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domingo, 23 de setembro de 2018

FERNANDO PESSOA, UM RETRATO FORA DA ARCA



Da Resistência a Fernando Pessoa” – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso
Motivos literários, políticos e religiosos ajudam a explicar a lenta, polémica e difícil compreensão do poeta

"Fernando Pessoa, Um Retrato Fora da Arca”, por Zetho Cunha Gonçalves, integra mais de 400 páginas com artigos e depoimentos repartidos em quatro núcleos temáticos: a homenagem da revista “Presença” em 1936, os próximos do seu convívio, o presente da amizade retribuído e as vozes da intimidade comunicantes. Pretende ser “a mais alentada recolha de textos alguma vez dada a público, não só de Fernando Pessoa sobre os seus pares mais próximos, como também, sobretudo daqueles com que eles mais intimamente conviveram humana e literariamente”. É um contributo, sem dúvida, mas não se poderá considerar exaustivo.
A recuperação de textos dispersos principiou com as “Páginas de Doutrina Estética”, coligidas por Jorge de Sena, em 1946, e insere-se, a partir de 1942, no âmbito das obras completas editadas pela Editorial Ática, de Luís de Montalvor. Disponibilizou elementos fundamentais para elaborar as primeiras biografias e estudos críticos. Assinala os primórdios da divulgação ainda muito contestada da produção ortónima e heterónima de Fernando Pessoa.

A escolha para “Um Retrato Fora da Arca” dos dois artigos de Alfredo Guisado no semanário “O Diabo”, de 1935 e de 1936, escritos sob o impacto da morte de Pessoa, e devido a muitos disparates nos jornais e de lamentáveis omissões, merece, todavia, ser completada com a entrevista que Alfredo Guisado concedeu à revista “Autores”, (número 10, de 1960) e que, embora não assinada, é da autoria do diretor e único redator Luís de Oliveira Guimarães.
Ainda sobre Alfredo Guisado aguarda-se, há muito, a colheita e a seleção de centenas de artigos e crónicas acerca do grupo e da geração do Orpheu, no jornal “República”, do qual foi um dos diretores de fins dos anos 40 a fins dos anos 60. Traçou perfis de amigos e companheiros, descreveu episódios desconhecidos, envolveu-se em guerrilhas com Gaspar Simões e Casais Monteiro.
 
 

ERROS CRASSOS
A polémica desencadeada, em 1950, por Gaspar Simões, nos dois tomos de “Vida e Obra de Fernando Pessoa” motivou a crítica pertinente de Augusto Ferreira Gomes, em entrevista de que lemos, agora, alguns excertos reveladores. Todavia, o ataque mais documentado e profundo depara-se em “Fernando Pessoa — Notas a uma Biografia Romanceada”, por Eduardo Freitas da Costa. Pertencia à família, convivera de perto com Pessoa, nos últimos anos. Estava habilitado para rebater opiniões, apontar lacunas e denunciar erros, alguns deles crassos. Por ser um adversário político confesso, João Gaspar Simões recusou-se a proceder às retificações que se impunham em edições posteriores.

A propósito de erros crassos existem outros nas “Páginas Íntimas e de Autointerpretação”, organizadas por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho. São, por exemplo, detetáveis na identificação de Esther Duval, que era a atriz Esther Leão, ou acerca de Carlos Corado, como mais um possível heterónimo de Pessoa. Tratava-se, afinal, de Carlos Celestino Corado, grande contador de histórias de bastidores políticos e culturais, colega de Pessoa no Curso Superior de Letras, bibliotecário do Palácio de São Bento e do “Jornal do Comércio”. Retificou o equívoco Hernâni Cidade, num artigo publicado n’ “O Primeiro de Janeiro”.
AS RESTRIÇÕES DA IGREJA

