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sábado, 4 de novembro de 2017

[CONGRESSO INTERNACIONAL] LUTERO – TESES – 500 ANOS



CONGRESSO INTERNACIONAL: 500 Anos - Lutero - Um Construtor da Modernidade;
DIAS: 9, 10 E 11 de Novembro 2017;

LOCAL: Fundação Calouste Gulbenkian [Avenida de Berna], Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Universidade Lusófona | Sociedade Portuguesa da História do Protestantismo.

Na Comemoração dos 500 Anos da fundação do “movimento da reforma protestante”, a Universidade Lusófona e a Sociedade Portuguesa da História do Protestantismo promovem um importante CONGRESSO, de âmbito internacional, sobre "Lutero: um Construtor da Modernidade”.

Durante três dias, na Fundação Calouste Gulbenkian, há lugar à apresentação e debate de um “conjunto de abordagens críticas sobre a relevância da Reforma Protestante como bem cultural e sobre a pertinência do seu pensamento na construção das identidades e representações da cultura europeia, em geral, e portuguesa, em particular” [AQUI], a partir de V Eixos Temáticos: Os percursos do longo século XVI; Teologia(s) da(s) Reforma(s); As Novas Fronteiras da Epistemologia; Reforma, Sociedade, Cultura; A Reforma para cá dos Pirenéus e para lá do Atlântico.

 
 

- "A 31 de outubro de 2017 passam 500 anos sobre o que pode ser considerada a fundação do movimento reformador do século XVI. Ficou para a história que nessa data em 1517 o monge alemão Martinho Lutero (1483-1546) afixou na porta da igreja do castelo de Vitemberga as suas 95 teses sobre as indulgências. Este momento veio a funcionar como arranque da Reforma Religiosa na Europa contribuindo para o subsequente surgimento do protestantismo e reorganização política, social e cultural do continente.

A Reforma Protestante não mudou apenas a história da religião cristã, transformou a Alemanha, influenciou a Europa e os outros continentes. Ainda que devedora a diversos movimentos precursores, enquanto mundivisão, plasmada tanto no espaço sagrado como no universo profano, sem ela não é possível compreender o seu próprio tempo mas também o que daí advém em termos de pensamento filosófico e mesmo da geocultura europeia que se desenvolveu nos últimos quinhentos anos. Da modernidade à contemporaneidade, o pensamento teológico mas também a literatura, a música, as artes plásticas, a educação, a economia, o direito e as ciências foram impregnadas pelo pensamento da Reforma. Quinhentos anos depois, que herança ficou da dinâmica reformadora? Que legado recebemos em nossas mãos? Que influência permaneceu viva até hoje?

O Congresso Um Construtor da Modernidade: Lutero – Teses – 500 anos pretende refletir sobre as múltiplas dimensões do movimento da Reforma, suas consequências e sua influência atual no mundo. Queremos ajudar a contribuir para (re)visitar o pensamento de Lutero como um dos construtores da modernidade, sendo esta uma oportunidade para inspirar tanto a memória coletiva europeia como o imaginário nacional. Além do seu capital religioso, sob forma de conhecimento e experiência humana, não podemos perder de vista os valores filosóficos e estéticos que nos ajudam a compreender tanto a presença como a ausência da Reforma Protestante no percurso intelectual, artístico ou cívico da cultura e sociedade portuguesa. Reconhecendo o pensamento de Martinho Lutero como um excecional objeto de estudo, a realização de um encontro científico visa promover o estudo sobre o papel e a influência da Reforma Protestante para a compreensão da nossa contemporaneidade.

O Congresso conta com a intervenção de teólogos, biblistas, exegetas, historiadores, filósofos, sociólogos e outros cientistas sociais que contribuam para a promoção de um olhar interdisciplinar sobre as marcas do pensamento que advém da Reforma, revisitando os seus princípios e valores, pelo que se assume como um exercício de cidadania que torna visível a nossa autocompreensão como indivíduos mas também “comunidade imaginada” [AQUI]
 
 

No que ao Almanaque Republicano diz particularmente respeito, registemos as seguintes comunicações / intervenções:

DIA 9: “Revisitando a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber — ou sobre o interface da ideologia com o real” [Onésimo Teotónio de Almeida] | Reflexos da teologia de Lutero na cultura e literatura [Eduardo Lourenço] | “Martinho Lutero - Justiça e Liberdade” [Michael Knoch] | Protestantismo e judaísmo: Bíblia, Antigo Testamento e mecânicas de refundação e de eleição” [Paulo Mendes Pinto] | “As ordens religiosas e o espírito de reforma: a Reforma Luterana no quadro das reformas do cristianismo” [José Eduardo Franco]

DIA 10: “O Espírito da Reforma em Portugal” [Guilherme d’Oliveira Martins] |  “Padres e Educadores Católicos nas malhas do proselitismo protestante em Portugal” [Luís Machado de Abreu] | “Educação para todos na Reforma: Direito e Liberdade” [Wilson do Amaral Filho] | “Instituição-Escola e Reforma Protestante: Lutero e Plano Secular de Ensino” [Justino Magalhães] | “The Age of Mercy: Savonarola and Luther” [Luigi Lazzerini] | “Uma modernidade antiluterana: Nietzsche e a crítica ao espírito do capitalismo” [Gianfranco Ferraro] | “Protestantismo e Maçonaria em Portugal” [António Ventura] | “Protestantismo e Maçonaria em Espanha” [José-Leonardo Ruiz Sánchez] | “O Manuscrito contra os Protestantes do P.e João Baptista de Castro” [Manuel Curado] | “Escutismo e formação do cidadão: reflexões em torno da introdução do escutismo em Portugal no contexto republicano” [Joaquim Pintassilgo] | “Influências protestantes no movimento da Escola Nova” [Rita Balsa de Pinho]

DIA 11: “1517: A arquitetura e o discurso de poder em Portugal no tempo de Lutero” [Ricardo Silva] | “Protestantes e Jesuítas em confronto de doutrinas e representações: a visão paradigmática do Padre António Vieira” [José Eduardo Franco] | “Lutero e o jovem Marx” [Marcos José de Araújo Caldas] | “A cultura portuguesa e o protestantismo” [Miguel Real] | “Refrações do protestantismo na literatura portuguesa” [Annabela Rita] | “Lutero, Junqueiro, uma Vinha e um Senhor” [Henrique Manuel Pereira] | “1917 e Lutero. Há cem anos, coisas do diabo... ou do Pe. Júlio Maria De Lambaerde” [Alexandre Honrado] |  “A legitimação da autoridade segundo Lutero” [Rui Oliveira] | “ A Misericórdia e as 95 Teses de Lutero” [Teresa Toldy &  Rui Estrada] |  “Impactos de Lutero e da Reforma no Império Português: a Ásia e o Brasil (1520-1580)” [José Pedro Paiva].

