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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

[FIGUEIRA DA FOZ] HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS - EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820



[FIGUEIRA DA FOZ]  CERIMÓNIA EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS

DIA24 de Agosto de 2024 (17,00 horas);

LOCALPraça 8 de MaioFigueira da Foz;

ORGANIZAÇÃO: CMFF | Ass. Manuel Fernandes Tomás | Associação 24 de Agosto 

INTERVENÇÕES
:


  • Representante da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto;
  • Representante do Grémio Lusitano;
  • Representante da Associação Manuel Fernandes Thomaz;
  • Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

J.M.M.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

BICENTENÁRIO DA MORTE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS

Na próxima sexta-feira, 24 de Novembro de 2023, realizam-se as cerimónias de encerramento do BICENTENÁRIO DA MORTE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS.


Nesse dia realiza-se na Figueira da Foz, no Auditório Madalena Biscaia Perdigão, um colóquio evocativo desta figura fundadora do Liberalismo em Portugal.

O programa do colóquio, que também funciona como formação creditada para professores, (6 horas de formação, numa acção de curta duração) cuja inscrição devia ser efectuada no site do Centro de Formação Figueira Mar, AQUI. Contando com a colaboração da Academia Portuguesa da História e da Academia das Ciências de Lisboa, bem como o apoio da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

O programa do colóquio é o seguinte, conforme apresentado no cartaz abaixo:

Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.


quarta-feira, 30 de agosto de 2023

NATÁLIA CORREIA E A FIGUEIRA DA FOZ – POR ANTÓNIO VALDEMAR

 


Natália Correia e a Figueira da Foz – por António Valdemar, in O Figueirense

Herdeira de parte da fabulosa biblioteca e colecção de arte de Cardoso Martha que foi amigo da mãe e, durante alguns anos, professor de Natália consolidando as bases culturais que, rapidamente, a lançaram para grandes voos literários.

O centenário do nascimento de Natália Correia que decorre a 13 de Setembro já começou a ser assinalado nos Acores, em Lisboa e noutras cidades a que ficou ligada, quer pelas referências que existem na sua obra, quer por amigos e admiradores confessos oriundos desses locais. É o caso da Figueira da Foz.

Ao aproximarmo-nos de Natália e da sua circunstância, podemos começar por salientar que nasceu a 13 de Setembro de 1923, nos Acores, na Fajã de Baixo, uma freguesia do interior, próximo de Ponta Delgada. Pai e mãe entraram em ruptura quando Natália tinha alguns meses. O pai emigrou para o Brasil.

A mãe de Natália, a professora primária Maria José Oliveira, formara-se no ideário cívico e cultural da I Republica, adoptou princípios laicos e tendências libertárias, o que era invulgar na época e muito mais invulgar nos Acores. Desde sempre, preocupou-se com a educação das filhas incutindo-lhes os valores da democracia e a aproximação com a modernidade. Radicou-se, em 1934, definitivamente, em Lisboa.

Quis dar as filhas, para triunfarem na vida, as oportunidades que não existiam nos Acores. Natália ainda passou pelo Liceu de Ponta Delgada; frequentou em Lisboa, o Liceu Filipa de Lencastre, mas sem qualquer aproveitamento. Mostrou-se refrataria aos métodos de ensino.

Maria José Oliveira, em Lisboa, além do exercício do magistério para conseguir sobreviver, integrou-se na tertúlia Tabula Rasa na qual predominava Manuel Cardoso Martha (1882 – 17 de Setembro de 1958), figueirense dos quatro costados, que leccionava, em Lisboa, na Escola Fonseca Benevides. Antigo seminarista, com profundo conhecimento das humanidades clássicas, da literatura portuguesa e das varias literaturas europeias, Cardoso Martha era um notável erudito, bibliografo, bibliófilo, coleccionador de manuscritos e de livros raros e antigos.


Caricatura de Cardoso Martha, assinada por Francisco Valença (1882-

1962), no jornal Sempre Fixe

Não se esqueça que Cardoso Martha organizou, em 1912 e 1913, no Grémio Literário os I e II Salões dos Humoristas. Possuía desenhos, aguarelas e guaches de Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Christiano Cruz, Jorge Barradas, António Soares e outros participantes no primeiro modernismo. Entre muitas outras preciosidades possuía, e com dedicatória, o primeiro auto-retrato de Almada Negreiros.

