quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ABEL SALAZAR [1889- m. 29 de Dezembro de 1946]


Abel de Lima Salazar nasceu em Guimarães a 19 de Julho de 1889. Em 1909 entra na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde concluiu (1915) o seu curso de Medicina, apresentando a tese "Ensaio de Psicologia Filosófica". É na cidade invicta que se estabelece [residiu longo tempo em S. Mamede de Infesta], como médico de profissão, lecciona na Faculdade, sendo nomeado (1918) Professor Catedrático de Histologia e Embriologia na Universidade do Porto. Como investigador, funda e dirige o Instituto de Histologia e Embriologia, tendo sido reconhecido internacionalmente pela sua obra de investigação, pelos seus numerosos e pioneiros trabalhos científicos.

Abel Salazar foi, também, um curioso ensaísta [na filosofia, no direito, na história], um inquebrantável pedagogo, um notável desenhador, gravador, artista plástico e escultor. As suas obras, principalmente as de teor iconográfico, têm um profundo cunho humanista [veja-se a importância que dá à problemática feminina] e de crítica social, e como que antecipam o movimento e sentido neo-realista na arte portuguesa.

Abel Salazar foi republicano, um democrata e um doutrinador, um sistematizador de ideias progressistas. Perseguido por razões políticas pela ditadura, oposicionista ao Estado Novo, foi demitido da sua Faculdade, em consequência da publicação [era Ministro da Instrução Pública, Eusébio Tamagnini] do decreto 25.317 de 13 de Maio de 1935 e pela posterior redacção da Portaria de 5 de Junho desse ano [pelas mesmas razões, também foram expulsos do funcionalismo público, outros cidadãos e docentes universitários (no total de 33), como Aurélio Quintanilha, Sílvio Lima, Manuel Rodrigues Lapa, Norton de Matos, Carvalhão Duarte, Costa Amaral, Manuel da Silva], saindo do país.

Em 1941, "numa aberta da Ditadura, dirigiu o Centro de Estudos Microescópicos, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto" e a partir de 1942 “trabalhou igualmente com o Instituto Português de Oncologia, a convite de Francisco Gentil” [ver, AQUI]

Com uma extensa obra científica, Abel Salazar participou/polemizou no debate cultural e estético do seu tempo [ver, p.ex., os seus textos na revista Diabo e em Sol Nascente no curioso debate Arte pela Arte/ Arte Social], tendo colaborado em importantes revistas, como: Afinidades, Cadernos da Juventude (editado em Coimbra, 1937, e cujo numero único foi confiscado pela censura), Diabo, Ocidente, Esfera, Pensamento, Portucale, Povo do Norte (semanário republicano do Porto, 1935), Prometeu (Porto, 1947), Seara Nova, Síntese (Coimbra, 1939), Sol Nascente (Porto, 1937), Sol (Lisboa, 1942), O Trabalho, Vértice, Vida Contemporânea.

Abel Salazar foi maçon, iniciado em 1934 na Loja Lux et Vita, nº 394 (loja do REAA, instalada no Porto em 1918), com o nome simbólico de "Nada".

Morre em Lisboa a 29 de Dezembro de 1946.

J.M.M.

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