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quinta-feira, 11 de julho de 2013

CONFERÊNCIA SOBRE A REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1828 (AVEIRO)


[16-05-1956] – “Conferência de Jaime Cortesão sobre a Revolução Liberal de 1828”, no “Salão Aleluia”, Aveiro.

NA FOTO [da esquerda para a direita]: Álvaro Seiça Neves, Júlio Calisto, Jaime Cortesão, Mário Sacramento, M. Costa e Melo e João Sarabando [via Mário sacramento Facebook

► [NOTA] A revolta liberal de 16 de Maio de 1828, organizada e propalada a partir de Aveiro, com evidentes relações à cidade do Porto e outras vilas, é uma resposta ao golpe de estado de D. Miguel, em Março de 1828. Diga-se que já havia uma forte tradição liberal em Aveiro, com a presença de membros ligados ao Sinédrio (revolução de 1820) e de “domicílio” em “Caçadores 10” [cf. Aveiro Berço da Liberdade, de Marques Gomes, 1928]. Marques Gomes refere, mesmo, que estavam no conhecimento da revolta de 24 de Agosto de 1820, o tenente-coronel Luiz Gomes de Carvalho, o desembargador Fernando Afonso Geraldes e o juiz de fora José de Vasconcelos Teixeira Lebre [ibidem].

A revolta liberal, em Aveiro, é pensada e organizada a partir do trabalho desenvolvido por uma curiosa Loja Maçónica [1821-1823- 1828?]

que reunia na “Quinta dos Santos Mártires” [actual Baixa de Santo António] – que possivelmente abate colunas após a devassa por decreto de 20 de Junho de 1823 - e de que faziam parte, entre outros, António de Azevedo e Cunha (Venerável), Francisco Lourenço de Almeida (de Fermelã, Estarreja), Basílio de Oliveira Camossa (irmão terrível), Caetano Xavier Pereira Brandão, dr. Joaquim José de Queiroz e Almeida (avô de Eça de Queiroz, que tem de se exilar; segundo alguns, foi ele o “cérebro” da revolta), Luiz Gomes de Carvalho, dr. Luiz Cipriano Coelho de Magalhães (o pai de José Estevão), Francisco Manuel Gravito de Veiga e Lima (preso e executado a 7 de Maio de 1829), Clemente José de Morais Sarmento (preso e executado a 09/10/1829), Francisco António de Abreu e Lima (preso, condenado à morte e desterrado para Angola, onde morre em 1835), Francisco Silvério de Carvalho Magalhães Serrão (preso e executado a 7 de Maio de 1829) [ibidem; ver, ainda, História da Maçonaria em Portugal, de A. H. O. Marques]

e desencadeada militarmente a partir de “Caçadores 10” [repetindo a revolução de 1820].

O movimento revolucionário, de civis e militares de “Caçadores 10”, parte para o Porto, forma a “Junta do Governo Provisório”, mas não consegue resistir á entrada e cerco das forças miguelistas na cidade, tendo o grosso da tropa fugido para a Galiza, seguindo depois para Plymouth (Inglaterra). A tentativa da revolta tem como resultado a prisão, seguida de execução ou desterro de muitos e o exílio de outros mais.
 
J.M.M. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

MÁRIO SACRAMENTO


"Façam o mundo melhor, ouviram?
Não me obriguem a voltar cá!"

[Mário Sacramento]

J.M.M.

domingo, 11 de março de 2012

MÁRIO SACRAMENTO - AVEIRO 1973



«FAÇAM UM MUNDO MELHOR, OUVIRAM? NÃO ME OBRIGUEM A VOLTAR CÁ!»

Mário Sacramento, in "Carta-Testamento", Inova, Porto, 1973 [ler AQUI]

J.M.M.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MÁRIO SACRAMENTO


MÁRIO SACRAMENTO, "Carta-Testamento", Editorial Inova [direc. gráfica Armando Alves], 1973 ["Inclui ainda intervenções de Óscar Lopes ('Palavras de Óscar Lopes no Enterro de Mário Sacramento'), Álvaro Salema, Fernando Namora, Ilídio Sardoeira, Mário Castrim, Urbano Tavares Rodrigues e Vergílio Ferreira"

"[...] Não que eu faça grande questão do meu bom nome: estou-me nas tintas para ele, depois de morto. Mas, além dele pertencer, também, aos filhos dos Filhos e a estes, pertence aos meus companheiros de jornada. E, que diabo, se passei tantos maus bocados por eles, em vida, é porque considerei que era esse o meu destino. E um homem tem o direito de o defender, mesmo depois de morto!
Fica portanto entendido que sou ateu e como ateu devo ser enterrado. Em vez dum pano preto, ponham um paninho vermelho no caixote, se puderem. E usem luto vermelho, se algum quiserem usar... [...]

Nasci e vivi num mundo de inferno. Há dezenas de anos que sofro, na minha carne e no meu espírito o fascismo. Recebi dele perseguições de toda a ordem – físicas, económicas, profissionais, intelectuais, morais. Mas, que não tivesse sofrido, o meu dever era combatê-lo. O fascismo é o fim da pré-história do homem. E procede, por isso, como um gangster encurralado. [...]
"

via FRENESI.

J.M.M.

domingo, 29 de novembro de 2009

NOS 50 ANOS DE VIDA LITERÁRIA DE FERREIRA DE CASTRO


FOTO - convivas de um almoço íntimo comemorativo dos 50 anos de vida literária de Ferreira de Castro, realizado na Pensão Suíça, em Vale de Cambra.

