quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ANTÓNIO MARIA DA SILVA


Aproveitando a efeméride que hoje se assinalava, António Maria da Silva faleceu há 59 anos, o Almanaque Republicano aproveita para completar com mais alguns elementos biográficos a nota que fornecemos AQUI.

António Maria da Silva nasceu em Lisboa, a 26 de Maio de 1872, e veio a falecer a 14 de Outubro de 1950, sendo filho de António Maria da Silva e de Maria da Luz Marques Silva. Casou com Adelina Antónia Marques de Lemos de quem teve uma filha.

Concluindo, em 1892, o curso de Engenharia de Minas na Escola do Exército, ingressa, de seguida, na Escola Politécnica, onde parece ter estado o tempo de formação habitual, visto que, em 1895, entra ao serviço do Ministério das Obras Públicas, para o qual foi nomeado engenheiro-ajudante da Companhia de Minas.

Nessa função, haveria de ser promovido a engenheiro-subalterno e a engenheiro de 1.ª, em 1901 e 1910, respectivamente, ocupando, de permeio, entre 1904 e 1905, um lugar na direcção da Associação dos Engenheiros Civis. Ainda em 1910, torna se director-geral interino da Estatística, para nos anos seguintes assumir os lugares de presidente da Sociedade de Propaganda de Portugal (1911) e de director-geral dos Correios e Telégrafos (1911-1915, 1917-1919 e 1919-1926).

Filiado no Partido Republicano Português ao tempo da Monarquia, a sua acção em prol do derrube deste regime, iniciada em 1907, contra o governo de João Franco, manifesta-se, sobretudo, na clandestinidade, ao serviço da Carbonária. Chega mesmo a ser um dos fundadores da Alta Venda da Carbonária, sociedade secreta criada na sequência do fracasso da revolta de 28 de Janeiro de 1908, que ombreará com outras organizações na preparação do movimento revolucionário. Envolvido nesse objectivo, foi um dos poucos chefes republicanos que participaram activamente no 5 de Outubro de 1910. Implantado o novo regime, a sua carreira assume diversas direcções. Começa por exercer cargos de missão ou de nomeação política, como o de secretário-geral do Ministério do Fomento e o de comissário da República junto da Companhia dos Tabacos, ambos em 1910.

No ano seguinte, toma assento como deputado às Constituintes, por Silves, dignidade em que voltará a ser investido pelo mesmo círculo (1925) e pelo de Lisboa (1915, 1919, 1921 e 1922). Inicia em 1913 uma rica e intensa experiência governativa, ao assumir a pasta do Fomento no governo de Afonso Costa (cargo para o qual já havia sido convidado pelo Governo Provisório), entre 9 de Janeiro de 1913 e 10 de Novembro de 1914, mandato em que fica associado à transformação do porto de Leixões em infra-estrutura comercial. Voltará, novamente pela mão de Afonso Costa, à direcção do Ministério do Fomento, entre 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916, mudando, no dia seguinte, para o Ministério do Trabalho, que dirigirá até 25 de Abril de 1917.

Participa activamente como membro da Junta Revolucionária de 14 de Maio de 1915. Foi perseguido e maltratado durante o período do sidonismo.

No período que se segue à 1ª Guerra Mundial, António Maria da Silva, foi responsável por duas grandes cisões no Partido Republicano Português a de Álvaro de Castro e de José Domingues dos Santos.

A sua governação ficou ainda conhecida pelo desmantelamento do sistema do “pão político” e pela defesa do câmbio do escudo. Após a implantação da Ditadura Militar, distingue-se na oposição ao regime e, por consequência, conhece a prisão, como nos tempos da I República, em 1918. Ao nível partidário, tornara-se chefe do Partido Democrático após o exílio de Afonso Costa, formação a que tinha regressado em 1914, depois de ter chefiado o Grupo Independente desde 1911.

A.A.B.M.

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