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sábado, 30 de janeiro de 2016

MOÇAMBIQUE NA I GUERRA MUNDIAL. DIÁRIO DE UM ALFERES MÉDICO


Amanhã, 30 de Janeiro de 2016, pelas 15 horas, no Museu dos Biscaínhos, em Braga, realiza-se a apresentação pública da obra Moçambique na I Guerra Mundial. Diário de um alferes-médico Joaquim Alves Correia de Araújo (1917-1918), organizada por Teresa Araújo, onde se publicam as memórias deste médico que traça as vivências dos serviços de saúde militar que estiveram em Moçambique durante a Grande Guerra.

Esta obra, editada pelas Edições Húmus, conta com um prefácio da Professora Fernanda Rollo.


Sinopse
Joaquim Alves Correia de Araújo, médico, partiu de Requião para a guerra. Foi mobilizado para África, Moçambique. Partiu de uma aldeia, situada perto de Vila Nova de Famalicão. Partiu já na fase final da guerra, em 1917. Portugal já era beligerante, desde Março de 1916; na sequência da declaração alemã de guerra, reagindo ao aprisionamento dos navios alemães e austríacos sitos em águas portuguesas determinado pelo governo português. Até então, o País mantinha a condição de neutral, embora o envio de tropas para África decidido logo no início da guerra, em Agosto de 1914. Joaquim Alves Correia de Araújo integrou a quarta expedição enviada para Moçambique, como alferes. Partiu com algum dinheiro no bolso, um relógio no pulso, e um caderno em que escreveu o seu diário (…) (Do prefácio de Maria Fernanda Rollo). 

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

HISTÓRIA E MEMÓRIA DA DITADURA: O CASO PORTUGUÊS (WORKSHOP)

A Faculdade de Letras da Universidade do Porto vai levar a efeito na próxima sexta-feira e sábado, dias 8 e 9 de Fevereiro, um workshop subordinado ao ao tema: História e Memória da Ditadura: o Caso Português.

Este workshop realiza-se no âmbito do Curso de Doutoramento em História da FLUP e integra-se no projecto de investigação intitulado Estado e Memória: políticas públicas da memória da ditadura portuguesa (1974-2009).

A Coordenação Científica do workshop está a cargo do Doutor Manuel Loff e conta com intervenções de Paula Godinho, Isabel Menezes, Luciana Soutelo, Susana Ferreira, Cristina Nogueira e Silvestre Lacerda.

Um interessante workshop organizado pela FLUP sobre um tema sempre importante no domínio da História: a preservação da memória e neste caso da memória ainda recente dos acontecimentos, com muitos protagonistas dos acontecimentos ainda vivos e a publicarem a suas memórias dos acontecimentos, auto-justificando-se, distanciando-se, valorizando-se ou escondendo-se. Um tema muito interessante e, por vezes, envolto em polémica.

Uma louvável iniciativa e que merece a melhor divulgação.

A.A.B.M.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

RICARDO RAIMUNDO NOGUEIRA - MEMÓRIAS POLÍTICAS


LIVRO: Memórias Políticas. Memória das Coisas Mais Notáveis que se Trataram nas Conferências do Governo (1810-1820);
AUTOR: Ricardo Raimundo Nogueira [Transcrição, estudo e edição de Ana Cristina Araújo];
EDITORA: Imprensa da Universidade Coimbra, Março 2012.

"A Memória das coisas mais notáveis que se trataram nas Conferências do Governo destes Reinos, desde o dia 9 de Agosto de 1810, em que entrei a servir o lugar de um dos Governadores, até 5 de Fevereiro de 1820, da autoria de Ricardo Raimundo Nogueira, que agora damos a público, conhecida e citada por grandes especialistas deste período, conserva a organização interna de um diário. A ideia principal que presidiu à publicação integral deste documento-síntese foi a de tornar acessível a um conjunto mais vasto de leitores a versão manuscrita, nem sempre de fácil leitura, de um texto que consideramos de capital importância para a compreensão da situação política, financeira, económica e social do reino nos alvores da revolução de 1820.

