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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

COLÓQUIO INTERNACIONAL: GOMES FREIRE E AS VÉSPERAS DA REVOLUÇÃO DE 1820


Hoje, 18 de Outubro de 2017, a Biblioteca Nacional, em Lisboa, leva a efeito um colóquio internacional assinalando os 200 anos da morte de Gomes Freire de Andrade, organizado pelas prestigiadas historiadoras Miriam Halpern Pereira e Ana Cristina Araújo.

Este colóquio conta, entre outros historiadores, com a presença prestigiante dos Professores José Manuel Tengarrinha, Miriam Halpern Pereira, José Capela, Maria Beatriz Nizza da Silva, José Luís Cardoso e Fernando Dores Costa que garantem a qualidade dos intervenientes e das comunicações a apresentar.

O programa do colóquio é o seguinte:


9h30 Receção

9h45 Abertura | Maria Inês Cordeiro (BNP), Miriam Halpern Pereira (CIES/ISCTE.IUL) e Guilherme d´Oliveira Martins (FCG) 

10h00 1ª sessão | Império e Reino Unido: as fraturas
Moderação: Lúcia Bastos (FERJ / Brasil)


O Norte na restauração nacional de 1808 - o papel dos militares | José Viriato Capela (ICS-UM)
Reforma e revolta na crise de 1810-1820 | José Manuel Tengarrinha (FLL/UL)
Indisponibilidade e fratura no centro político: proteção britânica, retorno de membros da Legião Portuguesa e dissidências ideológicas | Ana Cristina Araújo (FLUC-CHSC)


Debate 

11h30 Pausa para café 

11h45 2ª sessão | Protesto político em divergência: de Pernambuco a Lisboa
Moderação: José Capela (ICS-UM)

1. A revolta de Pernambuco de 1817 

A elite mercantil pernambucana e a rebelião de 1817 | Maria Beatriz Nizza da Silva (USP- São Paulo)
Como fazer uma revolução: a historiografia e o movimento de 1817 em Pernambuco | Guilherme Pereira das Neves (UFF -Niterói, RJ)


Debate

13h44 Almoço

14h30 2ª Sessão (continuação)
Moderação: Ana Cristina Araújo (FLUC-CHSC)


2. A “Conspiração” de Gomes Freire de Andrade


A Conspiração de Gomes Freire: enquadramento económico e político | José Luís Cardoso (ICS-UL)
A guerra iminente em 1817. As consequências europeias da política platina de D. João VI e Portugal como espaço sem «soberano». | Fernando Dores Costa (FCSH/UNL-IHC),
A conspiração de Gomes Freire e a oposição liberal aos regimes da Restauração na Europa | Grégoire Bron (U:Paris/ Berne)
Memória e História: “de traidores a mártires da Pátria”, em perspectiva crítica | Miriam Halpern Pereira (CIES/ISCTE-IUL)


Debate 

16h15 Pausa para o café 

16h30 3ª sessão | A opinião pública e a imprensa dos exilados em Londres - Mesa Redonda 1
Moderação: José Manuel Tengarrinha (FLL/UL)


A Conspiração de Gomes Freire: enquadramento e leituras da imprensa no exílio londrino | Adelaide Vieira Machado (FCSH/UNL-CHAM)
O Correio Braziliense e a ‘pretendida conspiração’ | João Pedro Ferreira (FCSH/UNL-CHAM)


Debate

18h00 Encerramento

Informações complementares podem ser obtidas na página da Biblioteca Nacional AQUI.

Uma excelente iniciativa que não podemos deixar de divulgar junto de todos os interessados na temática e sobretudo com a qualidade destes participantes.

Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

IN MEMORIAM JOSÉ SOARES MARTINS (1932-2014) [PARTE II]


José Capela firmou os seus créditos como investigador dos temas coloniais, sobretudo de Moçambique, alicerçando as suas pesquisas em temas inéditos. Por outro lado, apostou sempre numa postura critica em relação ao colonizador, o que lhe granjeou o respeito dos historiadores, pois reunia sempre um manancial de fontes arquivísticas e bibliográficas que lhe garantiam uma análise segura e fundamentada dos assuntos abordados.

Rejeitando o papel de propagandista, o publicista José Capela revelou-se um adversário acérrimo dos regimes colonialistas. As suas posições neste domínio foram pioneiras e revestiram-se de novidade no panorama historiográfico português sobre as colónias.

José Capela faleceu no Instituto de Oncologia do Porto, no dia 14 de Setembro de 2014, sendo sepultado no dia seguinte em S. João da Madeira.

