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segunda-feira, 2 de abril de 2018

O SÉCULO XX EM REVISTA(S)



O Século XX em Revista(s)” – por Luís Miguel Queirós, in Jornal “Público
As quatro principais revistas históricas do movimento anarco-sindicalista português juntam-se este sábado a outras importantes publicações já colocadas online pelo portal Revistas de Ideias e Cultura, uma gigantesca base de dados que abre à navegação digital aquelas que foram as grandes montras culturais do século XX.
As duas séries d’A Sementeira (1908-19), a Germinal (1916-17), o suplemento d’A Batalha (1923-27) e a Renovação (1925-26), quatro revistas fundamentais para a história da disseminação do ideário anarquista e do desenvolvimento do movimento anarco-sindicalista português ao longo das primeiras décadas do século XX, já podem ser integralmente consultadas e pesquisadas online. É a mais recente expansão do portal Revistas de Ideias e Cultura (RIC), um ambicioso projecto dirigido por Luís Andrade e desenvolvido pelo Seminário de História das Ideias do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Biblioteca Nacional e a Fundação Mário Soares.
O objectivo, explica Luís Andrade, professor de Filosofia da Universidade Nova, é “fazer o mapeamento da cultura portuguesa do século XX a partir da análise sistemática do conteúdo das revistas tidas por mais significativas”.
Mais do que um arquivo digital, o RIC é uma base de dados dotada de sofisticadas ferramentas de pesquisa e que permite ao leitor ou investigador não apenas aceder ao conteúdo integral das diferentes publicações, mas também consultá-lo a partir de uma série de critérios que podem cruzar-se numa mesma busca e que incluem índices de autores (quer de textos, quer de ilustrações), conceitos (por exemplo, anarquismo), assuntos (por exemplo, I Guerra Mundial), nomes citados (distinguindo os singulares e os colectivos), obras citadas ou nomes geográficos.


Suponhamos que o leitor está interessado em textos que abordem a I Guerra Mundial: se fizer uma pesquisa geral no portal, encontrará 2153 artigos, distribuídos por várias revistas, que incluem quer as publicações anarquistas já referidas, quer outras como A Águia, a Seara Nova ou a Atlântida, para citar apenas algumas. Mas também pode pesquisar o mesmo assunto apenas numa revista específica, ou cruzá-lo com outros critérios. E se a Grande Guerra é um assunto de que naturalmente trataram todas as publicações da época, se procurar um tópico bastante menos óbvio, como, digamos, o haxixe, descobrirá com provável surpresa que Sampaio Bruno discorreu sobre esta substância num artigo intitulado O Tabaco… em Heródoto, publicado em 1913 n’A Águia.


(…) Com uma pequena equipa permanente – que inclui, além do seu coordenador, um editor executivo, um documentalista, um informático, uma analista de dados estatísticos e uma webdesigner –, mas contando com o auxílio de investigadores especializados para cada uma das revistas a publicar, a estratégia do portal tem sido a de se focar em sucessivos movimentos culturais ou ideológicos para dar prioridade às principais revistas que lhes estão associadas. Antes de se debruçar sobre as publicações anarquistas, o site já disponibilizara online as revistas relacionadas com o movimento cultural da Renascença Portuguesa, como a Nova Silva, A Águia ou A Vida Portuguesa, ou ainda as principais publicações associadas ao primeiro modernismo, como Orpheu, Portugal Futurista, Sphinx, Exílio, Centauro e Eh Real!.
E por vezes não se trata apenas de poupar aos investigadores, ou a simples curiosos, muitas horas a preencher pedidos em bibliotecas. Alguns dos números agora digitalizados e consultáveis estão em falta nas várias bibliotecas públicas. Exemplo disso mesmo é a célebre e raríssima edição 11/12 da 4.ª série d’A Águia, de 1929, que foi apreendida ainda na tipografia porque denunciava um plágio de Gustavo Cordeiro Ramos, ministro da Instrução Pública em sucessivos governos da ditadura militar e no início do Estado Novo. “Só está representado na Biblioteca Nacional por um postal onde se informa que este número não foi posto à venda por motivos imprevistos”, diz Luís Andrade.