Martha organizou o In Memoriam de Eça de Queiroz, foi um dos directores e redactores da revista Feira da Ladra (1929) e também da “Nova Gazeta de Lisboa (1935). Revelou antiguidades e curiosidades. Aquilo que se poderá denominar “Coisas Novas em Papeis Velhos”, que sabia extrair procurando o pitoresco e o insólito. Residiu os últimos anos em casa de Natália Correia. A biblioteca e o acervo abrangiam as maiores preciosidades sobre a Figueira da Foz e arredores e também acerca de Coimbra.

Contou-me Severo Biscaia que, logo a seguir a morte de Manuel Cardoso Martha, o então presidente [a partir de 13 de Novembro 1958, era presidente Adelino Pedrosa Veríssimo nota nossa] e vereadores da Camara da Figueira da Foz, fizeram diligências para que todo esse acervo literário e artístico ficasse depositado no Museu Santos Rocha, na altura, a cargo de Vítor Guerra. Consultados os advogados, seus amigos e do marido, Alfredo Machado, Natália terá entregado - lembrou-me ainda Severo Biscaia - o que existia sobre a Figueira da Foz e arredores. Compete fazer a devida investigação.

Ainda a propósito das relações de Natália com a Figueira da Foz acrescentaria a relação assídua com Luís Cajão, João Santiago, Mário Braga e o “figueirense adoptivo” Carlos Estorninho, dos corpos gerentes do jornal Republica e director da Biblioteca do Instituto Britânico em Lisboa. Uma figura tutelar do património cultural e cívico de Natália, era Antero de Quental. Para compreender e aprofundar Antero, recorria as obras de investigação, de crítica e de reflexão de Joaquim de Carvalho.

António Jorge Lé, director de O Figueirense, aludiu-me ainda ao programa televisivo que esteve a cargo de Natália Correia, que aliás a fez deslocar a Figueira para contar a riqueza dos tradicionais Autos Pastoris – tradição natalícia local. Natália Correia esteve na sede da Sociedade Filarmónica Dez de Agosto para realizar esse seu programa.

Este conspecto sumario menciona, no ano do centenário, um pouco do muito de Natália Correia: uma das grandes figuras literárias da segunda metade do seculo XX que celebrou a vida na sua plenitude dionisíaca, como expressão de afirmação de coragem pessoal. A sua poesia e sempre dominada por dois extremos: a confidência lírica e o sarcasmo feroz. Uma Natália avida de todas as experiencias em partilha contínua do profano com o sagrado.

Natália Correia e a Figueira da Foz – por António Valdemar [jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], in O Figueirense, 25 de Agosto de 2023, p.22 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

[FIGUEIRA DA FOZ] JANTAR COMEMORATIVO DO 31 DE JANEIRO DE 1891

 


A Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, da Figueira da Foz, promoveu um Jantar Comemorativo da Revolta de 31 de Janeiro de 1891 e que reuniu, no restaurante O Peleiro (Paião), mais de seis dezenas de pessoas. Presidiu à Homenagem o presidente da Associação, o sr. Rui Cruz, secretariado pelo sr. José Manuel Martins e pela dra. Cristina Duarte.

 

O Jantar decorreu em ambiente de harmonia e convivência, tendo usado da palavra o presidente da reunião, que deu as boas-vindas e agradeceu a comparência dos presentes e, ainda, o professor José Manuel Martins, que apresentou o Orador convidado, o professor doutor Paulo Archer de Carvalho.

 

O Orador proferiu um brilhante discurso em torno do republicanismo, ética republicana e as filosofias da Repúblicas, historiando as causas e consequências do levantamento militar e cívico do 31 de Janeiro. As eloquentes palavras foram seguidas com toda a atenção, tendo sido tributas no final com fortes aplausos.

