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sábado, 9 de junho de 2018

MEMÓRIAS DE UM ESTRANGEIRADO – JOÃO MEDINA


 
LIVRO: Memórias de um Estrangeirado. Seguidas de Dany le Rouge ou o meu Maio 68 e o meu 25 de Abril;
AUTOR: João Medina;
EDIÇÃO: Colibri, 2018, p. 196.

“ (…) Significativamente, quer Memórias, quer as duas referências que se lhe seguem - Dany le Rouge ou o meu Maio 68 e O meu 25 de Abril - estão enredadas em instituições escolares, portuguesas e estrangeiras, em cujo circuito se processa uma boa parte da vida de João Medina e de sua Família.
 
Este professor universitário que, na qualidade de aluno e de docente, pisou o solo de múltiplas escolas, lembra essa experiência, não como um privilegiado espaço de desenvolvimento cultural, mas, quase sempre de cáustico ânimo, como instituição onde a cultura, se algum dia aí penetrou, acabou por se estiolar, perpetuando-se camufladamente em solenes títulos e em reputadas individualidades.
 
O testemunho de João Medina, sobre a instituição escolar, designadamente a de nível superior, alerta, quase sempre de forma indirecta, não só para articulação da crise da escola com a da cultura como também para prioridade desta sobre aquela, sendo por isso legítimo concluir que a reclamada reforma da escola, sentida nos nossos dias, carecerá de consistência, se não for preparada por uma profunda reflexão sobre a cultura, que não existe no interior da escola, uma vez que a esta se tem pedido a transmissão de um dessorado saber, não uma acção cultural vivificante.
 
É tempo de os reformadores das nossas escolas, os quais aliás abundam, produzidos pelas frequentes alternâncias políticas, olharem para os diagnósticos de muitos dos nossos escritores, particularmente dos que apelam à dinâmica cultural" [Joaquim Cerqueira Gonçalves - AQUI]
 
J.M.M.
 

terça-feira, 17 de junho de 2014

PORTUGAL-ESPANHA NAÇÕES E TRANSNACIONALIDADE ENTRE DOIS SÉCULOS (1812-1986)


Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa vai realizar-se nos próximos dias 19 e 20 de Junho de 2014, o colóquio que vai analisar em diferentes perspectivas as relações entre os países ibéricos ao longo dos últimos dois séculos, desde as invasões francesas até à integração europeia.

As sessões estão estruturadas da seguinte forma:
DIA 19 (Quinta-feira)
10h45-13h00: 1ª Mesa – Nacionalismos, iberismos, transnacionalidade
15h00-16h30: 2ª Mesa – Narrativas nacionais e regionais
17h00-18h30: 3ª Mesa – Os regimes políticos na questão peninsular 

DIA 20 (Sexta-feira)
09h30-11h45: 4ª Mesa – Relações ibéricas em contexto global 
12h00-13h30: 5ª Mesa – Territórios e imaginários ibéricos
15h00-17h15: 6ª Mesa – Portugal visto de Espanha 

Contando com vários investigadores de ambos os países, destacam-se alguns nomes dos mais conhecidos e respeitados da comunidade historiográfica ibérica:
- Maria Conceição Meireles Pereira (Universidade do Porto)
- Fernando Catroga (Universidade de Coimbra) 
- Sérgio Campos Matos (Universidade de Lisboa/CH) 
- António Costa Pinto (Universidade de Lisboa/ICS) 
- António Ventura (Universidade de Lisboa/CH) 
- Hipólito de la Torre Gómez (UNED - Madrid) 
- António Pedro Vicente (Universidade Nova de Lisboa) 
- Luís Bigotte Chorão (CEIS 20-Universidade de Coimbra) 
- João Freire (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa) 
- João Medina (Universidade de Lisboa)

Entrada livre.

Este colóquio é organizado pelo Grupo de Investigação Historiografia e Cultura Política do Centro de História da Universidade de Lisboa.

