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quinta-feira, 11 de julho de 2013

UMA FLOR NA CAMPA DE RAUL PROENÇA

 
Uma Flor na Campa de Raul Proença, de José Rodrigues Miguéis, BNP, 1985 [trata-se da reunião de textos publicados com o mesmo título no jornal “Diário Popular” nos dias 12, 19, 26 de Abril e 3 de Maio de 1979]

“Por essa época (1925-1926), do fundo da minha insignificância de novato, ousei um dia perguntar-lhe [Raul Proença], sem o reforço de elogios, se a polémica – o ‘cacete florido’ na sua expressão – não prejudicaria a obra do escritor de ideias, do organizador sem par que ele era, apto a formar e inspirar uma plêiade de eruditos e investigadores excepcionais. Sem deixar de admirar o combatente, era pela sua obra criadora que eu sobretudo receava, embora sem o confessar. Com o rosto aceso de fervor e a veemência concentrada que lhe era habitual, mas temperada pela brandura (pois nada de magister, do pedante, do bonzo ou padre-mestre havia neste chefe exigente e severo), Proença - lembro literalmente as suas palavras – respondeu: ’Não só não julgo que a Polémica seja o aspecto menos válido da minha obra como até talvez a considere o melhor’. Diante disto curvei-me

(Três anos depois eu poria o mesmo problema a António Sérgio, exilado em Paris: Não seria a Polémica o parasita da sua criação pessoal, de que tantos esperávamos? ‘Para escrever – tornou-se ele exaltado – eu preciso de ter o antagonista aqui na minha frente, como este tinteiro!’ E o tinteiro de estanho, uma antiguidade, espirrou um resto de tinta e algumas moscas mortas a razoável altura)”

in “Uma Flor na Campa de Raul Proença”

J.M.M.

domingo, 19 de novembro de 2006

SEARA NOVA

 

FOTO (1921) DO GRUPO FUNDADOR DA REVISTA SEARA NOVA

FOTO do Grupo fundador da revista Seara Nova, tirada em 1921 no Coimbrão (lugar que fica a caminho da Praia do Pedrogão – concelho de Leiria), em casa de José Leal (casa desenhada pelo arquitecto republicano e maçon Ernesto Korrodi, pertencente à família Leal, onde em tempos se refugiou da polícia política Aquilino Ribeiro e anos mais tarde Mário Soares) que inclusive patrocinou monetariamente a revista.

Da esquerda para a direita, em pé: o padre de Coimbrão, Horácio Fernandes Biu (1883-1947 – não integrou o grupo literário fundador da revista), Faria de Vasconcelos (1880-1939), Raul Proença  (1884-1941) e Luís da Câmara Reys (1885-1961); sentados: Jaime Cortesão (1884-1960), Aquilino Ribeiro (1885-1963)  e Raul Brandão (1867-1930).

De referir que na foto histórica e oficial do grupo “Seara Nova” – ver Antologia Seara Nova, Edições do Cinquentenário 1921-1971, Seara Nova, 1971, vol. I, p. 87 – não consta o padre Horácio Fernandes Biu, porém originalmente o padre, antigo estudante de Coimbra e amigo de alguns dos literatos seareiros, esteve presente nesse memorável encontro.

"... As condições em que surgiu na vida portuguesa a Seara Nova, não me cabe a mim [José Rodrigues Miguéis] explicá-las aqui e são de resto sobejamente conhecidas: um caos governativo presidindo a um caos moral, económico e mental; a Nação desorganizada entregue à mais sistemática de todas as desgovernações; a República sofrendo todas as consequências más dos erros acumulados através do tempo, agravados agora pelo desvairamento ou pela corrupção de uns políticos e de muitos cidadãos. Se o problema era e é primariamente um problema educativo ou cultural - como afirma António Sérgio - ou ainda económico, - como parece concluir Ezequiel de Campos, - a verdade é que a cadeia dos males nacionais é tão fechada que não podemos perder tempo a discutir 'por onde se há-de começar a abrir-lhe a brecha' (...) Para nós, a Seara Nova é como que o embrião dum grande órgão jornalístico que, exercendo a sua acção fora dos partidos, das classes, dos interesses e das religiões, - conseguisse levar a todos os espíritos um pouco de luz, de conforto e de verdade. Jornal republicano, ele seria para os cidadãos um bom conselho e um bom estimulo - sem lhes pedir em troca o seu voto e a sua consciência, sem os forçar a ignorar o que é preciso que se saiba em Portugal ..."

[José Rodrigues Miguéis, discurso proferido por 'ocasião do quarto aniversário da Seara Nova', in Antologia Seara Nova, texto 14, Vol. I, 1971]

J.M.M