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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO 14, N.º 29, 2025

 


Grémio Lusitano – Ano 14 29, 2025, p.80; Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Grafismo: Álvaro Carrilho; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa.

TÁBUA: Maçonaria Inglesa versus Francesa

Editorial: A Universalidade Maçónica [Pedro Luiz de Castro] / Maçonaria Inglesa versus Maçonaria Francesa [Fernando Cabecinha] / Da Religião Natural à Religião Revelada – Pensar livre e plural [José Manuel Martins] / História da Maçonaria Inglesa [John Hamill] / História da Maçonaria francesa no final do século XVIII [Pierre Menvielle Tichadel] / O GADU na Tradição Maçónica Francesa: Dificuldades e Incompreensões Históricas [Roger Dachez] / O Versus e o Paradoxo. Rito Francês versus Rito Escocês. A Maçonaria versus partidos políticos [Inácio Ludgero] / Os arquitetos da maçonaria inglesa (1720-1740) [Richard Andrew Berman] / Dois Ritos: REAA e RF. Dois Caminhos, uma mesma Luz, um só ideal [António Maria da Fonseca] / Regulares Ingleses contra Liberais Franceses. Um panorama atual da Maçonaria Mundial [Jean-Moïse Braitberg] / Representações da Maçonaria Portuguesa na Cultura Popular [Paulo Mendes Pinto & Isabel Landeiro] / Só reconhecidos por todos como livres e iguais [Francisco Carromeu] / Versus. Algumas ideias sobre a convergência das Maçonarias e Ritos Maçónicos [Manuel Pinto dos Santos] / Para lá do canal da mancha. É tudo diferente! [Joaquim Grave dos Santos].

Revista à venda no Grémio Lusitano.

“… A Maçonaria sempre pugnou pelas conquistas sociais, num clima de Liberdade, de Igualdade e de Fraternidade entre os Homens. Sempre foi, por isso mesmo, uma ameaça para aqueles que pretendiam a perpetuação de um determinado «status quo» baseado no controle da sociedade por elites religiosas, políticas, sociais ou económicas.

Não admira, portanto, que a Igreja, e governos totalitários tenham e continuem a perseguir a Maçonaria, exatamente pelos nobres ideais que representou e continua a representar.

Este número da Revista do Grémio Lusitano dedica-se, pois, a uma análise sob vários ângulos do que foram e têm sido, as duas principais correntes de pensamento maçónico existentes no mundo: a inglesa e a francesa.

Muita coisa as une, algumas coisas as separam. Rituais, formas distintas de olhar e interpretar ou interagir com a sociedade, fazem destes «primos», amigos colaborantes e unidos, num desejo comum de tornar o mundo um lugar substancialmente mais decente para se viver, do que aquele em que atualmente nos encontramos” [Pedro Luiz de Castro, p. 3]

 


“A Maçonaria Inglesa tem as suas ra1zes na fundação da Grande Lo1a de Londres em 1717, considerada o berço da Maçonaria especulativa moderna. Desde então, a influência inglesa espalhou-se pelo mundo, estabele­cendo o que é conhecido como o modelo das Grandes Lojas Regulares.

A Maçonaria Francesa, por sua vez, consolidou-se a partir da criação do Grande Oriente de França em 1773. O contexto iluminista francês e a influência revolucionária moldaram fortemente o seu carácter, tornan­do-a mais aberta a reformas e ao debate filosófico.

Enquanto a Maçonaria Inglesa mantém uma postura trad1c1onaltsra, exigindo a crença num Ser Supremo (o Grande Arquiteto do Universo) como requisito fundamental para a iniciação, valorizando a espirituali­dade, a moralidade e a filantropia, com forte ênfase na discrição e no simbolismo, a Maçonaria Francesa, especialmente após 1877 aboliu a obrigação da crença num Ser Supremo, tornando-se mais secular e racionalista. O foco deslocou-se para a liberdade de consciência, o laicismo, o progresso social e o debate filosófico.

[…] Ambas, no entanto, partilham valores fundamentais como a frater­nidade, o aperfeiçoamento pessoal e o compromisso com a socie­dade, refletindo as suas respetivas culturas e contextos históricos.

Esta Revista convida, pois, à leitura e reflexão dos textos nela inseridos, na procura de conhecimento capaz de nos consciencializar para que serve a Maçonaria, quais as suas principais valências e a mensagem que pretende transmitir.

A bem da dignidade do ser humano e do humanismo” [Fernando Cabecinha, Grão-Mestre GOL, p. 5]

J.M.M.

terça-feira, 8 de abril de 2025

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO 13, N.º 28, 2024

 


Grémio Lusitano – Ano 13 28, 2º Semestre 2024, p.28; Revista Grémio Lusitano; Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Grafismo: Álvaro Carrilho; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa.

A revista do Grémio Lusitano n.º28 [Ano 13 28, 2º Semestre 2024] tem a “Iniciação e Transformação” como tema, isto é, «tem o propósito simples, mas arrojado, de saber o ‘quanto’ e o ‘como’ a Maçonaria transformou os homens e mulheres que acolheu» [Do Editorial]. Dito de outro modo: após o «chamado processo iniciático» a «maçonaria transforma-nos? Modifica-nos? Altera o nosso comportamento, a nossa visão do mundo? Passamos a ser pessoas mais cumpridoras, mais comprometidas com a nossa positiva transformação, e por arrastamento com o melhoramento da própria sociedade onde nos inserimos?» [Do Editorial]. Eis, portanto, um balanço sobre a “Iniciação e Transformação" de modo a que «nunca se diga de nós: Entrou na Maçonaria, mas a Maçonaria nunca entrou nele …!» [Do Editorial].

