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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

REVISTA DE ESTUDOS LIVRES



REVISTA DE ESTUDOS LIVRES. Mensário lisboeta de cariz científico – 1883-1886; Propr: José Carrilho Videira, Nova Livraria Internacional (Rua do Arsenal, nº 96); Impressão: Tip. de A. J. da Silva Teixeira (Rua Cancela Velha), Porto; 1983-86, 33 fasc,

[Alguma] Colaboração: António José Teixeira, Augusto Brochado, Carlos de Melo, Carlos von Koseritz, F. Sá Chaves, Filipe de Figueiredo, Filomeno da Câmara, Frederico de Barros, João Cardoso Júnior, João Teixeira Soares, Joaquim José Marques, José Augusto Vieira, José Carrilho Videira, José Eduardo Gomes, José Leite de Vasconcelos, José de Sousa, Júlio Lourenço Pinto, Júlio de Matos, Lino de Assunção, Luciano Cordeiro, Moniz Barreto, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Reis Dâmaso, Silva Teles, Sílvio Romero, Teixeira Bastos, Teófilo Braga.

"A Revista de Estudos Livres não pode expor melhor o pensamento que a motiva, nem o intuito que nos estimula senão apresentando em duas palavras o que Augusto Comte entendia por uma Revista moderna. O eminente transformador da Filosofia do século XIX, projetava uma Revista ocidental como um órgão de aplicação contínua da sua doutrina ao curso dos acontecimentos humanos, realizados ou previstos, para a apreciação sistemática do movimento intelectual e social nas cinco grandes populações avançadas, francesa, italiana, espanhola, germânica e britânica.

A Revista de Estudos Livres visa à aplicação dos eternos princípios da liberdade intelectual, moral e política aos acontecimentos atuais, para os julgar e poder deduzir deles as condições do progresso. Todas as investigações nos interessam, com tanto que elas conduzam para um ponto de vista social. Na crise de transformação mental e política em que vão entrando as duas nacionalidades portuguesa e brasileira, filhas da mesma tradição histórica, nas quais o regime católico-monárquico subsiste pela inércia, mas sem apoio nas consciências, é imensamente necessário um órgão crítico e especulativo que agremiasse [sic] os dois povos para a inteligência da sua tra[n]sição inevitável.

A Revista de Estudos Livres tornar-se-á benemérita no dia em que inicie esta convergência necessária, até hoje firmada apenas pelo nexo económico e pela concorrência mercantil, formas espontâneas da síntese ativa. Entre Portugal e Brasil existem as bases profundas de uma síntese afetiva, como se verificou esplendidamente nas festas do Centenário de Camões, porém as publicações intituladas “luso-brasileiras”, não podendo elevar-se à compreensão da síntese especulativa, ou acordo mental, caíram diante da chateza da exploração do assinante, obstando pelo descrédito à influência de um pensamento tão fecundo…


- Revista de Estudos Livres  AQUI ONLINE.
 
J.M.M.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

JOSÉ CARRILHO VIDEIRA (Parte II)


Além do que se indicou, tem sido editor e colaborador das seguintes obras:

Almanaque Republicano [1875 a 1887];
Biblioteca Republicana Democrática. – Publicaram-se 22 fascículos. Alguns são traduzidos ou anotados por Carrilho Videira.
Catecismo Republicano para uso do Povo, 1880. - Em colaboração com Teixeira Bastos.
História da Revolução Francesa de 1789, por Hamel. Traduzida e anotada. - E o primeiro volume da «Biblioteca Histórico Científica», da qual é também proprietário.
Aos eleitores do circulo 110 (Portalegre, Castello de Vide, Marvão e Arronches) .- Duas paginas em fólio. Tem a data de Lisboa a 16 de Outubro de 1879. Respeita a candidatura do autor apresentada por aquele círculo, apoiada por um manifesto assinado pelos srs. dr. Teófilo Braga, Teixeira Bastos e Franco de Matos, e inserto no Amigo do Povo.

Sendo um dos precursores da República em Portugal, Carrilho Videira, na opinião de Sebastião de Magalhães Lima “pode dizer-se que foi um herói” num tempo em que era perigoso ser republicano. Com os seus parcos recursos desenvolveu uma actividade notória ao publicar dezenas de opúsculos de propaganda. [Cf. Magalhães Lima, Episódios da Minha Vida. Memórias documentadas …, Livraria Universal, Lisboa, 1928]. Ele e muitos republicanos como ele aspiravam a um ideal de República que, acreditavam, se podia conseguir por duas formas: “derramando e propagando os princípios modernos, as noções reais e positivas das coisas, e o conhecimento dos direitos individuais e colectivos por meio da imprensa, de jornais, de livros e folhetos, de conferências públicas, etc.; e formando em todos os pontos do país pequenos núcleos de união (até mesmo de três indivíduos) ou centros políticos que procedam à agremiação dos novos elementos e preparem forças para fazerem manifestações republicanas na urna ou de qualquer outro modo legal”. [Carrilho Videira e Teixeira Bastos, Catecismo Republicano para uso do Povo, apud Amadeu Carvalho Homem, A Propaganda Republicana (1870-1910), Coimbra, 1990]

Um dos aspectos mais curiosos do seu pensamento de base federalista foi a divisão de Portugal “formado por Estados do Norte, Centro, Sul e Algarve e ainda por mais uns tantos Estados Ultramarinos”.

