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terça-feira, 8 de março de 2016

GOMES LEAL – A CANALHA & UMA PALESTRA COM PORTUGAL

 
[GOMES LEAL – caricatura de Francisco Valença]
 
 
[in “A Canalha”]
 
 “Meu Portugal! Eu já cantei plangentes
Teus rouxinóis na balsa verdejante …
Cumprimentei teu sol, Pachá do Oriente,
Reclinado em sofá azul brilhante.
Já te cantei no bosque ao sol poente.
De manhã na trapeira de estudante.
Mas agora, ao luar do teu Outono,
Só pranteio teu mal, teu abandono! …”
[in “Pátria e Deus e A Morte do Mau Ladrão”]
J.M.M.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

EXPOSIÇÃO – MAÇONARIA E ILUSTRAÇÃO



EXPOSIÇÃO: "Maçonaria e Ilustração, de 24 de Outubro 2015 a 5 de Fevereiro de 2016

INAUGURAÇÃO: 24 de Outubro de 2015 (12,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Manuel Pinto dos Santos | Museu MaçónicoPortuguês

No dia 24 de Outubro de 2015, sábado, pelas 12 horas, o Museu Maçónico Português (Rua do Grémio Lusitano, Lisboa) inaugura uma exposição subordinada ao tema, “Maçonaria e Ilustração”, organizada pelo dr. Manuel Pinto dos Santos

A exposição decorrerá até o dia 5 de Fevereiro de 2016.

J.M.M.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CONDEIXA – HUMOR, MONARQUIA E REPUBLICANOS


EXPOSIÇÃO: Humor, Monarquia e Republicanos;
DIAS: 10 de Outubro a 29 de Novembro;
LOCAL: Galeria Manuel Filipe (Condeixa);
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal de Condeixa | Galeria Manuel Filipe | Villa Isaura (Troviscais).

CONFERÊNCIA

DIA: 10 de Outubro (18,00 horas);
ORADORES: Amadeu Carvalho Homem | Aires Barata Henriques;

“O final do século XIX e inicio de XX viu aparecer caricaturistas e humoristas que souberam interpretar na perfeição as incongruências da sociedade portuguesa. Rafael Bordalo Pinheiro, Francisco Valença, Leal da Câmara foram alguns desses geniais artistas.

Jornais como O , Sempre Fixe, A Paródia e o Século Cómico, foram os veículos utilizados para de forma mordaz e contundente pôr a nu acções de figuras políticas, situações de injustiça e acontecimentos políticos e sociais que muitas vezes tocavam o ridículo. A cerâmica foi também um dos géneros artísticos utilizados: aqui foi Bordalo Pinheiro o génio maior. A figura do “Zé Povinho” ultrapassou gerações, sendo ainda hoje do um ícone sociedade portuguesa.

Nesta Exposição é possível ver algumas dessas caricaturas, desenhos e peças de cerâmica de uma época que foi rica em acontecimentos político-sociais.

É nosso desejo que consigam sorrir com elas”

 J.M.M.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CARICATURAS PESSOAIS – FRANCISCO VALENÇA [NOTA BREVE]


CARICATURAS PESSOAIS, de F.[rancisco] Valença, Edição da Renascença Gráfica, Lisboa, 1931, p. 216
“Colecção de caricaturas publicadas no periódico Sempre Fixe, com amáveis legendas do próprio desenhador, que, partindo de uma inspiração de 1900 subsidiária de Rafael Bordalo Pinheiro (O Chinelo, Varões Assinalados, etc.), ganha o seu elã precisamente nesta época” [AQUI]

FOTO via FRENESI


[NOTA BREVE] SOBRE FRANCISCO VALENÇA:
Francisco Valença [1882-1963] foi um notável desenhador, ilustrador, figurinista e caricaturista. Feroz crítico dos “costumes” nacionais, “comentador” satírico e implacável, deixou uma obra copiosa, desde que se estreou no quinzenário humorístico “O Chinelo” (1900), passando pelo seu incontornável “Varões Assinalados”, espécie de reprise do “Álbum das Glórias” de mestre Bordallo Pinheiro.

