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sábado, 4 de setembro de 2021

[27 DE JUNHO 1949] GRUPOS POLÍTICOS DE OPOSIÇÃO AO GOVERNO

 


Apontamento do General Norton de Matos (1867-1955) sob o título "grupos políticos de Oposição ao Governo", enumerando-os:

1) P.R.P.;

2) O grupo B;

3) O grupo do Porto;

4) e 5) Dois grupos de Coimbra;

6) um grupo na Figueira;

7) O grupo do Prof.;

8) Os comunistas extremos;

9) V. S.;

10) e 11) Dois partidos socialistas;

12) Os monárquicos do F. V.;

13) Os monárquicos integralistas;

14) Os monárquicos liberais;

15) Os poucos do P. R. L. P. P. (2ª República);

16) O Cunha Leal e companhia;

17) O Movimento Nacional Democrático;

18) Oposição Democrática.


in Arquivo Municipal de Ponte de Lima, com a devida vénia

J.M.M.

sexta-feira, 9 de março de 2018

DO MINHO AO MANDOVI: UM ESTUDO SOBRE O PENSAMENTO COLONIAL DE NORTON DE MATOS



LIVRO: Do Minho ao Mandovi: um Estudo sobre o pensamento Colonial de Norton de Matos;
AUTOR
: Sérgio Neto;
EDITORA: Imprensa da Univ. de Coimbra, 2016.

(RE)LANÇAMENTO [AQUI a nossa Nota de lançamento]:

DIA: 12 de Março 2018 (17,15 horas);
LOCAL:
Escola Secundária José Falcão (Biblioteca), Coimbra;
ORADORES: Prof. Luís Reis Torgal | Prof. Armando Malheiro da Silva;

“A longa vida do general José Norton de Matos (1867-1955) teve na questão colonial, apesar do “Milagre de Tancos” e da sua candidatura à presidência da República, em 1949, um esteio maior. Com efeito, a sua comissão na Índia, (1898-1908), onde dirigiu os Serviços de Agrimensura, a sua participação na missão encarregue de delimitar os limites de Macau (1909-1910), assim como os cargos de Governador-Geral (1912-1915) e de Alto-Comissário (1921-1924) da província de Angola, assinalaram muitos anos de actividade no Ultramar, a que se seguiu, uma vez concluída a acção no terreno, a redacção de livros de pendor doutrinário e uma vasta colaboração em jornais e revistas, sendo de destacar aquela que desenvolveu n’O Primeiro de Janeiro (1931-1954).

 

De resto, é possível falar num saber (sobretudo) de experiência feito, em que Norton beneficiou do contacto directo com colonialistas de gerações anteriores, como Mouzinho de Albuquerque, Henrique Paiva Couceiro ou Joaquim José Machado, governador da Índia quando da sua chegada a este território. Seja como for, as leituras dos clássicos ingleses da colonização tiveram o seu lugar no ideário “nortoniano”, expressando o general grande apreço pela aliança com a Grã- Bretanha e admiração pelos seus processos administrativos nos territórios africanos e na Índia. 

O objectivo deste estudo é seguir o percurso colonial de Norton de Matos, de modo a integrá-lo na sua época. Havendo convivido com a questão ultramarina, ao longo de três regimes políticos, ensaiar-se-á avaliar a sua experiência colonial a partir das linhas de força da Monarquia Constitucional, da Primeira República e do Estado Novo. Apreciar os debates e os argumentos trocados. Explicar o impacto da geopolítica mundial do período de entre-guerras no olhar desta importante figura histórica portuguesa do século XX, cotejando-a com a mitologia colonial herdada da Primeira República e aqueloutra desenvolvida pelo Estado Novo. 

Importa, pois, estabelecer os pontos de contacto entre os três regimes e explicitar algumas ideias que permearam as suas visões, nomeadamente, o mito prometeico da “gesta colonizadora”, o Apartheid, a miscigenação e o entendimento colonial que fazia dos imperialismos coloniais, assim como as primeiras independências, na Ásia e em África [AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

DO MINHO AO MANDOVI

Amanhã, 10 de Abril de 2017, na Sala Francisco Sá de Miranda, na Casa Municipal da Cultura em Coimbra, vai realizar-se a apresentação da obra de Sérgio Neto, intitulada Do Minho ao Mandovi. Um Estudo sobre o Pensamento Colonial de Norton de Matos.

A sessão terá início às 17 horas.

A apresentação da obra está a cargo dos Professores Doutores Luis Reis Torgal e Armando Malheiro da Silva.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa.

[Clicar na imagem para aumentar.]

A.A.B.M.


sábado, 25 de março de 2017

COLÓQUIO MEMÓRIAS E TRABALHOS DA VIDA DE NORTON DE MATOS 150º ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO


O Arquivo Municipal de Ponte de Lima  vai levar a efeito a 25 de Março de 2017, no Auditório Municipal de Ponte de Lima o Colóquio Memórias e Trabalhos da Vida de Norton de Matos no 150º aniversário de nascimento, entre as 14 e as 17 horas.