De salientar as notáveis e estimulantes ilustrações do designer Álvaro Carrilho que acompanham e exploram cada artigo da revista, peças únicas da afirmação de uma interioridade e espiritualidade surpreendente, que ao recorrer “à geração de imagens com IA” filtram o leitor para “uma imersão profunda nas questões éticas, filosóficas, oferecendo uma nova dimensão de leitura”.    

TÁBUA: Iniciação e transformação

Editorial. Nós e a Maçonaria, a Maçonaria e Nós [Pedro Luiz de Castro] / A minha inexorável viagem em direcção ao Oriente [Jaime Pina] / Despido e Despojado [Paulo Mendes Pinto] / Um segredo não partilhável [Henrique Monteiro] / A cultura de grupo [Prometeu n.s.] / Eu estou aqui … porquê [António Maria da Fonseca] / Glorificação do trabalho [Carlos Mardel n.s.] / In Claris, Fiat Interpretatio [José Adelino Maltez] / Involuir para Evoluir [António Ventura] / O caminho da Luz [Henrique n.s.] / Porque sou maçom? [Luís Conceição] / “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena” [Manuel Pinto dos Santos] / Três grandes pancadas [Joaquim Grave dos Santos] / Um outro olhar, ou desejo de «pensar mais» [José Manuel Martins] / Uma outra relação com o mundo [Luís Parreirão] / Viagem [João Alves Dias] / Ser Maçom [Anselmo Bravule n.s.] / O Impulso da Construção [Álvaro Carrilho].

Revista à venda no Grémio Lusitano

J.M.M.

terça-feira, 14 de maio de 2024

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO 12, N.º 26, 2023


Saiu a revista nº26 (2 semestre de 2023) Grémio Lusitano [Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa].

TÁBUAEditorial. Ética, Moral e Religião [Pedro Luiz de Castro] / Ética e Liberdade [Fernando Cabecinha (GM do GOL)] / Ética na Maçonaria [Do Congresso da GLFP]] / “A insustentável leveza das fronteiras: Clero Católico na Maçonaria e a questão do Anticlericalismo e do Antimaçonismo em Portugal” [Fernanda Santos & José Eduardo Franco] / A Maçonaria, o Indivíduo e a Reforma Protestante. Um Caminho no Sentido do Despertar da Liberdade de Consciência [Paulo Mendes Pinto] / Desafios éticos no mundo atual. Da nebulosa da vida à universalidade de uma ética universal [Alexandra Mota Torres] / Do trono de Salomão à soleira do Papa. Um ensaio sobre Liberdade e Tolerância Religiosa na Maçonaria [Edgard da Costa Freitas Neto] / Entre o Esquadro e o Compasso [Joaquim Grave dos Santos] / Entrevista com Ferrer Benimeli. Católicos e Maçons / Ética da Maçonaria, da Obediência, da Loja ou do Maçon? (Manuel Pinto dos Santos) / Ética Franco-Maçónica? [Francisco Carromeu] / O Compasso e a Cruz – Uma narrativa histórica (António Maria Fonseca] / O papel da Maçonaria na criação da contemporaneidade (Orlando Martins e Pedro Nogueira-Simões) / Teófilo Braga, Magistério e Cidadania (António Valdemar) / Maçonaria e Carbonária (António Valdemar) / Tod@s (Fernando Marques da Costa) / Maçonaria, Religião ou Seita? (Pedro Luiz de Castro)

J.M.M.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

ARADE. REVISTA DO ARQUIVO MUNICIPAL DE LAGOA. Nº 2, 2023


 No próximo sábado, 18 de Novembro de 2023, na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Lagoa, vai ser apresentado o nº 2, da ARADE. REVISTA DO ARQUIVO MUNICIPAL DE LAGOA.

A sessão terá início pelas 15:30h, estando a apresentação a cargo da Prof. Doutora Fernanda Ribeiro, Professora Catedrática de Ciência de Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A cerimónia de apresentação do novo número da revista vai ter transmissão em directo, através do seguinte site: 

LAGOATV.PT

ou

do Youtube 

Aguarda-se com expectativa o novo número e os artigos do novo número da revista.

Com os votos do maior sucesso!! 

A.A.B.M.

domingo, 5 de novembro de 2023

ANAIS DO MUNICÍPIO DE FARO, VOLUME XLV - 2023


Anais do Município de Faro. Ano LIV, nº 45 (Novembro 2023); Propriedade e Edição: Município de Faro; Director: Guilherme d’Oliveira Martins; Conselho Coordenador: Paulo Santos, Sandra Martins e Elsa Vaz; Revisão: Elsa Vaz; Conceção Gráfica: Sul, Sol e Sal; Impressão: Gráfica Comercial (Porto); Faro; Novembro de 2023.

Trata-se de uma revista de “divulgação da história, do património e da cultura da cidade e do concelho de Faro”. Fundada em 1969 suspendeu a sua edição em 2011, reaparecendo no ano de 2016. Esta importante publicação que tem desenvolvido interessantes e valiosos estudos sobre a cultura algarvia apresentou, no passado dia 4 de Novembro, o seu número XLV. A sessão de lançamento da nova revista, realizada na Biblioteca Municipal de Faro, teve a participação do diretor da publicação, o professor Guilherme de Oliveira Martins e do Presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, e foi competentemente apresentada pela escritora Lídia Jorge.