J.M.M.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA. DISCURSO PRONUNCIADO NA SUA SESSÃO INAUGURAL POR AURÉLIO QUINTANILHA




LIVRO: A Universidade Livre de Coimbra (reed. 1925);
AUTOR
: Aurélio Quintanilha; Prefácio de Paulo Archer de Carvalho
EDIÇÃO: Editora Lema d’Origem (2017); 

APOIOS: Pró-Associação 8 de Maio | União das Freguesias de Coimbra | GAAC | Ateneu de Coimbra




LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 12 de Outubro 2017 (18,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro, 64);
ORADOR: Professor Doutor Carlos Fiolhais.

“A formação da Universidade Livre de Coimbra – Instituto de Educação Popular (ULC, 1925-1933) obedeceu ao estratégico desiderato de efectiva instrução pública complementar, gratuita, voluntária e demopédica que anima a acção programática das similares universidades populares que, entre nós e após a instauração da República, se possibilitaram e expandiram. Acção inscrita num movimento europeu muito vasto (Bélgica, França, Inglaterra) de congéneres universidades populares e livres (em rigor, não sinónimas, por vezes mesmo dicotómicas), originado após os meados do século XIX, do qual manterá no fundamental a matriz democrática e laica.

No específico contexto histórico marcado, contudo, pela derrisão da I República, a ULC representou um dos derradeiros programas práticos da militância laica e da livre solidariedade dos intelectuais com o operariado e o pequeno funcionalismo. Não admira, também por isso, que na sua plural circunstância fundadora convirja dúplice e indesmentível influência republicana e maçónica, concatenada na pedagogia, prática, dos direitos, liberdades e garantias fundamentais da cidadania: materializando reivindicações populares de acesso das mulheres à escolarização, de educação sexual, de higiene e implementação de infantários, na exigência de construção do ensino técnico profissional e na formação contínua dos formadores. Propostas estas que a Constituição da República Portuguesa de 1911 não asilara” [Paulo Archer de Carvalho, inAlgumas anotações póstumas: a apresentar a conferência e o conferencista”, p. 9-10]




Trata-se da reedição do raro e estimado opúsculo do cientista, investigador, professor, pedagogo, libertário e maçon, Aurélio Quintanilha (1892-1987) e que transcreve o discurso por si pronunciado na sessão inaugural da Universidade Livre de Coimbra, a 5 de Fevereiro de 1925, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

As Universidades Livres nascem do ideal civilizador, laico e republicano, de ser a instrução um factor, por excelência, de promoção social, moral e intelectual das camadas populares. A educação popular, o ensino e o amparo moral eram, assim, tomadas como “extensões universitárias” e onde os professores, saindo das suas “torres de marfim” uniam o intelectual ao “manual”, espalhavam conhecimentos e sábios ensinamentos, cumprindo o dever de formar e unir homens livres. De facto, os cursos livre, as conferências realizadas e as inúmeras atividades realizadas (visitas de estudo, excursões), despertaram grande interesse, e dizem que estávamos, sem dúvida, na presença do melhor e mais valioso escol intelectual da nossa Primeira República.

ANOTAÇÃO SOBRE AS UNIVERSIDADES LIVRES: a Universidade Livre do Porto aparece em Dezembro de 1903, renovando-se a partir de 1912, com o magistério de Leonardo Coimbra.

Por sua vez, após a terceira tentativa gorada, a Universidade Livre de Lisboa [que teve sede na Praça Luís de Camões, nº42, 2º, Lisboa] surge publicamente em 28 de Janeiro de 1912 [pelo esforço do deputado republicano, mutualista, associativista e benemérito Alexandre Ferreira (pai do poeta José Gomes Ferreira) e maçon (irmão “Verdade”, da Loja Montanha), e seu primeiro presidente e pela dinamização de Tomás Cabreira (propagandista da República, mais tarde ministro das Finanças, ele próprio maçon, o irmão Solon, iniciado na Loja Portugal, de Lisboa, e na altura integrando a Loja Marquês de Pombal]. A sua sessão inaugural decorreu no Coliseu de Lisboa (Rua da Palma) e contou com a presença do presidente da República, Manuel de Arriaga, Queiroz Veloso (diretor da Faculdade de Letras e que presidiu à sessão), capitão Simões Veiga, tenente-coronel Almeida Lima (da Faculdade de Ciências), Tomás da Fonseca (pelas Escolas Normais) e Carneiro de Moura (pela Escola Colonial). Usaram da palavra, além de Queiroz Veloso e Alexandre Ferreira, Agostinho Fortes, Rui Teles Palhinha e Carneiro de Moura. Publicou a Universidade Livre de Lisboa um curioso Boletim [nº1, Janeiro de 1914; em 1916 denomina-se Boletim Patriótico da Universidade Livre], tendo a dirigi-lo Alexandre Ferreira. Cessa, a Universidade de Lisboa, as suas atividades em Março de 1935. O seu valioso património foi legado à Sociedade “A Voz do Operário”.

Em Coimbra, a Universidade Livre, é fundada em 5 de Fevereiro de 1925 e tendo como fundadores, Joaquim de Carvalho, Adolfo de Freitas, Alberto Martins de Carvalho, Alcides de Oliveira, Almeida Costa, Álvaro Viana de Lemos, António Sousa, Aurélio Quintanilha, Darwin Castelhano, Floro Henriques, Manuel Reis e Tomás da Fonseca.

