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domingo, 26 de abril de 2015

ASSALTO AO BANCO DE PORTUGAL NA FIGUEIRA DA FOZ (1967): LABIRINTOS DA LIBERDADE NA FUNDAÇÃO MANUEL VIEGAS GUERREIRO


EventoAssalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz (1967);

DATA: 26 de Abril 2015 (16,00 horas);
LOCALFundação Manuel Viegas Guerreiro [Querença - Loulé];
ORGANIZAÇÃO: Fundação Manuel Viegas Guerreiro
CONVIDADOS: - Camilo Mortágua
                      - Luís Benvindo
                       - António Barracosa

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

No dia 17 de Maio de 1967 , cerca das 16 horas, quatro indivíduos armados entraram na Agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, e, sob a ameaça das armas que empunhavam, dali subtrairam a quantia de cerca de 29 mil contos. Era assim que começava o Relatório de 40 páginas, feito pela Polícia Judicia, onde descreve detalhadamente toda a operação. Os quatro indivíduos eram Palma Inácio, Camilo Mortágua , António Barracosa e Luís Benvindo. A acção era política, visava o derrube do regime e foi reivindicada pela LUAR. O assalto ao Banco da Figueira da Foz acabou por ter uma enorme projecção, não obstante a Censura existente, ao nível nacional e internacional. A Polícia acabaria por envolver no julgamento realizado a 7 de Janeiro de 69, 23 implicados, 113 testemunhas, 22 declarantes e 18 advogados. No próximo dia 26 de Abril, no Auditório da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença, pelas 16 horas, vamos evocar este acontecimento , com a presença do Camilo Mortágua, Luís Benvindo e António Barracosa (Palma Inácio faleceu em 2009) para além de outras pessoas indirectamente envolvidas. Vamos perceber, de viva voz pelos principais protagonistas, como é que as coisas se passaram e que repercussões políticas existiram , no âmbito das forças oposicionistas e no interior do regime vigente.

Uma oportunidade para conhecer este espaço no interior do concelho de Loulé, num local aprazível e com boas condições para acolher eventos deste tipo. 

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa.

A.A.B.M.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

LUTA ARMADA NO MARCELISMO


DEBATE - Luta Armada no Marcelismo
DIA: 21 de Dezembro 2011 (18 horas);
LOCAL: Aljube (ao lado da Sé de Lisboa);
PARTICIPANTES: Fernando Pereira Marques (LUAR); Carlos Antunes (BR) e Raimundo Narciso (ARA);
ORGANIZAÇÃO no âmbito da Exposição A Voz das Vítimas

"O recurso à luta armada foi uma opção relevante da oposição ao regime ditatorial, designadamente no consulado marcelista, que antecedeu o 25 de Abril de 1974.

O lançamento de acções armadas como via para o derrube do regime e de apoio às lutas de libertação dos povos coloniais foi uma das expressões dos debates ideológicos e políticos que marcaram essa fase final do regime fascista.

A diferente natureza das organizações envolvidas nessas acções corresponde à pluralidade do posicionamento político dessas iniciativas – cuja influência se alargou a momentos posteriores
"

J.M.M.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

LIGA DE UNIÃO E DE ACÇÃO REVOLUCIONÁRIA


Comunicado da Liga de União e de Acção Revolucionária

"O Conselho Superior da LUAR comunica:

A nossa Pátria, subjugada por um regime corruptor e corrompido onde o civismo dificilmente se pode manifestar e onde parece que os homens aceitaram a resignação como condição ingénita da vida, foi atirada para o último lugar da hierarquia das nações europeias.

Um povo iletrado, com um nível de vida inferior que não permite assegurar a dignidade humana, defronta-se, quase exclusivamente, com as preocupações de sobrevivência, do dia-a-dia.

Um povo expulso da Pátria para um exílio forçado, com miragens em possibilidades económicas obtidas à custa de um labor exaustivo, mortifica-se com saudades da Pátria, dos amigos e dia família.