 

Usou ainda da palavra o Presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás, o dr. Fernando Cardoso, que, após ter distribuído fotocópias de um curioso relatório subscrito pela antiga União Nacional sobre as atividades políticas realizadas por alguns oposicionistas do concelho durante o Estado Novo, proferiu uma ligeira mas substanciosa alocução sobre a importância da intervenção cívica, social e política na vida pública, salientando que essa cidadania social opõe-se decisivamente ao populismo, que é contra a diversidade de ideias e a democracia.     

 

O sr. Presidente da Associação encerrou esta celebração histórica do 31 de Janeiro de 1891, marcando nova confraternização para o próximo ano; por último saudou e agradeceu a exaltante presença do estimado Orador, Paulo Archer de Carvalho, e congratulou-se pela bela sessão e a concorrida assembleia, que muito honrou a cidade da Figueira.

 

Foi distribuído pelos participantes um número único comemorativo da data, o 31 de Janeiro, em pequeno formato, com gravuras alusivas e textos de Sebastião Magalhães Lima, Antero de Quental, Alves da Veiga, Basílio Teles e Sampaio Bruno.  

 





[LER AQUI]

 O 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, integra o luminoso património do republicanismo português e é, portanto, uma data histórica da Alma Portuguesa. A revolta militar e popular que visava implantar a República era já um reflexo da inserção popular do Partido Republicano Português (PRP) e, mesmo tendo fracassado, irá estabelecer e fortalecer o aperfeiçoamento conspiratório das futuras "manifestações revolucionárias”.

Os “gritos patrióticos” erguidos contra a degradação da situação política, social e económica do final da monarquia, ecoaram na cidade do Porto. Civis e militares fizeram ouvir a sua voz em defesa da Pátria, da Independência e da Liberdade. Foi uma "lição moral", como nos disse Basílio Teles. E, "quaisquer que tenham sido os seus erros, o que não esquecerá, o que brilhará cada vez com mais fulgor  ... será a memória do 31 de Janeiro e dos homens, distintos e humildes, que nesse dia souberam dar aos seus compatriotas o exemplo do civismo e do desinteresse" [idem].

Alves da Veiga, Santos Cardoso, Tenente Coelho, Alferes Malheiro, Capitão Leitão, Actor Miguel Verdial, 1º Sargento Abílio, Felizardo Lima, Rodrigues de Freitas, Pais Pinto (o abade de São Nicolau), António Claro, Ventura Reis, Aurélio Pais dos Reis, Homem Cristo, Sampaio Bruno, Basílio Teles, João Chagas, e muitos outros "indisciplinados republicanos" traçaram o que seria o caminho desse generoso levantamento cultural e cívico pela res publica, que patrocinou o desfecho vitorioso do 5 de Outubro de 1910. E que por isso, aqui, também honramos!

Viva o 31 de Janeiro!

VIVA A REPÚBLICA, A DEMOCRACIA E A LIBERDADE

A Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto (Figueira da Foz)

J.M.M.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

[GRANDE ORIENTE LUSITANO – MAÇONARIA PORTUGUESA] BICENTENÁRIO DA MORTE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS

 


A PERENIDADE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS (1771 – 1822)

«A afirmação de Ortega & Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância” é um convite à interpelação, ao que de mais profundo resiste dentro de nós, aos exemplos daqueles que fizeram o caminho para estarmos aqui. Muitos o fizeram antes, somos herdeiros da cultura Greco-Latina a que devemos juntar a matriz judaico-cristã.

Agora que a Universidade de Coimbra vai ter um polo na Figueira da Foz faz todo o sentido lembrar que Manuel Fernandes Tomás frequentou a Universidade de Coimbra entre 1785 e 1791, tendo-se formado em Cânones. Talvez tenha recebido aí o seu primeiro banho de dialética, a reforma pombalina trouxe a Coimbra o melhor de uma Europa que se exprimia no pensamento e nas artes.

Sabemos que trabalhou cerca de cinco anos no município da Figueira da Foz, que passou por Arganil, Coimbra e Porto (1816), onde foi um dos militantes mais convictos das causas liberais, tendo fundado o Sinédrio (1818), com José Ferreira Borges, João Ferreira Viana e José da Silva Carvalho. O Sinédrio teve o apoio de lojas maçónicas de Lisboa, e de maçons que viviam em Coimbra, Santarém e na Figueira da Foz. Manuel Fernandes Tomás era maçon, com o nome simbólico Valério Publícola, tendo chegado a ser Venerável (1821) da Loja Patriotismo, nº7, ao Vale de Lisboa.