Os conferencistas convidados para assinalar o evento são:
Armando Malheiro da Silva, Recordar um projecto editorial apenas iniciado...;
Sérgio Neto, Do Lima a Luanda: elementos do pensamento colonial de Norton de Matos;
Maria Manuel Afonso da Ponte, Norton de Matos e o processo de urbanização em Angola;
Heloísa Paulo, A imagem de Norton de Matos na colónia portuguesa do Brasil; colonialista e opositor;
Helena Pinto Janeiro, José Norton de Matos na literatura critica o ultimo meio século;
José Norton, A Família de Norton de Matos na política do século XIX.

Pode ler-se na nota de divulgação:

No âmbito das comemorações dos 150 anos do aniversário do General Norton de Matos, o Município de Ponte de Lima realiza no próximo sábado, 25 de março, um colóquio intitulado "Memórias e trabalhos da vida de Norton de Matos".

A iniciativa, que conta com a inestimável colaboração da Casa Norton de Matos e do Prof. Doutor Armando Malheiro da Silva, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem já confirmada a presença de conceituados investigadores que se dedicaram ao estudo do General Norton de Matos designadamente a Profª. Doutora Heloísa Paulo (Centro de Investigação de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra), a Profª. Doutora Maria Manuel Afonso da Fonte (Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa), o Prof. Doutor Sérgio Neto (Centro de Investigação de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra) e a Profª Doutora Helena Pinto Janeiro (Instituto de História Contemporânea, da FCSH da Universidade Nova de Lisboa).

O colóquio vai realizar-se no Auditório Municipal. Para mais informações contacte o Arquivo Municipal de Ponte de Lima, através do seguinte email: arquivo@cm-pontedelima.pt.

Uma iniciativa que se divulga e se partilha com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

CIÊNCIA POLÍTICA NO PORTUGAL DOS ANOS 30. O SANEAMENTO DOS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS EM 1935 - ENCONTRO

Realiza-se no próximo dia 27 de Novembro de 2015, no Anfiteatro Manuel Valadares, do Museu Nacional de História Natural e Ciência - Universidade de Lisboa, um encontro científico onde se evocarão os professores universitários que o Estado Novo procurou silenciar: com a publicação do decreto-lei nº 25 317, de 13 de Maio de 1935.

Veja-se o decreto lei nº 25 317, conforme foi publicado no Diário do Governo:
Dias mais tarde, no dia 16 do mesmo mês, novo decreto publicado no Diário do Governo expulsava da função pública um conjunto de personalidades com fortes conotações à oposição ao Estado Novo de Salazar, conforme se pode ver na imagem abaixo:
Nessa ocasião foram afastadas todas as personalidades que o documento apresenta onde se destacam entre outras: o Professor Rodrigues Lapa da Faculdade de Letras de Lisboa e de Aurélio Quintanilha da Universidade de Coimbra, Nuno Simões, Germano Martins, Domingos Leite Pereira, Adelino da Palma Carlos, o General Joaquim Mendes Cabeçadas, o coronel Norberto Guimarães, o professor Sílvio Lima, da Faculdade de Letras de Coimbra, Álvaro Lapa, Abel Salazar, Norton de Matos, Manuel de Sousa Coutinho Júnior, Eduardo Santos Silva, Alberto Dias Pereira, Mem Verdial, Jaime Carvalhão Duarte, José Vicente Barata, Manuel da Silva, José de Oliveira Neves, Rafael de Sousa Ribeiro, Artur Guilherme Rodrigues Cohen, Álvaro Manuel dos Santos Machado, António Tavares Pereira, entre outros.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

Com este Encontro pretende-se reflectir sobre o significado e o impacto político e científico dos saneamentos de 1935 – a institucionalização do autoritarismo em Portugal e a fascistização da Universidade, explorando como hipótese de trabalho as tensões corporativas e científicas dentro da Academia, nomeadamente o eventual aproveitamento da hierarquia universitária instalada para bloquear a progressão de carreira a jovens professores/investigadores universitários, verdadeiros corpos de inovação e de crítica à instituição e às suas práticas científicas e pedagógicas.
Pretendemos explorar as complexas interdependências entre Ciência, Política e Universidade, avaliando as repercussões destas medidas em Portugal nas décadas subsequentes, também em contexto de internacionalização científica.

Entrada livre.