Nasceu Francisco Valença, em Lisboa, a 2 de Dezembro de 1882. Frequentou [cf. Diário de Lisboa, 18 de Janeiro 1963; “Os Comics em Portugal”, Bedeteca, 1997; “Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, 1999] o Instituto Comercial e Industrial. Começa, como se referiu, n’O Chinelo [que funda com André Brun e o escritor Carlos Simões], apresentando depois um curioso álbum, “Salão Cómico” (1902), publicando [ibidem] trabalhos avulsos n’A Comédia Portuguesa (1902), “Brasil-Portugal” (1902-1909), “A Crónica” (1903-1904) e na revista infantil “O Gafanhoto” (1903-1904).  
A partir de 1904, com a colaboração em “O Século – Suplemento Humorístico” [sob a “orientação artística” do assumido ilustrador, monárquico, Jorge Colaço] Francisco Valença, com as suas “ilustrações de sátira político-social” que marcaram decisivamente o periódico, toma lugar de relevo entre os desenhadores, caricaturistas e o público. Espalha [ibidem], ainda, a sua genialidade artística n’A Tribuna (1904), “Tiro e Sport” (1905-1911), “Ilustração Portuguesa” (1906), “Novidades" (1907), “Arte Musical” (1907-1908), “O Raio” (1909 – curioso semanário ilustrado, sob direcção de Joaquim Guerreiro), “Alma Nacional” (1910), ou na “Límia” (1910).


Mas é entre 1909 e 1911 lança um conjunto de gravuras humorísticas - caricaturas sobre personalidades da época - que publica com o título de os “Varões Assinalados”. A técnica, a execução e o brilhantismo do traço, a ironia e a versatilidade humorística e satírica, conheceu enorme sucesso entre o público. Colabora [ibidem] no “Diário de Notícias Ilustrado" (1912), “O Zé” (1919), “O Comércio do Porto Ilustrado” (1919), “Diário de Lisboa” (1924).
   
Dirige [ibidem] o semanário “O Espectro” (nº espécime data de 18 de Maio1925), publica “Os Meus Domingos” [com André Brun], “A Semana do Chiado” [com Anibal Soares, monárquico], desenha (de 1920-1952) para o Museu Etnológico Português, publica no “Lírios” (1932), no “Miau” (1934), no “Diário dos Açores”.

Ao mesmo tempo colabora [ibidem] no “Le Rire” (Paris), “La Nación” (Madrid), “Boletin Fermé" (Barcelona) e outros periódicos brasileiro. Trabalhou para teatro, como na comédia de André Brun e Carlos Simões, “O Tabelião do Pote das Almas” e ilustra um vasto conjunto de livros, publicados por Armando Ferreira, Emília de Sousa e Costa, Henrique Marques Júnior, Julieta Ferrão. Encontra-se representado em vários museus, caso do Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu Soares dos Reis

Em 1927 (até 1959) colabora no “Sempre Fixe" mas a ditadura não lhe permite manter a sua crítica política social, pelo que retrata “unicamente os hábitos e costumes nacionais”. A Câmara Municipal de Lisboa faz-lhe uma homenagem, promovendo uma Exposição do Palácio de Galveias (Maio 1962) sobre os seus trabalhos.
Francisco Valença morre a 17 de Janeiro de 1963, na sua casa da Rua Latino Coelho (nº21, 4º andar), em Lisboa.

J.M.M.  

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O DR. AFONSO COSTA – “A PADEIRA DE ALJUBARROTA”


"A Padeira de Aljubarrota", de Silva e Souza, no jornal "O Pão", de 1910, onde o dr. Afonso Costa, qual "padeira de Aljubarrota", "empurra para o forno da padaria os políticos monárquicos".

NOTA BREVE: [João José da] SILVA E SOUSA nasceu na Figueira da Foz a 3 de Junho de 1876. Frequentou e concluiu os seus estudos na Escola Industrial e Comercial, partindo depois para Lisboa, frequentando a Escola de Belas Artes. Discípulo de Roque Gameiro, foi um notável caricaturista e ilustrador. Trabalhou na Fotogravura de Pires Marinho, colaborou no jornal “O Século Ilustrado”, participou como desenhador-ilustrador de romances e teve uma “intensa colaboração nos jornais humorísticos 'O Pão', 'O Xuão', 'O Zé', 'Os Ridículos” [cf.Os Postais da Primeira República”, de António Ventura; “Figueirenses de Ontem e de Hoje”, de Fausto Caniceiro da Costa].