No estudo introdutório a esta edição documental recuperamos os traços fundamentais do percurso biográfico de Ricardo Raimundo Nogueira e acentuamos o sentido de compromisso e o seu espírito renovador, quer no campo do ensino do direito, quer, sobretudo, na esfera cívica e política. A conjuntura histórica e as condições de governabilidade que ditaram a sua participação no executivo, num período de guerra, instabilidade governativa, indeterminação das instituições e ausência da realeza, iluminam, com meridiana clareza, o superior entendimento do homem de leis e vinculam a posição do estadista às controversas resoluções da Regência do reino, em plena fase de colapso do absolutismo régio
".

J.M.M.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MÁRIO DE ALMEIDA



Tal como nos comprometemos, quando assinalamos o nosso aniversário, o Almanaque Republicano vai começar gradualmente a publicar algumas notas sobre alguns livros de memórias publicados sobre a 1ª Guerra Mundial. Mais, sempre que possível, tentaremos também dar a conhecer um pouco mais sobre os autores que as escreveram, sobretudo os menos conhecidos e pouco mencionados.

Damos então início a este percurso com um autor pouco conhecido chamado Mário de Almeida que deixou um livro de impressões sobre a guerra, cuja capa apresentamos em epígrafe.

Mário de Almeida nasceu em Lisboa a 24 de Outubro de 1889.

Oficial do Exército, formado em letras e jornalista, filho da atriz Maria Pia, escreveu duas peças em um ato. A peça Dó Sustenido foi representada no Teatro Nacional em 1910 e publicada com prefácio de Fialho de Almeida. Publicou ainda este livro de impressões sobre a guerra, O Clarão da Epopeia, publicado em 1919 e dedicado a Manuel Guimarães, que lhe solicitou a ida ao palco de guerra.

Traduziu também a peça de teatro de Pierre Wolf intitulada Coração de Todos.

Após a morte de Sidónio Pais, e por motivos de ordem política, foi para o Brasil, de onde regressa em 1920.

Desenvolve a partir dessa fase atividade como professor na Escola Veiga Beirão, em Lisboa.

Colabora em diversos órgãos da imprensa escrita, em particular na Capital, dirigida por Manuel Guimarães. Colaborou também na revista Vida Artística, que se publicou em Lisboa em 1911, dirigida por Pedroso Amado e Ernesto Zenoglio.

Publicou:
Dó Sustenido [Teatro], Peça em 1 ato, 1910;
A Arte Grega e o Mar (dissertação de concurso para Escola de Arte de Representar), 1912;
Lisboa do Romantismo, Lisboa, 1917;
A Cidade-Formiga, 1918;
O Clarão da Epopeia, 1919.

Faleceu em Coimbra a 3 de Outubro de 1922.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

