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quarta-feira, 21 de maio de 2014

A QUESTÃO RELIGIOSA


JOSÉ D’ARRIAGA. “A Questão Religiosa”, Livraria de Alfredo Barbosa de Pinho Lousada (Largo dos Loyos, 50), Porto 1905, XIV+106 p.
"Do Prefácio do autor, que, em vésperas da queda da monarquia, alerta para o verdadeiro inimigo da inteligência e do progresso:

« … Combatendo a reacção religiosa, não queremos attentar contra as crenças dos que a promovem e sustentam, mas trazer a paz e harmonia a todas as seitas por meio da tolerancia, que constitue a base fundamental das sociedades contemporaneas.
Não é este opusculo um grito de guerra, como o são as obras publicadas pelas associações catholicas: é mais um brado a favor da tranquillidade dos povos, tão perturbada n’estes ultimos tempos pela reacção religiosa [...].

A campanha das associações catholicas consiste em guerrear nos paizes catholicos todas as religiões estranhas, oppondo-se ao livre exercicio dos seus cultos, e pedindo aos governos medidas de rigor contra ellas. Pretende manter em nossos dias os antigos fóros e privilegios da igreja catholica, os quaes foram origem do antigo regimen absoluto, e da intolerancia religiosa, que produziu os autos de fé, os carceres da Inquisição e cruzadas expurgatorias, etc.
A mesma reacção religiosa préga o exterminio dos que não pensam com a igreja catholica, dos que não acceitam seus dogmas e preceitos, dos livres pensadores, e de todos os que sahiram do gremio catholico. [...]»

via FRENESI
J.M.M.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO PORTUGUESA DE 1820


ARRIAGA, JOSÉ D' - História da Revolução Portuguesa de 1820, Porto, Livraria Portuense Lopes e C.ª editores, 1886-1889. In-4.º,4 volumes.

[Ilustrada com retratos dos patriotas mais ilustres da época e ampliada com magníficos quadros representando os factos históricos mais notáveis descritos na obra, e compostos e desenhados por distintos artistas nacionais - Columbano Bordallo Pinheiro, João Marques da Silva Oliveira, Caetano Moreira, Joaquim Vitorino Ribeiro - via FRENESI]

História da Revolução Portuguesa de 1820 AQUI digitalizada.

J.M.M.

quinta-feira, 12 de março de 2009


ARRIAGA, José de (Parte II)

Em 1905, encontramo-lo como chefe de redacção do jornal republicano da tarde, O Alarme, publicado no Porto entre 1904 e 1905.
O seu estado de saúde foi-se degradando até à morte num asilo. Mereceu a estima de muitos, entre eles Ramalho Ortigão e Teófilo Braga, que o ajudaram a publicar alguns livros

Morreu em Lisboa, no Recolhimento das Mercearias do Lumiar, em 24/25 de Fevereiro de 1921. [Aditamentos ao Dicionário bibliográfico português de Inocêncio Francisco da ...‎, por Martinho Augusto Ferreira da Fonseca, Innocencio Francisco da Silva, 1927 - 377 páginas, Pág. 225, José de Arriaga Brum da Silveira (Dic., tomo 12.° pág. 407). Faleceu a 24 de Fevereiro de 1921.]

Conhecem-se colaborações nos jornais:
- Academia Litúrgica de Coimbra
- Folha do Povo

- Democracia [publicou em folhetim notas sobre Manuel Fernandes Tomás, que faziam parte de um livro, que tencionava publicar: A historia da revolução de 1820.]
- Era Nova

- Os perfis artísticos [onde publicou um conjunto de artigos sobre o movimento revolucionário da música moderna. Numa nova fase, Os perfis artísticos, receberam o título de Perfis litterarios e artisticos, sendo José de Arriaga encarregado da direcção pela empresa editora. Redigiu o prospecto com o fim de se entregar à apreciação dos artistas portugueses mais distintos antigos e modernos, dos monumentos nacionais, e de lançar as bases duma história da arte em Portugal; mas, apenas escreveu a biografia de Machado de Castro, e a noticia da grandiosa obra deste insigne estatuário, o monumento do rei D. José, saiu do jornal.]

- ARQUIVO DE EX-LIBRIS PORTUGUESES. - Director Joaquim de Araújo, da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Genova, Tipografia Sordemuti. [Publicação mensal, ou sejam 12 fasciculos por ano, ou volume. José de Arriaga colaborou no Vol. V.]

- Questão iberica e o Saldanha, Coimbra,
- Anno (Um) depois. (Aos vencidos). 31 de janeiro de 1831 - 31 de janeiro de 1892, Porto, Typ. da Empresa Literaria e Tipográfica, 20 pag.

- A política conservadora e as modernas alianças dos partidos políticos portugueses, Lisboa, Imp. J. G. de Sousa Neves, 1880. 490 pag. e mais 11 não numeradas de índice e 1 de errata.
- A Inglaterra, Portugal e suas colónias. Dedicado á comissão executiva do centenário do Marquês de Pombal, Lisboa, na Imp. do Comercio, 1882. 8.º de 331 pag. e 2 de indice e errata.