ÍNDICE: O lugar transversal da cultura e o seu papel na sustentabilidade [Rogério Bacalhau Coelho]; O silêncio das palavras … [Guilherme d'Oliveira Martins]; António Ramos Rosa - coração aberto à terra; Manuel Baptista (1936-2023); Eduardo Lourenço: retrato à mesa [Lídia Jorge]; Persa, patrono de Ossonoba [José d'Encarnação]; Noé Conejo, Ossonoba e a moeda antiga do Museu Municipal de Faro [José d'Encarnação]; Homens de Faro na casa senhorial do Infante D. Henrique (séc. xv): uma breve sondagem [Fernando Pessanha]; Jardins históricos da cidade de Faro: do século xvi à actualidade [Maria Filipa Rabaça]; Ourives do ouro e da prata com atividade em Faro no século XVII [Marco Sousa Santos]; Os Deputados do Algarve às Cortes de 1822-1823 - parte 2 [Artur Barracosa Mendonça e José Manuel Martins]; Terra Mater: o valor da terra numa freguesia farense oitocentista [Gonçalo Duarte Gomes]; José Pedro Cruz Leiria: restaurador, barrista, antiquário e muito mais ao seu serviço [Marco Lopes]; A migração de andaluzes para o Algarve: 0 caso da migração de andaluzes para o concelho de Faro, entre 1889 e 1914 [João Romero Chagas Aleixo]; Vilamoura e Costa Esmeralda: projecto de um banqueiro, utopias de um príncipe [Carminda Cavaco]; O operariado conserveiro algarvio (1890-1945) - parte I [Joaquim Manuel Vieira Rodrigues]; Estrada nacional n.° 125: um breve olhar sobre a sua história [Aurélio Nuno Cabrita]; Biblioteca Municipal de Faro: uma biblioteca patrimonial [Patrícia de Jesus Palma]; O Club Farense de 1997 a 2022 [Augusto Miranda e Carlos Afonso]; Jorge Valadas, pintor (1908-1993) [Luísa Fernanda Guerreiro Martins]; Manuel Viegas Guerreiro, traços do homem e da obra [Francisco Melo Ferreira e Maria Lucinda Fonseca]; "Farenses" que não nasceram em Faro [João Leal]; Do fenómeno ex-votista do século XIX em Faro. O caso da igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo [María del Castillo García Romero].

J.M.M.  

sábado, 21 de outubro de 2023

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO XII, N.º 25, 2023


Saiu a revista 25 (2 semestre de 2022) Grémio Lusitano [Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa].

A revista n.º25 é totalmente dedicada à Maçonaria no Feminino, procurando “trazer à luz tanto as diferenças como as semelhanças e compreender os desenvolvimentos que sobre este tema vão suceder no futuro” [do Editorial]. Trata-se de um assunto que, no dizer do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, “está na ordem do dia na Obediência" no sentido de procurar encontrar "as vias que correspondam aos caminhos do futuro do GOL, sempre no mais puro e autêntico espirito de Liberdade, Fraternidade e Tolerância [Fernando Cabecinha]

TÁBUA:

Editorial [Pedro Luiz de Castro] / Maçonaria Feminina - um Pouco de História [Fernando Cabecinha, Grão-Mestre do GOL] / Iniciação, Adopção, Maçonaria no Feminino [Joaquim Grave dos Santos] / A Maçonaria no Feminino [Inácio Ludgero, Grão-Mestre do Grande Oriente Ibérico] / Maçonaria de Adoção Versus Maçonaria Ibérica no Século XIX [Manuel Rajo] / A Maçonaria no Feminino [Maria Odete Isabel, Grã-mestre da Grande Loja Feminina de Portugal] / Mixidade em loja - opção ou imposição categórica? [Joaquim Grave dos Santos] / Iniciação ou Regularização de Mulheres no GOL [Respeitável Loja Simões Coimbra] / O Regresso da Mulher ao Grande Oriente Lusitano [Manuel Pinto dos Santos] / Mulheres na Maçonaria - A responsabilidade histórica do GOL [Ricardo Alves] / Está lá fora uma senhora! [Respeitável Loja Mithras Solar] / O género na franco-maçonaria universal [José Eduardo Meira da Cunha] / As mulheres e a maçonaria [Philip Carter] / A admissão de senhoras nos templos [reprodução do Boletim Oficial do GOLU de 1877]  

J.M.M. 

segunda-feira, 26 de junho de 2023

LER HISTÓRIA (1983-2023) – 40 ANOS A FAZER HISTÓRIA

 


Ler História. Revista do ISCTE-IUL , 82 (Junho 2023)

A revista LER HISTÓRIA, publicação académica do ISCTE-IUL, comemora os seus 40 Anos de dedicação, divulgação e reflexão na área da história, principalmente (e a que nós diz especial respeito) da historiografia de Portugal contemporâneo.

Surge em 1983 (Janeiro-Abril), como revista quadrimestral do Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa (ISCTE), subsidiada pela antiga Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, de muito boa memória. Tinha como directora a professora Miriam Halpern Pereira e integravam a redacção grande nomes da moderna historiografia portuguesa, como: João B. Serra, Joel Serrão, José Mattoso, José Manuel Sobral, Magda Pinheiro, Maria Alexandre Lousada, Maria Carlos Radich, Maria de Fátima Sá, Nuno Gonçalves Monteiro, Raul Iturra, Valentim Alexandre.

