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sábado, 10 de maio de 2008

FEIO TERENAS (Parte II)


FEIO TERENAS (Parte II)

Após a implantação da República foi deputado à Assembleia Nacional Constituinte que o nomeou Director Geral da Secretaria da Assembleia Nacional Constituinte. Em 1911 passa a integrar o Senado, órgão criado pelo governo republicano, onde se manteve até 1915. Chegou a ser nomeado Director Geral do Congresso.

Foi iniciado na Maçonaria em Coimbra, com o nome simbólico de Vitor Hugo. Neste período coimbrão integra os quadros das lojas Federação e Preserverança. Mais tarde integrou as lojas Simpatia e Elias Garcia, de Lisboa, onde foi eleito venerável. Em 1901 atinge o grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceite [REAA] e a partir de 1903 integra o Supremo Conselho. Foi um dos principais organizadores dos congressos maçónicos de 1900, 1903, 1905 e 1906.

Em 1914, foi um dos elementos que acompanhou a cisão no Grande Oriente Lusitano Unido.

Feio Terenas foi geralmente tido como um republicano moderado, não se envolve em grandes polémicas e o seu trabalho é fundamentalmente de doutrinação através da escrita. Enquanto deputado, no final da Monarquia, procura centrar-se em temáticas que o seu percurso de vida mostra que lhe eram próximas, como a lei do registo civil obrigatório ou a tentativa de autorizar as câmaras municipais a instituir bibliotecas populares por todo o País.

Faleceu em Lisboa em 29 de Janeiro de 1920. O seu funeral realizou-se civilmente e a ele compareceram personalidades de destaque da vida da República: António José de Almeida [Presidente da República]; Domingos Pereira [Presidente do Ministério]; Bernardino Machado [antigo Presidente da República], entre muitas outras pessoas.

Colaborações na Imprensa: (entre as muitas que realizou, conseguiram localizar-se as que a seguir se discriminam):

- Eco dos Operários, Covilhã, 1867;
- Jornal do Iniciado, Coimbra, 1873-1875[periódico maçónico];
- Reformador, (O), Coimbra, 1875;
- Partido do Povo,(O), Coimbra - Lisboa, 1878-1881;
- Tempo,
- Republica,
- Comércio da Figueira, (O), Figueira da Foz, nº 126, Ano I, 1880, publica um artigo As festas nacionais.
- Alferes Malheiro (O), Número único, Porto, Typ. da Empresa Literaria e Typographica, S. d.(1893 ?).
- Ano (Um) depois. (Aos vencidos). 31 de Janeiro de 1831 - 31 de Janeiro de 1892. Número único, Porto, Typ. da Empresa Literaria e Typographica, 1892.
- Gabinete dos reporters. N.° 24, 4.º série, ano 1895, 29 de Setembro. Director, Luiz da Silva, Lisboa.
- José Estêvão, Número único, Comemorativo da Inauguração do Monumento em Aveiro, Publicação do Clube Escolar José Estêvão, Lisboa, 1889. typ. da Companhia Nacional Editora.
- Consagração, Número único, dirigido por Fernão Botto Machado e Gonçalves Neves e dedicado ao dr. Sebastião de Magalhães Lima. (Sem indicação da tipografia nem ano; provavelmente impresso no jornal Vanguarda, Dezembro 1904);
- Independência (A). Liberdade e Justiça. Instrução e Progresso, 8 de Maio de 1882, ano I, N.° 20,Póvoa de Varzim;
- Diário da Tarde, Lisboa, 1885;
- Democracia,(A), Lisboa, 1911-1912 [director];
- Democracia,(A), Lisboa,
- Século,(O), Lisboa, 1881-198?;
- Vanguarda,(A), Lisboa, 1891-1911 [director entre 1907 e 1911];
- Galeria Republicana, Lisboa, ;
- Enciclopédia Republicana, Lisboa;
- Revolução de Janeiro, Lisboa;
- Tribuna, Lisboa;
- Batalha, (A), Lisboa;
- Archivo Republicano, Lisboa;
- Norte, (O), Porto, 1900-1909 [redactor-político];
- Folha Nova, (A), Porto;
- Mundo, (O), Lisboa;
- Correspondência da Figueira, Figueira da Foz;
- Gazeta da Beira, Guarda;
- Correio do Sado, Setúbal;
- Correspondência, Póvoa de Varzim;
- Dez de Março, Porto;
- Liberdade, Viseu;
- Transmontano, Vila Real;
- Froebel, Lisboa, 1882-1885;
- Vintém das Escolas, (O), Lisboa, 1902-;

