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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

NUNO RODRIGUES DOS SANTOS. COERÊNCIA E CONVICÇÃO


LIVRO: Nuno Rodrigues dos Santos. Coerência e Convicção;
AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Assembleia da República, 2022.

LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 16 de Novembro 2022 (18,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Passos Manuel (Assembleia da República);

► Trata-se da publicação da biografia de Nuno Rodrigues dos Santos (1910-1984), um dos "republicanos históricos", ativo e convicto lutador anti-salazarista, membro do Grande Oriente Lusitano – o Irmão “Danton” da loja Magalhães Lima (depois da loja Liberdade) -, fundador do MUD, membro da Liga dos Direitos do Homem, da Causa Republicana, Renovação Democrática, União Socialista, Acção Democrata-Social, é candidato a deputado nas listas da oposição em 1953, 1961, 1965, integra as listas de apoio à candidatura de Quintão Meireles, Norton de Matos, Humberto Delgado e deputado à Assembleia Constituinte pelo PPD, depois de Abril 1974.

Nuno Rodrigues dos Santos foi uma figura muito curiosa da vida política portuguesa. Nasceu em Luanda, faz os estudos secundários no Funchal e os universitários na Universidade em Coimbra e Lisboa, terminando a licenciatura de Direito em 1933.


Em 1935 foi iniciado na maçonaria, com o n.s. de “Danton”, na Loja ”Magalhães Lima” [loja do RF instalada em Lisboa em 1929], transitando depois, durante a clandestinidade, para a Loja “Liberdade” [do REAA e que se manteve em exercício até ao derrube do fascismo], tendo atingido o 30º grau do REAA. Colaborou na imprensa, principalmente no jornal “República”, “O Povo”, na revista Seara Nova, tendo sido um dos fundadores do jornal clandestino antifascista “Resistência”. Foi um distinto advogado, defensor de presos políticos no Tribunal Plenário, pertenceu à direcção da Ordem dos Advogados  

Depois do 25 de Abril, aderiu ao Partido Popular Democrático, pelo qual foi eleito deputado à Assembleia Constituinte nas eleições de 25 de Abril de 1975, e, depois, nas eleições subsequentes à Assembleia da República, até à sua morte. Membro do Conselho de Estado, presidiu a todos os congressos do PSD realizados entre 1976 e 1981 e foi presidente do partido até à sua morte.

J.M.M.

sábado, 4 de setembro de 2021

[27 DE JUNHO 1949] GRUPOS POLÍTICOS DE OPOSIÇÃO AO GOVERNO

 


Apontamento do General Norton de Matos (1867-1955) sob o título "grupos políticos de Oposição ao Governo", enumerando-os:

1) P.R.P.;

2) O grupo B;

3) O grupo do Porto;

4) e 5) Dois grupos de Coimbra;

6) um grupo na Figueira;

7) O grupo do Prof.;

8) Os comunistas extremos;

9) V. S.;

10) e 11) Dois partidos socialistas;

12) Os monárquicos do F. V.;

13) Os monárquicos integralistas;

14) Os monárquicos liberais;

15) Os poucos do P. R. L. P. P. (2ª República);

16) O Cunha Leal e companhia;

17) O Movimento Nacional Democrático;

18) Oposição Democrática.


in Arquivo Municipal de Ponte de Lima, com a devida vénia

J.M.M.

domingo, 1 de dezembro de 2019

ASILO POLÍTICO EM TEMPOS DE SALAZAR



LIVRO: Asilo político em tempos de Salazar. Os casos de Humberto Delgado e Henrique Galvão;
AUTOR
: Luís Bigotte Chorão;
EDIÇÃO: Edições 70, Novembro de 2019, 336 p.

LANÇAMENTO:

DIA: 5 de Dezembro (18,30 horas);
LOCAL: Livraria Almedina Rato (R. da Escola Politécnica, 225 - Lisboa);
ORADORES: António Araújo | José Pacheco Pereira.

Henrique Galvão e Humberto Delgado assinalaram os difíceis tempos de oposição e luta à ditadura salazarista, tendo deixado um rasto de esperança e de ilusão nas camadas populares. Ambos tinham sido apoiantes da ditadura militar e do Estado Novo, ornamentando as suas fileiras. Na verdade, o tenente aviador Humberto Delgado e autor Da Pulhice do Homo Sapiens (Casa Ventura Abrantes, 1933), virulento escrito antirrepublicano e antimonárquico, acompanhou desde o início a ditadura e teve cargos relevantes no regime salazarista; Henrique Galvão, apoiante sidonista e caloroso adepto do salazarismo, exerceu devotamente cargos institucionais no início do Estado Novo. Essa ainda pouco esclarecida página negra da história contemporânea, levaram-nos, mais tarde, para o campo da oposição a Salazar e à Ditadura, fosse no escolho por uma pacífica luta eleitoral ou no ardor colocado em acções de grande espetacularidade e duro enfrentamento ao regime.

Este último trabalho de Luís Bigotte Chorão, aprofundamento de uma sua intervenção sobre o pedido de asilo político de Henrique Galvão à embaixada argentina, na FLUC, apresenta o enquadramento político e alguns marcos importantes em torno do asilo de Humberto Delgado (Janeiro de 1959) e Henrique Galvão (Fevereiro de 1959), incluindo, ainda, neste no seu estimado estudo outros asilados, como Rodrigo Teixeira Mendes de Abreu, Luís Cesariny Calafate, Manuel Serra, Sebastião Ribeiro, Manuel Sertório, Horácio Augusto Fernandes Gradim, Rogério de Oliveira e Silva, Joana Francisca Fonseca Simeão, Raúl Miguel Marques, Carlos Dionísio, entre outros.

