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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

UM POEMA PREMONITÓRIO DO 24 DE AGOSTO DE 1820



Um Poema Premonitório do 24 de Agosto de 1820” [Extracto] – por Luís Miguel Queirós, in Público, 17 de Agosto de 2020
No dia 15 de Junho de 1819, um jovem estudante de Leis, que pouco antes começara a usar os apelidos Almeida Garrett, escreveu no Porto, sua cidade natal, um poema que resumia com veemência quase pitoresca a indignação e rancor que a presença e o ascendente dos mili­tares ingleses vinha alimentando na sociedade portuguesa.

"Opressora da Lusa liberdade/Esta canalha d'Al­ b-on soberbo/ aqui fixou seu trono./ De botelhas coroadas, e d’olhos, boca,/ Das orelhas, nariz e doutras partes/ Esguichando cerveja, numa glória/ De espesso nevoeiro,/ Pou­sou seu génio bruto em nossos muros;/ Co nacional God-damn, e o frasco a pino,/ Nos bebe o vinho, nos esbulha as bolsas."
 
Mais curioso é que neste poema, intitulado Férias, Garrett parecia também adivinhar não só que a revolta estava para breve, mas que nasceria no Porto, como efectivamente veio a acontecer um ano depois, no dia 24 de Agosto de 1820.
Ressurgir[á] daqui" a "nobre inde­pendência de outras eras", escreve, acrescentando um voto que é todo um programa revolucionário: "Oh! quando te hei-de eu ver, pátria que­rida/ Limpa de ingleses, safa de conventos,/ E varridas tuas ruas da imundície/ Do fidalguesco lixo!
Férias foi recolhido uma década mais tarde, em 1829,na primeira edição da Lírica de João Mínimo, publicada em Londres, e é justamente numa nota a estes versos que Garrett inclui um dos seus ditos mais célebres: "Se na nossa cidade, há muito quem troque o b por v, há muito pouco quem troque a honra pela infâmia, e a liberdade pela servidão."
Garrett veio a envolver-se na revolução liberal, viu aquele que seria o seu primeiro poema impresso, o Hino Patriótico, ser recitado no Teatro de S. João logo no dia 27 de Agosto de 1820, e chegou a ser secretário particular de José da Silva Carvalho, um dos líderes civis do movimento. Não é, pois, implausível que em meados de 1819 já lhe tivessem chegado alguns ecos da actividade do Sinédrio, para o qual um seu amigo próximo, Duarte Lessa, fora cooptado em Fevereiro do ano anterior. Mas talvez não lhe fosse necessário estar ao corrente da conspiração, ou possuir dotes divinatórios, para prever que mais tarde ou mais cedo se desencadearia uma revolta e que a probabilidade de ela vir a eclodir no Porto era considerável.

O magistrado José Maria Xavier de Araújo, penúltimo membro a ser recrutado pelo Sinédrio - o último foi o coronel Bernardo Sepúlveda, que a exemplo da generalidade dos oficiais implicados no pronunciamento de 24 de Agosto passou para o campo absolutista logo na Vilafrancada -, deixou umas memórias da Revolução de 24 de Agosto, na qual via "o resultado necessário dos acontecimentos que conduziram o Príncipe Regente de Portugal ao Brasil no ano de 1807, onde lançou as bases de um novo Império, com uma Administração separada, um Erário separado, e todos os Estabelecimentos próprios de uma Monarquia absoluta". E prosseguia: "Se este sistema não fosse levado ao seu extremo resultado, o Povo Português (...) toleraria por mais tempo a pesada carga, e digamos ainda, a humilhação de ser Colónia do Brasil, [mas] (...) o jugo tinha-se tornado, além de pesado, odioso, desde que o mais insignificante emprego temporário ou vitalício era dado do Rio de Janeiro com grande despesa de dinheiro e tempo."
Xavier de Araújo constatava ainda: "O nosso Exército, governado em chefe por um general Inglês, e na maior parte das Divisões e Brigadas, também por Ingleses, era conservado no pé de guerra com grave peso do nosso Tesouro." Se o domínio britânico sobre o Exército e a administração pública era um dos mais óbvios focos de descontentamento, a cruel execução, em Maio de 1817, de Gomes Freire de Andrade e dos oficiais que com ele tinham conspirado para derrubar o Governo, acirram o ódio aos ingleses. Xavier de Araújo não hesita mesmo em sugerir uma relação de causa e efeito entre o enforcamento dos conspiradores, atribuída a Beresford, e a criação do Sinédrio: "Cousa notável, e que evidentemente mostra a inutilidade da pena de morte aplicada a delitos políticos! No mesmo ano da morte de Gomes Freire foi assentada a Associação que produziu a Revolução de 24 de Agosto de 1820."

No entanto, era no país de Beresford que se imprimiam os vários jornais portugueses que contribuíram para difundir o ideário liberal nos anos que antecederam a revolução, como O Português, do bacharel Bernardo da Rocha Loureiro, ou O Campeão Português, de José Liberato Freire de Carvalho. E foi em Inglaterra que vários revolucionários do vintismo, incluindo Silva Carvalho e Xavier de Araújo, procuraram refúgio após a reviravolta absolutista da Vilafrancada, em 1823.
 
