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quinta-feira, 15 de abril de 2010

FERNANDO AUGUSTO FREIRIA (Parte II)


Continuando com algumas notas biobibliográficas sobre o coronel Fernando Augusto Freiria, descobrimos que foi uma personalidade fundamental no período da Monarquia do Norte. Destacou-se no combate às tropas revoltosas, já que era chefe do Estado Maior da 2ª Divisão, com sede em Viseu.

No decorrer dos acontecimentos, começou por ser preso, mas acabou por conseguir escapar e comandar as tropas que derrotaram os revoltosos em Lisboa.

Na sequência dos acontecimentos de Fevereiro de 1927, Fernando Freiria, vai escolher para seu advogado de defesa o jovem licenciado em Direito e futuro Primeiro-Ministro, Adelino da Palma Carlos.

Como salientou o próprio Freiria em nota para Adelino da Palma Carlos:

como hoje e sempre considerei e considerarei repelentes os delatores, recusei-me altivamente e dentro das normas de disciplina a aceder aos desejos da Comissão [encarregue de elaborar uma lista dos funcionários militares que não dessem uma completa garantia da sua adesão à República e à Constituição], e nada informei sobre os oficiais que constam da lista que me foi enviada, e entre os quais, como pode verificar, constam os nomes dos meus camaradas e então meus colegas Artur Ivens Ferraz e capitão Júlio Ernesto de Morais Sarmento

[Luís Bigotte Chorão, A Crise da República e a Ditadura Militar, Sextante Editora, Lisboa, 2009, p. 205-206, nota 595].

A.A.B.M.

terça-feira, 13 de abril de 2010

FERNANDO AUGUSTO FREIRIA


Nasceu em 12 de Janeiro de 1877, em Lisboa. Seguiu a carreira das armas, ingressando no Exército, na arma de Artilharia.
O seu percurso na hierarquia militar foi o seguinte: 1893, assenta praça no regimento de Lanceiros de El-Rei; alferes em 1897; tenente em 1897; capitão em 1911; major em 1917; tenente-coronel em 1917; coronel em 1919.

Foi professor na Escola de Guerra entre 1912 e 1919. A partir de 1914, passou a integrar o Corpo Expedicionário Português, chefiado por Gomes da Costa. Integra, em Outubro de 1914, a missão militar enviada para conferenciar com o Estado Maior britânico, composta ainda por Ivens Ferraz e Azambuja Martins. Fez parte da Comissão encarregue de receber em França as tropas expedicionárias portuguesas. Foi combatente na Flandres.
Em 1919, no regresso a Portugal, foi nomeado Chefe de Estado-Maior da Divisão encarregada de dominar os revoltosos da Monarquia do Norte.

Dirigiu o Instituto Central de Oficiais em 1920 e no ano seguinte o Instituto dos Pupilos do Exército. Foi professor no Instituto de Odivelas.

A partir de 1922 passou a integrar o Governo de Cunha Leal. Ocupou a pasta da Guerra, cargo que desempenhou entre 16 de Dezembro de 1921 e 6 de Fevereiro de 1922 e, mais tarde, entre 7 de Dezembro de 1922 a 21 de Julho de 1923.
Foi eleito deputado por Viana do Castelo entre 1922 e 1925 e director geral dos transportes. Durante um episódio grevista dos transportes tomou a decisão de chamar os soldados para conduzir os carros eléctricos e os comboios sendo ele próprio o primeiro a sair numa coluna que estava sob ameaça de bomba.
Durante o período em que ocupou a pasta de guerra pela segunda vez teve uma pendência de honra com o então deputado e depois brigadeiro António Maia.

