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sábado, 24 de setembro de 2016

SIDÓNIO PAIS: ALGUMAS NOTAS SOBRE A INTERVENÇÃO DE PORTUGAL NA GRANDE GUERRA


 
 
LIVRO: Sidónio Pais: algumas notas sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra;
AUTOR: Augusto Casimiro (1889-1967)
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EDIÇÃO: Livraria Chardron, Porto, 1919, p. 347

Augusto Casimiro (Amarante, 1889-Lisboa, 1967) foi um dos mais prolíficos escritores, contemporâneos, a contribuir com títulos sobre a I Guerra Mundial. Este seu Sidónio Pais, editado em 1919, subintitulado Algumas notas sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra, é uma compilação de artigos do autor, publicados no jornal A Vitória, no verão de 1919.

São textos de intervenção e comentário político, já posteriores ao atentado que vitimou Sidónio Pais, mas que giram em torno do que o autor considera as consequências ruinosas de que se revestiu este breve consulado nas condições do Corpo Expedicionário Português na frente de batalha: “o governo, absolutamente desinteressado de nós, deixava sem resposta os telegramas instantes do general Garcia Rosado, sob cujo comando se havia conseguido, contra e apesar do criminoso silêncio de Lisboa, aproveitar, para pôr um remate nobre a tanta miséria, o que restava ainda de fé, de esperança e de patriotismo eficiente, no mutilado, abandonado e mil vezes negado Corpo Expedicionário Português”.

Grande parte dos textos constitui uma contestação expressa à carta de Cunha e Costa no jornal Época, de 29 de Julho de 1919, intitulada “Sidónio Pais!”, e que se estende ao longo de 47 artigos que enaltecem a ação do Presidente, e que podem resumir-se à conclusão afirmada: “Sidónio Pais no capítulo relativo à nossa intervenção na guerra está limpo de toda a suspeição”.

Augusto Casimiro, por seu turno, reúne nas suas apreciações argumentos que tendem para reputar Sidónio Pais de “germanófilo e não intervencionista”, para o que se suporta ainda, no final do volume, em textos de outros autores publicados também n’A Vitória.

 [AQUI DIGITALIZADO - Hemeroteca Municipal de Lisboa]

J.M.M.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

AUGUSTO CASIMIRO (PARTE III)


Colaborador regular de variados órgãos da imprensa periódica, dos quais conseguimos localizar os seguintes: A Águia, Alma Nova (Faro-Lisboa, 1914-1930), Amanhã (Lisboa, 1909), Atlântida (Portugal-Brasil, 1915-1920) Azulejos (Lisboa, 1907-1909), Boletim Geral das Colónias, Coimbra dos Poetas (Coimbra, nº único, 1913), Conímbriga (Coimbra, nº único, 1923), Cultura (Lisboa, 1929-1930), O Diabo (Lisboa, 1934-1940), Diário de Lisboa, Diário de Notícias, O Domingo (Angra do Heroísmo, 1909-1911), Gente Nova (Coimbra, 1912-1913), Gente Nova (Lisboa, 1922-1923), Ideia Livre (Porto, 1911-1916), Ilustração Popular (Porto, 1908-1909), A Manhã (Lisboa, 1917-1922), Mocidade Africana (Lisboa, 1930-1932), A Nossa Revista (Porto, 1921-1922), Notícias da Madeira (Funchal, 1931), Panorama (1940), Portas do Sol (Santarém, 1917), Portucale (Porto, 1928-1966), Portugal em África (1894-1910; 1944-1973), Província de Angola, A Rajada (Coimbra, 1912), A Revolta (Coimbra, 1922-1924), República, Serões (Lisboa, 1901-1911), Seara Nova, Tempo (Lisboa, 1975-1989); Tradição (Coimbra, nº único, 1920), Tríptico (Coimbra. 1924-1925), A Vida (Porto, 1905-1910), Vida Portuguesa (Porto, 1912-1915) e A Vitória (Lisboa, 1919-1922).

Augusto Casimiro colaborou na primeira série de A Águia com o pseudónimo de Maria de Castro (Mário Cláudio, “Um caso singular de Heteronomia: Maria de Castro”, Jornal de Notícias, 22-07-1980).
Prefaciou também a obra de Cruz Andrade, A perdição: contos, Tip. Semedo, Castelo Branco, 1957.

Enquanto estudante em Coimbra fez parte do Orfeão Académico.

