Carvalho, apelou ao associativismo operário do concelho em prol da paralisação generalizada das fábricas da cidade. Muitos destes operários inspiravam-se nas ideias comunistas e anarquistas do final da República e acabaram por ser desterrados ou presos. Segundo Fátima Patriarca foram presos no dia dos acontecimentos e até final desse ano de 1934,  531 cidadãos, mais 42 detidos em Lisboa no dia 18, mais 20 dirigentes sindicais no dia seguinte em Almada, a que acrescem mais 6 militantes presos em Campo Maior.


Os acontecimentos foram encadeados com episódios que ocorreram noutros locais como: a explosão da Central Eléctrica de Coimbra, a sabotagem na Fábrica de Braço de Prata, o corte de comunicações telefónicas em algumas cidades e o descarrilamento de um comboio na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira.

Estes acontecimentos encontram-se já documentados e analisados em várias obras das quais destacamos:
Fátima Patriarca, Sindicatos contra Salazar. A Revolta do 18 de Janeiro de 1934, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 2000;
- Emídio Santana et. al., O 18 de Janeiro de 1934 e Alguns Antecedentes, Lisboa, Regra do Jogo, 1978;
- L. H. Afonso Manta, O 18 de Janeiro de 1934. Do Movimento de Resistência Proletária à Ofensiva Fascista, Lisboa, Assírio &Alvim, 1975;
- Fátima Patriarca publicou ainda um artigo na Análise Social que pode ser consultado AQUI.

Na blogosfera encontraram-se alguns artigos recentes sobre a temática e alguns blogues dedicam-se em exclusivo à recolha de informação sobre o tema. Permita-se-nos destacar os seguintes:

A.A.B.M.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

18 DE JANEIRO DE 1934


Comemorações do 18 de JANEIRO de 1934

A Câmara Municipal da Marinha Grande e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira comemoram o 75º Aniversário da revolta do 18 de Janeiro de 1934. Especial atenção à Exposição sobre a efeméride que decorre na Galeria Municipal da Marinha Grande.

J.M.M.