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sábado, 18 de fevereiro de 2012

BIBLIOGRAFIA DO DISTRITO DE BRAGANÇA


Vai ser apresentada na próxima segunda-feira, dia 20 de Fevereiro de 2012, o primeiro volume da Bibliografia do Distrito de Bragança que tem vindo a ser desenvolvida pelo nosso particular amigo Dr. Hirondino da Paixão Fernandes.


O evento enquadra-se nas comemorações dos 548 anos da elevação de Bragança a cidade. Esta comemoração ficará marcada pela edição da obra monumental, desenvolvida ao longo de muitos anos de investigação, em arquivos, e incansável labuta com revistas e jornais para acrescentar mais elementos biobibliográficos aos autores naturais do distrito de Bragança. Sendo uma obra que presentemente já ultrapassou os seis milhares de páginas com muitos milhares de referências de artigos e livros publicados pelos autores naturais daquele distrito.

Um evento que, segundo fomos informados, contará com a presença dos mais importantes representantes da cidade, da edilidade, das organizações existentes no concelho, bem como de algumas personalidades naturais da região que anunciaram a sua presença como o Professor Adriano Moreira (Presidente da Academia das Ciências de Lisboa), autores locais e do Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.

A apresentação da obra estará a cargo do Professor Doutor Telmo Verdelho.

Aproveitamos para desejar o maior sucesso para o evento e ficamos a aguardar os restantes volumes, já que nas mais de oito centenas de páginas deste, só entraram os autores correspondentes às letras A e B. Os restantes irão sendo publicados ao longo do tempo.

A.A.B.M.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

TRINDADE COELHO: CORRESPONDÊNCIA


Numa louvável atitude do Prof. Hirondino Fernandes, foi publicado, como noticiamos AQUI, um conjunto de epistolográfico de José Francisco Trindade Coelho. Serviu este intento para assinalar o centenário do falecimento do ilustre autor mogadourense. Hirondino Fernandes depois da copiosa e abundante biobibliografia de Trindade Coelho publicada no número anterior da Brigantia, também por nós divulgada, retirada da sua Bibliografia do Distrito de Bragança aventurou-se na pesquisa da correspondência do referido autor. Localizou, tratou e publicou 511 cartas, muitas das quais inéditas.

Pesquisou ao longo de mais de um ano nas bibliotecas de Coimbra, onde reside, na Biblioteca Nacional, e conseguiu, com a ajuda de alguns amigos, localizar cartas em diferentes instituições como: a Biblioteca Municipal de Leiria, o Museu de Camilo, o Museu João de Deus, o Arquivo Histórico Municipal de Elvas, entre outros.

Com uma nota a ressalvar tudo isto, não foi só compilar e ou transcrever as cartas, em alguns casos teve que desembolsar quantias significativas para instituições da cultura nacional lhe facultarem o acesso à informação que necessitava. Por outro lado, outras houve que, recebendo as suas solicitações, nunca se dignaram a dar resposta nem a ceder o material solicitado. Infelizmente, uma atitude lamentável mas recorrente de alguns dos nossos responsáveis pelas nossas instituições culturais. Facto este que também contribuiu para o atraso do presente número da revista e que o autor lamenta.

Para quem, como nós, conhece o Prof. Hirondino Fernandes, sabe da paixão que ele nutre pela investigação sobre os autores da sua região e para a particular afeição para a personalidade de Trindade Coelho. Foi esta paixão que o fez chegar ao fim, mesmo com as dificuldades e obstáculos inesperados com que se foi deparando.

Quanto ao trabalho agora publicado, só podemos felicitar o autor. O Prof. Hirondino da Paixão Fernandes começa com uma tábua cronológica que estabelece paralelos entre a vida de Trindade Coelho e a vida nacional, para melhor se compreender algumas das circunstâncias que rodearam o Homem do século XIX. A primeira carta reproduzida data de 5 de Novembro de 1873, contava Trindade Coelho doze anos, mostra as preocupações de um jovem que estudava afastado da família e da terra que conhecia. Uma entre várias cartas intimistas, onde o autor manifesta a sua ligação à família, reflecte os costumes e tradições dos jovens da burguesia rural enviados para as cidades do litoral, a cargo de outros familiares ou amigos, onde eram recebidos durante algum tempo para receberem a educação que se exigia na época. Com curiosas e interessantes referências à vida quotidiana da época (instrumentos/utensílios, hábitos, tradições), por outro lado a grande regularidade na troca de correspondência com o Pai e irmãos.

