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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

A INICIAÇÃO DE VOLTAIRE NA LOJA DAS NOVE IRMÃS

 


LIVRO: A Iniciação de Voltaire na Loja das Nove Irmãs;
AUTOR: A. Germain;
EDIÇÃO: BMBM | R’.’ L.’. “8 de Maio”, Janeiro de 2025, 52 p.

Trata-se da interessantíssima edição, agora em tradução portuguesa, do conhecido livreto (1874) de A. Germain, Initiation de Voltaire dans la Loge des Neuf-Soeurs. A curiosa iniciação de Voltaire, aliás François-Marie Arouet, em 1778, presidida por Jérôme Lalande (invulgar astrónomo e um dos enciclopedistas de renome) e assistida por Benjamin Franklin foi um acontecimento triunfante da história da franco-maçonaria francesa. A Loja das Nove Irmãs (1776), de que fizeram parte numerosos homens de letras, foi herdeira da “Loge des Sciences”, fundada pelo filósofo Claude Adrien de Helvétius (1715-1771) e pelo próprio Lalande (1732-1807).

Esta edição magnifica, de elevado merecimento literário e de que somente se imprimiram 100 exemplares numerados, está ornada na sua capa com uma formosa ilustração, contém uma Introdução dos editores e apresenta um estimado prefácio pelo curador adjunto no Instituto e Museu Voltaire, em Genebra, Flávio Borda D’Água.

► Um pensador, um filósofo que se tornou escritor – dramaturgo, ensaísta, historiador, poeta e romancista – como forma de se comprometer consigo e compreender os outros.

Nascido no ocaso do século dezassete, ele é a personificação do homem-razão iluminista, o tolerante, o insubmisso panfletário cultor do direito e da justiça, intransigente da liberdade e anticlerical convicto. Dir-se-ia que François-Marie Arouet nasceu para ser maçon, pois sobreviveu apenas um mês à sua irradiante iniciação na querida Loja das Nove Irmãs, em Paris, sob o malhete sagrado de Lalande, em 7 de Abril de 1778.

É por isso que, 330 anos após o nascimento de Voltaire em Paris, a BMBM – Biblioteca Maçónica do Baixo Mondego – decide estrear a sua bibliogenia com uma obra que, nas palavras de Hubert, pertence à Maçonaria mais do que a qualquer Loja ou maçon preferido. Mais, associa-se à R⸫L⸫ “8 de Maio”, a Or⸫ de Coimbra, nas celebrações do seu 25º aniversário.

A INICIAÇÃO DE VOLTAIRE, hoje amável e fraternalmente prefaciada pelo conservador-adjunto do Instituto e Museu Voltaire de Genève, a quem muito agradecemos, é um duplo privilégio que queremos partilhar.

Ao Vale do Mondego, no 330º aniversário de Voltaire, Novembro de 6024.

[Os Editores]

► Voltaire e a Maçonaria: uma exploração dos laços entre o pensamento do Iluminismo e o compromisso da fraternidade

Voltaire tornou-se, ao longo dos séculos, um símbolo e um farol da luz intelectual, do pensamento crítico e da afirmação das liberdades. A sua influência ultrapassa fronteiras e transcende épocas, marcando profundamente o panorama da literatura e da filosofia, o desenrolar da história e das sociedades. Por trás dessa figura emblemática do Século das Luzes esconde-se, um tanto negligenciado ainda, um legado singular da sua herança: a sua afiliação tardia à maçonaria.

A brochura que nos é oferecida hoje permite-nos aventurar nos labirintos da história para explorar os laços que Voltaire mantém com a Maçonaria: duas forças imponentes que moldaram o tecido da sociedade europeia do século XVIII e além. As páginas que se seguem servirão como uma exploração aprofundada que desmistifica essa relação, muitas vezes incompreendida e mal transmitida, e esclarecerão as áreas de sombra ao fazer o leitor descobrir, ao longo do tempo, influências mútuas entre o homem e o movimento do pensamento.

Voltaire, conhecido pela sua pena afiada e o seu espírito livre, não pode ser limitado ao papel de escritor. Homem de ideias, homem de convicções, pensador engajado nos debates da sua época, e fundamentalmente contemporâneo, ele encontra na maçonaria um quadro para nutrir e desenvolver as suas ideias. No seio da companhia fraterna, ele encontra um refúgio para o livre-pensamento, um espaço onde as fronteiras da sociedade podem ser empurradas e onde a igualdade, a fraternidade e a tolerância não são meras palavras, mas ideias a serem vividas, promovidas e desenvolvidas.

A partir daí, ao retomar os arquivos e os escritos de Voltaire, bem como os arquivos maçónicos da sua época, o investigador detecta fios invisíveis que tecem, juntos, uma história comum. As descobertas mostram como a entrada de Voltaire na maçonaria influenciou, mesmo que tardiamente, o seu pensamento, as suas acções e, por vezes, o seu estilo literário. Ele deixa, assim, uma marca indelével e misteriosa na maçonaria do seu tempo.

Ao longo desta brochura, a palavra é deixada aos textos que documentam directamente a iniciação de Voltaire e que abrem para o futuro através do fascinante aspecto da história intelectual e social. Espera-se que essa exploração suscite a curiosidade e o desejo de ir mais longe, estimulando a reflexão, incitando talvez as reconsiderações, a uma (re)descoberta de Voltaire como homem, como pensador e como irmão maçom.

Que estes documentos possam ilustrar a última evidência: que a verdadeira luz reside na busca incessante do conhecimento e da verdade, à imagem do historiador frente ao passado dos homens e da grande sociedade humana.