Outra façanha de monta deste portal foi a digitalização integral da Seara Nova, abarcando todas as suas (muito) diversas fases, desde a fundação, em 1921, até 1984, num total de 1604 números, correspondentes a 31.500 páginas e a cerca de 21.500 peças de mais de três mil autores.
Para cada uma das revistas publicadas, o interessado encontra não apenas a reprodução digital de todos os números, mas também apresentações que procuram caracterizá-la e situá-la no seu contexto histórico, secções que reúnem os seus manifestos e outros textos de dimensão programática, uma antologia de literatura passiva sobre a publicação em causa e alguns estudos reproduzidos em texto integral.
Há também uma secção autónoma dedicada às polémicas, um modo de discussão pública aliás muito característico das revistas, e que só por aproximação corresponde àquilo a que hoje se chama uma polémica na imprensa ou nas redes sociais. Luís Andrade recorda, por exemplo, a famosa controvérsia entre António Sérgio e Pascoaes, nas páginas d’A Águia, a propósito do saudosismo, ou “a discussão entre Álvaro Cunhal e José Régio acerca do significado social da literatura”, na Seara Nova. Mas também nas revistas anarquistas agora digitalizadas se encontram polémicas, designadamente as que ilustram o confronto de posições perante a Grande Guerra ou a Revolução de Outubro.
A barra de navegação inclui ainda um “magasin”, que joga foneticamente com “magazine” (revista), mas que aqui alude mais a um tipo de armazém comercial ecléctico, onde se vende um pouco de tudo. É nesta secção que se acumulam todos os materiais que, não pertencendo formalmente às revistas em causa, a elas estão directamente ligados, como as separatas, ou que permitem conhecer melhor a respectiva história, como a correspondência travada entre os seus fundadores, testemunhos diversos e outros documentos. No magasinda Seara Nova é possível encontrar, salienta Luís Andrade, “vários dossiers do seu arquivo editorial, até agora inéditos”.
Obra em aberto e em constante expansão, o portal anuncia já também na sua homepage os vários títulos que deverão ficar disponíveis ainda este ano e que incluem a magnífica Contemporânea, dirigida por José Pacheko entre 1922 e 1926, com um primeiro número isolado saído em 1915. Ilustrada por artistas como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Eduardo Viana ou Dórdio Gomes, contou entre os seus colaboradores literários com nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro ou Aquilino Ribeiro
Outra importante publicação prometida para este ano é O Tempo e o Modo, fundada em 1963 por um grupo de católicos progressistas como Alçada Baptista, Bénard da Costa, Pedro Tamen ou Nuno de Bragança. Está ainda prevista a digitalização de Alma Nacional, uma revista republicana lançada literalmente nas vésperas da queda da monarquia, e de outras publicações do início do século XX, como Dionysos, dirigida em Coimbra por Aarão de Lacerda, ou A Renascença, de Lisboa. Sol Nascente, dos anos 30, ligada ao neo-realismo, e a mais recente Raiz e Utopia, já do pós-25 de Abril, são outros títulos previstos para 2018. E o Revista de Ideias e Cultura pretende começar a apostar também em publicações com motivações mais específicas, como a revista feminista Sociedade Futura, dirigida por Ana de Castro Osório, ou A Construção Moderna, que considera “uma peça fundamental da cultura arquitectónica e urbana das duas primeiras décadas do século XX”.
Já a decisão de criar estes quatro novos sites agora consagrados às revistas anarquistas ficou também a dever-se ao desejo de “repor a memória de uma das correntes principais do pensamento e da intervenção social do século XX, remetida ao esquecimento de forma pouco inocente após a revolta da Marinha Grande de 18 de Janeiro de 1934”, diz Luís Andrade, numa provável alusão ao modo como o PCP veio a reescrever a história desse levantamento, que acabaria por marcar o fim da predominância do anarco-sindicalismo no movimento operário.
Mas não só os que se interessam pelo anarquismo terão boas razões para consultar estas revistas. Uma rápida consulta aos dados estatísticos que acompanham, em secção própria, cada um destes títulos, permite verificar, por exemplo, que os apreciadores de Ferreira de Castro encontrarão aqui nada menos do que 181 artigos dispersos assinados pelo romancista, a maior parte no suplemento d’A Batalha, mas também na Renovação. E os apaixonados pela ilustração podem deliciar-se com as dezenas de trabalhos criados para as mesmas revistas por Stuart Carvalhais ou pelo notável Roberto Nobre, que acumulava as artes gráficas com a crítica de cinema.
Estes levantamentos de ocorrências estão também cheios de surpresas: quem diria, por exemplo, que o nome mais citado nas duas já referidas revistas da Confederação Geral do Trabalho é o de Jesus Cristo, ou que a obra mais citada n’A Águia foi a revista Mercure de France? Mas estes resultados imprevistos, se podem ser mais ou menos anedóticos, ou ter explicações prosaicas, também “fornecem a informação necessária quer para testar as leituras correntemente aceites, quer para suscitar interrogações até hoje não formuladas” sobre estas revistas e movimentos, observa Luís Andrade. O que torna este portal uma ferramenta doravante indispensável para quem queira estudar umas e outros.
O Século XX em Revista(s) – por Luís Miguel Queirós, Jornal Público, 31 de Março de 2018, pp. 24/25 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PORTUGALA ESPERANTISTO: ORGÃO DO MOVIMENTO ESPERANTISTA PORTUGUÊS



PORTUGALA ESPERANTISTO. Órgão mensal do Movimento Esperantista Português. Ano I, nº 1 (Janeiro de 1936) ao nº 8 (Agosto de 1936); Propriedade: L.E.S Nova Vojo, Liga dos Esperantistas Ocidentais e L.E.S. Antauen [no nº1]; Administração e Redacção: Rua Jardim do Regedor, nº5, 4 º, Lisboa; Editor: Joaquim Costa; Director: Manuel de Jesus Garcia; Impressão: Sociedade Industrial de Tipografia (Rua Almirante Pessanha, 5, Lisboa) [ao nº3, Tip. A Montanhesa (Rua Luz Soriano, 71, Lisboa]; Lisboa; 1936, 8 numrs

Colaboração: A. Couto, Afonso de Castro, Alsácia Fontes Machado, António Alves, Carvela Ribeiro, Costa Júnior, Jacinto Benavente, José Antunes, José Vicente Júnior, Júlio Baghy, Júlio Dantas, Justinho Carvalho, L. Beaufront, Lígia de Oliveira, Luzo Bemaldo, Manuel de Jesus Garcia, Mário Pedroso de Lima, Ramiro Farinha, Saldanha Carreira [importante impulsionador do esperantismo português], [Simões Raposo – entrevista].

Trata-se de um periódico esperantista (bilingue), que se dizia “órgão do movimento esperantista”, que se publicou em 1936, em Lisboa. Foram fundadores e proprietários três organismos esperantistas: a “L[aboristas] E[sperantistas] S[ocieto] Nova Vojo”, a “Liga dos Esperantistas Ocidentais” e a “L.E.S. Antauen”.
PORTUGALA ESPERANTISTO AQUI DIGITALIZADO
► «Esta "língua internacional auxiliar", cuja história remonta (também em Portugal) aos finais do século XIX, conhece um ressurgimento na década de 30 do século XX, e é nesse contexto que este jornal, bilingue, se apresenta em editorial: "Ao publicarmos o primeiro número (...), cumpre-nos dizer duas palavras sobre o seu aparecimento. É muito difícil, quási impossível, por nos faltarem elementos, determinar com precisão as causas do desenvolvimento do Esperanto no país, depois de 1931. Certo é que, dessa data em diante, as sociedades, as secções e cursos de Esperanto se multiplicaram de uma maneira assombrosa, não só na capital como na província, num ritmo com tendência a acelerar-se. Só em Lisboa, o número de esperantistas filiados nas organizações citadinas duplicou e, constatando êsse número salta logo à vista que, paralelamente, nada estava feito que pudesse unificar e coordenar os esforços de todos, dando-lhes consciência de uma finalidade a atingir."
Essa coordenação, lê-se no editorial do número seguinte, fazia parte da missão do Portugala Esperantisto, que se propunha como "instrumento de aproximação entre as sociedades esperantistas e consequentemente entre os esperantistas", com vista à futura constituição de uma entidade coordenadora, não um "organismo de carácter associativo ou federativo", antes uma "comissão que interrelacione os grupos".
Saiba mais na ficha histórica da publicação, por Rita Correia, aqui.
 