Um tratado ruinoso

Como o principal ideólogo da revolução, Fernandes Tomás, salientará no seu Relatório sobre o Estado e Administração do Reino, no qual pormenorizou perante as Cortes, em Fevereiro de 1821, a situação calamitosa da agricultura e do comércio, da indústria e das finanças, o país estava arruinado. Mas continuava a manter, em tempo de paz, um exército numeroso e oneroso, cujos postos principais eram ocupados por britânicos, que bloqueavam a progressão dos oficiais portugueses. Um aspecto que ajuda a explicar, aliás, a circunstancial conjugação de interesses, pouco duradoura mas instrumental para o sucesso da revolta, entre as ilustradas elites burguesas portuenses, genuinamente empenhadas numa viragem liberal, e um grupo de militares nortenhos, intrinsecamente conservadores, que se tinham em muitos casos distinguido nas guerras peninsulares e que agora se viam a marcar passo.

[…] O Porto, uma cidade burguesa, onde a presença da nobreza de sangue era residual e o poder estava nas mãos de uma elite de juízes, desembargadores, grandes comerciantes e industriais, ressentiu-se particularmente. A urbe crescera muito na segunda metade do século XVIII, tornando-se mais ampla e desafogada com as ambiciosas intervenções dos Almadas, e beneficiou de um forte dinamismo económico muito devedor do comércio do vinho do Porto, cujas exportações triplicaram no último quartel do século.
No mesmo período, a importância das relações comerciais com o Brasil, não só do Porto, mas também dos principais pólos urbanos do Minho, crescera consideravelmente. E se é verdade que este período afortunado acabou de algum modo com as invasões francesas e os anos de guerra, a recuperação que depois se iniciou foi fortemente abalada pelo fim do exclusivo comercial com o Brasil e a concorrência dos produtos ingleses, que contribuiu também para a decadência das fábricas portuenses, que deixaram de conseguir escoar os seus produtos.

Se somarmos a estas circunstâncias a proverbial independência da cidade face ao poder central, a circulação de jornais, panfletos e livros que lhe faziam chegar as novas ideias filosóficas e políticas que se discutiam na Europa, ou ainda a rede de contactos que a elite burguesa do Porto mantinha em toda a região norte, e que abarcava os comandos militares, talvez se deva reconhecer que a convicção de Almeida Garrett de que seria o Porto a libertar o país, embora plasmada em verso, nada tinha de lírica.
Não só a revolução nasceu no Porto, como durante algumas semanas a junta de governo proclamada na cidade liderou de facto o país, conseguindo quase de imediato o apoio do Minho, e avançando depois numa digressão nacional que foi encontrando pouquíssima resistência, até entrar no dia 1 de Outubro em Lisboa, que entretanto aderira já ao movimento revolucionário na sequência da revolta de 15 de Setembro, na qual o povo da capital tivera participação decisiva. E apesar das várias disputas internas que de imediato marcaram o período de preparação das Cortes, e que desde logo testemunharam a fragilidade da aliança entre os líderes civis e militares, a junta Provisional do Supremo Governo do Reino, que resultou da fusão da junta portuense com o governo interino de Lisboa, seguiu, no essencial, o programa delineado pelos juristas do Sinédrio.
No entanto, segundo o testemunho de Silva Carvalho, a associação, em bom rigor, não tinha sido originalmente criada para promover uma revolução, mas antes para assegurar que não lhe faltariam líderes esclarecidos quando ela rebentasse. Convicto de que o Governo de Fernando VII, que restaurara o absolutismo com mão pesada, não poderia durar, e que o inevitável levantamento espanhol não deixaria de ter repercussões em Portugal, o que Fernandes Tomás propôs aos seus amigos Silva Carvalho e Ferreira Borges foi a formação de um grupo de homens íntegros que deveria preparar-se em segredo para uma revolta que não poderia deixar de se dar e que lhes competiria a eles tentar orientar para os melhores fins.
Mas quando as suas previsões finalmente se cumpriram e estalou uma revolta liberal em Espanha, iniciada no dia 1 de Janeiro de 1820 com um levantamento militar que impôs o restabelecimento da Constituição de Cádis de 1812, a organização portuense, então já alargada a oito membros, a que se juntariam ainda mais cinco a partir do final de Maio de 1820, não esperou por um contágio que tardava a materializar-se e começou a manter contactos com os revolucionários espanhóis e a mobilizar os chefes militares de que carecia para lançar a revolução.

Os homens do Sinédrio viam-se como moderados e fizeram sempre questão de assegurar a sua fidelidade ao rei e à religião católica - raras revoluções terão começado com as tropas em parada a assistir a uma missa campal, como aconteceu no Porto -, mas nem por isso o seu programa deixava de ter alguns aspectos profundamente radicais. Se a libertação da tutela inglesa, a exigência do regresso do rei ou mesmo a frustrada reivindicação de que o Brasil revertesse à condição de colónia, respondiam diretamente às circunstâncias, já a insistência numa Constituição que emanasse de uma assembleia eleita e representativa da nação, e à qual o próprio rei ficaria subordinado, representou uma revolucionária primeira pedra do edifício jurídico do Portugal moderno, que ainda levaria bastantes anos a consolidar-se.

