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sábado, 11 de maio de 2019

CONFERÊNCIA – AQUILINO RIBEIRO, CARBONÁRIA E MAÇONARIA



CONFERÊNCIA: Aquilino Ribeiro, Carbonária e Maçonaria

ORADOR: Prof. António Ventura [Centro de História da FLUL];

DIA: 16 de Maio 2019 (10,15 horas);
LOCAL: Biblioteca Nacional de Portugal (Campo Grande 83, Lisboa);

A Biblioteca Nacional de Portugal acolhe no próximo dia 16 de Maio de 2019 um Colóquio consagrado à figura e à obra de Aquilino Ribeiro. A partir da oportunidade oferecida pelo centenário da primeira edição do romance Terras do Demo (1919), esta iniciativa está centrada na análise dos anos que decorreram entre o regresso de Aquilino a Lisboa, vindo do seu primeiro exílio em Paris, e o início do segundo exílio do escritor, ditado pela sua participação na frustrada tentativa de derrube da ditadura militar, em Fevereiro de 1927.
 
Os participantes no Colóquio estão convidados a explorar a Lisboa de Aquilino, articulada entre os seus diversos lugares de residência na cidade, o Liceu Camões, onde ensinou, e a Biblioteca Nacional, na qual ingressou pela mão de Raúl Proença e Jaime Cortesão. Estarão também presentes a França e a Alemanha que observou nestes anos e veio a transpor para títulos tão importantes como É a Guerra e Alemanha Ensanguentada.
 
Numa época marcada pela I Guerra Mundial e pela implantação da República em Portugal, este é um dos mais sugestivos períodos da vida do grande escritor que foi Aquilino Ribeiro, marcado pela escrita de viagens, pela criação de personagens intemporais como as que dão vida a O Malhadinhas e ao Romance da Raposa ou, ainda, pelos textos que compôs para o Guia de Portugal de Raúl Proença.
 
A par deste Colóquio, será inaugurada uma exposição biobibliográfica ilustrativa da temática debatida no evento. A exposição estará patente na Sala de Referência da Biblioteca Nacional entre 16 de Maio e 30 de Agosto, com entrada livre. O Colóquio «Aquilino, Anos 20: entre o exílio e as geografias de Lisboa» é organizado conjuntamente pelo Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa (CEG-ULisboa) e pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL), em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal.

 
Esta iniciativa é realizada no âmbito das actividades do grupo de investigação ZOE – Dinâmicas e Políticas Urbanas e Regionais do CEG e do grupo de Investigação Literatura e Cultura Portuguesas do CLEPUL. A Exposição beneficia da colaboração complementar do Arquivo e da Biblioteca da Escola Secundária de Camões” [AQUI] - sublinhados nossos]
 
A não perder.
 
J.M.M.

domingo, 10 de março de 2019

[EXPOSIÇÃO] CIDADÃOS ILUSTRES. MAÇONS DA LOJA “A REVOLTA” DE COIMBRA


EXPOSIÇÃO: Cidadãos Ilustres. Maçons da Loja “A Revolta” de Coimbra

DE: 9 de Março a 30 de Junho 2019;
LOCAL: Casa da Escrita [R. Dr. João Jacinto, nº8], Coimbra;

A exposição Cidadãos Ilustres, maçons d’A Revolta Coimbra, dá a conhecer a importância desta Loja e de seus prestigiados membros na história do Grande Oriente Lusitano e do país. Para compreender bem o presente é preciso conhecer e entender o passado, no caso da Loja d’A Revolta e dos seus membros, um passado de reflexão e conhecimento, de contributos para formação de homens e cidadãos mais livres, e de uma sociedade liberta de toda a sorte de tiranias, mais justa, mais igualitária, mais fraterna.

Hoje, guardiã desse rico passado, a Loja A Revolta mantém a sua idiossincrasia de mais de um século, em luta constante pela divisa Liberdade, Igualdade, Fraternidade, sempre e cada vez mais actual num mundo de sombras ameaçadoras de retrocessos político e sociais, mais, contribuindo para o conhecimento e pensamento das questões que as mudanças de paradigma civilizacional colocam prementemente sobre novas leituras do mundo, seja sobre o que os jovens hoje por esse mundo fora se indignam e revoltam quanto às questões ambientais, seja sobre a intensificação da crise de confiança e forma de pensar a democracia e os sistemas económicos e sociais, seja em novas controvérsias sobre o trabalho, o rendimento universal, u numérico, as novas tecnologias de comunicação, a inteligência artificial, o transhumanismo, as relações sociais e afectivas.

A exposição e o que nela se contém e sugere é a garantia que os maçons continuarão a trabalhar para o bem da Humanidade” 

[Fernando Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, in folheto da Exposição]      

 


► [LOJA “A REVOLTA” – PEQUENA ANOTAÇÃO]

 A Loja “A Revolta” foi [conforme já AQUI dissemos] inicialmente fundada em Coimbra, justamente em 1909 [6 de Março] na “condição de independente”. A Loja teve, desde a sua instalação, um importante papel na constituição das estruturas carbonárias em Coimbra e na região (como em Soure, Cantanhede e na Figueira da Foz), dado principalmente o trabalho organizativo de um dos fundadores e seu primeiro Venerável, Amílcar da Silva Ramada Curto [Irmão Elysée Réclus, iniciado em 1903 na Loja Elias Garcia, de Lisboa]. Ramada Curto era possuidor das credenciais da Alta Venda da Carbonária e tinha plenos poderes para organizar, na cidade e na Academia, um grupo revolucionário que trabalhasse para o derrube da monarquia.

A Loja "A Revolta", do RF, instalada em Coimbra em 1909, na "condição de independente" integra-se, mais tarde, na Obediência do Grande Oriente Português [que nasce, em 1908, da dissidência de várias lojas do GOL, em Coimbra e que se mantém em atividade até Maio de 1911, sendo Grão Mestre, Francisco José Fernandes da Costa; a desinteligência das lojas com o GOL e que constituíram o Grande Oriente Português – lojas Perseverança, Portugal e Pro-Veritate - resultou da não aceitação da regularização do dr. Hermano de Carvalho, membro do partido franquista, na loja Gomes Freire, de Leiria e que, no mesmo ano se torna Venerável da loja de Coimbra, Estrela de Alva; diga-se que existia entre 1908 e 1910, nove lojas maçónicas a trabalhar na cidade de Coimbra, tendo duas delas abatido colunas já em 1909 – voltaremos mais tarde a este curioso assunto].

