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quarta-feira, 11 de abril de 2012

MANUEL BORGES GRAINHA (1862-1925)



AQUI, AQUI, AQUI & [TUDO] AQUI referimos "um dos republicanos mais activos no combate ao clero português: Manuel Borges Grainha" [n. 14 Janeiro 1862 - f. 4 Abril 1925]. Apresentamos, agora, duas das suas obras:

- "O PORTUGAL JESUITA", Lisboa, 1893, Typographia e Stereotypia Moderna, 2ª ed., 514 págs.

"Publiquei ha mezes um livro intitulado Os Jesuitas e as Congregações Religiosas em Portugal nos ultimos trinta annos, o qual teve echo no paiz, principalmente nos centros jesuiticos. [...]

Do campo catholico-jesuita (pois ha tambem o catholico não jesuita) sairam immediatamente tres livros contra o meu. N’elles notei que, deixando de parte as outras Congregações, pretenderam defender quasi exclusivamente os jesuitas; e que, não percebendo a força da minha prova testemunhal, julgaram que não poderia adduzir em favor das minhas affirmações documentos e citações auctorisadas.
Visto isso, vou fazer n’este livro um estudo mais particular e detalhado dos jesuitas e dos seus defensores, que constituem o que podemos chamar o Portugal Jesuita ...
" [M. Borges Grainha - via FRENESI]

- "HISTÓRIA DO COLÉGIO DE CAMPOLIDE DA COMPANHIA DE JESUS. Escrita em Latim pelos Padres do Mesmo Colégio Onde Foi Encontrado o Manuscrito", Imprensa da Universidade, Coimbra, 1913, LXXVI+ 148 págs (20 extra-textos+11 desdobráveis).

"De altíssima importância histórica. Permite-nos, por exemplo, perceber por que expulsou o marquês de Pombal os jesuítas, ou por que os perseguiu a República.
Avulso, apenas dois títulos de capítulo esclarecedores: 'Colégios para pobres transformados em Colégios para ricos e relutância dos jesuítas em gastar dinheiro com o ensino de crianças pobres', é o IV capítulo; outro, o V: 'Antipatriotismo dos jesuítas portugueses. Algumas das suas casas colocadas sob nomes de estranjeiros e resultados pitorescos e aflitivos dessa manigância' ...
" [via FRENESI]

J.M.M.

sábado, 3 de dezembro de 2011

HISTÓRIA DA FRANCO-MAÇONARIA EM PORTUGAL (1733-1912)


LIVRO [reed.]: História da Franco-Maçonaria em Portugal (1733-1912);
AUTOR: Manuel Borges Grainha;
EDIÇÃO: Nova Vega [reed. 2011]

"A História da Franco-Maçonaria em Portugal, de M. Borges Grainha, foi publicada pela primeira vez em 1912. O seu sucesso foi de tal ordem que logo conheceu nova edição em 1914.

A razão entende-se facilmente na medida em que ela corresponde a uma tentativa de historiar, tão completamente quanto possível, a Maçonaria em Portugal, desde o seu início no século XVIII, no período compreendido entre 1733 e 1912, e é publicada numa época agitada, pouco depois da implantação da República, no quadro dos conflitos que decorrem desse evento, entre a Maçonaria e a Igreja, em Portugal como noutros países.

Outro aspecto relevante que Borges Grainha salientou enquanto membro do Grande Oriente Unido em 1914, e está patente nesta obra, é o de que 'o espírito da Maçonaria é o espírito da libertação, da solidariedade e do aperfeiçoamento social e humano'. Extinta pelo Estado Novo em 1935, ano em que Salazar decretou a proibição de todas as sociedades secretas, a Maçonaria recolheu a uma espécie de clandestinidade, nunca deixando de existir apesar da forte repressão que abatia sobre ela
" [ler MAIS AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

LIGA NACIONAL DE INSTRUÇÃO



Esta associação, fundada em 1907, com amplo apoio e dinamizada por importantes figuras da Maçonaria, teve como principais impulsionadores José Francisco Trindade Coelho e Manuel Borges Grainha.

Esta associação tinha a sua sede em Lisboa, mas criou núcleos em diversos pontos do País, tinha como objectivo combater o analfabetismo que existia em Portugal. Criaram-se núcleos nas seguintes localidades: Leiria, S. Martinho do Porto, Peniche, Óbidos, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Alcobaça, Montemor-o-Velho, Figueira da Foz, Alhadas, Quiaios, Covilhã, Viana do Castelo, Aveiro, Soure, Coimbra e Santarém. Para além disso, conseguiu estabelecer-se na colónia portuguesa de Angola (Bié e Benguela).

Organizou ao longo do tempo vários congressos pedagógicos para debater os problemas do ensino em Portugal, como os de 1908, 1909, 1912 e 1914.

Veja-se o que era importante para a Liga Nacional de Instrução em 1908:




Note-se a preocupação com as questões que envolviam o problema do analfabetismo. Por outro lado, procurava-se "elevar o ensino nacional em todos os ramos e criar uma verdadeira educação cívica e social". Entre os ambiciosos fins desta associação encontramos alguns que, passado um século, ainda continuam por realizar, como se pode observar nos vários pontos do artigo 2.