Um Poema Premonitório do 24 de Agosto de 1820 – por Luís Miguel Queirós, [Jornalista], jornal Público, 17 de Agosto de 2020, pp. 34/35 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

[FIGUEIRA DA FOZ] 24 DE AGOSTO (16,30 H) – CERIMÓNIA EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS



[FIGUEIRA DA FOZ] 24 DE AGOSTO (16,30 H)CERIMÓNIA EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS


DIA: 24 de Agosto de 2019 (16,30 horas);
LOCAL: Praça 8 de Maio, Figueira da Foz;
ORGANIZAÇÃO: CMFF | Ass. Manuel Fernandes Tomás | Associação 24 de Agosto

INTERVENÇÕES:



  • Representante da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto;
  • Representante da Associação Manuel Fernandes Thomaz;
  • Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
 
 

Todas as revoluções deixam transluzir em seus movimentos periódicos, em sua rotação ordinária e em suas fases, o cunho das sociedades que as premeditam e dos agentes que as executaram. A fortuna toma o carácter dos seus escolhidos: a desgraça toma o carácter das suas vítimas


Manuel Fernandes Tomás, in O Independente, nº7, 1 de Dezembro de 1821
 
 
A inquietude revolucionária de 1820 (nas sábias palavras de Joaquim de Carvalho) foi o termo da “dissolução moral do antigo regime” e o início da alvorada para uma “nova visão do homem, da sociedade e do Estado”, uma nova demanda e que tão bem foi compreendida por Manuel Fernandes Tomás e os seus companheiros do Sinédrio. Atente-se à “eloquência varonil” e ao “profundo saber em todos os ramos da administração pública” (nas palavras de Adrien Balbi) desvelados na brilhante apresentação, por Manuel Fernandes Tomás, do Relatório sobre o estado e administração do reino, durante o tempo da Junta Provisional do Governo Supremo, nas sessões de Cortes, de 3 e 5 de Fevereiro de 1821. Medite-se nos seus exemplares ensinamentos 
 
Os serviços prestados à causa liberal pelo patriótico movimento libertador da revolução de 1820 iluminou o país de sinais esperançosos para uma nova era, anunciando, consagrando e tornando público as venturosas tríades: “Princípios, Direitos e Deveres”; “Razão, Lei e Moral”; “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Por isso esses reivindicadores das “liberdades denegadas”, animados do bem da pátria, foram, com o seu pensamento, labor e distintas qualidades, esclarecidos na causa da liberdade Constitucional e heróis na luta contra o despotismo. Mais tarde, o republicanismo soube tomar como sua herança os princípios de cidadania presentes na gloriosa revolução de 1820, abraçando e exaltando a memória dos seus predecessores.
Glória, pois, aos Heróis de 1820.
Honra a Manuel Fernandes Tomás.
J.M.M.

 

sábado, 27 de outubro de 2018

LIVRO - "ESCLARECIMENTOS À VIDA PÚBLICA DO CARDEAL SARAIVA (1820-1823)"




AUTOR: Francisco de São Luís Saraiva [Cardeal Saraiva] – com anotações de Tiago Henriques;
EDIÇÃO: Zéfiro Edições, Outubro 2018

LANÇAMENTO:

DIA: 29 de Outubro 2018 (19,00horas);
LOCAL: Grémio Literário, Rua Ivens, nº37, Lisboa;
ORADOR: cardeal-patriarca Manuel Clemente

Revelada autobiografia de cardeal liberal, membro da Maçonaria e que combateu Napoleão

A obra “Esclarecimentos à vida pública do Cardeal Saraiva (1820-1823)”, que transcreve pela primeira vez, na íntegra, o manuscrito da “autobiografia justificativa” do prelado, é apresentada segunda-feira em Lisboa. 

O texto agora publicado reveste-se de importância pois é a justificação de muitos dos atos políticos e públicos da vida do então bispo-conde de Coimbra, que diz precisamente respeito a um dos períodos no qual exerceu funções políticas”, disse à agência Lusa o investigador Tiago Henriques, responsável pela transcrição e contextualização do documento, datado de 29 de agosto de 1823.

Francisco de São Luís Saraiva (1766-1845) foi um prelado que viveu "a extinção das ordens religiosas, entre muitas outras convulsões sociais do seu tempo”, disse o investigador que acrescentou: “Estou convencido que por esse motivo muitos dos próprios religiosos do seu tempo podem ter contribuído para a ideia desfasada que muita gente ainda hoje tem do cardeal Saraiva”.

O livro “Esclarecimentos à vida pública do Cardeal Saraiva (1820-1823)”, publicado pela Zéfiro Edições, é apresentado na segunda-feira às 19:00, no Grémio Literário, em Lisboa, pelo cardeal-patriarca Manuel Clemente.

O manuscrito transcrito, da coleção de Tiago Henriques, “é a cópia original que pertencia ao cardeal Saraiva, conforme as indicações que o mesmo deixou escritas nas costa do manuscrito, e que está anotado e rasurado pelo mesmo, permitindo compreender que apesar do texto ter sido cuidado, no final terá sido novamente revisto pelo autor”.

O documento coincide com um dos períodos no qual o prelado, nascido em Ponte de Lima, no Minho, exerceu funções políticas.

Tendo sido um dos membros da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino, saída da revolução liberal do Porto de 1820 e, depois, do Conselho de Regência, nomeado pelas Cortes Constituintes em 1821, Francisco Saraiva foi nomeado 53.º Bispo de Coimbra, em 1822, e designado reitor da Universidade daquela cidade e deputado às Cortes, em 1823, tendo resignado ao episcopado em 1824.

Saraiva foi um adepto dos ideais liberais, tornou-se membro da Maçonaria e combateu as tropas invasoras napoleónicas, entre 1808 e 1810, e fez parte, anos mais tarde, da associação secreta portuense Sinédrio, que visava o regresso do Governo de D. João VI, então a residir no Rio de Janeiro, pondo fim à governação de Portugal pelos ingleses, e a instauração de um regime constitucional.

Luís Saraiva que foi cardeal-patriarca de Lisboa, deixou expressa a vontade de que este seu texto fosse conhecido, muito anos mais tarde, longe das “paixões” do seu tempo.

