segunda-feira, 5 de abril de 2010

CONFERÊNCIA DE JOSÉ ADELINO MALTEZ EM CONDEIXA-A-NOVA



Hoje, pelas 18 horas, realizou-se no Salão Nobre do Paços do Concelho, em Condeixa-a-Nova, a conferência do Prof. Doutor José Adelino Maltez, que ontem anunciámos.

A apresentação e organização deste evento contou com a colaboração do músico e escritor José Fanha, também presente na ocasião. Numa sala bastante bem composta de assistentes, onde não podemos deixar de assinalar a presença do Dr. António Arnaud e muita população anónima, curiosa para ouvir expor as principais ideias do ilustre professor.

O conferente, natural de Cernache, freguesia do concelho de Coimbra, limítrofe com Condeixa-a-Nova, esclareceu desde logo que politicamente se definia como monárquico, mas que convivia bem com a República actual.

Entrando propriamente no tema, o Professor Adelino Maltez começou por esclarecer o que entende por Maçonaria e por definir a Carbonária. Relembra a Carbonária surgiu em Nápoles, como forma de resistir e combater a invasão napoleónica. Na mesma época, em Portugal, surgem os alicerces da resistência à invasão francesa com José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), que mais tarde vai estar ligado à independência e fundação do Brasil. Anos mais tarde (1833), surge nova choça da Carbonária em Angra do Heroísmo; no ano seguinte instala-se outra em Lisboa; depois de um período de interregno, ressurge em 1848, ligada a figuras como José Estêvão, António de Oliveira Marreca, entre outros; mais tarde, em 1862, ligado ao Partido Regenerador surge uma nova Carbonária, liderada pelo padre António de Jesus Maria da Costa (BP Ganganelli); finalmente, aquela que mais directamente interveio nos acontecimentos de 5 de Outubro de 1910, surge em 1897, criada por Luz de Almeida e António Maria da Silva.

A publicação de O Meu Depoimento, de António Maria da Silva revela-se de fulcral importância para se compreender o carácter místico desta sociedade. Na opinião do ilustre professor, “os portugueses são dotados de um grande misticismo”, esta característica advém da base popular, do apoio do povo. Aproveita para homenagear um homem da terra, que conheceu pessoalmente e que considera bastante esquecido: o Dr. João Simões Pereira Ribeiro (1926-1981), médico, com grande actividade como opositor ao Estado Novo, conspirador que acabou por ser julgado em Coimbra já depois de 25 de Abril de 1974. Este médico foi homenageado pela Câmara Municipal de Condeixa em Julho de 2007, por iniciativa da URAP.

Recorda também, e homenageia, a memória da sua esposa, recentemente falecida, também ela com ligações a Condeixa-a-Nova, por ser trineta de Francisco de Lemos Ramalho, personalidade ligada ao miguelismo e à Patuleia. A quem os franceses pouparam o edifício, devido à filiação maçónica do proprietário e do general francês que mandou incendiar Condeixa.

Muitas personalidades acabam por estar ligadas, de uma forma ou outra à Maçonaria, foram referidas na reflexão como Mouzinho da Silveira, na sua opinião, o criador do Estado Moderno em Portugal; Rodrigo da Fonseca Magalhães, principal responsável pela fundação do concelho, que não esconde a influência maçónica, presente na simbologia heráldica do brasão (por ex.: acácia e romã). Alexandre Herculano, que se assinala o bicentenário do nascimento ou Vicente Ferrer de Neto Paiva, importante professor e jurisconsulto português do século XIX .

Lembra ainda o problema destas sociedades, porque secretas ou discretas, levantam muitas suspeitas. Facilmente se criam teorias da conspiração, porque o segredo é um aspecto fundamental destas sociedades. Relembra a publicação da lei de proibição das sociedades secretas, da autoria de José Cabral, em 1935, quando o Estado Novo começou a obrigar, sob juramento, que todos os funcionários públicos jurassem que não pertenciam ou viriam a pertencer às ditas sociedades. Porém, estas sociedades, e, em particular, a Maçonaria, manifestam espiritualidade, filosofia e demonstram o pensamento humanista que as transcorre. A religiosidade popular enforma-se muitas vezes de heresias que se vão conciliando com elementos de diferentes.

O Professor José Adelino Maltez, chamou a atenção para uma das características basilares do povo português e razão de fundo para se compreender alguns dos fracassos da República: a ruralidade. A sociedade rural portuguesa tão bem retratada por Júlio Dinis nos seus romances A Morgadinha dos Canaviais ou As Pupilas do Sr. Reitor, prezava muito o conceito liberdadeiro. Os republicanos nunca conseguiram compreender essa sociedade ruralizada, mais receavam-na e tentaram manietá-la, impedindo-a de se expressar em eleições. Foi esta ausência de noção de liberdade, associada a problemas como o conceito de “Segredo de Estado” que permitiram manter algumas situações de penumbra, que vão afectando cada vez mais a nossa democracia e resultam numa crescente tensão na sociedade portuguesa.

