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sexta-feira, 17 de maio de 2019

[“LIBERALISMOS”] REVISTA DE HISTÓRIA DAS IDEIAS, Nº 37



Coord: Professores Doutores Luís Reis Torgal e Ana Cristina Araújo

LANÇAMENTO DO VOLUME 37:

DIA: 29 de Maio de 2019 (15,00 horas);
LOCAL: Faculdade de Letras da Un. de Coimbra (Anfiteatro III, 4º piso);
ORADOR: Professor Doutor Jorge Alves;


► "Este volume da Revista de História das Ideias integra contribuições sobre aspetos fundamentais da cultura política em Espanha e Portugal no século XIX, que permitem rever e ampliar a compreensão histórica do Liberalismo nos dois países ibéricos. Inscrito em reflexões de autores oitocentistas e objeto de revisão da historiografia crítica atual, o liberalismo, permeável a diversas incorporações doutrinais e expressões partidárias e políticas, foi sendo lido e interpretado de maneira diferente. Com argumentos e razões nem sempre idênticos, os historiadores associaram, todavia, o despertar da liberdade política e de pensamento à ideia de Revolução.

Em Portugal, os revolucionários que proclamaram a Revolução de 1820 afirmaram-se liberais e seguidores da herança constitucional de Cádis (1812), mas também da tradição legislativa «liberal» portuguesa. Uma tal afirmação não invalida o reconhecimento de que, para eles, liberalismo económico e liberalismo político não eram duas faces da mesma moeda. Na visão do presente e do passado, as duas correntes de ideias nem sempre se irmanaram no horizonte de expectativa das elites dirigentes. Por outro lado, o alinhamento ibérico atlantista do liberalismo vintista e o descompasso do processo político, posterior a 1823, entre Portugal e Espanha, convergiram em termos de resultados. Do ponto de vista político e institucional os avanços do liberalismo na Península Ibérica foram travados ao longo das primeiras três décadas do século XIX por uma forte reação conservadora. Nos dois países, as clivagens no campo liberal e a forte oposição absolutista e ultramontana deixaram marcas profundas no espaço público. Depois do final da década de trinta do século XIX, as mais importantes instituições e reformas lançadas por governos liberais parece terem sobrevivido à guerra civil e a lutas intestinas entre fações e correntes políticas.

Neste volume da Revista de História das Ideias, o enfoque dado aos liberalismos abarca, para além dos aspetos institucionais, o pensamento político, os usos da linguagem e da ideologia e o estudo comparado dos sistemas políticos. Contempla o campo das ideias e a história do pensamento político e do constitucionalismo. Integra as fações e os partidos a favor e contra os sistemas de governo, de base parlamentar e de cunho monárquico-constitucional, na própria trajetória histórica de liberalismo. Em suma, privilegia o campo das ideias, a análise comparada, os estudos sobre sistemas e práticas eleitorais, formas de sociabilidade e esfera pública, movimentos de opinião, estratégias discursivas e estilos parlamentares.

Sem diminuir o esforço dos ideólogos para forjar uma genealogia histórica do liberalismo, cumpre assinalar a emergência do termo liberal no vocabulário político dos atores sociais das primeiras revoluções ibero-americanas. Numa época de intensa internacionalização de ideias e de aspirações políticas comuns, espanhóis, latino-americanos e portugueses utilizaram, com diversos matizes, o termo «liberal» como bandeira política nos dois lados do Atlântico. No campo lexicográfico, o novo conceito e todas as expressões da linguagem usadas para exprimir anseios e conquistas doutrinais semelhantes ou derivações práticas da mesma matriz teórica e política vulgarizaram-se na Europa meridional e nos espaços francófono e anglófono do Atlântico norte. A esta escala pode talvez encarar-se o liberalismo como um «macroconceito» (Javier  Fernández   Sebastián) difuso e polémico, utilizado por seguidores e adversários, disputado  e reconstruído continuamente por sucessivas gerações.

Com o passar do  tempo  não  se  esbateu,  contudo,  a  ideia  de  associar  o   liberalismo ao constitucionalismo moderno e à implantação de regimes políticos  representativos. Esta evidência norteou também a organização deste volume da Revista de História das Ideias, concebido, especialmente, para assinalar a comemoração do bicentenário da primeira Revolução Liberal Portuguesa de 1820” [AQUI]

REVISTA DE HISTÓRIA DAS IDEIAS Nº37 AQUI DIGITALIZADA

A não perder.

J.M.M.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

COLÓQUIO: 1817 REVOLTA E REVOLUÇÃO NO REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES NA FLUC

Na próxima sexta-feira, 20 de Outubro de 2017, na Sala Silva Dias, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, realiza-se o colóquio subordinado ao tema: 1817 - Revolta e Revolução no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

PROGRAMA
9h 45m  | Sessão de Abertura

10h Como fazer uma revolução: a historiografia e o movimento de 1817 em Pernambuco . Guilherme Pereira das Neves  (UFF/Brasil) 
10h 30m Indisponibilidade e fratura no centro político: proteção britânica, retorno dos membros da Legião Portuguesa e dissidências ideológicas . Ana Cristina Araújo (FLUC/CHSC)

11h 15m  | Pausa

11h 30m Felizmente houve luar? A conspiração de 1817 ou de Gomes Freire de Andrade e as  suas interpretações no liberalismo . Isabel Nobre Vargues (FLUC/CEIS20) 
12h Memória e História:“de traidores a mártires da Pátria”, em perspetiva crítica . Miriam Halpern Pereira (CIES/ISCTE-IUL)

Debate 
Moderador Luís Reis Torgal (FLUC/CEIS20) 
12h 45m | Encerramento

Coordenação Científica: Luís Reis Torgal (FLUC/CEIS20)

Uma excelente oportunidade para quem está em Coimbra e arredores para aprender/conhecer/reflectir e debater algumas ideias que os ilustres historiadores irão apresentar.

Uma iniciativa que se divulga, desejando o maior sucesso aos organizadores e participantes.

A.A.B.M.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

CONGRESSO ANUAL ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA


Nos próximos dias 28, 29 e 30 de Outubro de 2016, realiza-se em Coimbra, na Faculdade de Letras, o Congresso Anual da Associação de Professores de História, este ano subordinado ao tema Questões transnacionais: migrações, segurança e ambiente.