Publicou ainda:
- Abençoado Amor (drama), 1866;
- Discurso sobre a resposta ao discurso da Coroa proferido na sessão de 8 de Junho de 1908, Lisboa, 1908.

Bibliografia Consultada:
- CATROGA, Fernando, Mações, "Liberais e Republicanos em Coimbra (Década de 70 do século XIX)", Arquivo Coimbrão, vol. XXXI-XXXII, Coimbra, 1988-89, p. 259-345.
- MARQUES, António Henrique de Oliveira (Coord.), Parlamentares e Ministros da 1ª República (1910-1926), col. Parlamento, Edições Afrontamento, Porto, 2000, p.423-424.
- MOREIRA, Fernando , "Terenas, José Maria de Moura Barata Feio", Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), Coord. Maria Filomena Mónica, vol. III, col. Parlamento, Imprensa de Ciências Sociais, Lisboa,2006, p. 907-909.

A.A.B.M.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

MAÇONARIA E MANUEL EMÍDIO GARCIA: DOCUMENTO EPISTOLAR


Foi dito, anteriormente, que era certo ter sido obreiro da Loja Perseverança, ao vale de Coimbra, Manuel Emídio Garcia, aliás Ir. "Augusto Comtte". Seguimos a indicação, presente no trabalho para o Arquivo Coimbrão (nº31, 1988-89) do professor Fernando Catroga, já antes referido. Ora, no final do estudo, surge, em Apêndice, um conjunto significativo de importantes documentos epistolares.

Anotemos, para efeito da filiação maçonica de Manuel Emídio Garcia, a seguinte carta:

"... Todos os dias tenho estado à espera da biographia do nosso Ir. Gama [nome simbólico de Miguel António Dias, 1805-1878: e como até hoje não tem apparecido é de presumir que V. Ex.ª se tenha esquecido, ou não tenha tido occasião opportuna p.ª concluir aquele trabalho.

Lembro a V. Ex.ª, e lhe peço o especial favor de mandar a biographia logo que lhe seja possível p.ª se mandar imprimir: pela minha parte já estou à muito encolhido - sem poder dizer nada sobre o objecto, à família Dias! Fui um pouco indiscreto em solicitar os apontamentos p.ª a biographia do homem; muito embora essa exigência fosse por ordem, e à conta da R. L. Pers. [Loja Perseverança] (...)

Estamos em crise pelo que toca a nossa casa de sob-ripas!

O arrendamento acaba est'anno; o dono tem muitos arrendatários; a preferência é nossa; o homem quer a resposta amanham - sim ou não - e, esta resposta é fatal!
Hontem reuniu a off. p.ª resolver tão momentoso assumpto (...)

Dez oob. de boa vontade podem muito: podemos contar com elles: Sim - ou não - vamos a ver: o Ir. Augusto Comtte tem feito agora bastante falta porque é uma das dez colunas mais vigorosas do nosso Templ.; vale meia dúzia dos bons ..."

[Carta de Abílio Roque de Sá Barreto a Manuel Emídio Garcia, datada de 10 de Agosto de 1878, in op. cit.]

Nota: considera-se que o opúsculo, "Dr. Miguel António Dias. Notas biographicas por alguns dos seus dedicados amigos", (Coimbra, 1880), que saiu anónimo e sob "iniciativa" da Loja Perseverança, foi escrito por Manuel Emídio Garcia.

