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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CARICATURAS PESSOAIS – FRANCISCO VALENÇA [NOTA BREVE]


CARICATURAS PESSOAIS, de F.[rancisco] Valença, Edição da Renascença Gráfica, Lisboa, 1931, p. 216
“Colecção de caricaturas publicadas no periódico Sempre Fixe, com amáveis legendas do próprio desenhador, que, partindo de uma inspiração de 1900 subsidiária de Rafael Bordalo Pinheiro (O Chinelo, Varões Assinalados, etc.), ganha o seu elã precisamente nesta época” [AQUI]

FOTO via FRENESI


[NOTA BREVE] SOBRE FRANCISCO VALENÇA:
Francisco Valença [1882-1963] foi um notável desenhador, ilustrador, figurinista e caricaturista. Feroz crítico dos “costumes” nacionais, “comentador” satírico e implacável, deixou uma obra copiosa, desde que se estreou no quinzenário humorístico “O Chinelo” (1900), passando pelo seu incontornável “Varões Assinalados”, espécie de reprise do “Álbum das Glórias” de mestre Bordallo Pinheiro.

Nasceu Francisco Valença, em Lisboa, a 2 de Dezembro de 1882. Frequentou [cf. Diário de Lisboa, 18 de Janeiro 1963; “Os Comics em Portugal”, Bedeteca, 1997; “Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, 1999] o Instituto Comercial e Industrial. Começa, como se referiu, n’O Chinelo [que funda com André Brun e o escritor Carlos Simões], apresentando depois um curioso álbum, “Salão Cómico” (1902), publicando [ibidem] trabalhos avulsos n’A Comédia Portuguesa (1902), “Brasil-Portugal” (1902-1909), “A Crónica” (1903-1904) e na revista infantil “O Gafanhoto” (1903-1904).  
A partir de 1904, com a colaboração em “O Século – Suplemento Humorístico” [sob a “orientação artística” do assumido ilustrador, monárquico, Jorge Colaço] Francisco Valença, com as suas “ilustrações de sátira político-social” que marcaram decisivamente o periódico, toma lugar de relevo entre os desenhadores, caricaturistas e o público. Espalha [ibidem], ainda, a sua genialidade artística n’A Tribuna (1904), “Tiro e Sport” (1905-1911), “Ilustração Portuguesa” (1906), “Novidades" (1907), “Arte Musical” (1907-1908), “O Raio” (1909 – curioso semanário ilustrado, sob direcção de Joaquim Guerreiro), “Alma Nacional” (1910), ou na “Límia” (1910).


Mas é entre 1909 e 1911 lança um conjunto de gravuras humorísticas - caricaturas sobre personalidades da época - que publica com o título de os “Varões Assinalados”. A técnica, a execução e o brilhantismo do traço, a ironia e a versatilidade humorística e satírica, conheceu enorme sucesso entre o público. Colabora [ibidem] no “Diário de Notícias Ilustrado" (1912), “O Zé” (1919), “O Comércio do Porto Ilustrado” (1919), “Diário de Lisboa” (1924).
   
Dirige [ibidem] o semanário “O Espectro” (nº espécime data de 18 de Maio1925), publica “Os Meus Domingos” [com André Brun], “A Semana do Chiado” [com Anibal Soares, monárquico], desenha (de 1920-1952) para o Museu Etnológico Português, publica no “Lírios” (1932), no “Miau” (1934), no “Diário dos Açores”.

Ao mesmo tempo colabora [ibidem] no “Le Rire” (Paris), “La Nación” (Madrid), “Boletin Fermé" (Barcelona) e outros periódicos brasileiro. Trabalhou para teatro, como na comédia de André Brun e Carlos Simões, “O Tabelião do Pote das Almas” e ilustra um vasto conjunto de livros, publicados por Armando Ferreira, Emília de Sousa e Costa, Henrique Marques Júnior, Julieta Ferrão. Encontra-se representado em vários museus, caso do Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu Soares dos Reis

Em 1927 (até 1959) colabora no “Sempre Fixe" mas a ditadura não lhe permite manter a sua crítica política social, pelo que retrata “unicamente os hábitos e costumes nacionais”. A Câmara Municipal de Lisboa faz-lhe uma homenagem, promovendo uma Exposição do Palácio de Galveias (Maio 1962) sobre os seus trabalhos.
Francisco Valença morre a 17 de Janeiro de 1963, na sua casa da Rua Latino Coelho (nº21, 4º andar), em Lisboa.