[PREFACIANDO - Flávio Borda D’Água, p. 9 e ss - sublinhados nossos]

 


► A. Germain (1801-1882) foi um voltairiano entusiasta, fiel e ilustrado. Em tributo de admiração e reconhecimento ao Mestre, deixou escrito uma interessante notícia sobre a iniciação de Voltaire - que agora apresentamos - nesse memorável dia de 7 de Abril de 1778 e que iluminou a “serena luz maçónica” dos trabalhos da loja Des Neuf Soeurs.

A[thanase] Germain licenciou-se em direito (1821) em Paris, foi advogado da corte, diretor de assuntos argelinos do Ministério da Guerra, mestre de solicitações ao Conselho de Estado, diretor do jornal Le Progrés de l’Eure e membro da loja maçónica, La Sincerité de l’Eure, em Evreux. Foi preso por delito de imprensa em 24 de Fevereiro de 1871. Entre as suas obras impressas, está a curiosa Martyrologe de la presse (1789-1861) e a vigorosa e polémica Réponse à une lettre de M. L. Morin, curé de La Couture-Boussey (1866).

A. Germain integrou o quadro fundador da loja de Evreux (22 de Julho de 1872), La Sincerité de l’Eure, tendo sido seu Venerável entre os anos de 1873 a 1876. A loja, a segunda instalada em Evreux, no final do século entra em “dormência” e só seria de novo erguida em 1925, curiosamente com o título distintivo: Tolérance et Sincerité. A 8 de Julho de 1875, teve Germain ocasião de pedir a palavra na cerimónia solene de iniciação de Émile Littré, na loja La Clémente Amitié, fazendo-lhe oferta do seu livro Initiation de Voltaire dans la Loge des Neuf-Soeurs.

[Da contracapa]

J.M.M.

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

[BNP – LISBOA – DIA 25 DE OUTUBRO] LUÍS DE CAMÕES. FABULOSO - VERDADEIRO DE AQUILINO RIBEIRO

LIVRO: Luís de Camões Fabuloso * Verdadeiro;
AUTOR: Aquilino Ribeiro / Prefácio de António Valdemar;
EDIÇÃO: Bertrand Editora, 2024.

LANÇAMENTO/APRESENTAÇÃO

DIA: 25 de Outubro de 2024 (17,30 horas);

LOCAL: Biblioteca Nacional (Auditório);

ORADORES: Vanda Anastácio | Diogo Ramada Curto | António Valdemar | Eduardo Boavida | Aquilino Machado

ORGANIZAÇÃO: BNP | Bertrand Editora 

► Aquilino Ribeiro contrariou a imagem de um poeta de origem aristocrática que era veiculada pelo regime e construiu um retrato real. Agora numa nova edição, o livro chega às livrarias a 19 de setembro com introdução de António Valdemar.

Num tempo em que se professava nas universidades «a opinião de que o tudo o que havia a dizer sobre o autor dos Lusíadas estava dito», Aquilino Ribeiro ousou dizer «não». Entre 1949 e 1950, o escritor publicou dois livros em que defendeu «a revisão a fundo e com meticulosidade» da história de Luís de Camões, chocando o «público ilustrado» ao afirmar que o poeta «não era aquilo que ensinavam na escola».

Alicerçando-se na releitura atenta dos estudos de, entre outros, Teófilo Braga, José Maria Rodrigues, Wilhem Storck e Hernâni Cidade, e em «três cartas particulares» de Camões, Aquilino, primeiro em Camões, Camilo, Eça e Alguns mais e depois em Luís de Camões. Fabuloso * Verdadeiro, contrariou a imagem de um poeta de origem aristocrática que era veiculada pelo regime e apoiada por académicos de Coimbra, e construiu um retrato real, de um «gentil-homem pobre, mas invejável», que gerou grande polémica. Um retrato que ainda perdura.

Passados 74 anos da publicação de Luís de Camões. Fabuloso * Verdadeiro, o mais impetuoso dos dois estudos, e numa altura em que se comemoram os 500 anos do nascimento do poeta, a Bertrand Editora lança uma nova edição do livro, que celebra a vida e obra de Camões. Pela primeira vez num só volume (em 1950, foi publicado em dois) e com prefácio do jornalista António Valdemar, que privou com Aquilino.

J.M.M. 

domingo, 24 de março de 2024

ECOS DE LONDRES: O INVESTIGADOR PORTUGUÊS EM INGLATERRA, JORNAL LITERÁRIO, POLÍTICO, & C., NOS PRIMEIROS ANOS DA PUBLICAÇÃO, 1811-1813

 


LIVRO: Ecos de londres: o investigador português em Inglaterra, jornal literário, político, & c., nos primeiros anos da publicação, 1811-1813;
Autor: Adelaide Maria Muralha Vieira Machado;
EDIÇÃO: Lema d’Origem, Março de 2024, 134 p.

