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segunda-feira, 2 de julho de 2012

ACTAS DA LOJA IRRADIAÇÃO [SOCIEDADE CULTURA SOCIAL], R.F., Nº 315 DE LISBOA (1910-1930)


A Torre do Tombo disponibilizou online as ACTAS DA LOJA IRRADIAÇÃO (Sociedade Cultura Social), loja maçónica de Rito Francês, com o nº 315, instalada em Lisboa, a 14 de Março de 1910, em desdobramento da Loja Cavaleiros Paz e Concórdia [Loja do Rito Simbólico Regular, nº 148, instalada em 1881, e que se manteve activa até à clandestinidade]. Os comissários instaladores, todos da Loja Cavaleiros Paz e Concórdia, foram: Francisco Carlos Pinto da Costa [n.s. António Pedro], Francisco Rodrigues Borges e Alberto Viana Frazão [n.s. Felice Tavola]. As Actas, agora digitalizadas, referem-se ao período entre a instalação da Loja e o dia 3 de Dezembro de 1910. A Loja abateu colunas em 1922, para as reerguer nesse mesmo ano. Passou a Capitular em 1923, extinguindo-se em 1930 [cf, Oliveira Marques, "Dicionário…"].

Foram obreiros:

FUNDADORES: Faustino da Fonseca [n.s. Vasco da Gama; Venerável], Miguel Bombarda [n.s. D’Artagnan], Severo Portela [n.s. Reclus], Francisco José Gomes de Carvalho [n.s. Malthus; 1º Vigilante, depois Ven.], Alberto Bramão [n.s. Vaz d’Almada; Orador], José Augusto Varandas de Carvalho [n.s. Lutero; 2º Vigilante], Armando de Araújo [n.s. Jean Valjean; Secretário]; Belchior de Figueiredo [n.s. Belchio].

OUTROS OBREIROS: o escritor e jornalista Afonso Gayo [n.s. Schopenhauer]; o advogado, jornalista e prof. João Lopes Carneiro de Moura [n.s. Franklin; mais tarde Orador]; o jornalista e escritor Amadeu Augusto de Freitas; Décio Sanches Ferreira [n.s. César; regularizado]; o escritor e oficial do exército Abel Acácio de Almeida Botelho [n.s. Spinosa]; Eduardo de Brito; o jornalista [foi chefe de red. de “O Século” e publicou “A Lanterna”] Avelino d’Almeida Pereira; o farmacêutico António Dias Amado [regularizado]; o jornalista Adelino Lopes da Cunha Mendes [jornal O Século]; o jornalista José de Matos Sarmento; o jornalista e critico de arte Alfredo da Silva Guimarães [jornal A Luta].

Actas da Loja "IRRADIAÇÃO" [Sociedade Cultura Social] - AQUI

J.M.M.

domingo, 21 de novembro de 2010

ALBERTO BRAMÃO (Parte II)



Casou com Maria Luísa Guimarães e voltou a casar em segundas núpcias com Adelaide da Silva, também ela escritora que utilizou por vezes o pseudónimo literário de “Baronesa X”.

Alberto Bramão foi proposto para sócio da Academia de Ciências de Lisboa, na sessão de 13 de Março de 1924, pelo então presidente da Classe de Letras, José Maria Rodrigues, que apresentou como obras de referência deste autor Fantasias, Ilusões Perdidas, Casamento e Divórcio, O Meu Breviário e Crepúsculos [cf. Boletim da Segunda Classe da Academia de Ciências de Lisboa, vol. XVIII (1923-1924), Imprensa da Universidade, Coimbra, 1932, p. 76]. Foi eleito como sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa em 14 de Maio de 1925, tendo como relator do respectivo parecer Júlio de Vilhena. Nesse parecer Júlio de Vilhena destaca as suas qualidades como sociólogo e moralista.

Recebeu também várias condecorações como a grã-cruz da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, comenda da Ordem de Afonso XII, de Espanha e hábito da Ordem Teutónica.

Apesar de não se ter conseguido localizar a data, tudo indica que Alberto Bramão, que tinha chegado a ser deputado pelo Partido Regenerador, passou nos últimos anos da Monarquia para o campo republicano.

D. Alberto Bramão, como ficou conhecido literariamente, faleceu em Lisboa, na Rua Leão de Oliveira, a 14 de Novembro de 1944.

Algumas notas biobibliográficas:
- "O Crime de Sendim", em parceria com Raul Brandão, O Monitor
- "Dos Apontamentos e Notas", in O Monitor, 2-XII-1888
- “No mar-alto”, Branco e Negro, Lisboa, Vol. 4, 1898, p. 268
- “Madressilvas”, Revista de Portugal, vol. I, Dir. Eça de Queiroz, Lisboa,
- «Um Filósofo», In Memoriam do Doutor Teófilo Braga 1843-1924, Imprensa Nacional, Lisboa, 1929, p. 13

