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domingo, 24 de março de 2024

ECOS DE LONDRES: O INVESTIGADOR PORTUGUÊS EM INGLATERRA, JORNAL LITERÁRIO, POLÍTICO, & C., NOS PRIMEIROS ANOS DA PUBLICAÇÃO, 1811-1813

 


LIVRO: Ecos de londres: o investigador português em Inglaterra, jornal literário, político, & c., nos primeiros anos da publicação, 1811-1813;
Autor: Adelaide Maria Muralha Vieira Machado;
EDIÇÃO: Lema d’Origem, Março de 2024, 134 p.

«A decisão da Comissão Liberato de impulsionar a publicação desta obra sobre os primeiros anos de O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLA-TERRA (1811-1813) assentou na relevância que este periódico teve na vida de José Liberato Freire de Carvalho e vice-versa. De facto, embora Liberato só tenha entrado para a redacção do jornal em 1814, a sua acção nele foi de tal forma importante que as suas vidas e os seus nomes ficaram para sempre indissociáveis. Pode dizer-se que há um INVESTIGADOR antes e outro INVESTIGADOR após a chegada de José Liberato a Londres e ao jornalismo. Ora, para melhor conhecer e até compreender a vida, as ideias e a obra de José Liberato, pareceu-nos interessante dar ênfase e divulgar a "casa" que o recebeu, como nasceu o seu projecto e como cresceu e se consolidou, o contexto político e social cm que se afirmou, os seus redactores e financiadores, a importância crescente em ambos os reinos. Neste Julho de 1811, quando sai o primeiro número de O INVESTIGADOR, José Freire de Carvalho ainda não respondia por Liberato, antes era conhecido por D. José do Loreto, o nome que tinha adoptado quando fora admitido na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em Santa Cruz, Coimbra. O ano de 1811 foí muito acidentado para a vida de D. José do Loreto. No início do ano ainda estava refém e acompanhava o exército de Massena. Em Março, durante o combate de Foz de Arouce, tinha conseguido evadir-se e refugiar-se na casa do seu irmão em Ceira, sendo preso no dia seguinte pela polícia, suspeito de colaboração com os franceses. Seguiram-se dois meses de prisão na cadeia da Universidade e alguns, poucos, meses de liberdade até ser de novo enclausurado em Santa Cruz, às ordens do governo de Lisboa. Foi após esta clausura de cerca de dois anos (durante a qual traduziu os ANAIS de Tácito) que, nos finais de 1813, quando lhe preparavam uma deportação interna para outro convento agostinho, José aceitou ajuda da família Pinto Bastos e evadiu-se para Inglaterra, adoptando o nome de Liberato, honrando a sua própria libertação.

Graças ao seu perfil intelectual (professor, tradutor, bibliotecário) facilmente obteve uma ocupação condizente — redactor de O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLATERRA, a que talvez não fossem estranhas as suas ligações maçónicas iniciadas em Lisboa pelos primeiros anos de 1800, quando se tornara o Spartacus da Loja "A Fortaleza"».

[Palavras Prévias, pela Comissão Liberato, pp.9-10 – sublinhados nossos]

 


►«O aparecimento do Investigador não está oficializado por nenhum documento, mas sabe-se que partiu da iniciativa de Domingos António de Sousa Coutinho, embaixador de Portugal em Londres. Após uma primeira tentativa frustrada de entendimento com o redator do Correio Braziliense [Hipólito José da Costa (1774-1823) foi o redator do Correio Braziliense, 1808-1822, impresso em Londres], o futuro Conde e Marquês do Funchal [Domingos António de Sousa Coutinho (1760-1833), recebeu o título de Conde por serviços prestados à monarquia absoluta, e o título de Marquês por serviços prestados à causa liberal. In, Marques do Funchal, O Conde de Linhares, Lisboa, 1908] decidiu chamar a si a responsabilidade da criação de um novo jornal português em Inglaterra. Nesta tarefa foi assistido por dois exilados, sob a sua proteção: o médico Bernardo José de Abrantes e Castro, e Vicente Pedro Nolasco da Cunha, também médico, mas poeta por vocação