Foto: gravura de Miguel António Dias [in B.N.]

J.M.M.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

MAÇONARIA E MANUEL EMÍDIO GARCIA


Sobre a filiação maçónica de Manuel Emídio Garcia (salientada em post anterior), o professor Fernando Catroga [Mações, Liberais e Republicanos em Coimbra: década de 70 do século XIX, Arquivo Coimbrão", Coimbra, 31, 1988-1989, p.271] refere que na cerimónia de instalação da importante Loja Perseverança (vale de Coimbra), em Outubro de 1871, o seu orador foi "o lente de Direito Manuel Emídio Garcia, irmão A. Comte". O venerável seria o "irmão Lafayette" (Abílio Roque de Sá Barreto) e alguns dos seus obreiros eram, além de Manuel Emídio Garcia, conhecidas e importantes personalidades conimbricenses, como Olímpio Nicolau, Feio Terenas, Adelino Neves e Melo, António Zeferino Cândido, Bernardino Machado, Sebastião Magalhães Lima (João Huss), etc. Note-se, curiosamente, que a Loja Perseverança foi de extrema importância para o desenrolar da história da maçonaria e das ideias republicanas, em Portugal, quer "pelos seus projectos de renovação do pensamento e da prática da maçonaria", quer "pelo número e qualidade dos seus electivos" [F. Catroga, op. cit.]

A Loja Perseverança, formada por (7) mações saídos da Loja Federação de Coimbra [instalada e regularizada sob a obediência do GOLU], foi "irradiada por decreto de 21 de Janeiro de 1876, em consequência de ter no decurso de 1875 rompido contra o Grande Oriente e declarado separar-se da obediência a ela" [in Encyclopedia das Encyclopedias ..., dir. Fernandes Costa, 1884, vol. VI, p. 397], tendo seguido, após a ruptura, o rito eclético de Miguel António Dias. Ocorre dizer que a Loja Perseverança, tal como outras oficinas de obediência maçónica, tinha uma publicação mensal, intitulada O Reformador (em 1875, com sede na Rua Visconde da Luz, 96-100), onde é dado ler textos de forte intervenção maçónica, de contestação e divergência às posições [conservadoras] do GOLU [ver textos da revista na Encyclopedia das Encyclopedias ... e o trabalho, já citado, de F. Catroga].

Refira-se, ainda, que "dando cumprimento a uma deliberação?" da Perseverança, foi constituída uma sociedade denominada "Companhia Edificadora e Industrial de Coimbra" (28 de Janeiro de 1876), visando a construção de casas para os operários. Porém, a sociedade dura poucos anos (1884).

Como ainda foi salientado (post anterior) Manuel Emídio Garcia foi um dos principais obreiros da Associação Liberal de Coimbra, tendo sido um dos fundadores. Cabe registar (seguindo F. Catroga), que a Loja Federação "tinha aprovado uma proposta" (17 de Maio de 1873) para a fundação de uma associação profana, em memória do "exército liberal" e da "obra da revolução" e que, dado o conservadorismo da direcção do GOLU, não foi dado provimento. Tal posição foi contestada pelos mações de Coimbra e a Loja Perseverança (de novo!) vai retomar a ideia. Após acontecimentos polémicos e tumultuosos na cidade, onde Manuel Emídio Garcia tem lugar preponderante [F. Catroga (op.cit.) considera-o "a pena e a alma desse movimento"], a associação foi inaugurada a 8 de Maio de 1875 e, após legalização pelo Governo Civil, é instalada definitivamente (8 de Maio de 1878). Pretendia "pugnar pela difusão dos ideias liberais", fundando escolas, bibliotecas e conferências públicas, numa proposta cívica de participação na vida pública. O que de facto aconteceu, tal a profusão de comemorações, organizações e contestações, que patrocinou.

[a continuar]

J.M.M.