Mostrar mensagens com a etiqueta Livro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livro. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de fevereiro de 2020

1820 – O LIBERALISMO EM PORTUGAL



LIVRO: 1820 O Liberalismo em Portugal;
AUTOR
: Rui de Albuquerque;
EDIÇÃO: Aletheia Editora, 2020, 332 p.

“ … Subjaz a todas estas convulsões revolucionárias e iluminista, antes de qualquer outra convicção ou dogma, a ideia da liberdade. Uma liberdade que era, por essa altura, perspectivada de um modo mais negativo do que positivo, fundada que estava sobre os axiomas do «laissez-faire» económico e do individualismo filosófico, antes dos Estados a assumirem como desígnio seu. E uma liberdade que se definia, no âmago do que lhe era essencial, em oposição e contraponto aos regimes antigo dos estamentos nobiliárquicos e clericais, dos vínculos de vassalagem e servidão, onde o privilégio distinguia as castas e os homens, caracterizando, desse modo, o sistema vulgarmente dito de «feudal», que agora se pretendia erradicar na sua forma sobreviva de um quase-feudalismo tardio.

Esse mundo antigo, que era sinónimo de servidão para aqueles que não cabiam nas elites sociais de sangue e de condição, foi o alvo primordial das revoluções liberais. Mais do que simples reacções contra o despotismo de reis e soberanos, os liberalismos iluministas europeus ambicionaram abrir espaço politico e social às novas classes laboriosas do comércio e da indústria nascentes, permitindo-lhes alcançar as hierarquias mais elevadas da sociedade e do Estado, de que tinham sido arredadas no Ancien Régime por razões de berço, mas que uma inevitável ascensão económica, alcançada pelo esforço, pelo risco e pelo mérito individual, tornava uma imperiosa e urgente fatalidade.

Esta ideia liberal de liberdade foi, por conseguinte, primordialmente, uma efabulação burguesa erigida contra um Estado e um aparelho de poder que há muito estavam detidos pelas velhas ordens sociais privilegiadas da alta aristocracia e do clero superior. Por isso, ela pressupôs, como primeira condição da sua exequibilidade, o fim de todos os privilégios ainda provenientes do feudalismo, e foi sinónimo de direitos individuais garantidos pela lei e da igualdade de todos, ou melhor, de quase todos perante ela. Mas também trouxe consigo a criação do Estado de direito, quer isto dizer, a submissão dos poderes públicos à lei, e a estruturação e ordenação do político através de uma Lei Fundamental declarada pela vontade comum soberana, a cujos ditames o próprio Estado se sujeitaria, pondo termo ao ancestral axioma romanístico de que o «princeps legibus solutus est». Foi, por isso e neste tempo, uma ideia revolucionária e transformadora.

A filosofia ou filosofias politicas que em seu torno se criaram, no fim do século XVIII e nos primórdios do que se lhe seguiu, tomaram o nome genérico, e num primeiro momento indiferenciado, de «Liberalismo». Mais tarde, esse Liberalismo transformar-se-ia em vários Liberalismos entre si profundamente diferentes e em certos aspectos até antagónicos, sendo, contudo, possível delinear, na sua expressão inicial, dois ramos matriciais: o Liberalismo Inglês e Escocês e o Liberalismo Francês e Continental […]

Este livro, a que demos o nome de 1820 - O Liberalismo em Portugal, pretende conhecer em que consistiram, nas suas raízes filosóficas, históricas, ideológicas e factuais, essas duas tão diversas tradições liberais, procurando entender como, em que medida e por via de que acontecimentos, factos e personagens influenciaram elas o primeiro liberalismo português, nesse período da nossa história que vai da Regeneração do 24 de Agosto de 1820 à Regeneração de Rodrigo da Fonseca Magalhães e de Fontes Pereira de Melo.

A partir desse momento, o país colocará por algum — pouco - tempo as questões ideológicas e pessoais de parte e procurará recuperar o tempo perdido da sua modernização, voltando costas a um mundo demasiadamente antigo para poder sobreviver aos desígnios do porvir […]”

Rui de Albuquerque, in Introdução, pp.14 e ss (sublinhados nossos)

J.M.M.

domingo, 12 de janeiro de 2020

[FIGUEIRA DA FOZ] CARTAS DE MANUEL TEIXEIRA GOMES A JOÃO DE BARROS

LIVRO: "CARTAS DE MANUEL TEIXEIRA GOMES A JOÃO DE BARROS"

APRESENTANTE: António Valdemar

DATA: 16 de Janeiro de 2020

HORÁRIO: 18 horas

LOCAL: Auditório Municipal da Figueira da Foz - Rua Calouste Gulbenkian

Um evento que se recomenda a todos os potenciais interessados, com interesse pelas informações trocadas entre os dois intelectuais portugueses que marcaram a primeira metade do século XX.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A MAÇONARIA NO ALTO ALENTEJO (1821-1936) - LANÇAMENTO EM PORTALEGRE



LIVRO: A Maçonaria no Alto Alentejo (1821-1936);
AUTOR
: António Ventura;
EDIÇÃO: Caleidoscópio.

LANÇAMENTO:

DIA: 11 de Janeiro 2020 (16,30 horas);
LOCAL: Centro de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre (R. Guilherme Gomes Fernandes, 28 - Portalegre);
ORADOR: Maria de Fátima Nunes (Universidade de Évora).

Apontamento Musical: Escola de Artes do Norte Alentejano

Trata-se de uma nova edição, revista e muito aumentada do estimado livro «A Maçonaria no Distrito de Portalegre», do professor António Ventura, publicado em 2007, pela Editora Caleidoscópio, e desde há muito esgotado.

Esta reedição, de manifesto interesse regional, conta com o patrocínio de diversas instituições: autárquicas, académicas, culturais, económicas e associativas [cf. António Ventura].