[Nolasco da Cunha (1773-1844) publicou na época, as seguintes obras: Jardim Botânico de Darwin, ou a economia da vegetação, poema com notas filosóficas, traduzido do inglês, Lisboa, 1803; O Tempo de Glória, Lisboa, 1802; O Triunfo da Natureza, Londres, 1809 (dedicado a Domingos Sousa Coutinho); O incêndio de Moscovo, ou a queda de Napoleão, Londres, 1812. No Investigador saíram também impressos, outros trabalhos do poeta, várias odes dedicadas a Filinto Elísio, ao Conde do Funchal e aos generais ingleses vitoriosos em Portugal, para além de traduções comentadas a trabalhos literários publicados na altura em Inglaterra]

e frequentador das suspeitas e perseguidas tertúlias literárias. Esta estranha associação de homens, conseguiu da corte no Brasil através do ministro D. Rodrigo, irmão do embaixador, a concessão de um número mínimo de assinaturas que garantia o financiamento do periódico.

Criado, perante a Corte, para combater os ataques ao governo feitos pelo Correio Brasiliense, defensor da independência do Brasil, seria esta a principal razão da obtenção do subsídio ministerial. […]

O Conde do Funchal, tal como os irmãos, fora afilhado de Pombal crescera sob a sua proteção e mais tarde frequentara a Universidade reformada, onde teve os primeiros contactos com as leituras do século ao privar com José Anastácio da Cunha, a quem sempre admirou tanto quanto detestou os seus algozes. Próximo dos círculos do poder, Domingos António, fez carreira diplomática, completando a sua formação no contacto com a cultura e política europeias. Acabaria por se fixar em Londres, como embaixador, tornando-se um grande admirador das instituições e organização política, inglesas. 

 

O Conde do Funchal tentou ao longo da sua vida conciliar, nem sempre com sucesso, a devoção e real fidelidade à dinastia de Bragança, com a profunda admiração pela realidade inglesa. Daí o envolvimento com os exilados que por Londres passavam, e que acolhia sob a sua proteção. Em termos de política de estado alinhava com os Inglesados, embora a divisão entre estes e os Afrancesados

[A divisão entre Inglesados e Afrancesados passava pelas preferências a nível das alianças externas diplomáticas e comerciais. D. Rodrigo de Sousa Coutinho, futuro Conde de Linhares, era o chefe do partido inglês, António Araújo, futuro Conde da Barca o chefe do partido francês. Sobre o desenvolvimento deste assunto ver, Graça e J.S. da Silva Dias, Os Primórdios da Maçonaria em Portugal, Vol. 1, Tomo II, pp. 421-450].

tivesse perdido a funcionalidade após as invasões francesas e a ida da corte para o Brasil sob escolta inglesa. No entanto, as famílias ou grupos de expressão e as rivalidades delas provenientes, ainda se mantiveram operativos durante algum tempo, em consonância com a composição dos gabinetes de estado. Convém referir, que esta divisão se limitava aos círculos de poder, sem ramificações organizativas ou ideológicas no país, tal como as concebemos, por exemplo, para o período seguinte entre absolutistas e liberais […]

[Adelaide Maria Muralha Vieira Machado, Ecos de Londres …, pp-93-94 – sublinhados nossos]

J.M.M.

sábado, 22 de julho de 2023

O PAQUETE DE MONTESSÃO, N.º 3 (20 JULHO 2023)

 


O Paquete de Montessão. Ano II, 3 (20 Julho 2023); Editor: Comissão Liberato; S. Martinho do Bispo; 2023, 4 p.

Trata-se de um periódico “irregular, amistoso e gratuito” que acompanha a Comemoração dos 250 anos do admirável liberal José Liberato Freire de Carvalho (1772-1822), nascido em Montessão (S. Martinho do Bispo), em 20 de Julho de 1772, curiosamente “no mesmo ano em que o Marquês de Pombal procedia à grande reforma dos estudos da Universidade de Coimbra”.

José Liberato prestou importantes serviços à causa do nosso primeiro liberalismo, assumindo pela sua obra ideológica, política e literária o mais alto espírito de resistência ao contrarrevolucionarismo absolutista, em defesa das ideias liberais, das liberdades constitucionais e de um Portugal moderno.

A Comissão Liberato mantém assim, e uma vez mais, o seu empenho cívico na divulgação da vida e obra de uma das personagens mais marcantes da vida política do oitocentismo português – José Liberato Freire de Carvalho – e sai a público justamente para concluir as atividades deste profícuo ano, onde as iniciativas e o trabalho realizado foram inolvidáveis.