Este congresso foi acreditado pelo CCPFC (0,6 unidades de crédito).

O programa do congresso é o que abaixo se apresenta:

Dia 28, SEXTA-FEIRA 
13.30-14.00: Receção aos participantes 
14.00-14.30: MESA DE ABERTURA: Catarina Marcelino – Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade; Alto-comissário para as Migrações – Pedro Calado.
14.30-15.00: COMUNICAÇÃO DE ABERTURA: Integração regional, soberania e segurança económica: o caso português João Paulo Avelãs Nunes (UC) 

PAINEL MIGRAÇÕES E MIGRANTES: 
15.00-15.30: Emigração – Emergência e historiografia do conceito Jorge Alves (UP) 
15.30-16.00: Os que “Saem” e os que “Entram” em Portugal. Interação no Âmbito das Relações Transnacionais Maria Beatriz Rocha-Trindade (UAb) 
16.00-16.15: DEBATE 
16.15-16.30: INTERVALO 
16.30-17.00: Migrações e exílios portugueses na América Latina Heloísa Paulo (UC) 
17.00-17.30: Retornados? O êxodo dos refugiados brancos da África Portuguesa (1974- 1975) Fernando Tavares Pimenta (UC / UNL) 
17:30-18:00: Expressões Culturais do "Regresso Sentimental" Lélia Pereira Nunes (U. Federal de Sta. Catarina) 
18.00-18.30: Imigrantes, religiões e identidades no Brasil Ivo Pereira da Silva (U. F. do Pará) 
18:30-18:45: DEBATE E ENCERRAMENTO DA SESSÃO 

Dia 29, SÁBADO 
PAINEL MIGRAÇÕES E MIGRANTES (cont.): 
10.00-10.30: Os refugiados da Guerra Civil Espanhola em Portugal Luis Horrillo (AEPHG) 
10.30-11.00: Refugiados em Portugal durante a II Guerra Mundial Irene Pimentel (UN) 
11.00-11.15: DEBATE 
11.15-11.30: INTERVALO 
11.30-12.00: Migrações e diversidades culturais Ana Paula Beja Horta (UAb) 
12.00-12.30: Cartografia das Migrações Contemporâneas - Uma Abordagem Cronotópica Fátima Velez de Castro (UC) 
12.30-12.45: DEBATE 
12.45-14.00: ALMOÇO 

PAINEL SEGURANÇA: 
14.00-14.30: Espaço pós-soviético: política externa e segurança da UE Licínia Simão (UC) 
14.30-15.00: “(In)segurança, migrações e conflitos violentos: das responsabilidades às respostas dos atores internacionais Daniela Nascimento (UC) 
15.00-15.30: Partidos portugueses ante a perspetiva de uma política externa de segurança da EU Dina Sebastião (UC) 
15.30-16.00: Globalização e Estado-Providência: a crise de um compromisso histórico com o capitalismo António Rafael Amaro (UC) 
16.00-16.30: Questões transnacionais – uma experiência de ensino e aprendizagem no 12º ano Mariana Lagarto (Escola Sec. da Amora) 
16.30-16.45: DEBATE 
16.45-17.00: INTERVALO 

PAINEL AMBIENTE: 
17.00-17.30: Da crise ambiental aos desafios da cooperação compulsiva no sistema internacional Viriato Soromenho Marques – (UL) 
17.30-18.00: COMUNICAÇÃO DE ENCERRAMENTO: Ética e educação em sociedades multiculturais João Maria André (UC) 
18.00-18.15: DEBATE 
18.15-18.30: ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS 
20:30: jantar convívio 

Dia 30, DOMINGO 
10.00-13.00: Visitas de Estudo: A. Conimbriga; B. Mosteiro de Santa Clara a Velha; C. Museu Machado de Castro.

Um interessante conjunto de temas a debater neste congresso anual da Associação de Professores de História, desta vez realizado na região centro.

A acompanhar com todo o interesse.

A. A. B. M.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

EUROPA, ATLÂNTICO, MUNDO. MOBILIDADES, CRISES, DINÂMICAS CULTURAIS: COLÓQUIO EM HOMENAGEM À PROF. MANUELA TAVARES RIBEIRO


Amanhã e depois, 17 e 18 de fevereiro de 2016, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, realiza-se o colóquio Europa, Atlântico, Mundo. Mobilidades, Crises, Dinâmicas Culturais. Pensar com Maria Manuela Tavares Ribeiro.

Uma homenagem a uma docente que marcou várias gerações de professores, historiadores e investigadores de assuntos europeus, onde desenvolveu um importante trabalho de investigação, contribuindo com a sua reflexão e as suas análises para a aprofundar o conceito de História das Ideias e da Cultura em Portugal. Como antigo aluno, faço-lhe também a minha homenagem, visto que não consigo estar presente.

Ao longo de dois dias, vários investigadores vão apresentar as suas reflexões sobre os diversos temas onde a Professora Maria Manuela Tavares Ribeiro foi apresentando alguns contributos.

Abaixo apresenta-se o programa detalhado do colóquio:

Uma oportunidade para se aprender e para conhecer mais sobre a Cultura Portuguesa, a História das Mentalidades e da Europa.

A ligação para o cartaz do colóquio poder encontrada AQUI.

Para acompanhar com toda a atenção e divulgar.

[NOTA: Clicar nas imagens para aumentar]

A.A.B.M.

terça-feira, 9 de junho de 2015

JUBILAÇÃO DO PROFESSOR DOUTOR FERNANDO CATROGA

No passado dia 25 de Maio de 2015, o Professor Doutor Fernando Catroga apresentou a sua última aula. Rodeado de familiares, colegas, antigos alunos, amigos e funcionários da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra debateu-se ao longo de todo o dia o contributo que deixou no domínio da História da Cultura e das Ideias, com contributos de várias personalidades.