"As palavras, que o bispo agora escreve, não serão lidas ao presente, se não por poucas pessoas: mas pode ser que cheguem a um tempo mais isento de paixões, e que ao menos depois de sepultada a vítima, concorram para se lhe fazer alguma justiça, e para se lhe restituir o bom-nome, que lhe é devido. A este fim, se dirige a presente sedução”, escreveu o prelado.

A obra conta com um prefácio do cardeal-patriarca Manuel Clemente, no qual afirma: “O texto agora publicado na íntegra é muito revelador. Revela quem o escreve [o cardeal Saraiva], pela serenidade e distanciamento com que o faz, analisando factos e desfazendo alegações, contextualizando uns e outras, repondo a verdade como quem lhe basta a convicção”.

Tiago Henriques disse à Lusa que “os exemplares não vão entrar no mercado livreiro depois da sessão de apresentação” sendo apenas comercializados na ocasião, e “os que sobrarem serão para ofertas às bibliotecas portuguesas”.

Quanto aos lucros, vão “reverter a favor da intervenção de conservação e restauro que será feita na imagem de N.S. da Soledade (1775), da Basílica de Mafra, propriedade da Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra” (RVISSM), da qual o investigador faz parte [AQUI]

J.M.M.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

FIGUEIRA DA FOZ - [ASSOCIAÇÃO MANUEL FERNANDES TOMÁS] NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS



DISCURSO PROFERIDO NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2018, NA FIGUEIRA DA FOZ, pela Associação Manuel Fernandes Tomás
Em nome da Associação Manuel Fernandes Tomás, cabe-nos a honra e o solene dever, 198 anos após o claro dia da revolução de 24 de Agosto de 1820 na cidade do Porto, evocar essa memorável data que esculpiu uma página mais à “história das idades” e rememorar Manuel Fernandes Tomás, a “alma e o cérebro” desse auspicioso levantamento, certo que o seu legado estará sempre presente para todos e cada um de nós.

É, portanto, com muita alegria que a Associação Manuel Fernandes Tomás tem o grato prazer de se associar à Homenagem aos Heróis de 1820 e honrar a figura do ilustre regenerador da Pátria, Manuel Fernandes Tomás, o filho mais querido, ilustre e venerado da Figueira da Foz.

Minhas Senhoras e Meus Senhores:

Gostaria de vos deixar, nesta sublime ocasião, 30 anos passados da fundação desta Associação e a dois anos da Comemoração do Bicentenário da Revolução Liberal de 1820, 2 notas de aide-mémoire 
1. A primeira nota é para reafirmar que a Associação Manuel Fernandes Tomás - constituída a 12 de Janeiro de 1988 sob os auspícios da CMFF, da família de Manuel Fernandes Tomás (com incansável ânimo do professor Henrique Fernandes Tomás Veiga, que aqui saudamos calorosamente), entidades locais e cidadãos figueirenses – continuará a tomar todas as iniciativas para que se perpetue o espírito e a memória do seu patrono e pretende cooperar para que a celebração do Bicentenário da Revolução de 1820 tenha, também aqui nesta luminosa cidade, a solenidade e a inspiração cívica que o empreendimento exige e o dever de consciência reconhece.   
 
2. A segunda nota é para recordar que se comemorou no dia 22 de Janeiro último o Bicentenário da Fundação do Sinédrio, associação liberal e patriótica que em boa hora um grupo de homens livres fundou na cidade do Porto, sob o olhar vigilante e infatigável de Manuel Fernandes Tomás, e que soube conduzir o levantamento auspicioso de 24 de Agosto de 1820. A dívida que nos cumpre salvar para com esse grupo de varões ilustres que soltaram no Porto o grito da nossa emancipação política - contra o terror do despotismo e em defesa da “Augusta Liberdade” -, essa ideia de regeneração e liberdade da Pátria, é enorme e virtuosa. Não devemos poupar aplausos aos seus festejos e à sua glorificação, pagando assim uma divida de gratidão a todos aqueles que semearam a palavra “Liberdade” e deixaram o seu nome gravado a ouro na memória colectiva da Nação.
No percurso biográfico de Manuel Fernandes Tomás registemos três períodos que ornamentam o itinerário do emérito figueirense. Nascido em 31 de Julho de 1771 na Figueira da Foz, logo após os estudos iniciais ingressa na Universidade de Coimbra, tomando o grau de bacharel em Leis ou Cânones (1791), retornando posteriormente à sua terra natal.
Esta fase da sua vida, o aprendizado universitário, fê-lo discípulo de eruditos e ilustrados juristas (Pascoal José de Melo Freire dos Reis; João Pedro Ribeiro) enquanto a sua formação cívica e humana se forja no convívio com a moderna geração iluminista e racionalista, que então desponta. As funções que depois exerce entre 1792 a 1798, Síndico e Procurador Fiscal do Município e Vereador da Câmara, cargos que cumpriu com elevado zelo, vincaram-lhe a determinação e a coragem, robusteceram-lhe a dedicação e o assomo à causa pública, honra e “desejo cívico de servir”.
Um segundo momento, que vai de 1801 a 1816, com o seu ingresso na carreira da magistratura, fê-lo estar à frente do município de Arganil e depois no exercício de Superintendente das Alfândegas e dos Tabacos das Comarcas de Aveiro, Coimbra e Leiria. Curioso período esse em que Manuel Fernandes Tomás, depois de se “refugiar” (1808) na Figueira da Foz após o cumprimento das suas funções, e decerto reflectindo no sofrimento do seu povo e nas desgraças que a pátria amargava com a invasão francesa, nos surge - após a expulsão da tropa francesa do Forte de Santa Catarina pelo Corpo Académico de Coimbra - como um dos cinco membros da eleita Junta de Segurança Pública local. O reconhecimento do seu valor, patriotismo e competências estavam lançados. Com o desembarque da tropa inglesa, sob comando de futuro duque de Wellington, Fernandes Tomás é nomeado Comissário em Chefe do Exército no Distrito, mais tarde Provedor de Coimbra e, a instâncias do general do exército inglês, tem a responsabilidade da Intendência Geral dos Abastecimentos do Exército anglo-português (1811) e é nomeado Juiz Conservador da Nação Britânica em Coimbra (1812). Este particular período, em que é bem visível a estreita colaboração com os ingleses, ao mesmo tempo torna-o consciente do azedume e animosidade contra a tutela britânica e leva-o a compreender as revindicações e aspirações modernizadoras e liberais de sectores socias com pouca representação económica e política. Não por acaso a sua residência em Coimbra era o ponto de reunião de audaciosos patriotas, lugar onde os debates vivificavam.
Por outro lado, data neste período, possivelmente em 1803, a sua iniciação na maçonaria em Coimbra. Ora, conhecendo-se as denúncias e a sanha persecutória que a Inquisição - por intermédio de Álvaro José Botelho, levou a cabo a partir de 1791, com apoio do intendente geral da polícia Pina Manique - contra os pedreiros-livres e a “libertinagem” em todo o país, entender-se-á tão grande era a importância e a exigência de uma total discrição e segredo. Deste modo, a sua intensa vida social e política despertam nele a prudência, a firmeza e a exigência conspirativa, ajustando a sua conduta posterior aos trabalhos proveitosos da associação secreta que fundou na cidade do Porto em 1818 - o Sinédrio.
No último período a considerar, e que vai de 1816 a 1820, Manuel Fernandes Tomás está provido como Desembargador da Relação do Porto. Tempo fecundo esse, que revela o jurista estudioso, o homem empenhado e interessado pelos problemas do país, o activista e o organizador brilhante, aquele que ousou plantar uma semente do edifico do primeiro liberalismo pátrio. Na cidade do Porto encontrou Fernandes Tomás um grupo de amigos da verdade e da liberdade à volta de uma associação patriótica, denominada Sinédrio.
 
