Um interessante artigo extraído de uma publicação, de número único, intitulada A Raça, publicada em 09 de Abril de 1930.
Toda a publicação é dedicada à participação portuguesa na Grande Guerra e conta com colaborações preciosas de muitos dos intervenientes como o General Luís Augusto Ferreira Martins [cuja nota biográfica pode ser consultada AQUI.] ou Assis Gonçalves [cuja nota biográfica pode ser consultada AQUI.]. Além disso, conta com uma ilustração de um quadro do pintor que se notabilizou durante a I Guerra Mundial, Sousa Lopes [ com uma excelente nota biográfica disponível AQUI.].
[NOTA: Descarregar a imagem para ver melhor o artigo]
A.A.B.M.
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terça-feira, 9 de abril de 2013
9 DE ABRIL DE 1918 - 9 DE ABRIL DE 2013
No dia em que se assinala os 95 anos da Batalha de La Lys, fomos tentar descobrir que ainda fala/publica sobre o assunto.
Mais do que lembrar o acontecimento, importa sobretudo compreender as suas consequências. Estas, para Portugal, foram terríveis. Foi um dos momentos decisivos da I Guerra Mundial e sobretudo, para as tropas do Corpo Expedicionário Português, tiveram consequências desastrosas. Este acontecimento fez agravar ainda mais a débil situação económica, política e social que se vivia em Portugal.
Ao nível político, a participação de Portugal na Guerra, fez desagregar o sistema partidário português. As principais figuras da propaganda republicana, que tinham muitas delas defendido a participação de Portugal na Guerra, afastaram-se da vida política nacional. Surgiram novas figuras e múltiplos partidos e facções que só vieram degradar cada vez mais a vida política em Portugal, arrastando-o para uma instabilidade permanente. As revoltas, conspirações e tentativas revolucionárias intensificam-se com o final da guerra. Os militares tornam-se cada vez mais protagonistas desses movimentos que vão culminar com a revolta de 28 de Maio de 1926.
Ao nível económico, a situação degrada-se cada vez mais. As despesas de guerra implicaram a falência da frágil economia da República. A população vivia, na sua grande maioria, ligada à agricultura e sentia cada vez mais a carestia de vida. Os preços a aumentar, a fome da população e os açambarcadores a especularem com os preços dos bens essenciais conduziram a várias crises de abastecimentos que os governos tiveram muita dificuldade em combater e resolver, em parte devido aos problemas da instabilidade política e à legislação muitas vezes contraditória. Uma das medidas positivas foi o apoio concedido à criação do Crédito Agrícola e que conduziu ao aparecimento das caixas de crédito agrícola que ainda hoje existem pelo País. Por outro lado, o lento processo de industrialização, com um reduzido número de fábricas e com um operariado muito localizado, com baixos salários. Durante a guerra, uma das indústrias que conheceu algum florescimento, tal aconteceu depois na 2ª Guerra Mundial, foi a indústria de conservas (em particular de peixe). Os principais sectores industriais eram a indústria têxtil, a moagem, as madeiras e mobiliário, a metalurgia, a indústria corticeira, a cerâmica, o vidro, a indústria química e, por fim, a indústria dos cimentos. As grandes concentrações industriais localizavam-se preferencialmente junto ao litoral, nas periferias de Lisboa, Porto, Setúbal, na região do Ave e na região de Leiria.
A nível social, os governos da República tentaram adoptar um conjunto de medidas que poderiam favorecer o operariado: decretou-se a semana das 48 horas de trabalho; estabeleceu-se a obrigatoriedade do seguro social (para acorrer nos momentos de doença, acidente, velhice); construíram-se bairros operários por conta do Estado. No entanto, estas medidas legislativas acabaram por nunca conseguir avançar porque nunca foram regulamentadas e, na prática nunca chegaram a ser implementadas. Os salários, em especial dos funcionários públicos, continuaram a baixar de acentuada. Os movimentos grevistas associados a situações de revoltas locais, assassinatos, atentados à bomba foram uma constante, por exemplo no ano de 1919. A emigração, em especial para o Brasil, foi uma constante durante todo o período da República, e embora tenha diminuído durante a Grande Guerra, foi depois retomada de forma regular.