A Universidade Livre teve a sua delegacia na Figueira da Foz, com sessão inaugural a 5 de Abril de 1929 e realizada no salão Nobre dos Paços do Concelho. Abriu a sessão o dr. João Monsanto, lendo uma carta do dr. Joaquim de Carvalho, impossibilitado de marcar presença, estando na mesa o capitão Melo Cabral (presidente da Comissão Administrativa Municipal), José Nicolau Borges (secretário e representante do operariado figueirense) e Francisco Águas de Oliveira (pelo professorado), seguindo-se uma palestra pelo dr. Luís Carriço (figueirense e professor da UC) com o tema “Como se viajava dantes e como se viaja hoje em África”. A delegacia da Figueira da Foz teve a sua sede nas instalações da Biblioteca Municipal e a sua comissão executiva era constituída por António Vítor Guerra, Mário Dias Coimbra, Manuel Neves da Costa, Fausto Pereira de Almeida e Jaime Viana. Abriu, posteriormente, a delegacia, uma escola nocturna de Instrução Primária, bem como cursos de geometria e escrituração comercial, na sede da Associação dos Carpinteiros. Inaugurou, em 1932, uma biblioteca móvel. Comemorou, com dignidade, o 31 de Janeiro, o 5 de Outubro, o 1º de Dezembro de 1640, o centenário de João de Deus. Tomás da Fonseca, Manuel Jorge Cruz, Cristina Torres, Maurício Pinto, comandante Jaime Inso, dr. Rocha Brito, Alexandre Ferreira, Neves Rodrigues, Afonso Perdigão, Afonso Duarte, Manuel Mariano, Manuel Gaspar de Lemos, Fernando Correia, foram alguns dos palestrantes das inúmeras conferências realizadas.       

J.M.M.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

ANTÓNIO SAMPAIO DA NÓVOA

 
 

… Vivemos governados por um excesso de estímulos, amplificados por uma sociedade que encontra na permanente exposição a melhor forma de se esconder, isto é, de não se pensar. Estranho modo de vida, este, que nos leva de ruído em ruído, preferindo o 'aborrecimento de viver'  à 'alegria de pensar' (Gaston Bachelard).

Precisa-se, neste 'tempo detergente', de um pacto de silêncio, de uma pausa que permita ver para além da poeira dos dias que correm. Pensar exige tranquilidade, persistência, seriedade, exigência, método, ciência …

O futuro ainda demora muito tempo? Nada mudou? Tudo mudou? Estamos num momento de transição. Pressentimos o fim de um ciclo histórico, iniciado em meados do século XIX, quando se inventou a modernidade escolar e pedagógica. Mas temos dificuldade em abrir caminho à contemporaneidade …

[António Sampaio da Nóvoa - Evidentemente. Histórias da Educação]

“ … Os economistas, especialistas e comentaristas “decretaram” (é esta a palavra certa) que se gasta de mais na educação. A ideia é falsa, mas toda a gente parece aceitá-la sem discussão. Estranho e medíocre consenso! É verdade que, durante um curtíssimo período de tempo, Portugal se aproximou, por volta do ano 2000, da média dos então 15 países da União Europeia... depois de séculos de atraso. Eu digo, se aproximou, porque, em termos de despesa total por aluno, só havia um país que gastava menos do que Portugal, que era a Grécia; e em termos de percentagem da despesa com a educação e formação em percentagem do produto interno bruto, Portugal continuava abaixo da média europeia. Claro que eu junto, como não podia deixar de ser, as três parcelas dos relatórios da União Europeia (despesa pública, despesa privada e despesa das empresas). É assim que se fazem as contas. É assim que se definem os objectivos estratégicos dos países.

Mas os nossos economistas, que gostam de torturar os dados até que eles confessem, limitam-se a citar a primeira parcela (despesa pública) e partem daí para um raciocínio que está todo ele errado. Desenganemo-nos. É urgente um maior esforço do Estado, e um maior esforço das famílias, e um maior esforço das empresas. Não queiramos colher aquilo que não semeámos! …”

[António Sampaio da Nóvoain Entrevista. Pela Educação]


… Disse, e repito, prefiro um mundo imperfeito, com liberdade, do que um plano perfeito, sem ela. Estou disposto a renunciar a tudo, menos à liberdade.

Sei bem que, nos tempos que correm, não podemos perder tempo com pessimismos. Fala-se das universidades como instituições com um grande passado (em Portugal, nascemos há mais de 700 anos) e com um glorioso futuro (dizem-nos que somos as instituições centrais das 'sociedades do conhecimento').

Um grande passado e um glorioso futuro. E o presente? Parece que o presente “desapareceu” no meio de tanto passado e de tanto futuro. A mim, interessa-me o presente, o presente futuro certamente, o presente como futuro.

O futuro? Mas o futuro não existe, exclamou um dia António Sérgio! Existe, sim. Existe o futuro como ideia. O que constitui uma nação não é uma causa eficiente: é sempre sim uma causa final: um projecto, um plano, uma ideia do que há-de ser …

[António Sampaio da Nóvoa]

J.M.M.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ESTADO NOVO E UNIVERSIDADE: A PERSEGUIÇÃO AOS PROFESSORES


AUTORES: Fernando Rosas & Cristina Sizifredo;
EDITOR: Tinta-da-China (Setembro 2013), p. 144.

A Perseguição aos Professores conta a história de todos aqueles que,  por motivos políticos, se viram impedidos de aceder à docência  universitária, foram afastados dos seus centros de investigação,  impossibilitados de progredir nas carreiras académicas ou  compulsivamente exonerados das suas funções como investigadores ou  professores das universidades portuguesas durante a Ditadura Militar e  o Estado Novo.

A depuração política do corpo docente universitário ou de quem a ele  pretendia aceder, quase sempre fundamentada em informações da polícia  política, atingiu um largo espectro de investigadores ou docentes,  muitos dos quais representavam, nos seus sectores – na matemática, na  medicina, na economia, na física, na agronomia, nas ciências humanas  –, o escol do pensamento científico português. A perseguição política  desses elementos por parte de um regime que considerava a liberdade de  opinião e de expressão, e portanto a liberdade científica, como  incompatíveis com a segurança do Estado, acarretaria nefastas e  duradouras consequências para o desenvolvimento científico em Portugal.