Obra estimada e copiosa, com importantes fontes e demais anotações, apresenta no seu final (pp. 285-325) uns Anexos, provenientes do Arquivo Família Mairal, correspondência epistolar entre Henrique Galvão e Ernesto Pablo Mairal.  

Henrique Galvão e Humberto Delgado foram figuras extremamente populares durante o Estado Novo, nos meios oposicionistas não afetos ao Partido Comunista Português. Adversários destemidos do regime salazarista, viram-se ambos obrigados a pedir asilo político em circunstâncias que merecem a recuperação da memória histórica que este livro lhes concede. Enquanto Humberto Delgado o fez a 12 de janeiro 1959, na embaixada do Brasil, em Lisboa, Henrique Galvão formulou um pedido semelhante a 17 de fevereiro do mesmo ano, na representação diplomática da Argentina. Os dois pedidos de asilo transformaram-se rapidamente em acontecimentos políticos de primeira linha, com uma projeção internacional surpreendente. Em causa estavam duas personalidades que exaltavam, por maus motivos, os meios diplomáticos e a opinião pública. Enquanto o general Humberto Delgado tinha acabado de sair de um confronto violento com o regime, o capitão Henrique Galvão arrastava-se por inúmeras prisões ao longo de sete anos. Luís Bigotte Chorão reflete, assim, sobre um tempo de alta tensão política na história do século [AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

CIÊNCIA POLÍTICA NO PORTUGAL DOS ANOS 30. O SANEAMENTO DOS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS EM 1935 - ENCONTRO

Realiza-se no próximo dia 27 de Novembro de 2015, no Anfiteatro Manuel Valadares, do Museu Nacional de História Natural e Ciência - Universidade de Lisboa, um encontro científico onde se evocarão os professores universitários que o Estado Novo procurou silenciar: com a publicação do decreto-lei nº 25 317, de 13 de Maio de 1935.

Veja-se o decreto lei nº 25 317, conforme foi publicado no Diário do Governo:
Dias mais tarde, no dia 16 do mesmo mês, novo decreto publicado no Diário do Governo expulsava da função pública um conjunto de personalidades com fortes conotações à oposição ao Estado Novo de Salazar, conforme se pode ver na imagem abaixo:
Nessa ocasião foram afastadas todas as personalidades que o documento apresenta onde se destacam entre outras: o Professor Rodrigues Lapa da Faculdade de Letras de Lisboa e de Aurélio Quintanilha da Universidade de Coimbra, Nuno Simões, Germano Martins, Domingos Leite Pereira, Adelino da Palma Carlos, o General Joaquim Mendes Cabeçadas, o coronel Norberto Guimarães, o professor Sílvio Lima, da Faculdade de Letras de Coimbra, Álvaro Lapa, Abel Salazar, Norton de Matos, Manuel de Sousa Coutinho Júnior, Eduardo Santos Silva, Alberto Dias Pereira, Mem Verdial, Jaime Carvalhão Duarte, José Vicente Barata, Manuel da Silva, José de Oliveira Neves, Rafael de Sousa Ribeiro, Artur Guilherme Rodrigues Cohen, Álvaro Manuel dos Santos Machado, António Tavares Pereira, entre outros.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

Com este Encontro pretende-se reflectir sobre o significado e o impacto político e científico dos saneamentos de 1935 – a institucionalização do autoritarismo em Portugal e a fascistização da Universidade, explorando como hipótese de trabalho as tensões corporativas e científicas dentro da Academia, nomeadamente o eventual aproveitamento da hierarquia universitária instalada para bloquear a progressão de carreira a jovens professores/investigadores universitários, verdadeiros corpos de inovação e de crítica à instituição e às suas práticas científicas e pedagógicas.
Pretendemos explorar as complexas interdependências entre Ciência, Política e Universidade, avaliando as repercussões destas medidas em Portugal nas décadas subsequentes, também em contexto de internacionalização científica.

Entrada livre.

Uma sessão para acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

RECIFE: ÚLTIMO PORTO DE HENRIQUE GALVÃO - PALESTRA

CONFERÊNCIARecife: último porto de Henrique Galvão;

DATA: 30 de Abril 2015 (19,30 horas);
LOCALMuseu do Estado de Pernambuco [Av. Rui Barbosa, 960 - Graças];

ORADOR: Ana Maria César [Academia Pernambucana de Letras]

MODERADOR: Margarida Cantarelli.

Uma interessante iniciativa sobre um episódio da luta contra a Ditadura salazarista e a afirmação dos oposicionistas no contexto internacional, sobretudo Henrique Galvão, durante os anos seguintes ao acontecimento.

Para acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

MARIA LAMAS (Parte II)

A escritora dirige, a partir de 1928, a convite de Ferreira de Castro, a secção “O Reino dos Miúdos”, da Civilização Magazine, que se publica até 1932. Nesse mesmo ano surge também a possibilidade de assegurar a direcção da publicação Modas & Bordados, ligada ao jornal O Século, conquistando nessa fase visibilidade e reputação enquanto escritora e jornalista, além de que lhe permitir algum desafogo económico. Manteve-se ligada a esta revista até Junho de 1947, sob a acusação de ser um dos elementos mais activos do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Renova a publicação, conquista novos públicos e consegue transformar a publicação, cuja exploração era deficitária numa publicação lucrativa, entretanto altera-lhe o subtítulo que passa a ser Vida Feminina. Prepara, organiza e divulga a exposição Mulheres Portuguesas – Exposição da obra Feminina Antiga e Moderna de Carácter Literário, Artístico e Científico que fica conhecido como O Certame das Mulheres Portuguesas.

Realizou várias reportagens para O Século, viajando pelo estrangeiro como os escritos que fez sobre Marrocos, Argélia, Gibraltar, mas também sobre a Madeira, entre outros.