Como nos diz a professora Miriam Halpern Pereira, “quatro décadas decorridas desde a nossa fundação, podemos orgulharmo-nos de ter conseguido afirmar um projeto ambicioso, que se deveu à continuidade de objetivos das quatro direções da revista, independentemente do seu cunho pessoal. Criar uma publicação periódica para promover uma nova conceção de história, comparada e interdisciplinar no contexto de uma colaboração interuniversitária e internacional são objetivos plenamente conseguidos. Em 1983, foi preciso abrir fronteiras enquistadas e “criar um ambiente de liberdade de crítica num domínio ainda dominado por um arcaico espírito corporativo” (Editorial, nº 1). Alertava-se: “Ou a historiografia portuguesa envereda de forma mais decidida pela história comparada ou será conduzida ao anquilosamento científico e ficará confinada num provincianismo letal. [...] O chauvinismo historiográfico e o eurocentrismo persistem. Principia no fazer da nossa própria história, como a penúria de pesquisas sobre a história dos países das ex-colónias portuguesas o mostra” (Editorial, nº 11). Conseguimos “a abertura e o pluralismo em todos os sentidos [que] sempre foram uma marca identitária da LH, uma explicação para a sua longevidade, qualidade e reputação” (J. V. Serrão, Editorial, nº 70)”

LER AQUI O ÚLTIMO NÚMERO DA LER HISTÓRIA

J.M.M.

terça-feira, 20 de junho de 2023

O PEDREIRO LIVRE – NOS 200 ANOS DA CARTA DE LEI CONTRA AS SOCIEDADES SECRETAS

O Pedreiro Livre (200 Anos da promulgação da Carta de Lei, por D. João VI, contra as Sociedades Secretas); Edição BMBM; Redação: Todos Manos; Vale do Mondego, Edição Fora de Mercado (tiragem de 33 exemplares)

Trata-se de uma curiosa revista, de tiragem muito reduzida e fora de mercado, publicada pela Biblioteca Maçónica do Baixo Mondego, relembrando os 200 Anos da Carta de Lei contra as Sociedades Secretas, no seguimento do golpe contrarrevolucionário miguelista anti-liberal e a poucos dias da auto-suspensão das Cortes Extraordinárias (2 de Julho 1823).

TÁBUA: O Antimaçonismo, Nota sobre o Antimaçonismo, Eu queria dizer-te … (Almeida Garrett), Algumas Efemérides do Antimaçonismo, A Carta de Lei … um caso prático, Carta de Lei de 20 de Junho de 1823 (transcrição), Proclamação de D. Miguel, Sobre as Associações Secretas (Fernando Pessoa).

 J.M.M. 

quarta-feira, 8 de março de 2023

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO II, N.º 24, 2022

Saiu a revista nº24 (2 semestre de 2022) Grémio Lusitano [Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa], com o seguinte Índice:

Editorial [Pedro Luiz de Castro] / Linha de Rumo, por Fernando Cabecinha / Grémio Lusitano: 143 anos da defesa do Humanismo [Pedro Farmhouse] / 220 anos: velhos valores. novas causas [Henrique Monteiro] / A contra-revolução Absolutista (1823-1829) e notícia de uma Loja Maçónica em Aveiro [José Manuel Martins – texto nosso sobre a “descoberta” de uma loja maçónica em Aveiro, em 1823 e o envolvimento dos seus obreiros na revolta contra a contra-revolução  miguelista, a 16 de Maio de 1828] / As Constituições de 1723 ou de Anderson – Pedra de fundação da maçonaria moderna [M. Vilas] / De Loreto a Spartacus [Manuel Seixas - curioso texto “interpretativo de fragmentos biográficos de José Liberato Freire de Carvalho”, nos 250 anos do seu nascimento] / Nada de novo no girar da esfera [José Adelino Maltez] / Rito Francês e Luzes na génese do Grande Oriente Lusitano [Joaquim Grave dos Santos - texto em torno da sociabilidade maçónica e o Rito Francês] / Teses sobre a criação do Grande Oriente Lusitano [Manuel Pinto dos Santos - contributo para a fundação do Grande oriente Lusitano que é parte da obra de Pinto dos Santos, “Maçonaria Portuguesa. Nas Origens do Grande oriente Lusitano (1802-1806), publicado pelo Instituto de Estudos Maçónicos] / A lição de Antero [António Valdemar].

J.M.M. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

ANAIS DO MUNICÍPIO DE FARO – VOLUME XLIV

 


REVISTA: Anais do Município de Faro, Volume XLIV;
EDIÇÃO: Câmara Municipal de Faro, 2022 (Revisão: Elsa Vaz);
DIRETOR: Guilherme d’Oliveira Martins

COORDENAÇÃO: Paulo Santos | Sandra Martins | Elsa Vaz

[ALGUNS] ARTIGOS DA REVISTA: A Ferrovia no Algarve (José Caramelo), O Club Farense de 1863 a 1997 (António Centeno Serrano Santos), O Círculo Cultural do Algarve a partir do Espólio Documental de Joaquim Magalhães (Sara Santos), «Farenses» que não nasceram em Faro (João Leal), O corso francês no mar das éguas: o caso dos ataques aos mareantes de Faro em 1538 (Fernando Pessanha), Uma notícia sobre a pintura “O menino entre os doutores” de Marcello Leopardi (1791) (Daniel Santana), Faro, um entreposto comercial entre mares: do Mediterrâneo ao mar do Norte nos finais da época moderna (Andreia Fidalgo), Os Deputados do Algarve (1822-1823): entre a Constituição e a Contra-Revolução (Artur Barracosa Mendonça & José Manuel Martins), O contributo da Sociedade Agrícola do Algarve (1848-1876) para o desenvolvimento da cultura científica (Patrícia de Jesus Palma), Subsídios para a História do Movimento de Unidade Democrática no Algarve (Joaquim Manuel Vieira Rodrigues), Arreios do transporte hipomóvel no Sul de Portugal e na Andaluzia: diversidades e analogias (João Pedro Dias Magalhães Silva).   