A igreja católica, durante décadas, formulava as maiores restrições a Fernando Pessoa, enquanto glorificava Mário Beirão, autor do hino da Mocidade Portuguesa e, sobretudo, António Correia de Oliveira, a proposta sempre na manga para um candidato português ao Nobel da Literatura. Uma das vozes mais influentes da igreja, o padre Moreira das Neves, consultor da nunciatura e do episcopado, biógrafo encartado do cardeal Cerejeira, chefe de redação do jornal “Novidades”, órgão diário do episcopado até ao 25 de Abril, depôs no inquérito do semanário “Acção”, mas não foi selecionado para “Um Retrato Fora da Arca”.
Não seria despiciendo divulgar o que, então, disse Moreira das Neves. Reconhecia Fernando Pessoa “um dos poetas mais densos da literatura portuguesa” e, logo a seguir, afirmava perentoriamente: “Crivado de enigmas e com sede de luz, debateu-se entre Deus e o poder das trevas. Daí o hermetismo de muitos dos seus versos e o pendor profético de tantos outros. Lastimo todos os erros que Fernando Pessoa não soube evitar.”

Afonso Lopes Vieira, um dos denominados “mestres da portugalidade”, autor do Avé de Fátima e da Oratória de Fátima musicada, em 1932, por Ruy Coelho, no inquérito da “Acção”, sobre Fernando Pessoa foi categórico: “Quanto à sua vasta obra poética, pelo que conheço, encontro um exoterismo (sic) ou cabalismo que sinto pouco e entendo mal.”
FRASEOLOGIA UNIVERSITÁRIA
Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, até ao fim dos anos 50, fundador e diretor da revista “Colóquio”, até 1975, Hernâni Cidade, colega de Pessoa no Curso Superior de Letras — em texto agora não recuperado do inquérito da “Acção” — ao pronunciar-se acerca de Fernando Pessoa considerava que a sua poesia “procura, acima de tudo intuir os frémitos desconexos, os nevoentos emaranhamentos do mundo interior, em sua atividade subconsciente pré-lógica”.

Esta fraseologia que sempre foi peculiar a Hernâni Cidade, seja a escrever ou a falar sobre Camões, Vieira e outros poetas e escritores clássicos ou contemporâneos, marcou sucessivas gerações de alunos.
A opinião que predominava na Faculdade de Letras de Lisboa, foi alterada por Vitorino Nemésio, catedrático de Literatura Portuguesa Contemporânea. Não sendo um pessoano militante, incitou Jacinto do Prado Coelho a não continuar com a novela camiliana — uma das especialidades do pai, António do Prado Coelho, discípulo de Teófilo — e a preparar a tese Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, concluída em 1949.
 
 

BANDEIRA POLÍTICA
Outro depoimento do insuspeito José Osório de Oliveira que se limitou à “Mensagem”. “Teve, esse livro — acentuou — a pior sorte que em Portugal pode ter uma obra literária; servir de bandeira política”. Muitos “do outro lado, passaram a admirar Fernando Pessoa só no dia em que ele escreveu contra a extinção das ordens secretas”.

Em face de tudo isto a oposição republicana, socialista e comunista, até aos anos 50/60, rotulava Fernando Pessoa de poeta fascista. Tanto mais que publicara, em 1928, a “Defesa e Justificação da Ditadura Militar”. Recorde-se que Pessoa rejeitou este folheto editado pelo Núcleo de Ação Nacional. Com efeito, na nota biográfica, com data de 30 de março de 1935 escreveu: “Deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isto e talvez que repudiar muito.”
A POSIÇÃO DE MÁRIO SOARES