Tem, desde logo, o apoio de “todas as 15 câmaras municipais do distrito de Portalegre: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteiro, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Ponte de Sor, Portalegre e Sousel”, numa unanimidade que honra a historiografia local e regional, pelo que julgamos estar na presença de um outro olhar e um novo pensar em torno das investigações históricas locais. O que, e não poucas vezes, pela recuperação da memória histórica podem corrigir e enriquecer mesmo a história geral.   

J.M.M.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A MAÇONARIA PORTUGUESA E A GRANDE GUERRA (1914-1918)



LIVRO: A Maçonaria Portuguesa e a Grande Guerra 1914-1918;
AUTOR
: António Ventura;
EDIÇÃO: Edições Vega, 2019

Trata-se da última obra do professor António Ventura, onde se estuda “a posição oficial face ao conflito e à participação portuguesa das duas Obediências maçónicas portuguesas então existentes [o Grande Oriente Lusitano, por um lado, e o Supremo Conselho do Grau 33.º, dissidente da anterior e que tomou o nome profano de Grémio Luso-Escocês, tendo como representante o seu Soberano Grande Comendador, o general Luís A. Ferreira de Castro]. Inclui diversa documentação inédita.

O livro contém ainda uma relação de militares portugueses maçons mortos durante a guerra nas três frentes - França, Angola e Moçambique - com as respectivas biografias e outra documentação iconográfica e documentos inéditos. Alguns desses nomes são bem conhecidos e foram consagrados na toponímia [AQUI]

   “ …. Quando procuramos compreender o envolvimento de Portugal na Grande Guerra, resultam de grande utilidade os estudos sectoriais, incidindo sobre instituições, organizações e entidades particulares. O recurso a esses estudos monográficos ajudam a elaborar um quadro mais completo da forma como a sociedade portuguesa reagiu perante o conflito nas suas diferentes fases, desde as primeiras manifestações, em Julho de 1914, a discussão sobre o apoio a dar aos Aliados, a participação ou não na guerra no teatro europeu, o evoluir dos acontecimentos dentro e fora do país e, finalmente, as negociações de paz e suas consequências. Já foram produzidos alguns trabalhos significativos, mas muito há a fazer. Refiro-me a estudos sobre os partidos republicanos, o movimento monárquico, as associações sindicais e patronais, a Igreja Católica e as igrejas protestantes, as associações de carácter cívico, cultural e de instrução, etc.

 A Maçonaria ganhou um cunho republicano depois de 1910, mas não pode ser considerada no seu todo como uma organização de pressão, com uma agenda determinada de cariz político e até partidário, dada a pluralidade de opções dos seus membros, o que inviabilizava, à partida, o alinhamento com um agrupamento determinado. Basta comprovarmos que a ela pertenceram políticos dos mais diversos partidos, o que desmente qualquer intuito de controlo e manipulação por parte daquela instituição.

De facto, a ela pertenceram dirigentes do Partido Republicano Português como Afonso Costa e António Maria da Silva, do Partido Republicano Evolucionista como António José de Almeida e Simões Raposo, da União Republicana como Brito Camacho e o almirante Tasso de Figueiredo, do Partido Centrista Republicano como o general Simas Machado e Alberto Osório de Castro, do Partido Nacional Republicano (sidonista) como João Tamagnini Barbosa e José Alfredo de Magalhães, do Partido Republicano Conservador como os capitães José Marcelino Carrilho e João Sarmento Pimentel, do Partido Republicano Liberal como António Granjo e Tomé de Barros Queirós, da Federação Nacional Republicana como Machado Santos e o capitão-de-fragata José de Freitas Ribeiro, do Partido Republicano de Reconstituição Nacional como o general Sá Cardoso e José Barbosa, do Partido Republicano Nacionalista como o comandante José Mendes Cabeçadas e Alberto de Moura Pinto, da União Liberal Republicana como Constâncio de Oliveira, da Esquerda Democrática como José Domingues dos Santos e Manuel Gregório Pestana Júnior, do Partido Socialista como Ramada Curto e José António da Costa Júnior, e até o primeiro secretário do Partido Comunista Português, Carlos Rates, foi maçon… Os exemplos são infindáveis, mas atestam bem que, tendo como denominador comum os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, cada um assumia individualmente posições distintas sob o ponto de vista partidário ….”

 [António Ventura, in A Maçonaria Portuguesa e a Grande Guerra, Actas do Colóquio Internacional “A Grande Guerra – Um Século Depois”, Academia Militar, 2015, pp. 33-34 - sublinhados nossos]

J.M.M.

domingo, 18 de agosto de 2019

ALMA LUZITANA – PEÇA DE TEATRO DE FERREIRA DE CASTRO



LIVRO: Alma Luzitana. Phase da Guerra Luso-Alemã em Naulila, Africa – (1914-1915);
AUTOR
: J[osé] M[aria] Ferreira de Castro;
EDIÇÃO: Belém (Pará), Typ. F. Lopes, Dezembro de 1916.

 “Esta peça teatral de Ferreira de Castro nunca foi reeditada e dificilmente o virá a ser nos tempos mais próximos, em virtude de Direitos de Autor. Seria uma boa peça para os bibliófilos da I GG.

Contudo, à falta do texto, podem ler o enredo AQUI “ [Maria Clara Vasco Campanilho Barradas, Estudos de Teatro. A Obra Dramática de Ferreira de Castro – tese de Mestrado] - Via Emílio Ricon Peres [Memória da República], com a devida vénia e forte abraço

  Ferreira de Castro (1898-1974) é um dos mais reconhecidos romancistas portugueses do século XX. Começou a escrever por volta dos 13 anos e foi apurando a sua técnica em contos e novelas. Fruto da pouca experiência, esses textos são ainda frágeis na sua composição. A partir de 1928, as suas obras, principalmente romances, revelam já maturidade na técnica e nos temas, podendo a obra do escritor ser, portanto, dividida em duas fases. Ferreira de Castro escreveu também quatro textos dramáticos, três na primeira fase e um na segunda.