Entre outras, publicou as seguintes obras:
Para a Vida, 1906
A Vitória do Homem, 1910
A Tentação do Mar, 1911
A Evocação da Vida, 1912
O Elogio da Primavera, 1912
A Primeira Nau, 1912
À Catalunha, 1914
Primavera de Deus, 1915
A Hora de Nun'Álvares – versos , 1916
Nas trincheiras: fortificação e combate (co-autoria com Mouzinho de Albuquerque), 1917
Nas Trincheiras da Flandres (com desenhos de Diogo de Macedo e Cristiano Cruz), 1918
Sidónio Pais": algumas notas sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra, 1919
Calvário da Flandres: 1918, 1920
Oração Lusíada
Os Portugueses e o Mundo
O Livro das Bem Amadas, 1921
O Livro dos Cavaleiros, 1922
Naulila: 1914, 1922
A Educação Popular e a Poesia, 1922
África Nostra, 1923
Nova Largada – Romance de África, 1929
Ilhas Crioulas, 1935
A Alma Africana, 1936
Paisagens de África, 1936
Cartilha Colonial, 1937
Momento na Eternidade, 1940
Portugal Crioulo, 1940
A Vida Continua, 1942
D. Teodósio II [trad. do castelhano, da obra de D. Francisco Manuel de Melo], 1944
O Segredo de Potsdam, 1945
Lisboa Mourisca: 1147-1947, 1947
Conquista da Terra: Hidráulica Agrícola NacionalNun'Álvares e o seu Monumento
Portugal na História, 1950
S. Francisco Xavier e os Portugueses, 1954
Portugal Atlântico – Poemas da África e do Mar, 1955
Dona Catarina de Bragança: Rainha de Inglaterra, filha de Portugal, 1956
Angola e o Futuro: alguns problemas fundamentaisObra Poética de Augusto Casimiro (prefácio de José Carlos Seara Pereira), Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 2001;
A Ocupação Militar da Guiné, na História da Expansão Portuguesa no Mundo, vol.III, Lisboa, 1942, pp. 359-362.

Augusto Casimiro era casado com Adelina de Sousa Casimiro. Do casamento resultaram os seguintes filhos: Ângelo Zuzarte Cortesão Casimiro, advogado; Pedro Augusto Cortesão Casimiro, médico; Mário Augusto Cortesão Casimiro; Jaime Zuzarte Cortesão Casimiro; Augusto Zuzarte Cortesão Casimiro.

Augusto Casimiro faleceu a 23 de setembro de 1967, em Lisboa. Dias antes tinha sido submetido a uma cirurgia melindrosa no Hospital de Jesus. O seu corpo foi depositado no talhão dos combatentes no cemitério do Alto de São João.

Bibliografia Consultada:
- Farinha, Luís, República, Guerra e Colónias – um “destino” cruzado do devir português, IHC-FCSH, UNL;

- Fraga, Luís Alves de, Do Intervencionismo ao Sidonismo. Os dois segmentos da política de guerra na 1ª República, 1916-1918, Imprensa da Universidade, Coimbra, 2010;

- Leal, Ernesto Castro, MEMÓRIAS DA GRANDE GUERRA (1914-1918) NA “RENASCENÇA PORTUGUESA”, Cogitationes. Filosofia, Artes, Humanidades, Ano I, Nº 03, Juiz de Fora, dezembro/2010 - março/2011

- Matos, Helena, Salazar. A Construção do Mito, 2 vols, Círculos de Leitores, Camarate, 2003;

- Pereira, José Pacheco, Álvaro Cunhal Uma Biografia Política. O Prisioneiro (1949-1960), Círculo de Leitores, Camarate, 2001.

A.A.B.M.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

AUGUSTO CASIMIRO (PARTE II)



Em 1930, Augusto Casimiro ainda procurou estabelecer uma ponte entre o regime republicano e a Ditadura Militar, com o apoio (ou pelo menos com o conhecimento) do Prof. Manuel Rodrigues, então ministro da Justiça. As ideias de Augusto Casimiro sobre as colónias tinham sido expressas em artigos publicados no Diário de Notícias e encontraram algum eco junto de elementos da ditadura como o próprio Ministro da Guerra da época, Namorado de Aguiar que, em privado teria mostrado concordância com as ideias expressas pelo militar republicano.

Devido às suas actividades oposicionistas foi preso em 1 de Abril de 1931, na sequência do seu envolvimento na Revolta da Madeira e julgado tribunal militar especial em 27 de Maio de 1936.

Por se opor ao regime nacionalista, esteve preso na Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, na década de 30, regressando a Lisboa, em 1936, graças a uma amnistia. Um ano depois, foi de novo reintegrado no Exército Português, mas como reserva.

A experiência militar marcou a sua escrita, especialmente em Nas Trincheiras da Flandres (1919) e Calvários da Flandres (1920). Como autor de poesia, ficção e textos de intervenção, em que manifestava a sua filiação no ideário republicano, o escritor publicou ainda, entre outros livros, Para a Vida (1906), A Evocação da Vida (1912), Primavera de Deus (1915), A Educação Popular e a Poesia (1922), Nova Largada (1929) e Cartilha Colonial (1936), obra na qual manifestou o seu desejo patriótico de afirmação de Portugal no mundo.

De referir que Augusto Casimiro foi colaborador da revista Águia e cofundador (1921), dirigente e redator (1961 a 1967) da revista Seara Nova, principal órgão de comunicação que se oponha ao regime de Salazar e ao Estado Novo.