“Li e reli os textos. Vinte autores apresentam perspetivas distintas sobre o que é o Algarve, o que são os Algarvios e os Farenses, o que nos torna uma região, desde sempre, muito peculiar e diferente do restante território nacional.

Leio e descubro o olhar dos poetas e escritores, dos investigadores da História, da Arqueologia, da Geografia, dos arquivistas, dos arquitetos, dos engenheiros, dos professores, dos jornalistas... Conceções e prismas tão distintos, mas todos eles marcados por uma constante: a identidade que tivemos (e temos) faz-nos procurar - na diversidade, na ânsia de olhar para o mar como um horizonte possível de alcançar, na certeza de que o ponto de partida de qualquer começo está em nós mesmos - a segurança para tudo realizar.

Somos local de encontro de culturas, repositórios de uma miscigenação que nos deu possibilidades infinitas de descoberta, pois na convergência e na pluralidade, está a nossa maior riqueza, que nos garante uma capacidade de aceitação do outro e do que ele nos traz, que poucos povos terão.

Saliento, aqui, a palavra Cultura, pois este é um tema que nos é caro e que nos tem movido, nos últimos anos, constituindo-se como aposta clara de desenvolvimento e planeamento, bem como de promoção do encontro e do espírito de cooperação. A diversificação da oferta cultural, o apoio aos agentes que trabalham na área e apostam na criação artística, a implementação de ações e melhoria dos espaços que possam garantir o aumento da qualidade do que é feito, tornam Faro uma verdadeira “Capital Cultural” …

[Pres. CMF, Rogério Bacalhau Coelho, in Memórias, Cultura e Criatividade, p. 7 - sublinhados nossos]

 (…) A presente edição dos "Anais" apresenta um conjunto de textos que procuram, em continuidade de números anteriores, uma ligação entre a memória e a criatividade, com destaque para as especificidades da identidade algarvia, enquanto ponto de encontro de diversos contributos, nos quais o Mediterrâneo e o Atlântico se encontram naturalmente, demonstrando diferenças e convergências, e uma pluralidade de influências, que revestem uma inesperada riqueza, tantas vezes ainda desconhecida. Não foi por acaso que daqui partiram as navegações a partir do século XV, que o Infante D. Henrique aqui assentou arraiais e que constituiu o ponto de partida para o Atlântico em busca de uma rota alternativa à que passou a ser dominada pelos Otomanos no Levante Mediterrânico com a queda de Constantinopla. Oriente e Ocidente, Sul e Norte, Antiguidade Oriental e Antiguidade Clássica - associam-se à Respublica Christiana...

E a história liga-se à realidade. O testemunho de António Ramos Rosa sobre o céu algarvio e sobre o caráter próprio das casas demonstra a existência de uma realidade de uma riqueza inesgotável, que torna o Algarve um paraíso para os arqueólogos e para os estudiosos da difusão europeia das culturas e das influências orientais. (…)

[Guilherme d’Oliveira Martins, in Um regresso de lembranças …, p. 10 - sublinhados nossos]

J.M.M.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

SEARA NOVA – “EM DEFESA DE UMA DEMOCRACIA SOCIAL”

 


Em Defesa de uma Democracia Social” – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso, 9 de Outubro de 2021

Apesar de todas as adversidades da repressão política, no salazarismo e no marcelismo, o impacto da doutrinação e crítica da revista “Seara Nova” constitui um legado cívico e cultural dos mais notáveis do século XX. Esta semana passam 100 anos desde que saiu o primeiro número.

A “Seara Nova” apareceu há 100 anos e num momento de extrema crispação política e social. O desassossego era permanente e nunca se sabia o que reservava o dia de amanhã. A conspiração monárquica principiou no próprio 5 de Outubro de 1910, com a instauração da República. Prosseguiu sem tréguas. As derrotas dos monárquicos nas incursões (1911-1912) chefiadas por Paiva Couceiro repetiram-se na escalada de Monsanto (1919), comandada por Aires de Ornelas, e na implantação no Porto, também em 1919, da Monarquia do Norte.

A fragmentação dos republicanos em três partidos e a formação de grupos divergentes em cada partido geravam uma turbulência permanente. Os partidos instrumentalizavam o Exército e a Marinha. Manipulavam a Guarda Republicana e a Polícia. As revoluções sucediam-se. Os governos duravam meses ou apenas alguns dias. Os debates parlamentares eram intermináveis, sem apresentarem soluções alternativas para resolver os grandes problemas.

A criação, em setembro de 1919, da Confederação Geral do Trabalho (CGT) procurou mobilizar o operariado. Tinha como órgão o jornal “A Batalha”, que impulsionava as reivindicações e chamava a atenção para outros problemas nacionais ou internacionais. Também era fundado, em junho de 1921, o Partido Comunista Português. Todas estas circunstâncias provocavam angústia e sobressalto. Multiplicavam-se as greves. A crise económica era profunda. Faltavam produtos essenciais para o dia-a-dia. Continuavam por sarar feridas causadas pela intervenção de Portugal na guerra.