Vale a pena - vale sempre a pena -, rememorar os seus membros: a 22 de Janeiro de 1818 teve lugar em casa de José Ferreira Borges a primeira reunião regular do Sinédrio, onde estiveram presentes os seus quatro elementos fundadores - além do dono da casa, Manuel Fernandes Tomás, José da Silva Carvalho e João Ferreira Viana; nessa mesma noite há lugar a uma sessão em casa de Fernandes Tomás; em 10 de Fevereiro entra para a Associação, em casa de Fernandes Tomás, Duarte Lessa; a 3 de Maio, na mesma residência, ingressam José Maria Lopes Carneiro e José Gonçalves dos Santos Silva; a 6 de Julho, ainda desse ano de 1818, filiou-se José Pereira de Meneses, em casa de Ferreira Borges; a 26 de Maio de 1820, em casa de Fernandes Tomás, ingressam Francisco Gomes da Silva e João da Cunha Souto Mayor; a 5 de Junho de 1820, na mesma casa, entra José de Mello de Castro e Abreu; a 22 de Junho, desse ano, em casa de Duarte Lessa, filia-se José Maria Xavier de Araújo; e o 13.º e último elemento do Sinédrio, Bernardo Correia de Castro Sepúlveda, entra a 19 de Agosto de 1820, em sessão em casa de Fernandes Tomás. Cinco dias depois “rebentava a revolução”.
Estes patriotas, unidos pela lealdade e o segredo jurado, formaram um corpo compacto e esperaram a hora mais oportuna de intervenção, para dirigir o movimento insurrecional em prol do País e da sua Liberdade, com esperado realismo, confiança e sensatez. As funções levadas a cabo pelo Sinédrio, em sessões realizadas no maior sigilo, redobraram de energia logo após a revolução liberal de Março em Espanha e que deu origem ao chamado Triénio Liberal (1820-23). A animosidade antibritânica por diversas vezes manifestada contra o braço férreo e despótico de Beresford (na memória soava ainda a desdita dos revolucionário de 1817 - a execução de Gomes Freire e dos Mártires da Liberdade) e o descontentamento (civil e militar) agitava-se, pelo que o incitamento revolucionário à acção tinha de ser rapidamente declarado. Deste modo, a propaganda aumentou, o aliciamento de oficiais militares foi incrementado e, não sem algumas desinteligências entre civis e militares, a revolução rebentou na manhã luminosa de 24 de Agosto de 1820, no Porto. A revolução tinha-se realizado sem resistência e derramamento de sangue. Fora ouvido (A. Garrett) o apelo do primeiro dos regeneradores, o cidadão extremado, homem único, o benemérito da Pátria, Manuel Fernandes Tomás.
Glória, pois, aos Heróis de 1820.
Honra a Manuel Fernandes Tomás.
[Associação Manuel Fernandes Tomás] – sublinhados nossos
J.M.M.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

OS MEMBROS DO SINÉDRIO – O PRIMEIRO DOCUMENTO CONHECIDO



A lista dos membros do Sinédrio foi, pela primeira vez, publicada no importante periódico redigido por José Liberato Freire de Carvalho, “O Campeão Portuguez, ou o Amigo do Rei e do Povo, vol. IV, de 16 Junho 1821, p. 205, com o título: “Principio da Associação Patriótica [trata-se, evidentemente, do Sinédrio], que produziu a nossa gloriosa Regeneração politica na Cidade do Porto em 24 de Agosto, 1820”. O periódico "Campeão Portuguez" foi lançado,  editado e redigido em Londres, entre 1819 e 1821 (depois de José Liberato ter abandonado "O Investigador") tendo sido um jornal que marcou, decisivamente, a opinião pública liberal (e ... clandestina, circulando, como outros periódicos, de mão em mão). Por isso foi objecto de duras perseguições [cf. José Manuel Tengarrinha, "Os comerciantes e a imprensa portuguesa na I emigração", aliás, "Estudos de Homenagem a Luís António de Oliveira Ramos, 2004]. 