Da esquerda para a direita: Assis Esperança, Mário Sacramento, Dr. Dulcídio Alegria, Ferreira de Castro, Álvaro Salema e João Sarabando.

in "Mário Sacramento e o neo-realismo", por João Seiça Neves, Aveiro e o seu Distrito, nº 20, Dezembro de 1975.

J.M.M.

MÁRIO SACRAMENTO - NOTA BREVE


Mário Emílio de Morais Sacramento nasce em Ílhavo [Largo do Oitão] a 7 de Julho de 1920. Filho de Artur Sacramento (comissário de bordo da marinha mercante, culto e de biblioteca farta) e de Rita Sarmento, de famílias liberais. Frequenta o Liceu José Estêvão (Aveiro) e dirige (em 1935), sob sugestão do Agostinho da Silva, o jornal dos alunos do liceu ("A Voz Académica") até 1938, tendo sido o jornal posteriormente suspenso e Mário Sacramento (então aluno do antigo 7º ano) tem aí a sua primeira prisão (10 de Junho). Antes, a 7 de Abril, subscreve, na qualidade de presidente dos estudantes, uma mensagem escrita a Homem Cristo, no decurso da homenagem ao jornalista aveirense.

Matricula-se em Medicina em Coimbra, tendo-se mudado posteriormente para o Porto, "a fim de nesta ter Pulido Valente como mestre". Em 1945 é aluno da Universidade de Lisboa, onde completa o seu curso médico. Faz parte da Comissão Central do MUD Juvenil [a sua primeira comissão central era constituída, além de Mário Sacramento, por António Abreu, Francisco Salgado Zenha, José Borrego, Júlio Pomar, Maria Fernanda Silva, Mário Soares, Nuno Fidelino Figueiredo, Octávio Pato, Óscar dos Reis e Rui Grácio] e aproxima-se do Partido Comunista [ou já era mesmo membro ou simpatizante]. Fixa-se na sua terra natal, onde exerce clínica (curiosamente na Rua José Estêvão).

Em 1953 “sofre a segunda prisão de ano e meio, e escreve em Caxias a estimada obra, ‘Fernando Pessoa – Poeta da Hora Absurda”. Volta a ser preso em 1955, e em 1957 abre consultório em Aveiro (em frente ao café Trianon), onde se fixa. Faz parte da comissão promotora do I Congresso Republicano [comissão onde se encontravam outros intelectuais aveirenses, como Manuel das Neves (pres.), Álvaro Seiça Neves, João Sarabando, Júlio Calisto, Armando Seabra, Alfredo Coelho de Magalhães, Manuel da Costa e Melo, Joaquim José Santana, Horácio Briosa] e que decorreu no Teatro Aveirense, dia 6 de Outubro de 1957, sob presidência de António Luís Gomes, ele próprio natural do distrito de Aveiro, e único sobrevivente do Governo Provisório [de referir que é também em Aveiro que o II Congresso Republicano se realiza (15 a 17 Maio de 1969 e já depois da morte de Mário Sacramento) e mesmo o III, então denominado Congresso da Oposição Democrática, em 1973. A realização do I Congresso teve a autorização do então governador civil, Vale Guimarães, amigo pessoal de Mário Sacramento e que era conotado com a linha “reformista” do então regime].

Em 1962 sofre mais uma prisão (a quarta), que cumpre em Caxias. Começa a escrita dos seus “Ensaios de Domingo” (publicada em 1974). Participa (1965), em representação da Sociedade Portuguesa de Escritores, em Itália, no Congresso dos Escritores Europeus.

Em 1969, participa, no que será a sua última intervenção política, nas comemorações do 31 de Janeiro, no Teatro Aveirense. Ainda aparece a impulsionar o II Congresso Republicano, mas a sua morte, a 27 de Março desse ano, impede-o de participar.

Mário Sacramento colabora, ao longo da sua vida, em vários periódicos: Árvore (nº3, em 1952), Bandarra, Colóquio Letras, O Comércio do Porto, Cronos, O Diabo (desde o nº26), Diário de Lisboa, Estrada Larga, Europa, O Litoral, Mundo Literário, Pensamento, Seara Nova, Sol Nascente, Vértice. Como ensaísta e crítico literário (inserido na corrente neo-realista) publica obras estimadas sobre alguns dos mais eminentes vultos nacionais, como Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Cesário Verde, Moniz Barreto ou Fernando Namora.

a consultar: Aveiro e o seu Distrito, nº20.

J.M.M.

sexta-feira, 27 de março de 2009


MÁRIO SACRAMENTO - HOMENAGEM PÚBLICA

Na Biblioteca Municipal de Aveiro, hoje (dia 27, pelas 21,30h)- Sessão Pública de Homenagem a Mário Sacramento, com a participação de AurélioSantos (URAP), Carlos Candal, Jorge Sarabando e Jorge Seabra.

"MÁRIO SACRAMENTO (1920-1969) morreu há 40 anos, sem ver o Portugal livre por que tanto combatera. Médico, escritor, crítico literário, político empenhado e cidadão de corpo inteiro, a morte, pressentida, levou-o cinco anos antes do 25 de Abril, nas vésperas do 2º Congresso da Oposição Democrática, que o homenageou deixando vaga a sua cadeira na mesa da presidência. Em humilde homenagem, deixamos aqui a sua carta-testamento ..."

ler tudo, AQUI

J.M.M.