Em 3 de Maio de 1911, a loja “A Revolta”, pelo Decreto nº100, é regularizada no Grande Oriente Lusitano, com o nº 336. Torna-se Augusta e Benemérita pelo Decreto nº27, de 26 de Novembro de 1925, e durante a ditadura foi objeto de assaltos e perseguições várias, mas sobrevive à clandestinidade, mantendo-se em trabalho até aos dias de hoje.

Pela loja de Coimbra “A Revolta” (que teve um dos seus templos na rua Borges Carneiro,15) passaram ao longo destes 110 anos um rol de combativos cidadãos, merecedores de reconhecimento público, como Ramada Curto (Elysée Réclus), Agatão Lança (Robespierre), Emílio Maria Martins, Manuel Pestana Júnior (Bakunine), Bissaya Barreto (Saint Just), Francisco Lino Gameiro, João Garraio da Silva, Carlos Amaro, José Frederico Serra (foi VM 1912, 1914), José Diogo Guerreiro (foi VM em 1912), Zacarias da Fonseca Guerreiro (foi VM em 1916), António Nunes de Carvalho (Mendes da Maia), José Alves Ferreira Neves (Buiça), Manuel de Sousa Coutinho Júnior (Elmano), Eduardo Rodrigues Dias Correia (Koch), Joaquim de Carvalho (Guyau), António Lúcio Vidal, Henrique Videira e Melo (Afonso Costa), Basílio Lopes Pereira (Fernão Vasques), Luís Gonçalves Rebordão (João de Barros; foi GM entre 1957-75), Aurélio Quintanilha (Brotero), Gustavo Nolasco da Silva (Jean Jacques), Armando Celorico Drago (Karl Marx), Carlos Cal Brandão (Manuel de Arriaga), Mário Cal Brandão (Antero de Quental), Silo José Cal Brandão (Olislac), António Ribeiro dos Santos, Luís Baeta de Campos (Antero de Quental), Fernando Valle (Egas Moniz), Vitorino Nemésio (Manuel Bernardes), Manuel Luís da Costa Figueiredo (Ruy Barbosa; fundador da loja Silêncio e Combate, em Estarreja), Jaime Alves Tomaz Agria (Egas Moniz), José Maria de Castro Freire de Andrade (João de Deus), António Augusto Pires de Carvalho, António de Freitas Pimentel, Mário de Azevedo e Castro (Abraham Lincoln), Meliço Silvestre (Santiago da Beira), Fernando Nolasco da Silva (Sun Yat Sen), Emídio Guerreiro (Lenine), Artur Santos Silva (pai) (Camille Desmoulins), Mário Dias Coimbra (Magalhães Lima), António César Abranches (Spinozza), Flausino Esteves Correia Torres (Protágoras), Albano Correia Duque de Vilhena e Nápoles (Vigny; marido de Cristina Torres e um dos fundadores da loja Germinal, da Figueira da Foz), Raul Soares Pessoa (António José de Almeida), Frutuoso Soares Pessoa (Adamastor), Fausto Pereira de Almeida (D. Fuas), Manuel Lontro Mariano (António José de Almeida), Francisco de Freitas Lopes (José Relvas), Turíbio de Matos (João de Deus), César Alves (Magalhães Lima), Raul Gaspar de Oliveira (Fernandes Tomás), Manuel Mendes Monteiro (Teófilo Braga), Henrique da Silva Barbeitos Pinto, António Pais de Sousa, Abílio Fernandes, José de Barros Pinto Bastos, António de Sousa, Rodrigo Rodrigues dos Santos, António Arnaut (Jeaneanes), Fausto Correia (Gomes Freire), António Luzio Vaz (Domingos) e outros tantos mais.

J.M.M.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

JOAQUIM MARTINS DE CARVALHO [1822-1898] - NOTA BREVE

 
Joaquim Martins de Carvalho nasceu em Coimbra [a 19 de Novembro de 1822, curiosamente no mesmo dia em que morre Manuel Fernandes Tomás]. Frequenta (1833 e 1834) aulas de latim nos jesuítas [os pais queriam que seguisse o estudo eclesiástico – ver Diccionario de Esteves Pereira, vol IV; idem Dicionário Bibliográfico de Inocêncio, vol XII, Suplemento J, p. 113 e ss], foi empregado comercial [ficou órfão prematuramente e não pode prosseguir os estudos] e trabalhou no ofício de latoeiro [daqui nasce a alcunha posta pelos académicos de antanho de “doutor latas”]; fez parte do movimento da "Maria da Fonte" (1846), tendo por isso sido preso [4 de Fevereiro de 1847] e levado de Coimbra para a Figueira da Foz e daí para Buarcos, onde o embarcaram num barco de guerra com destino a Lisboa, sendo enviado de imediato para o Limoeiro [onde fica de Fevereiro a Junho – foge a 29 de Abril mas é rapidamente recapturado], de onde sai pela convenção de Gramido [redigida pelo punho de Teixeira de Vasconcelos], a 28 de Junho [cf. O Século, 20 de Outubro de 1898]  

Foi um notável jornalista, talvez o mais admirável do seu tempo: colaborou (1851) no Liberal do Mondego, foi revisor, redator e (depois) proprietário do Observador  [fundado a 16 de Novembro de 1847; o seu primeiro escrito no jornal, “Sociedades de Socorros Mútuos”, data de 13 de Agosto de 1850] e fundou e redigiu, quase que integralmente, esse incontornável, erudito e precioso jornal, O Conimbricense  [nº 1, 24 de Janeiro de 1854, ao nº 6230, de 31 de Agosto de 1907, saindo um nº a 1 de Julho de 1908; continuação d’Observador], uma verdadeira “enciclopédia de história politica, literária e artística do nosso país” [Silva Pereira, in Occidente, 30/10/1898]. Funda a 30 de Outubro de 1855 uma Tipografia, para a impressão d’O Conimbricense, na rua de Coruche (ou, depois, Visconde da Luz), mudando-se posteriormente para a rua das Figueirinhas (depois chamada, rua Martins de Carvalho), num prédio onde veio a residir.