OS FILHOS DA GUERRA COLONIAL:PÓS-MEMÓRIA E REPRESENTAÇÕES

Vai realizar-se amanhã e depois, dia 14 de Junho e 15 de Junho, no CES-Lisboa, um colóquio organizado pelo Centro de Estudos Sociais, com o título em epígrafe que é a todos os títulos de grande interesse para uma sociedade que ainda conserva/esconde alguns traumas com um longo período de 14 anos de guerra (1961-1975). Pode ler-se na sinopse de apresentação do colóquio: Entre 1961-1974 Portugal manteve em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau uma longa Guerra Colonial não publicamente assumida. A memória desta Guerra na sociedade portuguesa contemporânea liga-se a três acontecimentos históricos marcantes: o final da ditadura salazarista, o 25 de Abril de 1974 e a descolonização. A grandeza destes acontecimentos na história contemporânea portuguesa, por um lado, e a quase inexistência de estudos de história colonial portuguesa, por outro, permite que a Guerra Colonial seja vista como algo externo e não como algo de profundamente interno a Portugal e aos países africanos entretanto independentes. Assim, ela apresenta-se incompreensível e mantém-se reservada aos grupos que são portadores da sua memória: os ex-combatentes e as suas famílias. O presente projecto de investigação aprofunda algumas linhas críticas sobre a Guerra Colonial a partir de testemunhos de filhos de ex-combatentes, ou seja, a partir da pós-memória da Guerra, a memória daqueles que não a experienciaram, mas cresceram mergulhados em narrativas da guerra vivida pela geração dos seus pais. A abordagem transdisciplinar que propomos – combinando áreas como a crítica literária, os estudos culturais, a psiquiatria, a sociologia, a história, ou a ciência política – usufrui do actual debate teórico sobre três directrizes: a pós-memória no âmbito da memória familiar e colectiva; o trauma no âmbito da reflexão crítica sobre o pós-Guerra Civil de Espanha, o pós-Holocausto, o pós-guerra da Argélia, o pós-Vietname, e o pós-Apartheid; e as contra-histórias marginais que surgem a partir da problematização do silêncio ontológico que funda o subalterno numa linha crítica que une Gramsci à tradição dos Subaltern Studies e dos estudos pós-coloniais. No programa do colóquio constam personalidades de relevo como: Margarida Calafate Ribeiro, António Sousa Ribeiro, Bernard McGuirk, Roberto Vecchi, Rui Mota Cardoso, Luiz Gamito,Ivone Castro Vale, Aida Dias, entre vários outros. O programa completo pode ser consultado AQUI. Uma iniciativa que se recomenda. A.A.B.M.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

ANTÓNIO MARIA MACHADO SANTOS POR ALGUNS CONTEMPORÂNEOS

Ontem, assinalava-se também a data do nascimento de António Maria Machado Santos, (10-10-1875 a 19-10-1921) muitas vezes denominado "O Heroi da Rotunda". Desta vez não nos vamos preocupar em esboçar a biografia de um dos grandes responsáveis pela vitória da revolta republicana de 5 de Outubro de 1910, vamos antes tentar mostrar, com alguns exemplos, como esta figura foi sendo encarada ao longo do tempo.

João Augusto de Fontes Pereira de Mello, A Revolução de 4 de Outubro (Subsídios para a História). A Comissão Militar Revolucionária, Guimarães & Cª Editores, Lisboa, 1912, p. 18-19:

[Magalhães Lima afirmava numa reunião da comissão militar, que teve lugar a 6 de Outubro de 1909, e que tentava preparar a revolta ] - Veja bem que não há um único regimento que venha com o seu comandante!... E não há um chefe militar que ponha e disponha, enfim, que mande! ...Isto é uma perigosíssima aventura, uma loucura que o Machado Santos vai praticar, que certamente nos vai ficar muito cara, pois eu vejo evidente o insucesso!... E com um insucesso quantos anos vamos atrasar a implantação da República?!... Entretanto, o Machado Santos acha que tem muitos elementos, e todos prontos a entrar em acçao. Para ele tudo é côr-de-rosa, tudo facílimo ... é um optimista, tem fogo de mais.


Claudio Pereira, História do 14 de Maio, Imprensa Nacional, Lisboa, s.d., p. 109-110:

Machado Santos que na conjura para a revolução de 4 de Outubro, desempenhou um papel brilhante, importantíssimo, e que no acto revolucionário de então fo de uma heroicidade e patriotismo notáveis, comandando as forças revoltosas na Rotunda da Avenida da Liberdade, inequecível acto aquele que levou à implantação da República em Portugal, esteve também ao lado do governo ditatorial desde a sua formação.
Não queremos aqui discutir o porquê de tal atitude que também foi seguida por António José de Almeida e Manuel de Brito Camacho, chefes de partido, mudando-a porém, este último na véspera de rebentar o movimento de 14 de Maio [Pimenta de Castro]...
Esteve pois, Machado Santos ao lado da ditadura.
Ao rebentar a revolução que a derrubou, o ex-comandante da Rotunda refugiou-se no Quartel do Carmo.
Quer pelo facto ... de se ter refugiado, quer por constar que estava na disposição de, com um bom número de amigos, reagir contra o estado de coisas, por então, quer pela campanha violenta que há muito vinha fazendo a favor da ditadura no Intransigente, Machado Santos foi feito prisioneiro e conduzido para bordo dum navio de guerra.
Pediu então que se tornasse público que ele recomendava aos seus amigos, em nome da consolidação do regime, que reconhecessem o novo governo e o apoiassem para restabelecimento da ordem e da tranquilidade públicas.




António Maria da Silva, O Meu Depoimento. Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, vol. I, Col. Documentos, República, Lisboa, 1974, p. 179:

[Luz de Almeida] convidou-me [António Maria da Silva] a ingressar na Carbonária com Machado Santos que eu conhecera aquando do 28 de Janeiro e cuja inteligente cooperação, actividade e faculdades de organizador muito admirava. Em seu entender, os nossos esforços poderiam assim congregar-se com manifesta e evidente vantagem. Concordei plenamente, outro tanto aconteceu com Machado Santos. Desse acordo, resultou a nossa iniciação naquele organismo, levada a efeito em Julho de 1908, na Rua do Benformoso, numa fábrica de licores pertencente ao velho carbonário e montanhês [pertencente à Loja maçónica Montanha], Acácio dos Santos, apadrinhados por Luz de Almeida.

José Relvas, Memórias Políticas, vol. I, Terra Livre, Lisboa, 1977, p. 72:

Em Machado Santos concorriam singulares condições para ser um terrível elemento de combate contra a Monarquia e um agente inquietante para os revolucionários. Pouco inteligente, mas sempre movido por fé inquebrantável, inalteravelmente, animado de uma magnífica confiança no êxito da Revolução, todo o seu trabalho convergiu para a coesão dos soldados de marinha, de preferência à acção que prosseguia junto de alguns elementos do exército de Terra. Por vezes foi o portador de verdadeiros ultimatos ao Directório, chegando a pôr em grave risco a preparação revolucionaria com a ameaça da insurreição dos grupos da marinha, resolvidas todas as audácias, apeasr da reduzida força numérica.
Em Julho e Agosto de 1910 estiveram iminentes algumas tentativas dessa natureza, e foi preciso toda a autoridade do Directório e foram necessárias todas as garantias para impedir actos, que seriam de verdadeira loucura. Dotado de dedicação
e de sinceridade inigualáveis, era contudo Machado Santos perigoso; para a Monarquia, porque a sua irreflectida coragem podia feri-la de morte, num lance de audácia e de fortuna, como veio a suceder com a sua permanência na Rotunda, contra todas as indicações estratégicas; era perigoso para a República porque tendia sempre a precipitar a acção revolucionária em termos de lhe fazer correr riscos, porventura irremediáveis.



Fernando Honrado, Os Fuzilados de Outubro de 1921, Acontecimento, Lisboa, 1995, p. 11:

Machado Santos - como é sabido -foi um conspirador apaixonado contra a Monarquia.E também, sem dúvida, um espírito inconformista, sem cedências, em relação à República que idealizou e aquela que se tornou realidade. Um caso de busca intensa para pôr de acordo ideal e real.
Com a implantação da República tornou-se político muito importante no novo regime. E, muito rapidamente, um crítio duro do que considerava desvios ao ideal republicano. Deste modo, um dos políticos que mais foi por ele combatido foi Afonso Costa. Logo em 1913, em Abril, envolveu-se na revolução contra o Governo presidido pelo chefe do Partido Democrático.


A.A.B.M.