As primeiras trinta e oito cartas são todas dirigidas ao pai e correspondem ao período em que estuda no colégio de S. Carlos, no Porto. Depois, temos uma primeira carta dirigida a Silva Cordeiro, já em 1883, com várias referências a José Caldas. Seguem-se depois um outro núcleo de cartas trocadas com José Leite de Vasconcelos, com diversas referências à actividade literária e a personalidades da vida cultural do século XIX. Adiante encontra-se outro núcleo de cartas trocadas com Camilo Castelo Branco onde se dão conta de alguns aspectos da vida privada e profissional de Trindade Coelho.
Existe ainda um núcleo de cartas trocadas com António Torres de Carvalho, aquando da permanência de Trindade Coelho em Portalegre.
Encontram-se ainda múltiplas missivas trocadas com diferentes personalidades da época (Luís de Magalhães, Eugénio de Castro, Júlio de Lemos, Paulo Osório, António Correia de Oliveira, entre muitos outros). Através das cartas, relatam-se aspectos mais pessoais, situações particulares, problemas de carácter mais íntimo, como a relação que se estabeleceu entre Trindade Coelho e Louise Ey.
Vale a pena ler com atenção algumas das cartas trocadas entre Trindade Coelho e a feminista alemã, para se compreender como era uma relação de duas pessoas com personalidades diferentes, algo instáveis emocionalmente e que se refugiam na escrita entre si para manter mais ou menos ocultos sentimentos que, hoje, nos parecem tão óbvios. A delicadeza e subtileza destas cartas, as mensagens “afectuosamente intelectuais” (como dizia Trindade Coelho na carta nº 363) trocadas entre ambos, onde ele reconhece “eu vi através das suas cartas o seu coração, - e o meu foi para ele instintivamente” e conclui-se que a paixão entre ambos, foi cada vez mais um problema a atormentar o autor que se sentia crescentemente dividido.

Um trabalho de grande fôlego, resgatando a intimidade do escritor de Mogadouro, mas dando a conhecer facetas e aspectos fundamentais que permitem compreender um pouco melhor a decisão do suicídio em 1908. Como seria importante encontrar outros núcleos de cartas de outros escritores portugueses e conseguir publicá-las, como fez o Prof. Hirondino Fernandes. Com o seu rigor e esforço, para fazer o melhor que sabe e pode, embora cometendo, como qualquer simples mortal, pequenos lapsos que não retiram a importância da obra, antes pelo contrário só enaltecem e mostram a sua perseverança e capacidade de pesquisa. Mais um trabalho de referência sobre Trindade Coelho que se recomenda e se divulga junto de todos os interessados.

O nosso amigo Hirondino Fernandes conseguiu transpor para a via tradicional (suporte em papel) aquilo que hoje seria quase impensável, encontrar alguém que ainda escreva cartas e faça da escrita uma arte que pode ser sempre aperfeiçoada. Infelizmente, nos nossos dias, em especial, os nossos políticos, com a vulgarização da utilização do mail, que raramente é impresso, muita informação se vai perder neste mundo cada vez mais virtual.

Agora que se aproxima o centenário da República, era fundamental conhecer a correspondência trocada entre alguns dos seus principais vultos. Lembramos por exemplo Bernardino Machado, Afonso Costa, António José de Almeida, Manuel de Brito Camacho, Basílio Teles, Estêvão de Vasconcelos, José Relvas, Duarte Leite, Teófilo Braga, entre muitos outros, para se conhecer os meandros do poder, as relações que existiam, as lutas que se travavam, as personalidades, os gostos, a vida privada e a vida pública. Esperemos que alguns investigadores e instituições lancem mão a esta temática, por vezes algo esquecida, mas fundamental, e que nos parece em risco de desaparecer nos nossos dias.

A.A.B.M.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

BRIGANTIA 2009


Por amabilidade do Prof. Hirondino Paixão Fernandes, foi-nos oferecido o vol. XXVIII-XXIX, correspondente a 2008-2009, da revista em epígrafe.

Este número especial, dedicado ao Centenário de Trindade Coelho, resulta de um trabalho aturado e persistente de recolha, pesquisa e inventariação de cartas de Trindade Coelho dirigidas às mais diversas personalidades. Hirondino Fernandes conseguiu reunir mais de meio milhar de cartas (511) deste autor transmontano, entre 1873 e 1908.

Do sumário do presente número da Brigantia, dirigida por Ana Maria Afonso, retira-se o seguinte:
- In Limine, por Ana Maria Afonso;
- Prefácio, por Aníbal Pinto de Castro;
- Entre Quem É (À guisa de Introdução), por Hirondino Fernandes;
- Tábua Cronológica, por Hirondino Fernandes;
- Cartas (organização, leitura e notas), por Hirondino Fernandes;
- Referência das Gravuras, por Hirondino Fernandes;
- Bibliografia, por Hirondino Fernandes;
- A Sete Chaves (À guisa de Nota Final), por Hirondino Fernandes;
- Índices (Assuntos, Prosónimos, Topónimos, Destinatários), por Telmo Verdelho e Hirondino Fernandes

Ao longo de 768 páginas, bastante ilustrado com fotografias das cartas, gravuras da época e das personalidades com quem trocou correspondência.

Sem dúvida a homenagem que José Francisco Trindade Coelho merecia por parte dos seus comprovincianos.