No final do dia e com o Teatro Paulo Quintela da Faculdade de Letras quase completamente cheio, foi a oportunidade para se ouvir a sua última aula. Acompanhado na mesa pelo reitor da Universidade de Coimbra Professor João Gabriel Silva, pelo Director da Faculdade de Letras, Professor José Pedro de Matos Paiva, pela Professora Irene Montezuma Vaquinhas e pela Professora Manuela Tavares Ribeiro, o homenageado discorreu sobre os temas e áreas que lhe são próximos. 

Deixamos aqui um excerto relativamente pequeno da sua intervenção, quase na parte final, para todos os  que o desejarem poderem acompanhar as suas ideias, a reflexão e a análise que faz de alguns assuntos.
No final, o aplauso da assistência, em pé, saudando o Professor e prestando-lhe uma singela homenagem pelo seu contributo ao longo de várias décadas ao serviço do saber, da memória, da res publica que ele sempre estudou e deu a conhecer aos seus alunos.

Com os nossos cumprimentos e votos de muitos e valiosos contributos para a causa da Historiografia Portuguesa.

A.A.B.M.

domingo, 24 de maio de 2015

JUBILAÇÃO DO PROFESSOR DOUTOR FERNANDO CATROGA


Cerimónia de Jubilação do Professor Doutor Fernando Catroga

DATA: 25 de Maio 2015 (a começar a partir das 9,30 horas | Lição: 17,30 horas);
LOCAL: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra [Anfiteatro II];
ORGANIZAÇÃO: F.L.U.C. | H.E.E.A.A. | C.H.S.C.


9,30 Horas: Sessão de Abertura;

10h/11 Horas: Mesa Redonda

 - INTERVENIENTES: Francisco de Azevedo Mendes (“A condição da subjetividade na teoria da história de Fernando Catroga: historicidades intempestivas”) | Paulo Archer (“História, anamnésis e filosofia. Uma via para a sagesse”) | Joana Bernardes Duarte (“Na orla do mundo, a peregrina sede: phantasia e narrativa historiográfica” | Rui Cunha Martins (moderador);

11,30h/12 Horas: Mesa Redonda

 - INTERVENIENTES: Maria Lúcia de Brito Moura (“Igreja suspeita no estado vigilante” - um projeto de laicização à portuguesa”) | Maria de Fátima Cunha Moura Ferreira (“Ideários e ação política: a pretexto da 3ª via”) | Ana Cristina Araújo (moderador);

12h/12,30 Horas: Conferência

 - ORADOR: Luís Reis Torgal (“História, memória e ideologia. O caso dos Divodignos e das lutas liberais”) | João Gouveia Monteiro (moderador);

ALMOÇO

14,30h/16 Horas: Conferências

 - ORADOR: António Sampaio da Nóvoa (“O compromisso do historiador”) | Guilherme d’Oliveira Martins (“Democracia, identidade aberta e complexa”) | Norberto Ferreira da Cunha (“A problemática histórica da ‘ordem pública’ na I República” | João Maria André (moderador);

16,30h/17,30 Horas: Conferências

 - ORADOR: Pedro Tavares de Almeida (“Política, Estado e Território no Portugal Contemporâneo: Revisitando a obra de Fernando Catroga”) | Anselmo Borges (“Morte, Secularização, Tempo”) | João Maria André (moderador);

17,30 Horas: LIÇÃO de Fernando Catroga

19 Horas: Sessão de Encerramento

 
Amanhã assinala-se a jubilação do Professor Doutor Fernando Catroga [nasce em 1945], Mestre e amigo fraterno, o que muito nos honra.

O doutor Fernando Catroga ministrou “a história da palavra”, com total merecimento. O seu trabalho e a sua linguagem elevada, de todo incontornável, formou toda uma dilatada geração de historiadores e de cidadãos animados pelo estudo da história das ideias e da res pública.

O copioso trabalho que nos ofertou sobre o republicanismo, a história da República, o Positivismo, o Laicismo, a História das Ciências e das Ideias, torna-o credor de todos nós. A sua reconhecida inteligência, o seu vivo entusiasmo pela argumentação e o debate, a sua enorme generosidade, como professor e amigo, consagra-o como um dos mais elevados espíritos deste Portugal de Abril e um dos seus mais respeitados professores.

Amanhã assinala-se a jubilação do Doutor Fernando Catroga: a sua última Lição terá á sua volta antigos alunos, docentes universitários, camaradas, companheiros e amigos. Todos e cada um jamais poderão olvidar a honra de ouvir o Mestre, na sua derradeira Lição. Lá estaremos!

J.M.M.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

JORNADAS MODERNISTAS – CENTENÁRIO DA PUBLICAÇÃO DA REVISTA ORPHEU


JORNADAS MODERNISTAS: Centenário da publicação da revista Orpheu

DIA: 19 de Maio 2015 (14,00 – 19 horas);

ORADORES: Carlos Reis | António Apolinário Lourenço | Osvaldo Silvestre | Manuel Portela | Diego Giménez | José Vieira | Rita Catania Marrone | Ana Paula Arnaut | José Augusto Cardoso Bernardes | Eduardo Lourenço;


ORGANIZAÇÃO: FLUC, Centro de Literatura Portuguesa e FCT.
 
PROGRAMA AQUI

J.M.M.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

DEMÓNIOS APERFEIÇOADOS. ANTIFEMINISMO E HUMOR NA IMPRENSA PORTUGUESA [1885-1914]


CONFERÊNCIA: "Demónios Aperfeiçoados. Antifeminismo e Humor na Imprensa Portuguesa [1885-1914]

ORADORA: Prof.ª Gabriela Marques;

DIA: 19 de Maio 2014 (14,30 horas);
LOCAL: F.L.U.C. (Sala Gama Barros), Coimbra;

ORGANIZAÇÃO: C.H.S.C. & D.HEEAA

J.M.M.

quinta-feira, 6 de março de 2014

COLÓQUIO INTERNACIONAL: OPOSIÇÕES E EXÍLIOS

Durante a próxima semana, nos dias 12, 13 e 14 de Março de 2014, vai realizar-se na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra o Colóquio Internacional Oposições e Exílios.

