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domingo, 23 de agosto de 2020

24 DE AGOSTO DE 1820 - 24 DE AGOSTO DE 2020: BICENTENÁRIO

Assinalando os acontecimentos de 24 de Agosto de 1820, há algumas iniciativas a decorrer durante o dia, para assinalar o evento:

- No Porto:

- Em Coimbra:

- Na Figueira da Foz:



O programa previsto para se desenvolver ao longo de vários meses [entretanto com as actividades suspensas ou adiadas] pode ser consultado na página que pode/deve ser consultada AQUI:
https://1820.porto.pt/

A.A.B.M.
J.M.M

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

[FIGUEIRA DA FOZ - DIA 24 AGOSTO] – HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS / SESSÃO EVOCATIVA DOS 200 ANOS DA REVOLUÇÃO LIBERAL


Homenagem a MFT / Sessão Evocativa dos 200 anos da Revolução Liberal e apresentação do Livro "Manuel Fernandes Tomás, Escritos Políticos e Discursos Parlamentares (1820-1822)"

PROGRAMA:

DIA: 24 de Agosto de 2020

- 17,30 Horas: Deposição de Coroa de Flores junto ao túmulo de Manuel Fernandes Tomás;

- 18,15 Horas: CAE – Auditório João César Monteiro

- Sessão Evocativa dos 200 Anos da Revolução Liberal;

- Apresentação do Livro "Manuel Fernandes Tomás, Escritos Políticos e Discursos Parlamentares (1820-1822)", de autoria do professor José Luís Cardoso

ORADORES: Pres. da CMFF | Familiar de Manuel Fernandes Tomás | prof. Vital Moreira | prof. José Luís Cardoso

NOTA: O ESPAÇO ESTÁ LIMITADO.

J.M.M.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

MANUEL FERNANDES TOMÁS.ENSAIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO (NOVA EDIÇÃO)


LIVRO: Manuel Fernandes Tomás. Ensaio Histórico-Biográfico (Nova Edição);
AUTOR
: José Luís Cardoso;
EDIÇÃO: Almedina, 2020 (1ª ed. 1983).

“Quando recebi o convite da Câmara Municipal da Figueira da Foz para preparar uma nova edição deste livro publicado em 1983, a primeira e instintiva reacção foi a de reler o que havia escrito há 36 anos. E prontamente confirmei o que à partida se afigurava inevitável: qualquer tentativa de revisão implicaria a reescrita de um novo livro. Por isso, também prontamente concluí que me restava uma única saída: republicar na íntegra o texto original de 1983, fazendo acompanhar o antigo texto de um prefácio a explicar o que faria agora de diferente se tivesse de escrever de raiz um novo livro.

Não pense o leitor que renego o conteúdo ou a forma da edição original. Todavia, 36 anos volvidos, é compreensível o sentimento de que outras coisas poderiam agora ser ditas e, preferencialmente, em registo estilístico diferente. Tal é a consequência natural de um processo próprio de aprendizagem sobre os temas em análise e, sobretudo, do conhecimento adquirido de contribuições alheias que sobre esses mesmos temas se foram acumulando. Por conseguinte, a tentação de acrescentar uma nota ou rever um parágrafo não resistiria à verificação de que seria mais simples escrever tudo de novo, privando o texto de um certo arrojo juvenil que a linguagem académica tende a autocensurar.

Mas então - questionará o leitor atento - para quê republicar um texto que se considera datado ou preso ao tempo em que foi escrito? Perante a necessidade de responder a esta pergunta ocorrem duas justificações plausíveis: em primeiro lugar, porque o livro se encontra há muito esgotado e continua a haver interesse na sua leitura, para melhor se conhecer o personagem retratado; e em segundo lugar porque, apesar dos progressos historiográficos entretanto registados, este livro continua a ser, na dupla dimensão factual e interpretativa, objecto de consensual aceitação. Por outras palavras, entre o número limitado de especialistas da obra de Manuel Fernandes Tomás e do contexto em que viveu, toma-se como adquirida a informação biográfica e a análise de significados históricos que integram o ensaio que publiquei em 1983. É essa, afinal, a razão que melhor legitima e explica a publicação de uma nova edição.

Este livro teve por base um trabalho académico realizado em 1980 no âmbito da disciplina de História Contemporânea de Portugal, do curso de licenciatura em Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, leccionada por Miriam Halpern Pereira. Ganharia o texto escolar outro fôlego após convite que recebi do então presidente da Câmara da Figueira da Foz, Dr. Joaquim de Sousa, para verter em livro a pesquisa realizada sobre a vida e obra de Manuel Fernandes Tomás.

