Bissaya-Barreto fez parte da geração de estudantes da
Greve Académica de 1907. Frequentava, na altura, o 1º ano da Faculdade de Medicina e foi um dos 160 alunos (chamados
Intransigentes) que não renovaram a matrícula para fazer exame.
Eis, sobre ele, uma breve nota:
Fernando Baeta Bissaya Barreto Rosa nasce em Castanheira de Pêra a 29 de Outubro de 1886, filho de Albino Rosa e de Joaquina Baeta Bissaya Barreto. Faz os seus estudos primários em
Coimbra, em regime de pensionato, e depois entra para o liceu. Matricula-se, o que era normal na época, em três faculdades - a de medicina, e em Filosofia e Matemáticas Superiores. Refere o próprio
Bissaya-Barreto, o seguinte:
"
Estudava medicina para satisfazer as tradições de minha família [note-se que o seu pai era farmacêutico e tinha na família vários médicos], a filosofia para me satisfazer a mim próprio, e as matemáticas porque estava persuadido que era engenharia a carreira que me esperava” [in,
Bissaya-Barreto, de
Pierre Goemaere, 1942]
Na
Faculdade de Medicina acaba a licenciatura em 1913, formando-se, anos antes, em Filosofia e Matemática, com excelentes notas. Lecciona, ainda sendo aluno, no
Colégio de Coimbra, a disciplina de Ciências Físicas e Biológicas, colaborando na altura com o professor
Sidónio Pais, que decerto muito o influenciou.
Em
Coimbra, enquanto estudante, foi convicto republicano. Pertenceu, quando frequentava o 4º ano de medicina, ao
Comité civil da organização carbonária autónoma de Coimbra, "
Carbonária Portugália", em Janeiro de 1910, do qual fazia parte
Ramada Curto,
Floro Henriques,
Emílio Martins,
Pestana Júnior,
Simões Favas,
Júlio da Fonseca,
Costa Ramos,
Lino Gameiro,
Garraio da Silva, entre outros. Ao mesmo tempo, faz parte, em Coimbra, da
Loja Revolta (aliás, como todos os do comité de estudantes da
Carbonária Portugália) com o nome simbólico
Saint Just, tendo atingido o grau 5º do Rito Francês [
ver Almanaque da República, 1913 e A.H.Oliveira Marques, Dicionário da Maçonaria Portuguesa, vol. I, Editorial, Delta, Lisboa, 1986]. Participou, como delegado, no Congresso do
Partido Republicano, realizado em Coimbra.
Foi
Bissaya-Barreto colega de
Oliveira Salazar na Universidade, acompanhou-o depois na tertúlia do
CADC, e pode dizer-se, tal era a admiração pessoal que tinha por ele, que foi salazarista antes do salazarismo. O ditador soube, mais tarde, agradecer-lhe a atenção dedicada.
Acabada a licenciatura em
Medicina,
Bissaya-Barreto opta pela vida política, fazendo-se eleger para o círculo eleitoral da
Figueira da Foz, para a
Constituinte de 1911. Em Lisboa, frequenta a
Escola Médica e as aulas do professor e cirurgião
Cabeça, ao mesmo tempo que o parlamento. Passado 3 anos regressa a
Coimbra, onde faz provas para professor agregado da
Faculdade de Medicina, regendo depois a cadeira de "
Técnica Cirúrgica" e exerce clínica. Como
cirurgião, percorre a província, operando em Vila Real, Guarda, S. Comba Dão, Mealhada, Castanheira de Pêra, Figueira da Foz.
Bissaya-Barreto que fez parte (1932) da
Comissão Central da União Nacional [juntamente com
Manuel Rodrigues,
Armindo Monteiro,
Lopes Mateus, e sob chefia de
Salazar], foi, ainda,
Presidente da Junta da Província da Beira Litoral, procurador à
Câmara Corporativa e, ao longo do tempo, teve uma acção no campo
social e da
saúde pública muito importante. Impulsionou sanatórios, leprosarias, casas da criança, refúgios para velhos, institutos maternais, bairros económicos, campos de férias, colónias balneares, estando à frente da campanha contra a tuberculose, a lepra e a loucura. Mandou fazer a
Escola Normal Social e o
Portugal dos Pequeninos. Em [26 de Novembro] 1958, criou uma
Fundação, em
Coimbra, que tem o seu nome, justamente na casa onde habitou. Após o 25 de Abril foi exonerado de todos os seus cargos, morrendo em Lisboa a 16 Setembro de 1974.
Além de artigos em revistas, publicou
O Sol em Cirurgia (1915) e
Subsídios para a História (1946-1964), em 7 volumes.
J.M.M.