Em paralelo, disponibilizamos, aqui, a Grammatica da lingua internacional auxiliar Esperanto, editada no Porto em 1907, da autoria de José Augusto Proença e o Curso completo (elementar, médio e superior) de Esperanto, aqui, em 16 fascículos, editado pelo Portugala Instituto de Esperanto entre 1934 e 1935.
Para assinalar a disponibilização destes materiais, iremos realizar na Hemeroteca, amanhã, 7 de dezembro, pelas 17:30h, a sessão O Esperanto como veículo de paz e amizade entre os povos : do Portugala Esperantisto aos nossos dias. Rita Correia falará do passado do Esperanto e Miguel Boieiro, orador convidado, falará do seu presente e das perspetivas de futuro. Mais informações aqui» [via Hemeroteca]

J.M.M.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

REVISTAS DE IDEIAS E CULTURA: APRESENTAÇÃO DE WEBSITES


Amanhã, 5 de Outubro de 2016, pelas 17 horas, no Auditório José Gomes Mota, nas instalações da Fundação Mário Soares vão ser apresentados os websites de quatro revistas importantes do início do século XX, que agora permitem vários tipos de abordagem, com funcionalidades muito úteis aos investigadores como: índices diversificados (autores, conceitos, assuntos, nomes citados, obras citadas, nomes geográficos), bem como as recolhas documentais específicas.

Esta iniciativa resulta da parceria entre a Fundação Mário Soares, o Seminário Livre História das Ideias, do Centro de História d'Aquem e d'Além Mar,  a Biblioteca Nacional de Portugal, e sido apoiadas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a Assembleia da República, o Centro Nacional de Cultura e a Fundação Calouste Gulbenkian.

As revistas que passam a dispor deste serviço são:
- Nova Silva, 1907:
- A Águia, 1907-1932;
- Vida Portuguesa, 1912-1915;
- Atlântida, 1915-1920.

Estão já previstos novos processos para outras revistas durante o ano de 2017 e seguintes.

Recomenda-se uma visita e uma pesquisa pelos diferentes formulários que por lá se podem encontrar.
Por outro lado, existem dados complementares muito interessantes e importantes para que se dedica a estes assuntos.

A.A.B.M.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

ARQUIVO GRÁFICO DA VIDA PORTUGUESA (1913-1918)



ARQUIVO GRÁFICO da vida portuguesa. [fascículo specimen] Ano I, nº 1 (1903) ao nº VI (1907); Administração e Redação: Travessa da Condessa do rio, 27, Lisboa; Impressão: Bertrand & Irmãos; 1933, 1+6 numrs

Trata-se de uma publicação póstuma (em fascículos e ilustrada) que, a partir do valioso espólio fotográfico de Joshua Benoliel (1873-1932) – “o mais aclamado fotógrafo do início do século XX, considerado por muitos o pai do foto-jornalismo português” - pretende apresentar a “história da vida nacional em todos os seus aspectos, de 1903 a 1918”. A publicação de Joshua Benoliel, que tem como mentor do projecto Rocha Martins, seu biógrafo em 1933 [“Os grandes objectivos duma objectiva célebre”, fasc. nº1], termina abruptamente (por “circunstâncias políticas da época” ou por “dificuldades económicas” – cf. Alexandre Pomar) no final do sexto fascículo, não cumprindo o seu plano inicial de seleccionar a sua colectânea de fotografias até ao ano de 1918.

Do plano inicial faziam parte textos/apontamentos/legendas - e além dos escritores/jornalistas que abaixo referimos - como os de Fernando de Sousa (“Nemo”), general Domingues de Oliveira, Bento Carqueja, Cristiano de Carvalho, Matos Sequeira, Norberto de Araújo, Joaquim Manso, Fidelino de Figueiredo, Albino Forjaz de Sampaio, Rogério Peres, Vasconcelos e Sá, Jorge de Faria, Augusto Pinto, Nobre Martins, Gomes Monteiro, Salazar Correia, Adelino Mendes, Carlos Rates, Manuel Joaquim de Sousa, Alfredo Marques, Costa Júnior, Ribeiro dos Reis.
Joshua Benoliel
 
Não deixa de ser curioso o “raminho” de jornalistas/escritores que (decerto) Rocha Martins escolheu para colaborar nesta homenagem a Joshua Benoliel, que vai de fundibulários monárquicos, integralistas, sindicalistas anarquistas, a aderentes do Estado Novo.  

De facto, alguns dos artigos são muito curiosos: “O que será o Arquivo Fotográfico” (nº specimen), “Os Grandes Objectivos duma Objectiva Celebre” (nº1, Rocha Martins), “O Movimento Operário em Portugal” (ao fasc.nº3, de Ramada Curto), “Procissões” (nº3, pelo padre Miguel de Oliveira), “Reinado de D. Carlos é a base onde assenta o moderno exército português” (fasc.nº4 e ss, com a pena do monárquico e conspirador contra a República, Eurico Satúrio Pires), “A revolta do cruzador D. Carlos”, 8 de Abril de 1906 (6º fasc.), “Os Intransigentes de 1907” (6º fasc., por Mário Monteiro, ex-intransigente da greve de 1907 e violentamente anti-republicano).
Colaboração: Mário Monteiro [aliás, Fortunato Maria Monteiro de Figueiredo, 1885-X; personagem violentamente anti-republicana; participou na Greve de 1907, em Coimbra; advogado, dirigiu o semanário “A Alvorada”, esteve implicado na insurreição militar de 27 de Abril de 1913, razão por que se hominizou no Brasil, perorando em várias conferências monárquicas (curiosamente com Homem Cristo, também ele em fuga no Brasil), regressando por breve tempo a Portugal, tendo regressado ao Brasil, onde se radicou, não sem uma vida complicada, acusado e levado por diversas vezes a tribunal. Mário Monteiro é, de facto, um estranho individuo, desde a publicação (em Coimbra, 1904), dos seus panfletos “Pavões”], Joshua Benoliel (1873-1932), (padre) Miguel A.[Augusto] de Oliveira (1897-1968), Ramada Curto (1886-1961), Rocha Martins (1879-1952), [Eurico] Satúrio Pires (1881-1952).