«A decisão da Comissão Liberato de impulsionar a publicação desta obra sobre os primeiros anos de O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLA-TERRA (1811-1813) assentou na relevância que este periódico teve na vida de José Liberato Freire de Carvalho e vice-versa. De facto, embora Liberato só tenha entrado para a redacção do jornal em 1814, a sua acção nele foi de tal forma importante que as suas vidas e os seus nomes ficaram para sempre indissociáveis. Pode dizer-se que há um INVESTIGADOR antes e outro INVESTIGADOR após a chegada de José Liberato a Londres e ao jornalismo. Ora, para melhor conhecer e até compreender a vida, as ideias e a obra de José Liberato, pareceu-nos interessante dar ênfase e divulgar a "casa" que o recebeu, como nasceu o seu projecto e como cresceu e se consolidou, o contexto político e social cm que se afirmou, os seus redactores e financiadores, a importância crescente em ambos os reinos. Neste Julho de 1811, quando sai o primeiro número de O INVESTIGADOR, José Freire de Carvalho ainda não respondia por Liberato, antes era conhecido por D. José do Loreto, o nome que tinha adoptado quando fora admitido na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em Santa Cruz, Coimbra. O ano de 1811 foí muito acidentado para a vida de D. José do Loreto. No início do ano ainda estava refém e acompanhava o exército de Massena. Em Março, durante o combate de Foz de Arouce, tinha conseguido evadir-se e refugiar-se na casa do seu irmão em Ceira, sendo preso no dia seguinte pela polícia, suspeito de colaboração com os franceses. Seguiram-se dois meses de prisão na cadeia da Universidade e alguns, poucos, meses de liberdade até ser de novo enclausurado em Santa Cruz, às ordens do governo de Lisboa. Foi após esta clausura de cerca de dois anos (durante a qual traduziu os ANAIS de Tácito) que, nos finais de 1813, quando lhe preparavam uma deportação interna para outro convento agostinho, José aceitou ajuda da família Pinto Bastos e evadiu-se para Inglaterra, adoptando o nome de Liberato, honrando a sua própria libertação.

Graças ao seu perfil intelectual (professor, tradutor, bibliotecário) facilmente obteve uma ocupação condizente — redactor de O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLATERRA, a que talvez não fossem estranhas as suas ligações maçónicas iniciadas em Lisboa pelos primeiros anos de 1800, quando se tornara o Spartacus da Loja "A Fortaleza"».

[Palavras Prévias, pela Comissão Liberato, pp.9-10 – sublinhados nossos]

 


►«O aparecimento do Investigador não está oficializado por nenhum documento, mas sabe-se que partiu da iniciativa de Domingos António de Sousa Coutinho, embaixador de Portugal em Londres. Após uma primeira tentativa frustrada de entendimento com o redator do Correio Braziliense [Hipólito José da Costa (1774-1823) foi o redator do Correio Braziliense, 1808-1822, impresso em Londres], o futuro Conde e Marquês do Funchal [Domingos António de Sousa Coutinho (1760-1833), recebeu o título de Conde por serviços prestados à monarquia absoluta, e o título de Marquês por serviços prestados à causa liberal. In, Marques do Funchal, O Conde de Linhares, Lisboa, 1908] decidiu chamar a si a responsabilidade da criação de um novo jornal português em Inglaterra. Nesta tarefa foi assistido por dois exilados, sob a sua proteção: o médico Bernardo José de Abrantes e Castro, e Vicente Pedro Nolasco da Cunha, também médico, mas poeta por vocação

[Nolasco da Cunha (1773-1844) publicou na época, as seguintes obras: Jardim Botânico de Darwin, ou a economia da vegetação, poema com notas filosóficas, traduzido do inglês, Lisboa, 1803; O Tempo de Glória, Lisboa, 1802; O Triunfo da Natureza, Londres, 1809 (dedicado a Domingos Sousa Coutinho); O incêndio de Moscovo, ou a queda de Napoleão, Londres, 1812. No Investigador saíram também impressos, outros trabalhos do poeta, várias odes dedicadas a Filinto Elísio, ao Conde do Funchal e aos generais ingleses vitoriosos em Portugal, para além de traduções comentadas a trabalhos literários publicados na altura em Inglaterra]

e frequentador das suspeitas e perseguidas tertúlias literárias. Esta estranha associação de homens, conseguiu da corte no Brasil através do ministro D. Rodrigo, irmão do embaixador, a concessão de um número mínimo de assinaturas que garantia o financiamento do periódico.

Criado, perante a Corte, para combater os ataques ao governo feitos pelo Correio Brasiliense, defensor da independência do Brasil, seria esta a principal razão da obtenção do subsídio ministerial. […]

O Conde do Funchal, tal como os irmãos, fora afilhado de Pombal crescera sob a sua proteção e mais tarde frequentara a Universidade reformada, onde teve os primeiros contactos com as leituras do século ao privar com José Anastácio da Cunha, a quem sempre admirou tanto quanto detestou os seus algozes. Próximo dos círculos do poder, Domingos António, fez carreira diplomática, completando a sua formação no contacto com a cultura e política europeias. Acabaria por se fixar em Londres, como embaixador, tornando-se um grande admirador das instituições e organização política, inglesas. 

 

O Conde do Funchal tentou ao longo da sua vida conciliar, nem sempre com sucesso, a devoção e real fidelidade à dinastia de Bragança, com a profunda admiração pela realidade inglesa. Daí o envolvimento com os exilados que por Londres passavam, e que acolhia sob a sua proteção. Em termos de política de estado alinhava com os Inglesados, embora a divisão entre estes e os Afrancesados

[A divisão entre Inglesados e Afrancesados passava pelas preferências a nível das alianças externas diplomáticas e comerciais. D. Rodrigo de Sousa Coutinho, futuro Conde de Linhares, era o chefe do partido inglês, António Araújo, futuro Conde da Barca o chefe do partido francês. Sobre o desenvolvimento deste assunto ver, Graça e J.S. da Silva Dias, Os Primórdios da Maçonaria em Portugal, Vol. 1, Tomo II, pp. 421-450].

tivesse perdido a funcionalidade após as invasões francesas e a ida da corte para o Brasil sob escolta inglesa. No entanto, as famílias ou grupos de expressão e as rivalidades delas provenientes, ainda se mantiveram operativos durante algum tempo, em consonância com a composição dos gabinetes de estado. Convém referir, que esta divisão se limitava aos círculos de poder, sem ramificações organizativas ou ideológicas no país, tal como as concebemos, por exemplo, para o período seguinte entre absolutistas e liberais […]

[Adelaide Maria Muralha Vieira Machado, Ecos de Londres …, pp-93-94 – sublinhados nossos]

J.M.M.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

GUARDA REPUBLICANA. UM SÉCULO DE HISTÓRIA E PROPAGANDA


Amanhã, sexta-feira, 24 de Novembro de 2023, na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Foz Coa, pelas 17:30h, vai ser apresentada a nova obra do Doutor José Luís Lima Garcia e de Ana Rute Lima Garcia, sobre a região da Guarda no período republicano, GUARDA REPUBLICANA. UM SÉCULO DE HISTÓRIA E PROPAGANDA.