Participou também em diversas palestras pelo País, com destaque para as que realizou no Porto, Lisboa, na ilha de São Miguel. Realiza, ainda em 1934, a conferência A Viagem do Espírito nas tardes artísticas de O Século. Torna-se sócia do Sindicato dos Jornalistas, com carteira profissional também neste ano. Organizou várias exposições de arte regional, por exemplo em Lisboa, Porto (no Ateneu Comercial); a exposição de livros escritos por mulheres de todo o mundo realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1947.

Recebe em 1934 a condecoração de Oficial da Ordem de Santiago de Espada atribuída pelo então Presidente da República, Óscar Fragoso Carmona, pelo seu papel em prol das mulheres. No ano seguinte desloca-se à Madeira e aos Açores, onde realiza reportagens, profere conferências. Responde ao Inquérito às Mulheres Portuguesas, organizado por O Diabo em 1936. Nesse ano divorcia-se também pela segunda vez e, novamente, fica com a filha Maria Cândida a seu cargo. Manifesta a sua adesão à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e assume a direcção da secção de Educação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP).

Em 1937, assume a responsabilidade de organizar um ciclo de conferências nos salões do jornal O Século. Leva a efeito também uma exposição de tapetes de Arraiolos, elaborados pelas reclusas na cadeia das Mónicas.

Maria Lamas inicia a sua vida política, em 1945, assinando as listas de apoio à constituição do MUD – Movimento de Unidade Democrática. Nessa mesma época inicia a sua actividade junto à direcção do Comissão Nacional das Mulheres Portuguesas. No ano seguinte é eleita Presidente do CNMP. Em conjunto com Sara Beirão apresenta uma representação à Assembleia Nacional sobre a capacidade eleitoral feminina, prejudicada pelo decreto-lei n.º 35 426, de 31 de Dezembro de 1945. Participa também no primeiro congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM). No ano seguinte assiste ao encerramento da sede da Comissão Nacional das Mulheres Portuguesas por despacho do Governador Civil de Lisboa. Nesse mesmo período organiza, em sociedade com mais dois elementos, a Editora Actuális, onde virá a publicar As Mulheres do Meu País. Participa no II Congresso da Federação Internacional das Mulheres, realizado em Budapeste. Envolve-se de forma decidida na campanha presidencial de Norton de Matos, tendo nessa ocasião participado num comício onde denunciava a política do Estado Novo em relação à mulher e à família.



Em 1949 passa a integrar a Comissão Central do Movimento Nacional Democrático (MND). Nesse mesmo ano foi detida passando algum tempo na cadeia de Caxias e dirige a revista As Quatro Estações. Submetida a julgamento em 1950 acaba por ser condenada juntamente com os restantes elementos da Comissão Central do Movimento Nacional Democrático acabando por ser amnistiada. Realiza a conferência A Paz e Vida. A Polícia Internacional de Defesa do Estado descobre novos envolvimentos de Maria Lamas nas actividades oposicionistas e volta a ser detida em Caxias, onde se manifestam alguns problemas de saúde. Envia correspondência a Oliveira Salazar onde protesta contra a detenção dos elementos dirigentes do Movimento Nacional Democrático. Enquanto dura esta detenção começa a escrever um diário em que narra as condições quotidianas experienciadas na cadeia. Devido a razões de saúde acaba por ser transferida, ainda sob prisão, para o Hospital de Santo António dos Capuchos. No ano seguinte, volta à liberdade e dedica-se à tradução das obras da Condessa de Ségur, João que Chora, João que Ri.

[EM CONTINUAÇÃO]

A.A.B.M.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"OS DEMOCRATAS DE BRAGA. TESTEMUNHOS E EVOCAÇÕES" NO MUSEU BERNARDINO MACHADO

Realiza-se no próximo sábado, 7 de Fevereiro de 2015, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, pelas 17 horas, a apresentação da obra, Os Democratas de Braga. Testemunhos e Evocações, organizado por José Viriato Capela, Henrique Barreto Nunes e Artur Sá da Costa.

Vai apresentar a presente obra, depois da apresentação feita em Braga, o Professor José Tengarrinha.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

O livro reúne 17 depoimentos de democratas que lutaram contra a ditadura no Distrito de Braga e 11 textos memorialistas deixados por outros resistentes antifascistas, como Victor Sá, Lino Lima, Santos Simões, Tinoco de Faria e Eduardo Ribeiro, o único ainda vivo

Dez destes textos pertencem a famalicenses (Lino Lima, Pinheiro Braga, Armando Bacelar, Guilherme Branco e Manuel Cunha, já falecidos), sendo os outros testemunhos agora escritos, por Macedo Varela, Margarida Malvar, Salvador Coutinho, Gouveia Ferreira e Joaquim Loureiro. Artur Sá da Costa escreve a introdução, onde faz uma síntese da história das oposições à ditadura de direita no distrito. 

Para Sá da Costa “a resistência e o combate à ditadura de Salazar e Caetano no distrito de Braga assemelham-se aos que se travaram por todo o país e no exilio. Porém diferentes”. Para este famalicense “as diferenças notam-se na forma e irreverência, mas sobretudo na autonomia organizativa e programática, bem como na capacidade de ação e iniciativa política”, que os democratas de Braga alcançaram nos longos e persistentes combates que travaram contra a barbárie e o totalitarismo.

Este livro, editado pela Universidade do Minho e as edições Húmus, é fruto do programa conjunto das comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril, organizado pelo Conselho Cultural e pelas câmaras municipais de Vila Nova de Famalicão e Barcelos. O então vereador da cultura, Paulo Cunha fez aprovar em 2013, no executivo municipal o projeto comemorativo, o qual englobava outras iniciativas, que não foi possível concretizar. Para o agora Presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha a publicação do livro “Os Democratas de Braga” tem desde logo o significado de que as parcerias entre as universidades e os municípios são de grande importância, permitindo alcançar objetivos dificilmente concretizáveis sem esta unidade de ação. Acresce que esta “recolha e preservação de um riquíssimo património imaterial das gentes de Vila Nova de Famalicão e do Distrito de Braga são um importante contributo para o estudo da história das lutas pela liberdade”. Além do mais, enfatiza o presidente da câmara: “Fico feliz por o livro agora editado reunir materiais (documentos, fotografias etc.) do Fundo Local da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, que estamos a ampliar e a preparar para consulta pública”.

