► DIOGO RAMADA CURTO
(Historiador):
Melhoraria a distribuição da riqueza, multiplicaria as formas de
participação política, quebraria o monopólio dos profissionais da política,
tornaria transparente o financiamento dos partidos, lutaria por uma sociedade sem
discriminações de classe, raça, credo e género, criaria quotas para a
representação das mulheres, salvaguardaria o serviço nacional de saúde e a
protecção aos idosos, tornaria mais acessível a leitura de livros, continuaria
a rede de bibliotecas, daria melhores condições aos museus e aos arquivos,
dignificaria por todos os meios a função dos professores, sobretudo do básico e
do secundário, investiria mais na pesquisa científica e na criação artística e
musical, trataria os emigrantes como parte integrante do que somos,
estabeleceria relações de franca igualdade com as antigas colónias, sem
derrapar em mitos paternalistas, e não esqueceria os ideais da Primeira
República ridicularizados pelo Estado Novo.
► IRENE PIMENTEL (Historiadora):
Em situação de crise global,
é bom regressar aos clássicos que definiram a sociedade civil e política e
delinearam o Estado de Direito. Foi o caso de John Locke (1632-1704), segundo o
qual todo o poder político legítimo deriva apenas do consentimento dos
governados que confiam as suas “vidas, liberdades, e posses” à comunidade,
tornada política. Mais tarde, outros filósofos definiram a separação de
poderes, acrescentando ao legislativo e executivo, o judicial. Continuo adepta
de uma democracia representativa, aceitando delegar em instituições
democráticas o poder que não exerço directamente. Mas urge aprofundar o Estado
democrático e o funcionamento da sociedade civil, de modo a que os partidos
voltem a representar os que neles delegam. Por outro lado, face ao abuso do
poder, não haverá direito de resistência civil? É que, como diz Locke, a
comunidade política pode ser dissolvida sempre que o detentor do poder
desrespeita a lei, perdendo assim o direito a ser obedecido.
► Y. K. CENTENO (Escritora):
Se há diferença, na nossa
democracia, quanto ao entendimento geral do que é a Democracia – trazida até ao
Ocidente por Platão no desenho de uma sociedade justa -, faltará muito para
melhorar.
A minha reflexão prende-se
ainda com os conceitos de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, estruturantes de
um século XVIII que para mim é o século I da nova Era.
Mas impõe-se:
1. Recuperar a Ética quanto à
dignidade de carácter, à honestidade intelectual, ao respeito mútuo, liberdade
e correspondente responsabilidade, na intervenção social e política.
2. Recuperar a Estética:
embora Platão expulse o poeta da cidade perfeita, a dimensão do Belo amplia, na
sua criação e contemplação, uma actividade e um sentimento que devem ser
repartidos dando condições de acesso a toda a sociedade.
3. Por fim: valorizar a Educação
e a Cultura, nos seus espaços próprios, fomentando uma contínua existência e
desenvolvimento.
in, “25 de Abril – O que melhorariana democracia portuguesa? Personalidades propõem mudanças para Portugal”,
jornal Público, 25/04/2013 [ler TUDO AQUI & AQUI]
J.M.M.