J.M.M.  

domingo, 7 de julho de 2013

STUART CARVALHAIS. O GÉNIO EM DISPERSÃO



O português sabe rir, gosta de rir e consegue fazer rir. Stuart Carvalhais - ou, simplesmente, Stuart - foi um dos mais notáveis artistas que transformou o riso numa arma satírica que ajudou a resistir a situações autoritárias e a atitudes vexatórias que, durante décadas, asfixiaram a política portuguesa e restringiram a liberdade dos cidadãos.

A intervenção de Stuart multiplicou-se, torrencialmente, nos salões artísticos e nos órgãos de comunicação social que lançaram entre nós o modernismo; colaborou em todas as publicações humorísticas e principais jornais de Lisboa e do Porto; fez capas de livros, de revistas e de discos; cartazes e maquetas para teatro e cinema; e, ainda, a decoração das primeiras edições, em Lisboa, da Feira Popular.

Acordou para a vida sob o signo das gargalhadas provocadas pelos desenhos de Bordalo. Habituou-se a conviver com o Zé Povinho. Era um símbolo, criado por Bordalo, que se insurgia contra as desgraças que atingiam Portugal e os portugueses. Foi um companheiro de luta pela causa republicana

Mas ao contrário de Manuel Gustavo, Francisco Valença e Manuel Monterroso, que se mantiveram fiéis à lição do mestre, Stuart libertou-se da linguagem de Bordalo. Pertenceu à geração de Christiano Cruz, Almada Negreiros,  Jorge Barradas, Emmerico Nunes, António Soares, Milly Possoz. Esta geração, ao tempo, conduzida por Christiano Cruz, que acompanhara a trajectória parisiense de Leal da Câmara no L'Assíette ao Beurre e embora não tenha partilhado o diálogo com as vanguardas europeias que motivou Amadeu de Souza-Cardoso, optou por outro grafismo e introduziu outro processo de abordagem das figuras e acontecimentos políticos e sociais. Proclamada a República, sucederam-se os pretextos para despertar o humor, estimular a ironia, atiçar a mordacidade. Os caricaturistas não precisavam de ser republicanos ou monárquicos para afirmar a sua irreverência.

Stuart criou um estilo pessoal. E intransmissível. Com ele, retratou o dia a dia. O traço instintivo, rápido e decidido de Stuart fixou-se em cartões reciclados de revistas e caixas de camisas, em guardanapos e utilizando bilhetes enrolados de eléctrico e paus de fósforos para desenhar - com tinta da china, lápis, carvão, graxa, vinho, borra de café - a gente simples que via na rua: bêbados, prostitutas, mendigos, crianças, varinas, costureiras. Sem esquecer as pernas das mulheres, desde que não fossem gordas e tivessem varizes, e os gatos vadios nas esquinas e nos telhados.

Os cenários repetiam-se, porque tudo se repetia: as pessoas, os animais, as situações, os lugares; à porta das casas e janelas dos bairros castiços; nos jardins, nas tabernas e nos cafés e livrarias do Chiado. Quase sempre nos desenhos há pormenores inconfundíveis: o olhar das personagens (incluindo ele próprio) representado por dois pontinhos, ora negros e cheios de vida, ora muito arregalados, ora, ainda, semicerrados mas repletos de bonomia.