Vai apresentar a obra o Prof. Doutor José Carlos Venâncio (Professor Catedrático Jubilado da Universidade da Beira Interior).

Pode ler-se na apresentação da obra:

"O livro é informativo, sólido na argumentação e, como tal, de indiscutível utilidade: pela informação factual que presta ao leitor e pela leitura que os seus autores fazem dos factos que apresentam. As adendas, sobretudo a que dá a conhecer a história de vida de políticos e intelectuais da I República originários do distrito da Guarda, são de agradável e proveitosa leitura. Por ela, vemos como um distrito do Interior do território nacional pôde oferecer à I República intelectuais e políticos de alto gabarito, com desempenhos tão decisivos no curso da história nacional.

Não gostaria de terminar estas palavras em substituição de um prefácio sem tecer algumas considerações em torno da escrita, em si. Ela é escorreita, precisa, elegante e, sobretudo, sugestiva e, assim sendo, em boa hora a editora e as entidades oficiais decidiram apoiar a sua edição. Como nos habituámos a dizer nas “Beiras”, bem hajam por esse gesto!"

Apresentam-se de seguida as fotografias dos autores e o seu currículo abreviado:



A edição da obra está a cargo da Lema d' Origem Editora.

Muito sucesso em mais esta iniciativa editorial.

A.A.B.M.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

PRELÚDIOS DA GUERRA DE 1801. MANUEL GODOY E LUÍS PINTO DE SOUSA COUTINHO

LIVRO: “PRELÚDIOS DA GUERRA DE 1801. MANUEL GODOY E LUÍS PINTO DE SOUSA COUTINHO";

AUTOR: António Ventura;
EDITORA: Caleidoscópio, 2023

APRESENTANTE: Prof. Doutor Emílio la Parra Lopez 

DATA: 16 de Novembro de 2023
LOCAL: Anfiteatro III, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
HORÁRIO: 18 HORAS

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa!!
A.A.B.M.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

A LUZ VINHA DO ORIENTE. COMUNISTAS E MAÇONS EM PORTUGAL (1919-1936)


APRESENTAÇÃO:

24 DE OUTUBRO DE 2023 (terça-feira)

HORÁRIO: 17:30 h

LOCAL: TORRE DO TOMBO (LISBOA)

A apresentação da obra vai ser feita pelo Prof. Doutor Fernando Rosas.

Autor: António Ventura

Editora: Âncora Editora 

ISBN 978 972 780 892 2

Páginas: 460

Pode ler-se na sinopse

No presente livro são estudadas as relações entre maçons e comunistas, a partir de 1919, data do surgimento, em Portugal, da primeira organização defensora da Revolução Russa e 1936, um ano após a proibição da Maçonaria e a prisão da cúpula dirigente do PCP. Considerámos duas épocas distintas: a primeira, entre 1919 e 1926, corresponde aos esforços para fundação de uma organização apoiante da Revolução Soviética, que culminou na fundação do PCP, até ao golpe militar de 28 de Maio de 1926; a segunda época, prolonga-se até 1936. Ocorreram contactos, cumplicidades, coincidências e até duplas filiações, num universo matizado, onde convergiam republicanos radicais, libertários, simpatizantes da Rússia Soviética, comunistas e outros opositores à Ditadura, em interacção nas Lojas maçónicas. Essas relações não são fáceis de determinar, aflorando nas memórias, nos depoimentos e também em livros de estudantes finalistas. Criaram- -se laços pessoais, que subsistiram ao longo do tempo e facilitaram a participação longeva de maçons –ou antigos maçons - em estruturas oposicionistas, da década de trinta até 1974.


Com os votos do maior sucesso!!

A.A.B.M.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

[EM COIMBRA DIA 24 JUNHO] A REVOLUÇÃO DO 25 DE ABRIL. ENSAIO HISTÓRICO – JOSÉ MEDEIROS FERREIRA

 


LIVRO: A revolução do 25 de Abril. Ensaio Histórico;
AUTOR: José Medeiros Ferreira;
EDIÇÃO: Shantarin;

LANÇAMENTO EM COIMBRA:

DIA: 24 de Junho (16,00 horas);
LOCAL: Café Santa Cruz (Coimbra);
ORADOR: Rui Bebiano (CES) | António Apolinário Lourenço (UC / GAAC).

► A 25 de abril de 1974, um grupo de militares portugueses derrubou uma das últimas ditaduras da Europa ocidental do séc. XX e apresentou-se ao País com um programa político assente em três pilares: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. Aquela que ficou conhecida como a Revolução dos Cravos inaugurava a terceira vaga da democratização  (Samuel P. Huntington), que depois atingiu a Espanha, a Grécia e dezenas de outros países na América Latina, na Ásia e Pacífico, em África e na Europa de Leste.