A primeira peça – Alma luzitana (1916) – foi escrita no Brasil, para onde o escritor tinha emigrado. Foi publicada, mas – tanto quanto se sabe – não foi representada. Conta a história de uma família desfeita em consequência da guerra. A segunda peça – O rapto (1918) – também foi escrita no Brasil. Existe apenas um manuscrito deste texto, que foi representado na cidade de Belém, no Pará. Tem como questão central a emancipação da mulher. O Mais Forte (1922), a terceira peça, já foi escrita em Portugal. Este texto, distinguido num concurso de peças do Teatro Nacional Almeida Garrett, nunca foi editado nem representado, existindo apenas o manuscrito. Retrata a vontade de um homem em subir na vida a todo o custo. A quarta e última peça – Sim, uma dúvida basta (1936) – é a única que pertence à segunda fase da obra de Ferreira de Castro. Foi escrita a pedido do actor Robles Monteiro, mas a sua representação foi impedida por ordem superior. O texto, que só foi editado em 1994, expõe um caso jurídico de consciência e de dúvida.

A peça mais interessante e bem construída de Ferreira de Castro é Sim, uma dúvida basta. Mesmo assim, a leitura das outras não deixa de ser pertinente para se conhecer e entender o percurso literário de Ferreira de Castro que o levou até à sua fase canónica.” [AQUI]

J.M.M.

terça-feira, 5 de março de 2019

A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR PORTUGUÊS: JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO NA DIRECÇÃO DO INVESTIGADOR PORTUGUÊS EM INGLATERRA, 1814-1819



LIVRO: A importância de se chamar português: José Liberato Freire de Carvalho na direcção do Investigador Português, 1814-1819;

AUTORA: Adelaide Maria Muralha Vieira Machado;
EDIÇÃO: Lema d´Origem, Março de 2019.

NOTA: Trata-se da publicação do estimado e importante trabalho de Adelaide Maria Muralha Vieira Machado, para obtenção do grau de Doutor (Abril de 2011) em História e Teoria das Ideias, sob orientação científica da professora doutora Zília Osório de Castro.   

LANÇAMENTO:

DIA: 7 de Março (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Escrita (Coimbra);
ORADORA: Profª Doutora Isabel Nobre Vargues;

ORGANIZAÇÃO: Lema d’Origem, C. M. de Coimbra, Comissão Liberato

“Em Fevereiro de 1819, há 200 anos, encerrou definitivamente o jornal "O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLATERRA", dois meses/números depois da saída de José Liberato Freire de Carvalho da sua direcção e redacção.

Assinalar este facto é igualmente sublinhar a importância de [José] Liberato à frente dos destinos deste jornal, o que apenas aconteceu entre 1814 e 1819. José Liberato, recém exilado em Londres, fugindo da perseguição movida pelo "trono e pelo altar", viria a descobrir nesta sua nova ocupação de publicista/jornalista o meio ideal de difusão das novas ideias e ideais do tempo, bem como de denúncia e combate ao (des)governo da corte no Rio de Janeiro e do consulado persecutório de Beresford em Lisboa.

Um jornal que nasceu para utilidade da corte portuguesa viria a transformar-se, pela pena de Liberato, num dos seus mais incómodos admoestadores” [Comissão Liberato]

A Europa, na viragem do século 18 para o 19, fazia o primeiro balanço das revoluções norte-americana e francesa. Reunidos em Viena, após a derrota de Napoleão, o poder político e a diplomacia europeia procuravam a melhor forma de garantir um justo equilíbrio entre nações, e com ele, novos rumos para a paz na Europa. Ligando a actualidade com as heranças intelectuais dos séculos anteriores, várias propostas foram surgindo, mas cedo se percebeu uma nova realidade, que obrigava a ter em conta as nacionalidades e as respectivas opiniões públicas.

O debate em torno da restauração francesa extravasou largamente o âmbito do congresso e percorreu a imprensa europeia. Com larga expressão nessa imprensa, destacava-se uma corrente moderada e reformista, nascida da primeira fase da revolução francesa e da discussão em torno da Constituição de 1791, que entendia os despotismos, reais ou revolucionários, como algo a evitar. Inserindo-se nessa linha o Investigador Português em Inglaterra, ao abrigo da liberdade de imprensa vigente em Inglaterra, divulgou e participou nesse debate procurando transmitir uma mensagem propedêutica aos portugueses, consubstanciada na defesa da segurança e liberdade individuais, no quadro da monarquia constitucional e sob o império da lei.

Da autonomia do político e do seu discurso, foram-se formando as correntes políticas contemporâneas surgidas precisamente da ligação entre pensamento e acção, entre práticas e teorias políticas. Independente da validade de genealogias futuras, liberais e conservadores vão-se legitimando na procura de respostas moderadas aos desafios que se colocavam à construção de uma sociedade civil livre e participativa, cujas desigualdades sociais e económicas tinham agora a mobilidade de uma justificação moral e política”. [in Resumo da Tese]  

J.M.M.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

VÍTIMAS DA DITADURA NO ALGARVE, POR IDALÉCIO SOARES

Amanhã, sábado, dia 10 de Fevereiro de 2018, na Casa do Professor, em Pechão, pelas 15 horas, vai ser apresentada a obra de Idalécio Soares, Vítimas da Ditadura no Algarve, editada com a chancela da editora Sul, Sol e Sal, com três relatos de situações ocorridas com personalidades algarvias: Manuel Paula Ventura, João Feliciano Galvão e José da Mónica.