Numa organização do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, 

Pode ler-se na nota de divulgação do colóquio:
O século XX foi marcado por grandes êxodos humanos, frutos de perseguições religiosas e políticas. A ascensão dos regimes de cariz autoritário e dos fascismos levaram ao exílio levas de opositores que procuravam fugir da morte pela execução sumária ou pelo confinamento nos campos de concentração. Portugal conhece um dos mais longos regimes de força no poder, o governo de Salazar. Continuidade de uma ditadura militar, o Estado Novo impôs aos seus opositores um longo degredo que para uma grande maioria durou toda uma vida. Estes exilados e emigrados políticos buscaram refúgio nas mais diferentes partes do mundo, quer nos antigos núcleos de emigração portuguesa ou em países onde o Estado democrático favorecia o seu acolhimento. No exílio, a luta contra o regime tomou forma em associações, jornais, manifestos e eventos, partes de uma história ainda por construir. Em 1974, com a Revolução dos Cravos, retornam os exilados e a democracia inverte a caracterização de Portugal com relação aos exílios. Centenas de opositores das ditaduras latino-americanas fazem do território português o destino de uma nova diáspora de exilados democratas. O objetivo do presente Colóquio é debater e conhecer a investigação realizada acerca destas diásporas políticas, não só através dos estudos acerca das organizações de exilados no exterior e as suas formas de luta, mas também do relacionamento que estabelecem com as comunidades locais, os governos e sociedades dos países de acolhimento. 


 Chamaram-nos a atenção as seguintes comunicações, entre as muitas que vão ser apresentadas:

- Luís Bigotte Chorão (CEIS20),  O Exílio na sua relação com o Direito, a problemática do asilo
- Heloisa Paulo (CEIS20),  História de Exílios e exilados: problemas metodológicos
- Susana Martins (IHC/UNL),  Uma cartografia do exílio português nos inícios da década de sessenta
Adelino Cunha (Universidade Europeia),  Os Comunistas Portugueses no Exílio entre 1960 e 1974 – Conceito de exílio funcional
- Sérgio Neto (Universidade de Coimbra),  Um Exílio Literário. O Caso de Carlos Selvagem
- João Paulo Avelãs Nunes (Universidade de Coimbra/CEIS20), Portugal, o Estado Novo e os emigrantes/refugiados judeus nos anos trinta e quarenta.

Adrião Cunha (Universidade do Porto), Humberto Delgado e seu exílio no Brasil
Débora Dias (Universidade de Coimbra), Joaquim de Carvalho e a missão portuguesa no Brasil
- Cristina Clímaco (Universidade Paris 8),  Oposição e exílio: redes e conexões antifascistas
nos anos 30.
- Marie Christine Volovitch-Tavares (Centre d’études et de recherches sur les migrations Ibériques - CERMI), Exilés portugais et liens avec la société française, à travers la presse portugaise d’opposition à la dictature publiée en France de 1963 à 1974
- Luis Farinha (Universidade Nova de Lisboa), O Exílio no Novo Mundo. José Rodrigues Miguéis, o “Companheiro Pombo”
- Alberto Pena-Rodríguez (Universidade de Vigo), Um Ex ministro contra Salazar: o exilio de João Camoesas nos Estados Unidos (1929-1951)

Filipa Alexandra Carvalho Sousa Lopes (Universidade do Porto), A voz da oposição exilada no Seminário de Nova Deli (1961).
- Fernando Tavares Pimenta (CESNOVA/CEIS20), A Frente de Unidade Angolana no Exílio em França e na Argélia (1962-1963)
- Julião Soares de Sousa (CEIS20), “Os movimentos de libertação da Guiné no exílio de Dakar e de Conakry. Problemas e rivalidades em tempos de anticolonialismo”
Mariana Lagarto dos Santos (CEIS20),  Fernando Vale – Percursos de um exílio interno
- Ángel Rodríguez Gallardo (Universidade de Vigo),  Exiliados y refugiados gallegos en Portugal desde la guerra civil española.

A informação detalhada sobre este colóquio pode ser encontrada AQUI.

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa.

A.A.B.M.

terça-feira, 4 de março de 2014

REVISTA DE HISTÓRIA DA SOCIEDADE E DA CULTURA, Nº 13

No próximo dia 6 de Março de 2014, quinta-feira, vai ser apresentado o novo número da Revista de História da Sociedade e da Cultura, referente a 2013, publicada pelo Centro de História da Sociedade e da Cultura, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

A coordenadora deste volume foi a Professora Leontina Ventura que reuniu os trabalhos que a seguir se discriminam no sumário do presente número:


A apresentação vai estar a cargo da Professora Maria de Fátima Nunes, da Universidade de Évora, que terá lugar na Sala de S. Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, pelas 14.30 horas.

Uma sessão a acompanhar, com um conjunto de artigos que podem interessar aos nossos ledores.

A.A.B.M.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

I COLÓQUIO REPÚBLICA E REPUBLICANISMO (Parte II)


No sábado, dia 5 de Outubro de 2013, a sessão iniciou-se com a intervenção do Professor Norberto Cunha, analisando alguns aspectos da personalidade controversa e com um percurso sinuoso, que João Chagas, em 1914, considerava "Simplesmente vergonhoso". Apresenta-nos as ideias mais estruturantes do pensamento de Brito Camacho e os autores e temas que mais o marcaram no seu percurso pessoal e político. A influência que sobre ele exerceram os autores ligados ao positivismo, que eram analisados na Escola Médica de Lisboa, o papel de pensadores como Spencer, Darwin e outros que lhe permitiram fazer alguma evolução do seu pensamento. O perturbante, mas inevitável tema da eugenia social e os efeitos que teve em todo um conjunto de políticos do início do século XX. A questão do determinismo e o problema da questão social foram temas analisados com algum detalhe durante a intervenção, bem como a acção política e as posições que foi assumindo ao longo do tempo. Nesse aspecto, a interpretação do Professor Norberto Cunha aponta no sentido de uma evolução em função do contexto que se ia alterando. Assim, Manuel de Brito Camacho foi, em alguns aspectos, um político coerente, mas há necessidade de conhecer melhor as suas ideias e a evolução das mesmas.