Arquivo Gráfico da Vida Portuguesa AQUI digitalizado.

J.M.M.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PÃO NOSSO... SEMANÁRIO REPUBLICANO PORTUENSE


PÃO NOSSO... Semanário Republicano Portuense. Ano I, nº I (19 de Abril de 1910) ao nº XXIII (28 de Setembro de 1910); Editor: Empresa do Pão Nosso (Rua de Santo Ildefonso, 260, 1º, Porto); Administração e Redacção: Rua de Santo Ildefonso, 260, 1º, Porto; Director: António de Pádua Correia (1873-1913); Impressão: Tipografia Mendonça, (Rua da Picaria, nº30, Porto); Porto; 1910, XIII numrs, 368 p.

Importante e rara revista panfletária de cunho republicano, desse muito curioso combatente pela República, jornalista enérgico, irónico e talentoso, panfletário destemido, orador incisivo, anticlerical assumido, antigo director do valioso jornal portuense “A Voz Pública”, jornalista n’A Montanha, deputado às Constituintes e que era, na data da sua morte, deputado eleito pelo círculo de Lamego [região a que votava imensa paixão], António de Pádua Correia [a revisitar oportunamente, aqui, no Almanaque Republicano].

«A República não vem por seu pé. A República nunca vem, se nós, republicanos, a não trouxermos. Isto é: para termos a República, é necessário que nós a façamos. Como se derrubam regimes? Conspirando e batendo-se.»

Conspirar e bater-se ativamente para derrubar o regime era pois o mote do Pão Nosso... (como o foi de toda a ação política do seu autor), linha programática que acompanhava, não por acaso, o grande desígnio consolidado no 11º Congresso do Partido Republicano que, a 29 e 30 de abril de 1910, se realizou no Porto. De facto, ainda que sem ligação orgânica formal entre o periódico e a reunião partidária, é no quadro de um profundo imbricamento entre ambos que a missão do Pão Nosso… ganha pleno significado…» [Pedro Teixeira Mesquita – ler MAISAQUI]


Ficha Histórica, LER AQUI

FOTO [arquivo nosso]: capa de brochura que acompanha os exemplares do periódico

J.M.M.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

BIBLIOGRAFIA PORTUGUESA DA I GRANDE GUERRA



Vitoriano José César, Bibliografia da Grande Guerra (resenha das publicações portuguesas), Lisboa, Tip. da Escola Militar, 15 de Outubro de 1923 .

Escreveu-se muito, em toda a parte, durante a guerra e depois; ainda se continuará a escrever. Do que na língua portuguesa e escrito por portugueses tem sido publicado, é lúcida ementa o trabalho a que essas linhas servem de prefácio". Estas palavras do prefacionador, o vice-almirante Vicente Almeida d'Eça (1852-1929), definem o âmbito desta Bibliografia da Grande Guerra (resenha das publicações portuguesas), editada em 1922, da autoria do então coronel Vitoriano José César (1860-1939), militar de carreira e autor de história militar, sócio da Academia de Ciências de Lisboa e lente na Escola Naval, promovido a General em Outubro de 1926.

Ao longo de 102 páginas, é elencada mais de uma centena de títulos de tipologia diversa, ordenados alfabeticamente por autor, considerados como fonte para a história da I Guerra Mundial. A maioria das entradas é complementada por um curto texto descritivo dos conteúdos, que biografa o seu autor ou chama simplesmente a atenção para aspetos concretos sobre os quais a obra se debruça. O volume surge complementado por uma listagem, ordenada cronologicamente, dos artigos publicados na Revista Militar, "que devem ser consultados por quem se proponha a escrever a história da grande guerra". De referir ainda que o produto da venda deste exemplar revertia, como se lê na folha de rosto, para a "Subscrição Nacional dos Padrões, Consagração do esforço da Nação Portuguesa e Glorificação dos nossos Mortos na Grande Guerra".

João Carlos Oliveira | Lisboa, HML, julho 2014]  


"Simples e despretensiosas ‘notas’ dum curioso de coisas bibliográficas que à Grande Guerra deu o melhor da sua alma no sacrifício voluntário e consciente do seu sangue e do seu espírito". Assim se apresentam estas Notas subsidiárias para uma bibliografia portuguesa da Grande Guerra, organizadas e publicadas em 1926 (depois de apresentadas em rubrica própria, entre 1922 e 1925, na III série da Alma Nova) pelo capitão miliciano de artilharia José Augusto Brandão Pereira de Melo (1890-1974).

Nascido em Soure, integrou o Corpo Expedicionário Português no 2.º Grupo de Bataria de Artilharia enviado para a frente europeia, onde foi gaseado, voltando do conflito com a Cruz de Guerra da Flandres. Depois de uma experiência como autarca de Penela, foi nomeado governador da Ilha do Príncipe, cargo do qual seria destituído após um polémico relatório, sendo passado à reserva, e integrando os Serviços de Censura.

O ambicioso plano de obra apresentado no prefácio pretendia organizar os conteúdos em torno de 3 categorias: obras originais de autores portugueses (incluindo prosa, verso, teatro, ensaio, obras técnicas, publicações periódicas e outros materiais diversos  - folhas volantes, discursos, manifestos, programas, relatórios, …  -, bem como informação relativa a novos títulos em preparação; traduções portuguesas; e obras estrangeiras impressas em Portugal. O volume que disponibilizamos, de 58 páginas, referencia cerca de 300 títulos, correspondentes a obras originais de autores portugueses, nos géneros prosa e poesia. Não temos conhecimento de o projeto editorial ter sido concluído.