Uma sessão para acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A MEMÓRIA FAMILIAR DO CONTRA-ALMIRANTE JAIME DANIEL LEOTTE DO REGO


“Jaime Daniel Leotte do Rego, Contra-Almirante e Chefe da Divisão Naval Portuguesa, é um daqueles nomes que não se esquece e cuja história se reflecte em inúmeras entradas de enciclopédia, referências bibliográficas, memórias, jornais... Na imprensa por exemplo, são muitas, quase incontáveis, as referências ao Contra-Almirante Leotte do Rego, à sua intervenção na instauração da República, ao seu papel após o 5 de Outubro, e até mesmo ao que sucedeu durante a Primeira Guerra Mundial, visto que ocupou lugar cimeiro na Marinha Portuguesa, não sem depois ter caído em desgraça, aquando da chegada ao poder de Sidónio Pais.

Não se poderá afirmar que é uma figura amada por todos. Por certo é admirada por muitos. Mas as grandes personagens da História não reúnem consensos. São polémicas e duradouras. E Luís Leote, seu neto, sabe bem como o seu avô foi importante, assim como sabe das suas tristezas, problemas, resoluções e ambições. É um pouco dessa história, esse lado menos conhecido, que aqui se partilhará, tanto quanto, no futuro, se mencionará a memória e a história de seus dois filhos, Jaime Daniel e Luiz Daniel, ambos capitães de cavalaria e ambos membros do Corpo Expedicionário Português.

Como bem refere Luís Leote, a espada de seu avô e as suas condecorações encontram-se expostas no Museu da Marinha. Foram objectos ofertados pela família ao museu, e assim, encontram-se há anos num domínio mais público. Naquele domínio, onde circulam as notícias e as entradas de dicionário. Ainda assim, existem sempre objectos que nos surpreendem, pela sua aparente insignificância material cheia de história. Demonstram ainda um grau de intimidade que nos permite vislumbrar facetas da vida de alguém que não conhecemos pessoalmente, à qual não temos vínculos afectivos, mas do qual lemos e sobre o qual aprendemos… E dessas facetas os livros tantas vezes não nos falam.

Nessa perspectiva, o seu neto trouxe até nós três magníficos objectos, todos diferentes, todos representativos de momentos da vida do Contra-Almirante, momentos de vida mais ou menos conhecidos. Assim, Luís Leote revela-nos o gosto tão pessoal pela pintura que tinha seu avô, trazendo-nos um quadro de sua lavra, e que hoje faz parte do conteúdo expositivo que se encontra na sala do seu familiar. É igualmente com orgulho, e com a consciência de revelar uma imagem congelada de um momento histórico, porém triste para o Contra Almirante, que Luís Leotte nos apresenta uma fotografia. Uma simples fotografia que nos revela dois homens, um com farda do Exército, outro com a da Marinha. Juntos, com ar abatido mas firmes e resolutos, encontram-se, à direita, Leotte do Rego e à esquerda, Norton de Matos. Amigos de longa data, são aqui fotografados no dia em que foram forçados a partir para o exílio, poucos minutos antes de embarcarem num navio inglês, rumo a outras terras, outras vidas, outras gentes. Sidónio Pais tinha chegado ao poder e, como consequência, não mais existia em Portugal lugar para estes dois republicanos, que se tornaram assim estrangeiros em locais como a cidade de Paris.

Por fim, e lembrando exactamente esses tempos de exílio, um singelo cartão-de-visita. Talvez não tão singelo se observarmos todos os títulos que contêm. Mas esconde este pequeno pedaço de papel uma realidade sombria na vida do Contra Almirante. Como não possuía nenhuma fortuna, teve Leotte do Rego de aceitar empregos diversos, para conseguir o sustento essencial, e entre eles contou-se o de venda de enciclopédias ao domicílio. Este era o cartão-de-visita que o mesmo apresentava nesses momentos. As iniciais que se seguiam ao nome do avô, refere Luís Leote, significavam “Knight Commander of the Bath”, título com que foi agraciado pela influência do Príncipe de Battenberg, de quem se tornara amigo e oficial às ordens, quando da visita de Eduardo VII a Portugal. Concessão de dignidade essa que lhe permitira utilizar o título de “Sir”.

Estas são histórias que ficaram encerradas na memória familiar e que, agora, por ocasião das evocações do Centenário da Grande Guerra, Luís Leote nos trouxe, sobre aquele que, para si, para lá da figura pública e quiçá mediática no seu tempo, é simplesmente o seu avô.” [Margarida Portela (I.H.C./FSCH-UNL), LER/VER TUDO AQUI]

FOTO: Norton de Matos e Jaime Leote do Rego; TEXTO: Margarida Portela (I.H.C./FSCH-UNL), retirado do site Portugal 1914.org, com a devida vénia - sublinhados nossos]

SOBRE Jaime Daniel Leote do Rego ver NOSSA bibliografia AQUI

J.M.M.

sábado, 18 de janeiro de 2014

PRESIDENCIAIS DE 1949 – COMÍCIO DE NORTON DE MATOS (II)


Presidenciais de 1949: comício de Norton de Matos na Voz do Operário (Lisboa)

► Comício da campanha do General Norton de Matos às eleições presidenciais de 1949, na Voz do Operário: o candidato preferindo um discurso.