De seguida, o Professor Maurizio Ridolfi apresentou uma reflexão acerca dos modelos e culturas republicanas no Sul da Europa, analisando em alguns pontos aquilo que existe em comum entre a Itália, a França, a Espanha e Portugal. Referiu que os estudos sobre a República são plenos de actualidade e, em Portugal, suscitou a discussão e a reactualização dos estudos sobre a República na contradição entre democracia e autoritarismo. Referiu-se ao temas dominantes na historiografia e nos modelos culturais que são transversais aos diferentes países, como por exemplo: o federalismo, o feminismo, a influência da (s) revolução (ões) de 1848 e a importância da escola. Alertou para para a necessidade de esses estudos serem cada vez mais aprofundados e sobretudo vistos numa perspectiva comparativa. Analisou ainda a questão da difusão da cultura republicana: os pontos de unidade, a simbologia utilizada, as personalidades veneradas, a linguagem política, a afirmação do espaço urbano em contraponto ao espaço rural, as cerimónias cívicas, as homenagens e centenários foram ainda tema da reflexão. Concluiu reforçando a necessidade de se realizarem mais estudos nos diferentes campos, mas sobretudo tentando reforçar as análises comparativas locais, regionais e nacionais que são muito importantes para se perceber os traços comuns e a diversidade entre os diferentes espaços.

Seguiu-se depois um período de sessões simultâneas. Assistimos ao painel dedicado à República e Império, onde foi possível perceber como as ideias republicanas começam a circular em Angola a partir de 1880, com a investigadora Cristina Portella. Refere-se aos principais jornais que contribuiram para a difusão do ideário republicano em Angola. De acordo com a investigação realizada localizaram-se 16 jornais republicanos que se publicam na antiga colónia portuguesa, dos quais 12 eram dirigidos por mestiços e negros, que se auto-intitulavam "Filhos do País". Eram uma elite intelectual, cultural, económica e política que se situava sobretudo na região de Luanda, que criticavam a Monarquia e as suas opções e defendiam claramente uma ideia de progresso que para eles se encontrava no regime republicano. Entre os percursores na imprensa dos propagandistas republicanos vamos encontrar José de Fontes Pereira, José de Macedo e Júlio Dinis que colaboravam/dirigiam jornais como O Futuro de Angola, A Província, O Arauto Africano. Nestes órgãos da imprensa republicana já é possível encontrar algumas questões nacionalistas, bem como temas conexos que conduziram, na quase totalidade dos casos ao encerramento forçado dos órgãos da imprensa escrita por parte das autoridades monárquicas portuguesas do tempo.

Na intervenção de Pedro Godinho subordinada ao tema Fomento e Colonialismo: a organização dos serviços de Obras Públicas do Ministério das Colónias durante a República, destacou-se a análise institucional e regulamentadora produzida pelos dirigentes republicanos para conseguirem resolver algumas situações organizacionais que se sobrepunham. Nesse sentido o investigador apresentou um interessante percurso das reformas empreendidas pelos vários Governos e, sobretudo, a questão das Obras Públicas no organograma do Ministério das Colónias. A sua evolução nas reformas que tiveram lugar em 1911, 1918, 1920 e 1924, quando se cria o Conselho Superior de Obras Públicas e Minas, que veio a vigorar até à importante reforma do referido Ministério em 1936, quando estava institucionalizado o Estado Novo.

O Professor José Luís Lima Garcia apresentou uma conferência intitulada República e Império: Utopia ou anacronismo?. Dessa interessante conferência retiram-se alguns pontos que nos chamaram a atenção. A questão do discurso demagógico utilizado pelo Partido Democrático, que controlava o poder, que propagandeava um conjunto de ideias que depois não conseguia concretizar. Alerta para a importância da legislação produzida em Agosto de 1914 e o problema da sua aplicação no contexto de uma época que já era marcada pela Grande Guerra. Por outro lado, evoca a tentativa centralizadora de Sidónio Pais que revoga a legislação anterior e volta ao centralismo das decisões em Lisboa. Explica alguns dos principais problemas que produziu a questão da nomeação dos comissários coloniais e o seu papel, recordando a acção de Norton de Matos e de Brito Camacho que são enviados já no período pós-guerra, mas que poucas alterações estruturais conseguiram introduzir. Conclui alertando para a contradição apologética entre os problemas do contexto da época e os micro-contextos regionais que tornam muito complicadas as mudanças que se queriam nalguns casos introduzir.

Ainda neste painel interveio a investigadora Célia Reis, analisando a questão da Revolta de Satari, em 1912. Começou por explicar que estas revoltas no território português na Índia foram relativamente frequentes com revoltas mais ou menos conseguidas em 1895 e 1901, mas que acabavam quase sempre em situações de perdão por parte da autoridades portuguesas. A palestrante alertou para a questão do contraste civilizacional muito grande entre as várias regiões da Índia para poder situar a questão de Satari. As descrições da época mostram uma região inculta, de assassinatos, roubos e pilhagens, de falta de falta de civilização que se destacavam naquela área territorial. O problema começa com a questão das alvidrações (espécie de sistema de aforamento) dos terrenos do Estado. A situação seria vigiada pelos regedores que por sua vez informariam o governador da taxa a aplicar em cada terreno sujeito a alvidração. Normalmente essa taxa rondava os 15% do rendimento da colheita, mas haveria sempre a possibilidade de alguns desmandos das autoridades. Assim, Gonçalo Cabral, que era um dos envolvidos na questão acaba por ser acusado de utilizar mão-de-obra local que depois não pagaria. As populações locais revoltam-se contra esta situação. Em Portugal, no Parlamento, Gouveia Pinto trata a questão das ocorrências na Índia. Nessa altura, as autoridades portuguesas anunciam e fazem eco da estratégia portuguesa ter sido alterada e já não existirem situações de perdão como no passado. Existem confrontos militares envolvendo algumas colunas onde participam soldados que já tinham experiência em África, que agora iriam aplicá-las na Índia. A estratégia dos revoltosos consiste em ataques de guerrilha, roubos, saques, incêndios que provocam preocupação. O Governador Colonial nomeia comandante das tropas o capitão Velez que consegue capturar alguns dos envolvidos nos acontecimentos, outros refugiam-se noutras regiões da Índia e a revolta passado pouco tempo é considerada dominada.

