“Quem assistiu às primeiras horas da Republica Portugueza, nas ruas de Lisboa, ficou tendo desse dia uma vaga recordação de sonho, uma impressão fulgente, de alegria, de libertação, de fraternidade festiva. Correram dez mezes sobre a proclamação de novo regimen e já evocamos esse momento com saudade(...)” [AQUI]
quarta-feira, 18 de junho de 2014
VIDA POLÍTICA – LUÍS DA CÂMARA REYS
“Quem assistiu às primeiras horas da Republica Portugueza, nas ruas de Lisboa, ficou tendo desse dia uma vaga recordação de sonho, uma impressão fulgente, de alegria, de libertação, de fraternidade festiva. Correram dez mezes sobre a proclamação de novo regimen e já evocamos esse momento com saudade(...)” [AQUI]
quinta-feira, 25 de julho de 2013
GLEBA. SEMANÁRIO DE LITERATURA E CRÍTICA
sexta-feira, 22 de junho de 2007
AINDA ... A REVISTA "SEARA NOVA"
"... Nasceu [a Seara Nova] de uma reunião na Biblioteca Nacional, no gabinete do Director, onde me encontrei a convite de Raul Brandão, Raul Proença, Aquilino Ribeiro, Ferreira Macedo e Jaime Cortesão. Foi cerca do ano de 1920. Apareci ali sem saber qual era o fim da reunião. Pouco depois conhecia-o: era o de elaborar um programa de acção politica e social, um programa mínimo de realizações nacionais, em que pudessem colaborar todos os elementos sinceros e sãos da colectividade (...) O pequeno grupo inicial alargou o âmbito da sua acção, empregando vários elementos à esquerda e à direita. Deste modo se trabalhou durante alguns meses. Foi difícil e lenta esta acção. Atingiu-se a concretização de um certo número de ideias e normas e fez-se a eliminação dos que, por incompreensão ou interesse, não eram desejáveis ou não desejavam comprometer-se, o que vinha a dar ao mesmo (...) Um dia, os elementos afins reuniram novamente e decidiram fundar uma revista de doutrina e critica e organizar uma secção editorial, cuja base comercial foi a Empresa de Publicidade Seara Nova,
[constituída em Maio de 1921, com sede na rua António Maria Cardoso, nº26. Os "corpos gerentes da empresa eram constituídos por Ferreira de Macedo – substituído em 1923 pelo Capitão Fernandes Duarte –, Jaime Cortesão e Câmara Reys (Direcção), Faria de Vasconcelos, António Tomás Conceição Silva e Rodrigo Caeiro Vieira (Mesa da Assembleia Geral), João de Araújo Morais, João Maria Sant’Iago Prezado e José das Neves Leal (Conselho Fiscal)"]
baptizada por Aquilino, que sugeriu a primeira palavra, e por mim, que a completei com a segunda".
[Luís da Câmara Reys (no desenho acima), entrevista ao Primeiro de Janeiro em 1937, transcrita na Seara Nova nº 513 (10/06/1937) - aliás em "Imaginário Seareiro. Ilustradores e Ilustrações da Revista SearaNova (1921-1927)", de António Ventura, INIC, 1989]
J.M.M.
domingo, 19 de novembro de 2006
SEARA NOVA
FOTO (1921)
DO GRUPO FUNDADOR DA REVISTA SEARA NOVA
FOTO do Grupo fundador da revista Seara Nova, tirada em 1921 no Coimbrão
(lugar que fica a caminho da Praia do Pedrogão – concelho de Leiria), em casa
de José Leal (casa desenhada pelo arquitecto republicano e maçon
Ernesto Korrodi, pertencente à família Leal, onde em tempos se refugiou da
polícia política Aquilino Ribeiro e anos mais tarde Mário Soares) que inclusive
patrocinou monetariamente a revista.
Da esquerda para a direita, em pé: o padre de Coimbrão, Horácio Fernandes Biu (1883-1947 – não integrou
o grupo literário fundador da revista), Faria
de Vasconcelos (1880-1939), Raul Proença (1884-1941) e Luís da Câmara Reys (1885-1961); sentados: Jaime Cortesão (1884-1960), Aquilino Ribeiro (1885-1963)
e Raul Brandão (1867-1930).
De referir que na foto histórica e oficial do grupo “Seara Nova”
– ver Antologia Seara Nova, Edições do Cinquentenário 1921-1971, Seara Nova,
1971, vol. I, p. 87 – não consta o padre Horácio Fernandes Biu, porém
originalmente o padre, antigo estudante de Coimbra e amigo de alguns dos
literatos seareiros, esteve presente nesse memorável encontro.
"... As condições em que surgiu na vida portuguesa a Seara
Nova, não me cabe a mim [José Rodrigues Miguéis] explicá-las aqui e são
de resto sobejamente conhecidas: um caos governativo presidindo a um caos
moral, económico e mental; a Nação desorganizada entregue à mais sistemática de
todas as desgovernações; a República sofrendo todas as consequências más dos
erros acumulados através do tempo, agravados agora pelo desvairamento ou pela
corrupção de uns políticos e de muitos cidadãos. Se o problema era e é
primariamente um problema educativo ou cultural - como afirma António
Sérgio - ou ainda económico, - como parece concluir Ezequiel
de Campos, - a verdade é que a cadeia dos males nacionais é tão fechada que não
podemos perder tempo a discutir 'por onde se há-de começar a abrir-lhe a
brecha' (...) Para nós, a Seara Nova é como que o embrião dum
grande órgão jornalístico que, exercendo a sua acção fora dos partidos, das
classes, dos interesses e das religiões, - conseguisse levar a todos os
espíritos um pouco de luz, de conforto e de verdade. Jornal republicano, ele
seria para os cidadãos um bom conselho e um bom estimulo - sem lhes pedir em
troca o seu voto e a sua consciência, sem os forçar a ignorar o que é preciso
que se saiba em Portugal ..."
[José Rodrigues
Miguéis, discurso proferido por 'ocasião do quarto aniversário da Seara Nova', in Antologia
Seara Nova, texto 14, Vol. I, 1971]
J.M.M


