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sábado, 25 de junho de 2011

MARINHA DE CAMPOS (PARTE III)


Artur Marinha de Campos foi um dos subscritores do manifesto em favor do divórcio ainda em 1909, que corria pelas páginas do jornal O Mundo,conforme se pode ver AQUI.

Sabemos que perdeu dois filhos, um em 1908, facto que é referido numa das cartas a Afonso Costa, e outro em 6 de Julho de 1910, Vasco Marinha de Campos, vítima das consequências de uma cirurgia ao apêndice.

Artur Marinha de Campos passou a exercer as funções de inspector da Previdência Social nos últimos anos da sua vida.

Participou no Congresso Colonial de 6 a 10 de Maio de 1924.

Após a publicação da portaria a suspender o recrutamento de mão de obra para S. Tomé, pela portaria de 11 de Fevereiro de 1925, do Boletim Oficial da colónia (Portaria do Ministério das Colónias), foi nomeado o funcionário Artur Marinha de Campos para ir a Angola e Moçambique.

Colaborações na imprensa:
- Almanaque Cosmopolita para 1900, Tipografia do Comércio, Lisboa, 1899;
O Radical / Artur Marinha de Campos. — Lisboa 1908,ano 1, nº1 a nº 88, de 15 de Agosto de 1908;
- Tribuna de África, Lisboa, 1913;
- A Luta, Lisboa, 1906;
- O Mundo, Lisboa, 1900;
- A Capital, Lisboa, 1910.

Publicou:
- O convenio luso transwaaliano de 1 de Abril de 1909, Lisboa : Typographia Bayard, 1909. - 30 p.
- Sonhava! Quarto centenário da chegada de Vasco da Gama a Callecut, Luanda : [s.n.], 1898. - 8 p. ; 26 cm. - Chegada de Vasco da Gama (navegador português) a Callecut (Índia) descrita em poema.
- Depois da victoria: drama original em 1 acto, Arnaldo Bordalo, Lisboa, 1916, 16 p.
- Ironias de Namorados, Lisboa, 1921 [imitação satírica do livro de Virgínia Vitorino];
Sobre Marinha de Campos:
- Cabo Verde, Abusos, Violencias e Despotismos de Governador Marinha de Campos. Lisboa: Imprensa de Manuel Lucas Torres, 1911.
- Galileu Galilei de Cabo Verde. A propósito de um folheto intitulado “Quatro Meses e Meio de uma administração ultramarina a pontapés ou a administração do Sr. Marinha de Campos” por Azarias Gomes Cabral, Lisboa, 1912.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
- CHORÃO, Luís Bigotte, Política e Justiça na I República, Letra Livre, Lisboa, 2011;
- LEMOS, Mário Matos e, Jornais Diários Portugueses do Século XX. Um Dicionário, Ariadne Editora/CEIS20, Coimbra, 2006;
- REIS, Célia, “Cabo Verde”, O Império Africano. 1890-1930, Coord. A. H. de Oliveira Marques, Nova História da Expansão Portuguesa, Dir. Joel Serrão e A.H. de Oliveira Marques, Editorial Estampa, Lisboa, 2001, p. 103-105;
- RIBEIRO, Aquilino, Um Escritor Confessa-se, Bertrand, Lisboa, 1974
- SERRÃO, Joaquim Veríssimo, A Primeira República (1910-1926), História de Portugal, vol. XI. , Editorial Verbo, Lisboa, 1989.

A.A.B.M.

sábado, 18 de junho de 2011

ARTUR MARINHA DE CAMPOS (Parte II)


[Na imagem, o primeiro número do jornal O Radical, dirigido por Marinha de Campos, em Lisboa, era um jornal matutino, com 4 páginas e seis colunas, propriedade da empresa O Radical, que tinha por administrador J. Pedro Amado e cuja redacção, administração e tipografia se situavam no Poço Novo, 27-2º e a impressão era feita nas Oficinas de F. de Miranda e Sousa, Rua do Salgueiro, 28. Teve uma duração eférmera, visto que só se publicaram 88 números, tendo o último sido publicado em 15 de Agosto de 1908]

Em 1913, Artur Marinha de Campos, já na situação de reforma da Marinha, foi enviado a Moçambique com o objectivo de fazer a concordância entre a prática quotidiana e a legislação existente sobre o problema dos prazos na Zambézia.
Para isso, o titular da pasta das Colónias, Almeida Ribeiro, procurou alcançar um compromisso com três objectivos:

1- a protecção e melhoramento das populações indígenas;
2- o desenvolvimento económico da região da Zambézia;
3- os interesses financeiros e políticos da colónia ou da metrópole.
Para alcançar este objectivo Marinha de Campos devia elaborar um relatório circunstanciado da missão, facto que fez e que foi publicado no Diário do Governo de 30 de Setembro de 1913.

Conforme se pode ver nas imagens que se seguem:












[Em continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

ARTUR MARINHA DE CAMPOS (Parte I)


Oficial da Armada, nasceu em Lisboa em 1871 e m. em I9-X- I930.

Teve um certo relevo na política dos últimos anos da monarquia. Tendo seguido João Franco quando este fazia oposição, combateu-o energicamente quando passou a governar em ditadura.

Aquilino Ribeiro refere-se ao oficial da Marinha portuguesa Artur Marinha de Campos nas suas memórias, onde refere que este franquista, depois irredutível inimigo de Franco quando enveredou pela ditadura, dando à estampa uma carta onde o criticava de forma violenta. Nessa carta, Marinha de Campos, atacava as medidas ditatoriais de João Franco, acusava-o de responder aos parlamentares no Diário do Governo, aos jornalistas no Tribunal da Boa Hora e ao povo o forte de Caxias ou o cemitério dos Prazeres.
Aquando da preparação do golpe que devia terminar com a ditadura de João Franco, Marinha de Campos tornou-se porta-voz do grupo dos revoltosos. Este contactou com Alfredo Luís da Costa onde afirmou que a tropa não sairia enquanto João Franco não fosse afastado ou mesmo eliminado [Aquilino Ribeiro, Um Escritor Confessa-se, Bertrand, Lisboa, 1974, p. 337-338].