Regressava sempre à sua cidade natal - Figueira da Foz -, onde se fixou definitivamente em 1922, “montando uma oficina que se encarregava de trabalhos comerciais, aguarelas a preto e a cores, retratos a ‘crayon’ , ampliações fotográficas e gravuras em todos os sistemas” [cf. Fausto Caniceiro da Costa, p. 312]. Teve trabalhos expostos no I Salão de Estética da Figueira, em 1940.

Findou os seus dias no Asilo Costa Ramos, onde morre a 14 de Abril de 1952     

J.M.M.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O SR. DANTAS ... (JÚLIO DANTAS) - POR JOAQUIM MADUREIRA (BRAZ BURITY)


… Lugubre e funereo, o sr. Dantas …

Joaquim Madureira (Braz Burity), in “Impressões de Theatro. Cartas a um Provinciano & Notas Sobre o Joelho”, 1º Série (1903-1904), Lisboa, Ferreira & Oliveira, L.da Editores (Rua do Ouro, 132-138), 1905, p. 228

J.M.M.

domingo, 6 de abril de 2014

JOÃO ABEL MANTA

 
 
 
JOÃO ABEL MANTA “nasceu em 1928, em Lisboa. É filho dos pintores Abel Manta e Maria Clementina Carneiro de Moura Manta. Formou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (1951), tendo-se dedicado como artista plástico, à pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustração, artes gráficas e cartoon. Na área da sua formação académica foi o responsável, com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra, pelo projecto dos blocos habitacionais da Avenida Infante Santo, referente de qualidade na arquitectura da cidade, com o qual ganhou o Prémio Municipal de Arquitectura (1957). Recebeu ainda o Prémio Nacional da Sociedade Nacional de Belas Artes (1949), o Prémio da Fundação Calouste Gunbenkian (1961) e a Medalha de Prata na Exposição Internacional de Artes Gráficas, em Leipsig (1965).
 
A sua pintura, numa primeira fase neofigurativa e eivada de ironia surrealista, tomou depois uma feição de carácter abstracto. Foi o autor das tapeçarias do Salão Nobre da sede da Fundação Calouste Gunbenkian. No cartoon, utilizando-o como forma privilegiada de retrato da sociedade, evidenciou-se de forma ímpar, sendo os anos de 1974 e 1975, dos mais fecundos da sua produção. Publicou o álbum Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar (1978), síntese de vincada e sofisticada ironia onde o lápis do artista traça um quadro negro, mas preciso, daquele período da nossa história.
 
No contexto da arte pública interveio nos pavimentos de mosaico para arruamentos na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e na Figueira da Foz. No campo da azulejaria concebeu em Lisboa os painéis: do restaurante do Hotel da Avenida Infante Santo (1952), da Escola Primária do Alto dos Moinhos (1955) e do revestimento do monumental mural da Avenida Calouste Gulbenkian, aplicado em 1982 (concebido em 1970). Foi ainda autor da série de painéis cerâmicos para o Teatro Gil Vicente, em Coimbra (1955), dos azulejos para os edifícios da Associação Académica de Coimbra (1959), bem como de uma composição geométrica para a Caixa Geral de Depósitos, em Mafra (1972)” [AQUI - sublinhados nossos]
“… Com um grafismo único, meticuloso, os seus cartoons (veja-se por exemplo Turistas, da série Reportagem Fotográfica, 1972) marcaram a época anterior ao 25 de Abril: "Nenhum pintor daqui e de agora resumiu com tantas subtilezas a temperatura social e política do fascismo agonizante". Nesse "inventário doméstico" cabe praticamente tudo: "estão em causa os desastres e os grotescos duma burguesia, a nossa, com os seus emblemas e heróis". João Abel "aponta à História, ao monumento e em particular à procissão provinciana da nossa burguesia intelectual"
 
A sua intervenção pública intensifica-se em 1974 e 1975, logo após a queda da ditadura, lançando-se "à batalha com redobrado ardor, multiplicando-se em caricaturas, posters e cartazes de orientação vincadamente revolucionária", e tornando-se no "artista máximo, talvez o único afinal, que a revolução de Abril suscitou". É o que vemos em desenhos como "Um problema difícil", de 1975, onde um grupo de notáveis – de Marx e Lenin a Gandhi e Sartre –, se interrogam perante um pequeno mapa de Portugal. João Abel Manta "ficará associado dum modo muito particular ao melhor e ao pior que em Portugal vivemos nesses dois anos"
 