Na mesa do comício, distinguem-se Manuel Mendes, Fernando Lopes-Graça, Mário de Azevedo Gomes, entre outros. Ao fundo, o desenho retratando o candidato, da autoria de Júlio Pomar. [ADITAMENTO: Na foto, "a pessoa sentada mais à esquerda [talvez] seja a Dr.ª Maria Isabel Aboim Inglês - inf. prof. João Esteves (ver comentário)]

via Casa Comum

J.M.M.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PRESIDENCIAIS DE 1949 – COMÍCIO DE NORTON DE MATOS


PRESIDENCIAIS DE 1949 – COMÍCIO DE NORTON DE MATOS

Presidenciais de 1949: comício de Norton de Matos na Voz do Operário (Lisboa)

 via Casa Comum

J.M.M.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ROCHA MARTINS - CONTRA O PODER, ESCREVER, ESCREVER


"Perante um país sufocado, deprimido e amordaçado pela ditadura de Salazar ouviam-se, em períodos eleitorais, os ardinas de Lisboa, ao fim da tarde, que gritavam ao anunciar a jornal "República". Fala o Rocha! Fala o Rocha! Fala o Rocha... Eram os libelos, em forma de cartas, da autoria de Francisco José Rocha Martins. Tinham como principais destinatários o primeiro-ministro, Salazar; o Presidente da República, general Óscar Carmona ("o general de tomates cor de rosa" conforme o definiu Raul Proença); o patriarca de Lisboa, cardeal Gonçalves Cerejeira, e outras personalidades das cúpulas que asseguraram a manutenção e funcionamento das estruturas do regime.

Rocha Martins - jornalista ardoroso e combativo que se evidenciara, logo no começo do seculo XX, entre políticos e intelectuais, e, fundamentalmente, junto das camadas populares - tinha um percurso versátil, mas possuía capacidade de enfrentar o poder constituído. Principiou a carreira num jornal monárquico, o "Diário Popular", de Mariano de Carvalho; prosseguiu na "Vanguarda", dirigida par Magalhães Lima, grão-mestre da maçonaria; ligou-se depois a João Franco e à ditadura que implantou, no "Jornal da Noite"; foi braço direito de Malheiro Dias na "Ilustração Portuguesa".

Proclamada a Republica combateu-a no "Liberal". Editou os panfletos "Fantoches", notas semanais escaldantes sobre acontecimentos políticos arrasando Afonso Costa e a Partido Democrático. Foi deputado no consulado de Sidónio Pais. Fundou e dirigiu a semanário "ABC" (de 1920 a 1930) que apoiou a 28 de Maio e a arrancada do general Gomes da Costa. Contava com a publicidade do Bristol Club - famoso cabaré e urna das mais concorridas salas de jogo. Os anúncios do Bristol Club estavam explícitos no alto das capas concebidas par Jorge Barradas, Stuart, António Soares, Emmérico Nunes e outros artistas do Modernismo. Da redacção faziam parte desde burocratas para serviços de expediente até nomes em ascensão literária como Ferreira de Castro, Mário Domingues e Reinaldo Ferreira, a mítico, mitómano e cocainómano Repórter X.

Rocha Martins dirigiu de 1932 a 1943 o "Arquivo Nacional", outro semanário que divulgava factos, acontecimentos, biografias e memórias de contemporâneos e de figuras de outras épocas, quase sempre marcadas pela controvérsia. Era editor Américo de Oliveira, maçom e carbonário, chefe dos civis que resistiram ao lado de Machado Santos, na Rotunda.

Quando muitos se surpreendiam por vê-lo, com a oposição republicana, a insurgir-se contra o salazarismo e a reclamar a República, Rocha Martins, justificava que se libertara da fidelidade ao rei e a monarquia com a morte de D. Manuel, em Julho de 1932.

No "ABC" e no "Arquivo Nacional" publicou (para depois reunir em volume) João Franco, a sua política, os seus políticos e adversários; os reinados turbulentos de D. Carlos e D. Manuel; os governos de Pimenta de Castro e Sidónio Pais; a tentativa de restauração monárquica, liderada por Paiva Couceiro, em 1919; os bastidores e o triunfo da ditadura militar de 1926 e a chegada ao poder de Salazar.

Na continuidade dos folhetins de Pinheiro Chagas, Campos Júnior e Eduardo Noronha, a história em rodapé de jornais e em fascículos a vender ao domicílio, lançou com efabulação patriótica, emocional e satírica, diversos romances e editou com prefácio e notas "Palmela na Emigração", que lhe valeu o acesso a sócio correspondente da Academia das Ciências, a partir de 13 de Março de 1916. Os historiadores e eruditos apontavam-lhe falhas e erros. Foi, mais tarde, rejeitada a candidatura a sócio efectivo da Academia das Ciências.