Parabéns à Comissão Liberato.

Honra a José Liberato Freire de Carvalho       


[Tábua deste n.º3]: Um ano de Comemorações do 250.º aniversário de José Liberato | Nota sobre a reedição dos Anais de Tácito, tradução de Liberato, com revisão e anotações da professora Cristina Pimentel e o doutor Ricardo Nobre (UL) | Anotação sobre a Mostra De Loreto a Spartacus, exposição em memória de Liberato, inaugurada na Biblioteca Nacional de Lisboa no dia 15 de Maio (irá decorrer até o final de Agosto) e que contou com uma brilhante conferência por Manuel Pinto dos Santos | Breve nota sobre a republicação do Ensaio Político sobre as causas que prepararam a usurpação do infante D. Miguel em 1828, de José Liberato, editado com o apoio da Pró-Associação 8 de Maio e destinado a ”instituições culturais, bibliotecas e personalidades” | Participação na apresentação do lançamento do estudo Para a História da Representação Política em Portugal. O ‘Direito às Cortes’ no pensamento político-constitucional de José Liberato (1819-1821), de autoria de Vital Moreira e José Domingues, que decorreu na Feira do Livro de Coimbra | Brevíssimo texto sobre Coimbra 1823 (200 anos) acerca da casa e quinta de Montessão, pertença dos familiares de Liberato, ali “à borda da estrada que vai para a Figueira, a meio quarto de légua distante de Coimbra”

J.M.M.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

[DIA 15 DE MAIO - BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL] – DE LORETO A SPARTACUS. MOSTRA DOCUMENTAL E CONFERÊNCIA

 



DE LORETO A SPARTACUS. MOSTRA  DOCUMENTAL  E CONFERÊNCIA


DIA: 15 de Maio de 2023 (16,00 horas);

LOCAL: Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP, Lisboa)

CONFERÊNCIA: Manuel Pinto dos Santos

ORGANIZAÇÃO: Biblioteca Nacional de Portugal | Comissão Liberato 


► A Biblioteca Nacional de Portugal e a ComissãoLiberato patrocinam uma Mostra Documental e Bibliográfica nos 250 Anos do Nascimento de José Liberato Freire de Carvalho (1772-1855).

Esta louvável iniciativa será um tributo mais em homenagem ao vigoroso jornalista, ilustre liberal vintista e reconhecido maçon, nascido em terras de Montessão (Coimbra) – Mostra que decorrerá de 15 de Maio até ao dia 1 de Setembro, deste ano – e será inaugurada com uma Conferência proferida pelo dr. Manuel Pinto dos Santos, à memória dessa figura relevante do nosso primeiro liberalismo.

A não perder!

J.M.M 

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

PORTUGAL E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. OS ARTIGOS DE “O CAMPEÃO PORTUGUEZ EM LISBOA” (1822-23)

 


LIVRO: Portugal e a Independência do Brasil. Os artigos de “O Campeão Portuguez em Lisboa” (1822-23);
AUTOR: José Liberato Freire de Carvalho – pref. de Daniel Estudante Protásio;
EDIÇÃO: Lema d`Origem, Outubro de 2022.

«Na coincidência do bicentenário da Independência do Brasil com as comemorações do 250º aniversário de José Liberato Freire de Carvalho, seria impensável não trazer para o público a opinião política do editor e jornalista que, ao longo de vários números e vários meses, foi espraiando no seu jornal o seu muito saber sobre a roda do mundo e as relações entre os povos, as nações e os seus dirigentes. De uma forma coerente e sistemática, Liberato defendeu as Cortes Portuguesas e as suas decisões, mantendo sempre a primazia dos interesses de ambos os povos, quer fosse a paz, a soberania, o bom comércio e a prosperidade.
O facto de não ser deputado nas Cortes Constituintes de 1821-1822 não o impediu de tentar influenciar a opinião pública e a dos próprios deputados sobre todas as matérias que estavam na ordem do dia, sendo a questão do Brasil uma das mais importantes.» [A Comissão LiberatoDo livro]