Participa nas Cortes Constituintes (1821) e no desenho da 1ª Constituição Portuguesa. A sua morte em Novembro de 1822, não lhe permitiu assumir o mandato nas Cortes Legislativas.

Estamos aqui a evocar o homem, o seu pensamento e o legado de Manuel Fernandes Tomás, quando passam 200 anos da sua morte, aquele que foi o “Patriarca da Liberdade Portuguesa”, aquele que não hesitou em erguer o verbo para contra os que recusavam jurar a Constituição (inclusive o Patriarcado de Lisboa). Aquele que elegeu a Liberdade como um dos vértices da trilogia da Revolução Francesa: Igualdade e Fraternidade. Considerava que é a Liberdade é o maior dos direitos do homem, aquele que permite pensar e escolher, o que ousa a sua condição pela dignidade.

Nesse arco de 200 anos nasce, em 1900, a Loja Fernando Tomás, que adota o seu nome como patrono. Nessa mesma loja, importa lembrar a data de 24 de Agosto de 1904, já em plenos trabalhos maçónicos, em sessão especial, o irmão Bernardino Machado, recebe a insígnia de Venerável Honorário. O povo maçónico associa-se para que o monumento da Praça 8 de Maio fosse uma realidade, tendo a loja Fernandes Tomás um papel determinante, ainda que com o apoio do Grande Oriente - tendo sido inaugurado no dia 24 de Agosto de 1911. É esta transmissão dos valores da liberdade, da igualdade e fraternidade que une os que se reveem na maçonaria universal. A cadeia de união que junta homens e mulheres que acreditam que é possível construir uma sociedade mais justa e igualitária, respeitando as diferenças é aquilo que nos une há séculos. Os melhores de nós morreram por nós, lembro Gomes Freire de Andrade.

Manuel Fernandes Tomás atravessa o tempo, esse grande escultor, de que falava Marguerite Yourcenar. O que fazemos na Maçonaria? “Trabalhamos para a construção de um homem novo e de uma sociedade nova, ou seja, para dar à vida um sentido ético e solidário. Praticamos o livre pensamento, a tolerância e a filantropia. “ Essa filantropia que permitiu, também, erguer o monumento a Manuel Fernandes Tomás. Como escreveu António Arnaut, “Queremos um mundo mais livre, justo e fraterno. A utopia que alimenta a nossa fome de perfeição é a certeza de que o futuro está nas mãos de todos os homens e mulheres de boa vontade. Por isso, a Maçonaria é hoje tão indispensável como no passado.”

Não é possível estudar os últimos 200 anos da História de Portugal sem reconhecer a importância da Maçonaria, dos maçons que como Manuel Fernandes Tomás construíram um edifício constitucional que alimentou a chama de um futuro que ainda nos aquece e desafia. Talvez, seja fácil reconhecer que uma enorme parte da Humanidade mais válida lhe pertenceu ou pertence. Hoje estamos aqui a lembrar Manuel Fernandes Tomás, que dizia: “tirar ao homem e ao cidadão a liberdade é o maior castigo que se lhe pode dar, porque o priva de maior direito”.

É impossível esquecermos neste momento a guerra na Ucrânia. Por isso, “Pátria é sinónimo de Liberdade. Onde está a Pátria aí está também a Liberdade”, dizia Magalhães Lima, em 1928, então Grão-Mestre.

Em nome do Grão-Mestre, Fernando Cabecinha, e do Grande Oriente Lusitano, Maçonaria Portuguesa, presto a mais sentida homenagem ao homem, ao seu pensamento, ao cidadão, cuja perenidade evocamos ao lembrar os seus ideais e valores, Manuel Fernandes Tomas, duzentos anos depois do seu desaparecimento.