A informação detalhada sobre o colóquio pode ser encontrada AQUI.

Um evento com grande qualidade que se recomenda aos nossos ledores.

A.A.B.M.

sábado, 4 de junho de 2011

ANATOMIA POLÍTICA


"É justo que pensemos um pouco na Pátria. Porque enfim, temos uma pátria. Temos pelo menos – um sítio. Um sítio verdadeiramente é que temos: isto é – uma língua de terra onde construímos as nossas casas e plantamos os nossos trigos. O nosso sítio é Portugal" [Eça de Queirós, As Farpas, Janeiro de 1872]

"Portugal é uma nação enferma do pior género de enfermidade, o langor, o enfraquecimento gradual que, sem febre, sem delírio, consome tanto mais seguramente quanto se não vê órgão especialmente atacado, nem se atina com o nome da misteriosa doença. A doença existe, todavia. O mundo português agoniza, afectado de atonia, tanto da constituição íntima da sociedade, como no movimento, na circulação da vida política" [Antero de Quental, 1868]

"Portugal é uma fazenda, uma bela fazenda, possuída por uma parceria. Como vocês sabem, há parcerias comerciais e parcerias rurais. Esta de Lisboa é uma parceria política, que governa a herdade chamada Portugal … Nós, os Portugueses, pertencemos todos a duas classes; uns cinco a seis milhões que trabalham na fazenda, ou vivem dela a olhar, como o Barrolo, e que pagam; e uns trinta sujeitos em cima, em Lisboa, que formam a parceria, que recebem, e que governam. Ora eu, por gosto, por necessidade, por hábito de família, desejo mandar na fazenda. Mas para entrar na parceria política, o cidadão português precisa uma habilitação – ser deputado" [Eça de Queirós, in Revista Moderna]

"Cada país tem o governo que lhe é adequado; a sociedade portuguesa, sustada sem seu desenvolvimento, nunca chegou a ser um organismo colectivo, vivendo do seu trabalho, com ideal político comum, capaz de se raciocinar e exprimir uma vontade geral. Ela constitui sem dúvida uma excepção na Europa, Ontem como hoje, tem sido sempre uma sociedade de aventureiros. Emudecida sobre as questões referentes ao bem da comunidade, só a interessam a emigração e as aventuras d’além-mar. O que cada um deseja é que o deixem sair”" [Alberto de Sampaio, in Revista de Portugal]

"Creio que isto é uma raça perdida. Começo a crer que biologicamente a nossa decadência degenerativa é manifesta. Não se trata apenas duma desagregação de alma colectiva, trata-se duma dissolução mais funda, mais íntima, passada na alma de cada um. Dá vontade de morrer – de vergonha" [Manuel Laranjeira, Diário Íntimo]

"Doze ou quinze homens, sempre os mesmos alternadamente possuem o Poder, reconquistam o Poder, trocam o Poder" [Eça de Queirós, Farpas, Junho 1871]

"A península Ibérica parece que herdou uma neurose – que em Espanha se tornou um génio raiado de loucura e, em Portugal, degenerou em imbecilidade misturada de velhacaria. Junte a isto (para Portugal), as influências hereditárias de uma avara genética, e explica muita coisa do País" [Eça de Queirós, A Capital]

"Em Portugal o cidadão desapareceu. E todo o País não é mais do que uma agregação heterogénea de inactividades que se enfastiam" [Eça de Queirós, Farpas III]

"O bacharel, tendo a consciência da sua superioridade intelectual, da autoridade que ela lhe confere, dispõe do mando; ao futrica resta produzir, pagar para que o bacharel possa viver, e rezar ao Ser Divino para que proteja o bacharel" [Eça de Queirós, Farpas III]

“O que um pequeno número de jornalistas, de políticos, de banqueiros, de mundanos decide no Chiado que Portugal seja – é o que Portugal é" [Eça de Queirós, O Francesismo]

in João Medina, "Eça Político", Seara Nova, 1974

via Almocreve das Petas

J.M.M.