Na apresentação da obra vai estar o Prof. José Carlos Vilhena Mesquita.

Pode ler-se na sinopse da obra:
Este é um livro sobre a ditadura que vigorou em Portugal entre 1926 e 1974 e sobre a polícia política que a serviu durante quase quarenta e oito anos. Manuel Paula Ventura, João Feliciano Galvão, José da Mónica e outros, cujas histórias se contam neste livro, foram alguns dos muitos milhares que viram as suas vidas prejudicadas, quando não abruptamente interrompidas por este regime. Com origens sociais, personalidades e percursos de vida muito diferentes, eles tiveram, todavia, algo em comum: o terem, em determinado momento das suas vidas, e independentemente das escolhas políticas que fizeram (ou não fizeram), sido apanhados pela malha apertada da ditadura e marcados com o seu ferrete. Quando ideias assentes no preconceito e no ódio ao outro, responsáveis por tragédias humanas inenarráveis, ganham de novo, perigosamente, lastro na Europa e noutras partes do mundo, quando essas mesmas ideias chegam ao poder na maior potência mundial, o combate pela preservação da memória histórica dos que delas foram vítimas é um ato de urgência, uma forma de não deixar que se repita. De dizer: NUNCA MAIS! Porque a ditadura existiu! Porque a polícia política existiu! Em Portugal. Entre 1926 e 1974.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA. DISCURSO PRONUNCIADO NA SUA SESSÃO INAUGURAL POR AURÉLIO QUINTANILHA




LIVRO: A Universidade Livre de Coimbra (reed. 1925);
AUTOR
: Aurélio Quintanilha; Prefácio de Paulo Archer de Carvalho
EDIÇÃO: Editora Lema d’Origem (2017); 

APOIOS: Pró-Associação 8 de Maio | União das Freguesias de Coimbra | GAAC | Ateneu de Coimbra




LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 12 de Outubro 2017 (18,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro, 64);
ORADOR: Professor Doutor Carlos Fiolhais.

“A formação da Universidade Livre de Coimbra – Instituto de Educação Popular (ULC, 1925-1933) obedeceu ao estratégico desiderato de efectiva instrução pública complementar, gratuita, voluntária e demopédica que anima a acção programática das similares universidades populares que, entre nós e após a instauração da República, se possibilitaram e expandiram. Acção inscrita num movimento europeu muito vasto (Bélgica, França, Inglaterra) de congéneres universidades populares e livres (em rigor, não sinónimas, por vezes mesmo dicotómicas), originado após os meados do século XIX, do qual manterá no fundamental a matriz democrática e laica.

No específico contexto histórico marcado, contudo, pela derrisão da I República, a ULC representou um dos derradeiros programas práticos da militância laica e da livre solidariedade dos intelectuais com o operariado e o pequeno funcionalismo. Não admira, também por isso, que na sua plural circunstância fundadora convirja dúplice e indesmentível influência republicana e maçónica, concatenada na pedagogia, prática, dos direitos, liberdades e garantias fundamentais da cidadania: materializando reivindicações populares de acesso das mulheres à escolarização, de educação sexual, de higiene e implementação de infantários, na exigência de construção do ensino técnico profissional e na formação contínua dos formadores. Propostas estas que a Constituição da República Portuguesa de 1911 não asilara” [Paulo Archer de Carvalho, inAlgumas anotações póstumas: a apresentar a conferência e o conferencista”, p. 9-10]




Trata-se da reedição do raro e estimado opúsculo do cientista, investigador, professor, pedagogo, libertário e maçon, Aurélio Quintanilha (1892-1987) e que transcreve o discurso por si pronunciado na sessão inaugural da Universidade Livre de Coimbra, a 5 de Fevereiro de 1925, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

As Universidades Livres nascem do ideal civilizador, laico e republicano, de ser a instrução um factor, por excelência, de promoção social, moral e intelectual das camadas populares. A educação popular, o ensino e o amparo moral eram, assim, tomadas como “extensões universitárias” e onde os professores, saindo das suas “torres de marfim” uniam o intelectual ao “manual”, espalhavam conhecimentos e sábios ensinamentos, cumprindo o dever de formar e unir homens livres. De facto, os cursos livre, as conferências realizadas e as inúmeras atividades realizadas (visitas de estudo, excursões), despertaram grande interesse, e dizem que estávamos, sem dúvida, na presença do melhor e mais valioso escol intelectual da nossa Primeira República.

ANOTAÇÃO SOBRE AS UNIVERSIDADES LIVRES: a Universidade Livre do Porto aparece em Dezembro de 1903, renovando-se a partir de 1912, com o magistério de Leonardo Coimbra.

Por sua vez, após a terceira tentativa gorada, a Universidade Livre de Lisboa [que teve sede na Praça Luís de Camões, nº42, 2º, Lisboa] surge publicamente em 28 de Janeiro de 1912 [pelo esforço do deputado republicano, mutualista, associativista e benemérito Alexandre Ferreira (pai do poeta José Gomes Ferreira) e maçon (irmão “Verdade”, da Loja Montanha), e seu primeiro presidente e pela dinamização de Tomás Cabreira (propagandista da República, mais tarde ministro das Finanças, ele próprio maçon, o irmão Solon, iniciado na Loja Portugal, de Lisboa, e na altura integrando a Loja Marquês de Pombal]. A sua sessão inaugural decorreu no Coliseu de Lisboa (Rua da Palma) e contou com a presença do presidente da República, Manuel de Arriaga, Queiroz Veloso (diretor da Faculdade de Letras e que presidiu à sessão), capitão Simões Veiga, tenente-coronel Almeida Lima (da Faculdade de Ciências), Tomás da Fonseca (pelas Escolas Normais) e Carneiro de Moura (pela Escola Colonial). Usaram da palavra, além de Queiroz Veloso e Alexandre Ferreira, Agostinho Fortes, Rui Teles Palhinha e Carneiro de Moura. Publicou a Universidade Livre de Lisboa um curioso Boletim [nº1, Janeiro de 1914; em 1916 denomina-se Boletim Patriótico da Universidade Livre], tendo a dirigi-lo Alexandre Ferreira. Cessa, a Universidade de Lisboa, as suas atividades em Março de 1935. O seu valioso património foi legado à Sociedade “A Voz do Operário”.