“Nos quase 300 anos de história maçónica, nos mais de 270 dessa mesma história em Portugal e nos quase 200 anos de existência do Grande Oriente Lusitano, o combate pela Liberdade tem sido um denominador comum.” (Oliveira Marques, há 20 anos). É por essa liberdade que aqui estamos e estaremos sempre, mesmo que isso tenha um preço elevado. Agradecemos o convite do senhor Presidente da Câmara, Dr. Pedro Santana Lopes, para esta evocação de um dos nossos que é, também, da pátria.

[Discurso proferido por António Vilhena, em representação do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, Maçonaria Portuguesa, na Figueira da Foz a 19 de Novembro de 2022 - sublinhados nossos]

 J.M.M.

sábado, 19 de novembro de 2022

[19 DE NOVEMBRO 2022] IN MEMORIAM DE MANUEL FERNANDES TOMÁS

 




200 ANOS DO FALECIMENTO DO PATRIARCA DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820

“Manuel Fernandes Tomás foi a “alma e o cérebro” do levantamento regenerador de 24 de Agosto de 1820, na cidade do Porto, memorável página do nosso primeiro liberalismo político. A coerência do seu pensamento, a superioridade e eloquência do seu saber, a sábia palavra que a todos iluminava, são testemunhos insuspeitos para laurear o seu nome entre os Homens de 1820 e esculpir uma página mais à “história das idades”.

Manuel Fernandes Tomás faleceu no dia 19 de Novembro de 1822: uma vida de probidade e integridade, um pensamento político e obra pública notável, materializada nos ideais de liberdade, justiça e luta contra o despotismo. E foi assim na cidade do Porto quando organizou um grupo de amigos da verdade e da liberdade à volta de uma associação patriótica, denominada Sinédrio. E, depois, quando plantou uma semente mais do edifico do primeiro liberalismo pátrio, a Constituição de 1822.

Isto é, o exemplo benemérito e civilizador de Manuel Fernandes Tomás deve ser rememorado, merece ser evocado no dia do seu passamento. Vale!”  [AQUI]

J.M.M.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

[FIGUEIRA DA FOZ – 19 DE NOVEMBRO] – BICENTENÁRIO DA MORTE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS, O ILUSTRE REGENERADOR DA PÁTRIA

BICENTENÁRIO DA MORTE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS, O ILUSTRE REGENERADOR DA PÁTRIA  

DIA: 19 de Novembro de 2022 (16,30 - 20,00 H);

LOCAL: Praça 8 de Maio | Auditório Municipal da CMFF | Igreja da Ordem Terceira

ORADORES: Pres. da Câmara Municipal da Figueira da Foz | José Luís Cardoso | Ana Cristina Araújo | Associação Manuel Fernandes Tomás | Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto | Grande Oriente Lusitano

ORGANIZAÇÃO: CMFF| Ass. MFT | Ass. 24 Agosto


PROGRAMA:

16H30 – Deposição de flores pelas diferentes representações junto ao monumento tumular, na Praça 8 de Maio,

17H00 - Sessão Solene de Homenagem e Evocação da Vida, Obra e Legado de Manuel Fernandes Thomaz, no auditório Municipal

19H15 - Cerimónia Religiosa na Igreja da Ordem Terceira

A Câmara Municipal da Figueira da Foz patrocina a Celebração do Bicentenário da Morte de Manuel Fernandes Tomás, ilustre filho da Figueira da Foz e o Patriarca da Revolução de 1820, na cidade do Porto. Manuel Fernandes Tomás foi uma figura relevante do nosso primeiro liberalismo, um dos regeneradores da Pátria, um “fervoroso apóstolo da Liberdade e da soberania nacional”, o Patriarca da Revolução de 1820. Rememorar a sua vida e obra, principalmente nestes 200 anos do seu falecimento, é um dever cívico de todos e cada um.

J.M.M  

terça-feira, 23 de agosto de 2022

[FIGUEIRA DA FOZ] HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS - EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820


[FIGUEIRA DA FOZ]  CERIMÓNIA EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS

DIA24 de Agosto de 2022 (17,30 horas);

LOCALPraça 8 de MaioFigueira da Foz;

ORGANIZAÇÃO: CMFF | Ass. Manuel Fernandes Tomás | Associação 24 de Agosto 

INTERVENÇÕES
:


  • Representante da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto;
  • Representante do Grémio Lusitano;
  • Representante da Associação Manuel Fernandes Thomaz;
  • Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.



