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domingo, 5 de julho de 2009


NA APRESENTAÇÃO DA BIOGRAFIA POLÍTICA DE HENRIQUE TENREIRO

Ontem, pelas 18 horas, no Museu Marítimo de Ílhavo, tivemos oportunidade de assistir à apresentação da obra de Álvaro Garrido, “Henrique Tenreiro. Uma biografia política”, publicado pelo Círculo de Leitores. Com uma assistência interessada, a rondar a meia centena de pessoas, com familiares e alguns amigos.

Constituída a mesa, composta pela Dr. Guilhermina Gomes, representante da editora, o Dr. Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Doutor Joaquim Feio, apresentante da obra e finalmente o autor da obra em causa.

Após as palavras de circunstância proferidas pelo edil de Ílhavo, onde salientou os laços de amizade que o ligam ao autor, referindo que assistiu ao “crescimento do Museu Marítimo sob a direcção e trabalho do Dr. Álvaro Garrido”. Seguiu-se a representante da editora que salientou a satisfação com trabalho realizado pelo Dr. Álvaro Garrido, particularmente porque os seus trabalhos têm sido bem acolhidos junto do público, anunciando mesmo que vai ser feita uma nova reimpressão desta obra.

O Dr. Joaquim Feio começou por referir as ligações que tem com a região e como ao longo da sua vida conheceu e contactou com pessoas que de alguma forma estavam ligadas à pesca do bacalhau o que lhe permite compreender muitos dos factos e situações que encontrou narradas na obra supra referida. Reconhecendo que acompanhou a elaboração do livro ao longo do tempo, com longas conversas pelos corredores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Nos vários pontos que salientou da obra, dois pontos mereceram algum destaque: “o sistema Tenreiro” e o “enigma Tenreiro”. O primeiro, entendido como o “sistema das pescas criado por Tenreiro, que tornou a campanha do bacalhau num enorme sinal simbólico para o Estado Novo, porque recorda a gesta heróica dos Descobrimentos”. Porque todo o cerimonial preparado para assinalar o início das campanhas nos mares do Norte era encenado ao detalhe para lembrar as partidas dos navios na época das Descobertas, desde a bênção da frota até aos discursos da ocasião eram pormenorizadamente estudados, fazendo da faina do bacalhau como a “grande pesca” onde se sugeria a grandeza imperial da Nação.

Por outro lado, o denominado “enigma Tenreiro”, porque a personalidade de Henrique Tenreiro “não deixava ninguém indiferente” como afirmou Joaquim Feio, porque havia dentro do Estado Novo os defensores e os críticos desta personalidade. A obra, que o apresentante considerou como “uma criptobiografia do Estado Novo”, porque a personalidade de Tenreiro acompanha todo o período do salazarismo, “criando ou aproveitando os rituais do regime, tornando-se um guardião ou mesmo um pilar do regime”. Referindo-se às suas estreitas ligações com o Almirante Américo Tomás que lhe valeram para o resguardar de situações mais complicadas no interior da chamada”situação”, em particular na fase final do regime.

Joaquim Feio relatou mesmo situações, de que teve conhecimento, em que Henrique Tenreiro exercia um apertado controlo sobre os capitães e armadores dos bacalhoeiros. Tenreiro, era na opinião de Joaquim Feio, uma figura que entre os armadores “suscitava temor, aprovação e desaprovação”. Porque, aproveitando o corporativismo económico salazarista, surgido como uma terceira via entre o capitalismo e a economia planificada, “construiu no sector das pescas um enorme poder fáctico” tecendo uma complexa e estruturada pirâmide de organizações que lhe permitiram uma posição de destaque na orgânica do Estado Novo. Com a revolução de Abril de 1974, Tenreiro que devia ter sido julgado, acaba por conseguir partir para o Brasil, onde viveu o resto dos seus dias, considerando Joaquim Feio que a parte final da biografia “constitui um excelente material de reflexão sobre o quando tudo acaba enquanto poder”.

Tomou por fim a palavra o Doutor Álvaro Garrido que agradeceu aos membros da mesa, aos familiares e amigos presentes. Assumindo, logo de início que não se referiria à obra em si, explicou os escolhos e problemas que se levantam a quem se propõe escrever biografias políticas que considerou ser mais um género literário que historiográfico. Considerou importante o papel das biografias, porém também reconheceu que a valia de algumas das que recentemente têm sido publicadas podem ser discutíveis.