Em Coimbra, a Universidade Livre, é fundada em 5 de Fevereiro de 1925 e tendo como fundadores, Joaquim de Carvalho, Adolfo de Freitas, Alberto Martins de Carvalho, Alcides de Oliveira, Almeida Costa, Álvaro Viana de Lemos, António Sousa, Aurélio Quintanilha, Darwin Castelhano, Floro Henriques, Manuel Reis e Tomás da Fonseca.

A Universidade Livre teve a sua delegacia na Figueira da Foz, com sessão inaugural a 5 de Abril de 1929 e realizada no salão Nobre dos Paços do Concelho. Abriu a sessão o dr. João Monsanto, lendo uma carta do dr. Joaquim de Carvalho, impossibilitado de marcar presença, estando na mesa o capitão Melo Cabral (presidente da Comissão Administrativa Municipal), José Nicolau Borges (secretário e representante do operariado figueirense) e Francisco Águas de Oliveira (pelo professorado), seguindo-se uma palestra pelo dr. Luís Carriço (figueirense e professor da UC) com o tema “Como se viajava dantes e como se viaja hoje em África”. A delegacia da Figueira da Foz teve a sua sede nas instalações da Biblioteca Municipal e a sua comissão executiva era constituída por António Vítor Guerra, Mário Dias Coimbra, Manuel Neves da Costa, Fausto Pereira de Almeida e Jaime Viana. Abriu, posteriormente, a delegacia, uma escola nocturna de Instrução Primária, bem como cursos de geometria e escrituração comercial, na sede da Associação dos Carpinteiros. Inaugurou, em 1932, uma biblioteca móvel. Comemorou, com dignidade, o 31 de Janeiro, o 5 de Outubro, o 1º de Dezembro de 1640, o centenário de João de Deus. Tomás da Fonseca, Manuel Jorge Cruz, Cristina Torres, Maurício Pinto, comandante Jaime Inso, dr. Rocha Brito, Alexandre Ferreira, Neves Rodrigues, Afonso Perdigão, Afonso Duarte, Manuel Mariano, Manuel Gaspar de Lemos, Fernando Correia, foram alguns dos palestrantes das inúmeras conferências realizadas.       

J.M.M.

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA (DISCURSO), POR AURÉLIO QUINTANILHA

Título: A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA, Discurso Pronunciado na Sessão Inaugural
Autor: Aurélio Quintanilha
Local: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (Rua Pedro Monteiro, 64)
Dia: 12 de Outubro de 2017
Horário: 18h00
Organização: GAAC (Grupo de Arqueologia e Arte do Centro)

A obra será apresentada pelo Professor Doutor Carlos Fiolhais.

A acompanhar com todo a atenção.

A.A.B.M.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

SUBSÍDIOS PARA UMA BIOBIBLIOGRAFIA SÃO-BRASENSE, POR JOSÉ DO CARMO CORREIA MARTINS

Quinta-feira, 20 de Julho de 2017, pelas 18.30h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de S. Brás de Alportel, vai ser apresentada ao público a nova obra do Dr. José do Carmo Correia Martins, desta vez dedicada ao tema da biobibliografia sambrasense, tema ainda por desbravar e onde o autor, ao longo de três centenas de páginas vai dando a conhecer os autores, as obras que se referem à terra, imprensa que se publicou no concelho ao longo do tempo e apontamentos de nota sobre o património concelhio.

A obra intitulada Subsídios para uma Biobibliografia são-brasense vai ser apresentada pelo Prof. Doutor José d' Encarnação, 

Abaixo segue o convite para o evento: (Clicar na imagem para aumentar)
Porque o trabalho é sobre um tema aliciante, particularmente para os que como nós apreciam o livro e o seu conteúdo, saber mais sobre os autores, os livros e a imprensa de S. Brás de Alportel revela-se de primordial importância. Além disso, também por motivos de uma amizade e respeito, que se tem construído com o autor da obra, em torno destes temas e outros afins, assumimos com todo o prazer a divulgação deste evento e desejando-lhe o maior sucesso.

A divulgar.

A.A.B.M.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A MAÇONARIA NA SOCIEDADE AMOR DA PÁTRIA. A HISTÓRIA DE UMA LOJA NO FAIAL




LIVRO: A Maçonaria na Sociedade Amor da Pátria. A História de uma Loja no Faial;
AUTOR
: António Lopes;
EDIÇÃO: Sociedade Amor da Pátria, 2017, p. 192

“No caso da Maçonaria, que não é religião, nem mera ideologia, onde se vivem e revivem lendas, alegorias e símbolos, através de rituais conhecidos, é mais intensa e formalizada essa dimensão, até com a procura do próprio sagrado. Logo, ver de fora qualquer comunidade de coisas que se amam pode levar muitos a dizer que todas as cartas de amor são ridículas. Mas como dizia Fernando Pessoa, é bem mais ridículo não se escreverem cartas de amor. Ou não responder a uma entrevista sobre a matéria, só porque o interpelante tem manifestado óbvias divergências com as nossas conceções do mundo e da vida, mas talvez seja capaz de reconhecer que comete erros, tem dúvidas e pode enganar-se, até na listagem de inimigos públicos”

A Sociedade Amor da Pátria foi no passado, e é no presente, uma entidade marcante e incontornável na vida e na história do Faial e da cidade da Horta em particular. Abordar os momentos chave dessa história é manter vivo o presente, compreendendo-o com a certeza que, com isso, estamos a honrar todos os faialenses, de nascimento ou de coração, que em tempos idos lutaram para que os homens e as mulheres de hoje possam ter um conjunto de referências morais e materiais que os enchem de orgulho.