Um ano antes, em Abril de 1973, fora apresentada ao 3.o Congresso da Oposição Democrática em Aveiro uma tese que José Medeiros Ferreira enviara do exílio na Suíça. Na referida tese, recebida com desconfiança por vários setores da Oposição, mas que viria a revelar-se premonitória, o autor sublinhava a necessidade de envolvimento das Forças Armadas, primeiro, para pôr termo à ditadura e à guerra nas colónias africanas, e depois para apoiar a execução de um plano de ação nacional que, precisamente, conduzisse à descolonização, à democratização e ao desenvolvimento.

Da pena de Medeiros Ferreira — que, regressado do exílio pouco depois da Revolução, desempenhou um papel de relevo na abertura da jovem democracia portuguesa à Europa e ao mundo, afirmando-se mais tarde como um dos mais brilhantes académicos de história contemporânea da sua geração — sairia à estampa, em 1983, o Ensaio Histórico Sobre a Revolução do 25 de Abril, que agora se reedita.

Nesta primeira tentativa, pioneira e ousada, de registar uma história da Revolução portuguesa, reconhecendo os riscos da proximidade temporal entre o texto e o objeto de estudo, e bem assim da proximidade entre o narrador e a ação histórica em que fora interveniente, o autor impôs-se um redobrado esforço de rigor metodológico, nomeadamente na seleção, análise e interpretação das fontes disponíveis, legando uma obra que se mantém fundamental, atual e intelectualmente desafiante [AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

[LANÇAMENTO DA OBRA] O PARLAMENTO PORTUGUÊS

 



OBRA: O Parlamento Português;

COORDENAÇÃO: Pedro Tavares de Almeida.

LANÇAMENTO

DIA: 21 de Junho de 2023 (18,00 horas)

ORADORES: Pedro Tavares de Almeida | Guilherme d’Oliveira Martins | José Manuel Sobral | António Araújo

LOCAL: Biblioteca Passos Manuel (Palácio de S. Bento, Lisboa)

► Trata-se da importante obra sobre O Parlamento Português, projecto de coordenação do professor Pedro Ginestal Tavares de Almeida (séculos XIX-XXI), financiado pela Assembleia da República, em quatro volumes.

A obra  O Parlamento Português é constituída por:

Vol. I — Antigo Regime e Monarquia Constitucional
Vol. II — I República
Vol. III — Estado Novo
Vol. IV — Democracia

A apresentação das obras está a cargo de José Manuel Sobral (Vols. I e II) e António Araújo (Vol. III e IV).

J.M.M.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

A MAÇONARIA PORTUGUESA 1926-1974

 


LIVRO: A Maçonaria Portuguesa. As suas ideias e a sua relação com a sociedade e as forças políticas;
Autor: António Lopes;
EDIÇÃO: Âncora Editora, Maio de 2023, 744 p.

LANÇAMENTO:

DIA: 2 de Junho de 2023 (18,00 horas);
LOCAL: Feira do Livro de Lisboa, Parque Eduardo VII (Palco Praça Amarela);
ORADOR: Dr. Fernando Marques da Costa;

► “ … Este estudo é o resultado de uma investigação e reflexão sobre a relação da Maçonaria com as oposições ao Estado Novo, num período pouco abordado, lacuna cujas causas tanto podemos ver no seu tempo recente, como no facto do assunto ser frequentemente remetido para um certo nicho de secretismo, como ainda por uma nítida dificuldade em o abordar pela escassez de documentação e também pela cristalização de alguns mitos. Temos, portanto, consciência da dificuldade de enfrentar esta temática num território relativamente virgem, com todas as desvantagens de que tal se reveste.

Pretende-se, mais do que apresentar nomes, ainda que estes sejam importantes, refletir sobre as ideias que circulavam nas lojas maçónicas ou entre os maçons e as suas relações com os movimentos de oposição à Ditadura, contribuindo para a emergência de uma ideia global sobre o pensamento e a prática maçónica durante este período. Visíveis na correspondência das diversas Lojas, nos trabalhos desenvolvidos pelos maçons e, mais raramente, nos já muito poucos testemunhos orais, essas informações permitem colmatar espaços e traçar um quadro da atividade da Maçonaria numa época que à primeira vista se afigura desértica. Pretende-se ainda perceber os momentos de maior mérito, de vivida dificuldade ou de ausência e de presença nas grandes questões sociais e políticas do país ou ainda as flutuações ou mesmo alterações no discurso dos dirigentes maçónicos enquanto tal ou no âmbito da sua atividade política. Por isso não é uma abordagem desapaixonada.

[…] Ainda que o Estado Novo tenha o seu início em 1933, por motivo de contextualização, o período cronológico abrangido vai do golpe de 28 de maio de 1926 à revolução de 25 de abril de 1974. Período longo, mas que interessa abordar de forma única, permitindo por isso verificar linhas dominantes que justificam coerências ideológicas ou posições conjunturais decorrentes de fenómenos políticos momentâneos e que possibilitam a justificação de alguns acontecimentos. E esta é outra dificuldade inerente a este projeto, que por ser um espaço temporal longo e acrescido da necessária contextualização, implica uma gestão que oscila entre o seu gigantismo e o evitar de quaisquer riscos de superficialidade.

Dividimos a história da Maçonaria e da sua relação com os movimentos oposicionistas ao Estado Novo em três grandes períodos: o primeiro, a Ditadura Militar, entre 1926 e 1933, porque nos permite compreender o ambiente antimaçónico persistentemente construído, com as propostas e anseios da direita republicana, boa parte presente nas Lojas do GOLU (Grande Oriente Lusitano Unido), e ainda porque nos permite perceber as bases ideológicas e estruturais do regime, assim como as convulsões políticas vividas no início da década de trinta e, naturalmente, o trabalho desenvolvido nas Lojas, incluindo as suas próprias contradições ou derivas.