Um povo aterrorizado por uma repressão policial desumana, sem possibilidade de usufruir dos direitos mais elementares de cidadania, aviltado pelo medo, só espera, com ansiedade, o momento de poder recuperar a dignidade dos homens livres.


Uma Pátria exaurida por uma guerra colonial sem perspectiva de vitória militar, fomentadora de baixos sentimentos raciais, que envilecem a dignidade do homem português, e para a qual o salazarismo não encontra solução. Já nem sequer tem legitimidade para invocar o seu passado .histórico. E, como se fora uma maldição social, os democratas vêem-se dominados por um cepticismo deletério e que parece buscar uma justificação na atomízação política das diversas correntes oposicionistas, já que estas nem sempre souberam pôr os interesses do povo português acima dos interesses pessoais ou de partidos.

A LUAR surgiu desta trágica conjuntura, como uma afirmação vigorosa de insubmissão à impotência revolucionária, manifestada pelas várias organizações políticas da oposição ao regime vigente.


2.º Não se trata de mais um partido político, absorvido por querelas estéreis, atarefado em proselitismos completivos de estados-maiores sem tropas, compensatórios de uma inacção revolucionária.

A LUAR é uma organização revolucionária, com uma nova concepção de luta com métodos novos e com homens novos.

A LUAR não é uma organização terrorista, mas antes considera o terrorismo como inoperante e susceptível de justificar a repressão já tão brutal da famigerada PIDE.

A LUAR é uma organização democrática, antifascista, que abre os braços a todos os portugueses que desejem destruir, com armas na mão, o regime infame de Salazar.

A LUAR é, antes de tudo, uma organização para a acção, que polarizará as energias dos democratas, expressamente para a luta irrefreável pela liberdade do povo português.

A LUAR pretende estabelecer uma ordem autenticamente democrática, com liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de reunião, liberdade de organização sindical e de partidos políticos.

A LUAR eliminará o parasitismo dos magnatas, dos potentados financeiros e económicas e porá o poder político e económico ao serviço da promoção social dos produtores da riqueza nacional.

A LUAR destruirá as causas económicas e sociais que estão na origem dos antagonismos das classes e estruturará uma sociedade humanamente mais justa.

A LUAR mobilizará, para atingir o seu escopo revolucionário, os democratas corajosos e patriotas, sem distinção de ideologias, que põem acima de tudo os direitos inalienáveis do povo e da Pátria.

A LUAR e as suas forças armadas desencadearão a luta insurreccional, com a cooperação do Exército, da Marinha e da Aviação, no que têm de mais puro e de mais patriótico, e com o apoio eficaz e efectivo do povo português.

Viva a insurreição armada que libertará a Pátria Portuguesa.

Viva Portugal!
"

COMUNICADO DA LUAR lido em pleno Parlamento [11 DE FEVEREIRO DE 1976] por Emídio Guerreiro - ler tudo AQUI.

J.M.M.

IN MEMORIAM HERMÍNIO PALMA INÁCIO (1922-2009) - Parte III


Palma Inácio está, de novo, no Brasil em 1961, conforme aqui foi dito. E de novo, porque Palma Inácio tinha fixado residência no Rio de Janeiro já em 1955, local onde chega depois de rocambolescas aventuras no decorrer da sua fuga do Aljube. Passou, como dissemos, por Marrocos e depois de ser tripulante a bordo de um cargueiro que fazia a rota entre "Estocolmo, Roterdão e Ostende" [cf. "O aventureiro da liberdade perdida", por Luís Almeida Martins, Visão, 16 de Junho de 1994] prepara a sua "saída" (ou "fuga") para os EUA, quando ingressa na tripulação de outro cargueiro que fazia a "rota do Suez, Extremo-Oriente, Pacífico e Estados Unidos" [id.ibid.], onde chega (1951) em pleno Maccarthismo. Aí trabalha como mecânico de aviões e depois como piloto, porém em 1955 é declarado "ilegal" e, mesmo com o apoio da população local de Northampton (onde residia), tem de sair do país. Com a preciosa ajuda de Lúcio Tomé Feteira, Palma Inácio tem autorização das autoridades brasileiras para seguir para o Rio de Janeiro [id.ibid.]. É, portanto em território brasileiro que vive e trabalha [em companhias de aviação] onze anos, viajando e contactando a oposição do Rio a São Paulo, acompanhando a luta política contra a ditadura.

