Mostrar mensagens com a etiqueta Comissão de Resistência Maconica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comissão de Resistência Maconica. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de julho de 2012

MISTIFICAÇÕES À VOLTA DA MAÇONARIA E A I REPÚBLICA



Sobre a Conferência proferida por António Ventura, "A Maçonaria na I República e no Estado Novo" [AQUI referida], transcrevemos - com a devida vénia - o seu registo pela pena do dr. Amadeu Gonçalves, publicado no estimado blog "Do Presente".

"A propósito do Centenário da República e da sua implantação em Portugal e do tema que relaciona a Maçonaria e a I República, o Professor António Ventura iniciou a sua conferência, subordinada à Maçonaria na I República e no Estado Novo, criticando a publicação de algumas obras relacionadas com o tema, na medida em que algumas são especulativas, outras fantásticas e raras abordam a mesma relação.

Tomando como princípio comum que uma coisa são as instituições, outra coisa são as pessoas, a Maçonaria, em si, antes da República, não teve nada a ver com o 31 de Janeiro: aliás, a Maçonaria foi alheia ao movimento, caso da Maçonaria portuense e do próprio Grande Oriente Lusitano Unido, que o condenou, na medida em que a Maçonaria não combate as instituições. É o que Bernardino Machado, quando toma posse do cargo de Grão-Mestre, ainda longe o ideário republicano, defende no discurso da tomada de posse. Com as suas cisões próprias, até à Revolução do 5 de Outubro, o Prof. António Ventura evidenciou que não há um texto da maçonaria a apelar à revolução! O que existe é que há maçons na revolução republicana, isto é que é diferente! Mesmo no I Governo Provisório, poucos são os maçons que estão no Governo, como é o caso de Bernardino Machado, Afonso Costa e de António José de Almeida. O que o prof. António Ventura defende é que não há maçons com responsabilidades, o que existe são maçons, e muitos, que são iniciados, reincidentes ou alguns irradiados. É o caso da Comissão de Resistência, que tinha o mero papel de ouvir as lojas e de apoiar os maçons perseguidos. Por seu turno, a Maçonaria já teve um papel decisivo da missão da França em Inglaterra (1908). Desta forma, e em larga medida, a República é o triunfo da Maçonaria, até porque o triunfo da Revolução vai ser não só o triunfo da própria Maçonaria, como o desenvolvimento da mesma em Portugal. Os maçons vão ocupar cargos importantes, funda-se novas lojas e triângulos um pouco por todo o País, surgindo algo novo: o aparecimento público da Maçonaria.

Com mais uma cisão da Maçonaria em 1914, estando em causa a problemática 'ou uma federação de lojas ou de ritos', surgindo então o Grémio Luso-Escocês, Sebastião de Magalhães Lima vai ter um papel preponderante para a união da instituição. E se no 28 de Maio não há propriamente uma condenação à Maçonaria, o que só acontecerá em 1935, nesta fase importante será também o papel de Oliveira Camões, o qual defende que não é propriamente em regimes de liberdade que os maçons fazem falta, mas sim em regimes ditatoriais. Para o Prof. António Ventura, a Maçonaria não está habituada à clandestinidade. E mesmo perante o 28 de Maio, o Grande Oriente Lusitano Unido não o condena. Se temos antigos maçons com a ditadura e o Estado Novo, maçons no Tarrafal, existe igualmente figuras de destaque no Estado Novo que nunca esquecerão o seu passado de maçons
" [via Do Presente - sublinhados nossos]

J.M.M.

sábado, 3 de julho de 2010

COMISSÃO DE RESISTÊNCIA DA MAÇONARIA



A "Comissão de Resistência da Maçonaria" foi criada por proposta [no dia 14 de Junho de 1910cf. A Maçonaria e a Implantação da República. Documentos Inéditos, Grémio Lusitano/Fund. Mário Soares, 2009] do Ir. Championet [Machado Santos] da Loja Montanha [Venerável Interino pela "ausência" no estrangeiro de Luz de Almeidacf. António Maria da Silva, O Meu Depoimento, vol. I, 1974, p. 259] numa assembléia do "Povo Maçônico" de Lisboa [a pretexto das inúmeras prisões de maçons verificadas], reunida no Templo José Estêvão, no Palácio do Grêmio Lusitano, e sob presidência do G. M. Adjunto, José de Castro [Magalhães Lima estava no estrangeiro, em missão diplomática].