[…] O segundo período vai de 1933 ao início da década de sessenta. É um período longo, e ainda que diferente antes e depois da II Guerra Mundial, em que o regime persiste em nada mudar, mesmo vindo a ser obrigado a fazê-lo face às contingências da Guerra Fria. É um período onde não são claras as fronteiras entre os movimentos republicanos e socialistas e a Maçonaria, onde a ilegalização da Maçonaria constitui um momento marcante, e onde muitos protagonistas atuam simultaneamente em papéis, estruturas e funções diferentes.

[…] O terceiro período, a década de sessenta e a década de setenta até à Revolução de 1974, é aquele em que o regime se mostrou mais desadaptado às novas realidades políticas, sociais e económicas, do país e do mundo, enfrentando novas formas de oposição, que desconhecia e para as quais não estava preparado, nomeadamente por novas camadas sociais, por novas forças políticas e recorrendo com mais frequência a ações de confronto direto.

[…] Este trabalho tem também por intenção que não se percam nas brumas do esquecimento todos aqueles que lutaram pela Liberdade, à sua maneira, de acordo com as suas ideias, numa tarefa árdua e persistente, almejando uma sociedade melhor. Por isso, complementarmente são elencados muitos dos nomes que construíram esse pensamento e as ações de oposição ao regime.

[…] A Maçonaria atravessa todo o período da Ditadura com momentos diferenciados. Mais viva, mais discreta, mais ou menos organizada, até mais ou menos interventiva, mas em todos eles conspirando para mudar o regime e trazer a Portugal a chama da Liberdade. Por isso, a este propósito, em entrevista concedida à RTP em 1988, Adelino da Palma Carlos lembrava que o que faz alguém entrar para a Maçonaria é o amor à Liberdade e a vontade de lutar pela Liberdade.

[in Nota Prévia – sublinhados nossos]

J.M.M.

sábado, 13 de maio de 2023

JERUSALÉM – ARMANDO A. ALVES MARTINHO


LIVRO: Jerusalém;
AUTOR: Armando A. Alves Martinho;
EDIÇÃO: Aspas Duplas, 2022, 23 p..

“O 29.° Grau denominado Grande Escocês de Santo André da Escócia, cujo conteúdo é de Ordem Templária e que foi Patriarca das Cruzadas, Cavaleiro do Sol ou Grão Mestre da Luz. A sua origem remonta à fusão das Ordens Militares, vindas das Cruzadas, com a Maçonaria (…) A referência à conversão da Jerusalém Celeste na Nova Jerusalém é uma imaginária e grandiosa obra a realizar a bem da Humanidade. É constituída por doze Bairros com as respetivas doze Portas e os seus caminhos, doze caminhos que são alegorias do "Sol", símbolo da razão (…)

A expressão "Nova Jerusalém" foi criada para significar "a esperança de uma Jerusalém Terrestre, reconstruída e transfigurada”, evoca um lugar Terrestre ideal onde a humanidade viveria em harmonia consigo mesmo e com a Criação (…) "Construir o Templo que somos nós" é construir a "Jerusalém Celeste". Este Templo, é Templo que será reconstruído na "Nova Jerusalém" que convida o homem a reconstruir-se a partir do seu íntimo, a partir do Amor, da Paz, e da Justiça. Para construção do nosso Templo devemos partir do princípio que "Jerusalém Celeste" está em cada um de nós (…)

É necessário administrar o Sagrado. É necessário a administração de técnicas propiciatórias. Temos símbolos e ritos, os primeiros são precisos e os segundos adequados, para que a hierofania não seja perigosa tendo um efeito de regeneração, purificação por aproximação dos modelos originais.

(…) uma reflexão sobre as 3 vias: mística, gnóstica e alquímica; a que Fernando Pessoa indicava como as três formas de Esoterismo: a mística que procura a união do espirito individual com o espirito universal; a gnóstica o conhecimento libertador; e a alquímica a transformação do vulgar no excelente.

[Extractos do opúsculo “Jerusalém” - sublinhados nossos]

J.M.M. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

TÁCITO – ANAIS


LIVRO: Anais [trad. de José Liberato Freire de Carvalho];
AUTOR: Tácito;
EDIÇÃO: Colibri [pref. Nuno Simões Rodrigues; Introdução de Ricardo Nobre]


“Talvez seja mais estimulante para o leitor moderno perceber que Tácito o ensina a compreender como Roma conduziu a sua política, interna e externa, administrou as suas províncias (Bretanha, Germânia, Panónia), assegurou a expansão militar.

É dele o relato das grandes revoltas dos exércitos no primeiro século da nossa era, dos funerais de Germânico, das mortes de Cláudio, de Britânico e de Agripina, do grande incêndio de Roma e consequente perseguição dos Cristãos, das mortes de Séneca e de Petrónio, decorrentes da conjura de Pisão para derrubar Nero.

