sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ANTÓNIO XAVIER CORREIA BARRETO – NOTA BREVE


António Xavier Correia Barreto nasceu em Lisboa a 25 de Fevereiro de 1853. Aos 17 anos (2 de Abril de 1870) integra, como voluntário, o RI16 (Regimento de Infantaria nº16). Em 1874 é promovido a alferes, ao mesmo tempo que frequentava a Escola Politécnica. Em Outubro desse ano transfere-se para a Escola do Exército, para concluir o Curso da Arma de Artilharia [cf. Dicionário de Educadores Portugueses, ASA, 2003, p. 134]. Revelando grande competência, tem uma ascensão rápida na carreira militar, tendo chegado a general em 1914 [ibid.; vide tb. "As Constituintes de 1911 e os seus Deputados" – Nota: não foi possível consultar a sua biografia, publicada recentemente pelas Edições Parlamento, a cargo de Paulo Mendes Pinto et al, e para a qual remetemos desde já o leitor. Diga-se, no entanto, que é o próprio Paulo Mendes Pinto quem faz o verbete para o Dicionário, atrás referido, sob coordenação de António Nóvoa].

Ainda em 1885 (como capitão) é "incumbido de estudar um novo tipo de pólvora, sem fumo, no sentido de acabar com a dependência que o nosso país tinha da pólvora inventada por Nobel em 1863" [Dicionário, 2003]. O êxito foi total, no que resultou pela sua "novidade" chamar-se a essa nova pólvora, a "pólvora barreto". Curiosamente o livro de química por ele editado, "Elementos de Química Moderna" (1874), teve reedições sucessivas, levando mais tarde, por isso mesmo, a ser chamado para o estudo sobre a pólvora, que referimos. Resulta dos seus estudos sobre material de guerra, um conjunto de reformas importantes, desde logo a transferência da fábrica de armas para Chelas, tendo sido seu director.

António Xavier Correia Barreto foi iniciado na maçonaria, em 1893, na Loja Portugal nº 178 do RF

[instalada em Lisboa, justamente em 1893, e que abateu colunas em 1911. Fizeram parte da Loja outros militares, como o capitão José Afonso Palla (participou na rebelião do 31 de Janeiro) e o tenente-coronel Duarte Fava]

com o nome simbólico de "Mercúrio", passando, depois, a integrar a Loja Cap. Acácia, nº 281 (a 26 de Maio de 1911), tendo atingido o grau 7, em 1918 [cf. A.H.O.M] e sendo seu Venerável-Mestre (1911-12).

[a Loja Acácia, em Lisboa, foi criada em 1908 e elevada a Capitular ainda nesse ano. A Loja, onde se destacava o comerciante e republicano José Cordeiro Júnior (n.s. Lutero), teve lugar de relevo na Comissão Executiva de Lisboa, uma das estruturas revolucionarias do 5 de Outubro e onde estavam presentes elementos republicanos, carbonários e maçónicos, sendo que o seu representante foi Manuel Martins Cardoso ("Elias Garcia", n.s.), ele próprio integrando a Comissão de Resistência da Maçonaria, assim como o citado José Cordeiro Júnior].

Já no posto de coronel (1909) aparece no Directório do Partido Republicano e faz parte do Comité Organizador do 5 de Outubro de 1910, juntamente com Cândido dos Reis, Sá Cardoso e Carlos da Maia. Após o 5 de Outubro foi nomeado Ministro da Guerra do Governo Provisório, que mantém até 2 de Setembro de 1911, exercendo de novo a pasta em 1912-13 [16 de Junho, governo Duarte Leite] e, depois, em 1922. No exercício de Ministro da Guerra, em 1910, rodeou-se de um grupo de oficiais, muitos vindos a Loja Portugal, e que constituíram o chamado grupo dos "Jovens Turcos", como Alfredo Sá Cardoso (Alaíde, n.s.),  Álvaro Poppe, Américo Olavo ou Álvaro de Castro. Foi, ainda, constituinte em 1911, tendo sido eleito deputado pelo círculo nº7 de Chaves.

Ainda em 1910, como Ministro da Guerra, inicia a educação e reforma das Forças Armadas e suas instituições militares, sendo de registar alterações importantes no seu aspecto educativo. Para o efeito nomeia uma Comissão [de que fizeram parte, João de Barros e João de Deus Ramos] para elaborar "um projecto de regulamento de instrução militar preparatória" [ibid.], fundando escolas primárias "em todos os Regimentos", valorizando o aspecto educativo ["muito próximo do suíço"], surgindo, assim, em Maio de 1911, sob sua responsabilidade política, o "Instituto Profissional dos Pupilos do Exército de Terra e Mar", ou Instituto de Pupilos do Exercito, com evidente vocação pedagógica e de ensino profissional. Nomeou, então, como professor perceptor Álvaro Viana de Lemos, o padre António de Oliveira, João Lopes Soares.

Exerceu, ainda, os cargos de Director do Arsenal do Exército, Comandante-Geral da Guarda Republicana. Em 1913, ocupa o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Foi candidato à Presidência da República em 1915 e em 1919, mas nunca foi eleito. Foi eleito senador em todas as legislaturas e Presidente do Senado, entre 1915 e 1926. Estava, portanto, como Presidente do Senado quando, na sequência do golpe de 28 de Maio, recebeu uma "deputação de oficiais” que vinha encerrar o Parlamento e lhe foi pedido que o abandonasse. Refere o Diário de Lisboa [15-08-1939], o seguinte: “Mandou buscar o chapéu e a pequena bengala que nunca se separava e veio até ao átrio, onde se despediu, comovidamente, de muitos dos seus correligionários. Depois desceu as escadarias, recebeu o último ‘apresentar de armas’ da sentinela e tomou o carro para a sua residência"

Morre em Sintra a 15 de Agosto de 1939.

J.M.M.

1 comentário:

José Manuel disse...

Creio que o Cor. Correia Barreto, nas eleições Constituintes de 28 de Maio de 1911, foi eleito deputado pelo círculo do Porto e não pelo de Chaves.