As origens da “Seara Nova” datam dos finais de 1920 e primeiros meses de 1921. Jaime Cortesão, diretor da Biblioteca Nacional, reuniu-se com Raul Proença e Luís da Câmara Reys e juntos conceberam a formação de um grupo, com a edição de uma revista periódica, para responder às preocupações que se manifestavam em todo o país. A eles se juntaram Aquilino Ribeiro, Augusto Casimiro, Faria de Vasconcelos, Ferreira de Macedo, Francisco António Correia, Raul Brandão e, levado por Aquilino Ribeiro, o jovem advogado José de Azeredo Perdigão.

Começou a publicação da “Seara Nova” a 15 de outubro de 1921. Era uma revista quinzenal de doutrinação e crítica, para “criar uma opinião pública nacional que exija e apoie as reformas necessárias”, para garantir “os interesses supremos da nação, opondo-se ao espírito de rapina das oligarquias dominantes e ao egoísmo dos grupos, classes e partidos”. Reclamava a urgência de “protestar contra todos os movimentos revolucionários e, todavia, defender e definir a grande causa da verdadeira revolução”. “Contribuir acima das Pátrias” — outra questão fundamental —, “a união de todas as Pátrias — uma consciência internacional bastante forte para não permitir novas lutas fratricidas”.


A NOITE SANGRENTA

Quatro dias depois do aparecimento da “Seara Nova”, a 19 de outubro de 1921, a revolta dos marinheiros espalhou o pânico em Lisboa, que se estendeu a todo o país. A Legião Vermelha assassinou o primeiro-ministro António Granjo e o fundador da República Machado Santos. Também assassinou o comandante Carlos da Maia, outra figura já histórica da República, o comandante Freitas da Silva, secretário do ministro da Marinha, e o coronel Botelho de Vasconcelos, que apoiara Sidónio Pais. Arrancados das suas casas, seguiram numa “camioneta fantasma” que os levou até ao Arsenal. Ali foram sumariamente abatidos a tiro.

Ficou na história como “A Noite Sangrenta”, uma das páginas negras de toda a Primeira República. Raul Proença, no nº 2 da “Seara Nova”, de 5 de novembro de 1921, referiu que o país mergulhara “na epilepsia da desordem”. E comentou: “Já o tínhamos previsto. Nem foi surpresa para ninguém (...).” Os homens que tombaram às mãos dos assassinos — acentuava com veemência — eram “vítimas de tudo o que fizemos e não fizemos; do que dissemos e do que calamos, do que praticamos e do que consentimos”.

Um dos motivos aparentes do 19 de outubro terá sido a demissão do governo de Liberato Pinto — ligado ao Partido Democrático — e a sua condenação a um ano de prisão, confirmada a 21 de setembro de 1921 pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército. Quem se movimentou para organizar esta chacina e quais os seus objetivos? A Legião Vermelha, um grupo de marinheiros radicais influenciado por oficiais da Armada e do Exército e políticos de várias tendências. Inclusive monárquicas e católicas. O cabo Abel Olímpio, tristemente célebre com a alcunha “Dente de Ouro”, arregimentou os marinheiros, mas — e para vingar o Regicídio, executado em 1908 pela Carbonária — houve a intervenção das Juventudes Monárquicas Conservadoras. Houve também a colaboração do padre Maximiano Lima, da administração do jornal “A Época”, de cuja redação faziam parte jornalistas como Manuel Múrias, Pedro Correia Marques e Leopoldo Nunes, que, a 28 de maio de 1926, acompanharam o golpe militar chefiado por Gomes da Costa, em Braga; que avançou para o Porto e para Lisboa e abriu caminho para a entrada de Salazar no governo.

No livro de Berta MaiaAs Minhas Entrevistas com Abel Olímpio, ‘O Dente de Ouro’”, confirmam-se as cumplicidades de militares monárquicos e de figuras da banca. O jornalista Bourbon e Meneses reuniu outros contributos no livro “Os Crimes do 19 de Outubro: Revelações & Interrogações Sensacionais” (1929), ao aprofundar os meandros da conspiração e a concretização do crime. A situação política diagnosticada por Raul Proença na “Seara Nova” desvendava as causas da agitação nas ruas e da incerteza e da perplexidade que se instalara na população. Jaime Cortesão, a propósito, afirmou: “Diga-se a verdade toda. Os crimes que se praticaram não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa.”


POLÉMICAS MEMORÁVEIS

A entrada, em 1923, de António Sérgio para a redação e direção intensificou as grandes intervenções polémicas. Para um público em especial, os jovens universitários, a “Seara Nova” tornara-se leitura obrigatória. Denunciava erros e omissões de política nacional e internacional nas áreas da educação e da economia. Questionou o fascismo e o comunismo.

Desencadeou polémicas memoráveis. Raul Proença fez a desmontagem do Integralismo Lusitano e da Cruzada Nuno Álvares; definiu as responsabilidades dos intelectuais. Desmascarou as acrobacias políticas de Alfredo Pimenta, Martinho Nobre de Melo. Enfrentou Cunha Leal — que ascendera a primeiro-ministro na crise resultante do 19 de outubro — a propósito da incompatibilidade da política com o mundo dos negócios.