Marinha de Campos, um dos mais intrépidos conspiradores contra a Monarquia e tornou-se num dos principais chefes da marinha na revolução de 5 de Outubro de 1910, juntamente com José Carlos da Maia, Ladislau Batalha, Mariano Martins, Vasconcelos e Sá ou Machado Santos. Mostrou-se um grande organizador, demonstrando coragem e tenacidade. Combateu a Monarquia colaborando em diversos órgãos da imprensa escrita, como a Pátria, a Luta e O Mundo, para além de ter sido o director do efémero jornal O Radical entre outras colaborações na imprensa, que adiante referiremos com maior detalhe.

Integrou também o comité revolucionário em que participou Mascarenhas Inglês e os chefes republicanos Alexandre Braga, França Borges e Afonso Costa, além do próprio José de Alpoim e Egas Moniz, facto que lhe permitiu alcançar alguma notoriedade.

Caracterizava-se pelo seu espírito combativo, com poder de liderança, facto que lhe provocou problemas com o Ministro da Marinha Amaro de Azevedo Gomes, já que não reconhecia no ministro qualidades para representar a Marinha no primeiro governo republicano, no entanto devido às suas relações de amizade com Afonso Costa conseguiu a nomeação para Governador de Cabo Verde.


Em 29 de Outubro de 1910 foi feita a nomeação de Marinha de Campos para o cargo de Governador da Província de Cabo Verde, onde tomou posse em 14 de Novembro de 1910, e foi exonerado pelo ministro Azevedo Gomes, em Abril de 1911, facto que provocou profunda polémica entre Brito Camacho e Afonso Costa.

Ao aportar á cidade da Praia, capital da província, o governador, Marinha de Campos, proibiu o desembarque de D. José Alves Martins, sob o falso pretexto de que o povo assim o exigia, por acreditar que o desembarque do Bispo suspenderia algumas das medidas que tencionava implementar.
Tendo chegado à Praia em princípios de Dezembro de 1910, o primeiro Governador da República, Marinha de Campos, proíbe-lhe o desembarque na capital e os seus amigos e correligionários vexam-no de todas as formas, a bordo.

Como resultado, veio a demissão do governador Artur Marinha de Campos. As dificuldades económicas, sociais e políticas do arquipélago permaneciam, quando não agravavam.

Nos cerca de quatro meses e meio do governo de Marinha de Campos em Cabo Verde foi necessário ultrapassar e decidir em momentos delicados, como:
- acabar com a tentativa de revolta da guarnição do Zambeze, que se recusava a cumprir a cerimónia da continência;
- enfrentar a greve dos trabalhadores das carvoeiras;
- combater a intransigência dos gerentes das mesmas companhias, tendo mesmo instruções de Lisboa, para o não fazer;
- o motim dos nativos de Santa Catarina, na ilha de Santiago, que tinham feito saques e roubos em plantações e que se enfrentaram com as forças militares;
- conflitos com o juiz da comarca, Dr. Emérico de Alpoim, com o delegado Gomes de Pinho e com o inspector da fazenda Fontoura de Carvalho que o acusavam de abuso de autoridade e, sobretudo, de fomentar um movimento que podia conduzir ao separatismo;
- expulsão de alguns funcionários coloniais;
- uma sindicância ao seminário-liceu e a suspensão de um professor, o cónego Ferreira Coimbra;
- a prisão do padre Duarte da Graça;
- proibiu a prática dos responsos;
- mandou prender as Irmãs da Caridade, apesar de já estarem secularizadas;
- mudou as elites municipais locais.

Marinha de Campos enquanto governador causava bastante polémica com os seus discursos, com a sua acção política e com as suas convicções. Um dos aspectos que também suscitou bastante polémica durante a sua permanência em Cabo Verde foi com o seu anticlericalismo. Este aspecto fê-lo, no entanto, conseguir o apoio de alguns sectores da sociedade local. Alguns desses apoiantes encontrou-os no jornal A Voz de Cabo Verde. Surgiram também organizações que o apoiaram como os Bombeiros Voluntários da Praia; Centro Democrático Marinha de Campos, no Mindelo, o Clube Republicano Marinha de Campos (Brava).

Toda a acção de Artur Marinha de Campos provocou muita celeuma em Cabo Verde e o próprio acabou por alimentar mais polémica ao afirmar publicamente que, “se estivesse no arquipélago em 1903, aquando da grande fome, se teria revoltado” [Célia Reis, “Cabo Verde”, O Império Africano. 1890-1930, Coord. A. H. de Oliveira Marques, Nova História da Expansão Portuguesa, Dir. Joel Serrão e A.H. de Oliveira Marques, Editorial Estampa, Lisboa, 2001, p. 105 apud João Nobre de Oliveira, A Imprensa Cabo-Verdiana, Macau, 1998, p. 180 e 245 ]

[Em continuação]
A.A.B.M.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

PARTIDO REPUBLICANO


Partido Republicano

Fotografia (por Joshua Benoliel) do directório do Partido Republicano:

da esquerda para a direita, Joaquim Ribeiro de Carvalho (jornalista), Marinha de Campos (ofical da Marinha), José Barbosa, Eusébio Leão, José Relvas, Malva do Vale e Inocêncio Camacho.

Via Arquivo Fotográfico, aliás Ilustração Portuguesa, 1910, 17 de Outubro, p.494.

J.M.M.