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sábado, 10 de junho de 2023

JOSÉ BOAVIDA PORTUGAL – DA LIBERDADE À DEMOCRACIA. CENTENÁRIO DE UMA CONFERÊNCIA MAÇÓNICA

 


LIVRO: José Boavida Portugal – Da Liberdade à Democracia. Centenário de uma conferência maçónica;

AUTOR: José Boavida Portugal, com texto de José Herculano e capa de Sara Sampaio.

► Trata-se da reprodução de uma Conferência – Da Liberdade à Democracia - proferida pelo jornalista republicano e maçon José Boavida Portugal (1885-1931), a 10 de Junho de 1823, em Sessão Magna da Loja Irradiação (Lisboa) e que saiu em competente opúsculo, pela livraria Central Editora. Esta memória apresenta com uma curiosa biografia do conhecido jornalista do jornal República e amigo do poeta Fernando Pessoa.    

“ Em Sessão Magna da Loja Irradiação, do Grande Oriente Lusitano Unido, a 10 de Junho de 1923, José Boavida Portugal apresenta a conferência Da Liberdade à Democracia, que nesta data de centenário recuperamos para a memória viva dos homens e mulheres livres e de bons costumes. A transcrição é fiel ao original em tudo menos na ortografia, onde optámos por utilizar uma norma ortográfica um passo mais à frente no caminho da contemporaneidade.

Um Século está naquele ponto em que o nosso olhar encontra tanto de familiar quanto de estranho. O passado ainda não está no ponto em que tudo nos parece um conjunto disperso de pedras desgastadas, deslavadas de todas as suas cores originais, de quotidianos perdidos, mas a sua interpretabilidade já nos obriga a estudos e cautelas.

A República ainda é jovem de doze anos, a Grande Guerra acabou ainda não há cinco anos. Na Rússia a vitória bolchevista na guerra civil ainda está a seis dias de distância. Mussolini chegou ao poder em Itália há apenas oito meses. Na Alemanha os que se crerão senhores do mundo ainda discursam o ódio pelas cervejarias da Baviera e se envolvem em pancadarias pelos becos. Em Nova Iorque vivem-se os loucos anos 20 e a euforia bolsista, que durará ainda mais seis anos.

Em Portugal a promessa da República tarda em se cumprir; facções lutam com outras facções, há golpes e assassinatos. Mas há também vigor de ideias, e o tempo está prenhe de imensas possibilidades.

Como ler este tempo? Como ver esta época? Comecemos por ler quem a viveu, quem a sonhou. Criticamente, sim, mas tendo a noção plena que os homens não nascem nem se desenvolvem num vazio social, e que por muito que queiram iluminar os cantos mais sombrios da sua época, por muito que abracem o progresso e as causas progressistas, são ao mesmo tempo fruto vivo dessa mesma época e das suas convenções. Leitores críticos, sempre, juízes, nunca. A estranheza que sentimos ao olhar estes cem anos de distância sentirão em relação a nós os vindouros. A vida não é uma sequência de portos, mas uma infindável viagem”.

[José Herculano]


“Eu não sei em que altura da vida o homem exerceu a sua inteira liberdade. E, se liberdade também quer dizer possibilidade, o problema torna-se mais obscuro: o exercício pleno da vontade só devia ter sido possível ao homem selvagem, ao homem isolado e ainda a sua fantasia – a sua vontade não inteiramente subordinada à razão – o havia de torturar, pondo-lhe muitas vezes diante o impossível.

Todavia, a palavra mágica Liberdade resume toda a história do homem. E é hoje a sobrevivência do primeiro grande sonho do homem. Se existiu, pouco durou o estado de liberdade pura e independência absoluta, porque o instinto de sociabilidade, para a família, para a grei, cedo fez que a Liberdade se transfundisse no Direito.

O Direito […]”

[in Da Liberdade à Democracia - sublinhados nossos - LER AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

JOSÉ BOAVIDA- PORTUGAL (1889-1931)

Foi funcionário do Ministério dos Abastecimentos e do Trabalho, mais tarde integrou também o quadro de funcionários do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios.

Em 1912, Boavida-Portugal iniciou no jornal República um conjunto de artigos sobre o Inquérito Literário que depois viria a ser publicado em 1915.

Ainda nesse ano faz parte da Associação de Classe dos Trabalhadores do Teatro, que chegou a ter projectado um semanário desta associação intitulado O Trabalhador do Teatro, tendo uma redacção constituída por João Coimbra, João Ferreira, Victoriano Braga, Guedes Vaz, Araújo Pereira e Jorge Roldão.