Acrescente-se que no dia da apresentação do livro “Os Democratas de Braga” será inaugurada uma exposição sobre “A imprensa Clandestina durante a ditadura”, a qual faz parte deste projeto conjunto da Universidade do Minho e da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

Mais uma interessantíssima sessão no Museu Bernardino Machado que não podemos deixar de divulgar entre os potenciais interessados no tema em apreço.

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa.

A.A.B.M.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

IN MEMORIAM DE FERNANDO MASCARENHAS [1945-2014]


Vivi o 25 de Abril como homem de esquerda e como administrador do património da Casa de Fronteira e Alorna. Vivi-o dos dois lados. Não foi fácil, mas foi fascinante.” [Fernando Mascarenhas]

Fernando [José Fernandes Costa] Mascarenhas, Marquês de Fronteira e Alorna (e de outros mais títulos) foi uma figura admirável pelo seu humanismo virtuoso, um “aristocrata” de linguagem elevada, dialogante, de uma coerência respeitosa; homem culto, excelente conversador, era de uma curiosa e franca erudição.
Nascido a 17 de Abril de 1945, em Lisboa, de família com tradições liberais [a sua 5ª avó foi a Marquesa de Alorna], filho de Fernando Penalva de Mascarenhas e de Maria Margarida Canavarro Menezes Fernandes Costa, torna-se proprietário do palácio e da herdade da Torre, tendo cedido (quase) tudo á “Fundação das Casas de Fronteira e Alorna” [que representa três importante casas nobiliárquicas: Fronteira, Alorna e Távora], associação cultural, e que a 29 de Julho de 1989 criou, com todo o gosto. Foi seu presidente, tendo organizado vastas actividades  culturais, em especial no âmbito da Historia da Arte, da Filosofia e da História.

Frequentou filosofia na Universidade de Coimbra, tendo terminado a sua licenciatura (tardia), na Faculdade de Letras de Lisboa. Mais tarde lecciona (entre 1979-1988) na Universidade de Évora.

Durante o Estado Novo, ainda estudante, patrocinou reuniões conspirativas contra a ditadura, como a celebre reunião da CDE, em 1969, feita no seu palácio, tomando inequívoca posição contra o regime. Foi candidato às eleições de 1969, no círculo de Portalegre, pelo CDE e pertenceu à direcção do MDP até 1974. Homem de esquerda e latifundiário, curiosamente, no decorrer da luta pela reforma agrária, quando se lhe ocuparam as terras, confessou [ver entrevista] que aceitou o facto “pacificamente”, até porque “não estava a desempenhar o papel de latifundiário com grande convicção”. Foi assessor (1979) do Ministro do Trabalho, Jorge Sá Borges, no governo de Maria de Lurdes Pintassilgo. Por volta de 1980 esteve na fundação do Movimento Social Democrata [MSD], que não teve desenvolvimentos posteriores. Colaborou no periódico “A Rabeca” (1974) e deixou alguns livros, em especial o curioso “Sermão ao meu Sucessor – Notas para uma Ética de Sobrevivência” (2003).

Morreu a 12 de Novembro de 2014.

J.M.M.

terça-feira, 29 de abril de 2014

HISTÓRIA DA OPOSIÇÃO À DITADURA 1926-1974, DE IRENE PIMENTEL

Amanhã, dia 30 de Maio de 2014, pelas 19 horas, no Auditório da FNAC Colombo, em Lisboa, vai ser apresentada a mais recente obra da investigadora Irene Pimentel

Vai apresentar a obra o Professor António Reis.

A extensa obra da Doutora Irene Pimentel, com 774 páginas, foi editado pela Editora Figueirinhas, inclui notas biográficas, fotografias e uma cronologia.

Sobre esta obra já é possível encontrar referências AQUI, AQUI e AQUI. Também AQUI, já se fez referência a esta obra.

A.A.B.M.

terça-feira, 15 de abril de 2014

FRANCISCO XAVIER DA CUNHA ARAGÃO (Parte III)

Em 1924 serve como chefe de gabinete do ministro da Guerra, Ribeiro de Carvalho. Reingressa, a seguir na aviação. Assume as funções de Adjunto da Direcção de Aeronáutica e inspector da nova arma, sendo o responsável pela criação do Conselho Nacional do Ar, onde fica a exercer funções como secretário perpétuo. Foi um dos responsáveis pela criação dos serviços de aviação civil em Portugal.

Em 1926, já com a patente de tenente-coronel, foi nomeado sub-director de Aeronáutica. Com a queda da I República nesse mesmo ano, Cunha Aragão adopta uma atitude expectante face à Ditadura Militar durante algum tempo. Ainda em Dezembro de 1925, tinha sido nomeado para uma comissão que procurava estudar a reorganização militar colonial e a que pertenciam os coronéis Luís Augusto Ferreira Martins, Manuel Rodrigues da Silva Lopes, pelos majores António Germano Ribeiro de Carvalho e pelo capitão Paulo Augusto do Rego e presidida pelo general Massano de Amorim. Logo após a revolução de 28 de Maio (21 de Junho de 1926), a comissão foi demitida e nova comissão foi constituída que era presidida pelo general Ernesto Maria Vieira da Rocha e a que pertenciam também os coronéis Ferreira Martins, António Baptista Júnior, Manuel Rodrigues da Silva Lopes, Aberão César Faria Graça, os majores Genipro da Cunha de Eça Costa Freitas e Almeida, António Leite de Magalhães, entre outros.