Fica a questão para reflexão: a que distância ficamos de atingir as metas propostas e formuladas pela Liga Nacional de Instrução? Mesmo que cem anos depois tenhamos consciência de que muitas ainda estão por realizar.

A.A.B.M.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

MANUEL BORGES GRAINHA (NOVA ADENDA)


Foi, aqui e aqui, mui justamente biografado Manuel Borges Grainha. Sobre o biografado, foi citado o trabalho de António Carlos Carvalho e um outro de Artur Manuel Villares Pires Oliveira. Decerto haverá muitos mais. De qualquer modo, convém assinalar a pequena notícia saída na primeira página do jornal "A Luz" (Lisboa, 1 Maio de 1925, Ano VIII, nº 180), retirada (pelo que se entende) da Revista Livros (?).

Assim, "A Luz",

[«Importante jornal maçónico de Lisboa, editado pelo Grémio Luso_Escocês e, desde 16.4.1920, pelo Grémio Lusitano. Começou a publicar-se em 6.4.1918 (nº1) sendo, a principio, semanal, depois de Abril de 1920 quinzenal e, a partir de 1923, mensal. Terminou oficialmente em 1.11.1928 (nº 200) embora, na prática, o seu último número mensal tivesse sido o 198, de 1.11.1926» - in Dicionário de Maçonaria Portuguesa II, de A. H. Oliveira Marques, 1986]

refere na resenha bibliográfica de Borges Grainha, que este terá publicado o "Método intuitivo, legográfico, e mecânico para ensinar a ler, escrever e contar", em 1909 (não conhecemos a peça) e, depois em 1910, continua com "Alguma explicações para a boa execução do método intuitivo, legográfico e mecânico". Na bibliografia de Borges Grainha, é registado (pelo jornal "A Luz" e secundado, depois, por Oliveira Marques) a publicação em francês do seu I volume da História da Maçonaria, "Histoire de la Franc-Maconnerie en Portugal", em "luxuosa edição".

Ainda como aditamento, diga-se que pertenceu Borges Grainha à "Comissão de Propaganda e Instrução" [juntamente com Joaquim Ferreira Pacheco, Dr. Cristiano Goulart de Aragão Morais, José Augusto de Melo Vieira e António Luís Ribeiro Júnior] do Parlamento Maçónico da Grande Loja, conforme é referido no Boletim Oficial do GOLU [nº4 a nº6, Abril a Junho de 1913]. Foi nomeado, por sua vez, relator das Teses do Cong. Maç. Nacional, a coberto do Congresso Nacional de Educação, realizado no Porto, nos dias 19 a 23 de Junho de 1914 [outros relatores nomeados: Floro Henriques (Loj. Portugal de Coimbra), Raul Tamagnini Barbosa (Loj. Victoria do Porto), António Joaquim da Silva Ramos (Loj. Liberdade e Progresso, Porto) - in Boletim Oficial do GOLU, Julho a Setembro de 1913 e, ainda, no Relatório do Congresso Maç. Nacional realizado no Porto ...., 1914].

J.M.M.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

MANUEL BORGES GRAINHA (ADENDA)

Tendo hoje tido a possibilidade de, numa biblioteca, encontrar a obra Dicionário de Educadores Portugueses, coord. António Nóvoa, Edições Asa, Porto, 2003, consegui esclarecer melhor algumas dúvidas sobre a personalidade em questão.
Assim, o artigo de João Carlos Paulo sobre Borges Graínha, p. 653-658 afirma:

Borges Graínha descende de uma família de comerciantes de lanifícios da Covilhã. Em 1870 entra para o Colégio de S. Fiel, contando para tal com a interferência de um tio eclesiástico da Companhia de Jesus. Em 1877, inicia o noviciado no Convento do Barro, nele permanecendo até 1886. Nesta data, decide abandonar o colégio dos Jesuítas, regressando à Covilhã onde se envolve em aceso debate com os dois tios membros da congregação. A ruptura com a vida eclesiástica consolida-se com a decisão de vir residir em Lisboa para frequentar o Curso Superior de Letras, mudança que efectiva naquele mesmo ano.

O autor deste artigo biográfico afirma ainda que Borges Graínha leccionou em escolas de Coimbra, Aveiro,Braga e no Liceu Central de Lisboa, onde permanece vários anos.

Participa no 1º Congresso Pedagógico de Instrução Primária e Popular, realizado em Lisboa, em Abril de 1908, onde apresenta um relatório sobre o problema do analfabetismo em Portugal. No ano seguinte, realiza-se o 2º Congresso, onde volta a tratar a mesma temática.

Em 1914, no Congresso Maçónico Nacional, apresenta um texto sobre a importância da instrução popular.

