Abel de Lima Salazar nasceu em Guimarães a 19 de Julho de 1889. Em 1909 entra na
Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde concluiu (1915) o seu curso de Medicina, apresentando a tese "
Ensaio de Psicologia Filosófica". É na cidade invicta que se estabelece [residiu longo tempo em S. Mamede de Infesta], como médico de profissão, lecciona na Faculdade, sendo nomeado (1918) Professor Catedrático de Histologia e Embriologia na Universidade do Porto. Como investigador, funda e dirige o Instituto de Histologia e Embriologia, tendo sido reconhecido internacionalmente pela sua obra de investigação, pelos seus numerosos e pioneiros trabalhos científicos.
Abel Salazar foi, também, um curioso
ensaísta [na filosofia, no direito, na história], um inquebrantável
pedagogo, um notável
desenhador,
gravador,
artista plástico e
escultor. As suas obras, principalmente as de teor iconográfico, têm um profundo cunho humanista [veja-se a importância que dá à problemática feminina] e de
crítica social, e como que antecipam o movimento e sentido neo-realista na arte portuguesa.
Abel Salazar foi republicano, um democrata e um doutrinador, um sistematizador de ideias progressistas. Perseguido por razões políticas pela ditadura, oposicionista ao
Estado Novo, foi demitido da sua Faculdade, em consequência da publicação [era Ministro da Instrução Pública,
Eusébio Tamagnini] do decreto 25.317 de 13 de Maio de 1935 e pela posterior redacção da Portaria de 5 de Junho desse ano [
pelas mesmas razões, também foram expulsos do funcionalismo público, outros cidadãos e docentes universitários (no total de 33), como Aurélio Quintanilha,
Sílvio Lima,
Manuel Rodrigues Lapa,
Norton de Matos,
Carvalhão Duarte,
Costa Amaral,
Manuel da Silva], saindo do país.
Em 1941, "
numa aberta da Ditadura, dirigiu o Centro de Estudos Microescópicos, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto" e a partir de 1942 “
trabalhou igualmente com o Instituto Português de Oncologia, a convite de Francisco Gentil” [ver,
AQUI]
Com uma extensa obra científica,
Abel Salazar participou/polemizou no debate cultural e estético do seu tempo [ver, p.ex., os seus textos na revista
Diabo e em
Sol Nascente no curioso debate
Arte pela Arte/ Arte Social], tendo colaborado em importantes revistas, como:
Afinidades,
Cadernos da Juventude (
editado em Coimbra, 1937, e cujo numero único foi confiscado pela censura),
Diabo,
Ocidente,
Esfera,
Pensamento,
Portucale,
Povo do Norte (
semanário republicano do Porto, 1935),
Prometeu (
Porto, 1947),
Seara Nova,
Síntese (
Coimbra, 1939),
Sol Nascente (
Porto, 1937),
Sol (
Lisboa, 1942),
O Trabalho,
Vértice,
Vida Contemporânea.
Abel Salazar foi maçon, iniciado em 1934 [ou em 1933, no dia 23 de Agosto!?; a petição de iniciação está datada de 6 de Julho, desse ano] na
Loja Lux et Vita, nº 394 (
loja do REAA, instalada no Porto em 1918), com o nome simbólico de "
Nada".
Morre em Lisboa a
29 de Dezembro de 1946.
J.M.M.