Viveu exclusivamente da escrita. Encerradas as redacções do "ABC" e do "Arquivo Nacional", repartia-se em colaborações assíduas no "Diário de Notícias", no "Primeiro de Janeiro", no "Comércio do Porto" e no "República". A popularidade de Rocha Martins ganhou nomeada no tempo do MUD, na candidatura de Norton de Matos e de Quintão Meireles, devido as cartas, estampadas a toda a largura da primeira página, do jornal "República".

Privou de perto com muita gente de todos os sectores políticos e partidários. Poi iniciado na maçonaria - conforme comprovei no arquivo do Grande Oriente Lusitano (GOL) - na loja Simpatia e União, a 31 de Maio de 1906, tal corno Carlos Malheiro Dias, em 1896, na loja Luís de Camões, no tempo em que lá estava Luz de Almeida. Ambos saíram mas ficaram a conhecer o que lhes interessava. Um contínuo de "O Século" que pertencia à Carbonária, a troco de pequenos favores, deu a Rocha Martins muitas informações, a avaliar pelo que escreveu em "Vermelhos Brancos e Azuis".

Rocha Martins deixou a sua biblioteca a Sociedade Voz do Operário, mas é muito difícil de consultar. Escreveu memórias políticas e pessoais. Ao falecer, a 23 de maio de 1952, Rocha Martins tinha em preparação a "História da Ditadura Portuguesa" e o acabamento de pormenores das memórias, cujo manuscrito tive oportunidade de ver, numa letra quase ilegível. Encontrava-se na posse de Jaime Carvalhão Duarte, já falecido, um dos filhos de Carvalhão Duarte, director do "República". Disse-lhe que estava disponível para anotar e publicar, desde que o texto fosse decifrado.
 
As memórias de Rocha Martins não foram legadas a Fundação Mário Soares, com outros documentos, por Sérgio Carvalhão Duarte e sua mulher, Luísa Irene Dias Amado. Tem contributos de muito interesse - pelo que verifiquei na altura - para esclarecer, no contexto dos séculos XIX e XX, versões bastante divergentes da História conhecida e do papel atribuído a alguns protagonistas"
 
ANTÓNIO VALDEMAR - "Rocha Martins Contra o Poder, escrever, escrever", in Revista do EXPRESSO (100 Anos 100 Portugueses), 1 de Junho de 2013, p. 62 - sublinhados nossos.
 
J.M.M.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

GENERAL NORTON DE MATOS



General Norton de Matos. Candidato à Presidência da República [desenho de Júlio Pomar, Novembro de 1948]

via EPHEMERA, com a devida vénia.

J.M.M.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

JACINTO SIMÕES (FILHO) 1925-2010 – PARTE I


Jacinto Simões (filho), aliás José Jacinto de Sousa Gonçalves Simões, nasceu em Lisboa a 1 de Novembro de 1925. Seu pai, Jacinto Simões, com agitada vida política, era um indefectível republicano, com participação nas lutas em defesa da República e contra a ditadura.

[Jacinto Simões (pai), nasceu na Figueira da Foz a 7 de Novembro de 1886, tirou o curso de oficial miliciano (em 1918, era alferes do Serviço de Administração Militar) e licenciou-se (1920) em Direito [cf. Grande Enciclopédia Luso-Brasileira]. Republicano e maçon [cf. Jacinto Simões, in Pedro Manuel Pereira & António Neves Pereira, Casa 4 A Loja dos Grão-Mestres Sympathia e União 1859-2009, p.127], participa nas forças republicanas que combateram a revolta monárquica de 1919, em Monsanto e no Norte do País. Entre 1921 e 1926 é administrador do Porto de Lisboa [cf. Gr. Enc. Port-Bras.]. Com o pronunciamento militar de 28 de Maio de 1926, de Gomes da Costa, que põe termo à I República e estabelece a ditadura, Jacinto Simões (pai), conspira e na sequência da malograda revolta do Castelo (revolta dos Caçadores 7, no Castelo de S. Jorge, do dia 20 de Julho de 1928) é preso (ver Diário de Lisboa, 21 de Julho de 1928, capa) e enviado (em 1929?) para o exílio em Angola (cf. Casa 4, ibidem). Foge para França (1931?) e em Paris convive com os exilados políticos, Raul Proença, Jaime Cortesão, António Sérgio, Agostinho da Silva, ao mesmo tempo que frequenta os cursos livres de Sociologia, Filosofia e Direito Público na Sorbonne. Regressa a Portugal em 1933 (? – Nota: nas escassas obras por nós consultadas, Casa 4 e Gr. Enc. Port-Bras., as datas, quer da sua ida para Paris, quer do seu regresso do exílio, não são coincidentes, o que levanta inúmeros problemas), e "exerce funções na Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal entre 1933 e 1936" (cf. Gr. Enc. Port-Bras.). Fez parte (Dezembro de 1943) da Comissão Executiva do MUNAF (juntamente com Piteira Santos, Bento de Jesus Caraça, José Magalhães Godinho, Francisco Ramos da Costa, José Moreira de Campos e Manuel Serra), que era presidido pelo general Norton de Matos e participa (após a célebre reunião política de 8 de Outubro de 1945 no Centro Escolar Republicano Almirante Reis) na constituição do MUD, fazendo parte da sua Comissão Central. Agastado pela divisão entre os oposicionistas, durante a campanha de Norton de Matos, decide abandonar a "política activa", regressando á Escola Veiga Beirão e exercendo a advocacia. Colaborou em várias publicações, como a Seara Nova, O Povo de Viana de Castelo e A Luta. Apoiou, ainda, a campanha de Humberto Delgado. Morre em Lisboa a 12 de Novembro de 1958]