Em 1913 esteve ligado à fundação da revista Teatro, uma efémera revista de critica onde colabora de forma quase anónima um jovem escritor de nome Fernando Pessoa publicou três artigos bastante agressivos que conseguem obter alguma visibilidade. Da revista Teatro, de que saem quatro números e onde Pessoa publica três artigos, nº1, de 01-03-1913, onde faz uma critica demolidora ao livro de Afonso Lopes Vieira,  Bartolomeu Marinheiro; nº2, 08-03-1913, onde se dedica ao livro de Manuel de Sousa Pinto; nº3, de 25-03-1913, "Novas Publicações Literárias", onde apreciava em tom satírico a Teatrália, Gente Moça e Talassa. [Manuela Parreira da Silva, “Boavida Portugal”, Dicionário de Fernando Pessoa, Dir. Fernando Cabral Martins, Editorial Caminho, Lisboa, 2008, p. 672].

Esteve ainda ligado à direcção do jornal O Jornal, que se publicou em 1915 e durante 47 números, entre 4 de Abril e 19 de Maio, curiosamente, este um jornal monárquico. Nesse jornal colaboravam ainda Alfredo Pimenta, Almada Negreiros, Bulhão Pato, Cândido Guerreiro, António Correia de Oliveira e Fernando Pessoa. Segundo o Prof. Oliveira Marques, este jornal funcionou como órgão oficioso do Governo do General Pimenta de Castro. Em 1915, quando dirige O Jornal, Fernando Pessoa também mantém uma coluna intitulada "Crónica da Vida que passa", onde saíram seis artigos todos no mês de Abril de 1915 (5, 8, 11, 15, 18 e 21). Este último artigo obrigou Boavida Portugal a intervir, já que houve reacção por parte dos leitores e, em particular, da classe dos chauffeurs que enviaram um abaixo assinado ao jornal e o director teve que escrever um artigo intitulado "Explicação Necessária", publicado a 23 de Abril, onde informava que o autor da coluna tinha deixado de colaborar com o jornal. Mas o poeta e o jornalista já se conheciam desde 1912 e mantiveram relações de amizade mesmo após estes incidentes.

Participou entre Outubro de 1920 e Julho de 1921 no grupo político denominado Federação Nacional Republicana, liderado por Machado Santos e integrando personalidades como João Viegas Paula Nogueira, Joaquim Meira e Sousa, Manuel Gomes da Costa, Alexandre Barbosa e José Boavida-Portugal, juntamente com José de Freitas Ribeiro, João Manuel de Carvalho, Aniceto Xavier Horta entram nesta organização política em Junho de 1921, porém este agrupamento político dissolve-se em 13 de Julho de 1921. Fez ainda parte do Directório do Partido Reformista, liderado por Machado Santos, onde pontuavam ainda Dr. Abranches de Figueiredo (advogado); Dr. Mário Ramos (deputado); Lameira Bueri (engenheiro); Melo Simas (tenente coronel); Dr. Alberto Osório de Castro (Juiz da Relação); José de Freitas Ribeiro (capitão de fragata); Dr. Paula Nogueira (Lente Instituto de Medicina Veterinária); Mendes do Passo (tenente coronel); Aniceto Horta (capitão de fragata) ; Dr. Lopes Vieira (Juiz do Tribunal do C.E.P.); Osório de Castro (tenente coronel); e Dr. Albuquerque Stockler (major médico).

Fez parte da comissão que organizou a homenagem a Gomes Leal, realizada por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, em 1925, onde participaram também Sebastião de Magalhães Lima, Alfredo Guisado, Humberto Pelágio, Gomes Monteiro, Avelino de Almeida, João de Barros, Amadeu de Freitas, Ladislau Batalha, Alves Martins e Ferreira de Castro, entre outros. [António Ventura, O Imaginário Seareiro. Ilustradores e Ilustrações da Revista «Seara Nova» (1921-1927), Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1989, p. 102].

Colaborou em publicações como: Serões (1909), República, Diário da Tarde (1913), A Lanterna Ilustrada (1913), O Teatro (1913), Orfeu (1915), O Jornal (1915), pertenceu ainda às redacções de jornais diários, tendo maior permanência no Século e no Portugal (dirigido pelo coronel Pestana de Vasconcelos).

Publicou os seguintes títulos:

Inquérito literário, Lisboa, Clássica, 1915.

Depois da guerra... : o que deverá ser a educação em Portugal : as Câmaras e o ensino e os problemas nacionais, Lisboa : [s.n.], 1918.

O que deverá ser a educação em Portugal depois da guerra... , [S.l. : s.n.]. 1918.´

Portugal, Terra de Heróis, 1918.

Cartilha nova : doutrina moral, [S.l. : s.n.], 1900.

Da liberdade à democracia, Lisboa : Livr. Central, 1923.

A mulher de luto : processo ruidoso e singular Polyanthéa / Gomes Leal ; prefácios de Boavida Portugal, Fernando Reis e Luis Cebola. 2a ed ilustrada. Lisboa : Livraria Central, 1924.

Duas teses queimadas : notas e comentários a um caso escandaloso / Boavida Portugal e Calado Rodrigues. Lisboa : [s.n., 1924].

Eça de Queirós, bolchevista : ensaio crítico, Lisboa : Livr. Central, 1930.

Paraiso perdido, Lisboa : Livr. Central, 192?

Organização nacional,  [S.l. : s.n., 19??].

A.A.B.M.