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segunda-feira, 11 de maio de 2015

JOAQUIM MARIA DE OLIVEIRA SIMÕES (1880-1946)


JOAQUIM MARIA DE OLIVEIRA SIMÕES nasceu a 13 de Abril de 1880 em Salreu (Estarreja, Aveiro), filho de Francisco Maria Simões
[no inicio do século XX, em 1914, Francisco Maria Simões é proprietário do palacete, de Arte Nova, no Largo da Igreja de Salreu, construído sob projecto do arquitecto Ernesto Korrodi - de origem suíça mas naturalizado português e que deixou importantes obras arquitectónicas; Korrodi foi maçon, tendo sido iniciado na Loja “Trindade Leitão, nº 297, de Alcobaça, com o n.s. de Helvécio, passando para a Loja Gomes Freire, de Leiria (onde foi Venerável), terra onde veio a falecer em 1944 - o mesmo arquitecto que projectou a Casa–Museu Egas Moniz, em Avanca, construção de 1915],
de profissão negociante, e de Ana Rosa de Oliveira Rodrigues.
 
Palacete de Francisco Maria Simões, em Salreu
Em Coimbra, na Universidade, é bacharel em Filosofia e Matemática [cf. A.H.de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol II, col. 1352], seguindo a carreira militar, onde atinge o posto de coronel de infantaria, com o curso do Estado Maior. Foi um oficial dos mais “distintos”, com várias comissões de serviço público, tendo sido chefe de gabinete do Ministro da Guerra, em diversos governos. Esteve presente no CEP, em França, entre 1917-1919.
Foi eleito deputado pelo círculo de Aveiro [esteve na fundação do Centro Republicano Português de Salreu, participando na redação dos Estatutos - juntamente com Alberto Ferreira Vidal -, que foram aprovados a 15 de Junho de 1913. Refira-se que tinha o Centro uma Delegacia em Lisboa], nas eleições legislativas de 8 de Novembro de 1925, como democrático independente [foram eleitos, então, pelo círculo de Aveiro, além de Oliveira Simões (6365 votos), o Conde de Águeda (Cauda Monárquica, com 6153 votos), Alberto Vidal (Partido Democrático, com 5793 votos) e Manuel Alegre]. Foi nomeado Comendador em 1926, sendo agraciado com a Ordem de Torre e Espada.
Na construção do monumento ao Marquês de Pombal, Oliveira Simões teve lugar proeminente, fazendo parte da Comissão Executiva do Monumento [com Estevão da Silva, Custódio José Vieira e José Pedro Moreira], integrou a romagem ao túmulo do Marquês, realizada a 10 de Maio de 1933 [sobre o Monumento ao Marquês de Pombal, ver AQUI] e esteve presente [com Norton de Matos e outros] na inauguração do monumento a 13 de Maio de 1934 [dia que foi a última grande manifestação pública do GOL, Maçonaria Portuguesa, antes do decreto da sua proibição, datado de 25 de Maio de 1931]. Deixou algumas palavras [ver Diário de Lisboa, 27 de Fevereiro de 1934, p. 5] sobre o Monumento ao Marquês de Pombal, num curioso artigo, onde além de fazer a história do monumento, debate e insurge-se contra as acusações feitas de “atentado á estética” e outras mais críticas, entre as quais a existência de um erro de proporção entre a figura do Marquês e o leão.   
Joaquim Maria de Oliveira Simões foi iniciado na Maçonaria, em 1921, na Loja Liberdade, nº 197 do REAA, instalada em Lisboa [a Loja, fundada em 1896, seguiu em 1914 o Supremo Conselho de Grau 33, ou Grémio Luso-Escocês, regressando à Obediência em 1920], com o n.s. de José Estevão. Em 1928 atingiu o Grau 33 [cf. Oliveira Marques, ibidem] , desempenhando ao longo do tempo cargos relevantes no Grande Oriente Lusitano: pertenceu ao Grande Tribunal Maçónico e foi Grão-Mestre Adjunto (em exercício) entre 1928-30.
De facto, com a morte de Magalhães Lima (7 de Dezembro de 1928) sucedeu-lhe, por eleição no Grão-Mestrado, António José de Almeida, tendo como Adjunto, o coronel Oliveira Simões [eleição validada pelo presidente da Grande Dieta, António Augusto Curson, o dia 18 de Maio de 1928 – cf. António Ventura, “Maçonaria em Portugal”, p. 670]. No pedido de dispensa de António José de Almeida do cargo, dado se encontrar muito debilitado pela doença (morre a 31 de Outubro de 1929), os corpos gerentes do GOL dão posse [20 de Maio de 1929] ao coronel Oliveira Simões, ficando com o cargo de assegurar a direcção a Ordem. Na noite de 16 de Abril de 1929, quando o Grão-mestre Adjunto Oliveira Simões se preparava para dar uma conferência no Grémio Lusitano, em substituição do Grão-mestre Norton de Matos, o palácio maçónico é assaltado pela polícia e a GNR, a soldo da ditadura militar, sendo presos e identificados todos os maçons, dando-se início á “grande perseguição” [cf. Oliveira Marques, “A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo”, 2ª ed. 1983, p. 59]. A 1 de Julho desse ano, o coronel Oliveira Simões, na qualidade de Grão-mestre Adjunto dirige uma mensagem ao povo maçónico.  
 