Após completar os estudos liceais no liceu Camões, em 1943, Jacinto Simões (filho) ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, participa no associativismo estudantil e conclui a licenciatura, em 1949, com 18 valores. Em 1946, Jacinto Simões entra para o MUD Juvenil e, no seu 4º ano de curso, é membro da Comissão Nacional Estudantil do MUDJ. Na data colabora na revista Seara Nova, "pela mão de Câmara Reis que tinha sido seu professor do liceu Camões" [cf. Casa 4, ibidem, p. 130].

[continua]

J.M.M.

terça-feira, 3 de março de 2009


NORTON DE MATOS – COLÓQUIO EM COIMBRA

60 anos depois das eleições presidenciais de 1949, o CEIS20 (Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra) vai recordar Norton de Matos e a sua candidatura, com um COLÓQUIO a realizar na sala D. João III, do Arquivo da Universidade, no próximo dia 13 de Março. Voltaremos ao assunto.

a consultar o programa, AQUI.

J.M.M.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

NORTON DE MATOS: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1949



Norton de Matos: Eleições Presidenciais de 1949

Nota: Foto de Ponte de Lima. Legenda: Propaganda Eleitoral de Norton de Matos, em Fevereiro de 1949. Edição de A. Castro-Ponte de Lima [via Vieira Pinto, com a devida vénia]

J.M.M.

NORTON DE MATOS: NOTAS BREVE - PARTE III


Norton de Matos: nota breve – Parte III

José Mendes Ribeiro Norton de Matos parte para Angola onde desempenha o cargo de Governador-Geral (1912-1915). É eleito deputado entre 1915-1917 e 1921-1925, sendo membro do Directório do Partido Democrático. Entretanto surge como Ministro das Colónias em 1915, depois Ministro da Guerra (1915-17) e "interinamente Ministro dos Negócios Estrangeiros" [1915; 1916. cf. Oliveira Marques, 1986]. Faz parte da Junta Revolucionaria da revolta de 14 de Maio de 1915, conspirando contra a ditadura de Pimenta de Castro. Não por acaso exila-se (1917-1919) no consulado Sidonista, ao mesmo tempo que é demitido de exército.

Em 1919 é delegado à Conferencia da Paz e, de novo, tem importante função em Angola, agora como Alto-Comissário (1920-1924). De 1924 a 1926 é o Embaixador de Portugal em Londres. Após a revolução de 28 de Maio de 1926, aparece como tendo acções de resistência, pelo que foi preso e colocado sob residência fixa (1927-1929) nos Açores.

[vidé sobre este período, e a propósito, a correspondência entre Norton de Matos, o General Sousa Dias e os combatentes de Fevereiro de 1927 in "O General Sousa Dias e as Revoltas Contra a Ditadura 1926-1931", por A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975. Note-se, ainda, a tentativa de criar um Comité Militar para fazer a "revolução", que seria chefiado por Norton de Matos, o que para o efeito levou à entrada clandestina de Jaime de Morais (em Junho de 1927) em Portugal (estava exilado na Galiza), para estabelecer acordos com o grupo do tenente-coronel Ribeiro de Carvalho]

Regressa Norton de Matos a Lisboa, mas de novo volta a exilar-se (1931-1932) no decorrer do 26 de Agosto de 1931. Nessa altura (Julho de 1931) liderava Norton de Matos a Aliança Republicana e Socialista

[movimento formado sob iniciativa de Sá Cardoso, que juntava várias correntes políticas unidas contra a Ditadura, pretendendo obter direitos como partido político e apostando na via legal contra a ditadura, de que faziam parte, além do General Norton de Matos, Mendes Cabeçadas, Hernâni Cidade, Duarte Leite, Ramada Curto, Mário de Azevedo Gomes, Mário de Castro e Tito de Morais, entre outros. A iniciativa de formar uma organização partidária, que aliás colhe alguma abertura por parte do general Carmona não tem efeito, dado a repressão verificada após a tentativa de revolta de 26 de Agosto de 1931, que põe fim às putativas intenções “pluralistas e liberais” do regime, sendo portanto "o canto do cisne do reviralhismo republicano" (cf. História Portugal, de José Mattoso, Vol. VII, 1994)]