Stuart deixou uma obra de incalculável extensão. Quase todos os humoristas portugueses, a partir da segunda metade dos anos 20, com a afirmação pública, nos painéis da Brasileira do Chiado e nas decorações do Bristol Club, começaram a enveredar por outros caminhos: na pintura, na cerâmica, no fresco, no vitral, na estatuária monumental. Vão ficar associados à integração das artes, nas obras públicas: nos palácios e outros edifícios, nas grandes exposições nacionais e internacionais; e na renovação da arte religiosa. Stuart - tal como Leal da Câmara e Bernardo Marques - permanece na caricatura, no cartoon e na ilustração. Disto fez, orgulhosamente, um modo de vida e de afirmação criativa.

Enfrentando os condicionalismos resultantes do exercício diário da censura instaurada, a partir de 1926, pela ditadura militar e, a seguir, pelo regime salazarista, Stuart, na dispersão prodigiosa do seu talento, conseguiu, com relâmpagos de génio, transmitir através dos episódios triviais do quotidiano a comédia e tragédia de Lisboa. Que era, também, a comédia e tragédia do país.

ANTÓNIO VALDEMAR [jornalista, sócio efectivo da Academia das Ciências e Presidente da Academia Nacional de Belas-Artes] – “STUART CARVALHAIS. O génio em dispersão”, in Revista do EXPRESSO (100 Anos 100 Portugueses), 6 de Julho de 2013, p. 23 - sublinhados nossos.

J.M.M.

sábado, 8 de setembro de 2012

ALFREDO DE MORAES - "SOLDADO INFANTARIA PORTUGUESA"


ALFREDO DE MORAES - "Soldado infantaria portuguesa" (Bilhete Postal)

ALFREDO JANUÁRIO DE MORAES nasceu a 19 de Setembro de 1872, em Lisboa, e foi um dos mais “prolíficos ilustradores portugueses”. Estudou na Escola de Belas Artes, foi "chefe de litografia da Imprensa nacional e um dos fundadores da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde ensinou gratuitamente durante vinte anos" [cf. Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, Época de Ouro, 1999, pp.89-90].

"Com um frasquinho de tinta-da-china e uma caneta na algibeira, percorria as tipografias e, ali mesmo, desenhava o que fosse necessário. Embora laureado como aguarelista, no estilo de Alfredo de Moraes o mais impressivo é a concisão e o poder descritivo do traço nos desenhos a caneta" [ibidem].

Ilustrou (capas, desenhos e cartoons) para vários periódicos, como o Amigo da Infância (1894-1940), Branco e Negro (1896), Brasil-Portugal (1899), O Século, O Século Cómico (1913), O Mundo, o Diário de Notícias, a Folha do Povo ou o Diário da Manhã; ilustrou folhetins de aventuras e mistério [como o Capitão Morgan, Texas Jack, Sherlock Holmes, Jim Joyce, Raffles, Miss Carter, …] no ABC-zinho (1922), os Ridiculos (1905), O Carlitos, Pim-Pam-Pum, Acção Infantil.

Fez ilustrações para livros e fascículos (hoje disputadíssimos, raros e de colecção) como a 1ª edição dos “Serões no Japão” de Wenceslau de Moraes ou para a tradução de D. Quixote. Desenhou um conjunto apreciável de desenhos para livros escolares, vinhetas e postais. Figurou na V Exposição do Grémio Artístico (1895), na I Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes (1901), foi galardoado com a medalha de honra da SNBA e a medalha de ouro no Rio de Janeiro, encontrando-se representado em vários museus, como o Militar, Museu do Chiado, Museu Regional Grão Vasco. Trabalhou, graficamente, em parceria com Roque Gameiro. Utilizou nalguns trabalhos o pseudónimo de Fauno.

Morre a 6 de Fevereiro de 1971, em Lisboa.

FOTO via Memória da República, com a devida vénia.

J.M.M.

quarta-feira, 21 de março de 2012

"O BOM ACOLHEMENTO MATINAL DAS SECRETARIAS"


"O Bom Acolhemento Matinal das Secretarias"

Guache e tinta da china s/ papel, N. ass./ N. Dat (Inícios Séc. XIX)[clicar na foto]

via Memória da República, com a devida vénia.

J.M.M.