Por último, a intervenção da professora Lia Ribeiro, abordando a questão "Sob o Signo de Marianne- o ensino no universo da popularização republicana". Tema que segundo a autora muito do seu agrado porque se assinala também a 5 de Outubro o Dia do Professor, porque é professora e porque se considera republicana. A sua apresentação consistiu na escolha dos principais temas do ensino republicano, feito nas escolas controladas pelo republicanos ainda antes de se estabelecer a República. Analisa a questão da História e dos Grande Homens que o ensino republicano procurava exaltar. Recordando a questão do laicismo, da separação da Igreja das questões do ensino e mostrando a necessidade de fazer a ligação às festividades que os republicanos começaram a tentar introduzir, como foi a questão do Dia da Árvore. Mas, realçou, e bem, que esta questão era já um ritual que vinha de França e que estava a chegar a Portugal através do ideário republicano. Salientou ainda que para conseguir passar a sua mensagem, o ensino republicano assentava num conjunto de pressupostos que já tinham sido desenvolvidos em França e que se tentava aplicar num quadro e num contexto diferentes. Concluiu que o papel do ensino foi fundamental para conseguir atingir camadas da população que até ali não tinham proximidade com essas ideias e que elas desenvolveram um conjunto de novas capacidades e competências, aliando também a maior experimentação nas escolas a uma necessidade de contacto com a Natureza, agora explicada cada vez mais racionalmente.

Na sessão da tarde de sábado, registam-se as intervenções do Professor Joaquim Romero Magalhães dedicada às rebeliões monárquicas contra a República em 1911 e 1912. Falou também o professor Ernesto Castro Leal sobre o movimento da Seara Nova na criação dos chamados governos técnicos, com realce para Álvaro de Castro. Àngels Carles-Pomar referiu-se aos inimigos da I República Portuguesa, nas diferentes áreas políticas. Paulo Bruno Alves abordou o papel da imprensa católica, referindo-se à oposição quase sistemática de jornais católicos sobre a governação republicana ao longo de todo o período da República. Eunice Relvas analisou os resultados das eleições municipais em 1925, os diferentes partidos que concorreram, os principais vencedores e vencidos. Por último, o professor Paulo Filipe Monteiro apresentou o projecto do filme/documentário sobre o Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, o seu percurso, a sua acção e o mistério do seu abandono da vida política, bem como a sua acção político-cultural durante o fascismo, tendo culminado com a trasladação dos seus restos mortais para a sua terra natal (Portimão) em 1950.

Em conclusão foi um fim de semana pleno de conhecimento sobre a I República, haveria certamente outros temas que faltaram no debate como a questão da literatura e da arte(s), outras questões poderiam ainda ser suscitadas. Foi uma organização que correu de forma positiva, com algumas intervenções muito interessantes, que foram desde a história local, à regional, passando por alguns dos grandes temas da República em Portugal. Uma iniciativa que se saúda e que esperemos que o Centro República continue a impulsionar e a realizar nos próximos anos e, já agora, que as actas do colóquio consigam ser publicadas.

A.A.B.M.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

I COLÓQUIO REPÚBLICA E REPUBLICANISMO (Parte I)




Realizou-se em Coimbra, ao longo de dois dias (4 e 5 de Outubro) um importante e interessante colóquio dedicado à temática da República e do Republicanismo, resultante da parceria de dois centros de investigação: o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra e o Instituto de História Contemporânea, da Faculdade de Ciências Sociais de Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A organização do evento foi assegurada pelos seguintes investigadores do CEIS 20: António Rafael Amaro, João Paulo Avelãs Nunes e Vítor Neto. E pelo IHC estavam presentes: Luís Farinha, Maria Fernanda Rollo e Ana Paula Pires.

Com alguns investigadores estrangeiros como Ángel Duarte, Jon Penche, Sergio Sánchez Collantes, Unai Belaustegi, Gilda Nicolai, Àngels Carles-Pomar e Maurizio Ridolfi que suscitaram problemáticas interessantes, apresentando perspectivas novas e fontes menos acessíveis aos investigadores portugueses.

Das sessões a que nos foi possível assistir, iniciamos no dia 4 de Outubro, com a conferência do Prof. Luís Reis Torgal sobre a questão dos feriados, em especial a questão da “ressurreição” do 5 de Outubro, depois da morte imposta por decreto, como foi dito “por omissão”, porque deixaram de constar nos feriados nacionais obrigatórios. No entanto, o professor Torgal chamava a atenção para as várias alterações que foi sendo necessário introduzir para se chegar ao modelo que esteve em vigor até agora e que, este ano, sofreu as alterações que se conhecem. Em especial as de 1948 e as de 1952, sendo que neste ano surgem as festividades claramente religiosas e desaparecem alguns feriados cívicos.

Depois de algumas intervenções, comentários e questões, prosseguiram os trabalhos com a reflexão de João Esteves, sobre a questão “Mulheres, República e Republicanismo”. Uma intervenção marcada pela análise das recentes publicações que abordam o universo feminino e a sua intervenção em eventos políticos, sociais e económicos durante a I República, estudos que por vezes se apresentam como se fossem estudos pioneiros quando, na verdade, demonstram um conhecimento diminuto sobre aquilo que já se publicou sobre o tema. As mulheres, na opinião deste historiador do universo feminino, sempre estiveram presentes em todos os eventos, mas por vezes a sua participação não foi devidamente valorizada. Hoje assiste-se ao problema de se recorrer de forma quase sistemática às mesmas fontes, falar sobre as mesmas personalidades e as mesmas ideias. Elas foram determinantes em alguns aspectos do regime republicano, mas não se pode esquecer que eram fortemente minoritárias, letradas e urbanas (por ex. as professoras primárias).

De seguida, a Professora Fátima Nunes e Quintino Lopes apresentaram um contributo com base nos “congressos, republicanismo e construção de identidades”, partindo sobretudo o papel de Mendes Correia nesse período. Referem-se alguns dos congressos que se realizam nessa época e o papel que desempenharam no contacto com o conhecimento científico do estrangeiro e na vulgarização de algumas descobertas feitas pelos investigadores portugueses. Nesta altura, a atenção tem sido muito centrada nos congressos de antropologia e arqueologia (mas não o eram em exclusivo) que recebiam apoios da Junta de Educação Nacional para viagens ao estrangeiro.