N'O Conimbricense, Joaquim Martins de Carvalho “expandia todas as suas ideias de liberal sans peur et sans reproche, atacando todos os movimentos reacionários e retrógrados, tudo o que fosse voltar aso tempos nefastos da opressão ou que apresentasse um ataque às liberdades públicas” [cf. O Século, 20 Outubro 1898; jornal Resistência, ibidem]

 


Defensor das liberdades públicas, liberal “sem nódoa” [cf. Occidente, ibidem] e convicto associativista, foi um admirável defensor da instrução do operariado, pertencendo aos fundadores da Sociedade de Instrução dos Operários (1851), do Montepio Conimbricense (1851; e que depois tomou o seu nome), do Centro Promotor de Instrução (antiga Biblioteca Popular da Sociedade Terpsychore Conimbricense), da Associação Liberal de Coimbra, da Sociedade Protetora do Asilo de Mendicidade de Coimbra, foi sócio honorário da Associação de Artistas de Coimbra, da Assembleia Recreativa de Coimbra, da Escola Livre das Artes de Desenho de Coimbra, da Associação Comercial de Coimbra, do Instituto de Coimbra, do Grémio dos Empregados de Comércio e Industria de Coimbra, dos Bombeiros Voluntários, da Sociedade Tipográfica Lisbonense e Artes Correlativas, da Sociedade Protetora dos Animais, da Sociedade União Beneficente A Voz de Operário, do Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas de Lisboa, da Sociedade de Geografia e Comercial do Porto, da Academia Real das Ciências de Lisboa, do Clube Literário Limoeirense de Pernambuco, da União Beneficente do Rio de Janeiro, do Grémio de Instrução e Recreio de Bragança, do Grémio Literário de Angra do Heroísmo, foi correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade de Geografia do Porto, da Associação Liberal Portuense, da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, da Real Associação dois Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses [idem, ibidem]. Já perto do final da sua vida, além de colaboração esporádica em periódicos estudantis [como o Académico (1880), a Folha Literária (1882) e Portugal (1896)], o “integérrimo liberal” torna-se um “liberal desiludido” [cf Magalhães Lima, Vanguarda, 19 Outubro de 1898], “fez-se republicano” e filia-se (1895) no Partido Republicano, porque era na República que via “a salvação do país” [cf. jornal Resistência, Coimbra, 20 de Outubro 1898; idem O Século, Lisboa]   

Joaquim Martins de Carvalho foi agraciado, em Novembro de 1869, com o “hábito da Conceição”, mas renunciou, tendo sido aceite pelo diploma de 5 de Janeiro de 1870. E é o principal animador da Exposição Distrital de Coimbra, inaugurada a 1 de Janeiro de 1884, onde é presidente da Comissão Executiva. Em 1888, por ocasião do seu 66º aniversário, a Associação dos Artistas de Coimbra “tomou a iniciativa de imponentes manifestações em sua honra”, tendo realizado um “cortejo cívico majestoso”, com representações de todas as associações e dando lugar, a noite, a uma sessão solene onde discursaram o conde de Valenças e o conselheiro José Dias Ferreira [O Século, ibidem].   

 


"Não tendo ele sido verdadeiramente um escritor, na acepção estilística do termo, foi um jornalista ardoroso e intemerato, arrostando tão corajosamente os perigos como afrontava sobranceiramente chufas e arruaças, em luta permanente contra tudo e contra todos pelo Progresso, pela Ordem e pela Verdade" [José Pinto Loureiroin Índice Ideográfico de O Conimbricense, Coimbra, 1953]

"... A collecção do Conimbricense, escripto da primeira columma à última por Martins de Carvalho, é um repositório interessante da nossa historia pátria, em que o fallecido jornalista era aprofundadíssimo e excavador extremado de factos históricos ..." [Portugal Moderno, Rio de Janeiro, 1901]

"É preciosa a collecção do Conimbricense. Mais vasto repositório de história não é possível encontrar-se em nenhum jornal político dos muitos que se tem publicado no paiz. É um arquivo inestimável de factos e documentos valiosíssimos, uma bússola indispensável a todos os cavouqueiros da história pátria. Quando mais não seja a história contemporânea de Portugal não pode fazer-se com segurança sem a consulta previa da collecção do Conimbricense ..." [Marques Gomesin O Conimbricense e a História Contemporânea. Publicação comemorativa do 50º aniversario do nosso mesmo jornal, Aveiro, 1897]

De facto, como se pode ler pelo Índice Ideográfico de O Conimbricense  (sob direcção de Pinto Loureiro), a vastidão e a importância dos assuntos publicados no jornal ao longo dos anos, faz dele uma fonte inultrapassável sobre os acontecimentos económicos, políticos, sociais e literários de finais do século XIX. São curiosas e estimadas as referências sobre Garrett, ArqueologiaLutas AcadémicasBibliografia e Bibliofilia, JornalismoCabralismo, Costumes, Duelos, Tauromaquia, Teatro, Tipografia (importante os seus Apontamentos para a História da Tipografia em Coimbra), Viticultura, Eleições, Epistografia, Évora, Manuel Fernandes Tomás, Freire de AndradeGuerra Peninsular, Herculano, Iberismo, Índia Portuguesa, Lisboa, Macau, José Agostinho de Macedo, Mosteiros, Mutualismo, OperariadoMarquês de Pombal, etc .

Absolutamente notável as inúmeras e preciosas referências que se dispõe sobre CoimbraInquisição, Ordens Religiosas, Invasões Francesas, Lutas Liberais, Miguelismo, Jesuítas, Maçonaria e Carbonária, Sociedades Secretas (como S. Miguel da Ala).