►  “ … José Liberato Freire de Carvalho é um homem que atravessa diversas épocas, as do Iluminismo, do Enciclopedismo, do Neoclassicismo, da Revolução Francesa e da Guerra Peninsular. Testemunha a destruição do Antigo Regime em Portugal, a ruína do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, do triénio vintista, da primeira e segunda experiência cartistas (1826-1828 e 1834-1836), do Setembrismo (1836-1839). Vive em primeira mão a experiência da presença das tropas francesas, da Setembrizada (1810), perde um irmão para o Terror Branco miguelista (1833), exila-se em Inglaterra e em França. Traduz os Anais de Tácito e vive de traduzir romances franceses. Vive da escrita. Publica periódicos. Reflecte sobre a política, a sociedade, os ideais, os homens do seu tempo. Produz uma prosa límpida, expressiva, significativa. A convicção das ideias políticas, a inteligência psicológica dos perfis que esboça, enquanto periodista e autor, fazem-no erguer-se até à altura de outros prosadores políticos portugueses: do visconde de Santarém (1791-1856), de Almeida Garrett (1799-1854) e de Alexandre Herculano (1810-1877), os quais ultrapassa em longevidade, permitindo-lhe ganhar uma coerência no testemunho deixado que, por vezes, está ausente na obra de alguns desses pares …” [Daniel Estudante Protásio – Do livro - sublinhados nossos]

J.M.M.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

[COIMBRA] CONFERÊNCIA - JOSÉ LIBERATO, RODRIGO DA FONSECA MAGALHÃES E O PAQUETE DE PORTUGAL (1829-1831)

 


DIA27 de Setembro de 2022 (16,30 horas);

LOCAL: Arquivo da Universidade de Coimbra (Sala D. João III);

ORADORDaniel Estudante Protásio

ORGANIZAÇÃOAUC | Comissão Liberato

A propósito da Exposição que decorre no AUC, JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO: Exposição Documental e Bibliográfica, amanhã, dia 27 de Setembro, pelas 16,30 horas, há lugar a uma CONFERÊNCIA do doutor e investigador Daniel Estudante Protásio sobre José Liberato Freire de Carvalho, Rodrigo da Fonseca Magalhães e o Paquete de Portugal (1829-1831). O periódico da emigração, Paquete de Portugal, foi um dos “constituiu um dos mais incómodos órgãos da imprensa liberal no exílio, noticiando factos ou rumores da vida diplomática e política do Portugal miguelista que complementam outras fontes do conhecimento histórico da época.” José Liberato, curiosa figura “heterodoxa” do nosso primeiro liberalismo, no seu 2.º exílio, colaborou no jornal, juntamente com Rodrigo da Fonseca Magalhães, Marcos Pinto Soares Vaz Preto e José da Silva Carvalho.

A não perder

J.M.M.

sábado, 23 de julho de 2022

VIVA LIBERATO! – NOS 250 ANOS DO SEU NASCIMENTO (1772-2022)

 


Viva Liberato! (20 de Julho de 2022); Editorial Moura Pinto & Comissão Liberato – Capa de Alberto Péssimo; Coimbra, Edição Gratuita (tiragem de 200 exemplares).

Trata-se de um curioso jornal e peça bibliográfica estimada e de grande merecimento, impresso sob os auspícios do Editorial Moura Pinto e da Comissão Liberato (de distribuição gratuita), que acompanha as Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de José Liberato Freire de Carvalho. O periódico saiu a público no decorrer da interessante e cuidada Homenagem a um dos mais distintos liberais vintistas, alevantada pela Comissão Liberato, ao vale do Mondego, e que se tem vindo a realizar. E promete continuar e ilustrar-nos com os seus devotos trabalhos. Vale!


Colaboração: Ana Maria Leitão Bandeira (Procuração de Liberato), Comissão Liberato (Obras publicadas), Daniel Estudante Protásio (José Liberato e a Junta Apostólica), João Pinho (Breve história da Comissão Liberato), José Liberato Freire de Carvalho-capa (Alberto Péssimo), José Liberato Freire de Carvalho (Da força da opinião), José Manuel Martins (Londres e as luzes do exílio), Manuel Seixas (José do Loreto).