Como principal motivação para a publicação deste ensaio em 1983 destaco a vontade em quebrar a rotina ou inércia historiográfica, feita da repetição de habituais lugares-comuns, em tom por vezes hagiográfico, em que a figura de Manuel Fernandes Tomás quase sempre surgia engalanada. Os vistosos atributos de «Pai da regeneração portuguesa», de «Patriarca da liberdade», de «Grande vulto da revolução liberal», ou outros sonantes epítetos, eram pouco convidativos a uma abordagem lúcida e serena do seu percurso como magistrado e como político. Ao resgatar a essência do seu legado, revisitando os momentos mais significativos da sua carreira, procurava sulcar o terreno do historiador interessado em combater lendas e mitos. E mais não fazia do que seguir os exemplos dados por dois autores que muito contribuíram para o estudo objectivo e desapaixonado do percurso de Fernandes Tomás: Joaquim de Carvalho, também ele natural da Figueira da Foz, autor de obras escritas nas décadas de 1930 e 1940 que ainda hoje merecem releitura atenta; e José Manuel Tengarrinha, que tinha organizado em 1974 uma colectânea de escritos de Manuel Fernandes Tomás, num momento político especialmente oportuno para recordar o alcance do constitucionalismo vintista, quando o país vivia a euforia de uma outra revolução. Em ambos os autores, o respeito pelo estudo das fontes, a valorização do conhecimento dos textos que integram o legado bibliográfico de Fernandes Tomás, constituíam sinais de inegável distinção historiográfica.

A redacção do texto-base e a preparação do livro, no início da década de 1980, também beneficiaram da nova receptividade historiográfica concedida ao período das revoluções liberais e do constitucionalismo em Portugal. Com efeito, esse foi um momento particularmente intenso de inovação no estudo de temas de história contemporânea, com destaque para a superação das imensas lacunas no rastreio de fontes e na apresentação de propostas interpretativas sobre as mudanças que ocorreram na sociedade portuguesa ao longo do século XIX […]

[Na apresentação do livro sobre Manuel Fernandes Tomás] 

Em diversas passagens da primeira edição deste Ensaio Histórico-Biográfico deixei expressa a intenção de escrever um texto que valorizasse os traços da carreira individual e do processo de formação cívica e política em que Manuel Fernandes Tomás se envolveu como personalidade dotada de propósitos e motivações próprias, mas sem esquecer a missão de serviço público e o sentido de bem comum que igualmente o nortearam. Munido das ferramentas básicas de quem preza o valor heurístico de fontes documentais pesquisáveis em fundos arquivísticos, procurei também seguir e discutir criticamente a mais relevante bibliografia auxiliar dedicada à figura de Manuel Fernandes Tomás e ao período histórico em que a sua vida decorreu. Deste modo, construí deliberadamente uma narrativa de carácter biográfico, com a intenção de registar os principais momentos de uma vida compassada na sequência cronológica natural dos cargos que foi ocupando ou dos papéis que foi representando, desde o início da sua formação na Universidade de Coimbra até às últimas intervenções que proferiu nas Cortes Constituintes de 1821-1822.

Se fosse agora encetar esta mesma tarefa, dificilmente deixaria de respeitar as linhas gerais e os capítulos nucleares em que o livro se organiza. Algumas secções seriam, porventura, merecedoras de maior tratamento, ou justificar-se-ia menção adicional a novos tópicos; mas a estrutura básica seria a mesma. Reconheço, porém, a falta de um sentido unificador que permita ver a figura de Fernandes Tomás para além da escala circunscrita ao ambiente local, regional ou nacional em que a sua carreira se desenrolou. Ainda que a identificação de tal sentido só seja possível pelo trabalho hermenêutico a que os historiadores não se podem furtar, é a partir do testemunho que o próprio nos deixou que é viável discernir problemas que ultrapassam o simples, mas imprescindível, esforço de comprovação empírica. Fernandes Tomás não podia formar consciência histórica sobre o significado dos seus gestos ou sobre o impacto público das suas palavras. A intencionalidade que emprestava aos seus compromissos públicos era portadora de um sentido ou desígnio cujo impacto ou consequências não poderia antecipar ou avaliar. É esse o mistério que envolve os homens que fazem história através da construção do presente, como foi manifestamente o caso de Manuel Fernandes Tomás.

Que sentido unificador é esse? Trata-se de reconhecer o alcance das acções de Fernandes Tomás num tempo histórico que assiste a mudanças globais para as quais voluntária ou involuntariamente contribuiu. Com efeito, o magistrado que se fez tribuno viveu um tempo intenso de transformação que afectou globalmente o mundo, não apenas em Portugal e na Europa. Foram mudanças que se revestiram de amplitude global, com contágios e influências que operaram em diversas direcções, e que não podem ser circunscritas aos palcos habitualmente referenciados pela historiografia canónica de matriz europeia. Não é mais sustentável a ideia de que as revoluções de cunho liberal (na Europa ou noutros palcos do mundo) tiveram uma única origem causal, por simplificação exemplificada pelos símbolos e lemas da Revolução Francesa que a expansão napoleónica, e consequentes ambições geopolíticas, teria ajudado a disseminar e a implantar.

Entre os elementos caracterizadores desta era de revoluções a uma escala global, importa assinalar a convicção sobre as virtudes de uma nova noção de soberania com fundamentos filosóficos assentes nos direitos naturais dos indivíduos que escolhem os seus representantes legítimos. O combate anti-monárquico, anti-clerical e anti-aristocrático à ordem social e política do ancien regime, foi especialmente relevante para os protagonistas da Revolução Francesa de 1789. Num ambiente propício à denúncia das arbitrariedades do poder absoluto, procuraram consagrar novos princípios de cidadania política e a universalidade de novos direitos, considerando imprescindível a publicação de constituições escritas, estabilizadoras de processos de separação e distribuição dos poderes. Foi essa também uma causa pela qual Fernandes Tomás pugnou.