Segundo Sarmento Pimentel, nas suas Memórias, já na tentativa revolucionária de Fevereiro de 1927 teria tentado juntar ao grupo dos revolucionários, dois dos homens, que em sua opinião teriam maior influência na zona da Guarnição de Lisboa, que eram precisamente Cunha Aragão e Ribeiro de Carvalho, que nessa altura estariam politicamente próximos de Mendes Cabeçadas e de Cunha Leal. Hesitando muito quanto à posição a adoptar, o certo é que Cunha Aragão faz publicar no jornal Portugal "entendo que não devo ser partidário do actual governo. Considero pernicioso para a República e para o Exército a vitória dos homens que se revoltaram no Porto e os meus deveres de lealdade obrigam-me a cumprir as ordens que me forem dadas"[apud Luís Farinha, O Reviralho. Revoltas Contra a Ditadura e o Estado Novo, 1926-1940, Editorial Estampa, Lisboa, 1998, p. 38]. A situação de Cunha Aragão começa a definir-se mais claramente quando ele se assume claramente como um critico do Acto Colonial, manifestando o seu crescente desencanto com a Ditadura Militar. Concomitantemente, a ordem de prisão de Cunha Leal nos Açores, em Maio de 1930, torna inevitável que um conjunto de militares até ali próximos dele se afastem da Ditadura Militar e passem a defender cada vez mais uma via revolucionária.

O Governo da Ditadura Militar verificando que era importante apaziguar as Forças Armadas, procura reforçar a ligação a um conjunto de figuras de prestígio da instituição, agraciando com várias comendas personalidades que tendo demonstrado a sua fidelidade ao regime republicano, mantinham o respeito pelos objectivos enunciados pela Ditadura Militar. Assim, Cunha Aragão foi agraciado com a Ordem Militar de Avis [Diário do Governo, II Série, nº 256, de 31-12-1927, p. 4408].

A portaria de 26 de Julho de 1928, no governo presidido pelo general Vicente de Freitas, estudava-se a possibilidade de construir um aeroporto nos Açores. Constituiu-se então uma comissão para estudar essa possibilidade, uma vez que a aviação era um meio cada vez mais utilizado para aproximar o continente das ilhas. Essa comissão era presidida pelo general Sinel de Cordes, com a vice-presidência do general Roberto Baptista, como vogais constavam o contra-almirante Gago Coutinho, o capitão de fragata Afonso de Cerqueira, o Dr. Alberto Xavier, como secretário-geral do Ministério das Finanças, o Dr. José Duarte Pedroso, como director dos negócios políticos e diplomáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Dr. Diocleciano Feio de Carvalho, secretário-geral do Ministério do Comércio e Comunicações [Diário do Governo, II Série, nº 171, de 28 de Julho de 1928, p. 2665].

O poder político reconhecendo o poder cada vez maior da aviação decide criar no início de 1929 o Conselho Nacional do Ar [Decreto nº 16 424, de 22 de Janeiro, Diário do Governo, I série, nº 22, de 26 de Janeiro de 1929, p. 289-290) de que Francisco Xavier da Cunha Aragão viria a ser secretário-geral. Este órgão dispunha de amplos poderes em matéria consultiva como transportes, defesa nacional, correios, relações coloniais e comerciais, acordos diplomáticos, entre outros aspectos.

A aviação portuguesa começava a ser reconhecida internacionalmente e Cunha Aragão era um dos pioneiros nessa tarefa. Assim, em Junho de 1929, foi convidado a participar na Comissão Internacional da Navegação Aérea, que se realizou em Paris. Além do aviador português, o Governo português enviou também o Professor José Lobo de Ávila Lima para o assessorar nas questões jurídicas, já que era catedrático na Faculdade de Direito de Lisboa e trabalhava como adido do Ministério dos Negócios Estrangeiros [Diário do Governo, II série, nº 132, 11 de Junho de 1929, p. 1974].

Em 1931, participa na Revolta da Madeira, e sendo tenente-coronel de Aeronáutica, recebe um louvor do ministério presidido por Domingos de Oliveira em 30 de Janeiro de 1931, “pela maneira inteligente, grande dedicação e inexcedível actividade” com que exerceu as funções de secretário do Conselho Nacional do Ar [Diário do Governo, II série, nº 28, 4 de Fevereiro de 1931, p. 414]. Tinha elaborado então um relatório sobre a importância dos Açores para os progressos da Aeronáutica. Foi demitido das suas funções porque passou ao exílio em Espanha e mais tarde a França, onde se juntou aos exilados da Liga de Paris

Durante o episódio revolucionário da Madeira, em 11 de Abril de 1931 percorre alguns pontos da província, lançando panfletos e manifestos onde se apelava à revolta das populações contra a Ditadura Militar. Segundo os relatórios enviados pela embaixada inglesa nesse período e recolhido na obra de João Soares, sobre os acontecimentos, refere-se à fuga do Chefe de Serviço da Aviação (Francisco Xavier da Cunha Aragão) pelo aeródromo da Amadora e às prisões ocorridas, que levaram quase à paragem completa das actividades da aviação [João Soares (recolha e org.), A Revolta da Madeira, Perspectivas & Realidades, Lisboa, 1979]. 