Fazendo uma pesquisa na internet procuramos localizar que ainda relembra os acontecimentos de 9 de Abril de 1918, no último mês e encontramos ainda alguns cidadãos portugueses com memória, que recordam, homenageiam ou traçam algumas opiniões sobre a Batalha de La Lys.
Vejamos então:
- O único jornal diário (com edição online) que recorda os acontecimentos é o Correio da Manhã, AQUI, por J. V.;
- João Tilly no seu blogue também recorda os acontecimentos AQUI.
- O Dr. Manuel Sá Marques também recorda os acontecimentos AQUI.
- O Dr. Emílio Ricon Peres, assinala a efeméride no blogue Memória da República AQUI.
- Fernando Morais Gomes, no blogue O Reino de Klingsor, refere o assunto AQUI.
- António Manuel Fontes Cambeta, no seu blogue O Mar do Poeta, recorda o evento AQUI.
- Carlos Loures, no blogue A Viagem dos Argonautas, evoca os acontecimentos acompanhando de um video documentário AQUI.
- Luís Barata, no blogue Prosimetron assinala a efeméride AQUI.
- José Neves no seu blogue APC Gorjeios recorda o envolvimento familiar nos acontecimentos AQUI.
- Tiago JVGFno blogue Cruz de Guerra assinala a efeméride AQUI.
Outro provavelmente irão referir-se aos acontecimentos ao longo do dia, mas até às 16 horas estas eram as referências disponíveis.
Um acontecimento histórico que os portugueses ainda vão lembrando, mesmo passando quase 100 anos após a terrível batalha.
[NOTA: a fotografia retrata o acampamento da 2ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português, em 1918.]
A.A.B.M.
AOS SOLDADOS PORTUGUESES CAÍDOS NA BATALHA DE LA LYS
AOS SOLDADOS PORTUGUESES CAÍDOS NA BATALHA DE LA LYS
► Cartaz memorial dos soldados portuguesas caídos na Batalha
de La Lys (França, 9 de Abril de 1918), durante a I Guerra Mundial, 1919.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
O 9 DE ABRIL - POR FERREIRA DO AMARAL
O 9 de Abril – por Ferreira do Amaral
"... Os senhores políticos, com a maior impolítica começaram a acusar-se mutuamente de responsáveis pelo que se passou, nos pântanos da Flandres, no dia 9 de Abril de 1918, esquecendo-se todos eles de que o general alemão Ludendorff não consultou nenhum dos partidos políticos de Portugal para tomar a deliberação de forçar o caminho de Calais, nesse dia; e que também não explicou a nenhum político do nosso paiz, porque é que não deliberou atacar esse ponto da frente aliada, antes ou depois de 9 de Abril de 1918.
Os políticos denominados ‘democraticos’ vomitam pragas contra os chamados ‘sidonistas’, acusando-os de responsáveis pelo desastre de 9 de Abril, o que nos leva a concluir que estão convencidos, ou que sabem de fonte segura, que os ‘sidonistas’ pediram ao general alemão a fineza de atacar os portugueses, sem falta, nesse dia!
Em revindita, os ‘sidonistas’ despejam sobre os ‘democraticos’ as maiores diatribes, tornando-os responsáveis pelo desastre de 9 de Abril: e deste modo, devemos ou podemos concluir que os ‘sidonistas’ possuem documentos, em que provarão, a seu tempo, que o governo que mandou as tropas para o ‘Front’ ocidental, empregou todos os esforços para que os portuueses fossem colocados num sector, que de antemão se sabia dever ser atacado no dia 9 de Abril de 1918!
Ambos os adversários chamam ‘DESASTRE’ ao que se passou nesse dia com os portugueses, que procuraram evitar o avanço alemão até onde o seu máximo esforço o permitia.
É caso para notar uma falta que ambos os partidos cometeram, para se poderem acusar mutuamente; foi o não terem enviado a tempo, delegados especiais para assitirem ao ‘DESASTRE!’.
[Major d'Infantaria Ferreira do Amaral, in A Batalha do Lys. A Batalha d’Armentières ou o 9 de Abril, Lisboa, Typ. do Comercio, 1923, p. 8-9]
J.M.M.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
A BATALHA DE LA LYS
Na obra de Assis Gonçalves, Na Ceplândia. Retalhos da Grande Guerra onde se relatam algumas vivências do autor na Batalha de La Lys. Diz-nos este autor:
Fui para junto dos meus soldados.