O Palácio Maçónico ficou encerrado entre Maio e Março de 1930, tendo o Conselho da Ordem do GOL, sob presidência de José da Costa Pina [acompanhado por Inácio Pedro Quintela Emauz, Augusto de Matos Cid, Adolfo Jaime Sampaio da Luz e João Nunes dos Santos – cf. António Ventura, op. cit, p. 671], “determinado a triangulação imediata de todas as lojas” [Circular nº1, de 11 de Junho de 1929]. No dia 31 de Dezembro de 1929 a Maçonaria portuguesa elegia como Grão-mestre o general Norton de Matos, tendo como Grão-mestre Adjunto o coronel Oliveira Simões. Com Norton de Matos, ausente do país por motivos políticos [regressa em Agosto de 1932], a direcção do GOL coube inteiramente a Oliveira Simões e ao Conselho da Ordem. 
Na sequência da Lei nº1901 sobre as “Sociedades Secretas”, promovido pelo deputado monárquico e integralista José Cabral, no dia 4 de Abril de 1935, “antecipando-se à aprovação pela Assembleia [Nacional] do projecto, o Grão-Mestre Norton de Matos transmitia todos os seus poderes e funções ao Grão-Mestre Adjunto, Oliveira Simões” [cf. Oliveira Marques, ibidem]. No dia 18 de Maio, desse ano, é a vez do Grão-Meste Adjunto [ibidem, p. 62] “transferir todos as sua funções e poderes ao presidente da Grande Dieta [António Augusto Curson] que por seu turno, no dia imediato, os transmitia ao Conselho da Ordem, presidido pelo dr. Maurício Costa” [com a morte deste a 19 de Maio de 1937, passou a exercer a direcção do GOL, na qualidade de presidente do Conselho da Ordem, o dr. Luís Gonçalves Rebordão, deste o dia 12 de Junho, desse ano, até ao 25 de Abril de 1974]. Por sua vez, trianguladas as Lojas, o Conselho da Ordem confere [Decreto nº36] ao seu presidente “a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judicial”, possibilitando a “operacionalidade da ordem em regime clandestino” [ibidem].
Joaquim Maria de Oliveira Simões viria a falecer, em Lisboa, na Rua D. Estefânia, nº 21, 1º andar (Arroios) a 24 de Maio de 1946. Era casado com Gracinda Lopes dos Santos Simões. O seu funeral foi acompanhado até ao cemitério do Alto de S. João por muitos cidadãos, amigos e correligionários, antigos deputados, oficiais de Exercito e da Armada, fazendo-se representar a Liga dos Combatentes da Grande Guerra por um grupo expressivo de companheiros de armas. O seu corpo ficou sepultado no talhão dos antigos combatentes da Grande Guerra [cf. Diário de Lisboa, 25/05/1946]
FOTO (no alto) via Junta de Freguesia de Salreu (Facebook), com a devida vénia

J.M.M.

sábado, 4 de abril de 2015

Armando Adão e Silva (1909-1993)


Armando Adão e Silva nasceu em Lisboa, em 24 de Fevereiro de 1909 [cf. “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo, 1945-1973 – Um Dicionário", Texto, 2009]. Depois dos estudos liceais no Gil Vicente, frequenta a Universidade de Direito de Lisboa, onde se forma [em 1931; foi colega de curso de Acácio Gouveia, Fernando Olavo, José Magalhães Godinho, Teófilo Carvalho dos Santos e Nuno Rodrigues dos Santos – cf. José Ribeiro dos Santos, “Memórias da memória, Rolim, 1986, p. 109], seguindo a profissão de advogado, especializado em questões de matéria comercial.
Adão e Silva é iniciado na maçonaria [n.s.Mestre de Avis”] a 27 de Janeiro de 1935, na Loja Liberdade, nº 197, do qual foi Venerável durante a clandestinidade [a Loja Liberdade foi das poucas lojas que se manteve em actividades durante a clandestinidade – sobre a Loja Liberdade ver AQUI; consultar Adão e Silva e a Loja Liberdade no livro “Uma História da Maçonaria”, de António Ventura, 2013]