A proposta foi "unanimemente aprovada" e nomeou-se José de Castro para "velar pela defesa e integridade da ordem" [ibidem, p. 260] e tomar acções visando "defender a maçonaria dos ataques da reação política e religiosa, guiando o trabalho dos Obreiros no mundo profano no interesse superior da Pátria e da segurança dos cidadãos" [cf. A Maçonaria e a Implantação da República, ibidem, p. 99].

José de Castro nomeou uma comissão, que tinha a seguinte composição inicial: Sebastião Magalhães Lima [n.s. João Huss], José de Castro [n.s. Lamartine], Miguel Bombarda [n.s. D’Artagnan, Loja José Estêvão], Machado Santos [n.s. Championet, Loja Montanha], Francisco Grandela [n.s. Pilatos, Loja Futuro], José Cordeiro Júnior [n.s. Lutero, Loja Acácia], José António Simões Raposo [n.s. Castilho, Venerável da Loja Solidariedade]. Mais tarde foi a Comissão alargada a Cândido dos Reis [n.s. Pero de Alenquer], António Maria da Silva [n.s. Desmoulins] e Manuel Martins Cardoso [n.s. Elias Garcia].

Após o X Congresso do Partido Republicano [23 a 24 de Abril de 1909, em Setúbal], ganhando a "linha revolucionária", é estabelecido uma estrutura organizativa para preparar e desencadear a acção revolucionária. Assim, o Directório e o seu comitê militar [João Chagas, Afonso Costa, Cândido dos Reis] estabelecem acordo com a Carbonária e a Comissão de Resistência da Maçonaria para planear e executar a acção necessária à implantação da República. Nasce deste modo a "Junta Revolucionária" ou "Comissão Executiva de Lisboa", que vai dirigir o movimento revolucionário do dia 4 de Outubro de 1910. Reunia-se no Centro de S. Carlos [A. Maria da Silva refere (op.cit.) que todos eles eram sócios].

Faziam parte da "Junta Revolucionária", Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Miguel Bombarda, António Maria da Silva [em substituição de António José de Almeida], Simões Raposo [representante da Comissão de Resistência da Maçonaria], Manuel Martins Cardoso [Loja Acácia]. Surge, ainda, um Comité Militar, chefiado por Sá Cardoso [de que faziam parte Helder Ribeiro, Ladislau Parreira, Carlos da Maia, Vasconcelos e Sá, Mendes Cabeçadas, Mariano Martins, José António Pala].

Não por acaso, na importante reunião de 29 de Setembro de 1910 [na sede do PRP, ao Largo de S. Carlos] que antecedeu a revolta vitoriosa do 5 de Outubro, 7 dos seus 11 participantes, em representação das estruturas revolucionárias, faziam (ou fizeram) parte da "Comissão de Resistência da Maçonaria".

FOTOS: Circular nº12 do Grande Chanceler Geral da Ordem, Prometheu [n.s. de Agostinho José Fortes], traçada aos 20 de Junho de 1910, comunicando ao Povo Maçônico de "todas as Lojas e Triângulos" a proposta aprovada em reunião do dia 14 de Junho de 1910 – via "Maçonaria e a Implantação da República. Documentos Inéditos", Grémio Lusitano/Fund. Mário Soares, 2009, pp. 90-91 [clicar nas fotos para AUMENTAR].

J.M.M.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DOCUMENTO HISTÓRICO - COMISSÃO DE RESISTÊNCIA DA MAÇONARIA



O Almanaque Republicano apresenta mais um documento histórico que permite compreender o papel das sociedades secretas na preparação do movimento revolucionário que acabou por eclodir em 4 e 5 de Outubro de 1910.

Esta carta, como se pode ver, apresenta-se com o carimbo do Grande Oriente Lusitano Unido e foi dirigida por José de Castro, grão-mestre adjunto da Maçonaria Portuguesa, para Francisco Grandela, comerciante, republicano e maçon.