► “Venho hoje pronunciar um grande nome; mas tão grande como ele será a dor de proferi-lo: maior nome, não o pronunciou boca de homem; maior mágoa não a sentiu coração vivente. Manuel Fernandes Tomás... - morreu. Quereis maior nome que este? Quereis maior dor que a nossa? Não, Senhores, não há português honrado, que não clame afoito - não -; e, se algum há, português não é esse.

Se medisse o meu dever pela bitola de minhas forças; se regulasse o desempenho das funções deste lugar pelas qualidades dos que me ouvem; não restaria (pronunciado tal nome) ao complemento do meu ofício, senão derramar lágrimas, e prantear convosco: mas urge o dever forçoso; e conquanto se acanha o orador na mesquinhes de suas forças, sobeja a vastidão do assunto para dar largas ao mais limitado espírito, e desenvolver o mais curto engenho. Penso no meu objecto, e em vez de me apoucar à face de sua grandeza sinto elevar-me até ele; vejo que me espraio pela imensidão de seu infinito.

Mas não penseis que vou enfeitar-me de flores oratórias; não julgueis que vou servir-me dos atavios emprestados da arte: são postiços esses enfeites; são estranhos esses atavios; são as brilhantes roupas com que a mão da eloquência servil adorna o esqueleto da ambição, e lhe encobre o asqueroso dos vermes com a túnica da pompa: mas vem a mão dos séculos (e essa, não a compra o ouro, nem a desvairão honras) rasga-lhe as roupas mal seguras, e então aparece o horror do sepulcro, e o nada de uma cinza mesquinha, que não legou uma página à história das idades, nem deixou uma letra no pequeno livro dos homens de bem.

Não, Senhores, a eloquência do homem livre é a linguagem do coração: desconhece ornatos, ignora enfeites; é simples como a natureza; é singela como a sua simplicidade.

Vede esses edifícios, que nos deixarão avoengos servis: olhai essas grimpas erguidas por mãos de escravos; examinai os recortados florões dessa arquitectura chamada Gótica: vedes curtas linhas; observais acanhados traços; tudo respira a mesquinhes do engenho encoberta com os enfeites da arte: voltai agora para os grandes monumentos dos povos livres: Que diferença! Deparais com altivas colunas, com esbeltos pórticos, com donairosos remates: mas tudo simples, tudo singelo. Que altiva que é a liberdade, Senhores! …”

[Almeida Garrettin Oração Fúnebre de Manuel Fernandes Tomás]

J.M.M.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

[30 DE OUTUBRO, 21.30 HORAS] TERTÚLIA: A MAÇONARIA E A FIGUEIRA FA FOZ

 


TERTÚLIA: TERTÚLIA - A MAÇONARIA E A FIGUEIRA DA FOZ;

DIA: 30 de Outubro 2021;
LOCAL: Assembleia Figueirense (Figueira da Foz);

MODERAÇÃO: José Martins (coautor do blog Almanaque Republicano);

ORGANIZAÇÃO: Diálogos ComSentidos | Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto

“O grupo Diálogos ComSentidos e a Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto anunciam que a moderação da Tertúlia "A Maçonaria e a Figueira da Foz" ficará a cargo de José Martins, professor e coautor do blog "Almanaque Republicano".

Esta tertúlia terá início às 21h30 deste sábado (30/10) na Assembleia Figueirense e enquadra-se no programa Figueira Plural: um projeto de organização conjunta entre mais de uma dezena de organizações sociais, culturais e religiosas do concelho da Figueira da Foz.

A entrada é livre”

J.M.M.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

FIGUEIRA DA FOZ - [ASSOCIAÇÃO MANUEL FERNANDES TOMÁS] NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS

 


DISCURSO PROFERIDO NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2021, na Figueira da Foz, pela Associação Manuel Fernandes Tomás

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O regresso, a cada ano, neste dia, a este locai, representa o justo reconhecimento do papel crucial de Manuel Fernandes Tomás pela afirmação, em Portugal, da “ideia de Liberdade", como lhe chamou Rui de Albuquerque.

