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segunda-feira, 15 de junho de 2015

UMA AUTOBIOGRAFIA DA RAZÃO. A MATRIZ FILOSÓFICA DA HISTORIOGRAFIA DA CULTURA DE JOAQUIM DE CARVALHO




EDIÇÃO: Imprensa da Universidade de Coimbra (2015, 452 p.).

LANÇAMENTO:

DIA: 16 de Junho (17,30 horas);
LOCAL: Biblioteca Geral Universidade de Coimbra (Sala S. Pedro);
ORADOR: Professor Fernando Catroga
«Uma autobiografia da Razão» é um estudo de significação da opera omnia de Joaquim de Carvalho (1892-1958), historiador das ideias, da cultura e da filosofia,  catedrático em Coimbra e o grande animador e director (1921-1934) da Imprensa da Universidade, obra estabelecida dentro daquela grande inquietude do nosso tempo, à qual só uma resposta humanista aniquiladora da cultura sem alma ‘puramente técnica’ e superadora do ‘tipo intelectual, que apenas se move no reino dos meios’ se impunha.
Ora, esse repto só seria perceptível se reconduzisse à via compreensiva o pensamento racional, crítico e analítico; e o incorporasse numa hermenêutica da contemporaneidade,  para a qual a escola se deveria autoconstituir como aparelho privilegiado ao aprofundar, como criação paidêutica, um estilo de pensamento dialógico que reconhecesse à alteridade os mesmíssimos direitos de cidade que à ipseidade outorgava.
A esta epistemologia da cultura democrática, de fuga espinosiana e leibniziana  (pois não é só o de jure transcendental kantiano mas a outridade monadológica que atravessa o prisma de luz), se entregou em busca de uma clara formulação política que ele mesmo enunciou na praça pública e continuaria a repetir, por vezes na surdina epistolar, aos exaustos ouvidos epocais – matraqueados internamente pelo desumano volume das demonstrações da evidência e da evidência da força e pela salvífica pressão e repressão totalitária que incendiando a Europa, na propaganda, na proibição, na polícia, na morte, matava as expectativas da liberdade cerradas à parede pelo voluntarismo das «democracias orgânicas» völkish ou pela fantasia perfeccionista da cientificidade das ‘democracias populares’»
J.M.M.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

MARCELLO CAETANO, MARCELISMO E "ESTADO SOCIAL", DE LUÍS REIS TORGAL



Hoje, 17 de Julho, pelas 18 horas, na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra, vai ser apresentado o mais recente estudo do Professor Doutor Luís Reis Torgal intitulado Marcello Caetano, Marcelismo e "Estado Social".

Pode ler-se na sinopse da obra:
Fala-se muitas vezes de “Primavera marcelista” e de “liberalização bloqueada” para caracterizar o regime de Marcello Caetano (1968-1974). Por sua vez, o sucessor de Salazar insistia na ideia de que se tratava de uma “Renovação na continuidade” e preferiu utilizar o conceito de “Estado Social” para caracterizar o Estado Corporativo, cuja denominação também manteve, considerando que deveria ser aperfeiçoado. Este conceito de “Estado Social”, se é assim entendido por Marcello, não deixa de ser, embora apenas formalmente e com outro sentido, o mesmo conceito hoje tão usado no debate político, considerando-o, alguns, essencialmente uma conquista da democracia, que, todavia, se está a perder. Por outro lado, no tempo de Marcello Caetano, o seu regime foi criticado à direita e à esquerda, considerando-o a primeira uma traição ao salazarismo e, sobretudo, à sua concepção de Estado uno, e a segunda um Estado Novo sem Salazar e… com Marcello Caetano.
Afinal o que foi o Marcelismo ou o período marcelista e quem foi Marcello Caetano? Este ensaio, retomando outros trabalhos realizados — num tempo em que os estudos sobre o estadista parecem ser mais frequentes na historiografia portuguesa, muito mais interessada por Salazar — pretende, de uma forma assumida e fundamentada, responder a esta questão.

A apresentação da obra estará a cargo do Prof. João Paulo Avelãs Nunes.

Uma obra e uma sessão que se sugere para este dia.

A.A.B.M.

sábado, 29 de setembro de 2012

FERIADOS EM PORTUGAL. TEMPOS DE MEMÓRIA E SOCIABILIDADE

Na próxima terça-feira, 2 de Outubro de 2012, pelas 18 horas, na Sala Sá de Miranda (Casa Municipal da Cultura de Coimbra), vai ser apresentado o livro intitulado Feriados Em Portugal. Tempos de Memória e de Sociabilidade, de autoria de Luís Reis Torgal e Luís Oliveira Andrade.

Na sessão será apresentada uma conferência sobre o tema em epígrafe, em homenagem ao Doutor Luís Andrade (1959-2005).

Segundo se pode ler na nota de divulgação da obra:

Esta obra, iniciada há mais de dez anos e agora concluída, mostra-se aquando do seu lançamento mais relevante que nunca, dado o contexto do debate sobre o tema, quando o Estado alterou o Código do Trabalho e aboliu quatro feriados. Os autores começam por recuar até ao Liberalismo, época em que a conceção de feriados cívicos começou a surgir, vindo a consolidar-se no âmbito da celebração dos centenários e do debate sobre o descanso semanal. O próximo grande passo surge em 1910 com o plano dos feriados da República, em que não foram incluídos os dias santos, mas sendo de realçar que esse sistema se manteve na Ditadura e no Estado Novo, só se podendo falar de feriados religiosos em 1952. Com o 25 de Abril de 1974, para além de se tentar recriar a memória dos feriados anteriores, procurou criar-se e ativar-se as festas do trabalhador e da liberdade (o 1.º de Maio e o 25 de Abril) e dar aos feriados municipais uma dimensão popular. A obra termina com a análise da atual viragem de paradigma, quando, em 2011-2012, ainda no âmbito do Centenário da República, surgiu uma justificação simplesmente económica para reduzir os feriados oficiais, resultando na extinção de dois feriados cívicos que simbolizam valores essenciais como o da Respublica e o da independência de Portugal.

Esta obra analisa a problemática dos feriados constatando algumas situações mais ou menos conhecidas do público em geral, entre elas observa-se o seguinte:

O 1.º de Dezembro é o feriado civil mais antigo: sobreviveu à I República austera em festividades, ao Estado Novo que só recuperou os "dias santos" em 1952 e à chegada da democracia, que nunca aboliu feriados mas acrescentou vários ao calendário. 

Menos de uma semana após a revolução republicana de 1910, um decreto acabou com os feriados religiosos e institui apenas cinco dias de 'folga nacional': o 1.º de Janeiro (transformado em Dia da Fraternidade Universal), o 31 de Janeiro (data da revolta republicana no Porto, em 1891), o 5 de Outubro (Dia da República), o 1.º de Dezembro (Dia da Independência e da Bandeira) e o 25 de Dezembro (que passou a Dia da Família).

O mesmo decreto permitia aos municípios escolherem um dia de celebração local, estando aqui a origem dos feriados municipais.

Os republicanos só aceitavam uma celebração civil vinda da monarquia: o 1.º de Dezembro, que celebra a restauração da Independência em relação a Espanha em 1640. Este é um feriado nascido na segunda metade do século XIX, pela mão da então Comissão Nacional 1.º de Dezembro, mais tarde Sociedade Histórica da Independência Nacional, criada em 1861 como reacção "a um movimento iberista".







Um estudo oportuno e interessante para se perceber a polémica que actualmente se vai vivendo no nosso País sobre a redução do número de feriados e as várias posições que vão por aí circulando.

A.A.B.M.