Esta primeira descrição dos membros do Sinédrio, que posteriormente foi replicada por outros jornais e obras que se lhe seguiram, é atribuída por alguns biógrafos e historiadores a José Ferreira Borges.

J.M.M.

domingo, 21 de janeiro de 2018

22 DE JANEIRO DE 2018 - VIVA O SINÉDRIO - BICENTENÁRIO DA SUA FUNDAÇÃO


 
VIVA O SINÉDRIO
 
*
 
22 Janeiro 1818/2018 - Bicentenário da Fundação do Sinédrio
 
Jornal publicado pela Editorial Moura Pinto | Pró-Associação 8 de Maio
a ser distribuído gratuitamente no dia 22 de Janeiro de 2018, na cidade do Porto
 
[clicar nas imagens para ler]
 
J.M.M.

[22 DE JANEIRO] CASA DA CULTURA DE S. COMBA DÃO - JOSÉ DA SILVA CARVALHO E O BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820



A caminho das Comemorações do Bicentenário da Revolução Liberal de 1820, há lugar na Casa da Cultura de Santa Comba Dão a Sessão de Abertura, com a Evocação de José da Silva Carvalho (1782-1856).

DIA: 22 de Janeiro de 2018 (20,30 horas);
LOCAL: Casa da Cultura de Santa Comba Dão [Avenida Santo Estêvão, S. Comba Dão];
ORGANIZAÇÃO: Casa da Cultura de S. Comba Dão;

PROGRAMA:

20.30 Horas - Recepção aos Convidados;
21.00 Horas – Sessão de Abertura das Comemorações do Bicentenário da Revolução Liberal de 1820.

ORADORES/TEMAS:

- Leonel Gouveia: “Apresentação e Enquadramento”;

- António Neves: “Calendarização das Comemorações e o papel de José da Silva Carvalho e de outros conterrâneos do concelho e da região no Liberalismo

- Ana Cristina Araújo: As revoluções liberais na Europa e em Portugal - a acção do liberal José da Silva Carvalho
 
A não perder.

José da Silva Carvalho foi um vulto ilustre de Santa Comba Dão (nasce em Dianteira, freguesia de S. João das Areias); filho de lavradores pobres, frequenta o Colégio das Artes de Coimbra, matriculando-se depois (1800) em Leis na Universidade de Coimbra, onde se forma em 1803; parte para Lisboa onde abre banca de advogado; em 1810, aproximando-se a III invasão francês, comandada por Massema, é nomeado Juiz de Fora de Recardães (Águeda) e depois, por intermédio de Wellington, ocupa (1814) o lugar de Juiz dos Órfãos do Porto. Conhece na cidade do Porto os patriotas, Manuel Fernandes Tomás (Desembargador da Relação e Casa do Porto), José Ferreira Borges e João Ferreira Viana, integrando, resolutamente, a associação secreta por eles pensada, o Sinédrio (fundada a 22 de Janeiro de 1818), que foi a luz da Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820, na cidade do Porto; coube-lhe a missão de arregimentar os elementos militares para esse glorioso pronunciamento; depois da Revolução de 24 de Agosto; é nomeado para a Junta Provisional do Supremo Governo do Reino (Porto), depois integra a Junta Provisional Preparatória das Cortes; é nomeado (27 de Janeiro de 1821) membro da Regência, encarregado do governo do estado; tomou, depois da Chegada de D. João VI, a pasta dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, até 1823 (Vilafrancada); nessa data, entendendo que a perseguição contra os liberais, pela facção absolutista, não se faria esperar, emigrou (como outros tantos) para Inglaterra, regressando em 1826; com a aclamação ao trono de D. Miguel, depois de lhe terem passado ordem de prisão, exila-se de novo em Londres, depois de uma serie de aventuras rocambolescas na sua terra natal, na tentativa de não ser feito prisioneiro; em Inglaterra, por intermédio do Duque de Palmela, é nomeado vogal de Socorros aos Emigrados, fugidos da sanha persecutória miguelista; com a reação de D. Pedro IV (1831) contra a usurpação do trono por D. Miguel e pela libertação dos portugueses do despotismo miguelista, acompanha-o na sua campanha, pelos Açores e no Porto (aqui com valiosa missão perante o cerco do Porto pelos absolutistas), e parte com ele para Lisboa; foi deputado, entre 1834-36 e ministro da Fazenda; com o Setembrismo volta, de novo, a exilar-se (1836-38), só regressando em 1838, tomando lugar de deputado às Cortes até 1842, integrou a Câmara dos Pares (foi seu Vice-Presidente).
 
 

José da Silva Carvalho foi sócio da Academia Real das Ciência, importante membro da Maçonaria (Irmão Hydaspe) - tendo sido Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (1822-39) e Soberano Grande Comendador (1841-56) -, foi Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Conselheiro de Estado; tinha a Grã-Cruz da Ordem de S. Tiago e da de Carlos III de Espanha.