Os preconceitos dos neorrealistas foram, por vezes, ostensivos. Deveriam ser recolhidos e analisados. Mário Soares — companheiro e amigo dos neorrealistas, editado na coleção do Novo Cancioneiro, casado com Maria Barroso, intérprete dos principais poetas do neorrealismo — aproximou-se de Fernando Pessoa “só no exílio em Paris e, fundamentalmente, depois do regresso a Portugal” — confidenciou-me, recordando o forte impacto na sua formação literária e cívica incutido por Álvaro Salema. “A minha visão democrática de Portugal” — prosseguia — “foi alicerçada com a leitura de escritores, poetas e ensaístas dos séculos XIX e XX“. E enumerava: “Herculano e Garrett, Antero e Oliveira Martins, Eça que li e continuei a ler e a reler, até aos intelectuais da República, ao grande escritor da República, Teixeira Gomes, e aos críticos da República, Sérgio, Cortesão e Proença”. A referência era, portanto, a “Seara Nova” e não o “Orpheu”.
Já Presidente da República, numa viagem a bordo do “Sagres”, em agosto de 1986, entre Ponta Delgada, escala nas Berlengas e desembarque no Tejo, aproveitou a oportunidade para, “em contato direto com o mar” fazer uma leitura da “Mensagem”. Leu e gostou muito. Pessoa, para Mário Soares, passou a constituir uma surpresa. Antes o grande poeta era Antero que Álvaro Salema “o obrigou no 7º ano do liceu a ler e a comentar”, na edição dos sonetos prefaciada por António Sérgio. Diversas vezes disse a Mário Soares que não era a obra principal de Pessoa. Respondia-me que “era o único livro que Pessoa editara em português, que teve o cuidado de rever cada poema e que fez a sistematização num todo simbólico”. Procurei lembrar a Mário Soares a opinião do próprio Pessoa sobre a “Mensagem” e que reencontro agora textualmente na famosa e histórica carta a Casais Monteiro sobre os heterónimos: “Não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz com um livro da natureza de Mensagem. Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso — referia Pessoa na mesma carta — e até em contradição com isso, muitas outras coisas.”
 
 

AS DECLARAÇÕES DE ÁLVARO CUNHAL
No Martinho da Arcada, num encontro organizado por Luiz Machado, em maio de 1991, interroguei Álvaro Cunhal sobre Pessoa, a relação de Pessoa com os fascismos europeus e a “Mensagem”. O Pessoa que Cunhal gostava era Álvaro de Campos. Acerca da “Mensagem” — e estou a transcrever um texto gravado — foi ainda mais categórico: “A ‘Mensagem’ é um momento contraditório na obra de Fernando Pessoa. É uma encomenda do Secretariado da Propaganda, do futuro SNI, uma obra para um prémio, fomentada e inspirada por António Ferro.” “É uma obra fraquíssima, porque Pessoa quis conformar a obra poética com a mensagem política. E o resultado foi que a obra poética fracassou completamente. A ‘Mensagem’ — insistiu — é um fracasso.” Fez questão de acrescentar logo: “Mas em Almada Negreiros, um homem profundamente comprometido com a ditadura fascista, eu reconheço o grande desenhador que ele foi. Isto conforma que é preciso saber distinguir a obra de arte do artista e a sua opção política.”

Tentei demonstrar que os poemas da “Mensagem” eram das primeiras duas décadas do século, publicadas em vários jornais e revistas, muito anteriores à fundação do Secretariado dirigido por António Ferro. Imperturbável, Álvaro Cunhal concluiu a rir, “Olhe que não… olhe que não…”

“MALABARISMO” FREQUENTE
Gustavo de Fraga, no mesmo inquérito, promovido pela “Acção” entrevistou — e vem agora na íntegra em “Um Retrato Fora da Arca” — Vieira de Almeida, antigo colega de Pessoa no Curso Superior de Letras, personalidade do maior prestígio intelectual e cívico. Recordo-me muito bem que, ao falar de Pessoa, Vieira de Almeida caía no absurdo de afirmar que “o seu caso não é excecional, pois (António) Feijó também se serviu do heterónimo de Abreu e Lima”, sem distinguir e clarificar a diferença entre pseudónimo e heterónimo. Muito mais grave, ainda, era quando Vieira de Almeida — sem conseguir dilucidar as diversas personas de um “drama em gente” — declarava com veemência: “Pessoa foi, frequentemente, um malabarista. Há na sua poesia malabarismo, ironia… e creio que muitas vezes ele próprio não sabia onde terminava isso e começava algo diferente.”
 