Diga-se, que o próprio Joaquim Martins de Carvalho pertenceu à Carbonária Lusitana de Coimbra , instalada a 29 de Maio de 1848, pelo Padre António Maria da Costa  [o Benigno Primo, ou B. P., Ganganelli] e José Joaquim Manso Preto [B. P. Lagrange] e dissolvida em 1850. Joaquim Martins de Carvalho integrou a “Choça 16 de Maio” [título em homenagem à data da vitoria popular contra o Cabralismo, a 1847 em Coimbra; reunia a choça em frente ao Colégio Novo, quando se sobe a Couraça dos Apóstolos), era Joaquim Martins de Carvalho o Orador, o B. P. “Ledru Rollin”; foi presidente da choça "Segredo" – que sucede à "Choça 16 de Maio", que muda de nome dada a descoberta e o assalto executado pela polícia cabralina e que reúne depois, não sem alguns curiosos percalços, no convento de Santo António dos Olivais - e é 1º secretário da Barraca "Igualdade", que chegou a reunir no Jardim Botânico de Coimbra. Refira-se que a Carbonária Lusitana de Coimbra é diferente daquela que se denomina de Carbonária Portuguesa  (1896/7??) e não se deve confundir com a Carbonária Lusitana, de pendor anarquista - ou Carbonária dos Anarquistas - muito sigilosa, a que pertenceram os anarquistas José do ValeRibeiro de Azevedo, entre outros [vidé a Carbonária em Portugal, por António Ventura, Museu Republica e Resistência, 1999]. Joaquim Martins de Carvalho foi iniciado na maçonaria em data incerta, com o nome simbólico de “Lamartine”, tendo feito parte da loja maçónica de CoimbraPátria e Caridade  [1852-53? – sob obediência da Confederação Maçónica Portuguesa; curiosamente fez parte da loja, sendo seu Venerável, Filipe de Quental (Chatterton) e José Luciano de Castro; a loja situava-se junto ao Colégio dos Grilos e mais tarde muda-se para o Colégio da Trindade – ver Encyclopedia das Encyclopedias, vol. VI M-MAG, p. 396; ver, ainda, Francisco A. Martins de Carvalho, “Algumas horas na minha Livraria", 1910, p.99 e ss].

 


Refira-se que a sua admirável livraria [que contava com peças manuscritas de grande valor e raridade], em parte vendida em 1923 (em Coimbra), era extraordinária - principalmente o conjunto raríssimo de jornais, revistas e publicações várias, autógrafos e um notável conjunto de opúsculos políticos - sendo que o leilão realizado foi um dos acontecimentos mais excepcionais entre os bibliófilos portugueses.

Faleceu em Coimbra a 18 de Outubro de 1898 [curiosamente, 81 anos decorridos da “horrorosa” morte de Gomes Freire de Andrade]. O funeral, que saiu da igreja de S. Bartolomeu para o cemitério da Conchada, apesar de copiosa chuva, foi uma homenagem “imponentíssima”. Todas as associações de Coimbra e um numeroso grupo de trabalhadores marcaram presença, em “alas compactas” na Praça do Comércio [ver “A Voz Pública", 21 de Outubro de 1898], o comércio local fechou as portas, tendo discursado no cemitério Brito Aranha (pelo DN e Associação dos Jornalistas), A. X. da Silva Pereira (pela Associação da Imprensa Portuguesa e como correspondente do Conimbricense em Lisboa), Guilherme Alves Moreira (pelo Partido Republicano), João José Sabino (pela Voz do Operário), José do Carmo (pelo jornal A Voz do Operário), Teixeira Bastos (pelo Século), Ernesto da Silva (pela Liga de Artes Gráficas), António Ferreira Carneiro (carpinteiro e artista conimbricense), José Pereira da Cruz (pelo 1º de Janeiro) e António Bahia (em nome dos pobres de Coimbra). Estiveram presentes um elevado número de representantes de periódicos nacionais e regionais (como a Gazeta da Figueira, Resistência) e a comissão municipal republicana do Porto fez-se representar pelo dr. Afonso Costa [idem, ibidem; ver, ainda, jornal “Vanguarda”, de 20 de Outubro de 1898].  

Algumas ObrasApontamentos para a Historia Contemporânea, Imp. da Univ., 1868 / Novos apontamentos para a História contemporânea os assassinos da Beira, Imp. Univ., 1890 / A Nossa Aliada! Artigos publicados pelo redactor do Conimbricense, Porto, 1883 / Homenagem a Joaquim Martins de Carvalho, Typ. Operaria, 1889 / O Retrato de Venus. Edição Comemorativa do nascimento de Garrett, Coimbra, 1899 / Os assassinos da Beira, Coimbra, 1922 / Catálogo da... livraria que pertenceu ... a Joaquim Martins de Carvalho e ... Francisco Augusto Martins de Carvalho, Imp. da Univ., 1923

NOTA: este texto foi inicialmente publicado, por nós em 2003, no Almocreve das Petas, e apresenta-se agora com novos aditamentos.

J.M.M.

sábado, 24 de março de 2018

IN MEMORIAM DE JÚLIO EMÍLIO GONÇALVES LOURO (1928-2018)



Júlio Emílio Gonçalves Louro nasceu a 29 de Janeiro de 1928. Neto de António Augusto Louro (1870-1949) – nascido no Sabugal, formado em ciências farmacêuticas [adquire uma farmácia no Seixal, a partir da qual exerce uma importante influência cívica local; cf. António Lopes, “António Augusto Louro. Um Maçon há cem anos”, 2005], é uma figura incontornável do ideário republicano e maçónico; ao longo da sua vida, António Augusto Louro, manteve uma intensa intervenção cívica, cultural e política [integrava, como maçon (n.s. Luso) da Loja Firmeza, a Comissão de Resistência Maçónica à data do 5 de Outubro de 1910, pertenceu à Carbonária, foi um entusiasta da educação, escrevendo curiosos materiais pedagógicos na sua luta contra o analfabetismo, fomentou as Escolas Moveis, intervém no movimento associativo fundando o Montepio dos Operários, Filarmónicas, Grupos Dramáticos, pertenceu à Associação de Registo Civil, é jornalista e fundador do periódico Seixalense (1902), integra a comissão que promove a primeira Festa da Árvore (26 de Maio de 1907), promove Associações de Beneficência, Associações de Bombeiros, funda centros republicanos (Alcanena, Torres Novas), lojas maçónicas (Seixal, Barreiro, Sesimbra, Moita, Alcanena), foi administrador dos concelhos de Torres Novas, Coruche e Alcanena, milita nas atividades do MUD e participa na campanha presidencial de Norton de Matos] – com ele viveu e aprendeu os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, com ele aprendeu e ensinou que “sem Liberdade não há Democracia e sem Instrução não há Liberdade”.