No entanto, as afinidades de Francisco Aragão com as organizações revolucionárias foram recorrentes. Logo em 1932, ele e Ribeiro de Carvalho informam Bernardino Machado de que se encontravam desligados daquele tipo de movimentos. Aproveitando uma suposta amnistia em Dezembro de 1932, muitos exilados e deportados políticos regressam a Portugal, entre eles regressa também o nosso biografado que em Julho de 1933 vem a ser preso e colocado com residência fixa. Volta a reaproximar-se dos movimentos contestatários do regime e desloca-se a Vigo, para participar na reunião realizada em Setembro de 1933, a que assistiram também José Domingues dos Santos, Sarmento de Beires, Ribeiro de Carvalho, o coronel José Mascarenhas e o tenente João Pereira de Carvalho, procurando formar uma "Frente Única", conciliando interesses divergentes e partindo, sobretudo, dos ideais dos líderes políticos exilados em Paris. Em Dezembro desse ano, os chefes revolucionários, entre eles Cunha Aragão, encontram-se em Madrid para retirar conclusões de mais uma tentativa de revolta fracassada em meados de Novembro, em Portugal. Nessa reunião estiveram presentes também Ribeiro de Carvalho, Carlos Vilhena, Júlio Lapa, Prestes Salgueiro e Agatão Lança. Sobre alguns destes episódios podem encontrar-se documentos comprovativos destas situações na CASA COMUM AQUI.

Em 1933 acabou por ser demitido do Exército.

Procurando em permanência reanimar os diferentes grupos revolucionários, em 1935, aproveitando a vitória de Frente Popular em Espanha, muitos conspiradores voltam a sonhar com o derrube da Ditadura em Portugal. Sobretudo no Norte de Espanha concentrava-se um grande número de oposicionistas. Em Abril deste ano, após a constituição do Comité dos Amigos de Portugal, que reunia cerca de três dezenas de personalidades de várias influências políticas que procurava-se organizar várias formas de manifestação para protestar contra as violências cometidas pelo fascismo em Portugal. Uma dessas formas de protesto era a realização de um ciclo de conferências radiofónicas sobre a situação em Portugal. Porém, a intervenção enérgica do embaixador português em Madrid evitou que as conferências a emitir na Union Radio de Madrid tivessem sido canceladas. Segundo Luís Farinha as conferências seriam de Cunha Leal, Cunha Aragão, Agatão Lança e Prestes Salgueiro e estavam previstas serem emitidas entre finais de Abril e inícios do mês de Maio de 1935 [ Luís Farinha, O Reviralho. Revoltas Contra a Ditadura e o Estado Novo, 1926-1940, Editorial Estampa, Lisboa, 1998, p. 239, nota 131].

No entanto, em 1936, com o início da Guerra Civil de Espanha, torna-se complicada a situação dos exilados políticos. Alguns partem para Paris, poucos permanecem em Madrid, outros ainda aproveitam as amnistias de Salazar e regressam a Portugal ou vão para para o degredo para as colónias. Alguns dos resistentes vão defender a completa neutralidade face à Guerra Civil que se desenrolava no País, mas consideravam que havia um perigo eminente de perda de independência tanto de Portugal, como das colónias.

Cada vez mais desiludidos com os constantes fracassos e tentativas falhadas, alguns dos dirigentes revolucionários como Francisco Aragão ou Ribeiro de Carvalho acabam, em Setembro de 1939, por dar por finda a sua luta contra o regime, adoptando uma posição pacífica. Em meados de 1940 vamos encontrar várias dezenas de antigos exilados e antigos conspiradores a regressarem a Portugal. Entre eles encontramos o tenente coronel Cunha Aragão que acabou por ser detido tal como Jaime Cortesão e a esposa, depois do seu exílio em Espanha e França. Foi preso pela PVDE em 27 de Maio de 1940 juntamente com Jaime Cortesão, Álvaro Poppe, Maria Judith Zuzarte Cortesão, quando foi forçado a regressar do exílio em França devido à invasão das tropas nazis.

Depois deixamos de encontrar vestígios da actividade política de Francisco Xavier da Cunha Aragão. Sabe-se que foi casado com D. Georgina Pereira de Vasconcelos, oriunda de uma ilustre família açoriana que nasceu  na Sé de Angra a 2 de Setembro de 1892 e faleceu em Lisboa a 11 de Outubro de 1974. 

Nos anos cinquenta, vamos encontrá-lo na gerência Fábrica de Pirolitos ou Fábrica da Rocha, ainda com interesses na União das Fábricas Açoreanas de Alcool, da Ilha Terceira, quando em 1953, sob a direcção do tenente-coronel Francisco Xavier da Cunha Aragão, o edifício foi adaptado à instalação de novos equipamentos que prolongaram a sua actividade até ao sismo de 1 de Janeiro de 1980, em que foi destruída quase por completo [Valdemar Mota, "A Família Frederico de Vasconcelos na Economia Açoriana e no Museu de Angra", Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 2004, p. 262].

Condecorações recebidas:
- oficial de Legião de Honra;
- medalha de Torre e Espada;
- medalha da vitória com estrela; 
- medalha militar comemorativa da expedição, com a legenda »Sul de Angola, 1914-1915»;
- medalha de prata da classe de de Valor Militar;
- medalha militar de ouro de bons serviços;
- medalha militar de prata de comportamento exemplar;
- grau de cavaleiro, oficial e comendador das Ordens de Avis e de Cristo.
[GEPB, vol. 38,  Lisboa /RJ, p. 470].

Colaborou na Seara Nova, Luso Colonial e pontualmente em outros órgãos da imprensa.

PUBLICOU:
- Tropas Negras : as forças ultramarinas na defesa nacional, Lisboa, Ed. autor, 1926. - 166p.;
- Linhas aéreas em Angola, Lusocolonial,  Nº 16-17 (1928), p. 243-244.

Faleceu em 26 de Fevereiro de 1973.

[NOTAA fotografia que ilustra este texto foi retirada da Torre do Tombo e mostra Francisco Aragão a discursar durante o funeral do general Alves Roçadas em 29 de Abril de 1926 e pode ser encontrada AQUI].