Muitas das ideias saídas da Revolução Francesa tiveram repercussão noutras regiões e instituições, dentro e fora da Europa. Mas também suscitaram animosidade e oposição em países que acreditavam que as reformas políticas eram viáveis sem os exageros do terror jacobino e sem os efeitos nefastos da expansão hegemónica de Bonaparte. Nalguns casos, designadamente em Espanha, Portugal e Itália, viveu-se mesmo a absoluta contradição de se evocarem ensinamentos políticos e ideológicos da Revolução Francesa, para que as nações fossem patrioticamente salvas da ruína provocada pela ocupação napoleónica e suas sequelas. Manuel Fernandes Tomás foi um intérprete claro dessa tensão entre a aceitação de princípios doutrinais e a rejeição da forma como na prática eram aplicados.

Outro elemento de caracterização da era das revoluções vivida por Manuel Fernandes Tomás diz respeito ao desmembramento dos impérios e à independência de vastos territórios coloniais. O exemplo da Revolução Americana de 1776 mostrou como foi possível que uma revolta de pequena escala contra o sistema fiscal vigente numa parcela do império se transformasse num movimento global de contestação dos poderes localmente instituídos e, por extensão, da coroa britânica. A amplitude das relações comerciais no quadro dos impérios existentes, e a crise motivada pelos ímpetos de autonomia e movimentos de independência efectiva, forçavam ou convidavam a uma tomada de consciência de que o mundo se tornara num campo de revoluções convergentes que ditavam mudanças irreversíveis, mesmo que as sedes dos antigos impérios procurassem manter-se a salvo de tais movimentos. A transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro no início de 1808 marcou o arranque de um processo gradual de separação do Brasil da esfera de influência do império português, com consequências que estiveram bem presentes nas motivações dos regeneradores liberais de 1820, sob a liderança de Manuel Fernandes Tomás.

Manuel Fernandes Tomás estava particularmente ciente da importância desse envolvimento externo, sendo bem conhecida a forma como o Sinédrio mudou de atitude no primeiro trimestre de 1820, quando chegaram as primeiras notícias da proclamação da Constituição espanhola de Cádis de 1812, que havia sido suspensa e revogada por Fernando VII em 1814.

A revolução de 1820 resultou de circunstâncias locais habitualmente identificadas com o sentimento de orfandade de uma nação, com o seu rei ausente e sob tutela administrativa, militar e política inglesa, e com a vontade de mudança política alimentada por sectores esclarecidos da magistratura e do exército. Mas resultou também, e sobretudo, do ambiente internacional próprio de uma era de revoluções que viabilizou o triunfo da causa liberal e constitucional.

A revolução de 1820 teve essa dimensão regeneradora, de procura de adaptação e mudança, de fruição da liberdade, de ânsia de criação de novas instituições de poder representativo, de consolidação de virtudes cívicas. Tal desiderato implicava a participação do Estado e, num certo sentido, confunde-se ou mistura-se com a ideia de reforma que cumpre ao Estado realizar. Ou seja, pressupunha a autoridade e a responsabilidade política do legislador na concepção e execução de programas de melhoramento social em benefício do conjunto da população. Teve ainda uma característica que corresponde a um dos atributos centrais de todas as revoluções: a projecção futura de compromissos presentes, a vontade explícita dos seus principais mentores e promotores de quererem continuar a mudar a ordem das coisas.

Para a compreensão de todos estes significados, o testemunho deixado por Manuel Fernandes Tomás é revelador e essencial. Talvez tenha sido esta leitura da vida e obra de Fernandes Tomás, enquanto intérprete e protagonista desse tempo de múltiplas mudanças, um aspecto que ficou menos explicitado na edição de 1983 deste Ensaio Histórico-Biográfico […]

 [José Luís Cardoso, in Prefácio à nova edição - sublinhados nossos]

J.M.M.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

[FIGUEIRA DA FOZ - DIA 31 JULHO] – APRESENTAÇÃO DA REEDIÇÃO DO LIVRO “MANUEL FERNANDES TOMÁS. ENSAIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO”


LIVRO: Manuel Fernandes Tomás. Ensaio Histórico-Biográfico (Reedição);
AUTOR: José Luís Cardoso;

APRESENTAÇÃO DA OBRA:

DIA: 31 de Julho de 2020 (18,00 horas);
LOCAL: Casa do Paço (Largo Prof. António Victor Guerra nº3), Figueira da Foz;
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal da Figueira da Foz;

ORADORES: professor António Tavares (Apresentador) | dr. José Luís Cardoso

NOTA: O ESPAÇO ESTÁ LIMITADO A 50 LUGARES.


► Em 1983, o Secretariado Executivo das Comemorações do 1º Centenário da Figueira da Foz a Cidade editou, pela pena do figueirense José Luís Cardoso, o que continua a ser a principal obra de referência sobre a figura de Manuel Fernandes Tomás (1771-1822), a “alma e o cérebro” do auspicioso levantamento liberal de 24 de Agosto de 1820, na cidade do Porto.

Esta peça bibliográfica incontornável acerca da vida e obra do Patriarca da Liberdade encontra-se há muito esgotada, pelo que faz todo o sentido a sua reedição pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, associando-se assim às Comemorações do Bicentenário da Revolução de 1820. O legado politico e cívico da vida pública de Manuel Fernandes Tomás, ilustre regenerador da Pátria, é luminoso e imenso, a sua memória jamais será esquecida.