Carrilho Videira, desagradado com sucessivos fracassos e desavindo com muitos dos seus correligionários, afasta-se gradualmente da vida política e dedica-se á publicação de obras literárias ou científicas, consoantes todavia com os princípios que segue, e tem, com esse intuito, mandado imprimir entre outras as seguintes obras:

Biblioteca das Ideias Modernas. - Fascículos de 32 paginas, em que são divulgadas as doutrinas de Darwin, Lubock, Ramsay, Bertholet e outros. Publicaram-se dez volumes da primeira série.

Materiais para a Historia da Literatura Brasileira. (Cantos e contos populares do Brasil, coligidos por Sílvio Romero, e anotados por Teófilo Braga.).

Vibrações do Século, por Teixeira Bastos.

Miragens Seculares, epopeia cíclica da historia pelo dr. Teófilo Braga.

Revista de Estudos Livres. – Publicou-se entre 1883 e 1887. Era dirigida por Teófilo Braga e Teixeira Bastos, onde colaboravam muitos escritores da época como Júlio Lourenço Pinto, Júlio de Matos ou José António Reis Dâmaso. Esta revista bem apreciada pelos periódicos de igual natureza e especialmente pela Révue Indépendent, de Paris, a que Camilo Castelo Branco se referiu, louvando a perseverança do editor em manter uma publicação, «que não envergonhava o país».

História das Ideias Republicanas em Portugal, de Teófilo Braga, 1880.

Cerca de 1887 parte para o Brasil onde prossegue a sua actividade de livreiro até ser hospitalizado devido a problemas mentais. Encontram-se fortes vestígios da sua presença no Brasil entre 1892 e 1894, como é referido aqui. Regressa então a Portugal já bastante doente vindo a falecer em Marvão em 25 de Agosto de 1905, efeméride que se assinalou no passado sábado.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
BARBOSA, Luísa Maria Gonçalves Teixeira, O Contributo da Comunidade de Portugueses no Brasil para a Consolidação do Republicanismo em Portugal (1890-1910) in http://www.museu-emigrantes.org/seminario-comunacao-luisabarbosa.htm
CATROGA, Fernando, O Republicanismo em Portugal. Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, FLUC, Coimbra, 1991.
HOMEM, Amadeu Carvalho, Da Monarquia à República, Palimage, Viseu, 2001.
HOMEM, Amadeu Carvalho, A Propaganda Republicana (1870-1910), Coimbra, 1990.
LIMA, Sebastião de Magalhães, Episódios da Minha Vida. Memórias Documentadas, Livraria Universal, Lisboa, 1928.
OLIVEIRA, Lopes de, História da República Portuguesa. A Propaganda na Monarquia Constitucional, Inquérito, Lisboa, 1947.
RODRIGUES, Jacinto, Anos de Aprendizagem de Ladislau Batalha in
http://jacintorodrigues.blogspot.com/2007/05/anos-de-aprendizagem-de-ladislau.html
SILVA, Inocêncio Francisco da, Dicionário Bibliográfico Português, Imprensa Nacional, Lisboa, vários anos e volumes.
VENTURA, António, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As convergências possíveis (1892-1910) , Edições Cosmos, Lisboa, 2000.

[Foto: Rua do Arsenal em finais do século XIX, onde se situava a Livraria Nova Internacional de Carrilho Videira, in Arquivo Fotográfico de Lisboa.]

A.A.B.M.

domingo, 26 de agosto de 2007

JOSÉ CARRILHO VIDEIRA (Parte I)



Nasceu em Marvão a 6 de Novembro de 1845, filho de João Carrilho Videira e de Teresa de Jesus Paula e Sequeira. Aos dezasseis anos abandona a vida agrícola, que seu pai exerce, porque era proprietário abastado.
Realiza os seus estudos no Liceu de Portalegre, e ali inicia a colaboração na imprensa, começando por escrever na Gazeta de Portalegre, o primeiro periódico impresso naquela cidade.

Entre 1865 e 1868, realiza os estudos preparatórios em Coimbra, e, de forma anónima, encarrega-se de diversas correspondências para jornais, e em especial para a Correspondência de Portugal. Cerca de 1868 ou 1869 abandona Coimbra, e frequenta a Academia Politécnica do Porto. Em 1869 instala-se em Lisboa e matricula-se na Escola Médico Cirúrgica, que frequenta durante dois anos. Abandona o curso para se dedicar á profissão de livreiro e editor, fundando em 1871 a Nova Livraria Internacional.