 


Essa história a que nos referimos é feita por uma Sociedade criada pela Maçonaria onde, por vezes, não se distingue onde começava o pensamento ou a ação de uma e acabava o de outra. Por isso, conhecer a história da Loja Amor da Pátria é conhecer uma parte importante da Sociedade Amor da Pátria, mais vasta é certo, mas onde estão presentes os ideais da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que floresceram nesta ilha, Compreende-se que a dado passo desta obra se diga que no Faial “até as pedras das calçadas eram constitucionais”.

A Direção da Sociedade Amor da Pátria ao convidar o Dr. António Lopes para efetuar este trabalho, historiador especializado nos temas maçónicos, está a lembrar esse passado que nos orgulha e a deixar para os vindouros momentos que o tempo tem tendência para apagar, e os homens, mesmo que involuntariamente, por vezes esquecem. Ao lembrar esse passado estamos a assumir a paixão que nos motiva numa casa como esta. Estamos a lembrar o contributo cívico de uma entidade, dos seus associados e dos seus dirigentes para com o todo social num momento histórico difícil para o associativismo e em prol do Bem Comum. Estamos ainda a prestar homenagem, aos sócios de ontem e de hoje, que fizeram e fazem a Sociedade Amor da Pátria e estamos, por fim, a sublinhar o contributo cívico que a Sociedade Amor da Pátria todos os dias, de forma renovada, dá para a história do Faial e dos Açores.

[Ruben Simas, in Prefácio à obra - sublinhados nossos]

J.M.M.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CENTENÁRIO DA INAUGURAÇÃO DO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA - HOMENAGEM AO PROFESSOR JOSÉ VERÍSSIMO DE ALMEIDA: CERIMÓNIAS

Amanhã, 27 de Abril de 2017, realizam-se as cerimónias do Centenário da Inauguração do Edifício Principal do Instituto Superior de Agronomia e recorda-se também uma das figuras importantes nesse período da República como foi o Professor José Veríssimo de Almeida.

Veja-se o programa das cerimónias de amanhã:
27 de abril de 2017 - 17h - 19h - Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa
  • Sessão Solene de Abertura das Comemorações do Centenário da Inauguração do Edifício Principal
    • 17h - Intervenção do Reitor da Universidade de Lisboa, Professor António Cruz Serra
    • 17h15 - Intervenção da Presidente do ISA, Professora Amarilis de Varennes
    • 17h25 - Atribuição do título de Professor Emérito da Universidade de Lisboa ao Professor Catedrático Jubilado Luís Santos Pereira
    • 17h40 - Lançamento do livro "José Veríssimo de Almeida. Percursos de Agronomia e Política portuguesa (1870 - 1912)", com intervenções de:
      • Professor Catedrático António Ventura - Faculdade de Letras
      • Professora Associada Helena Oliveira - Instituto Superior de Agronomia
      • Professora Auxiliar Teresa Nunes - Faculdade de Letras
    • 18h10 - Inauguração da Exposição "José Verissimo de Almeida. Percusos de Agronomia e Política portuguesa (1870 - 1912)"
    • 18h30 - Porto de Honra

Para saber mais sobre estas cerimónias recomenda-se a visita ao programa do evento AQUI.

Acerca do Professor Veríssimo de Almeida recomendamos a leitura do que há quase uma década dissemos AQUI.

Fica a divulgação de mais este evento e a recuperação de mais uma personalidade em destaque na I República que foi estudada e analisada, tendo sido valorizada a sua acção e redescoberta a sua acção ao longo do tempo.

Recorde-se que depois da apresentação do livro será também inaugurada uma exposição sobre José Veríssimo de Almeida que merece a melhor divulgação.

A acompanhar com toda a atenção e com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

DO MINHO AO MANDOVI

Amanhã, 10 de Abril de 2017, na Sala Francisco Sá de Miranda, na Casa Municipal da Cultura em Coimbra, vai realizar-se a apresentação da obra de Sérgio Neto, intitulada Do Minho ao Mandovi. Um Estudo sobre o Pensamento Colonial de Norton de Matos.

A sessão terá início às 17 horas.

A apresentação da obra está a cargo dos Professores Doutores Luis Reis Torgal e Armando Malheiro da Silva.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa.

[Clicar na imagem para aumentar.]

A.A.B.M.


sexta-feira, 31 de março de 2017

OS PARTIDOS POLÍTICOS EM FAMALICÃO DURANTE A I REPÚBLICA (1895-1926)

Amanhã, dia 31 de Março de 2017, pelas 21h30, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão (Rua Adriano Pinto Basto) vai ser apresentada a obra de Amadeu Gonçalves intitulada Os partidos Políticos em Famalicão durante a I República (1895-1926). A obra conta com um prefácio do Dr. Paulo Cunha e introdução do Prof. Doutor Norberto Ferreira da Cunha.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

Não sem dificuldades de percurso, as comissões municipais do Partido Republicano Português em V. N. de Famalicão, para além das cisões locais e nacionais (estas últimas com reflexo municipal), passaram por alguns momentos de crise de identidade: primeiro, com a organização concelhia dos monárquicos (uma mescla de dissidentes republicanos, conservadores e católicos), com o sidonismo, ou com outras organizações políticas municipais. Foi o caso da União Operária Famalicense (1911). Este será o retrato da exposição “Os Partidos Políticos em V. N. de Famalicão na I República, com incidência em 1895, na primeira comissão municipal do Partido Republicano Português e nas seguintes (até à Implantação da I República), passando pela reorganização do Partido Progressista e Regenerador (1906), ou pelas listas franquistas de 1908.