A partir de 1976 "o artista alistado João Abel eclipsa-se: os ventos são outros, o MFA (Movimento das Forças Armadas) dissolveu-se", e só em 1978 "emerge do silêncio e lança ao público um […] novo álbum: Caricaturas dos Anos de Salazar", onde "narra uma história – a nossa história […] onde se encaixam, se alternam ou se encadeiam […] o ridículo e a tragédia da colonização e da guerra colonial, o miguelismo e o liberalismo […] a submissão popular e a sua revolta […] o folclore musical e o artesanato, o teatro, o cinema ou a pintura …" [AQUI - sublinhados nossos]
 
J.M.M.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

CARICATURA - MANUEL DE ARRIAGA E JOÃO CHAGAS



BILHETE-POSTAL com a caricatura representando o Presidente da República, Manuel de Arriaga, e João Chagas, Chefe de Governo entre Setembro e Novembro de 1911.

O Chefe do Governo surge capturando ratos que trazem um chapéu de cura, em alusão aos símbolos do anterior regime e à gorada incursão monárquica levada a cabo por Paiva Couceiro na fronteira norte de Portugal (em 4 de Outubro de 1911).

via Casa Comum, com a devida vénia

J.M.M.

terça-feira, 30 de julho de 2013

DR. AFONSO COSTA


UM DEVER: Affonsos Costas só se trazem ao collo” – caricatura de Afonso Costa por Silva e Sousa.

A Historia do Liberalismo Português, de 1820 em diante, está por fazer. A História da República, a da geração de Afonso Costa, tem sido malsinada, caluniada. Há que apresentar os homens e os factos tais como foram, limpando-os da jaca que os seus inimigos no poder sobre eles lançaram. É um acto de justiça o que Seia hoje rende ao maior dos seus filhos, àquele que mais fez pela pátria comum. Mas essa justiça tem de se estender a todo o país, a todos os homens da República, a quantos viram frustrada a sua vida de cidadãos só porque se recusaram a ser escravos

Prestar justiça a Afonso Costa, à geração de Afonso Costa, que procurou realizar um país de todos os portugueses, é sobretudo empenharmo-nos em refazer essa mesma República de todos os homens, buscando a igualdade e a fraternidade entre todos os homens, nenhum se sentindo com mais direitos do que os outros, nem com menos deveres. A República da igualdade de oportunidades, a República social, uma nação em via para o socialismo. Foi esse o ideal de Afonso Costa, seja também o ideal que nos anime a todos, na liberdade, na igualdade e na fraternidade.

Viva a República

Raul Rêgo, in Afonso Costa” (Discurso proferido em Seia na inauguração da estatua de Afonso Costa, em 8 de Novembro de 1981), Lisboa, 1988, p. 9 - sublinhados nossos.

J.M.M.

domingo, 7 de julho de 2013

STUART CARVALHAIS. O GÉNIO EM DISPERSÃO



O português sabe rir, gosta de rir e consegue fazer rir. Stuart Carvalhais - ou, simplesmente, Stuart - foi um dos mais notáveis artistas que transformou o riso numa arma satírica que ajudou a resistir a situações autoritárias e a atitudes vexatórias que, durante décadas, asfixiaram a política portuguesa e restringiram a liberdade dos cidadãos.

A intervenção de Stuart multiplicou-se, torrencialmente, nos salões artísticos e nos órgãos de comunicação social que lançaram entre nós o modernismo; colaborou em todas as publicações humorísticas e principais jornais de Lisboa e do Porto; fez capas de livros, de revistas e de discos; cartazes e maquetas para teatro e cinema; e, ainda, a decoração das primeiras edições, em Lisboa, da Feira Popular.