NOTA: para ler fazer download

J.M.M.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

[COIMBRA] – JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO. EXPOSIÇÃO DOCUMENTAL E BIBLIOGRÁFICA

 

JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO. EXPOSIÇÃO DOCUMENTAL E BIBLIOGRÁFICA

DIA: 22 de Julho de 2022 (16,00 horas);

LOCAL: Sala de D. João III do Arquivo da Universidade de Coimbra (Universidade de Coimbra);

ORADOR: Luís Francisco Munaro (videoconferência)

ORGANIZAÇÃO: Arquivo da Universidade de Coimbra | Comissão Liberato 

O Arquivo da Universidade de Coimbra e a Comissão Liberato patrocinam uma Exposição Documental e Bibliográfica nos 250 Anos do Nascimento de José Liberato Freire de Carvalho (1772-1855). Trata-se de mais um tributo de Homenagem, das reconhecidas e bem estimadas levadas a bom termo pela incansável Comissão Liberato, à memória do cidadão de Montessão, emérito jornalista e figura relevante do nosso primeiro liberalismo.


Os atos recordatórios têm por finalidade evocar acontecimentos e personalidades que se procuram fazer reviver, contextualizando-os, trazendo-os ao conhecimento das novas gerações, alargando o entendimento que deles fazem os especialistas e conhecedores íntimos dessas vidas e momentos. José Liberato Freire de Carvalho (1772-1855) veio ao encontro do Arquivo da Universidade de Coimbra (AUC) pela mão da Comissão Liberato, particularmente acompanhado pelo Sr. Dr. Manuel Seixas, sugerindo a sua evocação, neste ano em que perpassam 250 anos do seu nascimento. As obras que, recentemente, têm sido lançadas, sobre a sua vida e obra, com particular ênfase na sua atividade como jornalista de opinião, em Londres (nos jornais O Campeão Portuguez, O Investigador Portuguez em Inglaterra e Paquete de Portugal) ou, ainda, a reedição dos seus trabalhos, são bem reveladores de como José Liberato, ainda desconhecido para muitos, abraçou a causa da liberdade de expressão e pensamento e foi fiel aos mais altos valores que regeram a sua vida. Começou a redigir as Memórias da Vida em 1852, aos 80 anos, tendo escolhido uma frase de Plínio (Epistola II) que surge na folha de rosto da obra, só publicada em 1855: «Aqui de que vivi deixo a lembrança».

Foi essa sua lembrança de vida que se procurou seguir, em pesquisa documental no acervo do AUC, começando por trazer a lume os que o ajudaram a formar a personalidade, em ambiente familiar e solidário: seu avô paterno e seu pai, ambos formados na Universidade de Coimbra e seus irmãos. A vocação religiosa, foi decidida em tenra idade. A sua entrada na Congregação dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em idade muito jovem veio a revelar-se uma escolha não desejada. Quando decidiu a secularização, invocou que entrara aos 15 anos para o claustro daquela congregação «sem ter conhecimento das obrigações que devia observar...pelo que tem vivido aflito e descontente», tendo-se ausentado para Londres, onde vivia quando, em 1818, solicitou a secularização. O acervo do AUC, infelizmente, não guarda fundos monásticos íntegros, os quais se fracionaram, por várias instituições, após a nacionalização de bens e extinção das ordens religiosas, em 1834. Por essa razão, não se puderam apresentar documentos que confirmam o ingresso no citado Mosteiro, ou a frequência no Colégio da Sapiência, da mesma ordem religiosa Mas foram selecionados muitos outros documentos que, juntamente com o acervo bibliográfico cedido para a exposição, formam um conjunto documental significativo, evocador de diversos momentos da vida de José Liberato. Entre os diversos trabalhos que preencheram a sua longa vida, estão o de editor, tradutor, parlamentar e também arquivista da Câmara dos Pares.

A sua personalidade íntegra manifesta-se em diversos atos ao longo da sua vida, mencionemos apenas um: renunciou ao seu subsídio de deputado, por ser já remunerado como arquivista e tesoureiro da Câmara dos Pares e não aprovava «a pluralidade de ordenados na mesma pessoa». Aí está, perante visitantes desta exposição e leitores deste catálogo, uma vida que merece ser conhecida, apreciada e homenageada.”