Nesta sessão vai também ser feita a inauguração de uma exposição com o mesmo nome, que fica patente no Museu Bernardino Machado até 7 de maio.

Com os votos do maior sucesso para esta interessante iniciativa que não podemos deixar de divulgar junto de todos aqueles que nos vão seguindo.

A.A.B.M.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

UMA ESCRITA NA PRIMEIRA PESSOA: JOAQUIM MAGALHÃES

Hoje, sexta-feira, dia 16 de Dezembro de 2016, o Clube Farense e a Âncora Editora procedem à apresentação pública da obra Joaquim Magalhães, Uma Escrita na Primeira Pessoa, recolha e anotações de Joaquim Romero Magalhães.

A apresentação da obra será feita pela Dra. Marília Castro, pelas 18.30h, na sede do Clube Farense, situada na Rua de Santo António, em Faro.

Uma iniciativa que se recomenda e se divulga junto de todos os potenciais interessados.

A.A.B.M.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"NA LONJURA DE TIMOR" DE JOSÉ ANTÓNIO CABRITA

Na próxima quarta-feira, 23 de Novembro de 2016, pelas 17 horas, na Biblioteca Municipal de S. Brás de Alportel, realiza-se a apresentação da obra "Na Lonjura de Timor", de José António Cabrita.

A obra reúne vários elementos sobre uma das personalidades importantes e, hoje, algo esquecidas da nossa história, porque desempenhou papel de relevo na construção de Timor no século XX e deixou uma importante herança familiar para o século XXI: Manuel Viegas Carrascalão.

Manuel Viegas Carrascalão era natural de S. Brás de Alportel.

Manuel Viegas Carrascalao foi tipógrafo, foi Secretario-Geral das Juventudes Sindicalistas Portuguesas, foi varias vezes preso, a ultima das quais em 1925 (durante a I Republica), sendo condenado a 6 anos de degredo pelo Tribunal Militar. 
Fonte: João Freire,"As Juventudes Sindicalistas: Um Movimento Singular", 1989,

Manuel Viegas Carrascalão seguiu para Timor "metido" numa leva de deportados que, amontoados no navio "Pêro de Alenquer", largaram de Lisboa a 14 de Abril de 1927 e aportaram em Díli em 25 de Setembro do mesmo ano.

Numa carta de Manuel Viegas Carrascalão, datada de 24.07.1949, da «Fazenda Algarve- Liquiçá» e dirigida à Casa do Algarve em Lisboa , solicitava a sua inscrição como sócio. A carta está publicada no Boletim daquela associação regionalista. Dela extraímos as seguintes passagens:
«Pelo nome da minha fazenda , uma das mais importantes e belas deste maravilhoso Timor, tirarão Vossas Excelências a ilação de que não esqueci a formosa provincia onde nasci e que sinto imenso orgulho em ser algarvio» (...)«Vinte anos estive sem visitar o meu Algarve, de 1925 a 1945, mas, relembrava constantemente, as fontes, os valados, os moiroços, os montes e os caminhos da minha terra e a sua gente, essa inconfundível e boa gente de São Brás de Alportel, onde todos são petas e parentes. E mal que pude , mal que regressei à metrópole, ido do inferno que foi Timor durante a guerra , lá fui eu, em romagem à minha terra natal e à formosa cidade de Faro, onde me criei e me fiz homem.»(...)«Voltei , mas comigo voltou a saudade do meu Algarve, e logo que pude dei o seu nome à minha fazenda, homenageando assim a minha província e dando-me ligeiramente a impressão de que nela vivo.» (...)«E aqui vivo, aqui moirejo, acompanhado de minha mulher e dos meus dez filhos, que embora nascidos em Timor, amam também o nosso Algarve, um porque já o visitou e os outros porque... são filhos dum algarvio.» (...)
ALGARVE - Boletim Informativo da sua Casa Regional em Lisboa. 3ª série. Outubro 1953.


O apresentante da obra será o Dr. José do Carmo Correia Martins.

Uma obra que merece a melhor atenção e divulgação.

A. A.B. M.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

CONFERÊNCIA GUERRA E PROPAGANDA NA FIGUEIRA DA FOZ

No Auditório Municipal da Figueira da Foz, com organização do Museu Municipal Santos Rocha, vai realizar-se no próximo sábado, dia 12 de Novembro de 2016, a partir das 15 horas, uma conferência com vários oradores convidados, tendo por base o tema global "Guerra e Propaganda". A moderadora convidada desta conferência é a Professora Doutora Maria Fernanda Rollo.

São oradores nesta conferência:
- Professora Doutora Noémia Malva Novais, com a comunicação "As Balas de Papel" Ilustrado na I Guerra Mundial;
- Professor Doutor António Paulo Duarte, com a comunicação "Propaganda de Guerra e Conhecimento Historiográfico. A influência do guerrismo e do antiguerrismo na leitura historiográfica da Participação Portuguesa na Grande Guerra";
- Professora Doutora Maria Teresa Lopes Moreira, "O pulsar da Grande Guerra nas entrelinhas do jornal Correio da Estremadura";
- Professora Doutora Clara Isabel Serrano, "Augusto de Castro e António Lobo de Almada Negreiros. Impressões de Guerra.

Depois das comunicações proceder-se-á à apresentação da nova obra historiográfica da Professora Doutora Noémia Malva Novais, Imprensa e I Guerra Mundial. Censura e Propaganda (1914-1918), editada pela Caleidoscópio.