João Carlos Oliveira | Lisboa, HML, julho 2014

J.M.M.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

I GUERRA MUNDIAL – 100 ANOS – HEMEROTECA MUNICIPAL DE LISBOA


 
 
“Em 28 de julho de 1914, a ocupação da Sérvia pelas forças do Império Austro-Húngaro marcava o início de um conflito que rapidamente se propagou, num esquema de alianças que dividiu o mundo em dois, alterou o curso da história e constituiu, para muitos autores, a verdadeira entrada na contemporaneidade.

Portugal acabou por abandonar a neutralidade inicial, em parte pela necessidade de afirmação da jovem República (proclamada 4 anos antes) no contexto internacional, em parte pela necessidade de defesa dos seus interesses coloniais em África. África foi, de resto, o primeiro palco de guerra das tropas portuguesas, que desde setembro de 1914 se viam envolvidas em combates fronteiriços no Sul de Angola e no Norte de Moçambique, embora só em 9 de março de 1916 a Alemanha nos declarasse oficialmente guerra.


Só em princípios de 1917 se inicia o envio de tropas portuguesas para a Flandres, com o primeiro contingente do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) a embarcar, em janeiro, a bordo de três vapores ingleses. Este exército, composto por cerca de 30.000 homens, foi sujeito a uma instrução preparatória intensiva de nove meses, sob a direção do então ministro de Guerra, o general Norton de Matos. Ficaria conhecida como "Milagre de Tancos". Visivelmente mal preparado e equipado, o C.E.P. sofreu pesadas baixas, sendo tristemente célebre a data de 9 de Abril de 1918, que assinala a Batalha de La Lys.

No ano em que se assinala o 1.º Centenário da I Guerra Guerra Mundial, a Hemeroteca Municipal de Lisboa prepara este dossier digital, que será alimentado com novos conteúdos até 11 de Novembro de 2018, data que assinala a assinatura do Armistício.

Para além de publicações periódicas da coleção da Hemeroteca, integram este dossier materiais de outra natureza, que resultam da identificação de recursos na coleção da Rede de Bibliotecas de Lisboa (com natural destaque para a coleção da Biblioteca-Museu República e Resistência) ou de outras entidades. Pretendemos, desta forma, contribuir ativamente para os trabalhos de investigação que se esperam no âmbito deste centenário, bem como corresponder ao natural interesse do público em geral em conhecer mais sobre este conflito.

Destaque ainda para os recursos iconográficos alusivos à I Guerra Mundial que  temos vindo a disponibilizar na plataforma web Flickr, e que pode visitar AQUI”.

J.M.M.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

OS CRIMES DA FORMIGA BRANCA …


[PUBLICAÇÃO SEMANAL EM FOLHETOS]: Os Crimes da Formiga Branca. Confidências verídicas e sensacionais d’um Juiz de Investigação; Editor: J. Rocha Junior [J. Diogo Peres, ao nº3; Victor Alcantara, ao nº4]; Tabacaria Liberty, Typ. Lamas & Franklin, Lisboa [Officinas Graphicas, Rua do Poço dos Negros, Lisboa – ao nº4 ]; Lisboa, 1915, V numrs, p. 80

Nascido para difamar, o que faz deste folheto um pasquim, pouco revela sobre a sua identidade e a dos seus promotores. Aparentemente, isto é, tomando como verídicas as informações que ostenta em capa, bem como a data do editorial presente no primeiro número, «2 de Fevereiro de 1915», terá aparecido em Lisboa, pouco tempo depois [Na folha de rosto do primeiro número o ano referenciado é o de 1914, mas provavelmente não significa mais do que um erro tipográfico, pois não se repetiu nas edições seguintes].

Como se afirmava uma «Publicação semanal em folhetos de 16 páginas» e apenas saíram 5 números, a sua existência não terá ido além do mês de março. Nesse breve período, o pasquim teve três editores diferentes, sobre os quais não se encontrou qualquer notícia biográfica ou referência bibliográfica: J. Rocha Júnior, que depois de associar o seu nome aos dois primeiros números pediu escusa do cargo [Cf. ‘O nosso editor’, in Os Crimes da Formiga Branca, n.º 3, p. 48. Nessa altura foi identificado como João Rocha Júnior]; J. Diogo Peres, que assumiu o terceiro; e Victor Alcantara, que se responsabilizou pelos dois últimos números. O «juiz» manteve a sua identidade na sombra, assim como o(s) ilustrador(es) que colaboraram na produção do pasquim (n.º 2, 3 e 4). Parece(m) ser artista(s) da escola moderna. Também se publicam as fotografias dos rostos de algumas vítimas e de formigas [Rita Correia, CONTINUAR A LER AQUI]


Ficha Histórica, por Rita CorreiaLER AQUI

J.M.M.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ARGUS. REVISTA MENSAL ILLUSTRADA (1907)



ARGUS. Revista Mensal Illustrada; Ano I, nº 1 (Maio 1907) nº 3 (Julho 1907); Propr. e Adm.: Mário Antunes Leitão; Adm/Redacção: Rua de D. Pedro, 184, Porto; Director: [Abílio de] Campos Monteiro; impressa nas Officinas da Empresa Litterária e Tipographica Graphicas (Rua de D. Pedro, nº 178, Porto – o seu propr. era Joaquim Antunes Leitão); Porto, 1907, 3 numrs

[Alguma] Colaboração/textos assinado: A. Lemos, Alexandre da Conceição, Álvaro, António Ferreira, António Garcia, Campos Monteiro, Eduardo Noronha, Francisco Braga, G. Rolando, Gomes Leal, Gonçalves Cerejeira, Guilherme, J[osé]. Ramos Coelho, João Ramos, dr. Looch, Ruy Barbosa, Simplorio.