Júlio Louro - que pertencia ao Grémio Lusitano, tendo sido agraciado a 16 de Fevereiro, último, com a Ordem Maçónica Hipólito José da Costa [AQUI] - foi um cidadão sem fadigas, verdadeiramente humilíssimo, harmonioso nos afectos, fraterno com os semelhantes, de uma generosidade sem limites.
 
O seu funeral decorrerá amanhã, pela 16 horas, no cemitério de Benfica.
 
Até sempre, Júlio Louro

J.M.M.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

[ANGRA DO HEROÍSMO] TEOTÓNIO DE ORNELAS BRUGES


 
INAUGURAÇÃO do Monumento Urbano – Teotónio de Ornelas Bruges


DIA:
2 de Dezembro 2016 (17,00 horas);
LOCAL: Angra do Heroísmo;


"Dia 2 de dezembro, sexta-feira, pelas 17h00, a autarquia de Angra do Heroísmo associa-se ao Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa na inauguração, no lugar da Memória, de um Monumento Urbano Para Informação (MUPI) de homenagem a Teotónio de Ornelas Bruges (1807-1870), primeiro Presidente de Câmara eleito em Portugal e ilustre filantropo e liberal angrense que foi o grande responsável pela edificação desse monumento em memória de D. Pedro IV" [AQUI]
 
 

Teotónio de Ornelas Bruges (1807-1870), aliás Teotónio Simão de Ornelas Bruges Paim da Câmara de Ávila e Noronha Ponce de Leão Borges de Sousa e Saavedra, 1º Conde da Praia da Vitória e 1º Conde de Bruges, foi um notável intérprete da causa do liberalismo. Natural da Ilha Terceira, rico terratenente da ilha, foi oficial das milícias liberais de Angra, liderando a regeneração liberal de 1828, tornando a Ilha Terceira um baluarte de resistência da causa liberal em Portugal, assumindo a administração da Ilha à custa da sua fortuna, pois era o único território sob ocupação das forças fieis a D. Pedro IV. Teve diversos cargos governativos nos Açores (Secretario de Estado da Regência, Pres. da Camara de Angra de Heroísmo, deputado às Cortes, Par do Reino).

Pertenceu à ala Setembrista do liberalismo, aderindo ao Partido Histórico. Foi-lhe concedido, por carta regia (6 de Agosto de 1863), o título de Conde da Vila Praia da Vitória, sendo fidalgo cavaleiro da Casa real, comendador da Ordem de Cristo.

Teotónio de Ornelas Bruges foi carbonário e maçon. Foi um dos fundadores da Barraca Carbonária 22 de Junho com o n.s. de Leónidas [cf. António Lopes, A Maçonaria Portuguesa e os Açores 1792-1935, 2008 – a Barraca foi fundada por maçons pertencentes à Loja 11 de Agosto de 1829]. Foi maçon, iniciado possivelmente em 1828 [António Lopes, ibidem, p. 60] na Loja 15 de Setembro (loja extinta no continente em 1823), integrou a Loja “11 de Agosto de 1829” [loja de Angra do Heroísmo, pertencente ao GOL, e que depois se integra na Maçonaria do Sul], com o nome simbólico de Aníbal, vindo posteriormente a pertencer à Loja União e Segredo [GOL] e à Loja União Terceirense.  

Faleceu a 25 de Outubro de 1870.     

J.M.M.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

E PARA QUÊ? SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA – JOSÉ MARIA NUNES [NOTA BIOGRÁFICA]

José Nunes, “E Para Quê? Subsídios para a História”, Lisboa, Tipografia Adolpho de Mendonça, 1918, 148 p.
 Livro muito curioso e útil para o conhecimento de certos aspectos revolucionários que conduziram ao derrube da Monarquia portuguesa e à implantação da República.
Da autoria do operário anarquista José Nunes, serralheiro da Imprensa Nacional e posteriormente administrador de um mercado municipal de Lisboa. Era um homem enérgico, audacioso, envolvido e muito conhecedor dos meandros do movimento revolucionário. Para além deste livro intitulado «E para quê ?... Subsídios para a história de Portugal» (1918) é também autor de outro com o título « A Bomba explosiva» (1912). Este obreiro da revolução que acreditava piamente na redenção da Pátria, foi, pelo regime que ajudou a instaurar, perseguido e escorraçado, chegando mesmo a estar preso. Neste livro descreve pormenores curiosos do fabrico das bombas, com inúmeras peripécias envolvidas, da origem da carbonária, do regicídio, da concentração da Rotunda (…)” [via Luís Guerreiro Facebook -AQUI].
 
José [Maria] Nunes nasce em Ferreira do Zêzere em 1877. Com o ofício de serralheiro, parte para Lisboa e exerce a profissão na Imprensa Nacional.