J.M.M.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

JOÃO ATAÍDE, MEMÓRIA E EXEMPLO – POR ANTÓNIO VALDEMAR



João Ataíde, memória e exemplo” – por António Valdemar, in Publico online
 
Magistrado, autarca e deputado, de grande integridade, absteve-se na Assembleia da República na votação da eutanásia e faleceu ao chegar a casa.

«Há viver e há morrer. Sempre nas circunstâncias mais diferentes e, muitas vezes, mais insólitas. Foi o que se verificou agora com João de Ataíde. Homem do seu tempo, com posições ideológicas inequívocas para enfrentar a atualidade e uma clara visão integradora do futuro. Marcou a sua presença como advogado, como magistrado (membro do último governo) e, entre várias outras funções, como Presidente da Câmara da Figueira da Foz.

Em todos estes e outros cargos João Ataíde distinguiu-se pela dedicação, pela competência e abertura às situações concretas do quotidiano. Entendeu, também, a Figueira da Foz na sua extensão poliédrica: o conjunto natural, o mar, o rio e a serra; a realidade social, política e humana; o legado histórico, as solicitações do presente e os imperativos do futuro.

João Ataíde não se limitou à defesa e à valorização da paisagem, à urgência de viabilização de estruturas e infraestruturas fundamentais para assegurar as necessidades e as condições de vida da população. Evidenciou– se pelo respeito que lhe merecia a cidade, o concelho, o distrito e a própria região, no âmbito de um património material e imaterial incomum em relação ao País e também abrange um excecional conjunto de personalidades tão significativas e tão diversificadas; umas, naturais da cidade e do concelho; e outras, das suas periferias geográficas.

Há poucos dias, João de Ataíde marcou um almoço comigo – sem horas de acabar e discussões a propósito de quem iria pagar a conta –, a fim de elaborarmos uma proposta a submeter ao atual presidente da Câmara, Carlos Monteiro, e ao vereador da cultura, Nuno Gonçalves, para incluírem ou acrescentarem na agenda de 2020: os 60 anos da morte do poeta João de Barros e, também, os 60 anos da morte de Jaime Cortesão, cujo último texto que escreveu – e encontrei no espólio – foi dedicado à Figueira da Foz. O almoço – no qual deveria estar o nosso comum amigo António de Barros – foi adiado em consequência de ocupações inadiáveis.

João Ataíde deslocou-se na última quinta-feira à Assembleia da República, como deputado do Partido Socialista. Não era uma sessão igual às outras. Estava na ordem do dia a eutanásia, uma questão cercada de controvérsias e repleta de manipulações. Ao exercer o direito de voto absteve-se. Tanto quanto presumo, agora, depois de votar confrontou-se, possivelmente, com sucessivas e dilacerantes interrogações.

Tinha-lhe recomendado, há meses, a leitura obrigatória do Drama de Jean Barois, de Roger Martin Du Gard, Prémio Nobel da Literatura, que, feitas algumas descircunstancializações pontuais e atualizadas as notas de pé de página, mantém a maior das atualidades. A reeditar, é de manter a escrupulosa tradução de António Lobo Vilela.

Pouco depois de chegar a casa, João Ataíde sentiu-se mal. As interrogações, porventura, voltaram a acentuar-se através da noite e da madrugada. As pulsações aceleraram. Parou o coração. Os fantasmas persistiram. E estrangularam-no. Nunca conseguiu libertar-se da interioridade secreta de rotinas ancestrais, desvincular-se de superstições e erradicar os terrores incutidos na infância e na adolescência. Estes estados de incerteza e dúvida precipitaram-lhe o fim.

Mas um facto é certo. Em face do irremediável, da viagem sem regresso do amigo querido e fraterno João Ataíde, que não voltarei a ouvir e a ver, cumpre apresentar condolências à família, e à Figueira da Foz, através do Presidente e vereadores da Camara Municipal, pelo muito que fez pela terra. Sempre de mãos limpas.
 

Resta apresentar, ainda, condolências a titulares de cargos judiciais, aos que dignificam e honram a profissão, num momento em que se assiste a uma crise da mais extrema gravidade, trazendo para o ruído  da praça pública os mais lamentáveis episódios pessoais, profissionais e institucionais: a denúncia da existência e do funcionamento próspero  de uma ou mais empresas pertencentes e  associadas a juízes aposentados e que alegadamente faturam milhões de euros por ano,  para efetuarem – em condições a averiguar pelas instâncias competentes, e  até aos mais pequenos pormenores e implicações –, as  peritagens e avaliações que terão prestado.

Será possível esquecer o espetáculo, também público do ódio indisfarçável – que ferve, uiva e explode – nos depoimentos proferidos por juízes e procuradores e que invadiram as televisões, os jornais, as rádios e as redes sociais? Será ainda possível assistir sem indignação, sem repulsa e sem perplexidade à lavagem de roupa suja de elementos de uma classe que é um dos órgãos de soberania e que, diante de todos nós, não hesitam a manifestar-se uns contra os outros?

No mínimo, e se forem apuradas todas as responsabilidades, estamos a assistir à generalização da máscara corroída e leprosa da Justiça. Perante isto – que suponho ainda no princípio –, a personalidade humana, a raiz ética e a autenticidade moral de todo o percurso de João de Ataíde constituem um exemplo. Raro. Edificante. Presente.