Muitos dos investigadores e docentes perseguidos pelas suas convicções  políticas viram-se forçados ao exílio em vários países da Europa e da  América Latina, ou nos EUA, onde livremente puderam exercer o seu  múnus científico. E aí semearam a marca indelével do seu saber,   deixando aos países que os acolheram aquilo que foram impedidos de  oferecer ao seu.

Não parece possível abordar o problema da depuração política das  universidades sem se compreenderem as relações do Estado Novo com o  saber científico e académico e, portanto, com as universidades, depositárias tradicionais desse conhecimento e órgãos por excelência  da sua reprodução. Tenhamos presente que no projecto político, ideológico e cultural da 'política do espírito', delineado no rescaldo  do plebiscito constitucional de 1933 com a criação do Secretariado de  Propaganda Nacional (SPN), virá a ser atribuído um papel claramente  periférico e subalterno ao saber académico, à cultura científica e às   universidades de uma forma geral”.  [ler AQUI - sublinhados nossos]
 
 J.M.M.

domingo, 12 de setembro de 2010

ENCONTROS COM … 100 ANOS DA REPÚBLICA – CONGRESSO NA FIGUEIRA DA FOZ


"... Uma oportunidade de reviver o ideário Liberal, assistir à implantação da República, passar pelo Estado Novo, sofrer a Guerra Colonial, saudar o 25 de Abril, discutir o Constitucionalismo, jantar com sabor a Casino, tomar Café com Livros, conversar com Escritores, entrar pelo Teatro dentro na Itália de Mussolini ..."

CONGRESSO: "Encontros com ... 100 anos da República"
DIAS: 2, 9, 16 e 30 de Outubro
LOCAL: Casino da Figueira da Foz
DINAMIZAÇÃO: Centro de Formação da Associação de Escolas Beira-Mar

Inscrições: professores [registo de acreditação CCPFC/ACC-63532/10 – 25 horas] e público interessado nas temáticas da História de Portugal do Século XX [consultar o BOLETIM DE INSCRIÇÃO]

Dia 2 de Outubro – Painel: "Do ideário Liberal ao Republicanismo"

1 - "O Ideário Liberal", pelo Prof. Henrique Fernandes Tomás, Pres. da Associação Manuel Fernandes Tomás;
2 - "Considerações sobre a História do Republicanismo Português", pelo Prof. Amadeu Carvalho Homem;
3 - "A República como Ética e como Regime", pelo Prof. Reis Torgal;
4 - "Exposição passo a passo: como organizar e construir uma Exposição", por técnicos do Museu Municipal Santos Rocha;
5 - Visita guiada à Exposição [em montagem]: "Evocação da Implementação da República" – a inaugurar dia 5 de Outubro.

Dia 9 de Outubro – Painel: "Dos Percursos do Estado Novo aos Caminhos da Guerra"

1 - "Propaganda, Manipulação e Repressão", pelo Prof. José Pacheco Pereira;
2 - "Homens para o Estado Novo", por Joaquim Vieira;
3 - "Guerra Colonial", por Joaquim Furtado;
4 - "Encontros com…100 anos de vida das mulheres em Portugal", pelo Profª Irene Pimentel;
5 - "A Música de intervenção como instrumento de oposição ao regime", por Francisco Fanhais.

Dia 16 de Outubro – Painel: "Da Revolução à Democracia"

1 - "A Primavera Marcelista e a oposição de 1969", pelo Prof. Luís Farinha;
2 - "Entre a censura e fim do jornalismo", pelo Prof. João Figueira;
3 - "25 de Abril", pelo general Augusto Valente;
4 - "O Constitucionalismo Democrático", pelo Prof. José Gomes Canotilho.

Dia 30 de Outubro – Painel: "Dos Percursos do Estado Novo aos Caminhos da Guerra"

1 – Avaliação: Apresentação dos Trabalhos dos formandos;
2 - "Mesa Redonda", com a presença de Carlos Brito, Francisco Moita Flores, Joaquim Vieira, José Jorge Letria e José Pedro Castanheira;
3 – Encerramento do Congresso, com a participação do tenor Luís Pinho [a realizar-se no Palácio Sotto Mayor] e entrega dos certificados.

INSCRIÇÕES no Centro de Formação da Associação de Escolas Beira-Mar

J.M.M.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A HISTÓRIA DAS PUBLICAÇÕES ESCOLARES DO LICEU DE AVEIRO DURANTE O ESTADO NOVO



Preia-mar s.f. nível máximo da maré; o maior nível atingido pelas águas, no fim da enchente; maré cheia; maré alta

A Escola Secundária de Estarreja, "aproveitando a abundância da maré", por ser a hora esperada e seguros dos trabalhos de marinharia, lançou a revista "Preia-Mar" (em versão digital, AQUI). São 98 páginas de "(re)encontro com pessoas e documentos", uma navegação à memória das gentes e das terras que a comunidade educativa serve, uma escrita que é um "tributo à natural afeição das gentes de Estarreja", ao labor da terra, da ria e ao mar. E pelo que se vê o vento foi próspero. Muitas felicitações!

No que a este "estabelecimento" diz respeito, fazemos referência à publicação do estimado texto de Maria de Jesus Sousa de Oliveira e Silva [MJSOS], "A História das publicações escolares do Liceu de Aveiro durante o Estado Novo" [pp. 9-15], aliás uma adaptação de uma parte do mestrado da autora em História Contemporânea de Portugal ["A história e o liceu no Estado Novo", Maio 1993], via FLUC.

É evidente que o trabalho académico de MJSOS foi um serviço que enriqueceu a (então?) pobre historiografia na área da história da educação e das ideias pedagógicas em Portugal, nomeadamente o importante e incontornável contributo da imprensa periódica escolar para o estudo das reformas educativas, mas que também nos traz a dimensão do pensamento pedagógico e a construção das instituições escolares, do mesmo modo que coloca a problemática e a natureza da cultura associativa, da organização, revindicação e luta do movimento associativo da classe docente. Da República ao Estado Novo e deste ao 25 de Abril não há dúvidas que a imprensa escolar é o lugar privilegiado, o lugar de afirmação, vigilância e regulação colectiva [cf. António Nóvoa] de luta (resistência) de ideias e valores dos/contra os regimes, que a partir dos seus conflitos e polémicas caracterizam ao longo de gerações não só a obra e o sistema educativo mas que reflecte, também, a ideologia e a acção governativa.