Habitualmente apresentamos, nestes espaços In Memoriam uma listagem o mais completa possível da bibliografia produzida pelo autor em questão, mas neste caso específico recomendamos uma visita à listagem elaborada no espaço Memórias de África e do Oriente que merece a melhor divulgação. Neste espaço, é possível encontrar um extenso levantamento de artigos e livros escritos por José Soares Martins [José Capela] e podem ser consultados AQUI.

Recomenda-se ainda uma visita ao espólio bibliográfico que doou ao Núcleo de Estudos Africanos da Biblioteca Central da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, consultando ou descarregando o referido catálogo AQUI.

As poucas notas biográficas que se conseguiram encontrar, e a que recorremos, encontraram-se AQUI, alguns apontamentos sobre o seu contributo enquanto historiador foram encontrados AQUI, o seu espaço como investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto que se encontra disponível AQUI, nas notícias do Instituto Camões e Francisco Seixas da Costa também recorda a personalidade no seu blogue, AQUI, ou ainda outro texto carregado de memórias pessoais que pode ser encontrado AQUI.

Uma recomendação também de visita para conhecer alguma da bibliografia produzida pelo autor que pode ser consultada/descarregada AQUI.

Uma personalidade que evocamos, reconhecendo o seu contributo para a historiografia do período colonial em Moçambique.

A.A.B.M.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

IN MEMORIAM JOSÉ SOARES MARTINS (1932-2014) [Parte I]


José Soares Martins, conhecido como investigador por José Capela, nasceu em Arrifana, Vila da Feira, em 25 de Março de 1932. Depois de completar a escola primária, prosseguiu os  estudos ingressando no Seminário dos Grilos, no Porto.

Frequentou o curso de Teologia no Porto, em 1954. Chegou a Moçambique em 1956, com 24 anos, onde se dedicou à escrita e à investigação. Estabeleceu-se na cidade da Beira, onde seu tio era Bispo, D. Sebastião Soares de Resende, responsável pela diocese da Beira. Começou por trabalhar no Diário de Moçambique, a partir de 1959, onde desempenhou as funções de chefe de redacção e, mais tarde, de director-adjunto do mesmo jornal. Sobre a existência deste jornal recomenda-se a leitura do verbete que lhe dedica Ilídio Rocha [Ilídio Rocha, A Imprensa de Moçambique, Ed. Livros do Brasil, Lisboa, 2000, p. 283-284], onde traça um pequeno apontamento sobre as dificuldades e as vicissitudes de um jornal, em diversos momentos, denunciou situações menos correctas da administração colonial portuguesa que lhe valeram a suspensão, mesmo sendo um órgão da Igreja Católica, mas ao mesmo tempo enfrentando o poder que dispunha na região o eng. Jorge Jardim. Colaborando em diversos órgãos da comunicação escrita em Moçambique, dinamizou vários órgãos como o semanário Voz Africana (1962), a revista Economia de Moçambique (1963), entre outros.

Regressou a Portugal em 1968, quando fundou a Voz Portucalense, órgão da imprensa periódica ligado à Diocese do Porto, onde colaborou depois com alguma regularidade [Rui Osório, “Nem o Evangelho escapava à Censura!”, Jornalismo & Jornalistas, Jan-Jun.2014, p. 78, refere-se à criação deste periódico católico impulsionado pelo bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, assinalando como colaboradores Mário Zambujal, Mário Castrim, Germano Silva, António José Salvador e José Gomes Bandeira, entre outros]. Este regresso e instalação de José Martins Soares a Portugal, devia-se à publicação, já sob pseudónimo de José Capela, de um conjunto de cartas de negros para o órgão oficial da Diocese da Beira, Diário de Moçambique, o que causou profundas marcas.

Em 1 de Janeiro de 1970 iniciou, como editor, a publicação do jornal Voz Portucalense, no Porto. Nesta cidade desenvolveu intensa actividade no domínio cooperativista e na luta anti-facista e anticolonial. Nessa altura surgem a Confronto, e depois a Afrontamento,  Da publicação também dos cadernos anticoloniais.


Depois do processo de independência de Moçambique, esteve colocado como adido cultural no Centro Cultural Português, em Maputo, onde desenvolveu intensa actividade como investigador da História de Moçambique. Analisou com grande interesse as relações socais das populações na região da Zambézia. Os seus textos debruçam-se especificamente sobre Moçambique, sobre as questões coloniais, tendo focado a sua análise em alguns eixos fundamentais: a formação do embrionário capitalismo português em Moçambique e a influência que exerceu nas populações locais; a problemática da escravatura desde o período pré-colonial até à sua proibição e erradicação já nos primeiros anos do século XX; por outro lado, investigou e publicou textos sobre a complexidade histórica das sociedades da bacia do rio Zambeze, tendo por base a problemática do regime dos prazos na antiga colónia portuguesa.

[em continuação]

A.A.B.M.