O editor começou por militar no Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, mais tarde fundou a Internacional Operária, em Lisboa [Cf. Fernando Catroga, O Republicanismo em Portugal. Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, FLUC, Coimbra, 1991].
Na livraria de Carrilho Videira, na Rua do Arsenal, nº 96, começam a afluir um conjunto de jovens escritores e outros consagrados onde pontificavam José Falcão, Gilberto Rola, Elias Garcia, Rodrigues de Freitas, Gomes Leal, Nobre França, Silva Lisboa, Silva Pinto e Eduardo Maia, defensores da democratização da vida política portuguesa, que discutiam as novas ideias: a República, o federalismo, a democracia … [Magalhães Lima, In Memoriam do Doutor Teófilo Braga, Imp. Nacional, Lisboa, 1934].

Em 1873 fundou o jornal O Rebate, semanário de que saíram 32 números, tendo iniciado publicação em 29 de Junho de 1873 e terminado a sua existência em 27 de Fevereiro de 1874. Carrilho Videira foi um dos redactores e teve como colaboradores Eduardo Maia, Silva Pinto, visconde de Paiva Manso, Sérgio de Castro, António Joaquim Nunes, Leão de Oliveira, Horácio Esk Ferrari, José Manuel Martins Contreiras, Sebastião de Magalhães Lima, Mariano de Carvalho (Pai), e dr. Teófilo Braga: mas, este último e o primeiro (Carrilho Videira), foram os que sustentaram por mais tempo a sua colaboração. Este jornal dizia-se adepto da “doutrina republicana radical socialista”. Segundo Amadeu Carvalho Homem, Carrilho Videira procurava estabelecer pontes de “aproximação entre republicanismo e socialismo”, sendo defensor de uma via federalista o que veio provocar várias cisões no seio da organização do Partido Republicano ao longo das décadas de setenta e oitenta do século XIX.

Este grupo federalista fundou em Maio de 1873, na sequência da proclamação da República em Espanha, o Centro Republicano Federal de Lisboa.
Coadjuvou em seguida a fundação da Europa, feita em Lisboa por emigrados espanhóis, e ali teve a seu cargo a secção portuguesa. Publicou a República, de que saíram 102 números, o primeiro em 28 de Novembro de 1875 e o ultimo em 4 de Abril de 1875, colaborando neste jornal Consiglieri Pedroso.

Em 1876, envolveu-se em forte polémica com outros membros do Partido Republicano, ao ser acusado de espionagem a favor do Governo pois era acusado de ter contactos com o regenerador António Rodrigues Sampaio e de ter enviado correspondência anónima para Casimiro Gomes que terá ido para o Governo Civil de Lisboa. Devido a estas suspeitas acabaria por ser expulso pouco tempo depois da fundação deste clube. Ele fazia parte do primeiro Directório do Partido Republicano, que procurava abarcar todas as sensibilidades existentes, e tinha sido criado em Abril de 1876 e dando origem ao panfleto de Ladislau Batalha O Directório Republicano, Ed. Nova Livraria Internacional, Lisboa, 1876 que “não permitirá a conspurcação do seu amigo e mestre” [Carrilho Videira] como refere Jacinto Rodrigues aqui.

Em 3 de Dezembro de 1876 funda, juntamente com alguns dos expulsos, uma sociedade de pensamento denominada Clube Mundo Novo, de curta duração. A 2 de Janeiro de 1879 instalaram o Centro Republicano Federal, que se instalou no Largo do Contador Mor, nº 20, 1º e deste centro terá surgido em Setembro de 1879 o comité central do Partido Republicano Federal.

Em 1878, Carrilho Videira juntamente com Cecílio de Sousa e Teixeira Bastos organizam uma Junta Federal Republicana para patrocinar a candidatura de Teófilo Braga pelo círculo 94 [Alfama]. Ainda neste ano foi julgado em tribunal por se recusar a jurar sobre a Bíblia, conforme se referiu aqui.

O jornal republicano A Vanguarda, de que era redactor principal Teófilo Braga e proprietário Carrilho Videira, onde colaboravam também Teixeira Bastos, Silva Graça, Alves Correia e José António Reis Dâmaso. Começou a publicar-se em Lisboa a 12 de Maio de 1880 e termina em 25 de Dezembro de 1881.

Em 1881, a corrente federal dentro do Partido Republicano cinde-se devido à fundação do Clube Henriques Nogueira, o que perturbou bastante o pensamento de Carrilho Videira que nunca aceitou bem esta divisão, até porque este clube continuava ainda a afirmar-se federalista, embora não da forma tão radical como o afirmavam os fundadores do Centro Republicano Federal.

Conhece-se a sua colaboração na Emancipação, o primeiro semanário publicado em Tomar; no Transmontano, no Flaviense, o primeiro jornal publicado em Chaves; na Voz do Alentejo, Eco Micaelense, Democracia, Pensamento Social, Marselheza, Estudo do Norte, Enciclopédia Republicana. Em Elvas foi redactor de A Sentinela da Fronteira (1881-1891), e les États Unis de l'Europe. É presentemente correspondente da Província de S. Paulo (do Brasil).
Da sua autoria publicou Liberdade de Consciência e o Juramento Católico, Lisboa, 1872.

[em continuação]
A.A.B.M.