Da recolha feita à lista dos periódicos escolares portugueses [do sec. XIX-XX] por MJSOS, ressalta os apontamentos retirados sobre 3 (três) periódicos do Liceu de Aveiro: Labor (1926-73), Farol (1957-1970) e Anuário (1926-62). A escolha teve em conta a “continuidade em termos de publicação”, a “colaboração variada”, “representatividade de correntes de opinião”, “interligadas no tempo e no espaço”. Das revistas citadas, salienta-se para nós a "Labor" [aqui por nós citada], de iniciativa de um grupo de professores e editada à margem da política educativa da ditadura, que é de facto das mais importantes ligadas ao ensino secundário (liceal), pela sua tomada de posições contra o ensino livresco e memorizado, pela aplicação de "sãos e racionais preceitos pedagógicos e didácticos modernos", pela organização de vários "Congressos Pedagógicos do Ensino Liceal", pelo tom crítico e independente e por se assumir como a "voz da imprensa" das revindicações do professorado ou não fosse designada (depois) como "órgão provisório do professorado liceal". Ler o artigo integral AQUI.

O grupo de colaboradores da "Labor" é imenso [sobre o assunto consultar "A Imprensa de Educação e Ensino", dir. António Nóvoa, (333), p. 581-585; existe ainda um Índice Geral da Revista, por autor e título, realizado por Falcão Machado, em 1974, apud A. Nóvoa, ibidem], sendo de registar a presença de José Pereira Tavares [director], Álvaro Sampaio, Falcão Machado, Leite de Vasconcelos, Joaquim de Carvalho, Fortunato de Almeida, Orlando Ribeiro, Rodrigues Lapa, Delfim Santos, Hernâni Cidade, Rómulo de Carvalho, Francisco Dias Agudo, Jaime Magalhães Lima, Joel Serrão, Agostinho Campos, Gastão de Sousa Dias, João da Silva Correia, Aurélio Quintanilha, Mário Dionísio, Mário Fiúza, Rui Grácio, José de Melo, Gomes Bento, etc.

Ler o artigo e a Revista "Preia-Mar" AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

1º REPÚBLICA E A EDUCAÇÃO - CONGRESSO


"No Centenário da 1.ª República Portuguesa, que teve o seu emergir no Norte de Portugal, com o primeiro deputado republicano eleito pelo círculo do Porto e com a malograda revolta de 31 de Janeiro de 1891, que assinalou o caminho para a instauração da República em Portugal, consagrando o seu hino e a sua bandeira, não poderíamos deixar no esquecimento tão importante data. Na realidade, ela assinala não só uma mudança de regime, mas também de mundividência de carácter laico e democrático, fundada na igualdade das pessoas, que estrutura ainda hoje a nossa sociedade. A co-organização deste Congresso sobre a 1.ª República e a Educação, partindo de uma Escola Secundária em conjunção com um Centro de Investigação e uma Sociedade Científica, demonstra a capacidade de iniciativa e de organização dos professores do Ensino Básico e Secundário, assim como o apreço pela colaboração e contributo que a Investigação em Ciências da Educação pode trazer à qualificação das suas iniciativas. A Educação é a empresa que nos une, enquanto objecto de estudo e campo de intervenção e profissional dos/as docentes de todos os níveis de ensino. A organização do Congresso em Joane, Vila Nova de Famalicão assinala a força e capacidade das escolas em constituírem-se em centros de cultura, reflexão e formação. É o testemunho de que a República é hoje e ainda uma ideia que une a sociedade portuguesa, exigindo por isso uma análise crítica e serena das ideias estruturantes da Democracia Portuguesa e suas práticas concretas, que não se compadece com uma atitude de comemoração panegírica" [ler AQUI]

CONGRESSO - 1ª República e a Educação
Dias - 7, 8 e 9 de Maio de 2010
Organização - Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, de Joane, concelho de Vila Nova de Famalicão

J.M.M.

sexta-feira, 5 de março de 2010

IN MEMORIAM ROGÉRIO ANTÓNIO FERNANDES 1933-2010


Nasce em Lisboa a 12 de Outubro de 1933. Em 1951 frequenta a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, participa no movimento estudantil, tendo sido eleito para a Comissão Pró-Associação. Forma-se (1955) em Ciências Histórico-Filosóficas, lecciona como professor eventual do Ensino Técnico e do Ensino Secundário Particular [cf. "O Pensamento Pedagógico em Portugal", de Rogério Fernandes, ICP, 1978], e foi segundo assistente de Filosofia na sua Faculdade, de 1957-60 [cf. Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, 2001, Vol VI], tendo pedido a rescisão do contrato. Mais tarde (1972-1974) foi professor do Instituto Superior de Serviço Social, em Sociologia da Educação, e do Instituto Superior de Psicologia Aplicada [ibid.].

Rogério Fernandes, proibido de leccionar pela ditadura, ingressa no jornalismo, colaborando a partir de 1962 na revista Seara Nova, tendo sido seu sub-director e director (1962-1967) e na Vértice (ver vol. 37). A partir de 1967 é redactor (e chefe da redacção) do jornal A Capital, onde coordenava a Secção de Educação, e aí se manteve até 1970. Foi consultor da Editora Livros do Brasil e secretário da direcção do Grémio dos Editores e Livreiros [cf. AQUI]. Escritor ["Três Tiros e uma Mortalha", Contos, 1969], autor e co-autor de várias obras e ensaios [Obra Filosófica de Vieira de Almeida; Apologia e história no pensamento filosófico de Pascal; Ensaio sobre a obra de Trindade Coelho, 1961; Cartas de António Sérgio a Álvaro Pinto: 1911-19, 1972], foi ainda tradutor [de Aldous Huxley, Mircea Elliade, J. J. Rousseau], principalmente nos Livros do Brasil. Tem, ainda, uma intensa actividade no movimento associativo e cultural [ver, ainda, AQUI]