Colaboração na imprensa:
- Alma Nova
- Boletim da Sociedade Literária de Almeida Garrett, Lisboa, 1903
- Branco e Negro, Lisboa, 1894-1898;
- Diário Popular, Lisboa, 1907-1910
- Diário Português, Lisboa
- Ecos da Avenida, Lisboa, 1890-1931;
- A Folha, Ponta Delgada, 1902-1917;
- Fradique, Lisboa, 1934-1935;
- Gazeta de Portugal
- Geração Nova
- Gil Braz, Lisboa, 1898-1904;
- Jornal da Noite
- O Monitor
- A Mosca, Lisboa, 1910;
- O Nacional
- Nova Alvorada, Vila Nova de Famalicão, 1891-1903;
- Pérola
- O Repórter, Lisboa, 1888-
- Revista de Portugal, Lisboa, 1890;
- República, Lisboa, 1908-1909
- Revista Azul, Lisboa, 1904-1908;
- Revista Literária, Científica e Artística do Século, Lisboa, 1902-1905;
- Soneto Neo-Latino (O), Vila Nova de Famalicão, 1929;
- A Tarde, Lisboa, 1892-1905
- Terras de Portugal, Lisboa, 1925-1935;
- A Tribuna, Lisboa, 1899-1901;
- Universal, Lisboa, 1891-1899;

Bibliografia Publicada:
- Um Beijo, Casa Editora A. Reis, Porto, 1886;
- A rir e a sério : o cantagallo (historia veridica de seus feitos) : theatros e touros : verdades e paradoxos, Livraria António Maria Pereira, 1896;
- Fantasias, Casa Editora J. Bastos, Lisboa, 1897;
- Ilusões Perdidas, Livraria António Maria Pereira, Lisboa, 1898;
- Jornalismo (O), Conferência na sede da Associação dos Jornalistas de Lisboa, 1899, 44 pag.
- A Nossa Aliança (Conferência na Associação dos Jornalistas de Lisboa), Lisboa, 1901;
- Hotéis e Água, (Conferência) no I Congresso Nacional do Turismo, 1936
- Casamento e Divórcio, Livraria Central Gomes de Carvalho, Lisboa, 1908;
- A Velhice e a Mocidade
- Crepúsculos, Lisboa, 1928;
- Sentenças, Máximas e Reflexões, Editora A Americana, Lisboa, 1924;
- O Meu Breviário, S.l., s.n., 1922;
- Julgamento do Amor (Auto em Verso),Livraria Central, Lisboa, 1935;
- Recordações, Livraria Central Editora, Lisboa, 1936;
- Últimas Recordações, s.n., Lisboa, 1945 [póstumo]
- Faúlhas dum Lume Vivo, s.n., Lisboa, 1945 [póstumo].


A.A.B.M.

sábado, 20 de novembro de 2010

D. ALBERTO BRAMÃO (Parte I)


Nasceu em 7 de Novembro de 1865, com o nome completo de Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão. Seus pais foram Jaime Henriques Álvares Pereira de Sequeira Bramão e Delfina Emília Allen.

Começou a colaborar na imprensa nas páginas do Monitor, jornal que sucedeu ao Monitor de Bouças, onde publicava também o seu particular amigo Raul Brandão. Esta situação pode ser observada “no prefácio-carta a Alberto Bramão, Raul Brandão evoca a Foz do Douro da sua infância e da sua adolescência e comenta: «Foi das nossas discussões sobre Arte que estes contos nasceram...». [Álvaro Manuel Machado, Raul Brandão entre o romantismo e o modernismo, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Ministério da Educação, Lisboa, 1984, p. 53]

A sua ligação ao jornalismo é muito estreita e extensa, conforme veremos na listagem dos jornais e revistas onde colaborou, a consultar na parte final desta nota biográfica.

Entra na política pela aproximação que fez a Marçal Pacheco, deputado e mais tarde par do reino, que foi co-proprietário do jornal O Repórter. Por essa via estabeleceu relações de amizade com algumas personalidades políticas de relevo no Partido Regenerador, tornando-se depois secretário particular de Hintze Ribeiro.

Foi eleito deputado em 1901 pelo círculo eleitoral nº123, de Ponta do Sol; em 1902-1904, pelo círculo eleitoral nº1, de Viana de Castelo, voltando a ser eleito pelo mesmo círculo em 1904. Integrou diversas comissões de Redacção no Parlamento. Com Carlos Malheiro Dias e José Maria de Oliveira Simões apresentou uma proposta de defesa dos interesses do concelho de Monção. [cf. Luís Bigotte Chorão, Dicionário Biográfico Parlamentar 1834-1910, vol. 1 (A-C), coord. Maria Filomena Mónica, col. Parlamento, Imprensa de Ciências Sociais/Assembleia da República, Lisboa, 2004, p. 437-438]

Dedicou-se também à poesia tendo publicado inúmeros poemas por diversas publicações. No final da década de 80 do século XIX, a sua poesia aproximou-se da corrente decadentista, conforme se pode constatar no soneto “Delírio” (1886), onde revela um sadismo vampírico. Mas, a sua matriz literária aproxima-o, em termos literários, do neo-romantismo, sendo mesmo considerado “um dos poetas que melhor ilustram a continuidade de linhas temáticas e estilísticas do romantismo epigonal português” [Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. II, Coord. Eugénio Lisboa, Publicações Europa-América, Mem Martins, 1990, p. 490].

Em 1895, Alberto Bramão publica uma colectânea de poemas intitulada Fantasias, onde essas influências neo-românticas são claras. Exalta a mulher, na sua beleza perfeita, pura e quase divina, não apenas o amor por consumar.

Em 1906 foi um dos fundadores da Sociedade de Propaganda de Portugal, organização a que viria a presidir anos mais tarde. Foi também esta instituição que organizou em Lisboa, em 1911, o I Congresso Internacional de Turismo.

Foi também membro da Associação de Jornalistas de Lisboa.

[Em continuação]

A.A.B.M.