Retorna Norton de Matos, em 1933, à sua casa em Algés, passando à reforma compulsiva da Função Pública em 1935. Surge como Presidente do Conselho Nacional do MUNAF (1943-45)

[Movimento de Unidade Nacional Antifascista, constituído em 1943, que editava o jornal Libertação Nacional. Diga-se que só aparece a sigla MUNAF em 1946. Até então o movimento assina CNUAF, ou Conselho Nacional Unidade Antifascista, de que faziam parte, além de Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça, Mário de Azevedo Gomes, António Sérgio, Barbosa de Magalhães, José Magalhães Godinho, Fernando Piteira Santos, Moreira de Campos, Dias Amado (via GOLU), Alberto Candeias (via Seareiros), elementos do PCP, do Partido Socialista, da União Socialista, do Partido Republicano, da CGT, entre outros. Desaparece em Outubro de 1945, quando face à inoperância verificada é "lançado" o MUD (cf. Mattoso, 1994). Voltaremos, oportunamente, a este curioso tema]

Candidata-se o General Norton de Matos à Presidência da República (1948-1949) pela Oposição Democrática, vindo a desistir nas "vésperas das eleições". Intervém, ainda, nas eleições de 1953 para a Assembleia Nacional.

Morre em Ponte de Lima, a 2 de Janeiro de 1955.

[a continuar – Parte IV . A candidatura do General Norton Matos à Presidência da República]

J.M.M.M

NORTON DE MATOS - CAMPANHA ELEITORAL (1949)



"Portugueses!

Se esta candidatura vingar [trata-se da candidatura do General Norton de matos à Presidência da República] (...) o Presidente eleito nomeará um Governo cujos objectivos principais serão iniciar a realização dos planos de reforma que neste manifesto ficam apenas esboçados e promover que se faça no mais curto prazo a eleição inteiramente livre de uma Câmara Constituinte. Dessa Câmara sairá a consagração da nova Democracia pela publicação de uma adequada Constituição Política da República.

Terá desde logo terminado a minha missão, e novo presidente, nos termos daquela Constituição, haverá de ser eleito. Portugal ocupará então o lugar que lhe compete na Organização das nações Unidas e seguirá confiadamente pelos séculos fora na realização da sua missão histórica, servindo sempre a causa da paz e nunca esquecendo o bem da Humanidade"

[Norton de Matos, in Os Dois Primeiros Meses da minha Candidatura à Presidência da Republica, 1949]

J.M.M.

domingo, 22 de julho de 2007

NORTON DE MATOS: NOTAS BREVE - PARTE II


Norton de Matos: nota breve – Parte II

Adere Norton de Matos à Republica em 1910, filiando-se no Partido Democrático. É iniciado maçon na Loja Pátria e Liberdade, nº 332, de Lisboa, do REAA a 17 de Maio de 1912, adoptando o nome simbólico de "Danton" [A. H. de Oliveira Marques, Dicionário da Maçonaria Portuguesa, vol II, 1986]. Transita [face a uma cisão na maçonaria] em 1916 para a Loja Acácia, do RF, na obediência do GOLU, tendo atingido em 1919 o 7º grau ["Príncipe Rosa-Cruz"], ou o 33º do REAA. Foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria a 31 de Dezembro de 1929, depois de feroz repressão contra a Ordem [o Palácio Maçónico na Rua do Grémio Lusitano, a 16 de Abril de 1929, é cercado pela polícia e todos os elementos foram presos, tendo-se encerrado o edifício].

Participa em Setembro de 1930 como representante português na reunião da Associação Maçónica Internacional, na Bélgica [in, Para a História da Maçonaria em Portugal 1913-1935, Vega, 1976] e enfrenta, como Grão-Mestre, mais uma "campanha hostil" contra a Ordem, promovida principalmente pelo jornal A Voz [entre eles estão Fernando de Sousa (Nemo) e Da Cunha Dias]. É reeleito Gão-Mestre em Dezembro de 1931. A 21 Março de 1931, Norton de Matos "divulga uma mensagem à Grande Dieta", onde é feita "aceradas criticas" ao discurso de Oliveira Salazar de 30 de Julho de 1930 e à constituição da futura União Nacional. Em 1935, face à publicação da Lei nº1901 [de 19 de Janeiro] sobre as "Sociedades Secretas"

[projecto do deputado José Cabral e a qual Fernando Pessoa responde em artigo publicado no Diário de Lisboa de 4 de Fevereiro de 1935 (um segundo artigo foi “cortado pela censura”), no que resultou uma notável polémica em que intervieram Alfredo Pimenta, Fernando de Sousa ("Nemo"), Artur Bivar (“Malho”), Thomaz Ribeiro Colaço (no Fradique, de que falaremos oportunamente), Manuel Maia Pinto, Rolão Preto (ainda no Fradique, com uma curiosa posição, a de não “atacar” Fernando Pessoa). Vidé ob. cit e, ainda, sobre a acção de Norton de Matos e a polémica havida, “A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo”, de A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975]

Norton de Matos faz um protesto-exposição ao Presidente da Assembleia da República [datado de 31 de Janeiro de 1935], José Alberto dos Reis [curiosamente maçon], mas não impede a dissolução do Grémio Lusitano, que foi cedido à Legião Portuguesa. Demite-se, entretanto, de Grão-Mestre, para transmitir os seus poderes ao Grão-Mestre-Adjunto, Oliveira Simões, para que a luta, agora na "clandestinidade", pudesse continuar [ler mais aqui]

[a continuar]

J.M.M.