Acordou para a vida sob o signo das gargalhadas provocadas pelos desenhos de Bordalo. Habituou-se a conviver com o Zé Povinho. Era um símbolo, criado por Bordalo, que se insurgia contra as desgraças que atingiam Portugal e os portugueses. Foi um companheiro de luta pela causa republicana

Mas ao contrário de Manuel Gustavo, Francisco Valença e Manuel Monterroso, que se mantiveram fiéis à lição do mestre, Stuart libertou-se da linguagem de Bordalo. Pertenceu à geração de Christiano Cruz, Almada Negreiros,  Jorge Barradas, Emmerico Nunes, António Soares, Milly Possoz. Esta geração, ao tempo, conduzida por Christiano Cruz, que acompanhara a trajectória parisiense de Leal da Câmara no L'Assíette ao Beurre e embora não tenha partilhado o diálogo com as vanguardas europeias que motivou Amadeu de Souza-Cardoso, optou por outro grafismo e introduziu outro processo de abordagem das figuras e acontecimentos políticos e sociais. Proclamada a República, sucederam-se os pretextos para despertar o humor, estimular a ironia, atiçar a mordacidade. Os caricaturistas não precisavam de ser republicanos ou monárquicos para afirmar a sua irreverência.

Stuart criou um estilo pessoal. E intransmissível. Com ele, retratou o dia a dia. O traço instintivo, rápido e decidido de Stuart fixou-se em cartões reciclados de revistas e caixas de camisas, em guardanapos e utilizando bilhetes enrolados de eléctrico e paus de fósforos para desenhar - com tinta da china, lápis, carvão, graxa, vinho, borra de café - a gente simples que via na rua: bêbados, prostitutas, mendigos, crianças, varinas, costureiras. Sem esquecer as pernas das mulheres, desde que não fossem gordas e tivessem varizes, e os gatos vadios nas esquinas e nos telhados.

Os cenários repetiam-se, porque tudo se repetia: as pessoas, os animais, as situações, os lugares; à porta das casas e janelas dos bairros castiços; nos jardins, nas tabernas e nos cafés e livrarias do Chiado. Quase sempre nos desenhos há pormenores inconfundíveis: o olhar das personagens (incluindo ele próprio) representado por dois pontinhos, ora negros e cheios de vida, ora muito arregalados, ora, ainda, semicerrados mas repletos de bonomia.

Stuart deixou uma obra de incalculável extensão. Quase todos os humoristas portugueses, a partir da segunda metade dos anos 20, com a afirmação pública, nos painéis da Brasileira do Chiado e nas decorações do Bristol Club, começaram a enveredar por outros caminhos: na pintura, na cerâmica, no fresco, no vitral, na estatuária monumental. Vão ficar associados à integração das artes, nas obras públicas: nos palácios e outros edifícios, nas grandes exposições nacionais e internacionais; e na renovação da arte religiosa. Stuart - tal como Leal da Câmara e Bernardo Marques - permanece na caricatura, no cartoon e na ilustração. Disto fez, orgulhosamente, um modo de vida e de afirmação criativa.

Enfrentando os condicionalismos resultantes do exercício diário da censura instaurada, a partir de 1926, pela ditadura militar e, a seguir, pelo regime salazarista, Stuart, na dispersão prodigiosa do seu talento, conseguiu, com relâmpagos de génio, transmitir através dos episódios triviais do quotidiano a comédia e tragédia de Lisboa. Que era, também, a comédia e tragédia do país.

ANTÓNIO VALDEMAR [jornalista, sócio efectivo da Academia das Ciências e Presidente da Academia Nacional de Belas-Artes] – “STUART CARVALHAIS. O génio em dispersão”, in Revista do EXPRESSO (100 Anos 100 Portugueses), 6 de Julho de 2013, p. 23 - sublinhados nossos.

J.M.M.

quinta-feira, 14 de março de 2013

DR. AFONSO COSTA

 
 






sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CORRIDA DE JORNAIS


CORRIDA DE JORNAIS: desenho de Silva e Souza, inO Zé”.

Com Machado Santos [Intransigente], Cruz Moreira [Os Ridículos], António José de Almeida [República], Brito Camacho [A Luta] e Afonso Costa [O Mundo].


J.M.M.  

