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segunda-feira, 28 de maio de 2007

28 DE MAIO DE 1926


28 de Maio de 1926

"Em 28 de Outubro de 1922, em Portugal viviam-se as horas difíceis do pós-guerra e das tristes consequências da insurreição monárquica de 1919 a qual por sua vez, foi o epílogo do consulado sidonista, enquanto em Itália Mussolini ascendia rapidamente ao poder e o 'bluff' da marcha sobre Roma se propagava com foros de verdade incontroversa.

O problema do regime (Monarquia ou República) era o fulcro em torno do qual se desenrolavam ainda os principais episódios da vida política nacional e a derrota dos monárquicos afastara, aparentemente, a hipótese de um retorno ofensivo dos inimigos da República que, entretanto, se digladiavam em lutas caracterizadas por violência crescente.

Essa derrota, porém, em vez de unir os monárquicos agravou as suas divisões, enquanto fenómenos novos, de projecção internacional, entre os quais o advento do fascismo, relegavam para o 2º plano o duelo que, na década de 1910-1920, opusera os portugueses republicanos, de um lado, e monárquicos do outro. Neste contexto, Mussolini e o fascismo, decorriam uma névoa de choques a que os portugueses dos anos que precederam e se seguiram à marcha sobre Roma não atribuíram grande importância, embora ela ocultasse o regresso às actividades conspiratórias dos inimigos da República e da Democracia, enquanto no campo monárquico e no campo católico os inimigos da República se adaptavam à derrota e nela criavam forças para nova ofensiva a qual teve o seu ponto culminante no movimento militar de 28 de Maio de 1926, prólogo do salazarismo …”

[Carlos Ferrão, A História Secreta do Fascismo Português, in Diário Popular, 3/11/76 - sublinhados nossos]

Foto: O marechal Carmona e Oliveira Salazar na abertura solene da Assembleia Nacional (1935), por Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico.

J.M.M.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

A MONARQUIA - DIÁRIO INTEGRALISTA DA TARDE


«... apareceu em Lisboa [nº 1, 12 Fevereiro de 1917] e foi durante alguns anos órgão do movimento integralista (...)

'Em 1916, conta Hipólito Raposo, reconhecemos a necessidade de editar um jornal, porta-voz que diariamente difundisse a doutrina e por ele se aferisse a actuação da política e da administração republicana. Seriam as melhores lições de propaganda da realeza. Dados os passos que tal empreendimento exigia e reunidos os poucos capitais de alguns subscritores, foi possível começar a publicação do diário em 12 de Fevereiro de 1917. Fizeram-se anúncios e afixaram-se cartazes, que a muitos pareciam bandeirolas de rapaziada literária. O director era Alberto Monsaraz e o redactor principal António Sardinha' ('Folhas do meu cadastro'). Escrevendo certamente de memória, Hipólito Raposo equivocou-se nesta citação. No primeiro numero de 'A Monarquia', além do nome de Alberto Monsaraz (Conde de Monsaraz) como director, figura o de João do Amaral como redactor em chefe (...)

... tecnicamente 'A Monarquia' era um decalque da 'Action Française', estando a rubrica da Política, nesta confiada a Maurras, e no jornal português a Sardinha depois de João do Amaral, nele publicando a primeira parte dos seus trabalhos, mais tarde reunidos em volumes (...)

O primeiro número desse diário, ao contrário das promessas feitas na altura do seu aparecimento, foi um modelo de virulência e incompreensão: com a primeira visava adversários e correligionários, indistintamente, desde que não aceitassem como verdades reveladas as divagações dos chefes do Integralismo; com a segunda lamentavelmente exibida numa hora de perigo para a sobrevivência da Nação, reeditava a súmula das aspirações do movimento, aparecida na 'Nação Portuguesa' com o titulo 'O que nos queremos' e a rubrica genérica que englobava os seus objectivos teóricos: 'monarquia orgânica, tradicionalista e anti-parlamentar' ...»

[Carlos Ferrão, in O Integralismo e a Republica autopsia de um mito, Inquérito, vol. 2, 1964 - sublinhados, nossos]

J.M.M.