Às 11 h e meia [dia 9 de Abril de 1918] resolvi continuar a marcha.
Mandei formar e segui pela estarda que me fora indicada.
O que durante esta marcha ia observando, é impossível descrever-se:
O meu pensamento ia absorto e contemplativo na estética visão de um maravilhoso-horrível.
Para além, por trás dos bosques, subiam aos milhares os very-ligths, num cordão luminoso de variadas cores, ininterrupto e deslumbrante.
Era um novo front, onde tantas vidas se imolavam à luz trágica do mais soberbo arraial de guerra.
Não tem a arte humana tintas suficientemente coloridas ou expressões suficientemente claras para poder traduzir a mais pálida visão da realidade trágico-formosa desse quadro, onde brilhava a agonia, sorria o sacrifício e o maravilhoso brincava! ... Automóveis, camions enchem as estradas, correndo em todas a direcções, febris, nervosos, agitados, na ancia de salvar arquivos, material, bagagens, arrastando tudo, tudo, lá para traz, para longe!... [...]
Caminho pensativo, triste desolado, sentindo o peso inútil desta farda que me cobre, que me esmaga, que me oprime! ... Tinha-a lavado nesse dia, é certo, no sangue do sacrifício, mas isso não me parecia bastante, quisera ter morrido!
Salvara-me por acaso, vivia por um milagre, a sorte fora comigo, mas se houvera ficado no front, teria sido mais feliz. A vida é um fardo pesado cuja tara é o sofrimento. [...]
[Na fotografia, tropas portuguesas a preparar-se para participar na Grande Guerra de 1914-1918, no campo militar de Tancos.]
A.A.B.M.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
A TRINCHEIRA DA FLANDRES: 90 ANOS DEPOIS
Trincheira da Flandres: 90 anos depois
O Corpo Expedicionário Português [C.E.P.], formado oficialmente em 1917 [17 de Janeiro] - após a reorganização "acelerada" da tropa portuguesa [no que foi conhecido pelo "milagre de Tancos"] pelo [então] Ministro da Guerra, Norton de Matos, e o general Tamagnini de Abreu -, entra no dia 8 de Fevereiro de 1917 no território da Flandres, disposto [passe a impreparação e o desconhecimento da situação] a lutar, na guerra que se travava na Frente Ocidental, contra as forças alemães. Foi a 23 de Novembro de 1914 que, em reunião extraordinária, o Parlamento Português aprova a intervenção, ao lado da "velha" aliada Inglaterra e a seu pedido [através do Memorando de Outubro de 1914], contra a Alemanha.
A declaração formal de guerra da Alemanha a Portugal [9 de Março de 1916] que se seguiu, era o esperado, face à guerra surda que portugueses e alemães travavam no norte de Moçambique [datavam de Julho de 1914, as "primeiras escaramuças"] e a sul da Angola.
O aceso debate que então se travou entre os intervencionistas [como Afonso Costa, Bernardino Machado, João Chagas, Norton de Matos, Jaime Cortesão, Machado Santos] e os neutralistas [caso de Brito Camacho, Freire de Andrade, Sidónio Pais] no envolvimento de Portugal na I Grande Guerra, a par da enorme instabilidade política que então existiu [movimentações monárquicas, queda de governos, dissolução da Assembleia, cisões na Maçonaria, greves e lutas operárias contra a carestia de vida e a fome], tornam este período particularmente difícil e conturbado.
A 9 de Abril de 1918, a 2ª Divisão do CEP chefiada por Gomes da Costa [cansada, sem ser reforçada, abandonada pelos oficiais e esquecida deliberadamente pelo então levantamento militar Sidonista, que era contrário à presença portuguesa na guerra], sofre uma pesadíssima derrota e fica destroçada, pela ofensiva ["Georgette"] do 6º Exercito alemão, traçada por Ludendorff, na Batalha de La Lys. Com milhares de baixas e muitos prisioneiros [7.500] a Flandres será, no dizer de Jaime Cortesão [in Memórias] o novo Alcácer-Quibir, da nossa memória.
J.M.M.
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