Refira-se que uma parte significativa da oposição à ditadura de Salazar se encontrava, por motivos óbvios, no exílio [sobre os exilados políticos portugueses, consultar: Misérias do exílio: os últimos meses de Humberto Delgado. Cartas Inéditas. A luta contra o Fascismo no exílio, de Manuel Sertório, 1978; Humberto Delgado, Patrícia McGowan Pinheiro (pseud.), 1998; «Aqui também é Portugal»: a Colónia Portuguesa do Brasil e o Salazarismo, por Heloisa Paulo, 2000; Os "Insubmissos da Colónia", de Heloisa Paulo; A oposição ao Estado Novo no exílio brasileiro, 1956-1975, de Douglas Mansur da Silva, 2006]

Palma Inácio [e o "seu grupo"] entende que "é preciso continuar a levar a cabo acções que chamem a atenção das Forças Armadas e as decidem a empreender o golpe libertador" [Visão, ibid.]. Procuraram, então, "autofinanciamento" ou "recolha de fundos" para as suas acções, no próprio território nacional, marcando deste modo uma "ruptura nos métodos de luta contra o regime", procurando atingir uma "fase superior de luta" que rompesse com o reformismo [cf. João P. Martins & Rui Loureiro, ibid.]. Alguns elementos, do que viria a ser a L.U.A.R. [Liga de Unidade e Acção Revolucionária], fixam-se em França, preparando ao pormenor a denominada "operação Mondego" ["operação Diana", segundo nota da D.G.S.]. E a 17 de Maio de 1967 avançam para o assalto à filial do Banco de Portugal na Figueira da Foz, roubando 30.000 contos. Na espectacular operação, os operacionais cortaram as comunicações telefónicas da Figueira da Foz, fogem num "avião do aeródromo de Cernache" pilotado pelo próprio Palma Inácio, pousando no Algarve, fugindo para Espanha e depois até França [sobre este assunto e as acções posteriores da organização L.U.A.R., consultar, A história da PIDE, ibid., pp. 187-193]

Dos vinte e dois operacionais presumidamente envolvidos na "operação Mondego", segundo o acórdão proferido no 2º Juízo Criminal da Boa Hora [cf. jornal República, 14/02/1970, p. 16], dezasseis foram posteriormente condenados [sete à revelia] e seis foram absolvidos. Foram julgados à revelia e condenados: António Manuel Marques Barracosa (13 anos), Hermínio da Palma Inácio (16 anos), Luís Benvindo (13 anos), Camilo Tavares Mortágua (20 anos), Germano Mateus de Jesus Filipe (8 anos), Júlio dos Santos Alves (12 meses), Mariana Teresa da Conceição Xufre (7 meses). Condenados a prisão maior, Oliveiros Cabrita Gonçalves (6 anos), Ângelo Maria Fernandes Cardoso (7,3 anos), Castor Manuel Ferreira (8 meses), Natália Augusta Fernandes Cardoso (6 meses), Fernando Manuel de Oliveira (8 meses), Joaquim Manuel Nunes de Freitas e Silva (7 meses), Fernando Abel Campino Gandra ( 7 meses), António Luís Teixeira (8 meses), Joaquim da Silva Ramos (3,4 meses).

na foto [?]: Camilo Mortágua, Palma Inácio e Fernando Pereira Marques

[a continuar]

J.M.M.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

IN MEMORIAM HERMÍNIO PALMA INÁCIO (1922-2009) - Parte II


Era já evidente, para Palma Inácio, que as lutas ideológicas, as "querelas estéreis" e os métodos clássicos de combate à ditadura se tinham esgotado. Para ele e outros, a "inacção militar" não conduzia a lado nenhum e só "uma organização revolucionária, com uma nova concepção de luta com métodos novos e com homens novos" podia levar a cabo o fim da ditadura.