A.A.B.M.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

DESTAQUES NA BRIGANTIA


Como já dissemos aqui, e após uma rápida leitura deste volume, três artigos nos suscitam maior interesse. Os dois primeiros sobre a figura de José Francisco Trindade Coelho, a que já fizemos referência aqui, e o terceiro sobre uma polémica entre Guerra Junqueiro e o Padre Sena Freitas.
No artigo de José Maria Cruz Pontes, intitulado Trindade Coelho. Cartas para António Corrêa d'Oliveira dá-se continuidade a um trabalho já iniciado no número anterior e que transcreve a epistolografia de Trindade Coelho para o poeta Corrêa d'Oliveira. Neste artigo analisa-se o conteúdo das cartas trocadas entre ambos e as sugestões que Trindade Coelho realizava ao trabalho do poeta Corrêa d'Oliveira. Concluindo com o paralelelismo entre a vida de ambos os escritores, os problemas pessoais, as dúvidas e sugestões, as questões profissionais e literárias.

Uma artigo muito interessante e fundamental para conhecer melhor as duas personalidades em questão. Reconhecendo o papel de Trindade Coelho ao ter descoberto e protegido Corrêa d'Oliveira durante algum tempo, empenhando-se na sua valorização enquanto poeta. Um trabalho que inclui a publicação de cartas que podem servir para a realização ou avanço de outras investigações, porque a epistolografia é fundamental para estudar a personalidade de alguém e as pesosas com quem se vai relacionando, permitindo descobrir facetas diferentes daquelas que muitas vezes se mostram em público.

De seguida, o vastíssimo e valioso trabalho de investigação e prospecção biobibliográfica realizada pelo professor Hirondino Fernandes, sobre a figura de Trindade Coelho. Este vai ser, em nossa opinião, um trabalho marcante e fundamental para quem quiser estudar a personalidade de Trindade Coelho. Seria mesmo merecedor de uma publicação autónoma, em livro, caso alguma editora o tivesse descoberto atempadamente.

Neste artigo é possível encontrar, se não toda, quase toda a produção literária e jonalística de José Francisco Trindade Coelho. Mais, teve a preocupação de agrupar a produção deste autor por anos e descobriu os diferentes pseudónimos que utilizou ao longo do tempo. Após uma breve nótula biográfica, inicia propriamente a descrever a bibliografia activa com os documentos manuscritos que se encontram no Museu do Abade de Baçal. Parte depois para o levantamento de todos os documentos impressos que foi possível encontrar desde 1878/1879, muitos deles acompanhados de pequenos excertos, que mostram a minúcia da sua pesquisa. Consultou centenas de publicações periódicas e livros, bem como o espaço imenso que a Internet coloca à nossa disposição. Recolheu uma imensa quantidade de informação que agora fica disponível para outros investigadores poderem avançar em novas direcções. Elaborou também uma extensa bibliografia passiva sobre o autor ordenada alfabeticamente. Recolheu ainda uma utilíssima secção intitulada "Ecos da Imprensa" onde se encontram referências extremamente relevantes para os estudiosos de Trindade Coelho e da sua época. Pesquisou também as referências a Trindade Coelho na Câmara dos Deputados e na Câmara dos Pares. Encontrou ainda referência a uma curta metragem sobre a personalidade em apreço. Finalmente, também não poderia ser esquecida a iconografia, com um conjunto de imagens de Trindade Coelho, algumas delas muito pouco conhecidas que agora ficam a ilustar este valiosíssimo contributo para a cultura portuguesa.

Este artigo que se insere no seu projecto mais vasto de elaborar a Bibliografia do Distrito de Bragança, projecto ambicioso que há algum tempo temos tido oportunidade de vir a acompanhar. As longas décadas de trabalho de investigação e os milhares de páginas já escritas são um património importantíssimo para os transmontanos e, particularmente, para os brigantinos. Façam favor de não o deixar perder!!!
A amizade que começamos a construir nas nossas deambulações pelas bibliotecas, compulsando e recolhendo em jornais e revistas (muitas vezes a desfazer-se entre os dedos), procurando realizar um trabalho que nada nem ninguém recompensa, e, muitas vezes, só com o gozo de conseguir encontrar algo que já se pensava perdido e esquecido por todos. Ele procurando autores do seu distrito e nós pesquisando sobre autores do "Meu Algarve", tentando realizar um projecto semelhante para esta região.

Por fim, permitam-nos destacar o artigo da autoria de Henrique Manuel S. Pereira, intitulado Polémica entre Sena Freitas e Guerra Junqueiro, porque aborda uma polémica sempre presente entre republicanos,livres-pensadores e maçons face aos católicos. Neste caso representados por duas figuras de relevo num e noutro campos, numa polémica pouco conhecida entre o padre José Joaquim de Sena Freitas, que teria celebrado uma missa aquando do falecimento de Émile Littré (1881) onde criticou o seu pensamento ao que Abílio Guerra Junqueiro respondeu com a publicação de uma poesia onde insultava de forma clara o eclesiástico com "Littré e o Padre Sena Freitas" publicado no jornal portuense Folha Nova em Julho de 1881. O autor analisou os ecos na imprensa desta polémica e as suas várias leituras, bem como as referências que encontrou sobre esta questão em diferentes autores ao longo do tempo. Muito interessante para compreender a evolução do pensamento de Guerra Junqueiro e o anticlericalismo de muitos dos autores ligados ao Partido Republicano.

A.A.B.M.