Publicou-se na cidade invicta, em 1907, mas teve uma duração efémera, com apenas 3 números, provavelmente devido ao quadro político da época e ao controlo legal exercido sobre a imprensa. Abundantemente ilustrada, a Argus foi dirigida pelo monárquico Abílio de Campos Monteiro (1876-1933), também o seu principal redator, enquanto a propriedade e administração era assegurada por Mário Antunes Leitão. Apesar da matriz literária, a revista procurou ser eclética, mergulhando noutros assuntos, no teatro, na música, no desporto, nas ciências, a par dum registo temático, que se evidencia logo no primeiro número, com fotografia de Guerra Junqueiro. Politicamente, adivinha-se um posicionamento antifranquista. A Argus contou com a colaboração literária de Gomes Leal (1848-1921), Alexandre da Conceição (1842-1889), Eduardo de Noronha (1859-1948), Gonçalves Cerejeira e do poeta brasileiro J. Ramos Coelho (1832-1914). A maioria da produção artística não está assinada, mas sempre conseguimos identificar alguns desenhos de Manuel Monterroso (1875-1967), na secção “Comédia Humana”. Os 3 números da Argus ficam agora disponíveis em linha, na Hemeroteca Digital, AQUI. Para saber mais sobre a revista, ler AQUI o estudo que Helena Roldão lhe dedicou”.

ARGUS. Revista Mensal Illustrada AQUI DIGITALIZADA
J.M.M.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

JORNAIS DIGITALIZADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL

A Biblioteca Nacional colocou online mais um conjunto de jornais. Facto que se saúda!

Desta vez foram disponibilizados um conjunto de jornais sobretudo de pendor operário e socialista, alguns deles muito importantes para acompanhar a evolução das organizações, associações, sindicatos e cooperativas criadas pelo movimento socialista português desde finais do século XIX até quase à implantação da República.

Os jornais agora disponibilizados são:
- Ilustração Mundial, Londres, 1918 [publicação inglesa, em português, muito ilustrada com fotografias e gravuras sobre a 1ª Guerra Mundial]
A federação : orgão das associações federadas e do povo operario em geral. - A. 1, nº programa (17 Dez. 1893)-a. 7, nº 328 (15 Abr. 1900). - Lisboa : [s.n.], 1893-1900.
O pensamento social : não mais deveres sem direitos, não mais direitos sem deveres / [dir. José Fontana e Antero de Quental]. - A. 1, nº 1 (Fev. 1872)-a. 2, nº. 51 (5 Abr. 1873). - Lisboa : Typ. do Futuro, 1872-1873. [Semanário da Fraternidade Operária. Contava como colaboradores Nobre França, José Fontana, Oliveira Martins, Eduardo Maia, Azedo Gneco, entre outros.]
O protesto operario : orgão do Partido Operário Socialista. - A. 1, nº 1 (5 mar. 1882) - a. 10, nº 596 (22 abr. 1894). - Lisboa. - Porto : P.O.S., 1882-1894.[Dirigido por Luís Figueiredo e contando com colaboradores como Angelina Vidal, Azedo Gneco, Nobre França, Gedes Guinhones, Fernando Alves, Viterbo de Campos, Manuel José da Silva, Ramos Lourenço, etc.]
O revolucionario : folha socialista / ed. resp. Paulo da Fonseca. - A. 1, nº 1 (18 Mar. 1893)-s. 2, a. 4, nº 17 (18 Out. 1896). - Lisboa : P. da Fonseca, 1893-1896. [Órgão do Partido Socialista Português, ligado à tendência marxistas de Azedo Gneco. Editor: António Augusto Marques; Dir. Azedo Gneco; Redactor: Sousa Neves; Colaboradores: Bartolomeu Constantino, Sotomayor Júdice, Angelina Vidal, entre outros]. 

Mais uma excelente notícia de um organismo público, ao colocar à disposição de todos um conjunto muito significativo de fontes de informação.

Vale a pena uma visita demorada pelos diferentes jornais.

A.A.B.M.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

DOSSIER DIGITAL - O 25 DE ABRIL DE 1974 NA IMPRENSA DA ÉPOCA

 
 

Nos 40 Anos que se assinalam sobre o 25 de Abril de 1974, a Hemeroteca Municipal de Lisboa associa-se ao ciclo de comemorações com um dossier digital que evoca os dias quentes da Revolução.

A par da cobertura televisiva (cuja emissão noticiosa do dia 25 de Abril pode ver no separador Televisão), a imprensa portuguesa, em formato Jornal ou Revista, cobriu os acontecimentos de forma entusiástica, como fica expresso nas edições integrais que disponibilizamos. Isenta de censura prévia, a liberdade de imprensa - que viria a ser sancionada pela Lei 85-C/75 - promoveu a imprensa deste período à condição de parceira ativa no debate em torno dos destinos do País.

Mas também no estrangeiro a revolução portuguesa fez manchete na imprensa: "Revolução asseada" (The New York Review of Books, 13 de junho), "Cavalheiresco golpe de estado" (Newsweek, 6 de maio), "Perder um império, ganhar respeito" (International Herald Tribune, 27 de Maio), são algumas das notícias que encontrará nos 3 títulos que integram a secção Monografias, que compilam ecos do impacto internacional do 25 de Abril: "Um livro, uma canção e depois uma revolução" (Time, 6 de maio).

O "livro" alude ao Portugal e o Futuro : análise da conjuntura nacional, do general António de Spínola, editado em fevereiro de 1974. Já a "canção" remete para as duas senhas do movimento que, com intervalo de menos de duas horas, foram emitidas na rádio: "E depois do adeus", de Paulo de Carvalho (canção vencedora do Festival RTP da Canção de 1974) e "Grândola, vila Morena", de Zeca Afonso. Esta circunstância serve de mote para a homenagem que, na secção Música, e com a colaboração do Serviço de Fonototeca da Biblioteca Orlando Ribeiro, prestamos ao canto de intervenção, representado por cinco canções que se impuseram na história da música portuguesa como a arma de combate mas também de celebração da Democracia.