Frequenta os grupos libertários e republicanos de Lisboa, conhecendo muito dos elementos conspirativos mais “avançados” da capital. Depois do Regicídio [onde pode mesmo ter tido alguma intervenção (?), no dizer de Rocha Martins] parte para Moçâmedes (Angola), regressando posteriormente [Fevereiro de 1910] ao seu lugar na Imprensa Nacional. Milita com entusiasmo no grupo radical propagandista do actor Vieira Marques [cf. António Ventura, in Introdução ao livro “A Bomba Explosiva” de José Maria Nunes, Livros Horizonte, 2008], “incumbido de coadjuvar a Junta Liberal de Miguel Bombarda” [ver Ilustração Portuguesa, nº256, 16 Abril de 1911, p. 83; é possível que não se possa estabelecer desse modo a relação entre o grupo de Vieira marques e a Junta, como aliás Armando Ribeiro refere na sua obra “A Revolução Portuguesa”] e integra-se no grupo carbonário “Mineiros” [de que faziam parte, além de Vieira Marques, Virgílio de Sá, Guilherme Rocha, Carlos Kopke, Henrique Lopes, Jaime Paiva, António Joaquim Rodrigues]. Colabora com o grupo carbonário “Vedeta” [onde figurava de novo Carlos Kopke, Roque de Miranda, Artur dos Santos Silva], levando a cabo acções “revolucionárias” nos Olivais e no Poço do Bispo [cf. Ilustração, ibidem; Armando Ribeiro, ibidem]

José Maria Nunes participou nos acontecimentos do 5 de Outubro de 1910, esteve na Rotunda com os revoltosos [ver António Ventura, ibidem], ficando conhecido mais tarde (1911) através dos extensos artigos publicados pelo jornalista Jorge de Abreu, n’A Capital, e na Ilustração Portuguesa

[“A Bomba ao serviço da Revolução”, 9 e 16 de Janeiro de 1911, onde são referidos um conjunto de revolucionários manipuladores de bombas - os “intervencionistas”, no dizer do jornalista Hermano Neves (cf. Hermano Neves, “Como triumphou a Republica”, 1910) - que serviram à revolta, citando-o, assim como José do Vale, João Borges e Aquilino Ribeiro. José Nunes fabricaria “bombas de ferro fundido” ou de clorato, no que era acompanhado por João Borges - o “João das Bombas”-, os sargentos António Antunes Guerra e Acácio de Macedo e outros como, Polycarpo Torres e Nunes da Silva. Os intervencionistas seriam então os carbonários anarquistas, na sua grande força recrutados em Alcântara].

Em 1912, publica o curioso livro “A Bomba Explosiva”, profusamente ilustrado e com diversos depoimentos de revolucionários, que fará história. Amigo e correligionário de Machado dos Santos, confesso admirador de Manuel de Arriaga, anti-Afonsista e apoiante do governo de Pimenta de Castro [foi demitido do seu lugar na Imprensa Nacional a 25 de Agosto de 1915, por motivo de ausência ao trabalho – ver António Ventura, ibidem], foi detido a 25 de Outubro desse ano “acusado de ter participado no assassinato do deputado democrático Henrique Cardoso, a 28 de Fevereiro de 1915” [ibidem] e de tentativa de afundamento do couraçado “Vasco da Gama”, acabando por ser libertado.

Machadista assumido, participa na tentativa de revolta de 13 de Dezembro de 1916 (Tomar), sendo de novo detido [bem como, entre outros anarquistas e sindicalistas, os carbonários Franklin Lamas e Celestino Steffanina], voltando a conspirar na revolta de 5 de Dezembro de 1917. Pretendendo o seu reingresso na Imprensa Nacional (afastado que estava desde 1915) só no governo de Sidónio Pais foi aceite a sua reintegração, por despacho ministerial de 20 de Dezembro de 1917 [António Ventura, ibidem].

É então que publica o seu livro “E Para Quê? Subsídios para a História”, onde pretende trazer à memória o conturbado período antes do 5 de Outubro, investindo contra os antigos companheiros carbonários intervencionistas, em especial João Borges (partidário de Afonso Costa), terminando num arremesso contra o partido democrático, o dr. Afonso Costa e a República.

Os últimos anos da sua vida foram amargurados: ficou amnésico (1921) e ao cuidado de Egas Moniz no Hospital de Santa Marta e, assim desmemoriado, dá a sua ultima entrevista a Félix Correia (monárquico e pró-nazi), que sai publicada no Diário de Lisboa a 29 de Julho de 1924.

A 31 de Março de 1946, vítima de ataque cardíaco, morre aos 69 anos José Maria Nunes, em Algés (na Calçada do Rio, 34), deixando dois filhos, Laurinda Nunes (então funcionária da CML) e Liberto Amado Nunes (funcionário da Fazenda em Lourenço Marques).

J.M.M.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A RAZÃO. SEMANÁRIO REPUBLICANO - PARTE II


Teve o periódico figueirense, "A Razão", como primeiro editor José Maria Roque dos Reis [era oficial-encadernador e já antes (21 de Janeiro de 1900) tinha sido editor do jornal bi-semanal “O Figueirense”, na sua 2ª série], vulto republicano e católico, pertencente ao Centro Republicano José Falcão.

Acontece que ao nº4 do jornal (19/02/1904) publica-se um artigo [sob o título “Verdade”] relativo à substituição do seu editor, José Maria Roque dos Reis [JMRR]. Nesse artigo [assinado por Eduardo Fernandes, José Soares Cornelo, José Augusto Germano Alves, Custodio de Moura, Joaquim Gaspar Martins, João Guerra Duarte e António da Silva], é publicada uma carta – transcrita d’O Século e assinada pelo seu correspondente na Figueira da Foz -, onde [JMRR] diz que “o Centro José Falcão faltou aos compromissos contraídos” com ele, enquanto editor do semanário “A Razão”.

O jornal, como replica à notícia produzida, considera, no mesmo artigo, que se trata de uma calúnia de JMRR e publica um “Desagravo” à notícia saída n’O Século.
Consideram que JMRRse ofereceu muito espontaneamente para editar o jornal” porque “nenhum medo tinha”, pelo que pediu um cargo no periódico. Como estava decidido que não figurasse nenhum nome de sócio do Centro no semanário (a não ser o proprietário, que lhes parecia ser de todo necessário legalmente), foi proposto que JMRR figurasse, então, como proprietário “in nomine”, o que foi aprovado pelos associados do Centro Republicano. Como se constatou – continuam - não se verificar a questão legal da “declaração de propriedade” suprimiu-se o cargo, ficando então JMRR como editor.