Em 1969 adere à CEUD de Lisboa, participa no II Congresso Republicano de Aveiro [15-17 de Maio] com uma comunicação ["A Batalha Socialista pela Democratização do Ensino"], depois publicada via Seara Nova, assina o Manifesto dos Escritores Oposicionistas [20 de Outubro], subscreve o abaixo-assinado de um grupo de jornalistas publicado na imprensa a 23 de Outubro desse ano e integra a Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democratica (Aveiro, 1973). Depois de Abril milita no P.C.P., tendo participado na III Legislatura (1983-85) e na VI (1991-1995), integrando (em 1983) o Conselho Nacional de Alfabetização e Educação de Base de Adultos. Foi Director-Geral do Ensino Básico entre Agosto de 1974 e Agosto de 1976 [convidado pelo então ministro Vitorino de Magalhães Godinho] e, nessa data, exonerado - saneado - por Sottomayor Cardia, tendo-lhe sido atribuído o cargo de Inspector-geral da Junta Nacional de Educação (mais tarde Inspecção Geral do Ensino). Lecciona, depois, a disciplina de História e Ciências da Educação na F.C. de Lisboa, colabora com a Fundação Calouste Gulbenkian, concorre ao lugar de Professor Associado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da U. L., onde termina a sua carreira como Professor Catedrático.

São numerosos os seus trabalhos de investigação sobre Educação, História da Educação e o associativismo docente

[Ensino; sector em crise, 1967 / Para a história dos meios audiovisuais na escola portuguesa, 1969 / João de Barros - educador republicano, 1971 / Educação e a existência, 1971 / As ideias pedagógicas de F. Adolfo Coelho, 1973 / Situação da Educação em Portugal, 1973 / D. Duarte e a Educação Senhorial, 1977 / Educação: uma frente de luta, 1977 / O Pensamento Pedagógico em Portugal, 1978 / A pedagogia portuguesa contemporânea, 1979 / Luís da Silva Mousinho de Albuquerque e as reformas do ensino em 1835-36, 1983 / Nascimento da educação de adultos em Portugal, séc. XVII-séc. XVIII, 1984 / Bernardino Machado e os problemas de instrução pública, 1985 / Cortesão e a Universidade do Porto, 1986 / História da Educação em Portugal (co-autor), 1988 / A Cultura Matemática na Escola Portuguesa, 1990 / Directoria Geral dos Estudos e a Orientação do Ensino na Alvorada de Oitocentos, 1991 / A Formação Moral da Criança Portuguesa em Vésperas da Revolução Liberal de 1820 / Opções Políticas e Perseguições ao professorado nas Primeiras Décadas do Liberalismo, 1991 / Delfim Santos, 1992 / Irene Lisboa: Pedagogista, 1992 / Uma experiência de formação de adultos na 1a República: a Universidade Livre para educação popular, 1911-1917, 1993 / Marcos do Processo Histórico da Alfabetização de Adultos em Portugal, 1993 / Os caminhos do ABC: sociedade portuguesa e ensino das primeiras letras: do pombalismo a 1820, 1994 / Para a história do ensino liceal em Portugal (Actas dos Colóquios do I Centenário da Reforma de Jaime Moniz, 1894-1895), 1999]

e, do mesmo modo, colabora em diversas revistas na área da Educação, como a "Escola Portuguesa" (boletim publicado entre 1934-1974 para o ensino primário), "O Instituto" de Coimbra (ver, vols 140-141), "A Nossa Escola", "O Professor" (publicação do GEPDES. R.F foi director da revista a partir de 1981 até 1992), "Revista da Educação" (1986), "Educação Especial e Reabilitação" (Dez. 1988) ou a "Colóquio-Educação".

Morre no dia 4 de Março de 2010.

"Muitos dos professores portugueses nunca o esquecerão, pelo muito que prestou àqueles que com ele privaram, pelo respeito exemplar com que tratava toda a gente e pela forma generosa como ensinava" [ler AQUI]

LOCAIS: Rogério Fernandes em Entrevista a "A Página" / Prefácio a quatro vozes e dois tons / Rogério Fernandes: ao mestre com gratidão / Estou (Ainda Mais) Triste.

J.M.M.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

HISTÓRIA DO SINDICALISMO DOCENTE



"A Universidade Lusófona realizou recentemente um seminário com o tema 'Memórias do associativismo e sindicalismo docentes'. Propuseram-me [Helena Pato], então, que aí deixasse o meu testemunho, as minhas recordações, acerca de como nasceram os sindicatos dos professores. Acedi, com a satisfação de poder, deste modo, legar memórias. Memórias que, ao que sei, nem nas comemorações dos 30 anos dos Sindicatos dos Professores nascidos em Abril de 74, nem agora, na passagem do 40º aniversário do Grupos de Estudo (que estiveram na base da sua criação), interessaram às direcções sindicais. Desdobrámos essa intervenção em três partes1, 2 e 3para que se torne mais fácil a sua leitura nestes CAMINHOS DA MEMÓRIA. A primeira parte pode ser lida aqui (...) a segunda aqui" e a terceira aqui.

de Helena Pato, via Caminhos da Memória.

FOTOS: da esquerda, capa da "História do movimento associativo dos professores do ensino secundário - 1891 a 1932", de [José António C.] Gomes Bento [julgo que na época era docente da E.P. António Nobre, Matosinhos], Livraria Júlio Brandão,Janeiro de 1973; foto da direita, Caderno "O Professor" nº1, GEPDES, Julho de 1971, in "Educação, Acto Político", de Agostinho dos Reis Monteiro, Edições O Professor, 1975 [clicar para aumentar]

J.M.M.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

MUSEU VIRTUAL DA EDUCAÇÃO



A Secretaria Geral do Ministério da Educação, através do Museu Virtual da Educação elaborou um interessante trabalho de recolha dos Centros Escolares Republicanos , que deve ser consultado AQUI, que existiram em Portugal acompanhado de um conjunto de textos explicativos e imagens curiosas de alguns dos Centros Republicanos de Lisboa.

Um trabalho válido, de preparação e recolha de elementos que permitem facilitar o trabalho a curiosos, investigadores e outros interessados na temática que podem encontrar dados iniciais que outras pesquisas virão complementar.