Encontraram também mais referências a colaborações nas publicações periódicas:
- Liga Nacional de Instrução - Arquivo dos seus Trabalhos, Lisboa, 1915. [Publicou-se entre Janeiro-Março de 1915 a Janeiro/Dezembro de 1917]
- Boletim das Missões Civilizadoras, Cernache do Bonjardim, 1920[Publicou-se entre Abril de 1920 a Julho/Outubro de 1925]

A.A.B.M.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

CONGRESSO PEDAGÓGICO - 1912



Congresso Pedagógico de 1912, na Sociedade de Geografia de Lisboa.

Na foto: Manuel Borges Grainha, Manuel de Arriaga, Aníbal de Magalhães e Bernardino Machado. Foto de Anselmo Franco [in Arquivo Fotográfico]

J.M.M.

MANUEL BORGES GRAINHA


No passado domingo, dia 14, assinalou-se o aniversário do nascimento de um dos republicanos mais activos no combate ao clero português: Manuel Borges Grainha, nascido na Covilhã a 14 de Janeiro de 1862.

Estudou num colégio jesuíta, realizou os estudos preparatórios para entrar como membro desta ordem entre 1877 e 1886. A partir de 1886 afasta-se da vida religiosa e inscreve-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa, que conclui em 1899. Inicia a sua actividade como docente de línguas, particularmente línguas latinas, em diversas escolas particulares e liceus públicos.

Começa a publicar livros contra a presença dos jesuítas em Portugal, tendo alcançado alguma projecção com os seguintes trabalhos:

- Os Jesuítas e as Congregações Religiosas em Portugal nos últimos trinta anos. A propósito do Caso das Trinas, Typ. da Empreza Litteraria e Typographica, Porto, 1891.
- O Portugal Jesuíta, Typ. e Stereotypia Moderna, Lisboa, 1893.
- A Questão Religiosa e a Liberdade atravez da Historia. Conferência feita na Associação Académica do Porto (no dia 28 de Maio de 1893), Imprensa Gratidão, Braga, 1893.
- História da Franco-Maçonaria em Portugal, 1733-1912, Typ. «A Editora Limitada», Lisboa, 1912; 2ªed. 1914; 3ª ed. Vega, 1976.
- História do Colégio de Campolide da Companhia de Jesus / trad. e pref. M. Borges Graínha,Imprensa da Universidade,Coimbra, 1913, 148 p.
- Lés Jesuites en Portugal de 1540 à 1834. Contribution à l'étude et à l'interpretation des lois du 8 Octobre et 31 Décembre 1910. Cour permanent d'Arbitrage de la Haye. Affaires dites «des biens contestés en Portugal». Observations générales - Annexe nº 3, Imprimmerie Nationale, Lisboa, 1914.

Manuel Borges Grainha traduziu para o francês, entre outras obras antijesuíticas um trabalho historiográfico sobre o mais importante colégio da Companhia de Jesus do período da sua segunda restauração: Histoire du collége de Campolide et de la Résidence des Jésuites à Lisbonne, Lisbonne, Imp. «A Editora Limitada», 1914.

Publicou ainda alguns trabalhos sobre o ensino em Portugal:
- Instrução Primária, Secundária e Normal. Os Livros Escolares, Lisboa, 1904.
- A Instrução Secundária de ambos os sexos no Estrangeiro e em Portugal, Lisboa, 1905.
- O Analfabetismo em Portugal, Lisboa, 1908.
- Meios de Facilitar o Ensino das Primeiras Letras, Lisboa, 1909.
- Método intuitivo Legográfico e Mecânico para Ensinar a Ler, Lisboa, 1925.


Foi o responsável pela organização do extinto Museu das Congregações Religiosas que funcionava em anexo ao também extinto Museu Histórico da Revolução do 5 de Outubro.

Pertenceu ainda à comissão executiva que levou a efeito as comemorações do centenário do nascimento de Alexandre Herculano em 1910. Esteve também ligado à Comissão designada para realizar a reforma ortográfica de 1911, com José Joaquim Nunes, Cândido de Figueiredo e Gonçalves Viana. Pertenceu ainda à Liga Nacional de Instrução.

Colaborador em diversas publicações como:
- Revista dos Lyceus, surgida em 1891, sob a direcção inicial de M. Borges Grainha, professor do Liceu Central de Lisboa, e cuja publicação será interrompida em 1896.
- O Tempo, jornal diário republicano, Lisboa, 1911, Dir. António Maceira [publicou 77 números entre 16-03-1911 e 31-05-1911]

Foi maçon, iniciado com o nome simbólico de Renovator ou Reconstrutor, em 1893, em loja desconhecida. Pertenceu ainda aos quadros da Loja Solidariedade (1906) e Loja Paz e Concordia (1911).

Faleceu em Lisboa a 4 de Abril de 1925.

Publicou-se sobre esta personalidade:
- Carvalho, António Carlos, "Sobre Borges Grainha", in História da Franco-Maçonaria em Portugal, 3ª ed., Vega, Lisboa, 1976, p. 11-14

- Oliveira, Artur Manuel Villares Pires, O regresso das congregações religiosas nos finais da 1ª República - um relatório de Borges Graínha, in separata de População e Sociedade, n.º 4. Porto: CEPESE, 1998.

A.A.B.M.