O Professor António José Queirós apresentou uma investigação em curso sobre “O Republicanismo Português em meados do século XX”, focado em particular na figura de José Domingues dos Santos. Começa por explicar a questão do anticomunismo entre os republicanos portugueses que, nos anos trinta, passaram por França e, sobretudo, à falência da tentativa de dinamizar a Frente Popular Portuguesa em França. A esse propósito esclareceu uma citação que por vezes aparece, na sua opinião, erroneamente citada, quando Salazar afirma que realizaria “eleições livres em Portugal, tão livres como na livre Inglaterra”. Afirmação feita numa entrevista que concedeu a O Século e ao Diário de Notícias. Porque esta afirmação foi feita a quatro dias da realização de eleições (14 de Novembro de 1945) quando Salazar já sabia que toda a oposição tinha desistido de ir a eleições. Refere-se ainda a todo um conjunto de organizações criadas ou participadas por republicanos em meados do século XX.

Na última sessão de dia 4 de Outubro, a que tivemos oportunidade de assistir, apresentaram as suas comunicações a Doutora Teresa Nunes que analisou “A questão da propriedade na Assembleia Constituinte de 1911”. A este propósito analisou os diferentes documentos que deram entrada no período de discussão da Assembleia Constituinte referindo-se em particular aos projectos de Brito Camacho, de Sebastião de Magalhães Lima, de Fernão de Boto Machado, António Macieira, José Barbosa, Ezequiel de Campos e Tomás Cabreira. Procedeu a uma análise e leitura comparativa e analítica dos diferentes projectos, procurando encontrar traços comuns e principais pontos de divergência entre os múltiplos autores. Por último, procurou perceber os traços fundamentais em cada um dos autores quanto ao problema da fiscalidade sobre a terra e, também, as diversas formas de conseguir o aumento da área cultivada.

Falou de seguida, Daniela dos Santos Silva sobre a questão da política assistencial da I República Portuguesa perante um problema preexistente. Sobre a questão da interferência do Estado na esfera de acção das Misericórdias. Analisa a produção legislativa sobre o tema e as várias repartições que vão interferir na assistência à população. Por fim, chega a algumas conclusões sobre a questão como a questão da tentativa de interferência do poder político sobre as Misericórdias, mas a sua eficácia foi muito reduzida. Estas instituições continuaram com a sua autonomia, embora com alguma supervisão por parte do Estado, mas sempre algo limitada.

Apresentou também a sua comunicação João Lázaro, abordando o desenvolvimento das ideias republicanas na Póvoa de Santa Iria. Explicando os vários contextos administrativos por onde passou a freguesia ao longo do tempo. Aborda as iniciativas republicanas e da propaganda republicana que tiveram lugar na localidade bem como as ligações que existiram entre alguns dos líderes locais do partido com figuras de âmbito nacional. Refere-se ainda à ascensão social e política de algumas personalidades políticas locais ao plano administrativo concelhio.


Por último, David Luna de Carvalho alertou para a importância dos números das revoltas que ocorreram durante a I República. Recolhendo cerca de um milhar de referências de “alevantes” que se desenvolveram pelo País, em especial no período entre 1910 e 1917. Com esses dados foi possível fazer um tratamento estatístico claro sobre as preocupações que dominavam essas revoltas. Por outro lado, alertou ainda para a necessidade de aprofundamento deste trabalho para o período final da República para se perceber se as razões apresentadas seriam as mesmas que na fase inicial, onde se chega à conclusão que não razões fundamentadas para se falar em “guerra religiosa” no País. Houve alguns episódios, mas não foi um problema generalizado, nem atingiu dimensões tão alarmantes como a questão social ou política.

[em continuação]

A.A.B.M.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

CONGRESSO EM COIMBRA – I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO

 

 

I CONGRESSO – I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO [COIMBRA]

 


DIAS: 4 e 5 de Outubro;
LOCAL: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra;
 

 
O Centro República tem por missão garantir a preservação e a disponibilização do património digital, bibliográfico e documental produzido e reunido no âmbito do Programa das Comemorações do Centenário da República e realizar iniciativas destinadas a promover a investigação e a elaboração de estudos científicos sobre a I República e o Republicanismo (…)
 
O I Congresso do Centro República [é] organizado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), e pelo Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH – UNL (…)
 
Este importante fórum de discussão aberto e pluridisciplinar, decorridos que foram três anos sobre as comemorações do primeiro centenário da implantação da I República em Portugal, procurará analisar o caminho percorrido pela investigação em resultado das mais recentes conclusões, contribuindo ainda para que, a partir destas, se alargue o espaço de reflexão e de conhecimento sobre o republicanismo enquanto movimento político, ideológico, filosófico e cultural, mas também para que se renovem as interpretações sobre as experiências históricas concretas de afirmação e/ou rejeição do modelo republicano.
 
O encontro I República e Republicanismo reúne intervençõesproferidas por conferencistas internacionais e nacionais convidados, bem como a apresentação de comunicações submetidas através de call for papers
 

 
J.M.M.


terça-feira, 2 de abril de 2013

I ENCONTRO ANUAL «A EUROPA NO MUNDO "PELA PAZ" (1849-1939)»

Realiza-se, nos próximos dias 4 e 5 de Abril de 2013, em Coimbra, na Faculdade de Letras, um colóquio internacional subordinado ao tema em epígrafe.

No momento em que se aproximam as comemorações do Centenário da Grande Guerra, em que a participação portuguesa vai ser vista e revista, em que as alterações introduzidas no mapa político mundial produziram consequências nefastas e acabaram por conduzir a uma nova guerra mundial. Torna-se imperativo perceber que sempre houve projectos de paz, personalidades que se envolveram na manutenção da paz no mundo e que esses resultados terão demorado mais ou menos tempo a concretizar-se, mas existiram e convém agora recordá-los neste colóquio.