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

GOMES LEAL


Eu sou o João Ninguém, o João sem terra, o ardente
senhor da espada recta e da pluma encarnada
que a esta luz que cai chorosa do Ocidente
detesto os reis e beijo  as crianças da estrada” [Gomes Leal, in “Verdades Cruas”]

in semanário Sempre Fixe, XXIII Ano, nº 1151, 10 de Junho de 1948 [desenho de Francisco Valença]

J.M.M.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O DÉFICE FINANCEIRO EM 1879


Na imagem, uma caricatura acutilante do sempre critico, mas atento artista Rafael Bordalo Pinheiro, a propósito da situação que se vivia em Portugal há 133 anos atrás. A caricatura foi publicada na revista O António Maria, de 12 de Junho de 1879.

Em 1879, o défice era grande, a dívida externa também e os partidos políticos existentes, o Partido Regenerador, liderado por Fontes Pereira de Melo era considerado o grande responsável pela situação. O Partido Progressista, fundado em 1876, no célebre Pacto da Granja, era então liderado por Anselmo José Braamcamp.

A situação que começara a agravar-se em Portugal desde 1876, tornou-se ainda mais sensível com a eclosão do escândalo financeiro dos finais de Maio de 1879, envolvendo o Banco Nacional Ultramarino, que atingiu a personalidade de António de Serpa Pimentel, ligado ao Partido Regenerador.

O rei da época, D. Luís, que chamou o Partido Progressista a formar governo em 1 de Junho de 1879, substituindo o Partido Regenerador de Fontes Pereira de Melo.

Quantas semelhanças seria possível estabelecer com dias que vamos vivendo atualmente? Mudam-se as personagens, o contexto da época, mas alguns problemas mantêm-se muito semelhantes.

A.A.B.M.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL


"Em 1640, uns bravos que não olhavam para os homens do país vizinho, positivamente como nós olhamos para as mulheres, tiveram a ideia de os despedir da sua longa visita de sessenta anos e, um dia, ao jantar, atiraram-lhes com os pratos à cara, voltaram a mesa de banquete e arremessaram-nos pelas portas e janelas.

Este facto, que pode parecer, à primeira vista, de uma indelicadeza espantosa, tem todas as cores de uma bela acção, quando se pense que os portugueses entravam no banquete para servir à mesa, de onde os haviam tirado à força.

Ora a luta pela vida é uma verdade incontestável e fatal; demais os hóspedes comiam como uns desalmados e os pobres criados limitavam-se a escorropichar os copos ou a engolir sorrateiramente alguma batata frita, no caminho da cozinha para a casa de jantar.

Isto era triste, e como a paciência tem limites, um belo dia levantaram-lhes a manjedoura, como se costuma dizer, furaram uns, esfolaram outros, e esta coisa foi chamada a Restauração de Portugal


in A comedia portugueza: chronica semanal de costumes, casos, política, artes e letras, 1 de Dezembro de 1888 [digitalizado via Hemeroteca Municipal de Lisboa]

J.M.M.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

MINISTRO DA FAZENDA


"Marquez de Sá prometteu a Bébé que Bébé havia de ter futuro. Bébé então quer ter"

"O último discurso do sr. ministro da fazenda”, in O António Maria, 10.02.1881, p. 48 [via BNP - Materiais para a História Eleitoral e Parlamentar Portuguesa 1820-1926]

J.M.M.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PARLAMENTO E PASTELARIA



"Tendo o governo e a oposição resolvido de comum acordo que voltem este ano à Câmara os mesmos deputados do ano passado, nós propomos, visto serem os mesmos, que pelo menos, como se faz nos pastéis da véspera, os polvilhem com canela"

Parlamento e Pastelaria, in A Paródia, 23.06.1904, p. 4-5 [via BNP - Materiais para a História Eleitoral e Parlamentar Portuguesa 1820-1926]

J.M.M.

sábado, 28 de maio de 2011

A BOMBA - JORNAL HUMORÍSTICO DO PORTO



A Hemeroteca Digital disponibilizou online o jornal humorístico "A BOMBA". Esta curiosa peça bibliográfica "estourou" nos tempos idos de 1912 na cidade do Porto, justamente na Rua da Alegria. "Apesar de efémera trata-se duma publicação importante, quer pelo posicionamento político que adopta, de crítica do status quo, quer pela qualidade gráfica dos desenhos e caricaturas que deu à estampa, numa diversidade de traços e temas que marcam sem dúvida a imprensa humorística desta época"

- ler a ficha bibliográfica (por Álvaro Costa de Matos) - AQUI;
- jornal A BOMBA (nos seus 10 numrs) - digitalizado AQUI.