João Ataíde, memória e exemplo – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências] – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

[DIA 7 DE FEVEREIRO - FIGUEIRA DA FOZ] – EVOCAÇÃO A MANUEL FERNANDES TOMÁS



CONFERÊNCIA: Evocação a Manuel Fernandes Tomas;
DIA: 7 de Fevereiro de 2020 (21,30 horas);
LOCAL: Assembleia Figueirense (Avenida Saraiva de Carvalho 140), Figueira da Foz;

PALESTRANTE: Professor Doutor Rui de Albuquerque  

ORGANIZAÇÃO: Ass. Manuel Fernandes Tomás | Ass. 24 de Agosto 

A Figueira da Foz inicia os seus trabalhos de Comemoração do Bicentenário da Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820 com a “Evocação a Manuel Fernandes Tomás”, um dos regeneradores da Pátria, o varão ilustre que soltou o grito da nossa emancipação política, contra o terror do despotismo e a defesa da Augusta Liberdade. Ao cidadão figueirense, Manuel Fernandes Tomás, a dívida de todos aqueles que aprenderam a semear a palavra “Liberdade” é enorme. Assim saibamos merecer o seu fecundo trabalho.

J.M.M.

domingo, 12 de janeiro de 2020

[FIGUEIRA DA FOZ] CARTAS DE MANUEL TEIXEIRA GOMES A JOÃO DE BARROS

LIVRO: "CARTAS DE MANUEL TEIXEIRA GOMES A JOÃO DE BARROS"

APRESENTANTE: António Valdemar

DATA: 16 de Janeiro de 2020

HORÁRIO: 18 horas

LOCAL: Auditório Municipal da Figueira da Foz - Rua Calouste Gulbenkian

Um evento que se recomenda a todos os potenciais interessados, com interesse pelas informações trocadas entre os dois intelectuais portugueses que marcaram a primeira metade do século XX.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

HEMEROTECA DIGITAL DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA FIGUEIRA DA FOZ – PEDRO FERNANDES TOMÁS – ESTÁ ONLINE



A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, Pedro Fernandes Tomás, que tem a gratidão e o apreço dos amantes dos livros & outras letras, tem na sua morada um vasto repositório de peças bibliográficas únicas e valiosas, estimadas e curiosas, em especial a sua colecção de periódicos, legada por homens devotos da historiografia local, homens livres e de sábios costumes.
Despertando a curiosidade dos neófitos & de investigadores ou simples ledores de “papéis pintados com tinta”, a Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, da Figueira da Foz, começou a disponibilizar online o seu vasto e rico acervo da imprensa local. Nunca será demais o nosso agradecimento e ventura. Vale!     

 
 
 
 