[Ana Maria Leitão Bandeira (Arquivista do AUC) – in Introdução ao Catálogo da Exposição Documental e Bibliográfica]

J.M.M.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

O NASCIMENTO DO JORNALISMO PORTUGUÊS LIVRE. O JORNALISMO LUSO-BRASILEIRO EM LONDRES (1808-1822)

 


LIVRO: O Nascimento do Jornalismo Português Livre. O jornalismo luso-brasileiro em Londres (1808-1822);

AUTOR: Luís Francisco Munaro

EDIÇÃO: Lema d´Origem, Março de 2022.

NOTA: Baseia-se esta edição (2.º ed.) na muito importante tese de doutoramento em História (Universidade Fluminense) de Luís Francisco Munaro. Apresenta um prefácio do professor Guilherme Pereira das Neves. 

LANÇAMENTO:

DIA: 6 de Junho 2022 (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Cultura (Rua Pedro Monteiro, Coimbra);

ORADORES: Prof.ª Isabel Nobre Vargues | Prof.ª Adelaide Machado | Prof.º Vital Moreira | Prof.º Luís Reis Torgal;

ORGANIZAÇÃO: Lema d’Origem, Comissão Liberato, União das Freguesias de S. Martinho e Ribeira de Frades

… Este é um trabalho sobre identidade, uma investigação sobre determinados indivíduos a partir dos vestígios escritos daquilo que viveram, levando em conta que o jornalismo constituiu uma parte fundamental da trama de suas vidas. Visto como herói ou como vilão pela historiografia nacional, Hipólito da Costa inaugurou a produção periódica portuguesa livre da censura. Ao longo de quatorze anos, nos quais viu a arquitetura do Reino luso-brasileiro se retransformar radicalmente, manteve firme o propósito de levar a cabo uma publicação para instruir o público brasileiro. Nada mais ilustrativo, portanto, do que começar e terminar a narrativa com ele, chamado por João Bernardo da Rocha Loureiro de "patriarca" da imprensa portuguesa, ou por Joaquim de Freitas de "Adão" da terra dos periódicos.

Tanto quanto seus colegas portugueses, Hipólito precisou reiventar-se e reinventar a sua escrita para alcançar setores cada vez mais inquietos da população. Entre 1808 e 1822, tempo em que durou o Correio Braziliense, os jornalistas portugueses buscavam inserir a razão iluminista no mundo ibérico ainda governado pelas tradições e pela política do Antigo Regime. Mesmo que mergulhado nesse universo de etiquetas e devoção à Casa Monárquica, Hipólito se envolveu precocemente com a República norte-americana, conheceu o modo de funcionamento dos jornais na Filadélfia e, depois, em Londres, misturou-se aos negociantes que buscavam interagir mais livremente com o mundo britânico. O Correio serve, assim, como um veículo privilegiado para a compreensão da difícil transição do reino que queria incorporar, da forma menos traumática possível, as Luzes de que tanto falavam os philosophes.

Tarefa ingrata, como se perceberá. Tarefa, ademais, impossível de ser com-preendida em sua real dimensão sem que conheçamos mais profundamente a comunidade em que Hipólito estava inserido, seu círculo de interlocutores, sua necessidade de rebater escritos que pregavam a subserviência do Brasil a Portugal ou que panfletavam a causa republicana. Com a firme convicção de que essa produção que estabeleceu as bases do jornalismo lusófono não pode ser entendida isoladamente, buscamos estender a análise para o circuito de interações que envolvia vários jornais publicados no exterior. Jornais tão diversos como O Português, O Espelho, O Campeão, O Investigador, O Microscópio de Verdades, O Padre Amaro, Argus, Zurrague e o efemero Navalha de Figaró, publicados no espaço que vai da invasão de Napoleão na península ibérica até a proclamação da independencia brasileira.

Cada um desses periódicos possui uma identidade que pode ser determinada a partir do conflito criado com os outros. Cada um desses busca criar uma forma particular de se relacionar com o pensamento das Luzes, tornando-o adequado às idiossincrasias intelectuais do reino luso-brasileiro […]

Estes jornais publicados em Londres para o público lusófono, ao serem consumidos, davam aos seus leitores a segurança de estarem sendo lidos concomitantemente por vários indivíduos semelhantes a eles e diferentes dos outros. Eles geravam a possibilidade de criar vínculos imaginados, espaços de fraternidade e discussão intelectual até então impossíveis em Portugal e Brasil. Portanto, criaram um canal de difusão de ideias que ajudou a expandir as sociabilidades portuguesas e garantir alguma variedade nas formas de imaginar o Reino luso-brasileiro. Sobretudo, entre estes jornais, existe uma apreensão que gira em torno dos planos e projetos relativos à sede do Reino luso-brasileiro. Se, na utopia mais cara à época, o reino deveria abrigar os portugueses em ambos os lados do Atlântico, a demora do rei no Brasil gerava um clima de desconforto e orfandade entre os portugueses.