DOSSIER DIGITAL AQUI - HEMEROTECA MUNICPAL DE LISBOA
J.M.M.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

ANNUNCIO


in ALMANACH DO TRINTA (1882), III Anno, Typ. Popular (Rua dos Mouros, 41, 1º), Lisboa, 1881, p. 68

Almanach do Trinta digitalizado AQUI

J.M.M.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

MUNDO LITERÁRIO ONLINE



 
AQUI abrimos a ficha do semanário de critica e informação literária, cientifica e artística – MUNDO LITERÁRIO -, publicado entre o 11 de Maio de 1946 e o 1º de Maio de 1948.
 
Na altura, dissemos:
 
MUNDO LITERÁRIO. Semanário de crítica e informação literária, científica e artística, Lisboa, Ano I, nº 1 (11 Maio 1946) ao Ano II, nº 53 (1 Maio de 1948); Propr: Editorial Confluência, Lda; Editor: Luís de Sousa Rebelo; Director: Jaime Cortesão Casimiro (e Adolfo Casais Monteiro), 1946-48, 53 numrs

[Alguma] Colaboração: Adolfo Casais Monteiro, Alberto Ferreira, Alexandre O’Neill, Álvaro Salema, Alves Redol, António Pedro, António Ramos de Almeida, António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Branquinho da Fonseca, Eugénio de Andrade, João Gaspar Simões, João José Cochofel, Jorge de Sena, José Blanc Portugal, José Régio, Júlio Pomar, Mário Dionísio, Mário Sacramento, Ruy Luís Gomes, Sant’Anna Dionísio, Tomaz Kim, Victor de Sá, Vitorino Magalhães Godinho.
 

Ora a Hemeroteca Municipal de Lisboa, continuando o seu elevado espírito de serviço público, disponibilizou a digitalização dos seus 53 números, incluindo, curiosamente, a sua folha promocional. De mesmo apresenta-nos a sua Ficha Histórica, de autoria de Helena Roldão. A não perder!

 
 

 

J.M.M.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

JORNAIS DIGITALIZADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL


A Biblioteca Nacional Digital disponibilizou recentemente um conjunto de publicações periódicas que merecem a atenção dos nossos ledores.

Vamos indicar algumas das publicações que ficaram disponíveis para consulta, porque a política de digitalizar e colocar em consulta interna provoca ainda alguma confusão, sobretudo quando já são publicações em domínio público, sem problemas de direitos de autor.

Vejamos então algumas das publicações:

- Aª monarchia / publicação do Centro Republicano do Porto. - N. comemorativo. - Porto : C.R.P., [189-]. - 37 cm;
O alarme : justiça a quem a merecer : semanário republicano / dir. Marques Moura. - A. 1, nº 1 (27 set. 1913) - a. 1, nº 8 (15 nov. 1913). - Porto : João da Costa Coutinho, 1913. - 47 cm;
- O alarme : diário republicano da tarde / red. Heliodoro Salgado. - A. 1, nº 1 (31 out. 1904) - a. 1, nº 109 (11 mar. 1905) ;S. 2, a. 1, nº 1 (21 jun. 1905) - s. 2, a. 1, nº 6 (30 jun. 1905). - Porto : António Manuel Vilhena, 1904-1905. - 56 cm;
- A barricada : semanario radical / orgão dos oprimidos. - A. 1, nº 1 (30 Mar. 1890). - Lisboa : [s.n.], 1890. - 40 cm;
- Diario d'Evora : folha independente / dir. Henrique Freire. - A. 1, nº 1 (16 out. 1894) - a. 2, nº 370 (21 jan. 1896). - Evora : Typ. Eborense, 1894-1896. - 45 cm;
- O Districto de Faro. - A. 1, nº 1 (6 abr. 1876) - a. 38, nº 1932 (1 maio 1913). - Faro : Typ. de R.P. Fortado, 1876-1913. - 43 cm;
A gazeta de Braga : semanario independente, commercial, litterario e noticioso / propr. adm. J. M. da Cunha ; red. e dir. M. J. da Rocha. - A. 1, nº 1 (16 out. 1896) - nº 12 (1 jan. 1897). - Braga : Manuel Antonio de Paiva, 1896-1897. - 45 cm;
Jornal de Condeixa / red. e ed. Alberto Martins de Carvalho. - A. 1, nº 1 (18 jul. 1896) - a. 1, nº 43 (8 maio 1897). - Condeixa : A. M. Carvalho, 1896-1897. - 46 cm;
O liberal : folha independente / adm. M. da Cruz Ferreira. - A. 1, nº 1 (10 maio 1896) - nº 22 (4 nov. 1896). - Lisboa : Paulo da Fonseca, 1896. - 48 cm;
O liberal : semanario politico / ed. resp. António Velloso. - A. 1, nº 1 (7 abr. 1895) - a. 3, nº 140 (2 jan. 1898). - Póvoa de Varzim : A. Veloso, 1895-1898. - 48 cm;
- A madrugada : revista noticiosa, critica, litteraria, biographica e bibliographica / dir. Oscar Leal. - S. 1, a. 1, nº programa (28 Out. 1894) - s. 4, a. 3 (Dez. 1896). - Lisboa : F. Palmeirim, 1894-1896. - 46 cm;
- O moncorvense : semanario politico, litterario e noticioso. - A. 1, nº 1 (25 out. 1891) - a. 6, nº 272 (17 jan. 1897). - Moncorvo : A. Birros, 1891-1897. - 49 cm;
O norte transmontano : semanario progressista / propr. e ed. Pires Avellanoso. - [S. 2], a. 1, nº 1 (5 fev. 1897) - [s. 3], a. 1, nº 4 (5 dez. 1897). - Bragança : António José Pereira, 1897. - 44 cm;
A obra : orgão dos carpinteiros civis. - A. 1, nº 1 (19 jul. 1891) - a. 11, nº 584 (21 Abr. 1906). - Lisboa : Typ. do Commercio, 1891-1906. - 37 cm;
O povo de Chaves : folha do povo e para o povo / adm. Annibal Pereira ; dir. Annibal de Barros. - A. 1, nº 1 (5 out. 1890) - a. 4, nº 194 (31 jan. 1897). - Chaves : Typographia Flaviense, 1890-1897. - 42 cm;
A rabeca : jornal satyrico, noticioso e politico / adm. Manoel Vicente Ventura. - A. 1, nº 1 (31 jan. 1897) - a. 1, nº 15 (1 maio 1897). - Evora : F. de Paula Henriques, 1897. - 45 cm;
O regenerador : folha politica, litteraria e noticiosa / dir. João Manuel Fernandes dªAlmeida. - A. 1, nº 1 (24 jun. 1886) - a. 11, nº 1016 (30 jul. 1896). - Braga : João Antunes Machado Moreira, 1886-1896. - 46 cm;
A rua : jornal academico republicano / ed. resp. Illydio Analide da Costa. - A. 1, nº 1 (1 abr. 1897) - a. 1, nº 3 (18 abr. 1897). - Lisboa : I. A. Costa, 1897. - 40 cm;
Theophilo Braga : homenagem prestada / Associação Escolar de Ensino Liberal. - Nº único (3 Dez. 1899). - Lisboa : A.E.E.L., 1899. - 38 cm.