Ainda na mesma reunião, debateu-se se se devia “abordar assuntos religiosos”, entendendo-se que tal não era aceitável por “sistema”, mas que o assunto não devia ser “descurado”. Ora – continua a mesma nota ao artigo que estamos a citar, publicada ao nº 4, 19/02/1904 – no número inicial do semanário foi apresentado uma “engraçada e curiosa” transcrição de “Os Mandamentos dos Padres”, que (citamos) “excitou o zelo catholico do snr” JMRR. Este último envia uma carta à direcção sobre o teor do artigo publicado, dizendo que se o “tivesse visto, não consentiria na sua publicação”.
 
Assim sendo JMRR abandona os quadros do jornal e ao nº 4, surge já como Editor-Responsável, Amadeu Sanches Barreto [Curiosamente, ainda nas replicas ao assunto do “Desagravo”, atrás referido, no nº 5 do semanário (25 Fevereiro 1904) há uma nota, intitulada “Pela última vez” sobre o caso que levou á substituição de JMRR, sob a pena de Gustaf Adolf Bergstrom, e na sequência de uma notícia saída no “Povo Figueirense”, que reza assim: “o Snr. Roque dos Reis, em carta que o Povo Figueirense gostosamente publica, diz ter pena de um ‘melro negro’ não assinar o desagravo. Não sendo meu intuito discutir o valor do inofensivo epíteto, declaro ao snr Roque que quando quiser estou às suas ordens …”].



O jornalista Amadeu Sanches Barreto, o novo editor, natural de Vila Real mas “filho adoptivo da Figueira” (como afirmava) era um “velho” republicano, tendo pertencido ao grupo carbonário que se estava a organizar na Figueira da Foz [cf. carta  de Amadeu S. Barreto a Bernardino Machado, 29/05/1911], era amigo pessoal do dr. Afonso Costa e um indefectível admirador do dr. Bernardino Machado, viveu na Figueira da Foz, em Coimbra e em 1914 está na administração do concelho da Baía dos Tigres (Angola). Muito tempo antes tinha sido o responsável redactorial d’O Povo da Figueira [jornal fundado pela comissão republicana municipal da Figueira da Foz, em 1895], e, mais tarde, também editou e colaborou n’O Figueirense (II série), bi-semanário (1900-1902; curiosamente esta série era editada por José Maria Roque dos Reis) que de algum modo vinha em substituição daquele.

Diga-se que Amadeu Sanches Barreto foi proprietário do jornal “Voz do Tua” (8 de Agosto de 1886, Mirandela), publicou [Fevereiro de 1897] o bi-semanário democrático e republicano “Aurora da Liberdade” de Vila Real, comemorativo do 31 de Janeiro e é director do bissemanário dedicado ao professorado, “O Ensino”, publicado em Coimbra, em 1903. Como curiosidade refira-se que Amadeu Sanches Barreto publica o estimado e raro livro do poeta de Alte, Cândido Guerreiro, “Sonetos” (Coimbra, 1904, p. 67).
 
A partir do nº 8, no cabeçalho do semanário aparece José Soares Coronel como editor, mantendo-se até ao seu fim

Os artigos publicados são, no fundamental, de interesse local, mas bem curiosos, caso da “Homenagem aos Vencidos do 31 de Janeiro” (nº2) que relata a comemoração dessa data na Figueira da Foz pela gente republicana; e o comício promovido pelo Centro Eleitoral Republicano José Falcão no Teatro Chalet [presidido por Amadeu Sanches Barreto, em substituição do dr. Bernardino Machado, impossibilitado por motivo de doença; foi lida inúmeros telegramas, do dr. Afonso Costa, António Luís Gomes, Pádua Correia, Malva do Vale, França Borges, tendo participado e usado da palavra republicanos de vulto, como Fausto de Quadros, Adriano do Nascimento, Joaquim Cortesão] e a “grandiosa” manifestação que se lhe seguiu (nº7, 10 de Março 1904).

[Algumas assinaturas] Colaboração: “A. Roinuj”, “Aber”, [Manuel Augusto] Cardoso Marta, Artur de Oliveira Santos, Artur Ribeiro, Cândido Guerreiro, Constantino Gomes Tomé, Cyro Ferreira, Domingos Albariño, Duarte Lima, Fausto de Quadros, Gustavo Adolf Bergstrom, “Index”, J. Astoc, João de Barros, Joaquim Cortesão, José Augusto de Medeiros, Matias d’Alverca, Maurício Aguas Pinto, “Mortsrgreb”, “Neto” (António Fernandes Silva?), “Phaon”, Tavares de Almeida, Tomás da Fonseca, Reynaldo de Carvalho, Simões Ferreira.

J.M.M.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

“GRUPO CARAS DIREITAS”. O INÍCIO (1907-1911)


Pedro Frota, “Grupo Caras Direitas”. Os Cinco primeiros anos (1907-1911), Buarcos, Impressora Económica, Outubro de 2007, 264 p.
… O livro pretende contribuir para a elaboração da história do Grupo Caras Direitas, fundado na vila de Buarcos em 1907 (…)
Como se perceberá, as vicissitudes e os sucessos do Grupo Caras Direitas, estão muito associadas ao que decorreu nesses anos em Portugal no campo político, económico e social. Fizemos para isso um enquadramento das actividades do Grupo no Portugal dos inícios do século XX. Abordamos a questão da formação do Grupo, o papel dos seus principais promotores e dos restantes sócios que a ele aderiram, e ainda, a intervenção que o Grupo exerceu na sociedade em que estava inetgrado a nível cultural, política e solidariedade social.
Ao longo deste estudo, entramos também numa visão mais aproximada da maçonaria, carbonária e do republicanismo em Buarcos e na Figueira da Foz. A Maçonaria e o republicanismo são fundamentais para compreender o início do Grupo Caras Direitas. Nesses aspectos, não é um estudo exaustivo, mas abordamos o contributo do Grupo Caras Direitas nesses campos, tendo sido coligida alguma informação dispersa…” [da Introdução, p.5]


Trata-se de um curioso e estimulante trabalho de Pedro Frota, efectuado para a “cadeira de Introdução à História do Curso de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra”. O estudo sobre o Grupo Caras Direitas, a que se propõe o autor, é estimulante, apresentando um conjunto de notas apreciáveis sobre o republicanismo em Buarcos e Figueira da Foz, de maior importância para a história local. As anotações biográficas dadas, a reflexão sobre a história maçónica local, as referências à carbonária, ao movimento republicano, à imprensa figueirense e às associações de beneficência e instrução locais, são preciosas e de inegável qualidade.