A.A.B.M.

terça-feira, 25 de março de 2014

1969 - MÁRIO VIEGAS NA SEDE DA COMISSÃO DEMOCRÁTICA DO PORTO



“O actor e declamador, Mário Viegas, sempre assumiu um envolvimento activo. Cada poema declamado exaltava à resistência conta o fascismo. — com Pedro Ramajal, Romualdo Passos, Marques Gomes e esposa, Artur "Á Gouche", [José] Pacheco Pereira e Bernardino Pimenta no Porto.”

FOTO via Sérgio Valente Facebook, com a devida vénia

J.M.M.

sábado, 22 de março de 2014

HISTÓRIA DA OPOSIÇÃO À DITADURA 1926-1974



AUTOR: Irene Pimentel;
EDITORA: Edições Figueirinhas, 2014, 774 p. [no prelo]

«A historiadora Irene Flunser Pimentel, autora da “História da Oposição à Ditadura 1926-1974” concluiu que, apesar da constante resistência ao regime, as várias oposições ficam marcadas por uma “cultura de derrota” que se prolongou durante décadas.
“Tratou-se de uma ‘cultura de derrota’, que foi acompanhada pelos erros aparentemente contrários do triunfalismo, do aventureirismo e da passagem voluntarista à ação”, escreve a historiadora (página 622) no livro “História da Oposição à Ditadura 1926-1974”, que vai ser lançado no final do mês.

De acordo com a autora do livro, a derrota da primeira tentativa de golpe do pós-guerra, em 1946/47, deveu-se ao facto de só uma coluna militar ter avançado de forma “voluntarista”, pensando que assim obrigaria outras unidades a acompanhá-la.

Nos casos das revoltas da Sé e de Beja (1959 e 1962 respetivamente) contribuíram de novo para o fracasso fatores como o isolamento político dos participantes, a falta de preparação e organização operacional, erros crassos de avaliação de forças, aventureirismo, deserções e desconfianças mútuas – políticas e pessoais -, nomeadamente as que ocorreram entre civis e militares que, segundo Irene Pimentel, foram incapazes de coordenarem esforços (…)

A investigadora acrescenta agora dois “grandes pilares” que ajudaram a manter o regime: a Igreja e as Forças Armadas.
“Se houve, certamente, espaços de dissidência e resistência em Portugal, a verdade é que a população, no seu conjunto, permaneceu apática e passiva, a ‘viver naturalmente’ e com ‘cada um no seu lugar’ e na sua função, como pretendia Salazar”, sublinha a historiadora»


J.M.M.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SESSÃO DE HOMENAGEM AOS ADVOGADOS DOS PRESOS POLÍTICOS NOS TRIBUNAIS PLENÁRIOS

Promovido pelo Movimento Cívico Não Apaguem a Memória e pela Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, realiza-se amanhã, 28 de Janeiro de 2014, na Sala do Senado da Assembleia da República, pelas 9.30h, a Sessão de Homenagem aos Advogados dos Presos Políticos nos Tribunais Plenários.

Na sessão estarão presentes com intervenções:
- Irene Pimentel;
- Francisco Teixeira da Mota;
- Mário de Carvalho;
- Jorge Sampaio;
- Elina Braga;
- António Borges Coelho.

Uma sessão a acompanhar com toda a atenção.
Quem não puder estar presente pode acompanhar a sessão no Canal Parlamento que vai transmitir o evento.

A.A.B.M.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

3º CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA – 40 ANOS DEPOIS


1973-2013 3º CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA – 40 ANOS DEPOIS
 
DIA: 7 de Dezembro de 2013
LOCAL: Universidade de Aveiro (Aveiro)
 
 
“Há exactamente um ano, o NAM [Não Apaguem a Memória] decidiu comemorar, em Aveiro, o 40º aniversário do 3º Congresso da Oposição Democrática.
 
 Cá está, numa parceria com várias mãos! Marquem na agenda, que o resto é connosco (transporte a partir de Lisboa, já em organização).
 
 Esta é a Comissão Organizadora:
 
- Centro de Documentação 25 de Abril
 
- Centro de Estudos de Hist Contemporânea do ISCTE
 
- Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Univ de Coimbra
 
- Centro de Estudos Sociais da Univ de Coimbra
 
- Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Univ de Aveiro
 
- Instituto de História Contemporânea da FCSH da Univ Nova de Lisboa
 
- Não Apaguem a Memória (NAM)
 
- Seara Nova
 
- Delfim Sardo
 
- João Marujo"
 
 
 
 
J.M.M.
 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

SÍLVIO LIMA [1904-1993]


Não há maior tortura que a solidão forçada” [Sílvio Lima – citado por Carlos Leone]

Sílvio Lima [Sílvio Vieira Mendes Lima] nasce em Coimbra a 5 de Fevereiro de 1904. Depois de fazer os seus estudos secundários [escreve um livro de poemas, "Maldades", 1921] ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, mudando posteriormente para a Faculdade de Letras, onde se licencia (9 de Julho de 1927) em Ciências Históricas e Filosóficas, com o seu incontornável "Ensaio sobre a ética de Guyau nas suas relações com a crise moral contemporânea".