Deixou-nos José da Silva Carvalho curiosas intervenções na Câmara dos Pares, que podem ser consultadas online no site da Assembleia da República; a sua Correspondência Epistolar é copiosa e em parte já está publicada [António Viana, “José da Silva Carvalho e o seu Tempo”, Lisboa, Impr. Nacional, 1891-1894]; deixou escrito um opúsculo, “Manifesto sobre a execução que teve a lei de 19 de Dezembro de 1834 nas operações de fazenda que em virtude della se fizeram. Offerecido às Cortes e à Nação Portugueza, Lisboa, Typ. Patriotica de Carlos José da Silva & Comp., 1836”.   

Faleceu a 5 de Setembro de 1856, em Lisboa, e está sepultado no Cemitério dos Prazesses, Lisboa.  

J.M.M.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

REVOLUÇÃO DE 1820 – HERÓIS QUE FUNDARAM O SINÉDRIO


HERÓIS QUE FUNDARAM O CÉLEBRE SINÉDRIO … José da Silva Carvalho, Manuel Fernandes Tomás, José Ferreira Borges

A celebração do centenário da Revolução de 1820 constitui uma divida nacional. Impunha-se como um dever a todos os liberais. Dominava o país uma opressão traiçoeira; esmagava-o ai intervenção férrea do estrangeiro. Foi nestas circunstâncias que apareceram os patriotas de 20, como libertadores e como precursores. Clamaram-lhes e chamam-lhes ainda hoje ingénuos. Ingénuos, sim, para os que são incapazes de avaliar o espírito de sacrifico. E é esse espírito, que torna o homem cidadão e apostolo, o que mais e melhor caracteriza os heróis daquela revolução, digamo-lo sem favor.

Foi admirável a obra legislativa dos revolucionários de 20. Modificada, poderia ter sido aproveitada com vantagem pela nossa República, em vez do pandemónio das leis que nem se compreendem nem se cumprem.

Uma revolução quem principia por proclamar a liberdade de pensamento, a liberdade de imprensa, a abolição da censura previa, numa época de fanatismo e de reacção, tem foros adquiridos a uma consagração nacional. É uma divida a saldar pela República Portuguesa que é um reflexo daquele patriotismo e daquela abnegação

Sebastião Magalhães Lima, “Uma Dívida Nacional”, in “A LUZ”, Ano III, nº 98, 16 de Agosto de 1920, p. 1
 

SINÉDRIO: associação secreta para-maçónica, fundada no Porto em Janeiro de 1818, que interveio na organização da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820. Os fundadores (todos maçons) foram, além de Fernandes Thomaz (pertenceu á Loja Fortaleza, à Loja Patriotismo, com n.s. Valério Publícola), José Ferreira Borges (advogado, pertenceu à Loja 24 de Agosto, n.s. Viriato), José da Silva Carvalho (advogado, juiz, Ministro da Justiça, da Fazenda e da Marinha, pertenceu à Loja 1º Outubro, Loja 15 de Outubro, foi Grão-Mestre do GOL, fundador do primeiro Supremo Conselho do Grau 33, n.s. Hydaspe) e João Ferreira Viana (comerciante, desconhece-se a que Loja pertencia).

 
Fizeram parte, posteriormente, Duarte Lessa (comerciante e proprietário, Loja ?, mas em 1823 era Cavaleiro Rosa-Cruz), José Maria Lopes Carneiro (comerciante e proprietário, pertenceu à Loja Sinédrio Geral de Beneficência, loja de perfeição do grau 16 do REAA, n.s. Loth), José Gonçalves dos Santos Silva (comerciante e proprietário, Loja ?), José Pereira de Meneses (comerciante, Loja ?), Francisco Gomes da Silva (médico, Loja ?), João da Cunha Souto Maior (magistrado, Loja ?, foi Cavaleiro Rosa-Cruz e teve o cargo de Grão-mestre do GOL), José de Melo de Castro Abreu Pereira (moço fidalgo da casa real, coronel de Milícias da Beira, pertenceu à Loja Fortaleza), José Maria Xavier de Araújo (magistrado, Loja ?) e Bernardo Correia de Castro Sepúlveda (oficial do exercito). No total eram 13 os elementos do Sinédriocf. A. H. Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal [AQUI já publicado por nós]


J.M.M

quinta-feira, 11 de julho de 2013

CONFERÊNCIA SOBRE A REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1828 (AVEIRO)


[16-05-1956] – “Conferência de Jaime Cortesão sobre a Revolução Liberal de 1828”, no “Salão Aleluia”, Aveiro.

NA FOTO [da esquerda para a direita]: Álvaro Seiça Neves, Júlio Calisto, Jaime Cortesão, Mário Sacramento, M. Costa e Melo e João Sarabando [via Mário sacramento Facebook

► [NOTA] A revolta liberal de 16 de Maio de 1828, organizada e propalada a partir de Aveiro, com evidentes relações à cidade do Porto e outras vilas, é uma resposta ao golpe de estado de D. Miguel, em Março de 1828. Diga-se que já havia uma forte tradição liberal em Aveiro, com a presença de membros ligados ao Sinédrio (revolução de 1820) e de “domicílio” em “Caçadores 10” [cf. Aveiro Berço da Liberdade, de Marques Gomes, 1928]. Marques Gomes refere, mesmo, que estavam no conhecimento da revolta de 24 de Agosto de 1820, o tenente-coronel Luiz Gomes de Carvalho, o desembargador Fernando Afonso Geraldes e o juiz de fora José de Vasconcelos Teixeira Lebre [ibidem].