Penso que todos os que aqui viemos aceitamos que o Liberalismo teorizado, defendido, implementado, mas sobretudo vivido peio mais ilustre de todos os figueirenses deve ser a base de um território social e politicamente democrático, participativo civicamente e tolerante na diversidade de opiniões.

Em 1820, Manuel Fernandes Tomás e Outros abriram a porta para a existência de urna Constituição que teve raízes no Iluminismo do século XVIII, ideologia e prática estruturante das sociedades europeias e do continente americano do século XIX - de facto, este texto de 1822 afirmou “a existência de Liberdade, de um consentimento e representatividade dos governados e da igualdade perante a Lei” (…) pressupondo também “a liberdade de escolha política, alternância de poder e, naturalmente, a liberdade de pensamento”, de acordo com António Lopes.

O regresso, a cada ano, neste dia, a este local, representa o justo reconhecimento do papel crucial de Manuel Fernandes Tomás na ousada luta por valores e princípios que hoje admitimos como “naturais”, apesar de tão recentes na história dos Homens, e, portanto, ainda tão pouco consolidados, como o que está a acontecer no Afeganistão o demonstra.

Regressamos, a cada ano, neste dia, a este local, para não deixar esquecer que os tiranetes que por aí andam, à espreita, com discurso fácil e oportunista, vazio de soluções, mas carregado de ódios, mais não são do que o regresso aos Antigos Regimes, aos Feudalismos, aos Absolutismos, aos Imperialismos despóticos e desrespeitadores que Manuel Fernandes Tomás quis combater e destruir.

Hoje, regressamos a este local também para comemorar os 250 anos do nascimento, a 30 de junho de 1771, do "Patriarca da Liberdade", numa conjuntura ainda de pandemia, sem fim à vista, e que parece sugerir que não conseguimos responder a perguntas tão simples como: ainda se lembra onde estava antes? quais eram os seus problemas maiores? quais eram os seus planos? o que valorizava? o que desvalorizava?

Por outro lado, porque o Covid-19 ainda está a ser, é crucial perguntarmos: iremos voltar ao "normal"? vamos caminhar cegamente num mundo que já não existe? o "novo normal" pós-quarentena será muito ou pouco parecido com o "velho normal" pré-pandemia?

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Hoje, neste local da cidade onde nasceu, viveu e interveio Manuel Fernandes Tomas, permitam-me a ousadia de vos colocar as seguintes questões:

Se Manuel Fernandes Tomás estivesse, aqui, entre nós, na Figueira de 2021: seria candidato à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal, a uma Junta de Freguesia? teria tido o acordo da Nacional da respetivo Partido? aceitaria protagonizar uma candidatura “independente"? teria tido liberdade absoluta para constituir as respetivas equipas? teria uma "boa imprensa"? teria conseguido intervir, política e civicamente, ao longo dos últimos anos, sem que lhe passassem constantes atestados menoridade moral? teria sido poupado a ataques de cariz pessoal?

Bem sei que a resposta negativa à primeira destas perguntas torna as seguintes impossíveis, mas como viemos aqui, hoje, a este local, sobretudo para “celebrar uma vida plena de verdadeiro empenho cívico, uma vida dedicada à defesa da Liberdade como um direito inalienável e intrínseco a cada ser humano, uma vida eivada de um profundo e sincero amor a Portugal", citando José Manuel Martins, permitam-me compartilhar um sentimento de "estremecimento de alma", ao supor uma resposta positiva a uma imaginária candidatura de Manuel Fernandes Tomás.

Assim, como seriam, nesta Figueira de 2021, as reações no Facebook? Qual seria a respetiva cobertura mediática? Quem aceitaria fazer, com ele, parte dessa aventura?

Prefiro olhar para o que ele disse, prefiro olhar para o que ele fez.

Prefiro colher, no seu exemplo, um impulso para a luta pela defesa da liberdade!

Viva a memória de Manuel Fernandes Tomás!

Viva a Figueira da Foz!

Viva a Liberdade!