sábado, 18 de setembro de 2010

O "PRESIDENTE-REI" SIDÓNIO PAIS - POR JOÃO MEDINA



LIVRO: O “Presidente-Rei” Sidónio Pais
AUTOR: João Medina
EDITORA: Livros Horizonte, 2007

"Esta obra sobre o 'Presidente-Rei', como lhe chamaria Fernando Pessoa, associa a investigação completa e rigorosa à escrita fluente que se torna um prazer de leitura. Aqui é apresentada a análise da acção política de Sidónio Pais, que teve indubitável apoio nacional durante a sua vigência que decorreu até que foi morto a tiro à entrada da estação do Rossio por um Republicano exaltado. São aqui também alvo de estudo as intenções e o consulado de Sidónio Pais, bem como a sua pertença à Maçonaria portuguesa...

... João Medina, é Professor catedrático de História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; nasceu em Moçambique em 1939; licenciou-se em Filosofia na Universidade de Lisboa; doutorou-se em em Sociologia na Universidade de Estrasburgo, tendo ensinado na Universidade de Aix-en-Provence (França). Em Portugal foi Director-Geral no Ministério da Comunicação Social (1975-1977); desde 1988 é professor catedrático de História na faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ensinou ainda nas universidades de Colónia (Alemanha), Pisa (Itália), São Paulo (Brasil) e nos Estados Unidos. Tendo realizado um vasto percurso como conferencista, colaborador e cronista em vários países em todo o mundo" [ler AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

HOMENAGEM A JOÃO MEDINA




SESSÃO DE HOMENAGEM A JOÃO MEDINA - dia 20 de Janeiro (17 horas), Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

J.M.M.

domingo, 13 de maio de 2007

OLIVEIRA SALAZAR


Oliveira Salazar

"A serenidade com que Salazar dominou o tempo, imprimindo-lhe a sua marca já agora indelével, seria porém incompreensível se não traduzisse uma vontade de ferro. Uma vontade constante, que não quebra, não dobra, nem sequer vacila. Uma vontade que vai fazendo o seu curso por entre os acontecimentos, atenta às oportunidades de agir e procurando não as desperdiçar. É essa vontade resoluta, servida por um altíssimo sentido de autoridade, que tem constituído o mais sólido alicerce da sua obra gigantesca. Vontade serena, pois: a vontade de um homem de pensamento que sabe o que quer e para onde vai ..."

[Marcelo Caetano, Discurso em 1958, in Vida Mundial, nº1530, 4/10/68]

"Inteligente sem maleabilidade, religioso sem espiritualidade, ascético sem misticismo, este homem é de facto um produto duma fusão de estreitezas: a alma campestremente sórdida do camponês de Santa Comba só se alargou em pequenez pela educação do seminário, por todo o inumanismo livresco de Coimbra, pela especialização rígida do seu destino desejado de professor de Finanças. É um materialista católico (há muitos), um ateu-nato que respeita a Virgem.

Para governar um país como chefe, falta-lhe, além das qualidades próprias que fazem directamente um chefe, a qualidade primordial - a imaginação. Ele sabe talvez prever, ele não sabe imaginar. Ele mesmo mostrou desdém por aquilo a que chamou 'os sonhadores nostálgicos do abatimento e da decadência' (Discurso de Salazar de 21-II-1935). A frase não é clara; e as suas frase, sempre nítidas, raramente são claras. Não se sabe se os sonhadores nostálgicos sonham com abatimento e decadência, ou se são os sonhadores que vivem em abatimento e decadência que sonham nostalgicamente não se sabe muito bem de quê. Retenhamos o essencial - o tom e o estilo da frase, cuja aplicação política escapou aliás a todos.
Ele odeia os sonhadores, não, note-se bem, porque são sonhadores, mas simplesmente porque sonham (...)"

[in História de Portugal, coord. de João Medina - sublinhados nossos)

J.M.M.