 

DOIS CRIMES DO JORNALISMO
Mesmo em cima da morte e do funeral de Fernando Pessoa, Norberto de Araújo, um dos jornalistas mais celebrados da época e ainda hoje lembrado como “mestre de estudos olisiponenses”, na página semanal que mantinha no “Diário de Lisboa”, enaltecia o teatro de Eduardo Schwalbach e as crónicas de Augusto de Castro — dois diretores do “Diário de Notícias” — com os adjetivos mais retumbantes, enquanto reduzia Fernando Pessoa a uma figura estranha e bizarra, a vaguear nas ruas da cidade (“Diário de Lisboa”, 5- 12- 1935). Não era de esperar outra coisa de Norberto de Araújo e de muitos outros jornalistas. Uma das raras exceções foi António Ferro. Aliás, o próprio Fernando Pessoa, em carta a António Ferro, identificava, na época, o jornalismo português mergulhado em “dois grandes crimes mentais — a lentidão e a tradição”; (…) “o bolor radicalmente póstumo dos Emídios Navarros, Marianos de Carvalho, Eduardo Coelho e quantos mais, de igual estirpe, que pesam no passado do jornalismo presente como calos do abismo.”

Entre os méritos de Fernando Pessoa, um retrato fora da arca, organizado por Zetho Cunha Gonçalves, somos confrontados com testemunhos curiosos. Não deixa de ser interessante conhecer depoimentos que revelam os insólitos motivos literários, políticos e religiosos que determinaram a lenta, difícil e polémica compreensão da obra de Fernando Pessoa até atingir toda a irrecusável dimensão nacional e projeção universal.
Da Resistência a Fernando Pessoa – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 22 de Setembro de 2018, pp. 66/67 – com sublinhados nossos.
 
António Valdemar
 

J.M.M.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

AFONSO RIBEIRO (1911-1993)



"Falar do homem do campo, do trabalhador da terra e esquecer as suas angústias inconfessadas, seus músculos doridos, seu olhar triste - da tristeza horrível que nada aguarda, nada! - parece-me feio embuste"
 
Afonso Ribeiro nasceu a 7 de Janeiro de 1911, em Vila da Rua (Moimenta da Beira). Um dos precursores do denominado Neo-realismo, entendendo a literatura como “instrumento de actuação social” e denunciando sempre a miséria dos trabalhadores e do povo, Afonso Ribeiro teve obra vigorosa, colaborando, também, em várias publicações de matriz neo-realista, como Altitude”, “Sol Nascente”, “O Diabo” ou a revista “Vértice”.
 
O seu livro de novelas Ilusão na Morte, de 1938, é considerado precursor na área. João Pedro de Andrade, no Sol Nascente, considera-a uma “obra de arte”. Professor primário em zonas rurais, o contacto com as desigualdades sociais e com as carências das classes desfavorecidas inspira uma prosa atenta à verosimilhança da fala das personagens, aos seus problemas e escravidões [AQUI]. As suas obras denunciam a miséria moral de proprietários e trabalhadores, proclamando a necessidade de olhar para o mundo rural com diferentes olhos [ibidem].
 
Emigrou, nos anos 50, para Moçambique, mantendo todas as ligações com os escritores neo-realistas, cujos trabalhos divulgou em publicações locais, como Itinerário (1955).
 
Morre em 1993.
 
OBRAS PUBLICADAS: Ilusão da Morte (1938), Aldeia (1943), Trampolim (1944), Escada de Serviço (1946), Povo (1947), O Pão da Vida (1956), Três Setas Apontadas ao Futuro (Moçambique, 1959 - Teatro), O Caminho da Agonia (1959), Da Vida dos Homens (1963), África Colonial (1975), Os Comedores de Fome (1983), A Árvore e os Frutos (1986)
 
FOTOS - AFONSO RIBEIRO | capa do livro “POVO”, Editorial Ibérica, Porto, 1947
 
J.M.M.
 

sábado, 23 de novembro de 2013

JOAQUIM NAMORADO


“Não há grandeza que baste
Quando a desgraça é tamanha!..."
 
Calados, mudo,
No buraco metidos,
Sem coragem de nos mexermos,
De medo transidos,
Sempre despertos os cinco sentidos
Não cheguem lá fora os ruídos
Do mastigar das migalhas
Das mesas caídas;
A vida cobarde a toda a hora agradecida,
Como esmola recebida …
Isto não, não é vida!"
 