Um sítio que se recomenda a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

quarta-feira, 18 de março de 2009


Inventário de Livros Raros e Desconhecidos - Memória da Escola Portuguesa (do séc. XVIII ao séc. XX)

"Este livro revela-nos o valioso espólio bibliográfico e arquivístico, pouco conhecido ou mesmo ignorado, existente na Secção de Reservados da Escola Superior de Educação de Lisboa. O espólio, que aqui é enumerado, nasceu da fusão dos acervos de três instituições pedagógicas com vasta tradição na Educação e no Ensino em Portugal: a Escola Normal Primária de Lisboa, a Escola do Magistério Primário e, em menor escala, o Instituto António Aurélio da Costa Ferreira. Organizado e catalogado pelo autor, este património, que o presente livro nos dá a conhecer, é constituído por fontes manuscritas, impressas, obras de autores portugueses e estrangeiros, principalmente francesas, datadas do século XVIII ao século XX. Entre as preciosidades reveladas figura o Dicionário Universal de Educação e Ensino, de 1886, traduzido por Camilo Castelo Branco. Com a publicação deste trabalho, os investigadores vão poder reconstituir situações e acontecimentos, conhecer personalidades e compreender momentos relevantes do percurso educativo, pedagógico e cultural português. Um livro que se assume como um contributo para a História da Educação de Portugal" [ler, AQUI]

Inventário de Livros Raros e Desconhecidos - Memória da Escola Portuguesa (do séc. XVIII ao séc. XX), de José Eduardo Moreirinhas Pinheiro, Colibri

via Almocreve das Petas

J.M.M.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

REVISTA LABOR


A HORA QUE PASSA É DE LUTA!

"A hora que passa é de luta. Preparemo-nos para ela (...) Precisamos de demonstrar que à classe do professorado liceal não falta aquele espírito associativo propulsor de todos os movimentos progressivos; precisamos de demonstrar que a nossa classe está perfeitamente integrada no seu tempo e cônscia das suas responsabilidades perante a sociedade e perante o país. Tal como está, não merece, como não tem merecido, as atenções dos governos, o interesse da opinião pública e a simpatia de estranhos. Esta apatia esmaga-nos. É preciso acordar, despertar deste sono que nos amolenta (...) Que movimentos colectivos de protesto tem levado a efeito contra enxovalhos sem nome? (...)

Os protestos isolados nada valem, nem nada alcançam ... Só a conjugação de esforços de todos os professores liceais, só a união forte e disciplinadora da classe poderá alcançar e fazer valer as nossas mais justas revindicações ..."

in LABOR. "Revista trimestral de educação e ensino e extensão cultural", Ano I, nº1, Janeiro de 1926

J.M.M.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A UNIVERSIDADE POPULAR



As Universidades Populares tiveram origem em França nos finais do séc. XIX, procurando difundir os conhecimentos entre as massas populares e tentando ultrapassar as barreiras existentes entre as classes intelectuais e a classe operária.

Em Portugal, esta associação, criada pela iniciativa de Feio Terenas, em 1906, com o apoio e influência da Maçonaria, tinha por objectivo "desenvolver o ensino popular pela mútua educação dos cidadãos".

Procurava seguir os mesmos moldes das organizações congéneres criadas no estrangeiro e organizou cursos livres, conferências, leituras, palestras, concertos, visitas a museus, fábricas, exposições, etc. Os resultados acabaram por ficar aquém das expectativas, porque até 1910 a sua acção foi muito localizada no tempo e no espaço. A partir de 1911, conhece um período de reorganização a que se segue uma intensificação das actividades. Nesse contexto, emerge então a Universidade Popular no Porto, já em 1912.

Faziam parte da Comissão Promotora da Universidade Popular: Sebastião de Magalhães Lima (presidente); José de Castro; António Joaquim Ribeiro; Adelino Furtado; João de Barros; José António Simões Raposo (Filho); Carneiro de Moura; João Teixeira Simões; Ernesto de Vasconcelos e Damásio Ribeiro.

O plano de estudo elaborado por esta comissão incluía as seguintes áreas de estudo a desenvolver: matemáticas, as ciências físico-químicas, as ciências biológicas e as ciências sociais (história, economia, direito, educação, etc).

Com a eclosão da 1ª Guerra Mundial, a situação agrava-se bastante em Portugal, e, somente após o final do conflito surgem novos esforços para recuperar esta forma de promover a cultura. Assim, em 1919, funda-se em Lisboa a Universidade Popular Portuguesa, que o governo republicano da época logo reconheceu a utilidade e decide apoiar de forma mais empenhada com um subsídio para apoiar as actividades a desenvolver. A Universidade Popular renasce e floresce até 1922, tendo publicado por essa altura uma revista de instrução e cultura intitulada Educação Popular.

Várias personalidades de destaque estiveram ligadas à Universidade Popular como Bento de Jesus Caraça, Tomás Cabreira, Manuel de Arriaga, Ferreira de Macedo entre muitos outros.

A Universidade Popular entra em crise com o advento da Ditadura, as desconfianças com o apoio dado aos opositores ao regime conduzem a perseguições declaradas. A instituição termina a sua actividade em 1950, tendo entregue todo o seu património à Sociedade Voz do Operário.

A.A.B.M.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

ESTATÍSTICA DA INSTRUÇÃO PRIMÁRIA (1864)



Neste inquérito, trazido a público em 1864, foram também avaliados os professores envolvidos. Assim, dos 1687 professores avaliados "segundo o zelo demonstrado pelo ensino" observava-se o seguinte modelo:

- 172 professores demonstravam muito zelo;
- 1141 professores manifestavam zelo suficiente;
- 264 professores eram tidos como pouco zeloso;
- 110 professores tinham uma situação desconhecida.

Analisando, percentualmente, verificava-se que 10% dos docentes eram considerados profissionais muitos zelosos da sua função. Cerca de 67% alcançaram um patamar suficiente e, pelo menos 16% dos docentes, eram considerados profissionais pouco zelosos. Existiam ainda quase 7% dos docentes que não obtiveram avaliação por razões que não foi possível apurar.