Para Hipólito da Costa, o Brasil também surgia como uma espécie de utopia, um projecto de governo ideal deslocado do tempo e espaço europeus, sugerindo a possibilidade de realização da história portuguesa em sua maior pureza […]

[Luís Francisco Munaro, in Introdução, pp. 17 e ss]


J.M.M.

quinta-feira, 31 de março de 2022

JOSÉ LIBERATO - ASSINALAR A MORTE PARA CELEBRAR A VIDA

 


JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO 
[1772 - m. 31 de Março de 1855]


[Manuel Seixas, Coord. da Comissão Liberato - in Diário de Coimbra]



31 de Março de 2022

QUE VIVA JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO

J.M.M.

segunda-feira, 28 de março de 2022

[31 DE MARÇO – MONTESSÃO, COIMBRA] – INAUGURAÇÃO DO BUSTO DE JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO


NO 250º ANIVERSÁRIO DE JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO - INAUGURAÇÃO DO SEU BUSTO

DIA: 31 de Março de 2022 (18,00 horas);

LOCAL: Rotunda José Liberato (Montessão, S. Martinho do Bispo - Coimbra);

ORGANIZAÇÃO: União de Freguesias de S. Martinho do Bispo e Ribeira da Frades | Comissão Liberato 

A Comissão Liberato, em parceria com a União de Freguesias de S. Martinho do Bispo e Ribeira da Frades, dá, no próximo dia 31 de Março, início à Homenagem a José Liberato Freire de Carvalho no 250º aniversário do seu nascimento, com a inauguração do seu busto, justamente na rotunda em Montessão que tem o seu nome.

A organização, ao longo do tempo, tem-nos proporcionado um conjunto caloroso e inestimável de eventos em memória do ilustre e vigoroso jornalista vintista, a luz brilhante do pregador da causa liberal, que tão bem soube honrar e prestigiar a terra que o viu nascer.

À União de Freguesias de S. Martinho do Bispo e Ribeira da Frades e à Comissão Liberato, a homenagem da nossa simpatia e distinção.

 J.M.M.   

domingo, 11 de outubro de 2020

[CONFERÊNCIA DE RAQUEL VARELA - DIA 13 OUTUBRO NO ISCAC] – “AS REVOLUÇÕES LIBERAIS PORTUGUESAS NO QUADRO DO PORTUGAL CONTEMPORÂNEO”

 


CONFERÊNCIA: As Revoluções Liberais Portuguesas no Quadro do Portugal Contemporâneo;

DIA: 13 de Outubro 2020 (18,30 horas)

LOCAL: Auditório do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC) - COIMBRA

 

ORADORA: Raquel Varela (Historiadora);

ORGANIZAÇÃO: União das Freguesias de S. Martinho do Bispo e de Ribeira de Frades | Comissão Liberato | Pró Associação 8 de Maio | ISCAC

 

NOTA: O ESPAÇO ESTÁ LIMITADO.

 

J.M.M.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

[COIMBRA] “MEMÓRIAS DA REGENERAÇÃO DE 24 DE AGOSTO DE 1820”


LIVRO: "Memórias da Regeneração de 24 de Agosto de 1820” [textos de dois varões ilustres do nosso primeiro liberalismo, José Liberato Freire de Carvalho e José Ferreira Borges] na Cerimónia de Evocação dos 200 anos da Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820 – Café Santa Cruz, em Coimbra.