A BOMBA. Jornal humorístico - [Ano I, nº1 (20 de Abril 1912) ao nº 10 (22 de Junho 1912)], Porto; Editor: Carlos Gonçalves; Direcção Literária: Álvaro Pinto; Direcção Artística; Cristiano de Carvalho; Redactor: Laurindo Mendes; Colaboração gráfica: Almada Negreiros, Cristiano Cruz, Gil, Larçam [pseud. António Marçal]; M. Pacheco, Manuel Monterroso; Colaboração literária: Algodão Pólvora, Álvaro de Alte [Álvaro Pinto?], Ambrósio, Clorato, Doutor Estouro, Jerónimo, Girândola, Melinite, Nitro, Picrato – todos pseud. - e, ainda, Álvaro Pinto, J. Costa Carregal, Silva Cunha; Administração: Rua da Alegria, 218, Porto; Tipografia: Travessa Passos Manuel, 27; publica-se aos sábados.

FOTOS: reprodução da capa do nº 1 e nº 9 d’A Bomba.

J.M.M.

terça-feira, 3 de maio de 2011

SORVETE - SEMANÁRIO PORTUENSE DE CARICATURAS


SORVETE. Semanário portuense de caricaturas - [I Série, Ano I, nº1 (9 de Junho 1878) ao Ano X, nº 463 (5 de Junho 1887); II Série, Ano XI, nº 1 (1 de Janeiro 1888)] ao nº 48 (23 de Dezembro de 1888); III Série, Ano XII, nº1 (19 de Janeiro de 1898) ao nº 168 (16 de Dezembro de 1900)], Porto; Administrador: José Vasques; Ilustrações: Sebastião Sanhudo; Colaboradores: António Cruz (Brás de Paiva), Eduardo Lobo (Beldemónio), João Diniz, Júlio Serra, Júlio Vasco, Marcos Guedes, Mendes de Araújo (Vicente Galhardo), [António da Costa Couto] Sá de Albergaria; Administração e Redacção, Rua do Laranjal, 116, Porto.

FOTO: reprodução da capa do nº 148 do SORVETE, de 13 de Março de 1881 [clicar na foto]

NOTA: O SORVETE, ou “O Sorvetedo Sanhudo ou o Sanhudo d'O Sorvete [ler AQUI] foi “o jornal humorístico de maior longevidade no século XIX”. Editado por Sebastião de Sousa Sanhudo [20 de Fevereiro de 1851-17 de Agosto de 1901], ou Sebastião Sanhudo, foi, sem dúvida, a “melhor realização artística deste cartoonista do Norte” [cf. Os Comics em Portugal, de António Dias de Deus, Bedeteca, p.53], natural de Ponte de Lima. Sebastião Sanhudo frequentou a Academia Portuense de Belas Artes [1873 – ver AQUI uma biografia de S. Sanhudo], estabelecendo oficina própria de litografia, fundando a “Litografia Portuguesa”, depois conhecida por “Litografia do Sanhudo” [ibid]. Excelente retratista, litógrafo apurado, participa nas ilustrações para o semanário humorístico Pae Paulino [“nome de um dos bravos do Mindelo” – AQUI], um curioso “periódico de bons costumes” [nº1, 30 de Julho de 1877] e depois cria o Sorvete, “periódico [que] era a verdadeira crónica alegre da vida portuense daquela época”. Publicou também o “Album de caricaturas dos Homens mais celebres do porto e arredores" [1878], uma “Galeria do Sorvete” [1879], Almanack do "Sorvete" [Porto, 1883, com curiosa caricatura de Camilo e de outras “celebridades portuenses”], “O Cosmorama, Almanach do Sorvete” [Porto, 1901 ?]. Colaborou, ainda, em “O Brinde”, “O Andaluz”, “Charitas”, “Lágrimas e Cpnforto”, “Portugal Artístico”, “O Monóculo” [Os Comics em Portugal, ibidem] ou “A Corja”.

J.M.M.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A ECONOMIA POLÍTICA - "UMA THESE TÊSA"



- A Economia política, meus senhores, é a ciência de reduzir os reis à expressão mais simples ... [caricatura de Afonso Costa, por ?]

in A Sátira, nº3

J.M.M.