António Sérgio insurgiu-se contra Malheiro Dias acerca do Sebastianismo e sobre os métodos da divulgação científica preconizados por Abel Salazar. Também não hesitou em escrever juízos críticos a propósito da obra de Teófilo Braga e Guerra Junqueiro, ambos considerados intocáveis.

A missão do artista foi outra polémica que se arrastou entre José Régio e Álvaro Cunhal. Mais intervenções com repercussão: de Adolfo Casais Monteiro em torno da arte e da vida e de Mário Dionísio a respeito do neorrealismo. A demissão de António Sérgio, em 1939, resultou das divergências em matéria de orientação ideológica e dos critérios da administração adotados por Câmara Reys. Contou com a adesão de Mário de Azevedo Gomes, de Álvaro Salema e de Castelo Branco Chaves. Mas não impediu uma participação intensa, em alturas decisivas, quando Jaime Cortesão e António Sérgio foram presos e exilados; e Raul Proença ficou doente e totalmente incapacitado para escrever.

A “Seara Nova” atravessou a Guerra de Espanha, a Segunda Guerra Mundial e, no plano interno, a consolidação do regime de Salazar; as repercussões e as consequências do MUNAF (1942) e do MUD (1945); a nova expulsão de catedráticos nas universidades de Lisboa, Coimbra e Porto; os conflitos, as desistências, os avanços e recuos desencadeados em face das candidaturas de Norton de Matos, de Rui Luís Gomes, de Quintão Meireles, de Arlindo Vicente e de Humberto Delgado. Sempre em luta frontal contra o regime e a suportar ameaças tremendas.

Um novo ciclo se abriu nos anos 60 com a morte inesperada de Câmara Reys, candidato a deputado numa lista da oposição para deputados à Assembleia Nacional. A “Seara Nova” ampliou, entretanto, a visão crítica e analítica — quase sempre abafada pela censura — perante a Guerra Colonial, os apelos possíveis para a independência das colónias, a emigração, a saúde, as greves estudantis. É a década em que dois membros do governo de Salazar provocam dois incidentes de enorme gravidade — Adriano Moreira, ministro do Ultramar, reabriu o Tarrafal, com o nome de Campo do Chão Bom; e Inocêncio Galvão Teles, ministro da Educação, encerrou a Sociedade Portuguesa de Escritores. A história da “Seara Nova”, nestes e em muitos outros aspetos, já foi estudada na sua amplitude e dimensão por António Rafael Amaro, António Reis, Sottomayor Cardia, Fernando Catroga, António Pedro Pita, em investigações rigorosas e pormenorizadas.

ORIENTAÇÃO LITERÁRIA

Os principais responsáveis pela criação da “Seara Nova” derivam do grupo da Renascença Portuguesa e da revista “Águia” e surgiram no Porto, em 1910, depois da instauração da República. Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra faziam parte — e em lugar de maior evidência — deste movimento cultural. Contudo, Jaime Cortesão, Raul Proença e António Sérgio optaram por outra posição filosófica e outra orientação doutrinária.

Elegeram na “Seara Nova”, entre as suas preferências literárias, os escritores, os poetas, os ensaístas e os críticos mais representativos da segunda metade do século XIX: Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Quase todos selecionados como paradigmas nas “Questões Morais e Sociais da Literatura”, para citar o título de uma série organizada por Luís da Câmara Reys.

Outra componente da “Seara Nova” residia na oposição ao modernismo, que se manifestou a partir do “Orpheu”, em termos de criação poética e na aceitação de princípios e valores. Jaime Cortesão é categórico, em 1922, numa das “Cartas à Mocidade” e a propósito da formação dos caracteres e do carácter. Recomendava aos jovens que não se deixassem atrair pelos “corifeus da última grande camada literária que deram extremos foros de desequilíbrio no estilo”. Outra advertência — sem mencionar nomes, mas eram óbvios — incidia no conteúdo da obra de poetas como António Botto, Judite Teixeira e Raul Leal, na chamada “literatura de Sodoma”, que Fernando Pessoa defendeu publicamente.

GRAFISMO E ILUSTRAÇÃO

A configuração da “Seara Nova” não tem qualquer relação com as revistas do modernismo. Tais como “Orpheu”, “Centauro”, “Portugal Futurista”, “Athena” e “Contemporânea”, associadas às inovações introduzidas por Luís de Montalvor, Amadeo de Souza-Cardoso, Christiano Cruz, Santa-Rita Pintor, Almada Negreiros e José Pacheco. Foi encomendado por Luís da Câmara Reys a Leal da Câmara o modelo da “Seara Nova”, enquanto revista e, ainda, de papel para cartas e envelopes da redação e dos serviços administrativos. Leal da Câmara notabilizara-se em Paris, em plano de igualdade com os maiores caricaturistas e cartoonistas que marcaram a transição do século XIX para o século XX.

Ao regressar a Portugal, após a implantação da República, Leal da Câmara exerceu influência nos primórdios de Almada Negreiros, Christiano Cruz e Stuart Carvalhais, em Lisboa, e de Abel Salazar, no Porto. O seu magistério no ensino industrial e comercial foi relevante em várias gerações que frequentaram a Escola Fonseca Benevides. Realizou uma obra pioneira na edição de livros e de revistas, na criação de mobiliário e de objetos decorativos e na montagem de exposições.