Em 1943, Adão e Silva, é membro fundador da União Democrato-Socialista
[UDS – núcleo antifascista, que é criado após a formação do NDAS (Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista, que tem como apoiantes, entre outros, António Macedo, Artur Santos Silva, Costa e Melo, Fernando Valle, Gustavo Soromenho, Manuel Mendes, Mário Cal Brandão, Mário Castro, Paulo Quintela, Teixeira Ribeiro, Vitorino de Magalhães Godinho), de que faziam parte, além de Adão e Silva, Fernando Mayer Garção, José Joaquim Gaita, Carlos Sá Cardoso. Publicou o periódico clandestino “V” – ver “Socialistas na Oposição ao Estado Novo, de Susana Martins, 2005],
que fundindo-se com o NDAS, dá origem, em 1944 [ou finais de 1943?], à União Socialista, mantendo-se em actividade até à década de 50 [cf. “Socialistas …, ibidem]. Refira-se que surge Adão e Silva [juntamente com Teófilo Carvalho dos Santos, Vasco da Gama Fernandes, Carlos Vilhena e Mayer Garção] como filiado num “Partido Trabalhista Português”, que segundo José Pacheco Pereira [citado no "Socialistas …”, ibidem, p. 50] resulta de “uma mistura entre uma organização política clandestina e um grupo de inspiração maçónica   
Armando Adão e Silva integra o MUNAF (1943-44), participa na célebre reunião de 8 de Outubro de 1945, no Centro Escolar Republicano Almirante Reis, que origina a constituição do MUD


[é um dos subscritores do requerimento ao governador civil de Lisboa a pedir autorização para essa célebre reunião, juntamente com Afonso Costa (filho), Alberto Candeias, Guilherme Canas Pereira, Gustavo Soromenho, José Magalhães Godinho, Luís da Câmara Reis, Manuel Catarino de Castro, Mário Lima Alves, Manuel Mendes, Teófilo Carvalho dos Santos; a reunião, num sala repleta, foi presidida pelo prof. Barbosa de Magalhães - na FOTO acima Adão e Silva é o 3º, a contar da direita, de braços cruzados; a FOTO marca a presença da Comissão Central do MUD na saída do governo civil, a 6 de Novembro de 1945, onde foi apresentar as listas de apoiantes - via Casa Comum],
fazendo parte da sua primeira comissão central. Na campanha de Norton de Matos (1949) apoia o “grupo dos 24” [pró-atlantista e pró-americano], que rompe com o PCP. Participa em 1949, ainda, no Directório Democrato-Social [grupo de republicanos, conhecidos por “Os Barbas”, onde se integravam Acácio Gouveia, António Sérgio, Azevedo Gomes, Carlos Sá Cardoso, Jaime Cortesão, Nuno Rodrigues dos Santos, Raul Rego].
Em Maio de 1953 é um dos fundadores da “Comissão Promotora do Voto”, uma “iniciativa de António Sérgio [e de Luís de Almeida, Manuel Duarte, Mayer Garção, João Pedro dos Santos, Nuno Rodrigues dos Santos], em vésperas da eleições legislativas de Novembro desse ano e quando a oposição de encontrava profundamente dividida” [cf. José Pacheco Pereira, in Ephemera] e que contava com “o apoio do Directório Democrato-Social” [ibidem].
Em 1954, é Adão e Silva um dos subscritores da tentativa de fundação da associação política “Causa Republicana”, que foi indeferida pelo Estado Novo [fez parte da sua comissão fundadora, que integrava, entre outros, Barbosa Magalhães, Azevedo Gomes, Cunha Leal, Marques Guedes, José Domingos dos Santos, Ramada Curto, Câmara Reis, Ramon De La Feria, Dias Amado, Mayer Garção, Casais Monteiro, Sá Cardoso, Acácio Gouveia, Nuno Rodrigues dos Santos, Gustavo Soromenho; do mesmo modo integrava, a 5 de Outubro de 1954, o Secretariado da projectada associação - ver TUDO AQUI]
Curiosamente, Adão e Silva, não integra a Acção Socialista, nem adere à fundação do Partido Socialista. Apoia, sempre, as campanhas eleitorais contra a ditadura, tendo sido candidato nas eleições de 1953, 1965 e 1969.
Foi preso em 1959 e, na sequência de ter sido um dos 62 signatários do “Programa para a Democratização da República” [1961], é de novo levado para a prisão [cf. “Candidatos da Oposição …, ibidem]. Pertenceu à Liga Portuguesa dos Direitos do Homem [fundada em 1923 por Sebastião Magalhães Lima], fazendo parte do seu directório, bem como fez parte dos corpos directivos da Ordem dos Advogados. Foi por diversas vezes advogado dos presos políticos do Estado Novo, nos tribunais plenários.   
Após o 25 de Abril, a 15 de Julho de 1974, faz parte, com Adelino da Palma Carlos [e Almeida Ribeiro, Norberto Lopes, António Waldemar, Paradela de Abreu], do denominado “Partido Social-Democrata Português”, de raiz humanista racionalista, que desaparece, sem êxito. Adere ao Partido Socialista, demitindo-se em 1978, seguindo os “renovadores”, integrando o “Grupo de Acção Renovadora”. É eleito deputado pela Aliança Democrática, nas eleições intercalares de Dezembro de 1979, pelo círculo de Aveiro. Ainda, como curiosidade, registe-se que fez parte do “conselho jurisdicional do Sport Lisboa e Benfica e foi presidente da Associação de Futebol de Lisboa”.
Após o 25 de Abril de 1974, Armando Adão e Silva esteve presente na reorganização do GOL [acompanhando nessa missão outros dedicados maçons, como A. H. de Oliveira Marques, Carlos Sá Cardoso, o comandante Simões Coimbra, Luís Dias Amado, Luís Gonçalves Rebordão, entre outros] e foi importante na restituição do Palácio Maçónico [ver, p. expl., os jornais de 7 de Maio de 1974, onde é apresentado um comunicado assinado por Adão e Silva, Dias Amado e o comandante Simões Coimbra, como representantes do “Grémio Lusitano”. O Palácio Maçónico tinha sido ocupado - como resultado da Lei 1901 contra as Associações Secretas - pela Legião Portuguesa, em 1937, com o confisco dos seus bens. A Lei 1901 foi anulada a 4 de Novembro de 1974 e o Palácio foi restituído aos seus legítimos proprietários]. Foi, Adão e Silva, Presidente do Conselho da Ordem do GOL e em 1981, sucedeu a Dias Amado como Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, mantendo-se no cargo até 1984.
Morre, em Lisboa, a 1 de Abril de 1993.