Em suma, a história de Roma, do Reino Unido, da Alemanha, da Áustria, da Hungria, dos Judeus, do Cristianismo e do Próximo Oriente não pode ser escrita sem a obra de Tácito” [AQUI]

► (…) Submetido a múltiplas exegeses ao longo dos séculos, a obra de Tácito, e em particular os Anais, foi e é examinada e comentada de diversas perspectivas: as de maior relevo dizem evidentemente respeito à história de Roma e das suas instituições, enquanto a filologia se tem ocupado com a análise da sua forma de escrever, escrutinando a sintaxe e a semântica que configuram um estilo tão diferente do de Cícero ou César, modelos comummente preferidos nas gramáticas da língua latina. Cobrindo interesses tão alargados, no âmbito da história militar, ciência política, ética, antropologia, etnologia, direito, estudos de género, pós-coloniais ou da literatura, Tácito tem sido um objecto de estudo valioso. Artigos, teses, monografias e ensaios iluminam o leitor sobre ideias políticas (em particular a liberdade e a corrupção), processos de construção e organização narrativa, a disposição da matéria histórica, dando atenção às narrativas de mortes, batalhas, doenças, presságios e conspirações; estudam-se, ainda, em Tácito a ironia, a metáfora, a ordenação sintáctica, as ideias militares, a profundidade psicológica na concepção de personagens individuais (imperadores, escritores, filósofos, mulheres, escravos) ou colectivas (o exército, o povo e o senado, por exemplo); a sua obra revela relações entre historiografia, retórica, tragédia e epopeia, realçando-se nela momentos de natureza meta-historiográfica para descrever o autor como austero ou sentencioso; como historiador, é defendido e atacado, fiel à realidade ou manipulador da verdade. Tal como outros autores antigos com algum peso cultural, este estado da arte sumário é o culminar de um processo de saturação de leituras realizadas ao longo de séculos. Na verdade, e independentemente do material produzido pelas universidades, talvez seja mais estimulante para o leitor moderno perceber que Tácito o ensina a compreender como Roma conduziu a sua política, interna e externa, administrou as suas províncias (Bretanha, Germânia, Panónia), assegurou a expansão militar (…)

Continuando o cargo de fornecer à doutrinação liberal um fundamento histórico dos ideais perfilhados, José Liberato Freire de Carvalho compôs, de 1830 a 1834 uma obra que havia de publicar entre 1841 e 1843, em quatro volumes: Memórias com o Título de Anais para a História do Tempo que Durou a Usurpação de D. Miguel (Lisboa: Impr. Nevesiana). Como o título sugere, a obra descreve os acontecimentos ano por ano, de 1829 a 1834, em clara analogia com os Anais, de Tácito, autor que, aliás, tutela a obra, pois dele é a epígrafe, retirada das Histórias 1: Opus aggredior opimum casibus («componho uma obra rica de infortúnios»).  Anotando as semelhanças verbais com a obra de Tácito, cita-se parte do texto prefacial, em que, defensor intransigente da liberdade, Freire de Carvalho (1841: 7-10) anuncia abertamente os seus propósitos:

Proponho-me narrar os factos principais de uma época a mais desastrosa que tem visto Portugal; e, como Tácito, tenho que referir casos atrozes, crimes inauditos, e misérias e desgraças espantosas. Entre os crimes, uma usurpação vergonhosa e infame por todas as baixezas, por todas as intrigas, e por todas as violências que se podem imaginar; e entre as desgraças, essa mesma usurpação coberta de todos os horrores, e de todas as infelicidades, filhas e companheiras de um poder absoluto usurpado, que, para manter-se, julgou que só o podia fazer, tornando-se bárbaro, feroz, e brutal. Direi como a santidade do juramento e a honra da lealdade foram convertidas em crimes, e atrozmente punidas como gravíssimos delitos. Direi como o perjúrio e a deslealdade receberam as honras e o culto das virtudes; e como até houve sacerdotes ímpios e blasfemos que apregoaram, e sancionaram esta moral depravação. Direi como, para manter este sistema de horrores e de crimes, se violaram as mais santas leis da razão e da justiça; como em nome delas se cometeram os actos mais abomináveis; como estes foram ainda enegrecidos pela ferocidade dos insultos que se fizeram às vítimas; e como, por último excesso de uma desnatural fereza, se viram mulheres portuguesas de elevada condição fraternizar com os assassinos e com os algozes, e aplaudir, como Bacantes, as cenas de sangue, de horror e crueldade. E direi ainda enfim, como a influência estrangeira, e particularmente a britânica, apoiaram ora clandestinamente ora às claras, e sem pejo, todos os crimes, todos os delírios, e até toda a brutalidade do tirano usurpador, e seus sicários, e seus cúmplices […]

[Ricardo Nobre, in Introdução, p. 23 e 30-31]

J.M.M. 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

INTERNATO DE SÃO JOÃO DE LISBOA – 160 ANOS

 


LIVRO: Internato de São João de Lisboa – 160 Anos;
AUTOR: Nuno Martins Ferreira;
EDIÇÃO: Internato de S. João, 2022.

Trata-se de uma curiosa monografia sobre o estimado Asilo de S. João (Lisboa) – atual Internato de S. João -, instituição de ensino, assistência e beneficência para a “infância feminina desvalida”, fundada por José Estêvão Coelho de Magalhães [e por António de Sousa e Meneses, José Isidoro Viana, Francisco Maria Énea, José Maria Lobo d’Avila, Gilberto António Rola, Inácio Januário Avelino e José Joaquim de Abreu Viana] em 1862, sob os auspícios da Confederação Maçónica Portuguesa, sita na Travessa do Loureiro (a Santa Marta). Instituição escolar [instrução primária, dactilografia, desenho, aulas de comércio, aulas de bordados, cozinha, etc.] e filantrópica, laica e liberal, procurou a formação de alunas sempre de acordo com o ensino ministrado na valorização do livre pensamento. As suas receitas consistem “em legados, doações, donativos e quotas” dos seus associados.