Em 1926 era comandante do Regimento de Infantaria nº 16, de Santarém. Dizia Fernando Freiria em nota para Adelino da Palma Carlos: “Santarém, pela minha acção e dos oficiais de Infantaria 16 e da Guarda Nacional Republicana que sempre lealmente me acompanharam e esforçadamente actuaram, foi o último reduto armado da Constituição, como foi o único que, com êxito, e de armas na mão, se opôs à marcha triunfante dos de 28 de Maio” [Chorão, Luís Bigotte, A Crise da República e a Ditadura Militar, Sextante Editora, Lisboa, 2009, p. 202]

Assumiu a oposição à ditadura militar imposta pelo golpe de 28 de Maio de 1926 e participa activamente na revolta de 7 de Fevereiro de 1927. Foi deportado para S. Tomé e Príncipe entre 1927 e 1928, passando depois a viver na Madeira, entre 1928 e 1929. Neste último ano passou ainda pelo presídio militar de Elvas, sendo novamente encaminhado para o Funchal, onde lhe foi imposta residência. Na Madeira, foi um dos organizadores da revolta militar de 1931. Enquanto residiu na Madeira dedicou-se ao professorado criando e dirigindo o Instituto de Instrução Secundária. Em 1931 foi, de novo, chefe de Estado-Maior das Forças sublevadas. Foi novamente preso e passando a residir em Cabo Verde como deportado. Em Maio de 1931 foi um dos subscritores do manifesto intitulado “Ao Povo Liberal e ao Exército Republicano”.

Em 1935, após a morte do General Sousa Dias, o governador português da colónia de Cabo Verde enviou um telegrama ao Ministério do Interior propondo o seu repatriamento, juntamente com João Manuel Carvalho, Lobo Pimentel, Mendes Reis, Filipe Sousa, Inácio Severino, António Varão e Tavares de Carvalho.

Foi casado com Germana de Alcântara de Albuquerque e Castro Freiria, era pai de Rui Freiria, engenheiro; Renato Freiria, comandante da Marinha Mercante; e Mário Freiria, funcionário em Moçambique.
Regressou ao continente em 1936, já doente. Foi reformado, abandonando a actividade política.

Faleceu a 13 de Abril de 1955. O seu funeral realizou-se para o cemitério do Alto de S. João, no talhão dos Combatentes da Grande Guerra.

NOTAS BIOBIBLIOGRÁFICAS:

Publicou:
- Os Portugueses na Flandres (1918).

Colaborou:
-“Surge et ambula”, O Eco de Cabo Verde. - Nº 1 (1933), p. 2;
- “A massa de artilharia e o seu emprego em presença do material de tiro rápido”, Revista Militar, Lisboa, nº 1, 1905, Ano LVII;
- “A artilharia no combate”, Revista Militar, Lisboa, nº 9, 1905, Ano LVII;

Bibliografia Consultada:
Diário de Lisboa, 13-04-1955, p. 8 e 11.
CHORÃO, Luís Bigotte, Um processo judicial contra a Ditadura: a defesa de Sousa Dias e Fernando Freiria, in: "Colóquio: A Revolução de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura: Oitenta anos depois" no Arquivo da Universidade de Coimbra, 2007
CHORÃO, Luís Bigotte, A Crise da República e a Ditadura Militar, Sextante Editora, Lisboa, 2009.
FARINHA, Luís, O Reviralho. Revoltas republicanas contra a Ditadura e o Estado Novo.1926-1940, Editorial Estampa, Lisboa, 1998.
MARQUES, A. H. de Oliveira, Parlamentares e Ministros da 1ª República, col. Parlamento, Edições Afrontamento, Porto, 2000, p. 222.

A.A.B.M.

CARTA PATENTE DE JOSÉ JOAQUIM RAMOS



Carta Patente de José Joaquim Ramos, assinada por António José de Almeida e Fernando Augusto Freiria [(1877-1955) Ministro da Guerra do Governo de Cunha Leal, opositor ao golpe de 28 de Maio e participante na revolta de Fevereiro de 1927 e na de 1931. Foi preso e deportado], em 22 de Junho de 1922 - via República 100 Anos

J.M.M.