 Joaquim Namorado, in “Incomodidade
 
 
J.M.M.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O DIABO. SEMANÁRIO DE CRÍTICA LITERÁRIA E ARTÍSTICA [1934-1940]


O DIABO. Semanário de Crítica Literária e Artística – Ano I, numr espécimen (2 Junho 1934) ao Ano VII, nº 326 (21 Dezembro de 1940); Director: Artur Inês [até ao nº 58, de 4 Agosto 1935], Horácio Virgílio Cunha [do nº 59 ao nº 62], Ferreira de Castro [do nº 63 ao nº 72], Rodrigues Lapa [do nº 73 ao nº 140], Brás Burity [do nº 141 ao nº 159], Adolfo Barbosa [do nº 160 ao nº 236], Guilherme Morgado [do nº 237 ao nº 274] e Campos Lima [do nº 275 ao nº 326]; Propr: Empresa Editorial ‘OMNIA’ (em organização); Editor: João Antunes Carvalho; Gerente: Horácio Virgílio da Cunha; Red., Adm., e Oficinas: Rua da Rosa, 99 a 107, Lisboa, 1934-40, 326 numrs. [foi obrigao a encerrar pela censura fascista]

FOTO (acima): reprodução da capa do número espécimen [2 de Junho de 1934 - edição]

"… O que nós queremos, o que nós pretendemos é oferecer generosamente o nosso esforço, modesto mas honrado, para a obra necessária e imprescindível de uma melhor e mais exacta compreensão entre os homens portugueses.

Para isto torna-se urgente a criação de um espírito crítico, seguro e límpido, honesto e desempoeirado, de que todos temos andado tão arredios. Possuímos ideias e queremos expô-las. Novos e independentes como somos, sem responsabilidades nas imbecilidades passadas ou presentes, desejamos caminhar orgulhosamente para o futuro, com a consciência de que existimos e pesamos na balança …

... No Diabo dos Cristãos o que nos agrada, o que fascina o nosso temperamento moço e rebelde às ideias feitas e mumificadas em séculos de escravidão mental e social é aquele esplêndido e desembaraçado arreganho não conformista que o levou – soberbo Demónio! – à Insurreição contra o parlamento dos anjos ... E porque somos inconformistas pretendemos, por isso, ajudar à salvação das almas dentro das nossas possibilidades modestas, mas bem intencionadas. Satanás que nos perdoe a invocação do seu nome honrado
" [inJanela Aberta”, texto de Artur Inez, no numero espécimen, p.1 - sublinhados nossos]