FOTO de Adão e Silva, via António Ventura Facebook, com a devida vénia.

J.M.M.

domingo, 29 de dezembro de 2013

A LOJA “LIBERDADE” NO FUNERAL DE CÂNDIDO DOS REIS E DE MIGUEL BOMBARDA

 

"Fotografia muito curiosa do funeral de Cândido dos Reis e de Miguel Bombarda, a 16 de Outubro de 1910. Nela se vê a delegação da Loja Liberdade, do Grande Oriente Lusitano Unido

[A Loja “Liberdade”, nº 197, do REAA foi instalada em Lisboa em 1896 (cf. A.H.O.M., Dicionário de maçonaria Portuguesa, II). Loja do GOLU, foi Capitular e Areopagita nesse mesmo ano e Consistorial em 1909. Acompanhou a dissidência do Supremo Conselho de Grau 33 (Grémio Luso Escocês) em 1914. Regressou à Obediência em 1920 (em 1922, funcionava no RF, e o seu Venerável era José Bernardo Ferreira – cf. Anuário do GOLU para 1922. José Bernardo Ferreira era, em 1912, Venerável da Loja, pertencia ao Conselho da Ordem, sendo membro efectivo do Supremo Conselho do Grau 33º), mantendo-se durante a clandestinidade]

, com o respectivo estandarte. Foi uma das raras Lojas que chegaram até ao 25 de Abril de 1974.

 A ela pertenceram durante a clandestinidade, entre muitos outros, Raul Rego, Armando Adão e Silva, Vasco da Gama Fernandes [iniciado na Loja “Magalhães Lima, em 1931, com o n.s. Giordano Bruno], Francisco Marques Rodrigues, Nuno Rodrigues dos Santos [tinha sido iniciado na Loja “Magalhães Lima, em 1935, com o n.s. Danton], Carlos Ernesto da Sá Cardoso, António Marcelino Mesquita – antigo tarrafalista - e Gustavo Soromenho"

[António Ventura Facebook - sublinhados e acrescentos nossos]

J.M.M.