O Índice da obra é o seguinte:

Sumário
Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . . . 11

Capítulo I
O discurso jornalístico no primeiro quartel do Século XX: contributos para uma teorização dos conceitos de objectividade e de subjectividade na escrita da imprensa. . . . . . . . . . .  . . . . .  . .  . .      27
A realidade e a sua reconstrução discursiva. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .    29
A subjectividade ou objectividade subjectiva nas ciências sociais e humanas e no jornalismo.  . .    38
 A objectividade subjectiva/intencionalidade da imprensa durante a guerra . . . . . . . . . . . . . ..  . .     40
A «inautenticidade» da imprensa durante a Guerra segundo Karl Kraus . . . . . . . . . . . . . . . . .  .   . . 43 
A ideia de que as nações são diferentes mas a imprensa é toda igual. . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .    . .50 
A batalha de Karl Kraus contra a imprensa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . 55
Aquilino Ribeiro, a imprensa francesa e a guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . 60

Capítulo II
A Imprensa antes da I República: Da instauração da liberdade de Imprensa à Lei repressiva (da Imprensa) de 1907. 69 Entre avanços e recuos até à Lei das Rolhas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . . 72 Da Regeneração do jornalismo à Portaria Muda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .  .  . . .   76
A Lei repressiva da Imprensa de 1907. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . .   . .85
A proximidade entre a pena e a espada depois do regicídio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . . . . . . .  . . 89

Capítulo III
 A Imprensa na I República: Entre a utopia liberal e a realidade da Guerra. . . . . . . . . . . . . . . .  . . .   97
A Lei de Imprensa de 28 de Outubro de 1910. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .   .97
A restrição da liberdade de imprensa em face da guerra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .    102
A apreensão administrativa de publicações periódicas: Decreto 2270 de 12 de Março de 1916 e as reacções dos jornais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .  . . .   105
A Lei n.º 495 – lei da censura prévia –, as reacções dos jornais e a oposição da União Republicana. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . .   108
 Critérios irregulares dos censores, reacções dos jornais e novas leis . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .    111
A legislação sidonista da Imprensa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115

 Capítulo IV
A I República, a Imprensa e a Guerra: O discurso dos jornais intervencionistas versus o discurso dos jornais anti-intervencionistas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . .    . . 121
As negociações diplomáticas belicistas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .  124
Intervenção no pedido de auxílio da França. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .   133
O pimentismo contrário à guerra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .   . 137
O regresso do discurso da propaganda republicana. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .  139
A declaração de guerra da Alemanha a Portugal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .   . .144
A política de guerra da União Sagrada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .   155
Do milagre de Tancos à ida do CEP para França. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . 161
O sidonismo contrário à guerra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .   172
Entre o intervencionismo e o anti-intervencionismo: O caso de O Açoriano Oriental . . . .  . .  . .  . 175
De jornal pró-aliado a germanófilo e novamente pró-aliado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . . 177
A reacção em face da censura. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . 179 De jornal sidonista convicto a acolhedor do Integralismo Lusitano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .  .182

Capítulo V
 A Imprensa ilustrada, a censura, a propaganda e a Guerra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   .   . 187
A propaganda de guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . .189
A imprensa ilustrada de propaganda de guerra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . . . 199
Portugal na Guerra, revista quinzenal ilustrada de propaganda de guerra. . . . . . . . . . . . . .  . .  . .  . 203
O Espelho, jornal ilustrado de propaganda de guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .  206
A singularidade do panfleto Portugal perante a Guerra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   .   213
Conclusão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .  227
Fontes e Bibliografia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . 239
Anexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . .257

Pode ler-se na sinopse da obra:

Imprensa e I Guerra Mundial . Censura e Propaganda . 1914-1918 - analisa a relação existente entre a Imprensa e a Primeira Guerra Mundial, esclarecendo a ação da Censura de guerra e da Propaganda política, embrião da manipulação da Opinião Pública no século XX. Evidenciando que os jornais são um espelho, no qual os governantes e os diplomatas se contemplam, mostra também que os jornalistas são os peões movimentados de acordo com a vontade dos Estados beligerantes, e que, neste jogo de guerra, os diplomatas e os políticos contam as mentiras aos jornalistas e depois acreditam nelas ao vê-las publicadas. Esta é uma obra que cruza os saberes resultantes das ciências da comunicação e da ciência política com os da diplomacia e da história contemporânea e que, sendo científica, é também de leitura acessível a todos os interessados no entendimento do século XX. Foi uma das cinco obras distinguidas com o Prémio de Defesa Nacional 2014 atribuído pela Comissão Portuguesa de História Militar do Ministério da Defesa Nacional.

Breve nota sobre a autora da obra:

NOÉMIA MALVA NOVAIS Historiadora, escritora e jornalista. Exerce atualmente a função de consultora de comunicação social e política. É doutorada em Ciências da Comunicação, especialidade de Comunicação e Ciências Sociais, mestre em História Contemporânea e licenciada em História, variantes de investigação e de ensino. Dedica-se à investigação nas áreas da História Contemporânea – política, diplomática e cultural -, e das Ciências da Comunicação - media e propaganda política. É investigadora integrada do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, investigadora colaboradora do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. Tem uma vasta obra publicada, nomeadamente livros científicos, capítulos e artigos em livros e revistas científicas, artigos e entradas em enciclopédias e dicionários historiográficos, bem como literatura infantil. O seu trabalho académico foi distinguido com o Prémio Aristides de Sousa Mendes (1.ª Menção Especial 2004) da Associação dos Diplomatas Portugueses e com o Prémio de Defesa Nacional (Menção Honrosa 2014) do Ministério da Defesa Nacional. O seu trabalho jornalístico foi galardoado com o Prémio de Jornalismo e Direitos Humanos e Integração (1.ª Menção Honrosa 2013) da Unesco e com o Prémio de Jornalismo Os Direitos da Criança em Notícia (1.º Prémio 2014) atribuído pelo Fórum dos Direitos da Criança da Unesco.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.