[Teotónio Cavaco, Representante da Associação Manuel Fernandes Tomás - sublinhados nossos]

J.M.M.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

[GRANDE ORIENTE LUSITANO – MAÇONARIA PORTUGUESA] NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS – FIGUEIRA DA FOZ

 


DISCURSO PROFERIDO NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2021, na Figueira da Foz, pelo Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa

Cumprindo a tradição e uma feliz e justa deliberação da Câmara Municipal da Figueira da Foz, com mais de quatro décadas, aqui estamos, de novo, para homenagear Manuel Fernandes Tomás. Ao fazê-lo, recordamos o homem e o cidadão, figura destacada e central na Revolução Liberal de 1820, e sublinhamos a importância do seu contributo e do seu ideário para a democracia que temos e para o Estado de Direito que somos.

Trata-se, por isso, de uma iniciativa justa e pela qual honramos a nossa história e o seu legado.

Consequentemente, o Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, de que Manuel Fernandes Tomás foi um dos seus mais insignes membros, quer cumprimentar de forma particular a Câmara Municipal da Figueira da Foz, a Associação Manuel Fernandes Tomás e a Associação 24 de Agosto pelo vosso contributo permanente para a defesa do ideário da Revolução Liberal de 1820.

Grande Oriente Lusitano sente particular orgulho em ter contado de entre os seus membros com um Homem com a grandeza de Manuel Fernandes Tomás. O Grande Oriente Lusitano sente orgulho nos maçons que hoje, como nos séculos XIX e XX, trabalham e trabalharam na Figueira da Foz.

Aqui, a Maçonaria fundou associações de apoio aos mais desfavorecidos, criou escolas e exerceu uma profunda influência cultural e cívica através de associações e jornais. Na história da cidade, são incontornáveis os nomes de muitos que aqui nasceram ou que à cidade estiveram ligados pela sua actividade profissional ou política. Nomes como António Augusto Esteves, escritor e bibliófilo, Maurício Águas Pinto, fundador dos Rotários figueirenses, Joaquim de Carvalho, professor universitário, Joaquim António Feteira, comerciante, Goltz de Carvalho, professor e naturalista, António dos Santos Rocha, advogado e arqueólogo, ou ainda de Gentil da Silva Ribeiro, operário, dirigente republicano e impulsionador do associativismo e da imprensa local, têm, além da sua condição de figueirenses, a qualidade de terem sido maçons do Grande Oriente Lusitano.

Ao celebrarmos Fernandes Tomás, estamos inequivocamente a celebrar o dia 24 de Agosto de 1820 e a Revolução Liberal. Estamos a relembrar o homem que encarnou a alma dessa revolução, cuja matriz era a elaboração de uma Constituição, expressão de uma cidadania composta pela participação de todos na vida da sociedade, moldada em direitos e deveres para com o todo social. Estamos também a manter vivas as ideias do Bem Comum e do bom governo que fizeram história a partir do século XVIII, com as teorias de Locke, Hobbes, Montesquieu ou Rousseau.

Homenageamos, hoje, um dos maiores portugueses de todos os tempos, um líder pelo exemplo, defensor da Liberdade e promotor da regeneração da Pátria. Um cidadão com um pensamento político denso e ponderado e defensor intransigente da ideia tão cara ao Grande Oriente Lusitano da sã convivência entre todos os cidadãos, pautada, sempre, por critérios de inabalável justiça.

Sã convivência entre todos os cidadãos, que a par de outros valores superiores, nunca é um valor dado por adquirido, como o demonstra o crescimento que nos últimos anos se tem verificado na sociedade portuguesa das ideias de extrema-direita, populistas e antidemocráticas, que, de forma organizada, mas também perigosamente inorgânica, têm vindo a fazer um caminho, que nos impõe a todos uma prática mais exigente na promoção dos valores democráticos.

Os valores defendidos por Manuel Fernandes Tomás e pelos heróis de 1820 continuam actuais e credores nos dias de hoje de reconhecimento, defesa e promoção.

201 anos depois da Revolução Liberal, todos os democratas têm a obrigação de deixar bem claro, pela sua prática e pela sua intervenção cidadã, que a democracia, para se proteger, tem linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas, pois a democracia não é nem pode ser o regime em que tudo é permitido a todos.

[Carlos Vasconcelos, Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa - sublinhados nossos]

J.M.M.