Na opinião deste ilustre politólogo, todas as organizações possuem uma certa organização ritual que envolve algum segredo. Torna-se portanto necessário realizar uma etapa de iniciação para ultrapassar o vazio espiritual. Por fim, a espiritualidade de algumas organizações manifesta-se através do aspecto funcional, os gestos; pela vivência; e, pela linguagem utilizada. A Maçonaria, como organização, é como uma floresta, mas por vezes tendemos a confundir algumas árvores com o todo, facto que não corresponde à verdade. Refere-se ainda à análise de Edmund Burke, influente maçon inglês.

O conferencista termina tal como iniciou relembrando a ligação à terra dos portugueses. Na sua opinião um povo individualista, místico, muito apegado à terra. Recorda a este propósito o envolvimento dos seus antepassados nas lutas pela terra, na consolidação da noção de propriedade. Este facto originou, em 1936, uma revolta em Cernache, entre agricultores e moleiros, devido à utilização da água, facto que conduziu à prisão o seu avoengo. Em seu entender, “Portugal é um País livre, porque é minifundiário”, constituído por donos de pequenas parcelas, que garantem a sua liberdade porque asseguram a subsistência através das terras e das águas.

Na parte final, a assistência presente colocou diversas questões que gostariam de ver clarificadas por parte do conferente, tendo os trabalhos terminado cerca das 20.30h.

A.A.B.M.

6 comentários:

Anónimo disse...

terça-feira, 6 de Abril de 2010
AFONSO COSTA, O «RACHA-SINDICALISTAS»

«O republicanismo sempre foi uma realidade minoritária, pequeno-burguesa, essencialmente urbana, portanto geográfica e sociológicamente localizada, não se estranhando por isso que o seu poder fosse por vezes mais passivamente consentido que activamente apoiado (...). Entalado à direita pela ameaça da contra-revolução, à esquerda pela ameaça da revolução social, o republicanismo viu-se condenado a continuar a tendência para a crispação do poder (...). O hegemónico Partido Democrático de Afonso Costa iniciou assim uma verdadeira política de "terra queimada". À direita, procurando desacreditar as facções republicanas Unionista e Evolucionista e reprimir qualquer sinal de conspiração monárquico-clerical (...). À esquerda, respondendo com um crescendo de hostilidade às reivindicações operárias, o que muito azedou as relações entre o sector do trabalho e o poder democrático de Afonso Costa, significativamente cognomizado de "racha-sindicalistas"».

in José Miguel Sardica, «A Dupla Face do Franquismo na Crise da Monarquia Portuguesa», Edições Cosmos, 1994, pág. 101.

Publicada por João Afonso Machado em Terça-feira, Abril 06, 2010 4

Anónimo disse...

Viva Dom Durte e a dinastia de Bragança! Viva a Monarquia!
Quem apaga comentários de monárquicos só prova que tem medo deles

Um monárquico!

Almanaque Republicano disse...

O anónimo contumaz, acima encabestrado, nessa sua faina de talassa crispado revela bem o magistério da sua tragédia: não é edificante na escrita, não é obreiro de inovação, não é elevado na espiritualidade. O anónimo tresmalhado martela inutilmente recócós conhecidos. Nada de novo, para tão grosseiro espinotear.

O inútil anónimo, chato e grotesco, quer é “conversa”. Acontece que esse “bel-canto” não se compadece com idiotias ou um qualquer charivari. Não somos de companhia, como diria mestre F. Pessoa. Nem vale a maçada! Seria melhor que as burricadas do nosso folião despertassem (nele & na sua gentana) para o interesse e divulgação, ou mesmo a exortação, de alguns sublimes indivíduos que souberam elevar o magistério monárquico. Talvez essa solicitude os tornassem dignos e de espaço conversável. E, assim, sem a ignorância “moderna” que ostentam & a vazia “louçania na lapela” com que besuntam a casa de outros, talvez fossem Homens. E não a garotada ociosa que são. Nihil novi sub sole.

J.M.M.

Anónimo disse...

Boa, boa, Almanaque. Continuem com essa linguagem e elevação. Viva a República e os insultos que profere!

Anónimo disse...

Viva o rei!
Uma simples frasesinha e já estão com tanto medo...

Um monárquico

Anónimo disse...

Qual rei? O Sebastião? Só pode..........