ALGUNS PERIÓDICOS DIGITALIZADOS: Desafronta: Homenagem aos caixeiros figueirenses. – N.º único (1 Nov. 1903) - Figueira da Foz: [s.n.], 1903 Ginásio Clube Figueirense: comemorativo do seu cinquentenário - Nº único (1945) - Figueira da Foz: G.C.F., 1945 Jornal de cinema: quinzenário de cinéfilos e para cinéfilos / dir. e red. Miguel da Mota Veiga Gaspar. - A. 1, s. 1, nº 1 (15 Nov. 1929) - a. 3, s. 3, nº 10 (10 Jul. 1932). - Figueira da Foz: Eduardo Paulo de Macedo, 1929-1932 – Quinzenal O Palhinhas / dir. ErnestoTomé. – S. 2, n.º 1 (30 Ago. 1930). - Figueira da Foz: [s.n.], 1930 [trata-se da nova edição que vem publicada com o jornal O Figueirense, porque na verdade O Palhinhas é um curioso periódico com o seu 1º nº publicado em 25 de Julho de 1915, sendo proprietário do jornal José dos Santos Alves e diretor Augusto Pinto] Sport Cine / dir. M. da Costa Luz. A. 1, n.º 12 (20 Jun. 1935) - Figueira da Foz: Tip. de O Figueirense imp., 1935 A Voz da Justiça: bi-semanário republicano da Figueira da Foz / dir. Manuel Jorge Cruz [apenas está online 2 numrs deste importante jornal local, porventura um dos mais valiosos periódicos republicanos saídos da imprensa regional portuguesa – aguardando-se a sua plena digitalização] À cidade da Figueira da Foz: homenagem ao Exercito Portuguez/Empreza do Casino Peninsular. - Número único (Fev. 1897) - Figueira da Foz: Empresa do Casino Peninsular, 1897 Album Figueirense: revista mensal regionalista/dir. João de Oliveira Coelho. - Ano 1, n° 1 (Jun. 1934) - ano 4, n° 7 (Maio 1940). - Figueira da Foz: J. O. Coelho, 1934-1940 Almanaque illustrado do jornal A praia da Figueira: secção literaria, informações, anuncios etc / Director e proprietario Carlos Idães. - Ano 1 (1909). - Figueira da Foz: Typ. Popular de Manuel J. Cruz, [1908] A alvorada [Copiografado]: semanario de caricaturas / Redactor F. S. Morgado; [desenhos de António Piedade]. - Ano 1, nº 1 (4 Maio 1903) -ano 1, nº 6 (8 Jun. 1903). - Figueira da Foz: [Miguel Rodrigues], 1903 Anuario Figueirense: cronologico, topografico, burocratico, comercial, agricola, estatistico, biografico e literario / Coordenado por João O. Coelho. - Ano 1 (1918) -ano 2 (1920). - Figueira da Foz: J.O. Coelho, 1917-1919 A arte nova [Copiografado] / Director AV-LI-6; proprietário Ole-e-Ole. - Ano 1, n.º 1 (29 Jun. 1902). - Figueira da Foz: [s.n.], 1902. - il. ; 22 cm. - Desconhecida. - Apenas foi publicado o ano 1, n.º 1. - Essencialmente caricaturas Diário da Praia: actualidades / prop. ed. e dir. Albano Duque e Adriano Santos. - Ano 1, n.º 1 (4 Ago. 1929) -ano 2, n.º 124 (4 Out. 1936). - Figueira da Foz: Albano Duque: Adriano Santos, 1929-1936. - il. ; 33 cm ; 41 cm. - Diário. - O texto do n.º 1 do ano 1 é datiloscrito e policopiado, com a publicidade impressa no verso de cada folha. - Editado durante a época estival. - No ano de 1929 é editado apenas em agosto, com periodicidade mais irregular. - Publicado nos anos 1929, 1935-1936 Echos da Figueira / [Dir.] José Carlos da Silva Pinto, Cassiano Diniz Corte Real. - Ano 1, n.º 1 (16 Jul. 1882) -ano 1, n.º 11 (30 Out. 1882). - Figueira da Foz: Casa Minerva, 1882. - 23 cm. - Mensal. - Alterações de formato: n.º 2, 26 cm ; n.º 3 a 5, 38 cm ; n.º 6 a 11 Europa: quinzenário de informações e propaganda / Red. António Amargo; propriedade da empresa Neto de Carvalho. - Ano 1, n.º 1 (15 Abr. 1925) -ano 3, n.º 7 (1 Ago. 1927). - Figueira da Foz : Café Casino Europa, 1925-1927 Evolução: pela Pátria e pela liberdade / Director J. Alves Miranda. - Ano 1, nº 1 (22 Ago. 1909) -ano 1, nº 14 (30 Out. 1910). - Figueira da Foz: Imprensa Lusitana, 1909-1910. - Semanal. - Periódico maçónico, órgão da loja figueirense Evolução Figueira: litteratura, sciencia e arte / Redactores Pedro Fernandes Thomás e Eloy do Amaral; secretário e editor Francisco Martins Cardoso. - Série 1, ano 1, n.º 1 (Jan.1911) - série 7, n.º 1-2 (Jan./Fev. 1916). - Figueira da Foz: Grupo Studium: Biblioteca Pública Municipal, 1911-1916 Figueira desportiva / Director Dr. José Rafael Sampaio; administrador e editor Joaquim Alfredo Anjos Pedro; secretario da redacção Constantino Nunes da Silva. - Ano 1, n.º 1 (25 Dez. 1924) -ano 3, n.º 141 (1 Set. 1927). - Figueira da Foz: Tipografia Popular, 1924-1927 Figueira reclame: jornal independente, litterario, sportivo, ilustrado e annunciador/ Directores e proprietários M. Cardoso Martha e Eloy do Amaral. - Época 1, n.º 1 (Jun. 1907) -época 1, n.º 4 (Out. 1907). - Figueira da Foz: M. C. Martha: E. Amaral, 1907 A messe / Director Lucas Freire d'Abreu Pessoa. - Ano 1, n.º 1 (14 Fev. 1889) -ano 1, n.º 4 (1 Abr. 1889). - Figueira da Foz: [s.n.], 1889. - 24 cm. - Semanal. - Publicação reproduzida em fotocópia Noticias da Figueira/ Propriedade e direcção técnica de Carlos Baptista; director e editor J. Vasco Martins Baptista. - Ano 1, nº 1 (24 Maio 1941) -ano 31, n.º 1164 (24 Dez. 1972). - Figueira da Foz : J.V.M. Baptista, 1941-1972 O operariado: folha semanal / [Redactores Delfim Gomes... et al.]. - Ano 1, n.º 1 (14 Mar. 1889) - [ano 1, n.º 31 (6 Nov. 1889)]. - Figueira da Foz: [s. n.], 1889 O operario: folha da classe operaria / [dir. Ernesto Fernandes Tomás]. - Ano 1, n.º 1 (25 Ago. 1889) -ano 3, n.º 121 (15 Out. 1893). - Figueira da Foz: [E. F. Tomás], 1889-1893. - 40 cm. - Semanal. - A partir do n.º 104 passa a denominar-se O Operário Figueirense Pela Republica : numero unico commemorativo do 31 de Janeiro de 91. - Número único (31 Jan. 1905). - Figueira da Foz: [Centro Eleitoral Republicano Dr. José Falcão], 1905. - Continuação de: Glória aos Vencidos, 1904 O Petiz / Redactores Adelino Veiga, Raymundo E. P. Junior, Augusto Veiga. - Ano 1, n.º 1 (Mar. 1905) -ano 1, n.º 3 (Maio 1905); série 2, n.º 1 (3 Ago. 1909). - Figueira da Foz : Imprensa Lusitana, 1905 A Praia: revista quinzenal / Editor J. H. Santos; propriedade da Casa Havaneza. - Ano 1, n.º 1 (23 Jul. 1917) -ano 1, nº 5 (18 Out. 1917) ; [nova série], n.º 1 (21 Ago. 1921) -nº 8 (9 Set. 1923). - Figueira da Foz: J. H. Santos, 1917-1923 A Praia elegante / Redactor principal e editor Antonio Correia Pinto d'Almeida. - Série 1, n.º 1 (28 Jul. 1918) -[série 1, n.º 10 (29 Set. 1918)]. - Figueira da Foz: A.C.P. Almeida, 1918. - 36 cm. – Irregular O raio x : quinzenario humoristico / Director M. de Sousa ; propriedade do Grupo d'O Raio X. - Ano 1, nº 1 (5 Fev. 1924). - Figueira da Foz : Tip. Peninsular, 1924. - 39 cm. - Quinzenal. - Foi apenas editado o ano 1, n.º 1 O Rancho do Vapor : homenagem a Manuel Dias Soares / organizado pela Comissão Promotora da Homenagem a Manuel Dias Soares. - Nº único (1 Jun. 1935). - Figueira da Foz: Tip. Popular, 1935 A Redenção: política, literatura, arte, noticiario, anuncios, etc. / Dir. José Rafael Sampaio, Raimundo Esteves Pereira Júnior; redator Augusto Veiga Junior ; propriedade Anibal Cruz. - Ano 1, nº 1 (1 Maio 1909)-ano 1, nº 19 (1 Fev. 1910). - Figueira da Foz : Tipografia Popular de Manuel J. Cruz, 1909-1910 Revista da Figueira : publicação mensal de arte, sciencia elitteratura / Redactores João Templario, Manoel d'Almeida, Cardozo Marto. - Vol. 1, nº 1(Abr. 1903) - nº 2 (Out. 1917). - Figueira da Foz : Imprensa Lusitana, 1903-1917. - il. ; 25 cm. - Irregular. - Publicado em 1903 e 1917 Revista litteraria. - N.º 1 (Jul. 1904) - n.º4 (Abr. 1906). - Figueira da Foz : Gazeta da Figueira, 1904-1906. - il. ; 22 cm. - Irregular. - Suplemento à Gazeta da Figueira Tribuna Literária : secção quinzenal de O Figueirense / Director Belarmino Pedro. - Ano 1, nº 1 (10 Abr. 1940)-ano 11, nº 296 (24 Nov. 1951). - Figueira da Foz : O Figueirense, 1940-1951.
 