Recorte do jornal Diário das Beiras, 25 de Agosto de 2020, p. 8, com a devida vénia 

J.M.M.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

[COIMBRA - DIA 24 AGOSTO] – NOS 200 ANOS DA REVOLUÇÃO LIBERAL – APRESENTAÇÃO DO LIVRO, “MEMÓRIAS DA REGENERAÇÃO DE 24 DE AGOSTO DE 1820”



LIVRO: Memórias da Regeneração de 24 de Agosto de 1820;
AUTOR: José Liberato Freire de Carvalho;
EDITORA: Moura Pinto, 2020;

APRESENTAÇÃO DA OBRA:

DIA: 24 de Agosto de 2020 (12,00 horas);
LOCAL: Café Santa Cruz (Praça 8 de Maio), Coimbra;

ORGANIZAÇÃO: Comissão Liberato | Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto | Pró Associação 8 de Maio | Editorial Moura Pinto | Café Santa Cruz

NOTA: O ESPAÇO ESTÁ LIMITADO.

J.M.M.

terça-feira, 5 de março de 2019

A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR PORTUGUÊS: JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO NA DIRECÇÃO DO INVESTIGADOR PORTUGUÊS EM INGLATERRA, 1814-1819



LIVRO: A importância de se chamar português: José Liberato Freire de Carvalho na direcção do Investigador Português, 1814-1819;

AUTORA: Adelaide Maria Muralha Vieira Machado;
EDIÇÃO: Lema d´Origem, Março de 2019.

NOTA: Trata-se da publicação do estimado e importante trabalho de Adelaide Maria Muralha Vieira Machado, para obtenção do grau de Doutor (Abril de 2011) em História e Teoria das Ideias, sob orientação científica da professora doutora Zília Osório de Castro.   

LANÇAMENTO:

DIA: 7 de Março (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Escrita (Coimbra);
ORADORA: Profª Doutora Isabel Nobre Vargues;

ORGANIZAÇÃO: Lema d’Origem, C. M. de Coimbra, Comissão Liberato

“Em Fevereiro de 1819, há 200 anos, encerrou definitivamente o jornal "O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLATERRA", dois meses/números depois da saída de José Liberato Freire de Carvalho da sua direcção e redacção.

Assinalar este facto é igualmente sublinhar a importância de [José] Liberato à frente dos destinos deste jornal, o que apenas aconteceu entre 1814 e 1819. José Liberato, recém exilado em Londres, fugindo da perseguição movida pelo "trono e pelo altar", viria a descobrir nesta sua nova ocupação de publicista/jornalista o meio ideal de difusão das novas ideias e ideais do tempo, bem como de denúncia e combate ao (des)governo da corte no Rio de Janeiro e do consulado persecutório de Beresford em Lisboa.

Um jornal que nasceu para utilidade da corte portuguesa viria a transformar-se, pela pena de Liberato, num dos seus mais incómodos admoestadores” [Comissão Liberato]

A Europa, na viragem do século 18 para o 19, fazia o primeiro balanço das revoluções norte-americana e francesa. Reunidos em Viena, após a derrota de Napoleão, o poder político e a diplomacia europeia procuravam a melhor forma de garantir um justo equilíbrio entre nações, e com ele, novos rumos para a paz na Europa. Ligando a actualidade com as heranças intelectuais dos séculos anteriores, várias propostas foram surgindo, mas cedo se percebeu uma nova realidade, que obrigava a ter em conta as nacionalidades e as respectivas opiniões públicas.

O debate em torno da restauração francesa extravasou largamente o âmbito do congresso e percorreu a imprensa europeia. Com larga expressão nessa imprensa, destacava-se uma corrente moderada e reformista, nascida da primeira fase da revolução francesa e da discussão em torno da Constituição de 1791, que entendia os despotismos, reais ou revolucionários, como algo a evitar. Inserindo-se nessa linha o Investigador Português em Inglaterra, ao abrigo da liberdade de imprensa vigente em Inglaterra, divulgou e participou nesse debate procurando transmitir uma mensagem propedêutica aos portugueses, consubstanciada na defesa da segurança e liberdade individuais, no quadro da monarquia constitucional e sob o império da lei.

Da autonomia do político e do seu discurso, foram-se formando as correntes políticas contemporâneas surgidas precisamente da ligação entre pensamento e acção, entre práticas e teorias políticas. Independente da validade de genealogias futuras, liberais e conservadores vão-se legitimando na procura de respostas moderadas aos desafios que se colocavam à construção de uma sociedade civil livre e participativa, cujas desigualdades sociais e económicas tinham agora a mobilidade de uma justificação moral e política”. [in Resumo da Tese]  

J.M.M.