J.M.M.

sábado, 1 de novembro de 2014

DIÁRIO DE UM CARBONÁRIO


LIVRO: "Diário de um Carbonário" (2014);
AUTOR: Mário Silva Carvalho [prémio literário João Gaspar Simões 2012];
EDIÇÃO: Chiado Editora

LANÇAMENTO NA FIGUEIRA DA FOZ:

DIA: 7 de Novembro (18,30 horas);
LOCAL: Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás (Figueira da Foz);
ORADOR: Doutor Luís Machado

“...Turbas gemendo esfarrapadas
Sem luz, sem pão e sem moradas;

Estes versos de Guerra Junqueiro retratam com violência o cenário em que se viveram os últimos anos do regime monárquico em Portugal. Fascinado pelo acontecimento histórico que foi a mudança de regime, questionei-me com que heroicidade se enfrentaria o quotidiano, quais seriam as aspirações do homem comum, do cidadão anónimo, daqueles a quem a vida mais parece enredar os dias do que oferecer oportunidades de gerir as escolhas. Como se associaram, agiram e traçaram as linhas que marcaram o seu tempo e a nossa história. A minha busca levou-me a este “Diário” esquecido. Em que um cidadão comum relata os acasos da sua vida e o seu testemunho e papel interventivo nesses anos tumultuosos. É o registo do quotidiano de uma cidade em convulsão, analisado pelo olhar limitado, mas curioso e quase espantado de um rapaz à procura de um caminho para o seu futuro, relatando os factos e os atos em que participou.

Aqui fica, passados mais de cem anos, o seu testemunho” [AQUI]
 
J.M.M.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

CARBONÁRIOS E OUTROS REVOLUCIONÁRIOS



EDITORA: Arandis, 2014.

“Carbonários e Outros Revolucionários resulta de uma investigação completamente inédita sobre esta temática, com uma visão geral da Carbonária Portuguesa e uma análise do caso da Carbonária Portimonense.

Uma obra de cariz histórico, mais um contributo para a elaboração de uma História de Portimão.

Quem foram os carbonários e revolucionários portimonenses, que vestígios há da sua presença em Portimão e que relação havia entre eles são algumas questões que terão resposta nesta obra”. [AQUI]

J.M.M.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CURSO LIVRE MAÇONARIA E CARBONÁRIA



DATAS: de 22 de Maio a 28 de Junho 2014 ;
LOCAL: Biblioteca Museu da República e Resistência [Espaço Universitário, Rua Alberto de Sousa, 10 A, Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português & Biblioteca Museu da República e Resistência;
PROGRAMA: AQUI

De 22 de Maio a 28 de Junho de 2014, das 18.00H às 20.00H, o Museu Maçónico Português, promove um conjunto de oito conferências integradas no Curso Livre “Maçonaria e Carbonária a realizar em parceria com a Biblioteca Museu da República e Resistência, nas suas instalações do Espaço Cidade Universitária, na Rua Alberto de Sousa, nº 10 A - Zona B do Rêgo. As inscrições poderão ser feitas através do tel. 213 424 506, ou do e-mail museumaconicoportugues@gmail.com.

O Curso Livre “Maçonaria e Carbonária” resultou, em boa hora, de uma proposta apresentada pela Biblioteca Museu República e Resistência (BMRR) ao Museu Maçónico Português, no sentido de organizar este curso com vista a facultar ao público da BMRR uma informação mais sistematizada e consistente sobre os grandes temas que enformaram a vivência da Maçonaria em Portugal, nomeadamente as eventuais relações com a Carbonária, que já foi tema, em tempo pretérito, de debate e publicação por aquela instituição.

Nesta ordem de ideias, seleccionaram-se oito temas em torno dos quais se organizaram correspondentes conferências, recorrendo à colaboração de oradores de reconhecidos créditos na abordagem de cada um deles.

Assim, desde os movimentos espirituais e filosóficos do início do séc. XVIII, em que emerge a Maçonaria em Inglaterra, passando pelos seus primórdios em Portugal, este Curso Livre abordará todo um conjunto significativo de temas, ao longo da existência de mais de 280 anos da Maçonaria no nosso país, culminando com uma conferência sobre os caminhos e encruzilhadas com que esta se confronta na sociedade global em que vivemos, face aos problemas, desafios e oportunidades que esta nos apresenta, que será, melhor do que ninguém, abordada pelo Prof. Doutor António Reis – Past Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano e Presidente do CLIPSAS (organismo internacional que visa reagrupar as Obediências Maçónicas da maçonaria liberal e adogmática de todo o mundo e congregar maçons, homens e mulheres, que considerem que a "Liberdade Absoluta de Consciência é a grande vitória da humanidade sobre ela mesma").

O preço de inscrição neste Curso Livre é de 20€ e dá direito a

- frequência às oito conferências, referidas no seu programa

- documentação de apoio, para cada conferência, a enviar via e-mail

- visita guiada ao Museu Maçónico Português, no final do Curso

- almoço no restaurante do Palácio Maçónico, no final do Curso

- diploma de frequência do Curso"

CUSTO: 20€ (inclui frequência do curso livre, documentação de apoio, visita guiada ao Museu Maçónico, almoço no Restaurante do Palácio Macónico);


Inscrições e pagamento: museumaconicoportugues@gmail.com

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

 J.M.M.