A “Seara Nova” tem capas de Leal da Câmara, episodicamente, de Jorge Barradas e de Stuart Carvalhais; nos anos 20, a presença assídua de José Tagarro (que faleceu prematuramente) é da maior importância. Outras referências: Diogo de Macedo, Arlindo Vicente e Roberto de Araújo; nos anos 40 e 50, salientam-se Júlio Pomar e Lima de Freitas.

O reconhecimento dos vários surtos da modernidade encontra-se na crítica de arte de José Ernesto de Sousa e, pouco antes do 25 de Abril, em Rocha de Sousa, enquanto José-Augusto França se distinguiu, muitos anos, na crítica de cinema. Nesta retrospetiva bastante sumária não se podem ignorar a crítica de teatro de João Pedro de Andrade e a crítica de música de Fernando Lopes Graça. Só que Lopes Graça ultrapassou este domínio, ocupando -se de outros sectores culturais e políticos.

CENSURA, ASSALTOS, PRISÕES

A censura, desde que foi instituída e legalmente estruturada — na sequência da implantação da ditadura militar e da chefia do governo presidido por Salazar —, teve intervenção drástica na “Seara Nova”. Os motivos de combate permanente à “Seara Nova”, um dos órgãos de comunicação mais contundentes, ressaltaram nos temas da comemoração do 40º aniversário do 28 de Maio, através das intervenções de políticos, de militares e de um representante da igreja. Estão reunidas em dois volumes. Justificaram e exaltaram as políticas adotadas e que se vão manter até ao 25 de Abril. Também a União Nacional, no âmbito desta comemoração, lançou outros livros, um dos quais “A ‘Seara Nova’ e o Pensamento da Revolução Nacional”, da autoria de Mário Matos e Lemos e publicado na Panorama, a editora do SNI.

A anunciada Primavera Marcelista, de setembro de 1968 a 24 de abril de 1974, continuou a encarar a “Seara Nova” como um perigo político, um dos inimigos a abater e a condenar ao ostracismo. José Tengarrinha estudou na história da “Seara Nova” os dois períodos em que a censura foi mais radical: coincidiram com a direção de Câmara Reys (1927-1960) e, de 1961 a 1974, com as direções de Augusto Casimiro, de Rogério Fernandes, de Augusto Abelaira e de Manuel Rodrigues Lapa. Além da intervenção da censura, também se registaram, ao longo de décadas, os assaltos, os confiscos e as prisões da PIDE, que prendeu e torturou intelectuais marcados pelo estigma da “Seara Nova”.

Entre numerosos casos gritantes, em novembro de 1958, recordam-se as prisões de seareiros históricos como António Sérgio, Jaime Cortesão e Mário de Azevedo Gomes, todos eles com mais de 70 anos. O pretexto era que, fora do tempo de “liberdade suficiente” da campanha eleitoral de Humberto Delgado, promoviam a organização para a vinda a Portugal de Aneurin Bevan, deputado trabalhista britânico, e de Pierre Mendès France, a fim de fazerem conferências sobre democracia.


INTRANSIGÊNCIA DE PRINCÍPIOS

O enquadramento da “Seara Nova” coloca-nos perante várias “Searas Novas” com diferenças políticas e culturais muito assinaláveis. Até ao último número manteve-se fiel a “regras básicas de conduta” — esclareceu Rodrigues Lapa —, como, por exemplo, em não “agrupar todos os seareiros sob um mesmo credo e uma só bandeira”. Especificava que a “Seara Nova” “guardou sempre avaramente a sua independência. Daí a sua autoridade cívica. Contra a política aventureira dos improvisadores da velha democracia. (...) Veio substituir e muitas vezes combater uma forma de radicalismo, muito em moda, que só tinha de avançado o modo truculento como atacava os padres e a religião, mas que se mancomunava, podendo ser, com os príncipes da plutocracia e da finança, tradicionais inimigos da democracia”.

“Essa posição intransigente na defesa dos princípios de uma democracia social” — acentuava Rodrigues Lapa — “teve por consequência a hostilidade dos partidos republicanos que então disputavam o poder”. Durante a ditadura, de 1926 a 24 de abril de 1974, a “Seara Nova” travou “um ferrenho combate, com armas desiguais, mas com o vigor desesperado dos que preferem morrer a ceder um palmo de terreno”.

Um dos “pequenos dramas da vida íntima da ‘Seara’” — observou ainda Rodrigues Lapa — consistiu no “espírito de elite, que cava abismos quase intransponíveis entre o agente e o objeto da cultura”. No entanto, a “Seara Nova” opunha-se “à cultura como privilégio de classe, inacessível ao cidadão vulgar”. Assim, procedeu, desde os anos 30 aos anos 60, à publicação e ampla divulgação dos “Cadernos da ‘Seara Nova’” e dos “Textos Literários”. Rodrigues Lapa e António Sérgio foram os principais responsáveis pela seleção dos autores, a introdução de cada opúsculo e a organização de uma antologia sumária. Procurando sempre — afirmou Rodrigues Lapa — “um estilo claro, que fuja à retórica tradicional e a um gongorismo retorcido, em que o português culto ou semiculto de ordinário se compraz com delícia”.

Todas estas circunstâncias em momentos particularmente atribulados, com a sistemática repressão da censura e da polícia política, a PIDE e a DGS, estabeleceram uma filosofia e uma moral. Apesar de todas as adversidades e de todas as polémicas, a “Seara Nova” deixou um legado cívico e cultural dos mais notáveis dos últimos 100 anos.

Em Defesa de uma Democracia Social – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 9 de Outubro de 2021, pp. 34/39 – com sublinhados nossos.

J.M.M.