sábado, 4 de abril de 2015

Armando Adão e Silva (1909-1993)


Armando Adão e Silva nasceu em Lisboa, em 24 de Fevereiro de 1909 [cf. “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo, 1945-1973 – Um Dicionário", Texto, 2009]. Depois dos estudos liceais no Gil Vicente, frequenta a Universidade de Direito de Lisboa, onde se forma [em 1931; foi colega de curso de Acácio Gouveia, Fernando Olavo, José Magalhães Godinho, Teófilo Carvalho dos Santos e Nuno Rodrigues dos Santos – cf. José Ribeiro dos Santos, “Memórias da memória, Rolim, 1986, p. 109], seguindo a profissão de advogado, especializado em questões de matéria comercial.
Adão e Silva é iniciado na maçonaria [n.s.Mestre de Avis”] a 27 de Janeiro de 1935, na Loja Liberdade, nº 197, do qual foi Venerável durante a clandestinidade [a Loja Liberdade foi das poucas lojas que se manteve em actividades durante a clandestinidade – sobre a Loja Liberdade ver AQUI; consultar Adão e Silva e a Loja Liberdade no livro “Uma História da Maçonaria”, de António Ventura, 2013]

Em 1943, Adão e Silva, é membro fundador da União Democrato-Socialista
[UDS – núcleo antifascista, que é criado após a formação do NDAS (Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista, que tem como apoiantes, entre outros, António Macedo, Artur Santos Silva, Costa e Melo, Fernando Valle, Gustavo Soromenho, Manuel Mendes, Mário Cal Brandão, Mário Castro, Paulo Quintela, Teixeira Ribeiro, Vitorino de Magalhães Godinho), de que faziam parte, além de Adão e Silva, Fernando Mayer Garção, José Joaquim Gaita, Carlos Sá Cardoso. Publicou o periódico clandestino “V” – ver “Socialistas na Oposição ao Estado Novo, de Susana Martins, 2005],
que fundindo-se com o NDAS, dá origem, em 1944 [ou finais de 1943?], à União Socialista, mantendo-se em actividade até à década de 50 [cf. “Socialistas …, ibidem]. Refira-se que surge Adão e Silva [juntamente com Teófilo Carvalho dos Santos, Vasco da Gama Fernandes, Carlos Vilhena e Mayer Garção] como filiado num “Partido Trabalhista Português”, que segundo José Pacheco Pereira [citado no "Socialistas …”, ibidem, p. 50] resulta de “uma mistura entre uma organização política clandestina e um grupo de inspiração maçónica   
Armando Adão e Silva integra o MUNAF (1943-44), participa na célebre reunião de 8 de Outubro de 1945, no Centro Escolar Republicano Almirante Reis, que origina a constituição do MUD


