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quarta-feira, 3 de junho de 2020

MANIFESTO DOS DIREITOS DE SUA MAGESTADE FIDELISSIMA A SENHORA DONA MARIA SEGUNDA; E EXPOSIÇÃO DA QUESTÃO PORTUGUEZA



Manifesto dos direitos de Sua Magestade Fidelissima a Senhora Dona Maria Segunda; e exposição da questão portugueza, Londres, Richard Taylor (Red Lion Court, Fleet Street), 1829, 186 p.

Trata-se de um importante Manifesto que defende o direito de sucessão ao trono de Portugal, apresentando um conjunto curioso de documentos (Provas) em Anexo. Foi uma importante obra doutrinária para a causa liberal.

Segundo Luz Soriano, foi escrito a duas mãos: a parte que diz respeito á questão jurídico-legal foi sustentada por José António Guerreiro (1789-1834);

[n. perto de Caminha, tendo frequentado com êxito o curso jurídico em Coimbra, formando-se em Cânones, em 1816; foi juiz de fora em Mértola, deputado pelo Minho, em 1821, às Constituintes e membro do tribunal de Liberdade de Imprensa; em 1823 foi ministro da Justiça até à Vilafrancada, regressando ao cargo já com a Carta, até 1827; exilado em 1828, integra a regência da Terceira, até à chegada de D. Pedro, colaborando então na curiosa e valiosa Folhinha da Terceira (1831-32; ver pp. 17-64); foi uma das mais importantes figuras do primeiro liberalismo português, não sendo por acaso que está representado na Sala das Sessões, na tela de Veloso Salgado, justamente ao lado direito do Patriarca da Revolução Manuel Fernandes Tomás]

A outra, que versa a questão histórica e diplomática, foi produzida pela pena do (então) Marques de Palmela (D. Pedro de Sousa Holstein).

Ao que nos diz o sábio Inocêncio Francisco da Silva, saíram ao prelo perto de sete edições (1ª, em Londres, 1829; 2ª, em francês, Paris, typ. de Paul Renouard; 3.ª, Rennes, J. M. Vatar, 1831 e, depois, em português; 4.ª Coimbra, Universidade, 1836; 5.ª, ibidem, 1841; 6.ª no tomo XXV do Suplemento aos tratados e convenções por Julio Biker; 7.ª no tomo VI dos Documentos para a história das Cortes Gerais pelo Barão de S. Clemente e José Augusto da Silva). Pelo que se vê a importância que teve esta obra.

J.M.M.

quinta-feira, 25 de junho de 2009


SIMÃO JOSÉ DA LUZ SORIANO: NOTA BREVE

Nasce em Lisboa a 8 de Setembro de 1802. Foi abandonado pelo pai [Domingos José Soriano, barbeiro de profissão e que partiu para o Brasil – cfª Dicionário de Autores Casapianos, Lisboa, 1982, p.186] e vai viver para Famalicão da Nazaré com a mãe (empregada de servir). Entra, por intermédio de um seu tio [frade carmelita, ibidem] na Casa Pia a 31 de Agosto de 1811 ["data em que a Instituição reabriu no Convento do Desterro", ibidem].

Em Agosto de 1813, Luz Soriano, "saiu para aprender o ofício de Encadernador" [ibidem]. Vai para Coimbra, sua "forte ambição", para estudar, mas é "roubado de todos os seus haveres", tendo regressado, depois de trabalhar "como criado de lavoura" (na Azambuja), à Casa Pia. Abandona-a, de novo, devido a incompatibilidades escolares com o administrador da Instituição e decide-se pela "vida monástica". Tenta ingressar, curiosamente, no Mosteiro de Santa Maria da Arrábida [ibidem], mas não é aceite por "não saber latim". Decide, então, estudar engenharia. Parte para Coimbra [a 7 de Junho de 1825 – ibidem], instalando-se no "velho colégio da Broa". Troca Engenharia por Medicina, tornando-se bacharel anos depois, na cidade onde diz ter assado "o melhor tempo da sua mocidade".

Defendendo, ainda como estudante, o ideário liberal, liga-se (1828) à revolução constitucional do Porto, "proclamada em 16 de Maio" [cfª. Dicionário Biographico Portuguez, de Inocêncio Francisco da Silva]. Malograda a intentona, é obrigado a exilar-se em Espanha, fazendo aí parte do Batalhão de Voluntários Académicos [Dicionário, ibidem]. Parte para Plymouth e depois para a Ilha Terceira [Fevereiro de 1829, ibidem], tomando parte no desembarque do Mindelo, "vindo depois na expedição ao Porto em 1832", em cujo cerco serviu. Refira-se que veio de Plymouth para Angra, via ordens do Marquês de Palmela, e transportada pela galera "James Cropper" [chegada no dia 14 de Fevereiro de 1829 – Dicionário, ibidem], a "imprensa" para "uso da junta provisória", que Luz Soriano e outros "voluntários" montaram e que tinha na sua chefia Pedro Alexandrino da Cunha [alferes do regimento nº43 – ibidem]. Sobre a questão da introdução da imprensa nos Açores, a que este facto se refere, é conveniente consultar o Dicionário do Inocêncio, onde é transcrita um carta de Luz Soriano [do Conimbricense n.º 3:944] que clarifica o assunto.

Com a vitória liberal, entra como Amanuense de primeira classe na Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros [Dezembro de 1832] e acaba o seu curso de Medicina [1842]. Deputado por Angola (1851-54). É aposentado (1867) no cargo de oficial maior do Ministério da Marinha e do Ultramar.

Escritor prolífico [com dezenas de obras publicadas], é como historiador e memorialista (notável) que é reconhecido. A sua merecida e estimada bibliografia histórica é de importância fundamental para o estudo da instauração do liberalismo em Portugal.

Morre em 18 de Agosto de 1891, "deixando testamento que teve larga divulgação por conter disposições realmente merecedoras dessa publicidade, e entre elas algumas que bem revelam o seu civismo e o seu acrisolado amor à Pátria" [ibidem]. Aí, contempla especialmente a Casa Pia de Lisboa [deixando-lhe, entre prestações pecuniárias e imóveis vários, a sua "vasta Biblioteca"] e a Misericórdia de Coimbra.

Foto: in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1993.

J.M.M.


HISTÓRIA DO CERCO DO PORTO

Obra importante e copiosa (2000 págs.) de Simão José da Luz Soriano, onde se descreve a antiga Lusitânia e a formação da monarquia portuguesa, bem como os eventos mais notáveis da guerra civil em Portugal, desde o reinado de D. João VI até ao Cerco do Porto.

Esta nova edição (luxuosa), é precedida da biografia do autor por Sampaio Bruno, traz o retrato do autor e mais outros 35 retratos de personagens relevantes da época, e contém inúmeras reproduções dos tipos de uniformes dos batalhões voluntários.

S.[imão] J.[osé] da Luz Soriano - História do Cerco do Porto, Nova edição ilustrada, Porto, A. Leite Guimarães, 1889-90, II vols

J.M.M.