quinta-feira, 25 de novembro de 2010

COLÓQUIO: REPÚBLICA E O DESENVOLVIMENTO


Vai realizar-se hoje, 25 de Novembro de 2010, pelas 18 horas, nos Paços do Concelho, em Lisboa, o décimo colóquio desta série de iniciativas conjuntas entre a Fundação Mário Soares e a Câmara Municipal de Lisboa. Desta vez, a conferente será a Professora Fernanda Rollo, do Instituto de História Conemporânea e membro da Comissão Nacional Para as Comemorações do Centenário da República e autora de vários títulos ligados a este período da investigação.

Pode ler-se na nota de divulgação deste colóquio:

Este 10.º colóquio da série A República Mês a Mês, organizado em parceria pela Fundação Mário Soares e pela Câmara Municipal de Lisboa, é dedicado ao propósito de reflectir sobre as razões e os contextos que condicionaram a realidade económica e social portuguesa no tempo da I República - reconhecendo o seu desenvolvimento e os seus limites, ponderando o passado de que resultaram, considerando os enquadramentos e as circunstâncias políticas em que se inscreveram e de que forma se influenciaram mutuamente.

A I República não definiu uma política económica e financeira própria, já que os objectivos avançados pelos republicanos neste domínio - fomento económico e equilíbrio das contas públicas - eram bastante idênticos aos contemplados no modelo económico da Regeneração. Foram contudo inovadoras e significativas, nomeadamente pelos efeitos duradouros dos seus enunciados, várias propostas de fomento avançadas pela República.

Apesar de várias dessas propostas terem ficado por concretizar, sobretudo no domínio dos métodos apontados para alcançar o desenvolvimento, foram lançadas e incorporadas novidades bastante significativas, nomeadamente no campo da difusão da instrução; da exploração racional das colónias; do aumento do crédito agrícola e, claro, salientando o indiscutível êxito republicano nesse domínio, as medidas introduzidas na gestão das contas públicas, visando o aumento das receitas e diminuição das despesas do Estado.

De assinalar, ainda, o contributo moderno e inovador deixado por um conjunto de autores, como Basílio Teles (1856-1923) ou Ezequiel de Campos (1874-1965) entre tantos outros, que, numa série de escritos dispersos, procuraram enquadrar algumas temáticas relacionadas com o desenvolvimento económico nacional, nomeadamente: a especialização do País na produção agrícola, a valorização do solo, o planeamento regional, e que, no caso específico de Ezequiel de Campos, passavam também por uma consciencialização quanto ao papel da energia eléctrica no desenvolvimento e valorização da economia nacional.

Devem considerar-se, na análise do período, a instabilidade política, económica e social marcaram a realidade portuguesa e o enquadramento internacional, caracterizado por sucessivas e profundas perturbações, registadas em vários espaços e ao nível geral, que tiveram impactos evidentes, embora variáveis em termos de natureza e intensidade, na economia portuguesa. Situação em que se destaca, pela dimensão da ruptura à escala planetária, pelo carácter e durabilidade dos seus efeitos e pelo envolvimento directo de Portugal, a I Guerra Mundial.

No seu conjunto, a I República constituiu um período genericamente caracterizado por uma evolução económica desequilibrada, irregular e níveis modestos de crescimento. Tendência que se alterou no final do período, sendo de registar sinais de crescimento significativo, sobretudo a partir de 1923, definindo uma conjuntura que registou um relativo reequilíbrio da situação financeira do País, e conheceu a presença ou surgimento de um conjunto de actividades económicas bem sucedidas, em particular industriais, que tenderiam a afirmar-se nos anos seguintes.


Com a devida vénia, retirado da Fundação Mário Soares.

Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.
A.A.B.M.

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