Segue os estudos académicos [sob proposta do dr. Joaquim de Carvalho – de que foi assistente - e curiosamente de Gonçalves Cerejeira, com quem polemiza mais tarde – vide o ensaio filosófico, “Notas críticas ao livro do Sr. Cardeal Cerejeira, A Igreja e o pensamento contemporâneo”, Livraria Cunha, 1930, livro aliás, que, pela sua posição crítica, conduz a exoneração posterior de Sílvio Lima da Universidade], onde atinge raro brilhantismo na área da psicologia, estudando a “problemática da vida do inconsciente” (área pouco comum de análise académica), frequenta estágios no estrangeiro [Paris, Genebra, Bruxelas] e apresenta a sua dissertação para Doutor, com o tema, “O problema da recognição – estudo teórico-experimental”, nas provas do dia 29 de Junho de 1929, com aprovação de 19 valores. Torna-se professor auxiliar de Ciências Filosóficas [onde rege a cadeira de Psicologia Escolar e Medidas Mentais, na secção de Ciências Pedagógicas] em 1931. O ex-estrangeirado Sílvio Lima irá marcar o estudo e o ensino das ciências sociais em Portugal. O seu livro (raríssimo), logo apreendido pela censura, “O Amor Místico. Noção e Valor da Experiência Religiosa” (vol I) [Impr. U. Coimbra, 1935] trouxe ao debate anti-dogmático [temerário, diga-se, pelo impacto que teve na época] que manteve com o cardeal Cerejeira [seu antigo proponente, à iniciação académica] o inefável cónego Trindade Salgueiro [na altura professor de teologia no Seminário e mais tarde bispo de Elvas], que, de imediato [na revista "Estudos", do CADC, nº 93-96] condenou a obra ["invectivando o racionalismo" e sugerindo uma pretensa filiação maçónica de Sílvio Lima - cf. Miguel Real, Sílvio Lima - Filósofo sem Filosofia] e o autor [como todos os do meio católico fizeram], tornando-o objecto da repressão do regime.  

Republicano [“libertário, na sua perspectiva intelectual e sergiana, de tipo social e reformista” - cf. Luís Reis Torgal, “Estados novos, estado novo: ensaios de história política e cultural”, vol I] colabora no jornal “Gente Nova” [1927-28], órgão do Centro Académico de Coimbra (sob edição de Carlos Cal Brandão, e colaboração de Vitorino Nemésio e Paulo Quintela). Opositor ao regime da ditadura saída do 28 de Maio de 1926, é demitido – com base do Decreto-Lei nº 25317, como aconteceu a outros professores e intelectuais – pelo Estado Novo, do seu lugar da Faculdade, em 13 de Maio de 1935. Afastado de toda a vida escolar e universitária, escreve nos periódicos [O Primeiro de Janeiro, Diário de Lisboa], publica diversos ensaios sobre educação cívica e desporto, sempre numa abordagem filosófica.

É reintegrado [pelo então ministro Mário de Figueiredo, estando na pasta da Justiça o seu cunhado Adriano Vaz Serra] na Universidade a 22 de Janeiro de 1942, aí regendo a cadeira de “Teoria da História” [lições que circulam via sebentas, porque nunca foram publicadas], tendo-se aposentando em 1961. Durante esse período de regresso à Universidade a sua produção teórica na psicologia, pedagogia e teoria da história manifesta-se profícua, com a publicação de novas obras, intervenções em conferências e congressos, revelando mesmo uma curiosa atenção à produção literária nacional, com diversas recensões aos novos escritores.

Democrata, integra em 1945 o MUD, assina petições de oposicionistas presos (caso de Ruy Luís Gomes), fez parte da Comissão Nacional de Defesa da Liberdade de Expressão [cf. Luís Reis Torgal, ibidem], apoia em 1962 a luta dos estudantes da Universidade de Coimbra, participa nas comemorações do 5 de Outubro. Em 1975 (1 6de Abril) é reintegrado como professor catedrático, aposentado, no que foi uma homenagem “ainda em vida” ao professor e intelectual.

Morre a 6 de Janeiro de 1993.

[A CONSULTAR]: Biblos, vol IV, Coimbra, 1979 | Paulo Archer de Carvalho, “Sílvio Lima, um místico da razão crítica (Da incondicionalidade do amor intellectualis”, Impr. U.Coimbra, 2009 | Obras Completas de Sílvio Lima, II vols, FCG, 2002 | Sílvio Lima, por Carlos Leone | Sobre Sílvio Lima, de EduardoLourenço | Sílvio Lima - Filósofo sem Filosofia, de Miguel Real

J.M.M.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"VIVER E RESISTIR NO TEMPO DE SALAZAR", POR ALICE SAMARA E RAQUEL HENRIQUES

Vai ser apresentado, no próximo dia 6 de Julho, em Setúbal, na Casa da Cultura, Sala José Afonso, pelas 21:30 h, a obra de Maria Alice Samara e Raquel Pereira Henriques, recentemente publicada com o título em epígrafe.

Esta obra resulta de um conjunto de entrevistas, de histórias reais na primeira pessoa de quem viveu  e procurou resistir ao poder da ditadura salazarista. 

O evento é promovido pela Associação José Afonso, de Setúbal e conta com a presença das duas autoras.

O convidado para apresentar a obra é o Doutor João Madeira.

Pode ler-se na nota de divulgação da obra:

Este livro nasceu da recolha de histórias de vida através de várias entrevistas que ajudaram a compor um quadro mais completo, abrangente e pessoal do que foi viver no tempo de Salazar, viver em tempos que para muitos foram de silêncio e de medo, mas também de luta e de coragem. E, em certo sentido, de esperança. Cada pessoa entrevistada abriu um mundo, o seu mundo, sendo que a linha transversal a todas as histórias que foram recolhidas é a ideia de resistência, assumida nos seus diferentes significados e práticas. O livro divide-se em duas grandes partes. A primeira diz respeito aos aspetos do quotidiano e às diferentes formas de viver - e sobreviver - no Portugal do século XX. A segunda procura compreender processos de politização, espaços e formas de resistência. Finalmente, em jeito de epílogo, ouvem-se algumas impressões já sobre o 25 de Abril de 1974.


Sobre esta obra, pode ser encontrado um video com entrevista às autoras AQUI.

Uma que se recomenda e que muitos portugueses certamente ainda recordarão. Além disso, convém que a memória se vá preservando e os testemunhos na primeira pessoa são fundamentais.

A.A.B.M.