Outro detalhe curioso que se pode observar na carta é a data, 11 de Agosto de 1910, quando as reuniões preparatórias decorriam já de forma regular. Avizinhavam-se as últimas eleições da Monarquia Constitucional e Francisco Grandela anotou no verso da missiva quem eram os restantes elementos da Comissão de Resistência da Maçonaria, que são do domínio público:
- José de Castro;
- Simões Raposo;
- Machado Santos;
- Miguel Bombarda;
- José Cordeiro Júnior;
- Francisco Grandela;

A carta que reproduzimos, com a devida vénia, pode ser encontrada AQUI.

A.A.B.M.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

GOLTZ DE CARVALHO NOS 150 ANOS DO SEU NASCIMENTO


GOLTZ DE CARVALHO – 150 Anos do seu Nascimento

A Associação 24 de Agosto, com a colaboração da Junta de Freguesia de Buarcos (Figueira da Foz) e a Associação Goltz de Carvalho, recorda uma das figuras notáveis da Figueira da Foz, no centenário do seu nascimento: Augusto Goltz de Carvalho.
 
Dia 5 de Dezembro, na Assembleia Figueirense, pelas 21,30 h - Conferência por Isabel Pereira [ex-Directora do Museu Municipal Santos Rocha e do Museu de Aveiro]
 
Augusto Goltz de Carvalho nasceu em Buarcos, no dia 28 de Março de 1858 [cf. José de Sousa Cardoso, Biografias Figueirenses, Figueira da Foz, 1947, p. 29]. Foi professor primário durante 30 anos e personagem importante nos movimentos associativos de Buarcos [cf. A Maçonaria na Figueira da Foz (1900-1925), Ed. Biblioteca e Arquivos, 2001, p. 8]. Cria a (sua) Escola Particular Nocturna, colabora na fundação da Cooperativa Buarcoense (1904), na União Marítima de Buarcos (1912), nos Bombeiros Voluntários de Buarcos, tendo sido "activo da Misericórdia de Buarcos" e, ainda, presidente da Junta da Paróquia de Buarcos [idem, ibidem].
 
Homem de "grande cultura", escreveu peças de teatro que foram levadas à cena no mítico Grupo Caras Direitas, tendo aí realizado, também, notáveis conferências. Grande entusiasta pela investigação e exploração arqueológica na região [ibidem], colaborou intensamente com o Dr. Santos Rocha [n. F. Foz, 1853-1910] na organização do Museu Municipal e [ler, aqui] na Sociedade Arqueológica da Figueira [1898, que a partir de 1903 se denomina, Sociedade Arqueológica Santos Rocha], tendo feito parte da sua direcção [nota: consultar o Boletim da Sociedade Archeologica Santos Rocha (nº1, 1904)]. Também se distinguiu no "campo da biologia e zoologia", tendo sido um conhecido "recolector e catalogador de espécies vegetais e animais".
 
Iniciado na maçonaria, presumidamente, num Triângulo de Buarcos - o Triângulo nº 118 -,  com o n.s. de "Brotero", do qual foi seu Presidente.
 
[de facto, em Buarcos, a partir de 1899, existiu o Triângulo nº11 do REAA, que abateu colunas em 1908; e a partir dessa data estiveram activos 2 Triângulos, tendo um deles (Triângulo, nº118 de Buarcos) originado a Loja Luz e Harmonia, fundada em 1911, da qual Goltz de Carvalho foi seu Venerável - cf. A Maçonaria na Figueira da Foz, ibidem, p.9]
 
De referir que Goltz de Carvalho, o "Irmão Brotero", assina, na qualidade de Presidente, as pranchas do Triângulo nº 118, de Buarcos, para a "Comissão de Resistência Maçónica".  
 
Colaborou em diversos jornais e outras publicações, como o Correio da Figueira, Correspondência da Figueira, Gazeta da Figueira, Anais de Ciências Naturais, Portugália (porto) e no Boletim da Sociedade Arqueológica da Figueira.
 
150 Anos do Nascimento de Goltz de CarvalhoAssembleia Figueirense, dia 5 Dezembro, pelas 21,30 h – Conferência por Isabel Pereira.
 
J.M.M.