J.M.M.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

[JANTAR LITERÁRIO] – A FIGUEIRA DE JORGE DE SENA


JANTAR LITERÁRIO - A FIGUEIRA DE JORGE DE SENA – 100 ANOS

 
DIA: 30 de Novembro de 2019 (20,00 horas);

LOCAL: Salão Cafée (Casino da Figueira da Foz);

PRESENÇA: António Valdemar | Luís Machado | Orquesta de Jazz da Escola do CAE da Figueira da Foz

ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal da Figueira da Foz | Casino da Figueira 

A CMFF em parceria com o Casino da Figueira tem patrocinado um conjunto de eventos na evocação do Centenário do nascimento do escritor e cidadão Jorge de SenaA Figueira de Jorge de Sena 100 Anos.

Recriando a curiosa obra de Sena, “Sinais de Fogo”, decorreu o “Percurso Jorge de Sena”, entre a estação e o casino, essa Figueira dos anos 30, lugar onde Jorge de Sena veraneava. Jorge Fazenda Lourenço e o escritor, professor figueirense e ex-vereador da Cultura António Tavares conversaram sobre o escritor e a sua obra.

Amanhã – dia 30 de Novembro – há lugar a um JANTAR LITERÁRIO, onde a arte gastronómica se alia ao culto das letras, tomando assento na mastigação, libação & palavras ditas, além dos inúmeros admiradores do precioso escritor, o emérito jornalista António Valdemar e Luís Machado, que serão acompanhados nesta colegiada pela Orquestra de Jazz da Escola de Artes do Centro de Artes e Espetáculos

Lá estaremos, em espirito makavenkal e  … para o resto.

A não perder!

J.M.M.

sábado, 9 de novembro de 2019

[FIGUEIRA DA FOZ – EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS] ESCRITORES. MEMÓRIAS E OLHARES



EXPOSIÇÃO “Escritores. Memórias e Olhares” – Fernando Bento

DIAS: 8 de Novembro de 2019 a 2 de Fevereiro de 2020;
LOCAL: Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz ;
ORGANIZAÇÃO: CMFF | CAE | Apoio da APE ! Antena 1



► “ … Estes rostos de escritores, propostos por Fernando Bento, suscitam um encadear de ideias e até um eternizar de memórias. Por detrás de uma fisionomia humana há sempre uma história e uma memória. Se pensarmos assim, percebemos que o fotógrafo de que falamos não se limita a fixar e a reproduzir imagens. Ele capta, para além da máscara, a expressão dos gestos, revelando sentimentos e identificando emoções. No visor da sua máquina escolhe o melhor ângulo, enquadra, surpreende a autenticidade e só depois dispara. Resultado final: verdadeiras fotografias com alma, cunho pessoal e aquele rebeldismo a que já nos habituámos a admirar.