NOTRON DE MATOS - MINISTRO DA GUERRA (1916)


Norton de Matos (em 1916)

Norton de Matos, na altura Ministro da Guerra (1916). Foto de Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico.

J.M.M.

NORTON DE MATOS: NOTAS BREVE - PARTE I


Norton de Matos: nota breve – Parte I

José Mendes Ribeiro Norton de Matos nasce em Ponte de Lima a 3 de Março de 1867. Filho de Tomás Mendes Norton (comerciante e cônsul da Inglaterra em Viana) e de Emília de Matos Prego e Sousa. Seu pai, Tomás Mendes Norton, teve como padrinho de baptismo Rodrigo da Fonseca Magalhães, o que de algum modo parece ter tido marcada influência para que a casa de Viana (a "casa amarela" do pai de Norton de Matos, que foi um refúgio, na época, para quem fugia da violência “cabralista” e da qual Norton de Matos nos conta curiosos acontecimentos) fosse o "baluarte da Regeneração naquela terra minhota" [Norton de Matos, in Memórias e Trabalhos da Minha Vida, Vol. I, 1944].

Seu avô paterno [José Mendes Ribeiro, 1802-1887] pertencia à "burguesia" de Viana do Castelo, foi perseguido pelas suas ideias liberais e, ao que se sabe, foi iniciado na maçonaria.

[de Ponte de Lima?; de Viana do Castelo? cf. Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal, vol III, 1997. Como foi dito aqui anteriormente, em nota de comentário, é referido por Oliveira Marques a existência de uma loja do Oriente Passos Manuel, ou Maçonaria do Norte ou do Porto, no período 1834 e 1849. De outro modo, a importante entrada sobre Maçonaria na Enciclopédia das Enciclopédia, sob direcção de Fernandes Costa e ed. de Henrique Zeferino de Albuquerque, 1884 – e de que um dia falaremos mais em pormenor – regista que em 1843 alguma lojas da Maçonaria sob o malhete de Passos Manuel – de que há informação escassa - se encontravam "adormecidas", como seria o caso da Loja de Ponte de Lima. Há também informação sobre o assunto via Rita M. Norton de Matos, "A família Norton de Matos" (p. 20) e pelo próprio Norton de Matos, na obra que citamos ]

O seu avô materno Manuel José Matos Prego e Sousa, formado em Direito em Coimbra, era "fervoroso adepto das ideias liberais" [cf. Matos, 1944].

Norton de Matos faz os seus estudos no Colégio do Espírito Santo e, posteriormente, entra como interno para a Escola Académica (na Calçada do Duque), onde acaba os "preparatórios" no verão de 1884. Em seguida matricula-se no Curso de Matemática, na Universidade de Coimbra, que acaba em 1888. Refere o próprio Norton de Matos (ob.cit.) alguns estados de alma da Academia, bem certas peripécias passadas como estudante. Nomeadamente, será curioso salientar uma sua "chamada à lição" de Economia Política, que era cadeira obrigatória do Curso de Matemática, sob o tema "Produção de Riqueza", em que cita abundantemente Proudhon (que considera de grande influencia sobre ele) e Karl Marx. Diz-nos, sobre o episódio da "lição", e transcrevemos: "Mal sabe muita gente que foi esta talvez a primeira vez que se fez em Portugal uma conferencia marxista".

Depois do obter o bacharelato em Matemática, faz as cadeiras de Filosofia para poder ingressar no Curso de Estudos Militares Superiores, onde se matricula em Outubro de 1988. Acabado o curso em 1890, "faz o tirocínio de três anos nas três armas de infantaria, cavalaria e artilharia". Tendo escolhido Cavalaria, é colocado em Cavalaria 4 (em Belém), como alferes, de onde parte para a Índia (1898).

[a continuar]

J.M.M.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

NORTON DE MATOS - ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 1949


Norton de Matos

"Cansado de divergências internas, o Povo Português deseja que todos os habitantes de Portugal sejam acima Portugueses; que a tolerância e respeito pela pessoa humana os ligue a todos e permitam a cada um viver sem o terror desmoralizante da incerteza"

[Norton de Matos, in Manifesto à Nação da sua Candidatura à Presidência da República, 9 de Julho de 1948]

J.M.M.