A revolta liberal, em Aveiro, é pensada e organizada a partir do trabalho desenvolvido por uma curiosa Loja Maçónica [1821-1823- 1828?]

que reunia na “Quinta dos Santos Mártires” [actual Baixa de Santo António] – que possivelmente abate colunas após a devassa por decreto de 20 de Junho de 1823 - e de que faziam parte, entre outros, António de Azevedo e Cunha (Venerável), Francisco Lourenço de Almeida (de Fermelã, Estarreja), Basílio de Oliveira Camossa (irmão terrível), Caetano Xavier Pereira Brandão, dr. Joaquim José de Queiroz e Almeida (avô de Eça de Queiroz, que tem de se exilar; segundo alguns, foi ele o “cérebro” da revolta), Luiz Gomes de Carvalho, dr. Luiz Cipriano Coelho de Magalhães (o pai de José Estevão), Francisco Manuel Gravito de Veiga e Lima (preso e executado a 7 de Maio de 1829), Clemente José de Morais Sarmento (preso e executado a 09/10/1829), Francisco António de Abreu e Lima (preso, condenado à morte e desterrado para Angola, onde morre em 1835), Francisco Silvério de Carvalho Magalhães Serrão (preso e executado a 7 de Maio de 1829) [ibidem; ver, ainda, História da Maçonaria em Portugal, de A. H. O. Marques]

e desencadeada militarmente a partir de “Caçadores 10” [repetindo a revolução de 1820].

O movimento revolucionário, de civis e militares de “Caçadores 10”, parte para o Porto, forma a “Junta do Governo Provisório”, mas não consegue resistir á entrada e cerco das forças miguelistas na cidade, tendo o grosso da tropa fugido para a Galiza, seguindo depois para Plymouth (Inglaterra). A tentativa da revolta tem como resultado a prisão, seguida de execução ou desterro de muitos e o exílio de outros mais.
 
J.M.M. 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

DIA FERNANDES THOMAZ


No dia 24 de Agosto, conforme AQUI foi referido, a Câmara Municipal da Figueira da Foz, a que se associou a Associação 24 de Agosto e a Associação Fernandes Thomaz, homenageou um dos seus filhos mais ilustres, Manuel Fernandes Thomaz (1771- 1822), jurisconsulto, figura “primacial do liberalismo vintista”, fundador do Sinédrio

[associação secreta para-maçónica, fundada no Porto em Janeiro de 1818, que interveio na organização da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820. Os fundadores (todos maçons) foram, além de Fernandes Thomaz (pertenceu á Loja Fortaleza, à Loja Patriotismo, com n.s. Valério Publícola), José Ferreira Borges (advogado, pertenceu à Loja 24 de Agosto, n.s. Viriato), José da Silva Carvalho (advogado, juiz, Ministro da Justiça, da Fazenda e da Marinha, pertenceu à Loja 1º Outubro, Loja 15 de Outubro, foi Grão-Mestre do GOL, fundador do primeiro Supremo Conselho do Grau 33, n.s. Hydaspe) e João Ferreira Viana (comerciante, desconhece-se a que Loja pertencia). Fizeram parte, posteriormente, Duarte Lessa (comerciante e proprietário, Loja ?, mas em 1823 era Cavaleiro Rosa-Cruz), José Maria Lopes Carneiro (comerciante e proprietário, pertenceu à Loja Sinédrio Geral de Beneficência, loja de perfeição do grau 16 do REAA, n.s. Loth), José Gonçalves dos Santos Silva (comerciante e proprietário, Loja ?), José Pereira de Meneses (comerciante, Loja ?), Francisco Gomes da Silva (médico, Loja ?), João da Cunha Souto Maior (magistrado, Loja ?, foi Cavaleiro Rosa-Cruz e teve o cargo de Grão-mestre do GOL), José de Melo de Castro Abreu Pereira (moço fidalgo da casa real, coronel de Milícias da Beira, pertenceu à Loja Fortaleza), José Maria Xavier de Araújo (magistrado, Loja ?) e Bernardo Correia de Castro Sepúlveda (oficial do exercito). No total eram 13 os elementos do Sinédriocf. A. H. Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal],

membro da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, deputado, Presidente das Cortes, esteve com a pasta de Negócios do Reino e da Fazenda, sendo considerado o Patriarca da Liberdade.

Na cerimónia pública de Homenagem a Manuel Fernandes Thomaz, discursou o presidente da Associação 24 de Agosto, José Guedes Correia, o presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás, Henrique Tomás Veiga e o Presidente da Câmara Municipal, dr. João Ataíde.

"...hoje vale a pena celebrar a liberdade, relembrar a biografia deste figueirense ímpar da História, a dimensão do corajoso e impoluto lutador pela liberdade, um homem livre, honrado e de bons costumes. O seu exemplo persiste e serve de referência ..." [palavras proferidas, na ocasião, por José Guedes Correia, via O Figueirense, 27/08/2010, p. 14]


"... E quem choramos nós: quem lamentam os Portugueses? Um cidadão extremado; um homem único; um benemérito da pátria; um libertador de um povo escravo: Manuel Fernandes Thomaz. Que nome, Senhores, que nome nos fastos da liberdade! Que pregão às idades futuras! Que brado às gerações que hão-de vir! Este nome será só por si a história de muitos séculos; este nome encerra em compêndio milhões de males arredados de um grande povo; ..."

[Almeida Garrett, in Oração Funebre de Manoel Fernandes Tomaz, via "O Figueirense" (especial Manuel Fernandes Thomaz, 27/08/2010)]

J.M.M.