Escolher 25 fotografias, entre largas centenas de imagens, não foi fácil […] Nesta viagem onde o passado e o presente transportam memórias para o futuro, estes Escritores - grandes referências da portugalidade - constituem uma importante afirmação da nossa identidade cultural […]

[Luís MachadoO Curador & secretário-geral da APE - in Fotografar com Alma (do Catálogo da Exposição) ]
 
 

“A exposição de Fernando Bento no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz integra uma serie de retratos de escritores portugueses contemporâneos da segunda metade do século vinte. A força e a irradiação das imagens, que resultam da sagacidade do olhar, do poder de análise e de síntese, transpõem o circunstancial imediato e mobilizam a nossa atenção.
 
 
Apesar de algumas ausências, não faltam personalidades de referência. A exposição fica, portanto, circunscrita ao trabalho realizado para a Associação Portuguesa de Escritores, desde 1995 e ao percurso de Fernando Bento, iniciado nos anos 80, concretamente, após janeiro de 1988 quando adquire a carteira profissional de jornalista. É a partir de então - e estando na posse de uma formação em técnicas fotográficas da imagem e no conhecimento estético da obra de pintores, escultores, ceramistas e cartunistas de gerações tão diversas - que se afirma com visibilidade crescente o fotógrafo e o editor fotográfico, Em 30 anos de ofício exercido em tempo inteiro predomina, contudo, o repórter.

[…] A presença do repórter ganhou projeção em realizações promovidas pela Associação Portuguesa de Escritores. Alguns exemplos: o ciclo Herculano 200 anos depois; as comemorações dos 150 anos do nascimento de Raúl Brandão; a evocação de Aquilino Ribeiro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, E neste contexto o levantamento fotográfico dos cafés lendários e de outros locais relacionados com a vida e a obra de Aquilino nos dois exílios políticos, em Paris - um, no final da Monarquia; outro, na luta contra a ditadura militar que levou Salazar ao poder,

Destacam-se, entretanto, as sucessivas reportagens de Fernando Bento das tertúlias organizadas por Luís Machado no Café Martinho da Arcada, com a participação das maiores figuras literárias, artísticas e políticas. Tudo isto poderia ter ficado perdido na efeméridade das palavras e no acaso dos gestos e das atitudes. Mas restam dessas sessões memoráveis, a gravação das intervenções e o registo das imagens que permitem reconstituir testemunhos inéditos e revelações inesperadas para a clarificação de equívocos e para a reposição da história.

Felizmente, perduram nesta exposição de Fernando Bento e também nos livros de Luís Machado "Conversas à Quinta-Feira" e "Rostos da Portugalidade". Assim como os diálogos inseridos noutro livro de referência: "Amália, Confissões em Noite de Primavera".

Fernando Bento também fica ligado aos tratamentos de imagem do universo de Fernando Pessoa para exposição permanente no Martinho da Arcada. Outro trabalho que demonstrou os seus recursos técnicos assinala-se em "Ministros do Reino à Administração Interna" que inclui governantes desde 1834 até à atualidade, para a exposição, na sede do Ministério da Administração Interna e, depois, repetida nos Governos Civis de todo o país.
 
 
Tem como curador Luís Machado, esta exposição constituída por mais de vinte "memórias e olhares" a preto e branco, selecionadas de reportagens das atribuições de prémios literários, de festivais de poesia e outras homenagens que decorreram em Lisboa, em Tróia e na Figueira da Foz. Uma das singularidades da exposição reside essencialmente no facto de Fernando Bento, sem procurar efeitos sofisticados, ter captado em flagrante - com o faro visceral do repórter - personalidades tão diversificadas, na sua autenticidade humana e na evidência da sua relação quotidiana.

Os olhos e a intuição do repórter Fernando Bento - já consagrado a nível nacional e internacional - fixaram os rostos, as mãos, o perfil de figuras conhecidas de todos nós e que, na poesia, na ficção, no ensaio, aprofundaram e de modos tão diferentes, a paixão e os sonhos, as ambições e os terrores que denunciam o tempo em que viveram. Fernando Bento teve a capacidade de surpreender em cada rosto, o que existe para além das aparências.

António Valdemar - in Memórias e Olhares (do Catálogo da Exposição)

 J.M.M.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

[CONVERSA E DEBATE] MITOS E FIGURAÇÕES DO DIABO


 
 
[Conversa e Debate] Mitos e Figurações do Diabo
 
 
DIA: 13 de Setembro de 2019 (21,30 horas);


ORGANIZAÇÃO: Museu Municipal Santos Rocha | Divisão da Cultura da CM Figueira da Foz

Palestrantes: José Manuel Anes (Investigador e Professor Universitário) | Saliu Djau (Cientista Político e membro da Mural)

Moderação: Paulo Mendes Pinto (Investigador e Professor Universitário)

No âmbito da  Exposição  «A [F]figueira tem o Diabo à beira! Anjos Caídos, Figuras Demoníacas e Seres Infernais", patente de 13 de julho a 02 de novembro 2019, no Museu Municipal Santos Rocha da Figueira da Foz, realizar-se-ão diversos momentos de conversa e debate em torno da temática da exposição e abordando a questão DO MITO RELIGIOSO À CRENÇA POPULAR.

O primeiro momento, no próximo dia 13 de setembro, sexta-feira, versará sobre o tema MITOS E FIGURAÇÕES DO DIABO, com três convidados de excelência, e cujo cartaz remetemos em anexo para a V/ melhor divulgação”

[Anabela Bento, da Divisão de Cultura da CMFF]

J.M.M.