[é um dos subscritores do requerimento ao governador civil de Lisboa a pedir autorização para essa célebre reunião, juntamente com Afonso Costa (filho), Alberto Candeias, Guilherme Canas Pereira, Gustavo Soromenho, José Magalhães Godinho, Luís da Câmara Reis, Manuel Catarino de Castro, Mário Lima Alves, Manuel Mendes, Teófilo Carvalho dos Santos; a reunião, num sala repleta, foi presidida pelo prof. Barbosa de Magalhães - na FOTO acima Adão e Silva é o 3º, a contar da direita, de braços cruzados; a FOTO marca a presença da Comissão Central do MUD na saída do governo civil, a 6 de Novembro de 1945, onde foi apresentar as listas de apoiantes - via Casa Comum],
fazendo parte da sua primeira comissão central. Na campanha de Norton de Matos (1949) apoia o “grupo dos 24” [pró-atlantista e pró-americano], que rompe com o PCP. Participa em 1949, ainda, no Directório Democrato-Social [grupo de republicanos, conhecidos por “Os Barbas”, onde se integravam Acácio Gouveia, António Sérgio, Azevedo Gomes, Carlos Sá Cardoso, Jaime Cortesão, Nuno Rodrigues dos Santos, Raul Rego].
Em Maio de 1953 é um dos fundadores da “Comissão Promotora do Voto”, uma “iniciativa de António Sérgio [e de Luís de Almeida, Manuel Duarte, Mayer Garção, João Pedro dos Santos, Nuno Rodrigues dos Santos], em vésperas da eleições legislativas de Novembro desse ano e quando a oposição de encontrava profundamente dividida” [cf. José Pacheco Pereira, in Ephemera] e que contava com “o apoio do Directório Democrato-Social” [ibidem].
Em 1954, é Adão e Silva um dos subscritores da tentativa de fundação da associação política “Causa Republicana”, que foi indeferida pelo Estado Novo [fez parte da sua comissão fundadora, que integrava, entre outros, Barbosa Magalhães, Azevedo Gomes, Cunha Leal, Marques Guedes, José Domingos dos Santos, Ramada Curto, Câmara Reis, Ramon De La Feria, Dias Amado, Mayer Garção, Casais Monteiro, Sá Cardoso, Acácio Gouveia, Nuno Rodrigues dos Santos, Gustavo Soromenho; do mesmo modo integrava, a 5 de Outubro de 1954, o Secretariado da projectada associação - ver TUDO AQUI]
Curiosamente, Adão e Silva, não integra a Acção Socialista, nem adere à fundação do Partido Socialista. Apoia, sempre, as campanhas eleitorais contra a ditadura, tendo sido candidato nas eleições de 1953, 1965 e 1969.
Foi preso em 1959 e, na sequência de ter sido um dos 62 signatários do “Programa para a Democratização da República” [1961], é de novo levado para a prisão [cf. “Candidatos da Oposição …, ibidem]. Pertenceu à Liga Portuguesa dos Direitos do Homem [fundada em 1923 por Sebastião Magalhães Lima], fazendo parte do seu directório, bem como fez parte dos corpos directivos da Ordem dos Advogados. Foi por diversas vezes advogado dos presos políticos do Estado Novo, nos tribunais plenários.   
Após o 25 de Abril, a 15 de Julho de 1974, faz parte, com Adelino da Palma Carlos [e Almeida Ribeiro, Norberto Lopes, António Waldemar, Paradela de Abreu], do denominado “Partido Social-Democrata Português”, de raiz humanista racionalista, que desaparece, sem êxito. Adere ao Partido Socialista, demitindo-se em 1978, seguindo os “renovadores”, integrando o “Grupo de Acção Renovadora”. É eleito deputado pela Aliança Democrática, nas eleições intercalares de Dezembro de 1979, pelo círculo de Aveiro. Ainda, como curiosidade, registe-se que fez parte do “conselho jurisdicional do Sport Lisboa e Benfica e foi presidente da Associação de Futebol de Lisboa”.
Após o 25 de Abril de 1974, Armando Adão e Silva esteve presente na reorganização do GOL [acompanhando nessa missão outros dedicados maçons, como A. H. de Oliveira Marques, Carlos Sá Cardoso, o comandante Simões Coimbra, Luís Dias Amado, Luís Gonçalves Rebordão, entre outros] e foi importante na restituição do Palácio Maçónico [ver, p. expl., os jornais de 7 de Maio de 1974, onde é apresentado um comunicado assinado por Adão e Silva, Dias Amado e o comandante Simões Coimbra, como representantes do “Grémio Lusitano”. O Palácio Maçónico tinha sido ocupado - como resultado da Lei 1901 contra as Associações Secretas - pela Legião Portuguesa, em 1937, com o confisco dos seus bens. A Lei 1901 foi anulada a 4 de Novembro de 1974 e o Palácio foi restituído aos seus legítimos proprietários]. Foi, Adão e Silva, Presidente do Conselho da Ordem do GOL e em 1981, sucedeu a Dias Amado como Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, mantendo-se no cargo até 1984.
Morre, em Lisboa, a 1 de Abril de 1993.

FOTO de Adão e Silva, via António Ventura Facebook, com a devida vénia.

J.M.M.

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