- As raças históricas na Lusitânia, Lisboa, David Corazzi Ed., 1883. - É o n.º 55 da 7.ª serie da Biblioteca do povo e das escolas, do editor David Corazzi.
- No Diccionario universal portuguez, do editor Henrique Zeferino de Albuquerque, pertencem lhe os artigos: Baculo, Baetylia, Bailado, Machonio, Macedonios, Machado de pedra, e Machado de Castro.
- A influencia do christianismo nas idéas modernas , Coimbra, 1870.
- História da Revolução Portuguesa de 1820, Porto, Livraria Portuguesa Lopes e C.ª, 1886-89, 4 vols.
- História da Revolução de Setembro, Lisboa, Companhia Nacional Ed., 1892, 3 vols.
- La Monarquia y el Siglo, Madrid, J. Palácios, 1902.
- Oitenta Anos de Constitucionalismo Outorgado (1826-1905), Lisboa, M. A. Branco & C.ª, 1905.
- As Civilizações do Oriente e do Ocidente, Porto, Artur J. de Sousa, 1906.
- Os Últimos Sessenta Anos da Monarquia – Causas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1911.
- Breve Notícia das Novidades Históricas [...] Contidas nas Obras de Propaganda Impressas e Manuscritas Doadas à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Coimbra, Imp. da Universidade, 1921.
- A Questão Religiosa, Porto, Imp. Portuguesa, s.d.
- Prefácio a Silva, D., Os Excomungados, Porto, Comércio do Porto, 1915.
- O prólogo do Catalogo dos manuscritos da antiga livraria dos marquezes de Alegrete, dos condes de Tarouca e dos marquezes de Penalva, Lisboa, 1898, é trabalho de José de Arriaga, que também elaborou o mesmo catálogo.

Para Fernando Catroga [História da História em Portugal. Séculos XIX e XX, vol.I, Temas e Debates, Lisboa, 1998, p. 118], José de Arriaga era um “contemporaneísta” muito influenciado pelas ideias de base positivista. Portanto, na maior parte das obras deste autor, é possível na sua narrativa dos acontecimentos uma relação de “causa-efeito e das suas manifestações num tempo irreversível”[idem, p. 119]. Denotava a preocupação em que “a realidade da narrativa representava a narrativa da realidade”[idem, 119].

Os estudos de José de Arriaga têm sido encarados como sendo “de natureza épico-dramática, dado o seu evolucionismo organicista, de cunho optimista, ensinava que «sendo a nação uma colectividade, uma série de gerações, sucedendo-se constantemente, e trabalhando todas numa obra e para um fim comum», a sua história só podia ser apreciada como um todo, em que o presente e o futuro estariam «ligados ao passado por esses laços íntimos que caracterizam as raças humanas e formam as nacionalidades» [Fernando Catroga, idem, p. 133, apud José de Arriaga, I, 1886-1889, 10].

Um autor e historiador actualmente já bastante esquecido, mas com uma obra ideológica fundamental ao partir do vintismo como um dos momentos essenciais para se conseguir a implantação da República, que era encarada como uma inevitabilidade, na narrativa positivista.

A.A.B.M.

domingo, 8 de março de 2009


ARRIAGA, José de (Parte I)

Nasceu na cidade da Horta, ilha do Faial, a 8 de Março de 1848, com o nome completo de José de Arriaga Brum da Silveira. Filho de Sebastião de Arriaga Brum da Silveira e de D. Maria Cristina de Arriaga Caldeira.

Transferiu-se para Coimbra, em 1861, a fim de concluir os estudos preparatórios, matriculando-se em 1864, na Faculdade de Direito, onde obteve, em 1869, o respectivo bacharelato.

Ainda estudante, enquanto seu irmão [Manuel de Arriaga] preferiu a novelística de incidência politológica, ele já optou pela análise dos fenómenos históricos, colaborando em revistas e jornais.

Após a conclusão do curso iniciou actividade como conservador do registo predial, sendo colocado na comarca de Armamar, depois Resende, de seguida Benavente, Moura, e depois para a de Reguengos, de que foi exonerado por não tomar posse.

A análise interpretativa da época que estudava conduzia-o no sentido da exegese dos sistemas conservador e progressista, tendo optado por este último, já com uma clara tendência republicana.

A eclosão do Ultimatum inglês veio acentuar ainda mais esta tendência. Rejeitou a aliança luso-britânica, por achar que ela só interessava à manutenção da Monarquia e, à Inglaterra, pelos benefícios colhidos da exploração das colónias portuguesas.

A sua concepção positivista dos factos levava-o a considerar a República uma inevitabilidade e os vários momentos da implantação do regime liberal em Portugal pareciam encaminhar nesse mesmo sentido. Escreveu duas volumosas obras sobre a Revolução de Setembro e A Revolução de 1820 que constituem obras-primas da historiografia romântico-positivista e severas análises das mutações políticas, em que releva a importância do pensamento na construção dessas mutações.

Devido a dificuldades de vária índole tentou fixar residência em Paris (por duas vezes), Madrid ou no Brasil, mas acabou por regressar ao Continente. Viveu no Algarve (Tavira), cerca de 1908, onde o médico e ilustre republicano local, Silvestre Falcão, lhe encontrou trabalho no semanário republicano A Província do Algarve, como redactor principal, garantindo-lhe assim um salário e estabilidade durante algum tempo. Dizia este escritor açoreano que “a pátria não dá de comer a quem se entrega ao estudo”.

[em continuação]

A.A.B.M.