O ano de 1961 e seguintes revelam, a par de uma crise nas estruturas do regime e curiosos desentendimentos entre os seus apoiantes, uma oposição sistemática contra a ditadura, com o aparecimento de vários sectores dissidentes da linha tradicionalista (ou reformista) e que tomam posições, e sobretudo acções, radicais contra o regime ditatorial. De facto, entre 1961-62, os acontecimentos precipitam-se. Como exemplo:

O assalto [21/22 de Janeiro de 1961] e desvio do paquete Santa Maria e então rebaptizado como "Santa Liberdade" [operação Dulcineia, dirigida por Henrique Galvão. Galvão foi um dos militares do golpe de 28 de Maio, mas posteriormente entra em colisão política com Salazar. Tendo sido preso e condenado, conseguiu evadir-se e exilar-se na Argentina – ler AQUI], que humilhou a ditadura; o levantamento da UPA [4 de Fevereiro 1961] e o começo da guerra colonial; a tentativa de "golpe" de Botelho Moniz, então Ministro da Defesa [é de consultar sobre o assunto, "Salazar. Biografia da Ditadura", de Pedro Ramos de Almeida, Ed. Avante1999, pp. 612 e segs]; as pressões internacionais contra o colonialismo português [resolução da ONU de 20 e Abril]; a operação "Vagô" [já referida]; a espectacular evasão de Caxias de importantes militantes comunistas [4 de Dezembro de 1961 – consultar "A História da PIDE", ibidem, pp. 168-169]; a operação militar da União Indiana contra Goa, Damão e Diu [17 de Dezembro]; o assalto ao quartel de Beja [1 de Janeiro de 1962], sob direcção de Varela Gomes e que resulta em penas pesadas para os incriminados (caso de Manuel Serra e Varela Gomes); o início das emissões da Rádio Portugal Livre (Argélia, 12 de Março); a greve académica de Maio/Junho de 1962; a fundação de vários movimentos de libertação das colónias; o aparecimento de novas organizações políticas e militares de combate à ditadura [entre as quais a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), que surge em (19) Dezembro de 1962, agrupando diversos grupos (do seu embrião ou "conferência" inicial (em Roma) participam figuras como Piteira Santos, Manuel Alegre, Tito de Morais, Ruy Cabeçadas e Manuel Sertório].

É nesse contexto, entre a luta pelo derrube da ditadura e o combate anti-reformismo, que surgem diversas organizações que se reclamam da luta armada, como a FAP [Janeiro de 1964 – ler AQUI], a LUAR [Liga de União e Acção Revolucionária, 19 de Junho de 1967], a ARA [Acção Revolucionária Armada, criada pelo PCP em 1964 como resposta à cisão de Francisco Martins Rodrigues e ao aparecimento da FAP; teve a sua primeira aparição pública a 26 de Outubro de 1970 num ataque armado contra o navio "Cunene", atracado no Cais de Alcântara – ler AQUI e AQUI – e que foi entendido como uma resposta, antecipada, à ruptura entre a FPLN e o PCP, na base da qual elementos da FPLN criticavam a falta de "verdadeiras acções revolucionárias" armadas de combate à ditadura – cf. As Organizações Armadas em Portugal de 1967 a 1974, de João P. Martins & Rui Loureiro, rev. História, nº18, Abril 1980] e as BR [Brigadas Revolucionárias, com origem numa cisão da FPLN e que teve a sua aparição numa acção de sucesso contra a base (secreta) da NATO da Fonte da Telha, a 7 de Novembro de 1971; mais tarde estará incluída no PRPPartido Revolucionário do Proletariado – que é fundado em 1973].

[a continuar]

J.M.M.