Manteve a sua ligação à oposição democrática ao Estado Novo, tendo integrado o Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.) em apoio à candidatura presidencial de Norton de Matos. Participou em 11 de Novembro de 1950, numa sessão para assinalar o armistício da I Guerra Mundial, sendo um dos oradores convidados da sessão que se realizou no Centro Republicano António José de Almeida, juntamente com Mário Soares, o general Ferreira Martins, Maria Helena Mântua e Alves Redol [vide relato descritivo de Mário Soares in Pacheco Pereira. Álvaro Cunhal Uma Biografia Política. O Prisioneiro (1949-1960), Círculo de Leitores, Camarate, 2001, p. 130-132]. Em 1958 foi um dos apoiantes da candidatura de Arlindo Vicente à presidência da República, sendo membro da comissão central da respectiva candidatura. Fez parte também da tertúlia que reunia na pastelaria Veneza, em Lisboa, nos finais da década de 50 e inícios dos anos 60, onde se juntavam habitualmente Ferreira de Castro, Julião Quintinha, Roberto Nobre, Luís da Câmara Reys, Mário Domingues, entre outros. Privou com Teixeira de Pascoaes (seu conterrâneo), Jaime Cortesão (seu cunhado), Raul Brandão e Raúl Proença, entre outros.

[Em continuação]

A.A.B.M.

AUGUSTO CASIMIRO (PARTE I)


Escritor e militar português, Augusto Casimiro dos Santos nasceu a 11 de maio de 1889, em Amarante. Nessa localidade fez os seus estudos primários e liceais. Aos 16 anos, tendo escolhido a carreira militar, assentou praça no Regimento de Infantaria de Coimbra. Frequentou então estudos universitários em Coimbra e, depois, o Curso de Infantaria da Escola do Exército, de que saiu graduado em 1909. Cedo se revelou como poeta e cronista, estreando-se como autor em 1906 e iniciando a sua colaboração na imprensa periódica na década de 1910. Também por esta altura aderiu aos ideais republicanos.

Cumpriu os preceitos militares, encarando-os como uma forma nobre de servir a sua Pátria. Na sequência desta forma de pensar quando recebeu a incumbência militar de se deslocar a Flandres, com a patente de tenente, granjeou grande prestígio e respeito junto dos seus "companheiros de armas". A sua participação na Campanha da Flandres (1917-18), durante a Primeira Guerra Mundial, valeu-lhe várias condecorações (Cruz de Guerra, fourragère da Torre e Espada, Ordem de Cristo, medalha de Ouro de Bons Serviços, Military Cross, Legião de Honra, Ordem de Avis e Ordem de Santiago) e a promoção a capitão.

Após o termo da Grande Guerra, lecionou no Colégio Militar, sendo de seguida integrado como adjunto na campanha que visava a delimitação da fronteira entre Angola e o então Congo Belga, trabalhando sob a direcção de Norton de Matos, então Alto Comissário da República em Angola. Nesse período foi Governador do Distrito do Congo e Secretário Provincial e Governador interino de Angola (1923-1926). Este período de permanência em Angola, levou-o a escrever largamente sobre temática de carácter colonial.

Augusto Casimiro, ao ser deportado para Cabo Verde na sequência da sua participação na Revolta da Madeira em 1931, quando assumiu a direcção do jornal Notícias da Madeira, que era o órgão oficial dos revoltosos. Enquanto permaneceu em Cabo Verde passou a conhecer de forma mais personalizada a Literatura Cabo-verdiana, que pôde descrever e valorizar como uma nova realidade, juntando para sua cabal interpretação o que já se sabia. Permitiu assim perceber melhor como, na dialéctica contraditória e dolorosa da colonização e da luta anti-colonial, nasceu um encontro mais fraterno de povos e de culturas com base na língua portuguesa. Em 1930 afastou-se da Ditadura, por saber que estava comprometido o seu sonho civilizador em África e por aspirar a uma República democrática. Comprometeu a carreira, sofreu a prisão e o desterro, mas não transigiu.

[Em continuação]

A.A.B.M.

sábado, 11 de novembro de 2006

A VIDA CONTINUARÁ ...


"Quando nos deixam os que admiramos e amamos, sentimo-nos mais pobres, morre alguma coisa em nós. A Morte parece-nos mais próxima e acordamos para ela. Adivinhamos, porém, mais vivos os mais puros, mais imperativos valores e deveres humanos. Porque os nossos mortos fazem-nos a dávida que nunca deixa de enriquecer-nos e aumenta o património da Vida. A que se transmite na corrida para mais longe e para mais alto ao encontro do Sol que vem. A que floresce a cada Primavera (...)

A Vida continuará, e a luta necessária! Continuaremos a lavra e a sementeira, seareiros!"

[Palavras de Augusto Casimiro, na Seara Nova, quando do falecimento de Câmara Reys, in aditamento à Seara Nova, nº 1464, Outubro 1967]

J.M.M.