Seria este sistema que, em certa medida, inspiraria o actual Ministério da Educação a realizar este novo modelo de avaliação da classe docente? Provavelmente, muitos dos actuais mentores deste projecto nem sequer tinham conhecimento da existência deste modelo. Outra questão importa ser clarificada, quase século e meio depois, ainda haverá quem acredite que esta avaliação trouxe resultados significativos ao sistema de avaliação existente nos finais do séc. XIX? Ele foi estudado em pormenor para se poder retirar todas as conclusões que permitam maximizar as melhorias a introduzir no sistema, ou tudo deve ser, como parece agora regra, para tentar mostrar resultados de qualquer forma, nem que para isso seja necessário garantir as transições de forma quase automática.

Estas e outras explicações vamos encontrar daqui a alguns anos, quando a geração que agora experimenta esta "sensação de absorção" por parte dos docentes, chegar aos patamares mais elevados do nosso sistema de ensino e alguns dos proponentes forem confrontados com a dura realidade da ignorância, facilitismo e laxismo que andaram a estimular entre muitos estudantes.

O sistema de ensino tem sido e será num futuro próximo um sistema piramidal. Os problemas que se causam agora nas bases do sistema vão fazer-se sentir anos depois no topo da pirâmide. Os educadores republicanos, que defendiam uma educação nova para formar uma geração civicamente activa e democrática, devem estar muito desiludidos com rumo da educação em Portugal, porque o problema da cidadania apesar de ser conteúdo curricular não deixa de ser uma miragem, num sistema que permite sempre a transição ao longo do percurso escolar.

Foto: Sala de desenho, Casa Pia, 1900 - por Alberto Carlos Lima, in Arquivo Fotográfico

A.A.B.M.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO



Amanhã (20 de Junho), sábado (21 de Junho), domingo (22 de Junho) e segunda-feira (23de Junho) realiza-se, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da cidade do Porto, um congresso sobre História da Educação. Subordinado ao tema central Cultura Escolar, Migrações e Cidadania.

Os trabalhos foram organizados em oito eixos essenciais, a saber:

1. Circulação de ideias, discursos e modelos educativos; manuais, imprensa e iconografia.
2. Currículo, práticas educativas e quotidiano escolar
3. Infância, geração e família
4. Inclusão, género e etnia
5. Formação, identidades e profissão docente
6. Instituições educativas e cultura material escolar
7. Políticas educativas e cidadania
8. Historiografia, métodos, fontes e museologia

Entre os organizadores destacam-se os seguintes elementos:
Comissão Organizadora

Ana Maria Pessoa (ESE - Inst Polit. Setúbal)
António Gomes Ferreira (UC-FPCE)
Carlos Eduardo Vieira (UFPR)
Cláudia Maria Costa Alves (UFF)
Décio Gatti Júnior (UFU)
Diomar Motta (UFMA)
Luís Alberto Marques Alves (UP- FL)
Luís Grosso Correia (UP- FL)
Marcus Aurélio Taborda de Oliveira (UFPR)
Margarida Louro Felgueiras (UP-FPCE)

Comissão Organizadora Local

António Barroso (EB de Viana do Castelo)
Luís Alberto Marques Alves (UP- FL)
Luís Grosso Correia (UP- FL)
Margarida Louro Felgueiras (UP-FPCE)
Rodrigo de Azevedo (CIIE- FPCE- UP)

Ao longo dos dias em que decorre o congresso, é possível escolher as temáticas que se julgarem mais interessantes. Assim, o programa detalhado das várias sessões de apresentação de trabalhos impressiona pela quantidade de pessoas envolvidas. Encontram-se trabalhos que se enquadram nos diversos eixos deste evento. Participam com trabalhos de investigação entre muitos outros: Justino Magalhães, Anabela Araújo de Carvalho Amaral, Jorge Ramos do Ó, Claudia Alves, Maria Beatriz Rocha-Trindade,Maria João Mogarro, Antonio Gomes Ferreira, Aires Antunes Diniz, António José Gonçalves Barroso, Ernesto Candeias Martins, Manuel Luís Pinto Castanheira, Joaquim Pintassilgo, António Augusto Simões Rodrigues.

Uma nota de destaque para a presença de inúmeros investigadores das mais variadas universidades brasileiras que vêm apresentar os seus trabalhos de investigação a Portugal.

O programa resumido do congresso pode ser consultado aqui e as várias sessões temáticas para apresentação de trabalhos podem ser consultadas aqui.

Pelo que conseguimos perceber, pela avaliação do programa das actividades, vai ser um evento de uma dimensão acima da média, com grande número de apresentações e qualidade científica reconhecida a muitos dos investigadores.

A não perder pelos interessados na temática da História da Educação.

A.A.B.M.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

LIGA NACIONAL DE INSTRUÇÃO



Esta associação, fundada em 1907, com amplo apoio e dinamizada por importantes figuras da Maçonaria, teve como principais impulsionadores José Francisco Trindade Coelho e Manuel Borges Grainha.

Esta associação tinha a sua sede em Lisboa, mas criou núcleos em diversos pontos do País, tinha como objectivo combater o analfabetismo que existia em Portugal. Criaram-se núcleos nas seguintes localidades: Leiria, S. Martinho do Porto, Peniche, Óbidos, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Alcobaça, Montemor-o-Velho, Figueira da Foz, Alhadas, Quiaios, Covilhã, Viana do Castelo, Aveiro, Soure, Coimbra e Santarém. Para além disso, conseguiu estabelecer-se na colónia portuguesa de Angola (Bié e Benguela).

Organizou ao longo do tempo vários congressos pedagógicos para debater os problemas do ensino em Portugal, como os de 1908, 1909, 1912 e 1914.

Veja-se o que era importante para a Liga Nacional de Instrução em 1908:




Note-se a preocupação com as questões que envolviam o problema do analfabetismo. Por outro lado, procurava-se "elevar o ensino nacional em todos os ramos e criar uma verdadeira educação cívica e social". Entre os ambiciosos fins desta associação encontramos alguns que, passado um século, ainda continuam por realizar, como se pode observar nos vários pontos do artigo 2.

Fica a questão para reflexão: a que distância ficamos de atingir as metas propostas e formuladas pela Liga Nacional de Instrução? Mesmo que cem anos depois tenhamos consciência de que muitas ainda estão por realizar.

A.A.B.M.