Com publicações de maior longevidade e outras de curta duração, encontram-se jornais de vários pontos do País, de várias tendências políticas.

Uma iniciativa que não podemos deixar de enaltecer e elogiar nas instituições públicas. A Biblioteca Nacional Digital facilita a vida aos investigadores de fora de Lisboa [e mesmo aos estrangeiros] que se dedicam a procurar informações na imprensa que se publicou em Portugal.

A.A.B.M. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A FLECHA. PANFLETO POLÍTICO


A FLECHA. Panfleto político de publicação quinzenal – Ano I, nº1 (28 Fevereiro 1926) ao nº 3 (1 Abril 1926); Director, Editor e Proprietário: Evaristo de Carvalho; Administração e Oficinas: Travessa das Mercês, 31, Lisboa; Impressão: Tip. Formosa (Rua do Século, 2 C, 1º), Lisboa; 1926, III numrs [Ficha Histórica AQUI]


“… A nossa política, é hoje, um grande arraial, com balcões e tavolagens, por toda a parte. Por todas a parte, se compra e vende e, por toda a parte, se joga. A mercadoria mais cotada, a mais cobiçada, a mais disputada, é o inconsciente voto do aldeão, a influência eleitoral do caíque provinciano. E os jogos mais em voga são: o jogo da incompetência, o jogo da ignorância atrevida e louca, o jogo da ambição grotesca, o jogo do videirismo trepador, o jogo das deslealdades e traições, ….”

A FLECHA. Panfleto Político AQUI DIGITALIZADO

J.M.M.

sábado, 30 de novembro de 2013

FORA DA LEI! PERIÓDICO PANFLETÁRIO E REPUBLICANO


FORA DA LEI! Periódico Panfletário e Republicano – 1915; Proprietários, Editores e Directores: Hermano Neves & Herculano Nunes; Administração e Depósito: Livraria Ventura Abrantes (Rua do Alecrim, 80), Lisboa; Impressão: Tip. Leiria (Rua da Horta Seca, 64), Lisboa; 1915, II numrs [29 de Abril 1915-6 de Maio de 1915]


O facto de voluntariamente nos collocarmos fora da lei, outra coisa não significa mais do que a affirmação de uma necessidade urgente: entendemos que n’este grave momento da vida nacional é indispensável proclamar-se sem rodeios e sem hesitações tudo o que suppomos a verdade.

Fóra da lei, quuer dizer, libertos de preconceitos, de convenções, de hypocrisias, de conveniências, orientados apenas pelo interesse supremo de um paiz cujas energias tardam em despertar, guiados tão somente pelo desejo de contribuir, com um pouco de esforço, para o grande esforço de patriótica ressureição que é indispensável surgir em Portugal. Fora da lei é tudo isto, mas é mais alguma coisa ainda: é a garantia de uma independência formal de clientellas e de partidos políticos, cujos interesses só consideramos legítimos quando se confundem com os interesses geraes da nação ..." [in nº I, 29 de Abril 1915]
 
 
J.M.M.

domingo, 3 de março de 2013

PORTUGAL, DIÁRIO CATÓLICO, ONLINE


A Biblioteca Nacional retomou a sua actividade de digitalização de periódicos, após alguns meses de interregno nesta área, embora tenham continuado a disponibilizar  livros antigos online.

Um dos jornais disponibilizados merece particular atenção, porque serve de contraponto à propaganda republicana, e acompanha todo o período entre 1907 e 1910. Funcionava como órgão do Partido Nacionalista.

Portugal, diário católico, iniciou publicação em 5 de Fevereiro de 1907. Tinha como director J. Fernando de Sousa (Nemo) e, a partir de Fevereiro de 1908 passa a ser dirigido pelo Padre José Lourenço de Matos.

O administrador era Alexandre do Amaral Pyrrait, depois Adriano Ferreira Pinto Basto Martins, mais tarde o padre Manuel Francisco Pessoa da Luz e, na fase final da existência do jornal, Fernando Pais de Figueiredo.

O jornal começou por pertencer à Empresa do Jornal Portugal (Limitada), posteriormente, passou para a Sociedade Veritas e, por fim passou a ter a denominação Empresa Portugal Limitada. A existência do jornal termina a 4 de Outubro de 1910, com o número 1130. Nessa altura, o jornal já deixara de sair diariamente e tornara-se trissemanário desde 6 de Janeiro de 1910.

Foram dirigentes da empresa que detinha o jornal católico Domingos Pinto Coelho, Carlos Pinto Coelho, Alberto Pinheiro Torres e o padre Manuel Francisco Pessoa da Luz, mas afastaram-se quando a posse do jornal passou para as mãos da Sociedade Veritas.

Bibliografia consultada:
LEMOS, Mário Matos e, Jornais Diários Portugueses do Século XX. Um Dicionário, Ariadne Editora/CEIS 20, Coimbra, 2006, p. 499-501

A.A.B.M.