[Alguma] Colaboração/textos assinados: Abel Salazar, Abílio do Amaral, Adolfo Casais Monteiro, Afonso Duarte, Afonso Lopes Vieira, Agostinho da Silva, Alfredo Guisado, Alice Ogando, Almada Negreiros, Álvaro Cunhal [nº 224, 233, 237, 240, 276, 285, 288, 290], Alves Redol, Amadeu de Freitas (Filho), António Botto, António Navarro, António Pedro, António Ramos de Almeida [nº 176, 225, 226, 229, 238, 250, 258, 259, 271, 313, 315, 318, 320], António Sardinha, António Sérgio [ver Polémica com Sant’anna Dionísio, nº 115 e segs, sobre o pensamento de Leonardo Coimbra], António de Sousa, Antunes da Silva, Aquilino Ribeiro [nº 65, 87, 125, 146, 166, 182, 194], Arlindo Vicente, Armando Ferreira, Armindo Rodrigues, Ary dos Santos, Assis Esperança, Augusto Casimiro, Augusto Ricardo, Aurélio Quintanilha [nº 84], Avelino Cunhal, Belo Redondo, Bento de Jesus Caraça [nº 90, 149, 223, 292, 301], Bourbon e Meneses, Branquinho da Fonseca, Brito Camacho [nº espécimen, 3-11, 13, 17, 61], Câmara Reis, Camilo Castelo Branco [nº 53, 151], Campos Lima, Carlos Amaro, Carlos Ferrão, Carlos Malheiro Dias, Castelão (desenho), Castelo Branco Chaves, Cecília Meireles, Columbano Bordalo Pinheiro, Cristiano Lima, Cunha Leal, Diogo Macedo (arte), Dagoberto Guedes, Dias Lourenço [nº 184, 185, 205, 207, 208], Dinis Jacinto, Diogo de Macedo, Duarte Leite, Edmundo Bettencourt, Eduardo Scarlatti, Emílio Costa, Faure da Rosa, Fernando Lopes Graça (música), Fernando Namora, Ferreira de Albuquerque, Ferreira de Castro, Ferreira de Mira, Fidelino de Figueiredo, Gomes Monteiro, Henrique de Barros, Herculano Nunes, Hernâni Cidade, Homem Cristo [nº 42, 196, 301], Jaime Brasil, Jaime Cortesão, João Barreira (arte), João de Barros, João Falco, João Gaspar Simões, João José Cachofel [nº 224, 230, 246, 257, 324], João Pedro de Andrade, Joaquim Namorado, José Augusto França, José Bacelar, José de Freitas, José Gomes Ferreira, José Lins do Rego, José Régio, José Rodrigues Miguéis, Julião Quintinha, Júlio Dantas, Luís Cardim, Luís de Freitas Branco (música), Luís de Oliveira Guimarães, Manuel da Fonseca, Manuel Mendes [nº 240, 244, 248], Manuel Teixeira Gomes, Maria Archer, Maria Raquel, Mário de Azevedo Gomes, Mário Dionísio, Miguel Torga, Nogueira de Brito, Norton de Matos [nº 152, 157], Norberto Lopes, Piteira Santos, Políbio Gomes dos Santos, Redondo Júnior [teatro, nº 59, 151, 156, 167, 174], Reinaldo Ferreira, Ribeiro de Carvalho, Ribeiro dos Santos, Roberto Nobre, Rodrigo Soares, Rodrigues Lapa, Rolão Preto, Rui de Noronha, Rui Santos, Ruy Luís Gomes, Sant’Anna Dionísio [nº 115, 118, 124, 127], Santiago Kastner (música), Soeiro Pereira Gomes, Stuart Carvalhaes [desenhos, nº 111, 114, 137], Teixeira de Pascoaes, Tomás da Fonseca, Vasco da Gama Fernandes, Vicente Campinas, Victor Hugo, Vieira de Almeida, Vitorino Magalhães Godinho [nº 229, 249], Vitorino Nemésio [nº 38, 40, 44, 49, 80, 86, 123], Zenit, Zola [cf. Daniel Pires, “Dicionário das Revistas Literárias Portuguesas do Século XX”, Contexto, 1986]



FOTO (acima): capa do nº 15 (7 de Outubro de 1934)

"Fez anteontem 24 anos que se implantou a República em Portugal. Não podemos ignorar o facto, porque assinala a História de Portugal e a consciência do país.

Nesta hora de recolhida meditação saudamos nos cambatentes ainda vivos e memória dos bravos que se bateram e morreram nessa jornada de empolgante heroísmo e ilimitada fé nos destinos de Portugal redimido
"

J.M.M.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

EXPOSIÇÃO - ILUSTRAÇÃO E LITERATURA NEO-REALISTA


Exposição - Ilustração e Literatura neo-realista

"Pela sua maior projecção social ligada ao mercado editorial, o livro e os periódicos culturais significaram para o neo-realismo visual português uma espécie de meio privilegiado, onde mais facilmente se podia apresentar o desenvolvimento desse trabalho de ilustração que teve à época uma produção profícua e bastante decisiva na divulgação da estética neo-realista, com destaque para artistas como Júlio Pomar, Manuel Ribeiro de Pavia, Vítor Palla, Cipriano Dourado, Lima de Freitas, ou Rogério Ribeiro. Esta exposição procura assim apresentar alguns dos melhores resultados artísticos e editoriais dessa estreita relação entre artistas e escritores neo-realistas" [ler aqui]

Exposição:19 de Julho e 25 de Janeiro de 2009

Museu do Neo-Realismo: Rua Alves Redol, nº 45, Vila Franca de Xira.

J.M.M.