Contando com um conjunto apreciável de investigadores que vão reflectir sobre alguns dos projectos que se esboçaram ao longo do tempo para reflectir sobre a importância da Paz. Entre eles destacam-se algumas personalidades como: João Madeira, Albérico Costa, Cristina Clímaco, Sónia Rebocho, Bruno Cardoso Reis, João Esteves, Fátima Mariano, Cláudia Ninhos, José Manuel Pureza, Nuno Severiano Teixeira, José Luís Assis entre vários outros investigadores.

Ao longo de dois dias de trabalho vão-se trocar ideias e informações sobre a forma (s) de se lutar pela paz mesmo em momentos de guerra e acreditar que a via pacífica e negocial é sempre preferível à guerra.

Na Comissão Organizadora deste colóquio internacional contam-se os Professores Maria Manuela Tavares Ribeiro, Maria Fernanda Rollo, Isabel Valente, Alice Cunha, Ana Paula Pires e Joana Pereira.

O programa completo e detalhado das sessões pode ser consultado AQUI.

Com os nossos votos do maior sucesso para o evento.
A.A.B.M.

domingo, 3 de março de 2013

REVISTA DE HISTÓRIA DAS IDEIAS, VOL. 33

O Instituto de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras da Universidade Coimbra vai apresentar na próxima terça-feira, dia 5 de Março de 2013, pelas 16 horas, o volume 33 da Revista de História das Ideias referente a 2012.

O tema central do presente volume é a ideia do corpo ao longo da História.

Nessa ocasião e aproveitando o momento a Prof. Maria Rita Lino Garnel, profere a seguinte conferência Epistemologia médica do corpo.

A apresentação deste volume da revista realizar-se-a na sala 12, da Faculdade de Letras.

A.A.B.M:

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

REVISTA PORTUGUESA DE HISTÓRIA, TOMO 43

No próximo dia 13 de Dezembro de 2012, pelas 17 horas, na Casa das Caldeiras, em Coimbra, vai ser apresentado o 43º tomo da Revista Portuguesa de História.

A apresentação do presente número desta publicação estará a cargo da vice-reitora Doutora Clara Almeida Santos.

O tema principal deste volume é A Água.

A acompanhar com atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

COLÓQUIO: JEAN JACQUES ROUSSEAU EM DEBATE - SOCIEDADE, POLÍTICA E ESTADO. 300 ANOS DEPOIS


Realiza-se dia 7 de Dezembro de 2012, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, um colóquio sobre Jean Jacques Rousseau, a propósito do tricentenário da publicação da sua obra O Contrato Social.

Esta iniciativa da FLUC, resultante da parceria entre o Departamento de História, Arqueologia e Artes e o Departamentos de Filosofia, Comunicação e Informação e o Departamento de Línguas, Literaturas e Cultura conta com várias contribuições de prestígio como: Ofélia Paiva Monteiro, Fernando Catroga, Alexandre Franco de Sá, Ana Cristina Araújo e Diogo Pires Aurélio.

O programa completo do colóquio pode ser consultado acima [Clicar nas imagens para aumentar].

Um evento de grande qualidade que se recomenda a todos os interessados do campo da História, da Filosofia, da Literatura e da Cultura em geral.

A.A.B.M.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ESTUDOS DO SÉCULO XX DE 2011



Vai ser apresentada amanhã, 13 de Dezembro de 2011, a partir das 18 h., no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, o volume 11 (2011) da revista Estudos do Século XX.

O apresentante deste volume será o Doutor Fernando Catroga.

O presente volume era subordinado ao tema: Fazer História Contemporânea e foi coordenado pelo Doutor Luís Reis Torgal.


Uma iniciativa a acompanhar com toda a atenção.
A.A.B.M.

REVISTA DE HISTÓRIA E TEORIA DAS IDEIAS 2011



Foi recentemente apresentado o último volume da Revista de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Do Índice pode retirar-se o seguinte:

Nota de Apresentação

João Gouveia Monteiro, A arte militar na Europa dos séculos XI-XIII – um vade mecum

Fernando Taveira da Fonseca, As Artes no Colégio e na Faculdade. (Coimbra, 1535-1555)

José Abreu e Paulo Estudante, A propósito dos livros de polifonia impressa existentes na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Uma homenagem ao musicólogo pioneiro Manuel Joaquim

Frederico Lourenço, Schopenhauer e a metafísica da música

Joana Duarte Bernardes, A eterna repetição de Ícaro. Para uma poética da dança

Luís Calheiros, A metade nocturna do belo: o horrível nas artes. (Subsídios críticos para um estudo diacrónico da fealdade artística)

Maria de Lurdes Craveiro, Arte, história da arte e historiografia artística

Anabela Bravo, Ensaio sobre o mundo da arte e a sua relação com a crítica institucional

Maria João Cantinho, Da fotografia e dos seus efeitos

Delfim Sardo, Retrovisor

Fausto Cruchinho, Cinema e Portugal: não reconciliados

Jorge Seabra, Análise fílmica

Sérgio Dias Branco, Film noir, um género imaginado

Abílio Hernandez Cardoso, Cinema e poesia, ou o coração da memória

Ricardo Revez, Fialho de Almeida e as correntes estético-literárias no final do século XIX em Portugal

Paulo Archer, Mitopeia. Notações para uma poiética do tempo e da história nos estilhaços da antropodiceia pessoana

Maria António Hörster e Isabel Pedro dos Santos, Memórias culturais na literatura infanto-juvenil portuguesa contemporânea. O caso da série “Triângulo Jota”, de Álvaro Guimarães

António Pedro Pita, Da centralidade política da arte no século XX português

Maria João Simões, Impressões do sensível: elos entre literatura e estética

João Maria André, Artes e multiculturalidade: o teatro como campo de diálogo intercultural

Norberto Ferreira da Cunha, A arte do ensaio: a vocação socrática de Proteu

Varia
Ana Vaz Milheiro, Escolas em Angola durante o Estado Novo: arquitectura e arte
Paulo Archer de Carvalho, Para uma perspectiva da historiografia da cultura (1916-1958). Joaquim de Carvalho: metodologia e epistemologia II

Uma das reputadas revistas científicas de História que se publica em Portugal.

A ler com toda a atenção.

A.A.B.M.