Referiu que começou a interessar-se pelo tema da pesca do bacalhau a pedido do Professor Romero de Magalhães. Este, juntamente com o Professor Reis Torgal ,desempenharam um importante papel na sua formação de historiador, aproveitando para agradecer a ambos, porque estavam presentes na sala e mais uma vez o acompanhavam na apresentação pública de um novo trabalho.

Para finalizar e aproveitando já alguns ecos recebidos sobre a obra solicitou à editora que numa segunda edição se conseguisse a integração de um índice onomástico que seria muito útil a quem deseje consultar a obra. Já agora, se nos é permitido, partilhamos em absoluto dessa opinião, pois para mais fácil pesquisa das pessoas que são referidas tornava-se fundamental um instrumento desse género, por outro lado permitiria também estabelecer a teia de relações pessoais que se conhecem de Henrique Tenreiro, a importância que as mesmas tinham e abrir caminhos a novas pesquisas no campo das influências sociais e políticas.

Foi um fim de tarde passado no Museu Marítimo de Ílhavo visitando um espaço que já não visitávamos havia algum tempo, onde é possível agora visitar a exposição temporária intitulada "Frota de Paz nos Mares em Guerra" que merece a pena ser visitada pelos nossos ledores.

A.A.B.M.

segunda-feira, 22 de junho de 2009


HENRIQUE TENREIRO, UMA BIOGRAFIA POLÍTICA

Vai realizar-se na próxima quarta-feira, dia 24 de Junho, pelas 18.30 h, na Fundação Mário Soares, o lançamento da obra Henrique Tenreiro - Uma Biografia Política da autoria de Álvaro Garrido.

O apresentante da obra será o Prof. Doutor Fernando Rosas.

Do Índice da obra destacamos os principais capítulos, conforme se apresenta a seguir:

Prefácio
Introdução
O enigma do poder
Capítulo I – Percursos de infância e juventude. 1901‑1926
Capítulo II – Da Ditadura Militar à entrada política no regime. 1927‑1936
Capítulo III – 1936: o ano de todas as coisas
Capítulo IV – Patrão das pescas: a oligarquia corporativa. 1936‑1974
Capítulo V – A volúpia do poder e as tensões do apos‑guerra.1945‑1974
Capítulo VI – O fim da ribalta e o último combate. 1974‑1994
Conclusões
Fontes e bibliografia
Fontes primárias – documentação de arquivo
Outros arquivos e Centros de Documentação
Documentação particular
Escritos publicados de autoria de Henrique Tenreiro
Depoimentos orais
Outras fontes impressas
Bibliografia

Esta obra resulta “no terceiro acto deste longo curso sobre o “bacalhau corporativo” e suas Oligarquias”[p. 9]. Depois de ter publicado “Henrique Tenreiro – a volúpia dos poderes”, História, III série, n.º 26, Junho 2000, pp. 17‑25; “Henrique Tenreiro: patrão das pescas e guardião do Estado Novo”, Análise Social, n.º 160, vol. XXXVI, Outono de 2001, pp. 839‑862; “Henrique Tenreiro: um empresário do sector publico‑corporativo da economia salazarista?”, Estudos do Século xx, n.º 4, Coimbra, CEIS20/Quarteto, 2005, pp. 297‑322; O Estado Novo e a Campanha do Bacalhau, Lisboa, Círculo de Leitores, 2004 [vide o que se disse AQUI], a biografia política do homem que corporizou o projecto, Henrique Tenreiro, torna-se um culminar do trabalho, apesar de como afirma o autor na Introdução, “a escrita deste livro não exprime um especial encanto do biógrafo” [p.13] antes uma tentativa de compreensão do sistema corporativo construído durante o Estado Novo no sector das pescas.

Afirma ainda mais adiante:
O principal objectivo deste livro consiste em narrar a trajectória de vida de Henrique Tenreiro na sua relação com o poder. Procurar‑se‑á situar o nosso personagem no espaço público do salazarismo e acompanhar o seu itinerário de poder em dois territórios principais: a oligarquia corporativa das pescas e o sistema político do Estado Novo, dimensões fortemente imbricadas, é certo, mas sobretudo por acção do próprio.

Uma obra muito bem escrita, cuidada e denotando uma das características do seu autor, um conhecimento profundo sobre a organização corporativa do Estado Novo, em particular no domínio das pescas, utilizando fontes diversificadas e afirmando-o como um dos investigadores mais respeitados sobre o período da Ditadura.

No dia 4 de Julho, sábado, às 18h30, no Museu Marítimo de Ílhavo, haverá nova apresentação a cargo do Dr. Joaquim Feio, da FEUC.

A.A.B.M.