De referir que, também na cidade do Porto, foi fundada uma instituição similar, direccionado para rapazes órfãos ou desamparados – Asilo de S. João no Porto, Rua da Alegria – e, de igual modo, foi promovido pela maçonaria local, e em especial com o grande incentivo do professor e maçon António dos Santos P. Sequeira Ferraz [com o n.s. de Littré, António de Sequeira Ferraz, pertenceu à loja Independência Lusitana e, depois, Ave Labor, ambas do Porto]. Teve o Asilo S. João do Porto os seus Estatutos aprovados em 1891 e foi inaugurado a 24 de Junho de 1892.


► “A investigação baseou-se na consulta do espólio documental e iconográfico guardado pelo ISJ. Os muitos relatórios e contas, as atas das reuniões dos órgãos sociais, sobretudos estas massas documentais, permitiram mergulhar nos dias da vida da instituição, conhecer a proveniência e a passagem das educandas, episódios caricatos protagonizados pela irreverência própria da idade e a preocupação, desde a primeira hora, com a instrução e educação das jovens.

Este livro tem, por isso, como objetivo dar a conhecer o contexto em que a instituição foi instalada e quais os principais aspetos que caracterizaram o seu funcionamento durante 160 anos. Dá-se especial destaque à sua organização interna, à dimensão educativa, aos espaços físicos, à presença da religião católica e a momentos de sociabilidade protagonizados pelas educandas. Procura-se, assim, contribuir para o conhecimento de uma instituição que, durante largas décadas, proporcionou assistência, educação e formação a gerações de jovens e crianças, bandeiras justamente mantidas pelos sucessivos corpos sociais.

A atividade do ISJ não teria sido possível erguer e manter sem a ajuda da Maçonaria. Aliás, o ISJ é extemporâneo no que toca à ação social e educativa suportada pela Maçonaria. Apenas nas últimas décadas do século XIX é que se assiste ao aparecimento de iniciativas de procuraram instruir e educar gerações de jovens e adultos, num contexto em que os valores do republicanismo influenciaram a praxis profana da Maçonaria” [do Livro]

J.M.M.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

[GRÉMIO LUSITANO] – MAÇONARIA PORTUGUESA. NAS ORIGENS DO GRANDE ORIENTE LUSITANO (1802-1806)

 


LIVRO: Maçonaria Portuguesa. Nas origens do Grande Oriente Lusitano (1802-1806);
AUTOR: Manuel Pinto dos Santos;
EDIÇÃO: Instituto Português de Estudos Maçónicos, 2022.

LANÇAMENTO

LOCAL: Grémio Lusitano (11,30 horas)

► Trata-se de uma edição do Instituto de Estudos Maçónicos, curiosamente em torno do tema da fundação do Grande Oriente Lusitano (GOL), justamente pela Grand Lodge of England, procurando dar a público novas e estimulantes abordagens. 

Manuel Pinto dos Santos, que foi docente da FCSH na Universidade Nova, é um profundo estudioso da maçonaria em Portugal, tendo publicado obra estimada e valiosa. Decerto nos dará pistas para uma melhor reflexão sobre a datação fundacional do GOL (1802 de acordo com carta-patente, como alguns asseguram; ou antes, em 1801, segundo outros), as oficinas que o integraram e as que não vêm referenciadas, e os seus oficiais e grandes dignitários. O período em estudo (1802-1806) termina justamente com a promulgação da primeira Constituição do GOL (18 de Julho) e que esteve em vigor até 1821. Conjunto de assuntos, já se vê, muito curiosos e a seguir.

J.M.M.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

NUNO RODRIGUES DOS SANTOS. COERÊNCIA E CONVICÇÃO


LIVRO: Nuno Rodrigues dos Santos. Coerência e Convicção;
AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Assembleia da República, 2022.

LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 16 de Novembro 2022 (18,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Passos Manuel (Assembleia da República);

► Trata-se da publicação da biografia de Nuno Rodrigues dos Santos (1910-1984), um dos "republicanos históricos", ativo e convicto lutador anti-salazarista, membro do Grande Oriente Lusitano – o Irmão “Danton” da loja Magalhães Lima (depois da loja Liberdade) -, fundador do MUD, membro da Liga dos Direitos do Homem, da Causa Republicana, Renovação Democrática, União Socialista, Acção Democrata-Social, é candidato a deputado nas listas da oposição em 1953, 1961, 1965, integra as listas de apoio à candidatura de Quintão Meireles, Norton de Matos, Humberto Delgado e deputado à Assembleia Constituinte pelo PPD, depois de Abril 1974.

Nuno Rodrigues dos Santos foi uma figura muito curiosa da vida política portuguesa. Nasceu em Luanda, faz os estudos secundários no Funchal e os universitários na Universidade em Coimbra e Lisboa, terminando a licenciatura de Direito em 1933.


Em 1935 foi iniciado na maçonaria, com o n.s. de “Danton”, na Loja ”Magalhães Lima” [loja do RF instalada em Lisboa em 1929], transitando depois, durante a clandestinidade, para a Loja “Liberdade” [do REAA e que se manteve em exercício até ao derrube do fascismo], tendo atingido o 30º grau do REAA. Colaborou na imprensa, principalmente no jornal “República”, “O Povo”, na revista Seara Nova, tendo sido um dos fundadores do jornal clandestino antifascista “Resistência”. Foi um distinto advogado, defensor de presos políticos no Tribunal Plenário, pertenceu à direcção da Ordem dos Advogados  

Depois do 25 de Abril, aderiu ao Partido Popular Democrático, pelo qual foi eleito deputado à Assembleia Constituinte nas eleições de 25 de Abril de 1975, e, depois, nas eleições subsequentes à Assembleia da República, até à sua morte. Membro do Conselho de Estado, presidiu a todos os congressos do PSD realizados entre 1976 e 1981 e foi presidente do partido até à sua morte.

J.M.M.